Saudações a vós, irmãos e irmãs em Cristo Jesus Nosso Senhor! Que o amor e a fé de Davi, rei de Israel, possam estar sempre conosco e que, dessa maneira, possamos criar cada vez mais coragem para anunciar o Evangelho aos povos, cumprindo aquelas palavras que Jesus nos exortava: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura!” (Mc 16,15). Que possamos também ensinar as outras pessoas como chegar a Jesus, não só através de palavras, mas principalmente de ações, porque, como já dizia ‘um certo alguém’, as palavras comovem, mas os exemplos arrastam. Vamos com fé à batalha!
Saudações particulares a todos os que nos acompanham sempre nesse trabalho de evangelização! Saúdo a Igreja de Itumbiara, de Ubatuba, de Cuiabá e de Ituiutaba. Saúdo também irmão em Cristo Sizenando Oliveira, nosso parceiro. Saúdo nosso Papa Bento XVI, reverências ao Cardeal Bertone, a Dom Francisco Carlos. A todos os cristãos, graça e paz.
A leitura que hoje nos é proposta na Santa Missa é maravilhosa e vem com esse tema: “as correções são unicamente para nosso crescimento”.
Vós ainda não resististes até ao sangue na vossa luta contra o pecado [leitura de ontem], e já esquecestes as palavras de encorajamento que vos foram dirigidas como a filhos: “Meu filho, não desprezes a correção do Senhor, não te desanimes quando Ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem Ele ama e castiga a quem aceita como filho” (Pr 3,11s). É para a vossa correção que sofreis; é como filhos que Deus vos trata. Pois qual é o filho a quem o pai não corrige? (…) Na realidade, na hora em que é feita, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados.
Portanto, “firmai as mãos enfraquecidas e os joelhos vacilantes; tornai retas as trilhas para os vossos pés” (Pr 4,26), para que não se destronque o que é manco, mas antes seja curado.
Procurai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá ao Senhor. Cuidai para que ninguém fique privado da graça de Deus, e que nenhuma raiz venenosa cresça no meio de vós, tumultuando e contaminando a muitos.
É para a vossa correção que sofreis; é como filhos que Deus vos trata. Caríssimos, a leitura começa dando uma citação famosa do livro dos Provérbios, exortando-nos a não desprezar a correção do Senhor e a não desanimar quando Ele nos repreender. Depois, o escritor conclui que sofremos para a nossa correção, já que somos filhos amados de Deus. Vamos analisar primeiramente aquilo que vem nos exortar a citação dos Provérbios: não desprezes a correção do Senhor. De primeira vista, podemos pensar: como assim desprezar? Nesse sentido, desprezar a correção é achar que ela é infrutífera. De modo algum. Sabemos que quando somos corrigidos, ainda mais por nossos pais, é para que aprendamos o certo, ou seja, somos repreendidos para que, mais tarde, possamos acertar. É a correção construtiva. Deus não zomba de nossas ignomínias, mas Ele, como nos lembra Santo Agostinho, “faz resultar o bem do próprio mal”. As correções que recebemos são para nosso bem, para que aprendamos que não está certo da maneira que estamos levando, que temos que mudar. Mas, infelizmente, estamos desprezando a correção do Senhor. Quando fazemos isso? Quando, diante das dificuldades e das provações, não mudamos de vida.
Conheço uma mulher já de idade, muito fofoqueira, fala tudo o que lhe vem à cabeça. Certa vez, seu filho mais velho foi assassinado por policiais enquanto roubava instituições públicas. Ela chorou muito, ficou muito triste, mas desprezou aquilo que aconteceu, não tirou daquele mal um bem. Continuou do mesmo jeito, sem mudar, na ignorância e no ateísmo. Por quê? Porque desprezou a correção do Senhor. Em nossa caminhada, quando acontecem desgraças, e, quando digo desgraças digo desde aquela prova em que fomos reprovados até a morte de nosso ente querido, precisamos aprender a mudar. O que tiramos de lição, por exemplo, duma prova que não saímos bem? Tenho que estudar mais. O que tiramos de lição daquele bolo que ficou em cima da pia durante uma semana inteira? Que tem que pôr na geladeira, se não mofa. E por aí vai… Na nossa vida, somos chamados a aprender com as correções. Se não fizermos isso, se não formos provados, vamos ser cristãos sem consistência, porque não aprendemos a lidar com as dificuldades da vida, que são inevitáveis.
E o apóstolo explica que na hora em que é feita, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor. Exatamente! E não desprezar a correção do Senhor é saber que a correção é para produzir fruto de paz e de justiça, por mais que soframos com o que nos acontece. Só vamos aprender a ser melhores se formos provados. É isso que nos exorta Eclesiástico: “Se entrares para o serviço do Senhor, (…) prepara a tua alma para a provação” (2,1). As provações são para alimentar a nossa fé, pois servem de experiência para nossa caminhada. E o que ele nos diz é claro. Nada vai parecer bonito no começo, mas se começarmos a exercitar a nossa dor em Cristo, veremos belos frutos colhidos. A música “Tempo de Colheita”, da Eliana Ribeiro, canta justamente isso: Os que plantam sementes entre lágrimas ceifarão alegria. Ser corrigido para nós é uma alegria quando descobrimos que é na dor que a nossa fé é completada. Quem nunca sofreu nunca vai aprender nada porque ainda não viveu os momentos difíceis para pôr em prova a sua fé. Jó foi ferido de lepra para que fosse provada a sua fé. Quando a dor passou, o que aconteceu? Tudo o que ele tinha lhe foi restituído duas vezes mais. É a colheita do sofrimento!
Que possamos fazer como a carta nos ensina: procurar a paz com todos e a santidade, porque é essa a condição para quem quer ver ao Senhor. Saibamos, pois, que para ser santos, é preciso fazer como Jó, testar a nossa fé no sofrimento, pois é através dele que descobrimos quão grande é a nossa força. Disso tiramos bens incalculáveis… A vida eterna pode ser um deles, se mudarmos quando formos repreendidos, se aprendermos com as nossas dores.
Graça e paz.