Por Pe. Zezinho, SCJ
Recebo cartas de todo o País. Entre elas, as de pessoas admitindo serem minhas fãs e que sou seu ídolo. Por mais branda que seja a palavra ídolo é sempre errado colocar alguém no lugar de Deus.
Ídolo é exatamente isso: um falso Deus. Uma imagem é só uma imagem, um símbolo, uma lembrança, ou um sinal, até o momento em que é adorada. Então, vira ídolo.
Estátuas e imagens não atrapalham em nada quando são tratadas como objetos de culto e não sujeitos do culto. A faca é coisa boa quando bem usada. Mal usada, vira objeto perigoso. Nas mãos de quem não sabe essa diferença, é uma arma. Para uma cozinheira tranqüila, é instrumento de trabalho. Estátuas e imagens usadas por cristãos inteligentes são apenas instrumentos de culto. Para o cristão mal evangelizado, se for católico, elas podem levar à idolatria ou ao culto errado que a Igreja condena; se for crente fanático, viram objetos de calúnia, porque ele passa a acusar de idolatria o que não é de sua Igreja, só pelo fato de tal pessoa usar imagens. Ele se ofenderia se o chamássemos de assassino só porque tem uma faca em casa. Ter uma faca e usá-la direito não é pecado; ter imagens e usá-las direito, também não. Está lá, na bíblia deles e na nossa. Deus permite e manda fazê-las, desde que não sejam adoradas.
A palavra ídolo é mal, pronunciada por uns e outros. Espanta-me ver pessoas que chamam Jesus de seu ídolo. Uma atriz famosa, numa entrevista, interrogada sobre quem era seu ídolo, respondeu: Jesus. Enganou-se, Jesus não ocupa o lugar de Deus. Ele é Deus de verdade. Se Jesus fosse um simples homem, então católicos e evangélicos seriam idólatras, porque tanto uns como outros o adoram, mas Jesus é Deus. Por isso, qualquer tributo prestado a ele é louvor verdadeiro. Para o cristão, Jesus é Deus, e não ídolo.
Da próxima vez que lhe perguntarem sobre seu ídolo, diga que é, e por isso não, tem ídolos. Nem diga a uma pessoa que você a adora. Adoração só Deus merece. Queira bem, curta, admira, encanta-se, mas não adora nem pessoas nem coisas. Guarda essa palavra para Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
Cá entre nós, católico evangelizado não adora santo nem imagem. Ele venera e respeita. Só adora a Deus. Cá entre nós, evangélico evangelizado não acusa levianamente os outros de idólatras, nem se acha verdadeiro adorador, desprezando os outros como falsos adoradores. Ele respeita e acaba entendendo que tanto na Igreja dele quanto na nossa há idólatras. Todo aquele que põe alguma coisa acima de Deus é idólatra. Quem julga os outros também é. Há muitas maneiras de ser idólatra: uma delas é brincar de deus e sair por aí julgando os outros e achando-os menos cristãos do que nós.
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Autor: Everth Queiroz Oliveira

