Família: terreno fértil para as vocações

Angelus do Papa Bento XVI no dia 30 de agosto de 2009

Tradução: Agência Zenit

Queridos irmãos e irmãs

Há três dias, em 27 de agosto, celebramos a memória litúrgica de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, considerada modelo e patrona das mães cristãs. Sobre ela, seu filho nos dá muitas informações no livro autobiográfico “Confissões”, obra-prima entre as mais lidas de todos os tempos. Aqui aprendemos que Santo Agostinho bebe o nome de Jesus com o leite materno e foi educado por sua mãe na religião cristã, cujos princípios manterá impressos nele também nos anos de deslize espiritual e moral. Mônica não deixa nunca de rezar por ele e por sua conversão, e teve o consolo de vê-lo voltar à fé e receber o batismo. Deus recompensa as orações desta santa mãe, a quem o bispo de Tagaste havia dito: “É impossível que um filho de tantas lágrimas se perca”. De fato, Santo Agostinho não só se converteu, mas decidiu abraçar a vida monástica e, ao voltar para África, fundou ele mesmo uma comunidade de monges. Comoventes e edificantes são os últimos colóquios espirituais entre ele e sua mãe na tranquilidade de uma casa de Ostia, à espera de embarcar-se para África. Naquele momento, Santa Mônica se convertia, para seu filho, em “mais que mãe, a fonte de seu cristianismo”. Seu único desejo havia sido durante anos a conversão de Agostinho, a quem nesse momento via orientado inclusive para uma vida de consagração ao serviço de Deus. Podia portanto morrer contente e realmente morreu em 27 de agosto de 387, aos 56 anos, depois de ter pedido aos filhos não preocupar-se por sua sepultura mas lembrar-se dela, onde quer que se encontrasse, no altar do Senhor. Santo Agostinho repetiu que sua mãe o havia “gerado duas vezes”.

A história do cristianismo está cheia de inumeráveis exemplos de pais santos e de autênticas famílias cristãs que acompanharam a vida de generosos sacerdotes e pastores da Igreja. Pense-se nos santos Basílio Magno e Gregório Nacianceno, ambos pertencentes a famílias de santos. Pensamos, muito perto de nós, nos cônjuges Luigi Beltrame Quattrocchi e Maria Corsini, que viveram entre o final do século XIX e a metade do XX, beatificados por meu venerado predecessor João Paulo II em outubro de 2001, coincidindo com os vinte anos da Exortação Apostólica Familiaris consortio. Este documento, além de ilustrar o valor do matrimônio e as funções da família, solicita aos esposos um particular compromisso no caminho de santidade, que, tirando graça e força do sacramento do matrimônio, acompanha-os ao longo de toda sua existência (cf. N. 56). Quando os cônjuges se dedicam generosamente à educação dos filhos, guiando-os e orientando-os no descobrimento do plano de amor de Deus, preparam esse fértil terreno espiritual no qual florescem e amadurecem as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Revela-se quão intimamente estão ligadas e se iluminam mutuamente o matrimônio e a virgindade, a partir de sua comum firmeza no amor esponsal de Cristo.

Queridos irmãos e irmãs: neste Ano Sacerdotal oramos para que, “por intercessão do Santo Cura d’Ars, as famílias cristãs se convertam em pequenas igrejas, nas quais todas as vocações e todos os carismas, dados pelo Espírito Santo, possam ser acolhidos e valorizados” (da oração do Ano Sacerdotal). Que Nossa Senhora, a quem juntos invocamos, nos obtenha esta graça.

Como foi a 3ª Marcha da Cidadania pela Vida

[Confira no vídeo abaixo como foi a 3ª Marcha da Cidadania pela Vida em Brasília. É bom ver os brasileiros se juntando por uma causa nobre. Que a Santíssima Virgem Maria rogue a Deus para que se digne conceder a todos os prós-vida do nosso país a recompensa que merecem por esse ato tão justo e santo. Boa interatividade!]

A Missa não é um show

http://sal.zip.net/images/elevationofhost_0.jpgNa Santa Missa do 22º domingo do Tempo Comum, que foi realizada na Paróquia Nossa Senhora das Vitórias, aqui em Santa Vitória-MG, o Padre Fernando tratou de deixar claro que “a Santa Missa não é um show”. Infelizmente o nosso povo vem se esquecendo dessa santa exortação e tentando incorporar à liturgia da Santa Missa aspectos totalmente incomuns ao espírito do bom senso e da integridade. E é preciso ficar claro que a missa é um ato solene, que deve ser celebrado com a maior seriedade possível, com risco de incorrer em falta grave aqueles que, em um ato de extrema banalização do rito, vão à missa com a maior falta de pudor buscando aquele maligno prurido de novidades, que destrói a tradição da Igreja.

E quando falamos que a Santa Missa não é um show, queremos lembrar não somente da forma como ela é celebrada, mas também da maneira que comparecemos à igreja para encontrar a Jesus Cristo. Muitos, talvez por não conhecerem a grande beleza que se encerra na Sagrada Liturgia, vão à Missa como se ela fosse um evento social ou um simples acontecimento festivo. Não é assim, não! Quando vamos a uma igreja, em primeiro lugar, devemos saber que estamos indo a um lugar sagrado, ou seja, que repele todo tipo de impureza e sensualidade. Mas as pessoas se esquecem disso e comparecem à casa de Deus como se fossem a um desfile de moda. Usam os maiores decotes, estampam as partes íntimas do corpo; outras, com a maior falta de vergonha, ainda andam dentro da igreja como se estivessem numa praça ou em um lugar público qualquer.

E a Santa Missa, meu Deus! Não existe nada mais sagrado nesse mundo do que o ato da Santa Missa, que é o momento em que comungamos o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se faz presença real no Santíssimo Sacramento da Eucaristia! Quando vamos assistir a uma Missa, a primeira coisa que temos que ter em mente é: Eu vou ao encontro de Jesus. Não importa se estou indo com minha companheira ou meu companheiro, com meu esposo, ou com minha esposa. Estou lá para agradar a Deus. E é impossível agradar a Deus vestindo certo tipo de roupa. Por quê? Primeiro porque o nosso corpo, diz São Paulo, é templo do Espírito Santo (cf. 1 Cor 6, 19). Então, é preciso que ele seja fonte de graça. Ora, como um corpo onde é visível o esboço da sensualidade pode ser fonte de graça? A mulher ou o homem que se veste buscando destacar em seu corpo as marcas da sensualidade é fonte de pecado e contaminação. E aí estamos jogando pérolas aos porcos, fazendo daquilo que é sagrado – templo do Espírito Santo – algo profano.

“[O] impuro peca contra o seu próprio corpo” (1 Cor 6, 18), diz São Paulo. Queremos ser impuros e pecar contra os nossos corpos, ameaçando a castidade dos que estão à nossa volta? Ora, que saibamos que “[o]s que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus” (Rm 8, 8). E acaso queremos contristar o Espírito Santo, com o qual fomos selados desde o nosso batismo para que pudéssemos ser sinais da graça de Deus? Ou queremos agradar aos homens? “É, porventura, o favor dos homens que eu procuro, ou o de Deus? Por acaso tenho interesse em agradar aos homens? Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1,10). Aquele – saiba – que quer agradar aos homens não pode ser servo de Cristo, e, portanto, não pode se salvar.

E infelizmente aqueles que banalizam a Santa Liturgia não seguindo os preceitos que a sã doutrina da Igreja propõe estão banalizando o Sacrifício de Jesus Cristo na Cruz. Esses são aqueles mesmos que crucificaram e zombaram de Cristo: “[C]uspiam nele” (Mc 15,19). Não se contentam em desagradar-Lhe com seus pecados, o desprezam crucificando-O novamente.

Precisamos cuidar para não tratar a Santa Missa como um mero evento social ou um simples banquete, pois – ensina a reta doutrina da Madre Igreja – “[a] Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor” (Ecclesia de Eucharistia, 12). “A Santa Missa não é um show”, lembrou bem nosso querido pároco. Que Nossa Senhora nos ajude a lembrar disso e que o Sacrifício de Seu Santo Filho na cruz seja mais honrado e seja dignamente celebrado.

Graça e paz.

Performance escabrosa do hino nacional

[Quem achava que a decadência brasileira era simplesmente moral se enganou. Abaixo uma amostra da banalidade com que são tratados os símbolos nacionais do nosso país. Interpretação vergonhosa do hino nacional pela cantora Vanusa... Observem, no final: os políticos tentam fazê-la parar, batendo palmas e agradecendo a participação. Mas ela continua cantando... É pra acabar. Deus tenha misericórdia do nosso país.]

3ª Marcha Nacional Pró-Vida em Brasília

Acontecerá no dia de hoje, em Brasília, o show de encerramento da 3ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida. Fica para todos os católicos pró-vida – como se fosse possível ser “católico pelo direito de decidir” – do país o convite a participar dessa bela marcha.

http://www.fedf.org.br/home/imagens/noticias/3MarchaNacional_Folde.jpg

Concentração: 30 de Agosto – 15h

Local: Eixão Sul; Altura da 208. Brasília – DF.

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Fiquei sabendo pelo blog do Wagner que o Ministério da Cultura emitiu uma nota se manifestando contra uma frase da divulgação do evento. Abaixo, na íntegra, a nota:

Nota do ministério

MinC anula convênio do projeto Cultura, Cidadania e Vida

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, determinou o bloqueio da conta corrente e a devolução dos recursos do proponente ao tomar conhecimento dos propósitos do projeto Cultura, Cidadania e Vida.

O material de divulgação do evento caracteriza claramente que houve omissão de informação na apresentação do projeto, caracterizando uma burla. O Ministério da Cultura não autorizou, em nenhum momento, a associação de sua marca ao chamado, publicado em cartazes de divulgação: “Venha participar e manifestar a sua posição contra as tentativas de legalizar o aborto no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal”.

Nem mesmo foi solicitado apoio do Ministério em relação ao assunto, que está em discussão no país, com muitas posições na sociedade – inclusive a do Ministério da Saúde, que caracteriza o tema como uma questão de saúde pública.

Por questão de coerência, o Ministério da Cultura tomou, já a partir de hoje, todas as ações necessárias para reparar o erro a que foi induzido por omissão proposital de informação.

Essa decisão do Ministério Público foi, além de lamentável e anti-democrática, tendenciosa. 2,8 milhões de reais para incentivo da descriminalização do aborto pode, não é? 80 mil reais para a divulgação do filme “O fim do silêncio” pode também, não é, sr. Ministro?

É assim que segue a “democracia” no Brasil.

Só nos resta orar e clamar novamente ao Senhor: Miserere nobis!

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Atualização: Confira como foi a 3ª Marcha da Cidadania pela Vida

Mais ameaças gayzistas

Concurso quer eleger o Rio como melhor destino gay                 do mundo (Foto: Divulgação)

Vergonha: Rio pode se tornar, no dia 2 de novembro, melhor destino gay do mundo

Mais uma triste notícia que corre nos meios anticristãos: Para público GLS, Rio já é o melhor destino gay. Fiquei sabendo pelo Twitter que o Rio de Janeiro, a “cidade maravilhosa”, se candidatou para concorrer como melhor destino gay do mundo. As outras cidades que disputam o prêmio são cinco, a saber: Buenos Aires, na Argentina, Barcelona, na Espanha, Londres, na Inglaterra, Montreal e Sidney (AUS). Se o Rio realmente ganhar esse prêmio – o que Deus não permita que aconteça – o país vai se tornar alvo fácil para a legalização do casamento gay e de outras brechas civis que favoreçam os homossexuais. A sociedade está sendo assombrada pelo monstro gayzista, que busca levar a humanidade definitivamente à perdição.

“[T]odos os pecados contra a natureza – diz Santo Agostinho -, como o foram os do sodomitas, hão de ser detestados e castigados sempre e em toda a parte, pois, mesmo que todos os cometessem, não seriam menos réus de crime diante da lei divina, que não fez os homens para usar tão torpemente de si; de fato viola-se a união que deve existir com Deus quando a natureza, da qual ele é autor, se mancha com a depravação das paixões” (Confissões III, c. VIII). As palavras de Deus, assim como as de Santo Agostinho, estão sendo desprezadas em todo o mundo. E, desprezada a Palavra de Deus, também é desprezada a moral, a justiça, a sabedoria, tudo, até mesmo a vergonha. Sim. Os governos do mundo inteiro – especialmente dessas cidades que estão concorrendo a esse prêmio infame – andam perdendo a vergonha na cara.

Está certo que é preciso respeitar os homossexuais. O Papa Bento XVI, em homilia na cidade de Paris, há aproximadamente um ano atrás, disse: “Nos nossos juízos, nunca devemos confundir o pecado que é inaceitável, com o pecador, cujo estado de consciência não podemos julgar e que, em todo o caso, é sempre susceptível de conversão e de perdão”. Mas veja bem: uma coisa é respeitar o pecador, outra bem diferente é aprovar o pecado, que é – sublinha Bento XVI – inaceitável! Não vamos permitir, povo brasileiro, que o casamento gay seja legalizado em nosso país. Isso seria a corrupção total da moralidade e da integridade. Seria a destruição da família! Vão querer equiparar as uniões homossexuais ao matrimônio, que é dom sagrado de Deus! Vão destruir e desonrar a Sua Santa Lei!

Lamentamos, infelizmente, vendo que desobedecer a Deus e à Sua Lei atualmente não é incomum, nem mesmo anormal. É assim que a humanidade quer caminhar: longe de Deus. Por isso, gozará da ruína, porque “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23). Recomendo aqui as palavras do Papa Bento XVI, quando ainda era cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em documento publicado pela mesma congregação, tecendo alguns ótimos comentários sobre o papel do Estado na defesa da integridade moral:

“A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimônio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade atual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do patrimônio comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade”.

(Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 3 de junho de 2003, nº 11)

E que Deus livre essa Terra de Santa Cruz dos males da mordaça gay.

A sã doutrina da Igreja

http://www.ctiturismo.com.br/figuras%20gerais/europa/italia%20vista%20vaticano.gifExiste nos católicos do Brasil um desejo imenso em criar coisas novas, em reformar a liturgia nas igrejas, em cantar músicas diferentes nas missas, em inovar, renovar a tradição da Igreja. Que devemos renovar os sentimentos da nossa alma (cf. Ef 4,23)  isso é bem verdade e quando os escritores sagrados falavam disso na Bíblia nos incentivavam a perpetuar em nossos sentimentos os valores sagrados, renovando a nossa aliança com Deus, tornando-a nova, atual. Mas não nos pediam para mudar a sã doutrina da Igreja. Isso seria mudar a pregação de Jesus Cristo, seria mudar o caminho da salvação.

O belo da Igreja Católica está justamente na imutabilidade da sua doutrina. Ela não pode corromper os ensinamentos de Cristo. A Santa e Imaculada Esposa de Nosso Senhor, na qual Ele depositou a plenitude dos meios da salvação, segue aquela exortação de Santo Agatão, que o Papa Gregório XVI acatou de modo sublime na Mirari Vos: “[N]ada se deve tirar daquelas coisas que hão sido definidas, nada mudar, nada acrescentar, mas que se devem conservar puras, quanto à palavra e quanto ao sentido”. Quando alguns modernistas procuram saber porque a Igreja não muda os seus métodos, as suas fórmulas de fé ou os seus dogmas, a resposta é simples: assim como Deus é imutável, a Igreja, Corpo de Cristo, também o é. No seu preceito “não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade” (Tg 1,17).

Aquilo que o Espírito Santo, que é o guia da Igreja, ditou a Ela há quase dois mil anos atrás, é a mesma coisa que Ele dita ao Papa, aos bispos e aos padres nos dias de hoje. E a Igreja conserva os ensinamentos de Jesus puros em meio a nossa sociedade, ditando os seus valores e contextualizando-os na situação atual do nosso mundo. A voz da Igreja é a voz de Cristo. Banalizá-la é banalizar ao próprio Deus. Erram aqueles que pensam que a Igreja Católica é uma simples religião, que, assim como todas as outras, é pecadora e imperfeita. Ora, se Ela resistiu durante 20 séculos a tantas dificuldades e correntes mundanas, certamente é porque ela tem algo de especial. E Nosso Senhor Jesus Cristo falava daqueles que põem em prática a Palavra de Deus:

“Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha” (Mt 7,24-25).

Quantos ventos de doutrina ameaçaram a Igreja Católica! Desde a cisma do Oriente, no século XII até o comunismo no século XX, não foram poucas as pessoas que, sob o espírito de Satanás, buscaram derrubar a Igreja, como se ela fosse meramente humana, como se a rocha em que ela foi edificada não fosse resistente. Papa Bento XVI, quando ainda era cardeal, disse:

“Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento… A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao coletivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4, 14)” (Missa Pro Eligendo Romano Pontifice).

Papa Leão XIII disse e é verdade: “A Igreja é firme demais para ser derrubada pelo esforço dos homens”. Ela é divina, e não humana. Por ser divina, não pode alterar a sua fidelidade a Cristo. O engano de tantas seitas hoje está relacionado principalmente à corrupção da doutrina de Cristo. Aqueles que se separam da Igreja Católica, separam-se do Corpo de Cristo; desobedecem a Igreja e o Todo-Poderoso. “Aquele que se separa d[a Igreja] – diz São Cipriano -, saiba que se junta com uma adúltera, e que as promessas da Igreja já não o alcança. Aquele que abandona a Igreja não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por mãe na terra”.

Que possamos estar sempre no seio da Igreja, a Mãe de todos os cristãos. Que aqueles que se desmembraram e se demembram todos os dias do Corpo de Cristo possam ver a realidade e voltar a Jesus. Que a luz de Cristo que irradia nos corações de todos nós não seja ofuscada pela nossa ignorância e que a Santíssima Virgem Maria possa guiar os cismáticos e os rebeldes ao caminho, à verdade e à vida.

Graça e paz.

TRECHO DA ENCÍCLICA "IN DOMINICO AGRO", DE CLEMENTE XIII

Trecho da Encíclia Papal IN DOMINICO AGRO, de Clemente XIII, de 14/06/1761

ENCÍCLICA “IN DOMINICO AGRO”, DE CLEMENTE XIII

O PAPA CLEMENTE XIII

Aos seus venerandos Irmãos, Patriarcas, Primazes, Arcebispos e Bispos.

Veneráveis Irmãos, saudação e bênção apostólica.

No campo do Senhor, cuja cultura nos cabe dirigir, pelo agrado da Divina Providência, nada requer tão atenta vigilância, nem tão zelosa perseverança, como a guarda da boa semente nele lançada; noutros tempos, a guarda da doutrina católica que Jesus Cristo e os Apóstolos legaram e confiaram ao Nosso ministério.
Se por preguiça e incúria [Nossa], a sementeira ficasse abandonada, o inimigo do gênero humano poderia espalhar cizânia de permeio, enquanto os obreiros dormissem a bom dormir. Por conseguinte, no dia da ceifa, mais erva haveria para queimar ao fogo, do que trigo para recolher nos celeiros
Na verdade, o bem-aventurado Apóstolo Paulo exorta-nos, com instância, a guardarmos a fé que, uma vez por todas, foi confiada aos Santos. Escreve, pois, a Timóteo que guarde o bom depósito, porque instariam tempos perigosos, durante os quais haviam de erguer-se, na Igreja de Deus, homens maus e sedutores. Valendo-se de tal cooperação, o ardiloso tentador tudo faria por induzir os ânimos incautos em erros contrários à verdade do Evangelho.

Como muitas vezes acontece, na Igreja de Deus surgem perniciosas opiniões que, apesar de contrárias entre si, são concordes na tendência de abalar, de qualquer maneira, a pureza da fé.
Muito difícil será, então, brandir a palavra de tal forma, por entre um e outro adversário, que a nenhum deles pareça termos voltado as costas, mas antes repelido e condenado, da mesma maneira, ambos os grupos inimigos de Cristo.

Sucede também, algumas vezes, que a ilusão diabólica facilmente se oculta em erros disfarçados pelas aparências de verdade; como também um leve acréscimo ou troca de palavras corrompem o sentido da verdadeira doutrina. Assim é que a profissão de fé, em lugar de produzir a salvação, leva por vezes o homem à morte, em virtude de alguma alteração, que sutilmente lhe tenha sido feita.

Devemos, pois, afastar os fiéis, mormente os que forem de engenho mais rude ou simples, destes escabrosos e apertados atalhos, por onde mal se pode firmar pé, nem andar sem perigo de queda.
Não devem as ovelhas ser levadas às pastagens por caminhos não trilhados. Por isso, não devemos expor-lhes opiniões singulares de doutores embora católicos, mas unicamente aquilo que tenha o sinal inequívoco e certo da verdadeira doutrina católica, a saber: universalidade, antiguidade, consenso doutrinário.

Além do mais, como não pode o vulgo subir ao monte, do qual desce a glória do Senhor; como vem a perecer, se para a ver ultrapassa certos limites – devem os guias e mestres marcar ao povo balizas para todos os lados, de sorte que a exposição da doutrina não vá além do que é necessário, ou sumamente útil para a salvação. Assim, os fiéis também obedecerão ao precieto do Apóstolo: “Não saibam mais do que convém saber, e sabê-lo com moderação”.

Possuídos desta convicção, os Pontífices Romanos, Nossos Predecessores, empregaram toda a energia não só para cortar, como o gládio da excomunhão, os venenosos germes do erro que às ocultas iam vingando; mas também para cercear a expansão de algumas opiniões que, pela sua redundância, impediam o povo cristão de tirar da fé frutos mais copiosos; ou que, pela parentela com o erro, podiam ser nocivas às almas dos fiéis.
Depois de condenar, por conseguinte, as heresias que, naquela época, tentavam ofuscar a lus da Igreja; depois de assim dispersar as nuvens dos erros, o Concílio Tridentino fez rebrilhar, com mais fulgor, a verdade católica.

Cardeal Bertone: Bento XVI não retrocede no Vaticano II

Fonte: Agência Zenit

Responde a rumores que circulam na mídia

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 27 de agosto de 2009 (ZENIT.org). – O colaborador mais próximo de Bento XVI desmentiu os rumores promovidos pela mídia, que assegura uma suposta intenção do Papa de “retroceder” no caminho de aplicação do Concílio Vaticano II.

O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, em uma entrevista concedida à edição italiana de L’Osservatore Romano do dia 28 de agosto, esclarece debates surgidos por revelações de supostos documentos, desmentidos pela Santa Sé, interpretados como uma volta atrás por parte do Papa, sobretudo em matéria litúrgica.

“Para compreender as intenções e a ação de governo de Bento XVI, é necessário remontar-se à sua história pessoal – uma experiência variada que lhe permitiu passar pela Igreja conciliar como autêntico protagonista – e, uma vez eleito Papa, lembrar também do discurso de inauguração do pontificado, do que dirigiu à Cúria Romana no dia 22 de dezembro de 2005 e dos atos precisos que ele quis e confirmou (às vezes pacientemente explicados)”, começa dizendo o purpurado.

“As demais elucubrações e rumores sobre supostos documentos de retrocesso são pura invenção, segundo um clichê apresentado continuamente com obstinação.”

O cardeal cita “algumas instâncias do Concílio Vaticano II que o Papa promoveu constantemente com inteligência e profundidade de pensamento”.

Em particular, “a relação mais compreensiva instaurada com as igrejas ortodoxas e orientais, o diálogo com o judaísmo e com o islã, com uma recíproca atração, que suscitaram respostas e aprofundamentos como nunca antes teriam sido registrados, purificando a memória e abrindo-se às riquezas do outro”.

“Além disso, agrada-me sublinhar a relação direta e fraterna, assim como paternal, com todos os membros do colégio episcopal nas visitas ad limina e nas demais numerosas ocasiões de contato.”

“É preciso recordar a prática que empreendeu de intervenções livres na assembléia dos sínodos, com respostas pontuais e reflexões do próprio pontífice.”

“Não podemos esquecer tampouco do contato direto instaurado com os superiores dos dicastérios da Cúria Romana, com quem ele estabeleceu encontros periódicos de audiência.”

A reforma, uma questão de coração

No que se refere à “reforma da Igreja”, o cardeal considera “que é sobretudo uma questão de interioridade e santidade”.

Por este motivo, assegura, o Papa se concentra em recordar “a fonte da Palavra de Deus, a lei evangélica e o coração da vida da Igreja: Jesus, o Senhor conhecido, amado, adorado e imitado”.

É por isso que ele está preparando neste momento o segundo volume do seu livro “Jesus de Nazaré”.

No concernente às intervenções do Papa sobre a Cúria Romana, o cardeal explica que, no tempo que tem de pontificado, Bento XVI “realizou 70 nomeações de superiores dos diferentes dicastérios” vaticanos, sem contar as de bispos e núncios no mundo.

Neste sentido, anuncia para um futuro próximo “nomeações importantes” nas quais estarão representadas as “novas Igrejas: a África já ofereceu e oferecerá excelentes candidatos”, afirma.

O cardeal adverte sobre o erro de atribuir ao Papa todos os problemas da Igreja no mundo e todas as declarações dos seus representantes.

“Uma correta informação exige que se atribua a cada um (unicuique suum) a própria responsabilidade pelos fatos e palavras, sobretudo quando estes contradizem abertamente os ensinamentos e exemplos do Papa”, recorda aos jornalistas.

Moral e costume – Santo Agostinho

[Publico abaixo excerto da obra máxima do grande santo da Patrística Católica, Agostinho de Hipona, “Confissões”. Fala sobre a moral e costume, além de comentar os pecados que cometemos contra Deus, contra a natureza. A ocasião da publicação desse ótimo texto do doutor da Igreja é especialíssima: hoje comemoramos seu dia. E fica a dica de leitura para aqueles que querem conhecer um pouco mais da vida e dos escritos desse Santo homem de Deus.]

Moral e costume

Santo Agostinho

http://www.portalbaw.com.br/religiao/Agostin.jpgAcaso será em alguma parte e momento injusto amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento, e amar ao próximo como a nós mesmos? Por isso, todos os pecados contra a natureza, como o foram os do sodomitas, hão de ser detestados e castigados sempre e em toda a parte, pois, mesmo que todos os cometessem, não seriam menos réus de crime diante da lei divina, que não fez os homens para usar tão torpemente de si; de fato viola-se a união que deve existir com Deus quando a natureza, da qual ele é autor, se mancha com a depravação das paixões.

Com relação aos pecados que são contra os costumes humanos, também hão de ser evitados de acordo com a diversidade dos costumes, a fim de que o pacto mútuo entre os povos e nações, firmado pelo costume ou pela lei, não seja quebrado por nenhum capricho de cidadão ou forasteiro, porque é indecorosa a parte que não se acomoda ao todo. Todavia, quando Deus ordena algo contra tais costumes ou pactos, sejam quais forem, deve ser obedecido, embora o que mande nunca tenha sido feito; e se não foi cumprido, deve ser restaurado, e se não estava estabelecido, deve-se estabelecer. Se é lícito a um rei mandar na cidade que governa coisas que ninguém antes dele e nem ele próprio havia mandado, e se não é contra o bem da sociedade obedecê-lo, antes o seria o não obedecê-lo – por ser pacto básico de toda sociedade humana obedecer a seus reis – quanto mais deveria ser Deus obedecido sem titubeios em tudo que mandar, como rei do universo? Porque, assim como entre os poderes humanos o maior poder se antepõe ao menor, para que este lhe preste obediência, assim Deus antepõe-se a todos.

O mesmo se deve dizer dos crimes perpetrados com desejo de causar o mal, quer por agressão, quer por injúria; e ambas as coisas, ou por desejo de vingança, como ocorre entre inimigos, ou por alcançar algum bem sem trabalhar, como o ladrão que rouba ao viajante; ou para evitar algum mal, como acontece com o que teme; ou por inveja, como quando um miserável quer mal ao que é mais feliz, ou ao que conseguiu riquezas, temendo ser igualado ou que já lhe sejam iguais; ou unicamente pelo prazer de ver o mal alheio, como acontece com o espectador dos combates dos gladiadores, ou com o que se ri e zomba dos outros. Tais são os princípios ou fontes de iniqüidade, que nascem da paixão de mandar, de ver ou de sentir, quer de uma só dessas paixões, ou de duas, ou de todas juntas. Razão por que se vive do mal, ó Deus altíssimo e dulcíssimo, contra o saltério de dez cordas, teu decálogo. Mas, que pecado pode atingir a ti, que não és atingido pela corrupção? Ou que crimes podem ser cometidos contra ti, a quem ninguém pode causar dano? O que vingas são os crimes que os homens cometem contra si, porque, mesmo quando pecam contra ti, agem impiamente contra suas próprias almas, e sua iniqüidade engana-se a si própria, quer corrompendo e pervertendo sua natureza – feita e ordenada por ti – quer usando imoderadamente das coisas permitidas, ou até desejando imoderadamente as não permitidas, pelo uso daquilo que é contra a natureza.

Pecam também os que com o pensamento e a palavra se revoltam contra ti, dando coices contra o aguilhão; ou quando, uma vez quebrados os limites da sociedade humana, alegram-se audaciosamente com as facções ou desuniões, de acordo com as suas simpatias ou antipatias. E tudo isso o homem faz quando és abandonado, fonte da vida, único e verdadeiro criador e senhor do universo, e com orgulho egoísta ama-se uma parte do todo como se fosse o todo. Essa a razão pela qual só se pode voltar para ti com piedade humilde, para assim nos purificares nossos maus costumes; pela piedade te mostras propício com os pecados dos que te confessam, e ouves os gemidos dos cativos, e nos livras dos grilhões que nós mesmo forjamos, contanto que não ergamos contra ti os chifres de uma falsa liberdade, quer arrastados pela cobiça de mais haveres, quer pelo temos de perder tudo, preferindo nosso próprio egoísmo a ti, Bem de todos.

Santo Agostinho

Confissões”, III, c.VIII.

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Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a vida desse grande Mestre da Teologia Católica, é só conferir as três audiências que o Santo Papa Bento XVI proferiu no começo do ano passado, sobre o próprio Santo Agostinho, nos dias 9 (Santo Agostinho de Hipona 1), 16 (Santo Agostinho de Hipona 2) e 30 (Santo Agostinho de Hipona 3) de janeiro.

Santo Agostinho,
rogai por nós!