Pentecostes: Amor e Coragem no discipulado

“Et repleti sunt omnes Spiritu Sancto et coeperunt loqui aliis linguis, prout Spiritus dabat eloqui illis” (At 2,4)¹.

           formacoes66 Fala mal quem deseja falar todas as línguas e em nenhuma se detém, visto que nem tem tempo para aprimorar-se – já que deseja chegar ao conhecimento de todas – e tampouco terá a exatidão da compreensão, que tem os que em alguma detiveram-se. Assim o é conosco, assim o foi outrora com os apóstolos. Para as diversas nações que ali se encontravam, nenhuma era a compreensão pela diversidade de línguas; pardos não compreendiam os elamitas; romanos não compreendiam os mesopotâmicos; frígios não entendiam os capadócios e assim por diante. Parecia-nos esta a Babel, o caos, o desentendimento. Mas, notai! Os construtores de Babel foram confundidos por Deus, e no Cenáculo não foram confundidos, senão que unificados. Lá fizera o Senhor confusão onde havia unidade; cá, o Senhor faz unidade onde há confusão; lá os homens almejavam edificar uma torre que chegasse até o céu – que era a ideia de espaço físico onde Deus se encontrava – para que elevassem seu nome sobre a terra; cá os homens não edificavam torre, senão que estavam temerosos para irem ao encontro de Deus, para o testemunharem, para traçarem uma ponte que pudesse chegar até Ele. Comparai uma e outra e vereis que há uma inversão, por assim dizermos, entre Babel e o Cenáculo. O que naquela se perdera, nesta se restaurara; o que naquela se destruíra, nesta se edificara.

            Diz-nos também o evangelista que o Espírito aparece e todos Dele ficam “repletos”. Pois não ficaram cheios, mas repletos. E por quê? Porque aquilo que está cheio pode não estar repleto, mas tudo o que está repleto, em si, já está cheio – e mais que cheio, está pleno. E aqui, sim, cumpre-se aquilo que houvera predito o Senhor aos seus antes de elevar-Se aos céus: “Recebereis o poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1,8).

Agora estão todos preparados e munidos da força interior para serem testemunhas, sem temor, sem tremor, levando somente o que por Si basta: O Espírito Santo. E por que vão eles aos “confins da terra” e não apenas à Palestina ou a Roma? Por que cada um dirige-se a um território diferente? Porque a salvação é para todos, não somente para alguns, isto é representado com maior clarividência na diversidade de povos acima citada. Todos tem a oportunidade de aderirem a salvação, mas não é a ninguém obrigado porque o Espírito, nos diz Paulo, é de liberdade. E porque testemunhar é servir e o amor é serviço, põem-se eles a irem a lugares tão distantes, espalhando o Reino de Deus e o Logos divino que permeia o homem.

Ao Filho de Deus, Segunda Pessoa da Trindade, atribui-se a sabedoria; ao Espírito, Terceira Pessoa, atribui-se o amor. Todo amor é serviço, entretanto, nem todo serviço é feito com amor. Quando se serve sob pretexto de algo, procurando favorecer-se ou sob ameaça de alguém, o amor perde o seu sentido mais belo: a liberdade, liberdade para amar e, por conseguinte, para servir. E os apóstolos são testemunhas autênticas de tal verdade. Ou não poderiam eles negar ao nome de Jesus, retornarem à comodidade de suas vidas e livrarem-se de todos os perigos e ameaças que a tarefa apostólica acarretaria? Pois optam por amarem o Amor, por servi-Lo e por darem as suas próprias vidas, encorajados pelo Espírito da Verdade, da Sabedoria, e do destemor dos homens, mas do Temor a Deus.

Eis, pois, que nenhum cristão sinta-se medroso diante das realidades do mundo! Se somos membros da mesma Igreja, se outrora viera o Espírito aos Apóstolos, agora Ele no-Lo é concedido, vem também a nós e, como fora a dois mil anos, o faz também hoje. Pois que medo há mais do que aquele de omitir-se no projeto salvífico de Cristo? Que vergonha maior há do que não testemunhar o Senhor da Igreja à qual somos membros? Que tristeza há mais do que aquela de estarmos na Igreja mas pensarmos como o mundo?

Hoje é a Festa do Espírito, mas é também a Festa da Igreja. O dia em que, encorajada pelo Espírito, ela abre-se ao mundo, torna-se missionária e testemunha; aliás, contraditório e perigoso é um missionário que não testemunhe. E justamente por ser missionária é também universal, fala várias línguas com apenas um entendimento. Não se entendem diversas coisas daquilo que ela diz nas diversas línguas, mas apenas uma – e necessária – cousa se-nos-é compreensível. A mesma doutrina é transmitida à variedade de línguas, de forma que todos possam saber que apenas um é seu ensinamento transmitido desde os tempos apostólicos. Bem o disse Paulo: “De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito” (1Cor 12,13). Bebemos de um único Espírito porque não há de ter mais de um, mas somente aquele que inspira a Igreja durante seus dois milênios. Se alguém não bebe desta fonte, se alguém bebe de algum outro ensinamento, não bebe do Espírito de Deus mas de fontes desconhecidas e contrárias ao que se tem pregado por séculos.

Pouco é o que aqui tenho dito, muito é o que ainda há de se falar. Peçamos ao Espírito de Deus que nos conceda sabedoria, humildade e coragem para bem exercermos a nossa vivência cristã. Que Ele desça eficazmente sobre cada um de nós. Concede perseverança, Senhor, aos que falam em teu nome, e, como outrora fizestes descer língua de fogo sobre os apóstolos, dê fogo de língua aos nossos pregadores e com toda a Igreja clamemos: Veni, Sancte Spiritus, et emitte caelitus, lucis tuae radium – Vem, Santo Espírito, e mandai dos céus um raio de luz”.

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1.”Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem”.

Minha primeira Missa Tridentina

Participei, no primeiro domingo deste mês, dia 5, de minha primeira Missa Tridentina. Aproveitei minha viagem para Minas Gerais e decidi passar com alguns amigos na Catedral de Santa Teresinha do Menino Jesus, em Uberlândia, para assistir a celebração na Forma Extraordinária do Rito Romano, que já acontece regularmente na cidade.

Estava ansioso. Já tinha ouvido falar muito da Missa de Pio V – até a defendi aqui, em algumas ocasiões… -, do padre de frente para Deus, da assembleia em silêncio adorando o Senhor, da língua latina. Finalmente eu ia conhecer a Missa que foi oferecida em nossos altares por séculos e que santificou inúmeros homens e mulheres da Igreja.

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Veja outras fotos e saiba mais sobre a celebração da Missa Tridentina em Uberlândia no blog: http://missatridentinaemuberlandia.wordpress.com/.

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Quando a celebração começou, o padre e o acólito faziam várias coisas que eu, como leigo, não entendia muito bem. Mas desde o começo impressionou-me muito como era significativa a mudança de orientação da ação litúrgica. Foi um choque assistir a celebração versus Deum. O latim não foi um incômodo tão grande. Eu já tinha decoradas algumas orações em latim. Sabia inclusive que a Missa antiga começava com o Introibo ad altare Deiad Deum qui laetificat iuventutem meam. Sabia que deveria responder Et cum spiritu tuoe não “Ele está no meio de nós” –, quando o padre dissesse Dominus vobiscum (e ele falou isso várias vezes). Cheguei até a arriscar algumas respostas um pouco antes da comunhão, sem olhar no pequeno missal que um amigo trouxe para acompanharmos a celebração. Mas, o padre “virado de costas pro povo”, como se diz usualmente… aquilo me incomodou.

Não, caro leitor, não achei ruim a celebração ter sido ad orientem. Muito pelo contrário.

Sabe, a gente vive falando que o Sacrifício da Missa é oferecido a Deus – e só a Ele -, que na Missa o Sacrifício no Calvário se atualiza, que Jesus ofereceu-se ao Pai, pelos homens… Mas, quando temos o padre olhando o tempo todo em nossa direção – muitas vezes sem uma cruz no centro do altar -, rezando (sim! a Deus, mas) orientado para a assembleia, de certo modo sentimo-nos importantes demais, quando, na verdade, não somos! Talvez por isso tenha ficado tão chocado com o sacerdote, ali, de costas, virando apenas para refletir o Evangelho e uma vez ou outra para dizer que o Senhor estivesse conosco.

É verdade que o Senhor está presente também na assembleia. Mas o risco de fazer do ato litúrgico um “programa de auditório” é muito maior quando o ministro celebra versus populum. Quem ama a Cristo e tem consciência que a Liturgia não é algo que inventamos, mas sim um dom que recebemos, celebra piedosamente tanto a Missa de Pio V quanto a de Paulo VI, tanto ad orientem quanto versus populum. Mas, para quem quer se colocar no centro da ação litúrgica – ao invés de colocar Aquele que é o centro de toda a vida da Igreja -, basta que veja uma plateia ali, à sua frente, para falar o que bem entende, atropelando as rubricas e até deixando de lado o Missal, se preciso for.

O silêncio foi outra coisa que também me impressionou. Comumente ouvimos as pessoas dizerem que vão à Missa “para rezar”. Mas como se reza, se muitas vezes a celebração, com bateria e guitarras, parece mais um concerto de rock n’roll? Como se reza, com tantas palmas, gritos – e até mesmo danças? Em poucas palavras: como se reza, com tanto barulho? Às vezes, é preciso um esforço quase sobrenatural dos fiéis para se concentrarem e tentarem ouvir a voz de Deus…

Na Missa de que participei em Uberlândia, era possível rezar, desde a aspersão até o Ite, Missa est. Após a comunhão, era possível fazer a ação de graças (sem “Noites Traiçoeiras” ou “Faz um milagre em mim”). Tudo parecia tão calmo e sereno, era tudo tão belo, que, mesmo nunca tendo ido ao Céu, posso dizer que aquela igreja tinha se transformado em um pequeno pedaço dele.

É claro que toda Missa é um intercâmbio entre o Céu e a Terra. É claro que toda Missa é o Sacrifício da Cruz. Mas, sabe… Toda diocese poderia ter um lugar para que fosse celebrada a Missa Tridentina. É o desejo expresso do Papa Bento XVI, com a publicação do Summorum Pontificum, e é o desejo de uma multidão de fiéis – especialmente de jovens -, que, em comunhão com uma Igreja de dois mil anos, exultam ao ver o altar arrumado para acolher a Missa na Forma que santificou tantas almas…

Dia 5 de maio foi um dia especial. Espero que essa experiência se repita novamente, muitas e muitas vezes.

O Conselho de Justiça se mete onde não é chamado.

- Decisão do CNJ sobre casamento gay é escandalosamente inconstitucional, no blog do Reinaldo Azevedo. Apologia da união civil homossexual à parte – recomendo novamente a leitura deste ótimo documento, da pena do cardeal Joseph Ratzinger, condenando o reconhecimento civil da união de pessoas do mesmo sexo -, é importante entender como os sindicalistas gays estão trabalhando para implantar sua agenda no país. Para quem não sabe, o Conselho Nacional de Justiça teria obrigado todos os cartórios do país a reconhecer a união estável de duplas homossexuais. As redes sociais ficaram cheias de comemorações, arco-íris e sei lá mais o quê.

Bom, não se trata nem de ser a favor ou não da situação. Tanto que até um jornalista favorável ao “casamento” gay veio a público dizer que não é competência do CNJ decidir estas coisas. “Quando um órgão criado para funcionar como controle externo do Judiciário decide assumir o papel de legislador, algo de muito ruim está em curso.”

Peço também que assistam, abaixo, ao vídeo do senador Magno Malta. Reparem, senhores defensores do “Estado laico”, que, embora protestante, em nenhum momento o parlamentar usou a religião, ou falou de Deus, para justificar seu repúdio à decisão do CNJ. De forma semelhante se pronunciou várias vezes Sua Santidade, o Papa Bento XVI, em suas declarações públicas contra a união civil homossexual, mostrando que a oposição a este absurdo prescinde de dogmas ou revelações religiosas; tem a ver, antes, com o respeito à lei natural e à instituição da família.

- A propósito, ainda com relação à decisão do CNJ, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil também reagiu, por meio de uma nota, publicada no site da instituição, ontem. “As uniões de pessoas do mesmo sexo (…) não podem ser simplesmente equiparadas ao casamento ou à família, que se fundamentam no consentimento matrimonial, na complementaridade e na reciprocidade entre um homem e uma mulher, abertos à procriação e à educação dos filhos.”

Os bispos do Brasil lembraram que não cabe ao Conselho Nacional de Justiça legislar. “Com essa Resolução, o exercício de controle administrativo do CNJ sobre o Poder Judiciário gera uma confusão de competências, pois orienta a alteração do ordenamento jurídico, o que não diz respeito ao Poder Judiciário, mas sim ao conjunto da sociedade brasileira, representada democraticamente pelo Congresso Nacional, a quem compete propor e votar leis.”

E por que preferem aprovar estas coisas na surdina, ao invés de mandar as propostas de leis e emendas ao Congresso Nacional? Ora, porque os líderes da causa gay sabem muito bem que maioria da população brasileira é contrária a esta pouca vergonha que está sendo abertamente defendida nos meios de comunicação. Lançar este tema em um debate público frustraria os propósitos totalitários da militância LGBT que, sob a máscara da democracia e da “tolerância”, empurram suas ideologias goela do povo brasileiro abaixo.

3ª Sinfonia de Beethoven: Na dor e na alegria o homem compõe sua vida

Depois de um demasiado período de distanciamento entre a última sinfonia a ser meditada, chegamos a 3ª de Beethoven Em Mi Bemol Maior, também conhecida como Eroica. Parece-nos que aqui encontra-se um marco do fim da Era Clássica e do início da Era Romântica. É, como sempre em Beethoven, uma harmoniosa e expressiva manifestação da capacidade compositiva do mesmo.

Encontramos na sinfonia a presença de 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes em si bemol, 2 fagotes, 3 trompas em mi bemol, fá e dó, 2 trompetes em mi bemol e dó, tímpano e cordas.

A ideia inicial seria dedicar a sinfonia a Napoleão Bonaparte justamente porque via-se como admirador dos ideais da Revolução Francesa, entretanto tal ideal fora mais tarde frustrado quando Napoleão se auto intitulou imperador da França em maio de 1804, ao que Beethoven teria se revoltado ardentemente a ponto de riscar da página-título o nome de Bonaparte com uma faca de forma a fazer um buraco no papel. O compositor teria então mudado o nome da sinfonia para: Sinfonia eroica, composta per festeggiare il sovvenire d’un grand’uomo (“sinfonia heróica, composta para celebrar a memória de um grande homem”).

Segundo o seu assistente Ferdinand Ries:

“Ao escrever esta sinfonia Beethoven tinha pensado em Buonaparte, mas Buonaparte como Primeiro Cônsul. Naquela época, Beethoven tinha a maior estima por ele e o comparou aos máximos cônsules da antiga Roma. Não só eu, mas muitos dos amigos mais próximos de Beethoven, viu esta sinfonia em sua mesa, lindamente copiados à mão, com a palavra ‘Buonaparte’ inscrito no topo da página-título e ‘Ludwig van Beethoven’ na parte inferior. …Eu fui o primeiro a dizer a notícia de que Bonaparte havia se auto-declarado imperador, quando de repente teve um acesso de fúria e exclamou, ‘Então ele não é mais do que um mortal comum! Agora, também, ele vai pisar no pé de todos os direitos do homem, saciando somente a sua vontade; agora ele vai pensar que é superior a todos os homens, se tornando um tirano!’ Beethoven foi até a mesa, pegou a página-título, rasgou ao meio e jogou-o no chão. A página tinha de voltar a ser copiado e foi só agora que a sinfonia recebeu o título de ‘Sinfonia Eroica’” (Wikipedia apud A Era Napoleônica).

A execução da sinfonia deu-se pela primeira vez de forma privada para o seu grande amigo Joseph Franz Maximilian Lobkowitz em 1804, e a execução publica deu-se no seguinte ano.

Segundo conta-se, a recepção não foi assim tão caloroso, ao contrário, causou confusão e divisão nos ouvintes. A obra, duas vezes mais extensa que a de Haydn ou Mozart (já no primeiro movimento mais extensa que várias sinfonias), dividiu os ouvintes levando-os a afirmarem ser esta a obra-prima de Beethoven, entretanto outros diziam que seria uma busca de originalidade que acabou por se não ter.

Passemos agora a compreensão das divisões da sinfonia. O Primeiro Andamento é o Allegro com brio, que se inicia com alguns acordes que serão mais enfatizados na quinta sinfonia.

O Segundo Andamento (Marcia funebre: Adagio assai em dó menor) como o nome indica é uma marcha fúnebre. Trata-se de uma composição que é das mais pungentes de toda a história da música. Alterna entre a mais profunda expressão da dor com momentos de luz e esperança. E, de fato, é tão comovente e avassaladora, tão sentimental, que nos faz volvermos nossos olhos para uma cena de profunda dor; contudo, no decorrer da sinfonia é notório que da dor vai se criando um grito como que de esperança, uma luz daquela que nos diz o salmista: “Lux orta est iusto – Uma luz já se levanta para os justos” (Sl 97,11).

No Terceiro Andamento (Scherzo: Allegro vivace), tal como aliás e sobretudo o quarto, são por vezes considerados menores, ao ponto de um dos maiores críticos ingleses do século XIX ter afirmado uma vez “a interpretação da terceira sinfonia terminou e muito corretamente no fim da marcha fúnebre tendo as restantes partes sido omitidas”. Pessoalmente discordo desses. Só pela beleza e genialidade também presentes no terceiro e quarto seria impossível omiti-los como se não fizessem diferença.

O quarto andamento (Finale: Allegro molto), construído inteiramente a partir de um tema e variações em fuga bastante simples não deixa de ser uma composição extraordinária. Berlioz na sua análise das sinfonias de Beethoven, diz a respeito deste andamento que aqui Beethoven conseguiu construir a diferença de cores que existe entre o azul e o violeta.

E assim, na beleza da música clássica nós podemos contemplar cada sentido transcendental da vida, manifestações de dor ou de alegria, de vida ou de morte, mas que sempre nos levam a pensar, a reavaliarmos o valor da vida e fazermos desta o nosso lugar, o lugar do homem na história.

https://www.youtube.com/watch?v=MtYqcg53jEc

Cristo transformou a água em vinho. Edir Macedo não acha justo.

Eu não sei de quando é este vídeo do pr. Edir Macedo, líder da Universal do Reino de Deus. Foi postado no YouTube no final do ano passado. Trata-se de mais uma pérola deste arauto do abortismo e da teologia da prosperidade. Edir está revoltado… porque Jesus transformou a água em vinho.

“Então, eu estou convidando, convocando todas as pessoas, todas as pessoas que me ouvem, eu estou convocando pra que, juntos, nós venhamos fazer um desafio com Deus. Porque não é justo, não é aceitável que nós creiamos, aceitemos Jesus transformando a água em vinho e não transforme a vida das pessoas que estão vivendo a vida desgraçada”.

“…jamais chegareis a honrá-la tanto, como chamando-lhe Mãe de Deus.”

Our Lady of Fatima 2

“Necessário seria compreender quão sublime é a grandeza de Deus, para também se compreender a altura a que Maria foi elevada. Bastará, pois, somente dizer que Deus fez desta Virgem sua Mãe, para entender com isso que não lhe era possível exaltá-la mais do que a exaltou. Apropriadamente afirma Arnoldo de Chartres que, em se fazendo Filho da Virgem, Deus a colocou numa altura superior a todos os santos e anjos. Exceto Deus, ela é sem comparação mais elevada do que todos os espíritos celestes, como dizem S. Efrém e S. André de Creta. Vulgato Anselmo escreve: Senhora, vós não tendes quem vos seja igual, porque qualquer outro ou está acima, ou está abaixo de vós; só Deus vos é superior, e todos os outros vos são inferiores. É tão grande, em suma, a grandeza da Virgem, conclui S. Bernardino, que só Deus pode e sabe compreendê-la.”

“‘Por isso ninguém se maravilhe, adverte S. Tomás de Vilanova, se os santos evangelistas, tão prontos em registrar os louvores de São João Batista, de Madalena, foram tão parcos em descrever as prerrogativas de Maria. Contentam-se em dizer que dela nasceu Jesus. Baste-nos isso. Com tais palavras dizem tudo, resumem-lhe todas as excelências, sendo por isso desnecessário que as fossem descrevendo uma a uma’. E descrevê-las por que? Maria é Mãe de Deus, e já não excede com isso a toda grandeza e dignidade que se pode exprimir ou imaginar depois de Deus? pergunta Eádmero. Igualmente conclui Pedro Celense: Dai-lhe o nome que quiserdes, de Rainha do céu, de Senhora dos anjos, ou qualquer outro título de honra, jamais chegareis a honrá-la tanto, como chamando-lhe Mãe de Deus.”

Santo Afonso Maria de Ligório,
Glórias de Maria
3. ed. – Aparecida, SP: Editora Santuário, 1989
p. 291-292

O amor de Deus: fundamento da Religião

“Antigamente convertia-se o mundo, hoje por que se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obras são tiros sem bala; atroam, mas não ferem (Pe. Antônio Vieira, Sermão da Sexagésima).

Após um longo período afastado por algumas razões de saúde e demais motivos superiores, hoje relendo o Sermão do Pe. Antônio Vieira, um dos  que mais me agradam nas obras e em todo o suporte retórico e teológico-espiritual que ele nos oferece, resolvi dedicar-me a este artigo, sobre o qual apenas pensei no papel da religião na nossa sociedade. É este um verdadeiro clamor às religiões e aos cristãos; um clamor que brota, mais do que nunca, diríamos, das entranhas do Espírito Santo. Ao chegarmos à conclusão do Tempo Pascal com a Solenidade da Ascensão do Senhor e de Pentecostes, somos impelidos por estas palavras que tocam o âmago da nossa fé e da nossa concepção de Cristianismo e de vivência cristã.

 Desta feita, torna-se necessária hoje uma tríplice pergunta: O que é a fé cristã? Como exercitá-la no mundo? Como transmiti-la aos demais? Tais indagações fazem-nos refletir e adequarmo-nos a uma realidade sempre pertinente e à qual nunca me canso de chamar a atenção: a configuração total a Cristo por meio do Evangelho, de uma autêntica vivência da Fé. Não podemos nos cansar de ser cristãos; não podemos brincar com o Evangelho; não podemos adequar o Evangelho a nós – triste realidade do mundo hodierno. Ou somos destemidos ou somos covardes; ou somos audazes ou somos retraídos; ou somos cristãos ou não o somos, mas não podemos fazer meio termo da Palavra de Deus, pois Deus não faz meio termo do gênero humano.

Diz-nos a Escritura: “Nem quente, nem frio, mas porque és morno vomitar-te-ei da minha boca” (Ap 3,16). Palavras duras, mas verdadeiras. Deve haver uma contrapartida entre o homem e Deus, uma reciprocidade. Deus não é interesseiro, mas a questão aqui é de um reconhecimento da nossa parte. Aquele que é Senhor de tudo, doador de todas as graças, quer depender do nosso amor, quer de nós apenas isso: que O amemos. E só desta forma pode o homem senti-lO: pelo amor. A religião (re-ligare = religar) deve ser a propiciadora deste encontro, aquela ponte que une o homem a Deus e jamais deve ser muro que separa, desvirtuando-se, assim, não apenas da sua nomenclatura, mas da sua missão primeira.

Pregar sobre Deus, anunciá-lO, mostrar o Seu amor ao mundo, esse é o dever da religião. Quando a religião deixa de pregar sobre Deus e o seu Evangelho e passa a ser transmissora de suas convicções institucionais ou de convicções pessoais de seus membros, deixa de ser semente de Deus e passa a ser joio do Diabo. Se queremos que o mundo olhe para a Igreja, contemple o crucificado, adore o Senhor morto e ressuscitado, não podemos fazê-lo apenas por palavras e por belas retóricas – como recordara Pe. Vieira –, devemos antes de tudo dar testemunho. Coloquemos Deus novamente no centro da religião e de nossas vidas. Quando retiramos Deus dos horizontes da sociedade, tendemos a mostrá-los apenas horizontes de morte, desfigurados pela falta de amor e de misericórdia, pela falta de fraternidade e de humildade.

Antes de proferirmos belas palavras dos púlpitos, batamos no peito e reconheçamos as nossas misérias e peçamos perdão por nossos pecados; depois poderemos anunciar aos outros aquilo que escrevemos primeiramente para cada um de nós, pois enquanto não ponderarmos nossas ações e buscarmos autenticidade nelas, não passaremos de meros semeadores de confusão daquilo que falamos mas não fazemos, denunciamos mas não corrigimos, proclamamos mas não escutamos.

Na Solenidade da Ascensão do Senhor sejamos como os Apóstolos, testemunhas destemidas do mandato de Jesus. Que o nosso medo não resvale na nossa boa audácia de discípulos e que a nossa fé não sucumba nas adversidades.

Chalita, o “católico praticante”, fala sobre aborto, “casamento” gay e excomunhão.

Já falamos muito neste espaço sobre a atuação política e religiosa do deputado federal Gabriel Chalita, do PMDB.

Quando ele apoiou a então candidata do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, Dilma Rousseff, protestamos veementemente – e não fomos os únicos! -, já que os princípios defendidos pelo PT de Dilma eram (e ainda são) totalmente incompatíveis com o “catolicismo praticante” que Chalita sempre assumiu para si.

Recentemente, questionado sobre o reconhecimento civil das uniões homossexuais – ao qual a Igreja pede a seus fiéis que se oponham “de modo claro e incisivo” –, Chalita deu sua aprovação: “Sou favorável a isso. Acho que isso já está decidido, discutido”.

Agora, o deputado da base aliada do governo vem a público para negar acusações de enriquecimento ilícito. Chalita concedeu uma entrevista ao programa Poder e Política, da Folha, e teve tempo também para falar de suas posições religiosas. Ele novamente defendeu ser “católico praticante”, disse que é contrário ao aborto – menos no caso de estupro: “O caso do estupro pode” –, não mudou sua opinião quanto à união civil gay – “você não pode ter nenhum tipo de preconceito a uma relação estável entre duas pessoas, sejam elas do mesmo sexo ou de sexos diferentes” – e criticou a excomunhão do padre Beto, de Bauru: “Eu acho que ele tem o direito de expressar…”

Disponibilizamos abaixo trecho da entrevista. As perguntas do jornalista Fernando Rodrigues vão em negrito; as respostas de Chalita, em caracteres normais.

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Gabriel Chalita concede entrevista ao programa "Poder e Política". Foto: Sergio Lima/Folhapress

Gabriel Chalita concede entrevista ao programa “Poder e Política”. Foto: Sergio Lima/Folhapress

O sr. é católico?

Eu sou católico. Sou um católico praticante, não escondo isso. Tenho muito respeito pelas outras religiões. Na campanha, eu fui convidado por pastores, por exemplo, para discutir política com líderes evangélicos. Eu acho que isso está correto. Um padre te convidar para um debate com candidatos… O cardeal [dom Odilo Scherer] fez isso em São Paulo. Convidou os candidatos para debaterem com padres. Aí está correto. Agora, você ir num culto religioso, numa missa, num culto, num elemento e transformar aquilo em um ato político, eu acho absolutamente incorreto.

Agora, a Igreja querer ouvir propostas, faz parte. Como ir numa faculdade. Se eu sou convidado para ir numa faculdade para dar uma palestra de direito penal, eu vou falar de direito penal. Se me convidarem e convidarem outros candidatos para debater [sobre] a cidade, eu vou para debater [sobre] a cidade.

E os temas que são relevantes para líderes religiosos e que, muitas vezes, são transplantados para o debate político? Temas como aborto, casamento gay, descriminalização do uso de drogas, entre outros, que têm sido usados por vários candidatos nas campanhas. Essas discussões são próprias para as campanhas políticas?

Eu acho que elas diminuem o debate político. São ruins para o debate político. É claro que as pessoas saberem o que os candidatos pensam faz parte do processo. Agora, você transformar uma eleição presidencial em um debate sobre aborto…? Primeiro que é assim: não é o presidente que define se terá aborto ou não. Quem define é o Congresso. Eu sou contra o aborto, já disse isso várias vezes, por razões as quais eu já expliquei. Mas, às vezes, você tem um reducionismo disso.

Sobre flexibilizar ou ampliar a lei do aborto atual. O sr. é a favor ou contra?

Eu sou contra. Eu acho que a lei…

Tem que ficar como está? Uma mulher não deve ser autorizada a fazer um aborto até a 12ª semana de gravidez?

Não deveria ser permitido por uma questão que, para mim, é constitucional, que é o amplo direito à vida. Ali tem vida. Onde tem vida, você tem que proteger o direito à vida.

Mas no caso do estupro, pode?

O caso do estupro pode. Ela não é obrigada a fazer. É uma decisão dela. Você tem uma diminuição disso porque aquilo foi praticado por meio de um crime.

Mas aí, então, pela mesma concepção, vai se tirar uma vida do mesmo jeito…

É. Pela mesma concepção, você pode matar alguém como legítima defesa. Você também está tirando uma vida, mas você tem uma previsão legal que te garanta que faça isso, porque você seria morto, então, para não ser morto, você tem o direito de defender a sua vida.

Mas, nesse caso, não há uma vida em risco.

Você está defendendo uma vida da mulher. Você não sabe quem, enfim, a estuprou. Então, já houve uma construção legal nesse sentido. Eu não acho que a questão -e nem sinto que líderes religiosos defendam dessa forma- não é prender a mulher que fez o aborto, acabar com a vida da mulher que fez o aborto. A questão é mostrar que isso, do ponto de vista penal, vai contra, vai de encontro a um mandamento constitucional que é o direito à vida.

Casamento gay. Deve haver alguma ampliação no que já existe a respeito de casamento gay no Brasil na legislação?

Eu acho que o Supremo decidiu isso de uma forma muito correta, mostrando que você não pode ter nenhum tipo de preconceito a uma relação estável entre duas pessoas, sejam elas do mesmo sexo ou de sexos diferentes. Agora, no caso das igrejas, eu acho que cada igreja tem que decidir o casamento que ela faz. Agora, contra todo tipo de preconceito, eu acho que é lamentável uma sociedade que tenha quaisquer sentimentos de homofobia, que destrua as pessoas porque elas têm uma orientação sexual diferente ou porque elas têm uma história de vida diferente.

Já que o sr. está falando sobre isso, teve o caso desse padre -padre Beto, de Bauru- que foi excomungado por ter manifestado apoio ao relacionamento amoroso entre pessoas do mesmo sexo. O sr. concordou?

A Igreja está dizendo que ele não foi excomungado por causa disso. Está dizendo que ele foi excomungado porque ele desobedeceu bispo. Eu, na verdade, por causa da defesa dele da questão das pessoas poderem ser felizes, eu não vejo com bons olhos isso. Eu acho que ele tem o direito de expressar…

O sr. não vê com bons olhos…

…A excomunhão. É. Padre Cícero foi excomungado também, não é?

O sr. acha, então, que não foi a melhor atitude da Igreja?

Eu não quero criticar [a Igreja]. Eu acho que a Igreja erra e acerta, mas…

Nesse caso?

Eu vi, inclusive, a demonstração do povo de Bauru pelo grande padre que ele é, pela forma carinhosa como ele trata as pessoas, pela liderança dele. Agora, eu não tenho detalhes do motivo da excomunhão, como é que ela foi desenvolvida. Eu também não quero ser leviano com relação a isso. Mas, quando eu vi a primeira colocação na imprensa, de que ele foi excomungado por causa disso, eu achei incorreta a excomunhão. É a minha opinião de leigo ali vendo. Eu acho que as pessoas precisam ser acolhidas, não excomungadas.

Seminário em Natal: uma intervenção em defesa do “renomado e venerável Frei Betto”.

Como reportamos aqui ontem, a Arquidiocese de Natal está promovendo um seminário que contará com a presença do conhecido Frei Betto, defensor do aborto e da “essencial sacramentalidade da união de duas pessoas que se amam, ainda que do mesmo sexo”. Os católicos brasileiros se mobilizaram e enviaram suas cartas à Cúria da capital potiguar.

E a resposta chegou. Vem do diácono Francisco Adilson da Silva, que se intitula “Assessor do Vicariato Episcopal para as Instituições e Pastorais Sociais”. A mensagem abaixo foi publicada no perfil pessoal do diácono no Facebook, ontem, pela noite – e, pelo menos é o que parece, também foi enviada por e-mail a algumas pessoas. Em uma breve introdução ao texto de resposta, Francisco pede “a quem tiver tido acesso a este grupo neonazista (!) que divulguem a nota que preparei pelo Setor Social”. Preparem o estômago. Os grifos são nossos.

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“TENDE EM VÓS OS MESMOS SENTIMENTOS DE CRISTO”

Irmãos/ãs,

É lamentável que em 20 séculos de Cristianismo pessoas que se dizem “cristãs” vivam tão à margem do que pregam e do que dizem acreditar… Ao menos é o que se percebe na mensagem enviada a nós por vocês sobre o evento que estamos promovendo, em sintonia e em comunhão com toda a Igreja do Brasil, que é a realização da V SEMANA SOCIAL BRASILEIRA, sobretudo no que diz respeito aos nossos palestrantes, entre eles(objeto principal de vossas críticas) o renomado e venerável Frei Betto, internacionalmente conhecido pela sua luta pela vida, pelos direitos humanos e pela democracia. Ele, vosso e nosso irmão, fiel ao Evangelho e à Igreja de Jesus Cristo, assim sua biografia bem nos atesta. No “textículo” de vocês, nota-se o ódio que cultuam por ele… Será este um sentimento verdadeiramente “cristão”, um sentimento de Jesus Cristo em vós?

Por outro lado, o comportamento desrespeitoso à própria “Igreja” a quem dizem, contraditoriamente, “amar”, numa atitude de ingerência pastoral na “Igreja Particular” alheia mostra claramente uma expressão ante eclesial. Mais que isto, no mínimo foi uma atitude ante evangélica, de cerceamento de liberdade, uma “louvação à ditadura”, uma atitude autoritária e violenta para com esta nossa Arquidiocese de Natal, reconhecidamente aprovada pela própria Santa Sé, pelo seu vanguardismo nas ações sócio pastorais e de defesa da vida.

Conheçam antes a nossa história como Igreja Diocesana… Conheçam-na através do “Movimento de Natal” com as suas ações e reflexões que chegaram a influenciar decisões importantes no contexto do Vaticano II naquela época e que depois se desdobraram: Aqui nasceu a CF há 50 anos; Aqui tivemos a primeira Paróquia dirigida pelas Irmãs Vigárias; Desta experiência nasceu a bonita experiência dos MECE espalhados por aí afora; Aqui começamos as Escolas Radiofônicas e o Movimento de Educação de Base, tendo em vista a construção da cidadania e a libertação do nosso povo empobrecido e explorado pelo capital, cuja fome e miséria que produz mata mais do que qualquer guerra ou revolução armada! Etc, etc…

Com a graça de Deus, as bênçãos dos nossos amados Pastores desta Província Eclesiástica de Natal e com a aprovação e incentivo da nossa CNBB vamos amanhã realizar o nosso Seminário.

Manifestamos nosso repúdio a esta atitude insana, ignorante, autoritária, violenta e desrespeitosa à nossa Igreja com o nosso perdão por tamanha barbárie.

Pedimos sejam humildes e cristãos verdadeiramente, tolerantes com o diferente e, como nos recomenda São Paulo: “Suportai-vos uns aos outros”. Caso contrário, atitudes assim nos transparecem ser de algumas pessoas que fazem parte de um grupo neonazista qualquer, infiltrado na Igreja, travestido de defensores das “verdades” que não parecem ser a Verdade, que é Cristo, nosso Senhor.

Deus os abençoe!

Natal-RN, 09 de maio de 2013

Diácono Francisco Adilson da Silva
Assessor do Vicariato Episcopal para as Instituições e Pastorais Sociais

Seminário sobre democracia, da Arquidiocese de Natal, com… Frei Betto.

Frei_BettoA Arquidiocese de Natal vai promover um seminário, neste fim de semana, com o tema “Democratização do Estado Brasileiro”. Os potiguares que se cuidem, porque quem vai falar de democracia – além de “professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da Universidade Federal da Paraíba” – é ninguém menos que o castrista “Frei Beto (foto), frade dominicano, autor de mais de 50 livros, e que já recebeu vários prêmios pela atuação em prol dos direitos humanos”. A informação foi retirada do site da Arquidiocese.

Pior que a incoerência de chamar um defensor do regime cubano para falar de democratização é que o protagonista deste evento promovido pela Arquidiocese de Natal, Frei Betto, é conhecido na América Latina justamente por sua oposição aberta e frontal aos ensinamentos da Igreja Católica. Betto – não confundam com o de Bauru – é defensor da legalização do aborto e dos chamados “direitos homoafetivos”, e é conhecido por suas horrendas e blasfemas paródias de orações. Em uma, famosa, fala do “Pai-nosso (…), nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária (!), (…) avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim”; em outra, adaptando a Ave-Maria, troca Jesus pelos “frutos da libertação do vosso ventre”.

Mas não é só isso: Betto também já insinuou que o homem ideal deveria ser filho “das núpcias de Teresa de Ávila com Ernesto Che Guevara” (!). Sim, Teresa d’Ávila, a grande mística católica! Sim, Che Guevara, o facínora do paredón!

Talvez, leitor, você não soubesse de todos estes disparates já pronunciados por Betto. Mas suas posições explicitamente contrárias à doutrina da Igreja já são conhecidas pela hierarquia eclesiástica há um bom tempo. Betto é representante de uma corrente teológica que destruiu inúmeras vocações religiosas e sacerdotais em todo o mundo – a Teologia da Libertação. Embora já condenada pela Igreja – leiam, por exemplo, a instrução Libertatis nuntius, da Congregação para a Doutrina da Fé -, parece difícil afastar de vez esta praga da Igreja na América Latina. Betto tendo a oportunidade de se mostrar em um evento católico é um exemplo disso.

Afinal, o que este senhor estará fazendo no Rio Grande do Norte, nos próximos dias, em um seminário promovido pela Arquidiocese de Natal?! Suas Excelências Reverendíssimas Dom Jaime Vieira Rocha, Ordinário local, e Dom Mariano Manzana, pastor de Mossoró, vão realmente acolher na capital potiguar este que é um inimigo declarado da Igreja Católica e do povo de Deus? Suas Excelências vão mesmo promover este senhor de cuja pena já saíram tantas blasfêmias e ataques à Esposa do Cordeiro?

Sugerimos aos nossos leitores que enviem e-mails à Arquidiocese de Natal: jaimevrocha@terra.com.br, arcebispo@arquidiocesedenatal.org.br ou curia@arquidiocesedenatal.org.br. Os endereços eletrônicos foram disponibilizados pelo Fratres in Unum.