“A vontade de Deus é que sejais santos e que vos afasteis da imoralidade sexual” (1 Ts 4,3).
A vontade de Deus: qual é? Responde São Paulo: sejais santos e vos afasteis da imoralidade sexual. São dois pontos importantes da pregação cristã. O primeiro: “sejais santos” já é uma herança judaica, do tempo de Moisés: “Sede santos porque Eu, o Senhor, sou santo” (Lv 19,2). E Jesus, através de seus apóstolos, perpetua esse ensinamento. A vontade de Deus sempre foi a que fossemos santos. E por quê? Porque sem santidade não podemos vê-Lo, não podemos alcançá-lo. Diz a Carta aos Hebreus que “sem a [santidade] ninguém pode ver o Senhor” (Hb 12,14). Por meio dessa afirmação de São Paulo, constatamos um dos princípios mais belos da misericórdia divina. Ele, como Deus, não quer o Seu Reino para Si, para desfrutar sozinho dos bens do céu. Pelo contrário, “deseja que todos se salvem” (1Tm 2,4). Por isso quer que sejamos santos, para que possamos possuir essa salvação, tomar posse da bênção de Deus. Ao mesmo tempo, quer que chegue até nós a felicidade. De fato, sabemos que fora de Deus não há felicidade porque fomos criados para Sua Glória.
Da mesma maneira, pede não só que sejamos santos, mas que nos afastamos da imoralidade sexual. Com efeito, ser santo já implica em praticar essa atitude, mas por que então Paulo viria novamente a repetir essa expressão se a santidade já engloba a temperança sexual? Talvez para enfatizar ainda mais o quanto é importante afastar-se dos pecados da carne. “Não queiras ser sem inteligência como o cavalo, como o muar, que só ao freio e à rédea submetem seus ímpetos; de outro modo não se chegam a ti” (Sl 31,9). A Bíblia, assim como a doutrina moral da Igreja e de muitas religiões até não-cristãs, reconhece que é preciso controlar os impulsos sexuais. Necessitamos superar nossos ímpetos, nossas fraquezas. E quando se fala “imoralidade sexual”, se abrange diversos conceitos de perversidade. A doutrina da Mãe Igreja não hesita em citá-los um a um. São eles: adultério, fornicação, pornografia, masturbação, incesto, homossexualismo, luxúria, prostituição, pedofilia etc., sobre os quais devemos tratar mais especificamente a posteriori.
Importante, ainda nessa frase, observar a convicção com que Paulo exorta os fiéis de Tessalônica. Ele revela a verdade sem nenhuma conversa: a vontade de Deus é essa; sigam-na. Do mesmo modo, para nós hoje, as palavras de São Paulo servem muito bem. Quantos de nós, perdidos na promiscuidade do mundo, nos desencaminhamos cada vez mais no abismo imoral da sexualidade desregrada? O apóstolo dos gentios manda que sejamos santos e nos afastamos da imoralidade sexual, pois essa só conduz ao caminho da perdição, do inferno, o qual ele descreve ainda aos fiéis de Tessalônica: aqueles que não seguirem essas exortações de Cristo “serão punidos com a ruína eterna, longe da face do Senhor e da glória do seu poder” (2Ts 1,9). Isso não é, ao contrário do que poderão pensar, motivo de medo. Não! O Catecismo da Igreja com alegria observa:
1036. As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14).





Autor: Everth Queiroz Oliveira
