Tema: NÃO a discriminação!
O arquivo “Nostra Aetate”, do Concílio Vaticano II, em seu parágrafo 5, declara:
Não podemos invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a tratar como irmãos alguns homens, criados à Sua imagem. De tal maneira estão ligadas a relação do homem a Deus Pai e a sua relação aos outros homens seus irmãos, que a Escritura afirma: ‘quem não ama, não conhece a Deus’ (1Jo 4,8).
Carece, portanto, de fundamento toda a teoria ou modo de proceder que introduza entre homem e homem ou entre povo e povo qualquer discriminação quanto à dignidade humana e aos direitos que dela derivam.
A Igreja reprova, por isso, como contrária ao espírito de Cristo, toda e qualquer discriminação ou violência praticada por motivos de raça ou cor, condição ou religião. Conseqüentemente, o sagrado Concílio, seguindo os exemplos dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, pede ardentemente aos cristãos que, ‘observando uma boa conduta no meio dos homens’ (1 Ped. 2,12), se possível, tenham paz com todos os homens, quanto deles depende, de modo que sejam na verdade filhos do Pai que está nos céu.
Caríssimos irmãos e irmãs, ‘a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Nosso Senhor Jesus Cristo!’ (Ef 1,2). Que o seu amor possa sempre estar em nosso coração e que nós possamos sempre proclamar, ‘para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor’ (Fp 2,11).
Chegou a hora de, em 2009, proclamar o ministério de Jesus Cristo através da sua Palavra e da prática dela. “O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim [Paulo], isto praticai, e o Deus da paz estará convosco” (Fp 4,9).
“O homem não poderá encontrar a verdadeira felicidade, à qual aspira com todo o seu ser, senão no respeito pelas leis inscritas por Deus na sua natureza e que ele deve observar com inteligência e com amor” (Papa Paulo VI, Humanae Vitae).
É verdadeiramente na prática da Palavra de Deus que descobrimos a alegria genuína em Jesus Cristo Nosso Senhor. Quando cumprimos o que pede o Evangelho de Cristo, somos tomados da felicidade que completa toda nossa alma, sabendo que estamos prestes a receber de Deus a glória da vida eterna, que nos é manifestada em Jesus.
Em verdade, essa vida que temos aqui é passageira e não é nada diante da alegria que nos será apresentada na vida eterna. Para isso devemos, de fato, ‘aproveitar melhor o nosso chamado’ (1Cor 7,21), a fim de sermos ‘irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhemos como luzeiros do mundo, a ostentar a palavra da vida’ (Fp 2,15-16), que é o próprio Jesus.
Jesus exorta-nos, pois, a, especialmente nesse ano de 2009, respeitar o Evangelho de Cristo, na finalidade de termos a certeza de que seremos salvos pela graça e pela paz de Nosso Senhor. A palavra de Jesus ecoa bem forte em nosso coração: sejamos santos! Não nos conformemos com esse mundo, mas anunciemos o Evangelho aos quatro cantos do mundo, buscando levar a todos os povos a luz de Cristo.
E está aí a principal função do anúncio do Reino de Deus: devemos fazê-lo para que todos possam, assistidos pelo Santo Espírito de Deus, ter conhecimento do bem e do mal e pôr em prática o que realmente convém pela verdade em Cristo. Devemos exortar a todos a trabalhar pela fé, certos de que sem ela, pereceremos.
A fim de mostrar que ‘o salário do pecado é a morte’ (Rm 6,23), trabalhamos incessantemente pela fé do Evangelho que diz: “Não tenhais cumplicidade com as obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente” (Ef 5,11).
Tendo como base de nossos fundamentos essas palavras de São Paulo, conclamamos pela verdade em Jesus que devemos denunciar e condenar todas as obras do mal abertamente, sem nenhum medo do que possa nos acontecer, pois, se estamos com Deus, ninguém pode nos repreender, nada pode nos acontecer.
Brilhemos, pois, no meio dessa sociedade depravada, a fim de retirar dela toda contaminação, na finalidade de anunciar Jesus, ‘caminho, verdade e vida’ (Jo 14,6), ‘o pão da vida que desceu do céu’ (Jo 6,51), enfim, ‘o filho de Deus’ (Jo 1,34).
Não é contra homens que lutamos
As palavras que Paulo nos dirige são claras: ‘denunciai abertamente as obras das trevas’ (Ef 5,11), e ainda: ‘despojemo-nos das obras das trevas’ (Rm 13,12). Essa realidade deve ser posta hoje em nossa vida como convocação viva de Jesus a cada um de nós. Não podemos nos conformar e nos deixar envolver pelas depravações desse mundo perverso e cheio de infâmia, mas, como filhos de Deus, somos chamados a brilhar como luzeiros do mundo, a ostentar Jesus em nossos corações (cf. Fp 2,15-16).
Entretanto, é necessário saber que ‘não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal’ (Ef 6,12). Se lutarmos contra ‘a imagem e semelhança de Deus’ (Gn 1,26), nossa batalha então será em vão, pois, não estamos ‘condenando abertamente as obras das trevas’ (cf. Ef 5,11), mas destruindo a imagem e semelhança de Deus, que somos nós. Enquanto as obras das trevas são o pecado, a soberba, a ira, a soberba, a inveja, a prostituição, o ódio e a imprudência, as obras da luz estão todas resumidas em Deus, que se faz presente no homem.
Quando condenamos as pessoas, ao invés de estarmos cumprindo a Palavra de Deus, estamos sendo totalmente contraditórios a ela, pois, se nem Jesus veio nos condenar, quanto mais nós, seres humanos!? A realidade, pois, é essa: não é o pecador que é motivo de inquietação para nós cristãos, mas o pecado que habita nele, pois é esse que o torna escravo do mal (cf. Rm 7,17).
De fato, ‘as más companhias corrompem os bons costumes’ (1Cor 15,33), mas ‘eu não me deixarei dominar por coisa alguma’ (1Cor 6,12). E é nesse contexto que temos que nos revestir da armadura de Cristo, para que vençamos todo mal que existe dentro de nosso irmão e até mesmo dentro de nós. Tomemos cuidado, pois, para que o sedutor, o príncipe deste mundo, não nos seduza (cf. Mt 24,4). Ele é astuto e pode querer nos desviar do caminho de Deus, uma vez que estamos na busca pela evangelização dos pecadores. Mas, como já vos falara, ‘não me deixarei dominar por coisa alguma’, pois Deus está comigo e ‘tudo posso naquele que me conforta’ (Fp 4,13).
É nesse sentido que devemos sempre amar os pecadores, não apoiando suas atitudes, mas exortando-os a batalhar pela fé e a buscar a santidade. Somos nós os evangelizadores de última hora! Somos nós que devemos acordar quem está dormindo e levantar quem está sentado. Trabalhamos, pois, para eliminar do meio de todo pecador o que faz com que ele se torne escravo do mal, dando à imagem e semelhança de Deus amor, pois foi o que Jesus nos ensinou a fazer: “Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34).
Cada qual, pois, tem a sua liberdade religiosa. Ninguém é obrigado a aceitar a verdade em Jesus. Ele respeita a nossa liberdade e, porquanto, devemos também nós respeitar a decisão dos nossos irmãos. Temos o dever de alertá-los sobre qual é o caminho certo a se seguir. Se não fazemos isso, pecamos por omissão. Mas, sobretudo, além disso, é necessário que conservemos a escolha dos nossos irmãos. Nós ensinamos os passos. Cabem a eles caminhar.
E aqui vem a confirmação de tudo isso que proclamamos até agora: “a luz veio ao mundo, mas os homens [ainda escravizados pela lei do pecado] amaram mais as trevas do que a luz” (Jo 3,19). Nós temos a obrigação, então, de testemunhar a luz que veio ao mundo [Jesus], mas deixemos que os homens escolham seus próprios caminhos.
Demos graças a Deus
“Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em conseqüência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo” (Ef 2,4). A ressurreição de Cristo é, pois, para nós motivo de regozijo, pois agora estamos aptos a entrar no Reino de Deus, o qual ninguém entra se não nascer de novo (cf. Jo 3,3). Quando Jesus ressuscitou, ele nos libertou de todo pecado, de toda escravidão que o mal ainda nos fazia e nos deu verdadeiramente vida nova, vida plena em abundância.
Então, assim como repetimos no início da Oração Litúrgica, é nosso dever e obrigação dar graças a Deus. Através da leitura constante do livro dos Salmos na Bíblia, tomamos consciência do porquê que devemos louvar e sempre bendizer o Senhor. Davi proclamava: “Bendirei continuamente ao Senhor, seu louvor não deixará meus lábios. Glorie-se minha alma no Senhor; ouçam-me os humildes e se alegrem. Glorificai comigo o Senhor, juntos exaltemos o seu nome. Procurei o Senhor e Ele me atendeu, livrou-me de todos os temores. Olhai para Ele a fim de vos alegrardes, e não se cobrir de vergonha vosso rosto. Vede, este miserável clamou o Senhor e foi ouvido, de todas as angústias o livrou” (Sl 33,2-7).
Devemos dar graças a Deus porque Ele é fiel às suas promessas. Ele libertou o povo de Israel da escravidão do Egito e de todo o pecado livrou o povo de Deus através da ressurreição de Cristo. “De tal modo Deus amou o mundo que lhe deu seu filho único, para que todo que nele crer (…) tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
Somos, pois, conclamados a proclamar o nome do Senhor, ‘ao qual todo joelho se dobra no céu, na terra e nos infernos e toda língua confessa sua glória’ (Fp 2,10-11). Especialmente nesse ano de 2009, o chamado de Deus se faz cada vez mais forte em nossa vida e, por isso, devemos clamar ‘Hosana nas alturas! Bendito aquele que vem em nome do Senhor’ (Jo 12,13).
Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam convosco!
Dominus Vobiscum,
Everth.
