Em defesa da Bíblia e da fé XVII – Respostas a um ateu

Saudações máximas sejam dadas a vós todos, irmãos e irmãs em Cristo, crentes ou não-crentes na fé do Senhor! A todos, amor, graça e paz em abundância por parte daquele que venceu a morte para nos dar a vida eterna. Que o Espírito Santo continue sempre agindo em nosso meio, através das coisas simples, como o vôo de um beija-flor, ou o canto do canarinho feliz. Que Deus continue a se nos manifestar em sua presença inefável seu grande amor e sua tão piedosa bondade, abrindo os corações de todas as pessoas à realidade cruel do aborto, uma abominação.

[respondendo ao comentário da postagem 'No colo de Jesus', onde falamos sobre a história da criança que Jesus pegou no colo e tal. Citamos o comentário que o autor do site Ateus do Brasil fez e isso gerou a identificação da postagem e o conseqüente comentário do amigo. Vale para a defesa não só dessas perguntas, mas de questões morais relativas a nossa fé - boa leitura!]

Apesar de parecer, não estou ignorando o comentário que nosso irmão Alenônimo, em resposta à postagem No colo de Jesus, fez ao nosso blog. Amigo, as críticas aqui são muito bem-vindas. E é justamente isso que me fez pensar se eu a comentaria ou não. Fá-los-ei aqui nessa postagem, respondendo ao que disse da estórinha infantil que escrevi nessa postagem.

Você começa o comentário chamando o texto de infantil. Vejamos, se considerarmos o protagonista da estória – uma criança – é realmente um texto infantil. Agora, o gênero literário dele não é dessa categoria. A categoria desse texto é baseada em fatos reais. Eu não inventei nada, não criei nada, apenas copiei do blog do nosso amigo Sizenando, mas não foi só ele que publicou esse artigo em seu site. Inclusive, o Jornal Correio Várzea-grandense publicou essa estória em seus documentos e a redação garantiu a credibilidade do artigo. Acredite se quiser, meu amigo.

Aí você afirma o seguinte:

Eu simplesmente nunca vi uma briga entre ateus, quem dirá assassinatos como descritos no texto. Mas entre os religiosos, os crentes em Deus, eu vejo aos montes na televisão. Verdade seja dita, acredito que seja mais pelo fato destes existirem em maior número, o que implica que religião não faz muita diferença nesses casos.

Eu já vi um monte de brigas, assassinatos na televisão e não vi nenhum jornalista ficar citando a religião das pessoas envolvidas, por isso, eu também não vejo brigas entre ateus. Talvez essa história não citasse a religião dos pais que brigaram também, mas pelo que a criança havia relatado sobre Jesus, sentiu-se a necessidade, na notícia, de falar que o casal era ateu, não para generalizar e dizer que todos os crimes da humanidade caem nas costas dos ateus, até porque seria hipocrisia fazer isso, mas para mostrar que a criança, por ter pais que não acreditavam em Deus, mesmo assim viu Jesus carregando-a no colo.

Você vê brigas entre pessoas que se dizem religiosas e crentes em Deus! O que acontece no Oriente Médio, por mais que alguns digam, não é vontade do Pai Eterno e eles não matam por causa de Deus porque se defendemos a vida, matar em nome de Deus seria uma tremenda contradição, especialmente hoje, em nossa sociedade, que criou conceitos legítimos de moral e ética. Se alguma pessoa mata, comete coisas ruins, homicídios, essa não tem Deus. Por mais que a pessoa se diga religiosa, não dá para acreditar que alguém que crê em Deus, cometa algo tão contrário à sua vontade. A culpa não é de Deus, mas daqueles que cometem atitudes contrárias à sua lei.

Num ponto concordamos: enquanto nós, pessoas, não mudarmos, a religião realmente não vai fazer diferença. Porque o que muda a pessoa não são fatores exteriores, mas interiores; ou seja, a vontade de mudar que a própria pessoa tem. A religião é como uma ‘escola’. Ela nos ensina o bem. Manda quem pode, obedece quem tem juízo, já dizia minha mãe. Você falou dos crimes que os religiosos cometem como se a religião deles os incentivasse a cometer as coisas ruins, quando, na verdade, a religião quer nos ensinar o bem. Aliás, convido você a ler os quatro evangelhos da Bíblia. Só eles. Dê uma ‘lidinha’ neles. A religião se baseia em Jesus Cristo e se os crimes acontecem, a culpa não é da religião, mas daqueles que querem usar a Bíblia e outros artigos religiosos para justificar suas atrocidades. 

Agora, o que o ateísmo tem a ver com os crimes que a humanidade comete? Se levarmos em conta a inexistência de Deus, que os ateus defendem, então praticar o bem seria inútil porque (1) não receberíamos recompensas pelo que fizemos, (2) que razão haveria em amar os outros e fazer caridade, sendo que isso não mudaria nada em nossa vida? Crer em Deus não é um simples continho de fadas, mas (1) uma realidade, um fato, (2) a razão principal e única pelo qual ainda praticamos o bem e fazemos o que é justo, (3) o que impulsiona as pessoas a crer na eternidade da alma e ter a esperança. Não digo aqui que os ateus não fazem o bem. Longe de mim! Apenas falo que não haveria sentido nenhum em fazer o bem caso Deus realmente não existisse. 

Se Deus cuida daquelas pessoas que lhe adoram, por que deixou aquele telhado esmagá-los feito uma panqueca? Por que, ao menos, não o segurou até que todos tivessem saído do recinto? Ou porque não avisou essas pessoas para que decidissem sair do prédio ou não?

Você fala como se a culpa da queda do telhado fosse de Deus. Aquele telhado caiu porque foi mal-feito, porque não estava resistente. Agora, por que Deus não interferiu se Ele realmente ama tanto as pessoas e blá-blá-blá? Ele interferiu sim! Se não tivesse interferido tinha todo mundo morrido. Morreram algumas pessoas. Por quê? Porque era para acontecer. Todos vão morrer e a morte não é o fim da vida, mas o começo de outra. Está certo que os familiares sofreram muito e etc. Mas é através dessa ‘tragédia’ que muitos sofrimentos poderão se converter em aprendizado de vida. Quantas pessoas aprenderam com a morte de seus entes queridos! Por mais dolorosa que seja a perda do amigo, do familiar, do parente, daquele ou daquela pessoa, Deus sempre quer dar a essas pessoas um novo rumo de vida.

E a Igreja ensina que “Deus não é de modo algum, nem direta nem indiretamente, a causa do mal moral. Todavia, permite-o, respeitando a liberdade de sua criatura e, misteriosamente, sabe auferir dele o bem” (Catecismo, 311). Para quem não acredita que depois da morte, há a vida eterna, então a morte só tem coisas ruins mesmo e a sua opinião nunca vai mudar. Santo Agostinho dizia que Deus, “por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal” (Enchir. 3,11: CCL 46,53 (PL 40,236).

Por exemplo, Deus poderia muito bem ter evitado a queda de Adão e Eva cortando aquela árvore do jardim do Éden. No entanto, Ele mandou seu Filho amado (Jesus Cristo), para do mal que ocasionou a queda do homem surgir um bem de salvação para toda a humanidade. A providência divina corre apenas para o bem, por mais sofrimentos e tristezas que tenhamos durante nossa caminhada.

Desculpe por não responder a pergunta naquela postagem. É que achei desnecessário, mas está aí a minha resposta. Irmão, boa tarde para você e bom fim de semana.

Graça e paz.