Obama no poder

Barack Hussein Obama II (Honolulu, 4 de agosto de 1961) é um político dos Estados Unidos da América, eleito[1] o 44º presidente de seu país, pelo Partido Democrata. Sua candidatura foi formalizada pela Convenção do Partido Democrata em 28 de agosto de 2008. É senador pelo estado de Illinois. Obama foi o primeiro afro-americano a ser eleito presidente estadunidense, e também o único senador afro-americano na atual legislatura.

É assim que o site Wikipédia descreve inicialmente o homem mais poderoso do mundo no contexto da sociedade atual. É assim que iniciamos a nossa reflexão sobre o que pode se tornar o mandato de Obama como presidente da nação mais poderosa do mundo. É assim que se inicia os primeiros dias de 4 anos de um mundo que pode atualmente ser chamado de ‘obamista’. E por quê?

Barack Obama é o retrato do homem atual em questão de cultura: suas origens misturam diversas etnias e origens e o caráter de sua campanha ‘liberalista’ caracteriza a modernidade do mundo de hoje. Talvez seja a revolução para um mundo que até pouco tempo vivia a opressão do racismo… Ou provavelmente uma transformação total dos conceitos populares que até pouco tempo eram (por assim dizer) tradicionalistas, ‘McCainistas’.

Talvez. Provavelmente seja isso mesmo. Mas os ideais defendidos por Obama podem mostrar que ‘nem tudo é um mar de rosas’. É muito bonito ver que o mundo está superando os preconceitos raciais. É muito bom ver que nossa sociedade está mudando seus conceitos em relação a discriminação. No meio de tanta ‘perfeição’, por que ‘nem tudo é um mar de rosas’?

Bom, para quem não sabe (e eu acredito que poucos ainda não saibam), nosso irmão Obama é abortista, ou seja, ele defende o aborto. Isso só pôde chegar a mim graças ao nosso colega Willian Murat, do Blog “Contra o Aborto” que, desde muito tempo, é nosso parceiro. O cristianismo nunca apoiou o aborto e nunca vai apoiá-lo. A partir dessa conclusão, a pergunta que se faz aos católicos ‘de tigela cheia’ e aos cristãos, que são contra o aborto, é pura e simplesmente essa: Obama ou a Igreja? E podemos até perguntar, sabendo que a Igreja é o próprio Cristo, ‘Obama ou Jesus Cristo?’

Não seria um exagero radicalizar dessa maneira a contradição entre Obama e a Igreja? Na verdade, não. São Tiago, por exemplo, afirmava que “quem guardar os preceitos da lei, mas faltar em um só ponto, tornar-se-á culpado de toda ela” (Tg 2,10). Não estamos aqui para julgar a conduta de Obama, mas para mostrar que aquele que apóia o presidente dos EUA está indo contra a Igreja Católica, o que vai contra nossos valores de ética, já que a Igreja se fundamenta na moral social. O aborto é o pior crime que a humanidade já veio a presenciar. E agora os EUA podem começar a financiar, com verbas públicas, esse crime hediondo. O Papa João Paulo II teve a oportunidade de falar sobre essa abominação na Encíclica Evangelium Vitae, a qual eu inclusive já comentei na postagem “O aborto, segundo o Papa João Paulo II”. Ele dizia que “a aceitação do aborto na mentalidade, nos costumes e na própria lei, é sinal eloqüente de uma perigosíssima crise do sentido moral que se torna cada vez mais incapaz de distinguir o bem do mal, mesmo quando está em jogo o direito fundamental à vida” (EV, 58).

As palavras do Papa naquela ocasião são bastante fortes: aceitar o aborto na lei é uma crise moral! Pior do que a crise econômica é a crise moral onde não se sabe mais distinguir a liberdade da justiça; o bem do mal. Somos totalmente contra o aborto e hoje aqui levantamos a bandeira pela vida combatendo com a Igreja qualquer tese mal-elaborada que o ‘homem mais poderoso do mundo’ possa vir a propor. Se os EUA financiarem essa abominação, vai ser realmente lamentável, mais um passo atrás.

Isso não está muito difícil de acontecer porque ele já conseguiu alcançar o trono desse supremo poder e pode agora tomar essa atitude num piscar de olhos. Mas, vamos rezar para que a opinião do presidente mude e ele possa abrir os olhos para o que ele está defendendo… Oxalá tudo fosse um mar de rosas.

Graça e paz.

Não ao sincretismo religioso

Graças ao nosso amigo Danilo Augusto, do blog Igreja Una e Santa, pude ter informações sobre a questão polêmica da bênção que um padre da Bahia deu aos candomblecistas em frente a Igreja do Bonfim. Eu não vou dar a minha opinião sobre isso, mas vou deixar nesse post, além da notícia (disponível aqui), a mensagem da Santa Sé sobre o assunto, contida no documento do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, disponível em francês aqui. Traduzi para o português a mensagem do PCID (sigla em inglês para designr o Conselho) naquela ocasião e deixo disponível aqui essa tradução.

Primeiramente, a notícia que muito escandalizou nós, católicos, foi essa:

Tradicionalmente, a Igreja do Bonfim fica fechada durante a festa, mas este ano a janela central foi aberta para um padre abençoar os fiéis. Em seguida, as baianas lavam e perfumam as escadarias com água de cheiro.

A lavagem do Bonfim é a maior festa religiosa da Bahia e reúne adeptos de várias religiões, principalmente católicos e seguidores do candomblé. A devoção ao Senhor do Bonfim surgiu há 264 anos.

A festa da lavagem começa cedo, com a preparação das baianas. Ainda em casa, a baiana Emília Bittencourt preparou o banho de cheiro, usado para purificar e atrair boas energias. Ervas como arruda e manjericão são amassadas e misturadas à água. Por último, entram a essência de alfazema e as flores.

Depois, é hora de deixa impecável o traje de baiana: são nada menos do que nove peças, que dão muito trabalho para vestir. Mas dona Emília não abre mão de nenhum detalhe. “É um dia que você perde, mas é um dia gratificante. É uma tradição, é uma coisa que vem de séculos”, ela diz.

Quando está pronta para a lavagem do Bonfim, dona Emília se junta às outras baianas na frente da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. É o dia em que o candomblé presta homenagem a Oxalá, que no sincretismo religioso é representado pelo Senhor do Bonfim. (Ai meu Deus do céu)

Mais do que um ato de fé e agradecimento, a lavagem é também sacrifício. Baianos de todas as religiões e até turistas enfrentam uma caminhada de oito quilômetros num calor de 30 graus até a Igreja do Bonfim. Mas a distância não desanima quem participa da festa mais popular da Bahia, que reúne, a cada ano, pelo menos um milhão de pessoas.

E agora a mensagem do Conselho Pontíficio, encerrando nossa reflexão. Boa leitura! [grifos meus]

A idéia de escrever uma carta sobre a necessidade de dedicar maior atenção à pastoral das Religiões tradicionais surgiu no decurso da última Assembléia Plenária do Pontifício Conselho para o Diálogo (novembro – 1992). A avaliação dos trabalhos da PCID incluiu uma discussão sobre o diálogo com os seguidores das religiões tradicionais. Uma carta já foi escrita sobre este assunto aos Presidentes das Conferências Episcopais da África e Madagáscar (25 de março de 1988 – Boletim 1988/XXIII/2).

Considerou-se que, já que as religiões tradicionais estão presentes em diferentes formas, não só na África, mas também na Ásia, nas Américas e na Oceania, seria útil para chamar a atenção das Conferências Episcopais dos continentes para a importância da atenção à pastoral das Religiões tradicionais e da utilidade de um intercâmbio de reflexões e experiências neste domínio.

A natureza das religiões tradicionais

O que se entende por Religiões tradicionais?

Essas religiões, ao contrário das religiões do mundo, que se espalharam em vários países e culturas, mantiveram-se na sua origem sócio-cultural. O termo “tradicional” não se refere a algo estático ou imutável, mas sim denota essa matriz localizada.[ou seja, a tradição nativa dos povos]

Não há acordo sobre um nome único a ser utilizado quando se refere a estas religiões. Alguns nomes (por exemplo, paganismo, fetichismo) transmitem um significado negativo e, além disso, realmente não descrevem o conteúdo dessas religiões. Hoje em dia, até mesmo um termo como animismo não é mais comumente aceito. Na África essas religiões são normalmente referidas como “Religiões Tradicionais Africanas”; na Ásia são chamadas “Religiões tribais e folclóricas”; na América, “Religiões afro-americanas e nativas” [o famoso candomblé]; e na Oceania “religiões indígenas”.

Elementos das religiões tradicionais

Religiões tradicionais geralmente têm uma clara crença em um Deus único, em um Ser Supremo que passa por nomes tais como ‘Grande Espírito’, ‘Criador’, ‘o Grande’, ‘o Poderoso Espírito’, ‘o Divino’, ‘o transcendente’, ‘aquele que vive acima’, ‘Céu’ etc.

Existe também uma crença em outros seres humanos que estão acima, mas são menos do que o Ser Supremo. Eles podem ser chamados espíritos e alguns especialistas sobre as religiões tradicionais, por vezes chamam-lhes “divindades” ou “deuses”, com uma pequena “d” ou “g”. Mortos de familiares adultos, ou seja, antepassados, também são objetos de crença.

O culto em religiões tradicionais é dirigido à generalidade dos espíritos e aos antepassados e, por vezes, a Deus. Tem a forma de oração especialmente na família culto em santuários e sacrifícios comunais. O medo dos maus espíritos ancestrais motiva muitos atos de culto.

O código moral é considerado como o que foi transmitido por gerações passadas e sancionado pelos espíritos e os antepassados, e, ocasionalmente, por Deus.

Religiões tradicionais geralmente não revelaram livros, nem estão articulados em declarações teóricas de uma natureza teológica ou filosófica. A riqueza do seu conteúdo, e seus muitos valores, são mais freqüentemente encontrados em suas comemorações, contos e provérbios, e transmitida através de atitudes, costumes e códigos de conduta.

(…)

Alguns dos principais valores em religiões tradicionais

Em muitas sociedades tradicionais, há um forte sentido do sagrado. A religião permeia a vida a tal ponto que, muitas vezes, é difícil distinguir entre os elementos estritamente religiosos e os costumes locais. A autoridade não é vista como algo secular, mas é considerada como um dever sagrado. As pessoas de religiões tradicionais mostram muita atenção para a terra. Eles respeitam e celebram em sua vida importantes fases: nascimento, entrada na vida adulta, casamento, morte. Existe um forte sentido de família, que inclui o amor dos filhos, o respeito pelos anciãos, um elo da comunidade com os antepassados. O simbolismo é importante para interpretar o mundo invisível e ao ser humano a relação com ela. Há um evidente ritual de amor.

Sombras em religiões tradicionais

As religiões tradicionais também têm os seus elementos negativos. Alguns exemplos podem ser dados: inadequadas idéias sobre Deus, superstição, o medo dos espíritos, objetável práticas morais, a rejeição de gêmeos (em alguns lugares) e o mesmo ocasional sacrifício humano. [aqui no Brasil, nessas seitas, há esses elementos rejeitáveis]

Religiões tradicionais em um período de mudança

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O encontro com o Cristianismo, outras religiões e também com a cultura ocidental e, especialmente, com a moderna ciência e da tecnologia e da urbanização, tem afetado estas sociedades e as suas religiões tradicionais. No entanto, a influência das religiões tradicionais permanece forte, especialmente em momentos de crise.

Razões do diálogo pastoral com essas religiões tradicionais

Religiões tradicionais constituem o contexto em que um bom número de pessoas vivem ou vivera

Recentemente a conversão ao cristianismo provém de um fundo de religiões tradicionais. Isso é verdade não só nas Igrejas que pregaram o Evangelho no século passado, mas também em alguns países onde a Igreja foi estabelecida há muitos séculos. Muitos destes que foram convertidos vivem em culturas e contextos influenciados por estas religiões. Isso é provado pelo fato de em alguns momentos importantes da sua vida (como doenças, perigo, casamento, nascimento de uma criança, funeral de um parente) eles tendem a recorrer a práticas de suas religiões tradicionais ou casas para a oração, cura lares, bruxos, benzedeiros, “profetas” ou curandeiros. [e como!]

É de notar que, na América Latina, os descendentes dos povos trazidos como escravos ao longo da África nos séculos 16 e 17 não perderam tudo da religião e da cultura dos seus antepassados. Dentro da grande variedade de cultos afro-americana, há alguns que têm estado muito perto de suas formas originais, tais como o Candomblé na Bahia (Brasil) e outros dotados de sincretismo, como pode ser encontrado no Haiti, Cuba e Jamaica.

(…)

Tudo isto é uma clara indicação de que o arauto do Evangelho deve prestar muita atenção às religiões tradicionais e as culturas que ir junto com eles. O cristianismo deve ter por objetivo influenciar o conjunto da vida e da produção integrada das pessoas, em vez de ter as pessoas em vidas paralelas, em diferentes níveis. O encontro do Evangelho e da cultura, incluindo o seu elemento religioso, envolverá um cuidadoso joeiramento fora, um discernimento, o que nem sempre é fácil.

Inculturação para Melhor Proclamação

A Igreja respeita as religiões e as culturas dos povos, e, no seu encontro com eles, pretende preservar tudo o que é nobre, verdadeiro e bom em suas religiões e culturas. Na medida em que Religiões tradicionais são mais bem compreendidas, o cristianismo será mais adequadamente proclamado. O Papa João Paulo II afirma na Encíclica Redemptoris Missio: “O processo de inserção da Igreja nas culturas dos povos requer um tempo longo: é que não se trata de uma mera adaptação exterior, já que a inculturação significa a íntima transformação dos valores culturais autênticos, pela sua integração no cristianismo, e o enraizamento do cristianismo nas várias culturas. Trata-se, pois, de um processo profundo e globalizante que integra tanto a mensagem cristã, como a reflexão e a práxis da Igreja. Mas é também um processo difícil, porque não pode comprometer de modo nenhum a especificidade e a integridade da fé cristã. (RM, 52).

Elementos de uma religião e da cultura influenciada por ela pode enriquecer catequese e liturgia, e aí atingir seu cumprimento. É necessário um estudo aprofundado, a fim de descobrir os elementos do cristianismo que podem adotar ou adaptar, enobrecer e purificar, e aqueles que devem ser rejeitados (LG 13), com a constante atenção para o perigo do sincretismo. [e a notícia fala desse sincretismo... Quer dizer, precisamos tomar cuidado com o que nos apresentam essas falsas religiões que, apesar de ter coisas puras e verdadeiras, têm elementos que corrompem e podem relativizar a nossa fé, o que não pode acontecer de maneira alguma]

Com aqueles que pretendem tornar-se cristãos, e aqueles que já tenham sido convertidos a partir de religião tradicional, o diálogo deve ser entendido no sentido mais lato possível, ou seja, como a pastoral, a abordagem desse assunto deve ter a finalidade de apresentar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo na sua forma mais adequada para que, assim, a Igreja possa ter raízes mais profundas entre as pessoas. Neste contexto, durante o recente encontro em Santo Domingo, o Santo Padre entregou um endereço para o os representantes afro-americanos na qual ele disse:  “A evangelização se consolida e se fortalece quando se baseia em seus valores. Causa assim o crescimento das sementes dispersas pela Palavra de Deus que estava no mundo como a verdadeira luz que ilumina todo homem, antes de se tornar carne para salvar e reunir-se todas as coisas em si.” (Ofício do Santo Padre aos afro-americanos de Santo Domingo, 12 de Outubro, 1992).

Diálogo

Com aqueles que aderem a religiões tradicionais e não deseja tornar-se cristãos ainda, o diálogo deve ser tomado no sentido vulgar do encontro, da compreensão mútua, o respeito, a descoberta das sementes do Verbo nesta religião, e da busca conjunta para a vontade de Deus .

O diálogo deve ser entendido aqui, de acordo com suas diferentes formas (cf. Diálogo e Proclamação 42). Particularmente importante no contexto das religiões tradicionais será o “diálogo da vida” e do “diálogo de ação”, ou de colaboração no domínio do desenvolvimento humano integral.

Subsiste alguma dificuldade com relação a este diálogo. [existe mesmo porque são crenças bem divergentes] Em alguns casos, há elementos para estas secretas religiões, e não é aberto o contato desejado. [acredito que seja o caso do candomblé] Em outros casos, a falta de estruturas organizadas torna o diálogo mais difícil.

Também não se deve ignorar que há uma ambigüidade nesse diálogo e que se não discriminalizarmos essas religiões pode parecer como se um selo de aprovação estivesse sendo dado a elas. [é preciso tomar muito cuidado com isso! A Igreja não aprova, em nenhuma de suas formas, as práticas candomblecistas e outras mais] No entanto, em todos os casos, respeito e transparência são necessários. O diálogo com os seguidores de religiões tradicionais é uma expressão da caridade, que não conhece fronteiras.[contudo, precisamos respeitar a todos]

Reflexão teológica

O Concílio Vaticano II recomenda em profundidade teológica inquérito com vista a uma profunda Evangelização (AG 22). A atenção pastoral às Religiões tradicionais que esta carta tem por objetivo incentivar é um passo na direção do presente em profundidade reflexão teológica.

(…) alguns dos principais pontos doutrinários devem ser mantidos em mente, a saber: a natureza da mensagem revelou Cristo trouxe para nós, o papel central da Jesus Cristo, o papel insubstituível da Bíblia e Tradição, a unidade da Igreja, o papel do sucessor de Pedro na comunhão da Igreja local com a Igreja de Roma e entre si. [dialogar sim; relativizar de jeito nenhum] Tudo isto proporciona o necessário enquadramento jurídico em que as riquezas das Religiões tradicionais podem atingir seu cumprimento. É importante garantir a unidade da fé católica em todo o mundo, mesmo se o modo de expressar da fé varie de um povo e da cultura para outra. [primeiro a verdade, depois a amizade]

A ação das Conferências Episcopais

Uma vez que este inquérito e a subseqüente ação pastoral são verdadeiramente importantes para o apostolado da Igreja, e tendo em conta a natureza delicada da empresa, a grande responsabilidade neste domínio pertence às Conferências Episcopais de cada país ou região.

Tal como já foi feito de tal forma louvável por diversas Conferências Episcopais, seria oportuno para cada Conferência Episcopal a nomeação de um pequeno grupo de pessoas competente e qualificado ansioso para realizar esta pesquisa, em estreita cooperação com a Conferência Episcopal e, com o competente Depósito da Santa Sé. Uma ecumênica colaboração nesse campo deve ser incentivada. Do mesmo modo, seria aconselhável para promover o estudo e conhecimento das religiões tradicionais como parte do programa a formação nos seminários, institutos eclesiásticos e religiosos e casas de estudo.[aliás, acho que isso está faltando no Brasil. Se eu estiver enganado, me avisem. Precisamos mesmo de casas de estudo para aprofundamento desse assunto]

Em conclusão, gostaria de salientar a disponibilidade do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso para sustentar, incentivar e cooperar com os futuros esforços orientados para um melhor conhecimento da abordagem pastoral adequada. Ao mesmo tempo, a PCID está pronta para agir como uma câmara de compensação para o intercâmbio de conhecimentos e informações entre as Conferências Episcopais. E que enviamos, quando disponíveis, informações sobre estudos já realizados ou em andamento, as publicações, nomes de peritos, e qualquer outra coisa que poderia contribuir para a frutuosa cooperação.

E como já dizia Santo Agostinho, “Roma locuta; causa finita – Roma falou; encerrado o assunto”.

Graça e paz.

Aguardando a justiça de Deus

Saudações a vós, irmãos e irmãs amados em Cristo Jesus Nosso Senhor e Deus! Imensamente alegre estou por falar-v0s mais uma vez através desse blog de evangelização que, apesar de sua simplicidade, quer sempre trazer um conteúdo rico a você, o que nem sempre acontece. Os próximos meses sofrerão uma queda considerável de posts porque, como estarei morando em Ituiutaba e não terei a Internet disponível durante a semana, só poderei escrever no fim de semana. No entanto, comprometo-me a lembrar sempre de vós em minhas orações que, em contradição com nosso blog, se Deus quiser, aumentarão. Que o amor e a alegria de Deus Pai, a humildade e a retidão de Maria e a castidade de São José estejam sempre conosco! Que possamos sempre mostrar ao mundo a face transfigurada de Jesus, convite ecumenista ao amor aos irmãos e a Deus, esse que não faz distinção de ninguém.

Lições da viagem

Chegamos finalmente de viagem hoje, dia 19; nada como voltar as origens, a minha tão bela e pequenina cidade de Santa Vitória. Ô, que saudade dessa terra boa! Viajando a Ubatuba, aprendi muitas lições e quero, antes de começar a fala do Evangelho, compartilhar com vocês o que pude experimentar durante esses 5 dias em que estive longe de casa.

Meu vizinho Danilo tinha razão quando disse que a santidade só se vive em meio a sociedade. O que isso quer dizer? Identificamos a santidade duma pessoa quando essa está nos ambientes mais impuros e corrompidos, literalmente em meio ao mundo. E nesse teste eu fui reprovado. O mal me sufocou mesmo! Isso é bom para podermos ver que, como cristãos, ainda temos muito a melhorar e que o católico verdadeiro não é aquele que faz longos discursos na Internet, mas sim aquele que vive esse discurso, fazendo realmente a vontade de Deus. E eu achava que era um bom cristão! Temos que mudar muito ainda para alcançarmos essa meta!

Quando disse que o mal me sufocava, quis dizer em todos os sentidos: desde os terríveis e pecaminosos pensamentos de adultério até os mais infelizes pecados de omissão. ‘Omissão?’ Exatamente! Não fui a missa no domingo; o que eu poderia falar, não falei; o que eu podia corrigir, não o fiz; o que eu poderia muito bem mudar, preferi deixar quieto etc. Preciso realmente fazer uma boa confissão! Sabe a conclusão que tiramos de tudo isso? Que precisamos melhorar muito. Nosso amigo Demerval Jr, no seu orkut, pôs uma frase que me convidou a refletir: Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz...

Será que estou vivendo o que digo? Será que estou realmente vivendo a santidade que eu digo viver? Não, não… Sou errado! Um errado que precisa mudar as suas atitudes e começar a relacionar mais o que fala ao que vive, porque é assim que mostramos ser cristãos de verdade. Enfim, essa lição que aprendi me fez também refletir qual a minha vocação: se vou realmente seguir a teologia e viver a castidade como sacerdote ou se vou optar pelo matrimônio e viver uma vida casta na fidelidade do casamento. O que me resta falar é Deus provê; Deus proverá. Sua misericórdia não faltará!

Além disso, aprendi que não posso abrir a boca quando a onda vir porque se não, engulo sal; que em todo lugar que formos há sempre fontes de malícia (especialmente na praia) e que a felicidade só é realmente conquistada quando vivemos a santidade.

Confiantes na justiça divina

Por isso, estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto do Senhor. E também por isso que, vivos ou mortos, esforçamos para agradar-lhe. Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo. (2Cor 5,6-10)

Caríssimos, São Paulo hoje vem nos explicar o sentido de nossa confiança, essa que deve ser sempre depositada em Deus, a única pessoa pela qual alcançamos a salvação. Essa confiança que ele nos explicita nos leva a uma certeza muito forte e motivadora de que nascemos impulsionados para o alto. Enquanto estamos nessa vida aqui na terra, estamos em exílio. Vejam, meus irmãos, que palavra forte! O exílio é quando a pessoa é afastada do lugar que veio, da sua origem. O que o apóstolo nos diz aqui é lindo: foi Deus quem nos criou! É o céu a nossa pátria.

Essa confiança em saber que o céu é o nosso lugar e é lá que queremos realmente morar nos chama a viver a santidade porque, ao mesmo tempo que ele nos dá a entender que de um jeito ou de outro vamos para o céu, ele retoma as rédeas e afirma bravamente: cada um receberá o que mereceu. Isso quer dizer que só vamos para o céu se realmente merecermos? Não exatamente porque se isso for verdade, todos merecemos o inferno, já que somos pecadores. Paulo quer nos lembrar que só seremos salvos porque Deus é misericordioso porque se isso não acontecesse estavam todos condenados. Pensando assim, você pode até erroneamente dizer para si mesmo: ‘Ué, então posso pecar a vontade!’ Errado. Porque, no tribunal de Cristo, cada um receberá conforme suas obras. Isso não sou eu quem digo, mas a Sagrada Escritura.

Então, como entender a misericórdia de Deus? Ele só tem misericórdia para com aqueles que realmente seguiram seus preceitos. Se nós, em nossa hipocrisia, acharmos que cometendo adultério e outros pecados mortais seremos salvos estamos enganados porque ninguém entra no céu se estiver com um pecado grave.

Terminando essa nossa reflexão, achei bonito o que São Paulo terminou dizendo: vivos ou mortos, esforçamos para agradar-lhe. Deus não despreza o nosso esforço! Ele tudo vê e sabe das nossas limitações e da vontade, que nem sempre se concretiza, que temos em agradar a Ele. Perante o tribunal de Cristo seremos julgados e tudo o que fizemos, pensamos, não fizemos e não confessamos será lembrado. Cada grão de arroz e cada migalha de pão que jogamos fora Deus cobrará de nós – pode ter certeza! Ele vê tudo o que fazemos e nos julgará segundo as nossas ações. Será que estamos preparados para enfrentar o juízo de Deus? Pensemos bem nisso e vigiemos porque pode ser tarde demais quando pensarmos em mudar de vida.

Graça e paz.

Carta Ecumênica

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Saudações a todos vós, irmãos e irmãs de Itumbiara e Ubatuba e a todos os nossos leitores em Cristo Jesus Nosso Senhor! A vós graça e paz por parte da Santíssima Trindade e da Virgem Maria! É muito bom poder me comunicar com vocês novamente logo após a minha visita às vossas cidades que, por sinal, são muito belas e populosas. Que o amor de Deus desça sempre sobre nós e que nós possamos, sob influência da paz que o Espírito Santo nos proporciona, levar o amor a todos os nossos irmãos, especialmente aqueles que mais precisarem da nossa misericórdia.

Humildes como Maria

Irmãos, sejamos sempre humildes como foi Jesus Cristo na morte de cruz, pois, “Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes” (Pr 3,34). Não vês Maria, a bem-aventurada? Quando o anjo Gabriel apareceu a ela saudou-a com um gesto de amor fraterno: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28). Por que receberia ela graça diante de Deus? Justamente porque ela era humilde (cf. Lc 1,48) e crente nas promessas de Deus. Assim devemos ser nós. Embora não igualemos nunca Maria em santidade e realeza, devemos imitá-la para que também alcancemos graça diante de Deus.

A humildade tem apenas uma finalidade: mostrar que somos pecadores e pequenos diante de Deus, simples servos. Paremos, pois, de exaltar nossa suposta grandeza porque ninguém é mais que ninguém. Aquele que está ali deitado na calçada e que tantas vezes esnobamos é imagem e semelhança de Deus e todos nós o somos. Desprezar a ele é desprezar o próprio Cristo, é descumprir o que Jesus nos ensinou: “O que vos mando é que vos ameis uns aos outros” (Jo 15,17). Sejamos, pois, simples, pois, é a simplicidade que alcança os olhos de Deus.

O problema dos preservativos

Quanto ao sexo, meus irmãos, precisamos aprender a manter uma conduta reta e íntegra aos olhos de Deus, sem nenhum resquício de prostituição e/ou transgressão do celibato, o qual somos chamados no batismo. Ah como fico triste em saber que a nossa população aceitou a camisinha e os outros preservativos! Como fico triste em ver os ensinamentos da Igreja escarnecidos! Precisamos pôr a mão na consciência para saber o verdadeiro motivo da gravidez indesejada, da AIDS e das DST’s em geral: a sexualidade desregrada. Os métodos contraceptivos são uma maneira de fugir das responsabilidades que uma desobediência traz. E muitas vezes esses métodos são abortivos. Vós não imaginais a tristeza de Deus conosco. Precisamos hoje levantar a bandeira da temperança e mostrar que é capaz ter um namoro santo, é possível viver na castidade.

E, atenção, pais, para vós há de vir castigos e mais castigos se ensinardes essa doutrina ‘diabólica anti-celibato’ aos vossos filhos, pois Jesus disse: “se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt 18,6). Quantas mães estão ensinando suas filhas a usar a camisinha e acham que isso é educação sexual correta! Abramos nossos olhos. A solução para tudo isso é uma vida de fé, dedicada totalmente a Deus, em verdadeira castidade e obediência à Igreja. Não pensem “ainda bem que eles estão usando camisinha”, ou ainda “pelo menos está se prevenindo”. O significado do sexo com camisinha e do sexo sem é o mesmo porque os dois são desobediências. A nossa sociedade usa camisinha para transar muito e falar que não aconteceu nada. Cuidado com isso! “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas” (Is 5,20). A camisinha não é boa, como muitos pensam. Ela é ruim e como tal será tratada pela Igreja porque induz aos relacionamentos sem compromisso, cheios de infâmia e corrupção do corpo.

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Advertências gerais

Torno as palavras de São Paulo as minhas: “Fugi da fornicação” (1Cor 6,18). Para que esse ensinamento seja cumprido, é necessário muita vida de oração, especialmente por parte dos homens, que são na maioria das vezes influenciados pelas más companhias. Ora, “más companhias corrompem bons costumes” (1Cor 15,33). Fugi, pois, também das más companhias, pois, elas induzem ao pecado (no caso, a fornicação). Mulheres, vistam roupas mais decentes, as que não mostram o corpo e não levam os outros a pecar, pois, usando roupas sem-vergonha estais pecando e sendo fonte de corrupção para os homens. Não vos embriagueis, pois isso também leva ao pecado. Evitem ver programas maus e ouvir músicas pervertidas; evitem dançar o funk, evitem ouvi-lo; evitem dançar grudados, vós que ainda não sois casados, enfim, tudo aquilo que induz a pecar deve ser negligenciado, pois, vós sois filhos de Deus muito amados.

Deveres dos esposos e das mulheres

Caríssimos, a maior bênção que existe na face da terra é o matrimônio, principalmente quando os cônjuges casam virgens. A alegria do Senhor é maravilhosa se sabeis dar exemplo de temperança e compromisso para com vosso marido e vossa esposa. Mas, assim como todo relacionamento, o casamento exige algumas leis. No casamento, o marido vive pela esposa e a esposa, pelo marido; são totalmente dependentes um do outro; se tornaram uma só carne. É preciso, pois, amoldar-se aos desejos do outro sem nenhuma murmuração porque agora ambos estão unidos também sexualmente. Maridos, respeitai vossas esposas em todos os sentidos. Ouvistes o que foi falado aos israelitas naquele tempo: “Não cometerás adultério” (Ex 20,14). Essa lei vale ainda para hoje. Sejam fiéis a elas pois foi feita uma aliança entre você e ela. Quem descumpre essa aliança com o cônjuge, desrespeita o próprio Deus pois, foi diante d’Ele que assumistes o compromisso de permanecer juntos até a vossa morte.

Ainda em respeito ao matrimônio, creio que um dos maiores problemas do mundo em que vivemos hoje é a independência que a mulher começa a querer ter do marido. Isso não é ruim em seu todo, porque dessa maneira, a mulher adquire dinheiro e também trabalha para sustentar a família, no entanto, o homem ainda é o chefe da família e ele manda na esposa. A mulher leva o sinal de submissão na sua testa e tem que obedecer ao seu marido em tudo de bom que ele propor. Assim como a mulher se curva diante do homem, assim o homem só vive para sua mulher e não pode ter nenhum outra. A poligamia é um pecado gravíssimo aos olhos de Deus. Contudo, a infidelidade do marido não pode de maneira alguma ser pretexto para a desobediência da esposa, assim como a infidelidade da mulher não pode ser pretexto para a traição. Respeitai o outro em tudo o que fizerdes mesmo se ele(a) não lhe respeita: isso é agradável aos olhos de Deus e serve como exemplo para o cônjuge. Honrai, pois, um ao outro em verdadeira santidade.

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Leis diversas

Filhos, respeitai sempre vossos pais. Pais, educai na fé católica vossos filhos, para que todos possam viver felizes. As dificuldades são inevitáveis nas famílias que não conseguiram levar adiante uma educação sólida aos seus filhos. Ouvi, pois, filhos, todos os conselhos de vossos pais; não desprezeis vossa mãe; amparai-a na velhice. Evitai tudo aquilo que não edifica e verás os resultados positivos no crescimento espiritual de vossa família. Permanecei unidos em todas as circunstâncias; comei todos juntos a mesa; a novela não é mais importante do que uma família junta. Procurai sempre o bem do outro e a vontade do outro, respeitando sempre as idéias do próximo e não nos esquecendo que somos todos irmãos em Cristo.

Obedecei às instruções do sacerdote e do bispo. Ide sempre à missa; não abandoneis a assembléia e lembrai-vos sempre da unicidade da Igreja Católica, a única que Jesus fundou e solidificou sua doutrina.

Insolência dos escândalos sexuais

Não brigueis; não façais fofoca do vosso irmão, mas admoestai-vos em usar vossa língua para falar coisas boas, pois, o insensato mata o outro pela língua. Respeitai, pois, todas as pessoas, em todos os lugares, em todas as ocasiões. Mulheres solteiras, não provoqueis o homem casado nunca – isso é abominável aos olhos de Deus e dos homens. É na retidão que se encontram as mulheres dignas de respeito. Assim, homens solteiros, não olheis com malícia para as mulheres que já têm marido – o adultério começa no coração e termina pela concretização de um pecado abominável aos olhos de Deus e dos homens. Não conhecerás o homem como se fosse mulher, nem a mulher como se fosse homem – isso é um escândalo. Não farás comércio com animal – isso é terrível. Não tomarás uma criança por adulto; não forçarás ninguém ao ato sexual – são pecados gravíssimos. Assim, a briga, a fofoca, o adultério, a provocação, o adultério, a pornografia, a pedofilia, o estupro, as práticas homossexuais são desrespeitos morais graves e os que os praticam não herdarão o Reino dos céus.

Amor e oração

De graça recebestes; de graça dai. Amai o outro sempre, apesar de todos os seus pecados porque outrora também eras assim. Lutai contra o mal e condenai abertamente as obras das trevas. Orai sem cessar, especialmente nos momentos de tristeza; participai dos grupos de oração; leiais a Bíblia e estudai os documentos da Igreja. Visitai os doentes, pobres, famintos e presos. Dai amor a quem necessita, roupa a quem tem frio, pão a quem tem fome e compaixão a quem tem sede de justiça. Ao mais, amai a Deus sobre todas as coisas com toda a tua força, toda a tua alma e todo o teu entendimento. Fazendo isso, sereis filhos muito amados do Pai Eterno.

Graça e paz a vós, por parte do Nosso Senhor Jesus Cristo.