Do “Templo de Salomão” à engenhosidade de Satanás

“Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores” (Mt 21,13).

Jesus não hesita em taxar aquele que comercializavam no templo como “salteadores, ladrões, vendilhões”. No dia 31 de julho foi inaugurado em São Paulo o “Templo de Salomão”, mantido e construído com recursos financeiros da “Igreja” Universal do Reino de Deus. Diversos são os aspectos que chamam a atenção com relação a esta engenhosidade, mas não gostaria apenas de me ater ao espaço físico do templo, com toda a sua grandeza, senão de fazer uma leitura evangélica e histórica com relação a este feito desnecessário.

Jesus fez duras advertências contra aqueles que pretendiam fazer do Templo um local de comércio. Infelizmente esta cena se repete ainda em nossos dias, sem qualquer pudor às palavras de Nosso Senhor, endereçadas contra estes que deturpam a fé cristã. O bem-aventurado Pedro apóstolo já advertira: “Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça, e a sua ruína não dorme” (2Pe 2,1-3). 

Estas palavras, não obstante a distância que nos encontramos de quando foram cunhadas, perpassaram o tempo e a história, porque constituída como Palavra de Deus, não cessa de denunciar as heresias e tentativas de destruição da fé verdadeira. É sabido que o senhor Edir Macedo não é um homem que vive para Deus, e tampouco trabalha pelo Reino de Deus. Ele inclui-se entre aqueles que o bem-aventurado apóstolo Paulo denunciara à comunidade de Filipos, pessoas cujo deus é a barriga (cf. Fl 3,18). A única Igreja fundada por Cristo não possui “filiais” e nem trabalha com possibilidades. A fé é certeza (cf. Hb 11,1), e na Igreja de Cristo quem não tem certeza não tem fé verdadeira, pode até ter “opinião” – que de nada lhe valerá! – mas não possui convicção.

Mas este templo, denominado “Templo de Salomão”, não é apenas um sinal de um empreendimento grandioso e de potencial econômico do grupo Macedo. É também um preclaro sinal de confusão religiosa e de desnorteamento da fé cristã. O que é a Igreja Universal do Reino de Deus? Um grupo proselitista que usa o nome de Cristo para propagar a sua doutrina e aumentar consideravelmente sua potencialidade econômica? Ou um grupo de reminiscência judaica que “aderiu” ao cristianismo? Não saberia responder diante de tamanha mistura e confusão causada na cabeça dos fiéis. 

Antes de entrar num viés teológico aguçado, devo ainda fazer uma crítica ao arquiteto da obra. O Templo feito ali não é o de Salomão, mas o Segundo Templo dos Judeus. O primeiro templo, sabemo-lo, foi incendiado pelos babilônios no ano de 587 a.C. Contudo, findado o cativeiro em Babilônia, os judeus reconstruíram o Templo sobre o Monte Moriá, que posteriormente fora embelezado por Herodes, o Grande, com o intuito de agradar a César. Os judeus tomaram isso como uma profanação por parte do rei. Em 70 d.C. todo o edifício veio abaixo com a invasão e o saque de Jerusalém.

Agora, adentremos no aspecto teológico da questão: Qual o símbolo de um Templo de Salomão ou do Templo judeu para o Cristianismo? Embora seja profunda a ligação entre judeus e cristãos, e temo-los em todo respeito, como nossos “irmãos mais velhos”, segundo denominou São João Paulo II, contudo não podemos negar que o verdadeiro e novo Templo é o próprio Cristo, segundo Ele mesmo dissera: “Destruí esse Templo e em três dias eu o reerguerei” (Jo 2,19). Embora isso não descaracterize a necessidade das Igrejas, as mesmas devem associar os homens a Cristo não a Salomão, por Ele a redenção foi concedida. O Segundo Templo é de Deus, é a casa de Deus, o lugar por excelência da oração.

Diante de tantas misturas de ritos, do desrespeito ao Cristianismo, do desrespeito ao judaísmo, podemos nos perguntar: Há alguma seriedade nesse seguimento religioso? São essas doutrinas diabólicas (1 Tm 4,4) que traem a percepção de fé do povo. Se o povo erra em segui-las, vós errais ainda mais, que a estimulais e iludis os que sem instrução aderem a esta mentalidade. O Templo citado é, enfim, um desrespeito, uma obra sem fundamento e que não deve ser vista como vínculo nenhum a realidade cristã ou judaica.

Lembra-te, Macedo, do que o Salmo diz: “Se o Senhor não construir a nossa casa, em vão trabalharão seus construtores” (127,1). A verdadeira construção se fundamenta no Senhor. Ele solidifica as bases daqueles que sobre ele construírem. Não me venha a vossa pessoa dizer que preza por um templo material se o verdadeiro templo para ti não faz diferença: “Vós sois a construção de Deus” (1Cor 3,9). Como um templo majestático de Salomão valerá mais que o templo da vida humana, dom sagrado e inestimável, que você negligencia quando se propõe a apoiar a prática do aborto? 

Por fim, recordo-me do Evangelho de São Marcos, no capítulo 13, que serve de admoestação a este grupo que tenta atraiçoar a verdadeira fé: “E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios! E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído” (vv. 1-2). A mentira, por si, nunca se sustenta! No fim, prevalecerá a verdade!

A mídia e o silêncio constrangedor de tantas palavras

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A princípio o leitor poderia interrogar-me dizendo que o texto parece paradoxal, entretanto não é uma afirmação falsa. Essa é a plena e triste realidade que circunda os meios de comunicação, sobretudo os que deveriam ser reflexo de uma clarividência mundial e desenrolarem a dramática situação de muitos povos.

“Se alguém quer seguir-Merenuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Mt 16,24).

Seguir a Jesus Cristo desde os primórdios tornou-se algo exigente e que requer uma grande disponibilidade de coração. Hoje, não menos que ontem, nosso coração conturba-se com as dificuldades para a vivência da fé em vários países do mundo, sobretudo no Médio Oriente. Temos visto o número de cristãos que por não negarem a sua fé e não cederem às pressões inimigas, são julgados, torturados e até mortos.

Recentemente fomos acometidos pela triste notícia que cristãos haviam sido crucificados por terroristas sírios. O que acontece é que os muçulmanos extremistas do grupo jihadista são cruéis perseguidores e leais imagens do Inimigo primeiro de Deus, precipitado do alto dos céus, num mundo tomado pela tribulação daqueles que sequer podem viver sua fé. Vislumbra-se o cenário da Igreja primitiva, da perseguição dos judeus, de Nero e dos demais imperadores romanos. O Demônio, feliz com tudo isso, conta e canta as suas aparentes vitórias, sem saber que novamente será essa peste infernal esmagada pela Cruz de Cristo.

Em Maalula, na Síria, dois jovens cristãos foram crucificados por terem rejeitado a shahada, isto é, a profissão de fé mulçumana. Esta denuncia foi feita por uma freira à Rádio Vaticano na Sexta-feira Santa. Além deste ato ela denunciou que os mesmos jihadistas “pegaram as cabeças das vítimas e jogaram futebol com elas”, e levaram “os bebês das mulheres e os penduraram em árvores com os seus cordões umbilicais” (com informações da Rádio Vaticano).

Revolta-me tal notícia. Quanta mediocridade e interpretação egoísta e irracional da fé! Mas não é de hoje que esta raiz floresce. Desde a época do Maomé, que afirmou: “Mostra-me também o que trouxe de novo Maomé, e encontrarás apenas coisas más e desumanas tais como a sua norma de propagar, através da espada, a fé que pregava” (Controvérsia VII 2c: Khoury, pp. 142-143; Förstel, vol. I, VII Dialog 1.5, pp. 240-241).

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Com esta afirmação nós poderíamos considerar obsoleta a ideia de uma liberdade religiosa para os muçulmanos. Maomé certamente por meio deste ensinamento de uma conversão forçosa e que culminaria nas tragédias revoltosas àqueles que não aderissem a tal mentalidade, tende a querer impor o islamismo como forma única de travar uma realidade com o divino.

Contudo, ainda que nos revoltem essas atitudes, chama-nos atenção o silêncio conturbador que a mídia faz com relação a crimes tão nefastos e que na maioria das vezes são negados ou incompreendidos aos olhos de muitos, sendo até mesmo desconhecido por grande parte do povo que fica subjugado ao mercado da manipulação de informações e do interesse econômico ou político que isso viria causar.

Essa atitude revestida por uma covardia e um interesse tanto medíocre como a atitude dos muçulmanos propositalmente, assim cremos, oculta a verdade da perseguição cristã que não menos que outrora tornou-se uma forma de forçar uma conversão ou conter o crescimento da fé, já como afirmei, propagado pelos filhos das trevas.

Poderíamos indagar-nos o que leva a mídia a silenciar-se de forma tão grotesca com tais gestos que saltam aos olhos da humanidade, não somente como uma ferida aos direitos humanos mas como uma ferida ao Coração do próprio Cristo? Lembro-me das palavras do Senhor a Saulo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9, 4). Perseguindo a Igreja perseguia também a Cristo, porque Cristo e a Sua Esposa são uma só coisa. Ele é a Cabeça, nós os membros. Contudo, quem não se interessa pelos direitos do homem, pela base da sua dignidade, pela direito a vida, tampouco irá mover-se para defender a sua fé e a sua liberdade de crer.

Os muçulmanos não entendem que não basta crer, mas é preciso saber crer. Os cristãos o entendem, e para que o cristianismo seja vivenciado na sua totalidade é necessário assumi-lo de forma destemida e concreta, mesmo que isso leve ao derramamento de sangue.

A omissão da ONU e de demais países, bem como a supressão deste assunto pela mídia, é mais uma vez prova de que esses valores apregoados ao vento são um misto de interesse e poder, descaracterizando a essencialidade da fé e da vida. Não se viu um veículo de televisão (que não fosse cristão, ao menos não eu!) denunciar o acontecido, mas vê-se a torto e a direito promoverem campanhas fúteis, propagarem a mentalidade de “direitos” gays, divórcio, aborto, pensamentos comunistas, ideologias contrárias à fé.

Fala-se muito, mas não se fala nada. Os casos são diversos, mas não difundidos. Recordamos as palavras do Servo de Deus Papa Pio XII, que na Encíclica Miranda Prorsus, procurou evidenciar que estes meios não devem ser caracterizados pela difusão do mal, mas estar a disposição do bem: “Servir a verdade significa não só apartar-se da falsidade e do engano, mas evitar também aquelas atitudes tendenciosas e parciais que poderiam favorecer no público conceitos errôneos da vida e do comportamento humano” (8 de setembro de 1957).

Bananas aos macacos; sabedoria aos homens!

Uma das coisas mais esdrúxulas e bestas que escutei nos últimos dias foi essa campanha infame: “Somos todos macacos“. Impressiona-me a capacidade de redutividade e bestialidade que o ser humano pode levar consigo, a ponto de criar uma campanha tão desnecessária e de dar uma divulgação tão ampla a uma coisa tão redutiva. Mas, antes de tudo, perguntemo-nos de onde advém tal campanha? Sim, dele, o “gênio” do futebol, o “espetáculo” irresistível de muitas garotas: Neymar. Isso, meus caros, ele mesmo! Não acredita? Pois então veja!

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Viram?? Ótimo! Mas então,depois disseram que isso não passa de uma campanha publicitária com a agência Loducca. De qualquer forma o ato surgiu depois que alguns torcedores atiraram uma banana para o jogador Daniel Alves num determinado estádio na Espanha, ele pegou-a e comeu. Interessante… Mas ainda mais interessante é que a própria campanha, ao mesmo tempo em que traja-se de uma luta contra o racismo, já carrega consigo mesmo uma concepção preconceituosa e sem qualquer nexo.

Agora eu pergunto: Somos todos macacos? Não! Eu mesmo não sou! Talvez quem tenha aderido a campanha se ache macaco, uma chita, um chimpanzé, então saiam coçando a cabeça e pulando como um. Agora, ainda mais que isso, constitui-se um grave problema (e seríssimo!), a onda de moda e fama que as pessoas deixam-se levar. Os alvoroços desprendidos de uma capacidade de racionalização que mitigam a verdade e empenham-se a confundir a mente dos demais com ideologias que aparentemente são atraentes, mas no fundo não passam de uma marketing ou pior: de uma redutividade do ser humano, levado à sua maior profundeza: a de não pensar, questionar e raciocinar.

Nesta mentalidade do “politicamente correto” o homem tem se desdobrado nas mais diversas aberrações que poderíamos imaginar (ou não). De transsexualismo a imposição da ditadura gay; de macacos a deuses; de sensatos a insensatos, como recorda São Paulo. É incompreensível e inaceitável o racismo, e este deve ser repreendido de todas as formas justas e inteligentes. O Daniel Alves protestou da melhor forma ao comer a banana. Mas me parece ser incompreensível também a forma como se combate o racismo se não for bem elaborada e planejada, levando em conta sobretudo o direito inalienável do ser humano e a sua integridade como “imagem e semelhança de Deus”. Certamente, ao ser criado pelo homem como sua “imagem” a Bíblia não quis fazer uma referência à aparência de Deus, até porque Ele não possui forma, no entanto somente Espírito. Este mesmo Deus é aquele que insufla nas narinas do homem o sopro da vida, a ânima, que sustenta o ser por Ele criado, moldado pelas suas mãos. Me pergunto, porém, se Deus cria o homem à Sua imagem e lhe dá sabedoria, inteligência, ratio, como então poderiam os darwinistas defenderem a concepção de que viera este mesmo ser do macaco? Seria meio sem nexo acharmos que Deus daria uma inteligência aos macacos, fazendo com que estes se desenvolvessem com a vicissitude dos tempos e chegassem ao estágio de seres humanos. Evidente que se os macacos fossem passíveis de uma racionalidade os homens em nada seriam diferentes e os macacos seriam criados à imagem e semelhança de Deus… Enfim, pensamento já fez muito devaneio, voltemos ao tema.

Neymar além disso expôs a figura do coitado (e coitado mesmo!) do filho dele segurando um bananão de pelúcia como se a criança estivesse também aderindo a campanha, aliás… o menino pela idade nem sabe o que é banana. Não seja patético Neymar! Use a inteligência uma vez. Seja tão bom em pensar quanto é em jogar. O mundo está enfadonho desses pensamentos redutivos e marcados por um preconceito embusteiro que vem acarretado de oportunismo e propagandas. Aplaudo o Daniel que não tinha intenção nenhuma de começar um movimento, mas o faz como uma resposta ao ato cometido por um cabeça vazia, contudo repreendo o Neymar que encabeça uma campanha tão retardada desta.

Dizer não ao preconceito é dizer sim às diversas nações e povos: brancos, negros, índios, asiáticos. Todos são, sim, filhos de Deus e criados como imagem do Criador. 

Ainda como se não bastasse encontro uma frase da Presidente Dilma (aliás, as frases dela são sempre irreverentes: “Neymar lançou a campanha Somos Todos Macacos para mostrar que todos temos a mesma origem”… Bom, Presidente, se a senhora descende dos macacos eu não sei (mas um dia paro para olhar a sua fisionomia melhor), eu, porém, descendo do meu Criador, aquele que me formou do barro e em mim soprou o espírito da vida.

Essa é uma epidemia das graves! Parece que tem gente que prefere o sopro da burrice dos astros do que o sopro da sabedoria divina… E, como canta Lulu Santos, “assim caminha a humanidade”.

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Enquanto isso: Lula teria dito que quer voltar à Presidência em 2014

- Lula diz que o julgamento do mensalão foi 80% político

- Cristãos são mortos no Oriente Médio

- E o Brasil caindo num Comunismo sem precedentes

“Questão de Gênero?”

NOTA PASTORAL DE S.E.R DOM JOSÉ RUY, 
BISPO DA DIOCESE DE JEQUIÉ, 
SOBRE A IDEOLOGIA DE GÊNERO


“Questão de Gênero?”

Enquanto nestes dias as redes sociais, com estardalhaço, publicavam as mais variadas opiniões sobre uma mal fadada pesquisa do IPEA a respeito do estupro, em Brasília, deputados se mobilizavam para votar um projeto de lei que regulamenta no Plano Nacional de Educação “respeito pela questão de gênero”.

Ao mesmo tempo, na Capital da República, outra novela se desvela alheia aos olhos de milhões de cidadãos brasileiros que são as investigações a respeito de corrupção na outrora maior empresa de petróleo do mundo (orgulho de ser patrimônio nacional).

Dentro deste contexto, a Igreja Católica nesta porção do Povo de Deus na Diocese de Jequié, vem se manifestar peremptoriamente contrária a esta ideologia do partido que governa a nação que deseja “impor” pela maioria de sua base aliada um projeto que quer eliminar a ideia de que os seres humanos se dividem em dois sexos, afirmando que as diferenças entre homem e mulher não correspondem a uma natureza fixa, mas são produtos da cultura de um país, de uma época. Algo convencional, não natural, atribuído pela sociedade, de modo que cada um pode inventar-se a si mesmo e o seu sexo.

A consequência desse nefasto projeto é a mais completa dissolução do grande valor da dignidade do ser humano e da família. Imaginemos tantas crianças e adolescentes em escolas públicas ou particulares “aprendendo” que tudo é apenas uma questão de escolha.Tudo isso baseado na análise marxista da história como luta de classes, dos opressores contra os oprimidos, sendo o primeiro antagonismo aquele que existe entre o homem e a mulher no casamento monogâmico. Uma ideologia que procura desconstruir a família e o matrimônio como algo natural.

A voz que clama dentro de nós, é a da nossa consciência, reta, sincera e verídica a gritar: o ser humano possui dignidade. Devemos nos atribuir o real valor que possuímos,mesmo que seja isso politicamente incorreto e contrariando o modismo imposto pela mídia e pelo governo. Recordando as palavras de Santo Anastácio: “se o mundo for contra a verdade, eu serei contra o mundo”.

Jequié, 04 de abril de 2014.

Dom José Ruy G. Lopes, OFMCap
Bispo Diocesano de Jequié

Fonte: Fanpage da Mitra Diocesana de Jequié

Tão espontâneas quanto um rojão

Santiago Andrade

A confusão dos últimos dias no Rio, que culminou com um assassinato, fez a mídia, finalmente, recobrar a sanidade. Já que não se sabe por quanto tempo será isso, é importante aproveitar a oportunidade… deixar claras algumas coisas. Primeira de todas: os tais “black blocs” – que eu não sou o único em apelidar de “black bostas” – são criminosos. O direito à manifestação livre e pacífica é garantido pela Constituição; manifestar-se com foguetes e pedaços de pau e depredando o patrimônio público não é direito nenhum. No começo, decidiram ignorar isso, mas, agora que a irresponsabilidade custou uma vida, foram forçados a abrir os olhos. Segundo: o Estado detém o chamado “monopólio legítimo da violência física”, quer se goste, quer não. A polícia ainda é a melhor forma de exercer aquilo que Rachel Sheherazade lembrou como “legítima defesa da sociedade”. Mi, mi, mi, dirão que estou sendo maniqueísta. Que digam. É preferível uma polícia com abusos e omissões, servindo à população brasileira, que o permanente estado de barbárie causado pelos rebeldes mascarados, servindo a interesses espúrios. Agora “a polícia é truculenta e antidemocrática”, mas quando a tal de Sininho (não a do Peter Pan) começar a ser linchada pela população – como já está sendo –, é à polícia – e não aos “black bostas” – que ela vai recorrer. Por fim, é forçoso admitir (e aqui vem o terceiro ponto): as manifestações das ruas foram espontâneas mesmo. Tão espontâneas quanto o rojão que matou Santiago Andrade: acendido, apontado e… fogo.

Um artista e suas artes

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“Sempre me senti artista”: é a frase de uma chamada no site da Caras. E é atribuída a ninguém menos que Fábio de Melo. Caso alguma boa alma não conheça esta peça rara – difícil, os seus livros estão vendendo a torto e a direito nas seções de autoajuda e análogas –, serei eu o estraga-prazeres a apresentá-la: favo de mel é professor, escritor, cantor, compositor, apresentador de televisão e, por último, padre. Currículo extenso, mas sempre tem espaço para mais alguma coisa. Antes de partir a conclusões: nem sempre quem diz uma heresia é herege. Pode tratar-se apenas de ignorância. Heresia é a negação pertinaz de uma verdade de fé. Pertinazmente ou não, favo de mel negou uma verdade de fé. Nos passos do modernista Alfred Loisy, que dizia: “Jesus Cristo anunciou o Reino, porém o que veio foi a Igreja”, o artista fez mais uma de suas artes: “Jesus não queria a Igreja, queria o Reino de Deus, mas a Igreja foi o que conseguimos dar a Ele”. O sacerdote também não se diz adepto “de uma fé que idiotiza”. Leia-se: a fé católica. Muitos de seus detratores têm-na apelidado de diversos nomes: bitolada, retrógrada, romana… e, agora, “que idiotiza”. Trocando em miúdos: nas palavras de Fábio de Melo – pelo menos da maneira como estão dispostas no site da Caras –, quem crê que a Igreja Católica foi fundada por Jesus é idiota. Ofensivo, não? Mas eu aposto que não faltarão arremedos de católicos dizendo que ofensivos somos eu e as linhas que escrevi. Triste. Ou, para trazer à lembrança o nome de um decreto famoso de São Pio X: lamentável*.

* Explicando: o erro de Loisy, repetido pelo padre Fábio de Melo, foi condenado pelo decreto Lamentabili, de São Pio X, em 1907. Diz: “Foi alheio à mente de Cristo constituir a Igreja como sociedade que devia durar sobre a terra por longo decurso de anos; mais, na mente de Jesus estava prestes a chegar o reino do céu juntamente com o fim do mundo”. Para quem tem o Denzinger, número 3452.

Leiam também: “Quanto mal fazem à Igreja os padres untuosos!” – sobre o pe. Fábio de Melo e suas más colocações, no blog Deus lo Vult!.

Humor de gente covarde

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Mais da “Porta dos Fundos”. O texto de um dos humoristas do canal, publicado recentemente na Folha de São Paulo, revela um suporte ideológico por trás dos gracejos do “Especial de Natal”: supostamente, faz-se troça de Cristo pelo simples gosto de estar ao lado de Galileu Galilei e Giordano Bruno. É que estas personagens – de quem pouca gente conhece mesmo a história – foram elevadas à honra dos altares laicos, simplesmente porque… tiveram desentendimentos com a Igreja Católica. (E sempre que alguém tem um desentendimento com a Igreja Católica, está certo, causa finita est.) Então, eles riem da Igreja, de Cristo e dos cristãos por vaidade, só pela ilusão de se acharem “livres-pensadores”, “esclarecidos” ou “críticos”. Mas, na verdade, não são nada disso. Vejam se têm coragem, por exemplo, de produzir um “Especial de Ramadã”. Não são capazes porque, como admitiu um outro porteiro dos fundos: “não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer!” Então, é assim: como eles não têm fibra de dar à vida pelo que creem (ou pelo que não creem), zombam de Quem teve fibra suficiente para receber cusparadas, açoites, espinhos e pregos por causa da Verdade. O humor da porta dos fundos, do qual é possível ouvir o riso estridente e tenebroso vindo dos infernos, é o humor pusilânime de quem usa qualquer pedaço de pau para bater não só na Igreja Católica, mas em qualquer coisa que ouse ir contra a corrente. É o típico humor de gente covarde.

Voltando ao óbvio

Verdadeiro "Amor à Vida" tem quem evita assistir à Rede Globo.

Verdadeiro “Amor à Vida” tem quem evita assistir à Rede Globo.

Ontem eu dei a grande bobeira de assistir um pouco à Rede Globo. E durante o horário nobre. Foi uma tragédia. Porque, vocês sabem, o horário é nobre, mas a programação é podre. Na novela das oito, no meio de uma festa, um gay se declara ao outro, com uma frase do tipo: ‘eu amo alguém que me despreza’. Logo após, é exibida uma minissérie pornográfica para coroar a noite: um personagem que dorme com a mãe, com a filha e com a amiga da mãe. Não fiquei ligado para ver o resto, mas, pelos comentários apaixonantes de quem assistia à trama ao meu lado, acho que o pior ainda estava por vir. Eu não gostaria de repetir o que é evidente, mas como andamos tão perturbados a ponto de esquecer ou negar a própria realidade das coisas, cabe-me tão somente ser ‘profeta do óbvio': essas novelas da Globo são asquerosas. E não uso essa expressão banalmente. Dá mesmo asco ver como a mesma estratégia que fez o Brasil legalizar o divórcio na década de 1970 está sendo usada para fazer a população aceitar novos perigos à instituição familiar. Tudo feito pacificamente, sem nenhum alarde, sem nenhuma reação. Bons tempos em que só se fazia pilhagem arrombando uma porta ou quebrando um cadeado; hoje, rouba-se a dignidade das famílias com pouco esforço: bastam uma televisão na sala, um erro de vigilância e o saque está feito. Antes, levavam embora bens materiais: móveis, aparelhos digitais ou dinheiro; agora, é a própria inocência de nossas crianças que é violada, de modo dramático. Alguém, lendo estas linhas, pode interpretar meus comentários contínuos a respeito deste tema como ‘obsessivos’. Não é para menos, não? Estamos falando da forja dos seres humanos, das ‘futuras gerações’, como gostam de dizer. Se esta não é uma matéria verdadeiramente relevante, então não há nenhuma outra.

Epifania: Festa da Luz e da Glória

Epifania_do_SenhorA Igreja convida-nos hoje à celebração da Solenidade da Epifania do Senhor, isto é, a sua manifestação, aparição, ao mundo. A Epifania (Ἐπιφάνει) é antes de tudo o proeminente convite à contemplação do mistério da fragilidade de Belém, mas ainda mais que isto: é ver Deus glorioso, adorá-lo em sua fragilidade, contemplá-lo em sua fortaleza. Ele tendo vindo deitou-se na manjedoura, fez-se um de nós, compartilhou da nossa fraqueza. É esta a glória de Deus para o mundo! Esta é a mensagem da salvação que perpassa dois milênios com renovado vigor: Deus é simples, é terno e humilde. Ainda em nossa sociedade temos contemplado uma potencialização negativa da figura de Deus, ou mesmo uma assumida ignorância do seu mistério. Quando o homem deseja colocar-se no lugar de Deus, quando põe Deus à parte como Autor da sua história, cria um ambiente de arrogância, de distanciamento, de morte.

A Luz que brilhou em toda a noite do Natal hoje manifesta-se ao mundo. O profeta afirma na primeira leitura: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor” (Is 60,1). Muito atual e sugestiva esta leitura como uma continuação da liturgia natalina. A glória do Senhor resplandece sobre a Cidade santa e torna-se um norte para os seus filhos deportados e dispersos, que sofriam arduamente com o exílio. Mas é ao mesmo tempo um convite às nações pagãs, que todas venham à Jerusalém para serem tomados pelo mistério da luz. Na verdade, a manifestação do Senhor e o Seu nascimento estão intrinsecamente unidos. No Oriente hoje celebra-se o Natal do Senhor, como uma certeza de que Aquele que nasce em Belém também já se manifestara ali para o mundo. Para nós, porém, esta festa ganha um sentido ulterior ao nascimento: a vinda dos Magos do Oriente para adorar o Menino é a manifestação de Deus aos povos distantes, que procuravam uma resposta para as suas indagações e que a encontraram deitada no lugar da pastagem dos animais.

“Levanta-te!” é esta a palavra que deve mover os que desejam nortear a sua vida nos caminhos da salvação e da esperança que se acende para o homem. O cristão não pode permanecer inerte mediante as dificuldades que assolam o tempo presente. O profeta evidencia a palavra de ordem: Levantar. Quem entra no mistério da manifestação do Cristo não sai de lá como outrora fora. Isto se dá porque a Epifania assume também um sentido singular para cada um: a conversão, a adesão ao Senhor e ao seu Amor. Só o amor dá as respostas necessárias para a solidão do homem. Quem não silenciar o coração não será apto a ouvir, é impossibilitado de travar um diálogo com o divino e permanece deitado, na comodidade denunciada por Isaias na primeira leitura.

O profeta ainda acrescenta: “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti” (Is 60,2). Também hoje a realidade não se difere da antiguidade. Quantos permanecem envoltos na escuridão? Não é uma cenário adverso se pensarmos nos que excluem Deus do âmbito social, familiar e até mesmo religioso, ao promoverem as suas capacidades e ideologias e esquecerem daquele no qual a religião e o mundo se fundamentam. A luz se apresenta, mas ainda assim muitos optam por atarem-se aos ardis semblantes das trevas. E que luz é esta? Não é uma luz metafórica, tampouco um simples fenômeno fisiológico, mas assume um rosto, assenta o seu Reino entre nós e a sua glória resplende: “Deus é luz e n’Ele não há trevas” (1 Jo 1, 5). Ele é a luz verdadeira, o Verbo Encarnado, Aquele que é, como professamos em nossa fé, “Luz da Luz”.

Mas, haveríamos ainda de intuir uma pergunta: Qual é a glória de Deus? Como ela se manifesta em nossos dias? Santo Irineu respondeu a esta indagação com uma frase belissimamente teológica, mas sobretudo como um plano de fundo que deve levar todo homem e o homem em seu todo a avaliar-se: “Gloria enim Dei vivens homo, vita autem hominis visio Dei – A glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus” (Tratado Contra as Heresias, Lib. 4,20,5-7:Sch 100, 640-642.644-648). Irineu formula o homem como ser necessitado do seu Criador, da beleza majestática de Deus, mas também da sua glória. Esta necessidade não é uma dependência escravizadora, que subjuga o homem a um poder celestial e que o faz desprover-se da sensatez e da razão; ao contrário, o poder de Deus liberta e salva, estimula o homem a fazer uso da razão e o faz conhecer os motivos da sua fé e o sentido pelo qual pôs-se a serviço do Evangelho. Hoje diríamos, até com certa ousadia, que a glória de Deus é o homem: Ele é o ser que ressai em toda a obra da criação e para o qual os anjos põem-se a serviço; é o único criado à imagem e semelhança do seu Criador (cf. Gn 1,26). Contudo, na vicissitude dos tempos, temos podido presenciar a deflagradora forma com que a mentalidade do homem tem se tornado restrita e adversa aos princípios de sua moral e da fé cristã.

Onde o homem se fecha à ação libertadora de Deus e a sua manifestação gloriosa, sempre tende a recair no isolamento, no fechamento em si e de si para os demais. A Epifania é a manifestação da glória e da salvação de Deus ao homem. Próximo a Deus o homem vive, encontra sentido e deixa-se guiar pela estrela que ilumina e irradia o brilho da salvação, a mesma que outrora orientara os desconhecidos, que de terras distantes vieram para curvar-se diante da fragilidade do Menino. Mas longe de Deus vem a ruína, a miséria, a desolação e o desencontro, seja com o Eterno, seja com os irmãos.

Peçamos ao Senhor que nos ilumine com a luz da sua salvação e da sabedoria para que nos abramos à sua graça e à sua ação salvadora. Ajude-nos a reconhecer como brilho verdadeiro aquele que emana de Belém, da humildade que redime o homem e o faz sempre mais estreitar-se ao querer de Deus.

Ecce Magi ab oriente venerunt (cf. Mt 2,1). Os magos que vieram do Oriente são provas marcantes de que Deus age em todos os lugares, ainda naqueles desconhecidos. Provenientes de países distantes, são eles os modelos daquele anúncio paulino que posteriormente seria feito: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho” (Ef 3,6).

Todos em Cristo congregam um só corpo, manifestam uma glória e participam de um único batismo. Certamente eram os magos pessoas instruídas e de uma sabedoria aguçada, sabiam da profecia de Miqueias com relação ao menino que viria e disto foi-lhes dado o sinal por meio da estrela de Belém. Seguem-na com grande curiosidade e esperança de encontraram o Messias, uma inquietação benévola instigava-os a buscarem o Salvador. Mesmo se modesta ao aparecer sobre a terra, projetava-se a estrela para a vertente divina, no céu.

Balaão, chamado a anunciar a maldição sobre a nação eleita de Israel, ao ouvir do próprio Deus que aquele era o povo abençoado (Nm 22,12), anuncia a profecia: “Uma estrela sai de Jacó, e um cetro flamejante surge do seio de Israel” (Nm 24, 17). Cromácio de Aquiléia, no seu Comentário ao Evangelho de Mateus, cria uma relação entre Balaão e os Magos. Escreve ele: “Aquele profetizou que Cristo teria vindo; estes viram-no com os olhos da fé”. E acrescenta uma atenta observação: “A estrela era vista por todos, mas nem todos a receberam” (ibid., 4, 1-2).

O evangelista não nos diz quantos são os magos que vieram seguindo a estrela de Belém, mas fala apenas de “alguns magos do Oriente” (Mt 2,1). E quem eram tais homens? Não sabemos! Apenas a tradição medieval tardia afirma serem três, mas sem qualquer veracidade. O que podemos intuir é que eram homens do estudo, do conhecimento das causas naturais, descobridores dos astros.

Mas um detalhe interessante a notarmos é o que um dos versículos da Palavra proclamada nos diz: “E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino” (Mt 2,9). AntecedebatAdiante. Esta palavra faz-nos pensar na posição da estrela com relação aos magos. Não ia atrás, como também não ia acima, mas ia adiante. São Pedro Crisólogo faz-nos pensar com relação a esse texto ao escrever: “Quando os Magos andavam, andava a estrela; quando se assentavam, parava; quando dormiam, velava, mas dava um passo mais que eles”.

Cristo é a luz que brilha na dianteira da humanidade, Ele é o caminho que os homens devem percorrer sinalizados pelas estrelas que ainda hoje brilham, mesmo que ofuscadas por outros brilhos fugazes dos prazeres efêmeros e aparentemente atraentes e belos. A verdadeira beleza, no entanto, não se dá pela aparência, mas pela verdade que ela porta consigo. A verdadeira beleza é a verdade, irradiada aos povos distantes que agora congregam-se na única esperança: aquela manifestada pela Luz.

A vida do homem da pós-modernidade anseia por Deus e por sua esperança. Foi ela duramente negligenciada em suas questões elementares por concepções que não transpõem os limites terrenos. Também nós queremos hoje refazer o caminho de Belém, chegarmos ao lugar da morada de Deus, o local do Verbo que assume a forma humana. Para isto nos ajude Maria, mulher da perseverança e do silêncio orante. Nos inspire também José, homem da confiança e da disponibilidade a Deus.

Entre Ghiraldellis e Franciscos

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Das muitas brigas que a jornalista Rachel Sheherazade comprou em 2013, lembro-me de uma em particular: o caso da invasão do Instituto Royal pelos defensores de beagles. A memória vem-me não tanto por sua opinião, mas pelo comentário que um amigo lançou no Facebook: dizia ele que “deveriam fazer experimentos nela, ao invés dos animais”. A última polêmica do ano envolvendo Rachel foi com um senhor de nome Paulo Ghiraldelli. O seu voto para 2014 era que a jornalista – a quem se referia carinhosamente como “Sherazedo” – abraçasse um tamanduá, depois de ser estuprada. Pouco após, ele – certamente querendo poupar referências ofensivas ao pobre do tamanduá – modificou seu comentário: “que a Rachel Sherazedo seja estuprada”, ponto. À parte a absurda falta de respeito destas afirmações: os animais não valem mais que os seres humanos – e só seres humanos podem discordar disto. Há quem diga que seu cachorro de estimação vale mais que “muito bandido”. Sem querer defender bandido, o próprio fato de o homem poder rebaixar-se a ponto de assemelhar-se a um Ghiraldelli da vida torna-o muito maior que qualquer animal, beagle ou não. Neste caso, é claro que se está a falar de um abuso de sua liberdade, mas o uso correto do livre-arbítrio forja criaturas da estirpe de Agostinho, Francisco de Assis, Tomás de Aquino e Teresinha do Menino Jesus. Toda a natureza se prostra diante destes gigantes, vendo neles um reflexo d’Aquele que já os tinha feito à Sua imagem e semelhança. O maior argumento em defesa da primazia do gênero humano, no entanto, oferece-o o Natal: o próprio Deus se fez homem. Talvez a própria palha fosse mais digna de acolher Deus que a nossa humanidade, mas, ainda assim, Deus quis tomá-la para si, a fim de elevá-la às alturas. E de lá, tragicamente, só uma pessoa pode nos tirar: nós mesmos.