São Jerônimo

Neste último dia do mês da Bíblia, celebramos a memória do grande “tradutor e exegeta das Sagradas Escrituras”: São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja. Ele nasceu na Dalmácia em 340, e ficou conhecido como escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador, exegeta e doutor da Igreja. É de São Jerônimo a célebre frase: “Ignorar as Escrituras, é ignorar a Cristo.”

Com posse da herança dos pais, foi realizar sua vocação de amante dos estudos em Roma. Estando na “Cidade Eterna”, Jerônimo aproveitou para visitar as Catacumbas, onde contemplava as capelas e esforçava-se por decifrar os escritos nos túmulos dos mártires. Em Roma, Jerônimo teve um sonho que foi determinante para sua conversão: neste sonho, Jerônimo apresentava-se como cristão e era repreendido pelo próprio Cristo por estar faltando com a verdade (pois ainda não havia abraçado as Sagradas Escrituras, mas somente escritos pagãos). Cerca do fim desta permanência em Roma, Jerônimo recebeu o Batismo.

Após isso, iniciou os estudos teológicos e decidiu lançar-se numa peregrinação à Terra Santa, mas uma prolongada doença obrigou-o a permanecer em Antioquia. Enfastiado do mundo e desejoso de quietude e penitência, retirou-se para o deserto de Cálcida, com o propósito de seguir na vida eremítica. Ordenado sacerdote em 379, retirou-se para estudar, a fim de responder com a literatura às necessidades da época. Tendo estudado as línguas originais para melhor compreender as Escrituras, Jerônimo pôde, a pedido do Papa Dâmaso, traduzir com precisão a Bíblia para o latim (língua oficial da Igreja). Esta tradução recebeu o nome de Vulgata. Assim, com alegria e prazer se empenhou para enriquecer a Igreja universal.

Saiu de Roma, e foi viver definitivamente em Belém no ano de 386, onde permaneceu como monge penitente e estudioso, continuando as traduções bíblicas, até falecer em 420, aos 30 de setembro com, praticamente, 80 anos de idade. A Igreja declarou-o padroeiro de todos os que se dedicam ao estudo da Bíblia e fixou o “Dia da Bíblia” no mês do seu aniversário de morte, ou ainda, dia da posse da grande promessa bíblica: a Vida Eterna.

São Jerônimo, rogai por nós!

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BENTO XVI : "A EUROPA NECESSITA REENCONTRAR-SE COM DEUS"

Cidade do Vaticano, 30 set (RV) – O Papa Bento XVI deixou na manhã de hoje a residência Apostólica de Castel Gandolfo e veio ao Vaticano onde se encontrou com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Numa manhã de sol forte, o Santo Padre dedicou o seu discurso à sua recente viagem apostólica à República Tcheca, – que se concluiu na segunda-feira – salientando que foi uma verdadeira peregrinação a uma terra de profundas raízes cristãs, que deu muitos frutos de santidade.

“Eu quis levar a esse país uma mensagem de esperança. A Europa – disse o papa – necessita reencontrar-se com Deus. Esta afirmação marcou a vida de muitos cristãos no passado, e deve continuar sendo uma certeza para os fiéis de hoje.”

Durante o seu discurso o Bento XVI recordou a visita à Igreja do “Menino Jesus de Praga”, ao Castelo e à Catedral da cidade. O papa também presidiu duas grandes celebrações eucarísticas em Brno e em Stará Boleslav, lugar do martírio de São Venceslau, Padroeiro da nação tcheca. O Santo Padre destacou ainda que se encontrou com diversas comunidades cristãs presentes no país e teve a oportunidade de saudar a comunidade acadêmica.

O papa mais uma vez confiou os frutos da sua visita pastoral à intercessão de Maria Santíssima e aos grandes santos e santas da Boêmia e Moravia.

Antes de concluir o encontro Bento XVI dirigiu a sua saudação ao vários grupos de peregrinos presentes em suas respectivas línguas e concedeu a sua Benção Apostólica. Eis o que o Papa disse em português:

Queridos peregrinos vindos do Brasil e de Portugal, com menção especial dos sacerdotes licenciados em direito pela Universidade Católica Portuguesa! Quis hoje partilhar convosco a experiência da minha recente visita à República Checa, na esperança de contar com a vossa oração e solidariedade por aqueles nossos irmãos. Assim me ajudareis a levar o peso da missão que o Senhor me confiou. De todo o coração vos agradeço e formulo votos das maiores bênçãos de Deus para cada um de vós, juntamente com vossas famílias e comunidades cristãs.” (SP)

BENTO XVI CONCLUIRÁ LIVRO SOBRE JESUS NO PRÓXIMO ANO

Cidade do Vaticano, 30 set (RV) – O Papa Bento XVI comentou durante o encontro com os jornalistas que o acompanharam no vôo papal à República Tcheca que embora não esteja totalmente recuperado depois da leve fratura que sofreu no pulso direito, esteve trabalhando na segunda parte de seu livro sobre Jesus e que poderia terminá-lo na primavera européia, sou seja entre os meses de abril e junho de 2010.

Na encontro com os jornalistas o Santo Padre disse que depois da leve fratura que sofreu, agora “a mão direita está funcionando e posso fazer o essencial: posso comer e sobre tudo, posso escrever. Meu pensamento se desenvolve sobre tudo escrevendo; assim para mim foi verdadeiramente uma pena, uma escola de paciência não poder escrever por seis semanas”.

Entretanto, continuou Bento XVI, “pude trabalhar, ler, fazer outras coisas e fui avançando um pouco mais com o livro sobre Jesus”. “Mas tenho ainda muito por fazer. Penso que com a bibliografia e tudo o que segue, com a ajuda de Deus, poderei estar terminado na próxima primavera. Mas essa é uma esperança!

Ao ser perguntado logo sobre o impacto de sua última encíclica Caritas in veritate sobre o desenvolvimento humano integral, o Santo Padre disse: “estou muito contente por este grande debate. Era esta a idéia: incentivar e motivar um debate sobre esses problemas, não deixar avançar as coisas como estão, mas encontrar novos modelos para uma economia responsável, seja nos países de maneira individual, ou para a totalidade da humanidade”.

“Parece-me realmente visível – prosseguiu o papa – que a ética não é algo exterior à economia, que como técnica poderia funcionar por si mesma, mas sim é um princípio interior da economia, que não funciona se não tiverem em conta os valores humanos da solidariedade, as responsabilidades recíprocas e se não integrarem a ética na construção da economia mesma: é o grande desafio deste momento”. Finalmente Bento XVI manifestou sua confiança que com a encíclica tenha “contribuído a este desafio”. (SP)

São Jerônimo e a importância da Sagrada Escritura na vida da Igreja

http://3.bp.blogspot.com/_whIsCvwCuDY/SOKpfj1ce7I/AAAAAAAAB2k/lmhAkh0brGQ/s400/durer_jerome_wilderness.jpgHoje comemoramos o dia de São Jerônimo. No contexto do fim desse mês bíblico faz-se mister celebrar sua memória e principalmente seu empenho em levar a Palavra de Deus ao povo. Afinal, foi São Jerônimo quem traduziu a Bíblia para o latim, possibilitando que a Igreja organizasse e fundamentasse de maneira prodigiosa o seu Sagrado Magistério.

Surgiu da sua profunda relação com as Sagradas Escrituras um indescritível amor pela Palavra de Deus. De maneira sempre alegre e nas conformidades com a autoridade da Igreja São Jerônimo dava uma valorização muito grande à Bíblia. Dizia, entre outras coisas, que “aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus nem a sua sabedoria”.

É verdadeiramente essa a reflexão que a celebração da memória de S. Jerônimo quer fazer brotar em nossa consciência. Amamos a Deus porque cremos em sua Palavra, mas quão fraca deve ser a fé daqueles que não procuram conhecer a Sua Vontade e os seus ensinamentos cada vez mais! Quão fraca é o amor daqueles que amam ao Senhor mas não procuram aprofundar-se nesse amor, esquecendo-se da grandeza infinita da misericórdia do Altíssimo!

Por isso o apóstolo diz que as Escrituras “têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo” (2 Tm 3, 15). Por meio da leitura da Bíblia o homem pode chegar ao conhecimento da verdade – Jesus Cristo – que é o princípio da fé e da salvação. Entendemos agora porque São Jerônimo valorizava tanto os textos sagrados. Entendemos agora porque a Igreja sempre fundamentou suas leis nas palavras de Deus.

Sobre a relação da Revelação Divina com os livros sagrados, o Catecismo da Igreja Católica ensina:

“Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus. Com efeito, nos Livros Sagrados, o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala”

(Catecismo da Igreja Católica, § 104)

Infelizmente nos últimos tempos, com o laicismo que vem sendo pregado especialmente pelos meios de comunicação em massa, o homem vem perdendo a dimensão do divino, daquilo que ultrapassa as barreiras do pensamento humano. E com isso o desprezo pelas Sagradas Escrituras é constante. Uma vez sabido que os textos sagrados foram escritos por homens, as pessoas começam a querer identificar imperfeições na Bíblia. É claro que é preciso interpretar cada trecho da Palavra de acordo com as condições do tempo em que foi escrito, mas isso não significa de modo algum minimizar a graça de Deus que cobriu aqueles que escreveram o que posteriormente chamaríamos de letras sagradas. Os homens que escreveram a Bíblia – isso a Igreja o garante – foram inspirados por Deus. Então, embora escrita por mãos humanas, a Escritura é inspirada pela vontade e pela moral divina. Não contém nenhuma sombra de erro nem defeito.

Quando entramos na questão da interpretação particular que cada um tem dos trechos da Bíblia, aí não estamos mais falando de verdades, mas sim de opiniões. Infelizmente com o protestantismo e a conseqüente permissão do livre exame das Escrituras o homem começou a descumprir desordenadamente aquela exortação de São Pedro: “Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal” (2 Pd 1, 20). O protestantismo desgarrou-se do Magistério da Cátedra de Pedro, a única Igreja que tem “o encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou contida na Tradição” (CIC 85).

E quando se está fora da Igreja Católica, fora da verdade, a interpretação genuína da Palavra de Deus se torna impossível. Prova disso é a falta de unidade que vemos nas igrejas protestantes. Não professam uma fé única; umas acham que é melhor guardar o sábado, outras pensam ser mais justo guardar o domingo; umas dizem que o homossexualismo é correto, outras, contudo, afirmam que ele é imoral, enfim, não é esse o espírito de confusão do qual Jesus falava durante o tempo de seu ministério: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir” (Mt 12, 25)?

E São Jerônimo falou da importância de se ler a Bíblia não de forma livre, mas obedecendo antes de tudo ao Magistério da Igreja. Bento XVI, em uma de suas catequeses – em que ele explicava a vida de S. Jerônimo -, afirmou:

“Para Jerônimo um critério fundamental de método na interpretação das Escrituras era a sintonia com o magistério da Igreja. Nunca podemos sozinhos ler a Escritura. Encontramos demasiadas portas fechadas e facilmente caímos no erro. A Bíblia foi escrita pelo Povo de Deus e para o Povo de Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Só nesta comunhão com o Povo de Deus podemos realmente entrar com o “nós” no núcleo da verdade que o próprio Deus nos quer dizer. Para ele uma interpretação autêntica da Bíblia devia estar sempre em concordância harmoniosa com a fé da Igreja católica. (…) Em particular, dado que Jesus Cristo fundou a sua Igreja sobre Pedro, cada cristão concluía ele deve estar em comunhão “com a Cátedra de São Pedro. Eu sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja” (Ep. 15, 2). Consequentemente, sem meios-termos, declarava: “Eu estou com todo aquele que estiver na Cátedra de São Pedro” (Ep. 16)” (Audiência Geral, 14-11-07)

Ora, “[f]oi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados” (CIC 120). Antes a Bíblia não existia. Quem definiu quais seriam os livros que seriam postos nela foi a Igreja Católica. Ela, ao contrário das correntes protestantes, crê em três fontes vitais de Revelação: Magistério, que é a autoridade da Igreja; Tradição, que é a pregação apostólica; Escritura, que é a Palavra de Deus propriamente dita. Ora, se não cremos na Tradição, que originou a Sagrada Escritura, não podemos crer também na Bíblia. Percebe a incoerência protestante? Para eles é possível crer na Bíblia sem crer na Igreja.

Para S. Jerônimo e para a Igreja Universal não. Antes de crer nas Sagradas Escrituras, precisamos crer na “Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3, 15). É preciso valorizar as Escrituras? Sem dúvida nenhuma! Ela é a Palavra de Deus. É inclusive de São Jerônimo a célebre frase: “Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”. Mas crer nessa dimensão bonita da Bíblia é sobretudo crer que na Igreja. Não é possível crer nas Sagradas Escrituras, sem, de algum modo, crer na autoridade da Igreja. Santo Agostinho, nesse sentido, tem uma frase belíssima: “No verdadeiro Evangelho eu não creria, se a isso não me movesse a autoridade da Igreja Católica”.

Tenhamos a graça de conhecer as Sagradas Escrituras. Assim como São Jerônimo, ponhamos nela nossa fé. Creiamos, assim como São Jerônimo, que para sermos verdadeiros no anúncio da Palavra precisamos do auxílio do Espírito Santo. É Ele quem guia a Igreja; é Ele, e não o homem, quem guia a verdade dos livros sagrados.

São Jerônimo,
rogai por nós!

* * *

Dica de leitura para esse dia de São Jerônimo: São Jerônimo, tradutor da Bíblia, do blog Jornadas Espirituais. Confiram!

São Jerônimo (2)

Audiência Geral do Papa Bento XVI no dia 14 de novembro de 2007

São Jerônimo (2)

Fonte: Vaticano

Queridos irmãos e irmãs!

Continuemos hoje a apresentação da figura de São Jerônimo. Como dissemos na quarta-feira passada, ele dedicou a sua vida ao estudo da Bíblia, a ponto de ser reconhecido por um meu Predecessor, o Papa Bento XV, como “doutor eminente na interpretação das Sagradas Escrituras”.

Jerônimo ressaltava a alegria e a importância de se familiarizar com os textos bíblicos: “Não te parece habitar já aqui na terra no reino dos céus, quando se vive entre estes textos, quando os meditamos, quando não se conhece e não se procura nada mais?” (Ep. 53, 10). Na realidade, dialogar com Deus, com a sua Palavra, é num certo sentido presença do Céu, isto é, presença de Deus. Aproximar-se dos textos bíblicos, sobretudo do Novo Testamento, é essencial para o crente, porque “ignorar a Escritura é ignorar Cristo”. É sua esta célebre frase, citada também pelo Concílio Vaticano II na Constituição Dei Verbum (n. 25).

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Verdadeiramente “apaixonado” pela Palavra de Deus, ele perguntava: “Como se poderia viver sem a ciência das Escrituras, através das quais se aprende a conhecer o próprio Cristo, que é a vida dos crentes?” (Ep. 30, 7). A Bíblia, instrumento “com o qual todos os dias Deus fala aos fiéis” (Ep. 133, 13), torna-se assim estímulo e fonte da vida cristã para todas as situações e para cada pessoa. Ler a Escritura é conversar com Deus: “Se rezas escreve ele a uma jovem nobre de Roma falas com o Esposo; se lês, é Ele quem te fala” (Ep. 22, 25). O estudo e a meditação da Escritura tornam o homem sábio e sereno (cf. In Eph., prol.). Sem dúvida, para compreender cada vez mais profundamente a palavra de Deus é necessária uma dedicação constante e progressiva. Assim Jerônimo recomendava ao sacerdote Nepociano: “Lê com muita frequência as divinas Escrituras; aliás, que o Livro sagrado nunca seja deposto das tuas mãos. Aprende aqui o que tu deves ensinar (Ep. 52, 7). Dava estes conselhos à matrona romana Leta para a educação cristã da filha: “Certifica-te que ela estude todos os dias alguns trechos da Escritura… Que depois da oração se dedique à leitura, e depois da leitura à oração… Que em vez das jóias e dos vestidos de seda, ela aprecie os Livros divinos” (Ep. 107, 9.12). Com a meditação e a ciência das Escrituras “mantém-se o equilíbrio da alma” (Ad Eph., prol.). Só um profundo espírito de oração e a ajuda do Espírito Santo nos podem introduzir na compreensão da Bíblia: “Na interpretação da Sagrada Escritura nós temos sempre necessidade do socorro do Espírito Santo(In Mich., 1, 1, 10, 15).

Toda a vida de Jerônimo se distingue por um amor apaixonado pelas Escrituras, um amor que ele sempre procurou despertar nos fiéis: “Ama a Sagrada Escritura e a sabedoria amar-te-á; ama-a ternamente e ela guardar-te-á; honra-a e receberás as suas carícias. Que ela seja para ti como os teus colares e brincos” (Ep. 130, 20). E ainda: “Ama a ciência da Escritura, e não amarás os vícios da carne(Ep. 125, 11).

Para Jerônimo um critério fundamental de método na interpretação das Escrituras era a sintonia com o magistério da Igreja. Nunca podemos sozinhos ler a Escritura. Encontramos demasiadas portas fechadas e facilmente caímos no erro. A Bíblia foi escrita pelo Povo de Deus e para o Povo de Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Só nesta comunhão com o Povo de Deus podemos realmente entrar com o “nós” no núcleo da verdade que o próprio Deus nos quer dizer. Para ele uma interpretação autêntica da Bíblia devia estar sempre em concordância harmoniosa com a fé da Igreja católica. Não se trata de uma exigência imposta a este Livro a partir de fora; o Livro é precisamente a voz do Povo de Deus peregrino e só na fé deste Povo temos, por assim dizer, a tonalidade justa para compreender a Sagrada Escritura. Por isso Jerônimo admoestava: “Permanece firmemente apegado à doutrina tradicional que te foi ensinada, para que tu possas exortar segundo a tua sã doutrina e contrastar quantos a contradizem(Ep. 52, 7). Em particular, dado que Jesus Cristo fundou a sua Igreja sobre Pedro, cada cristão concluía ele deve estar em comunhão “com a Cátedra de São Pedro. Eu sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja” (Ep. 15, 2). Consequentemente, sem meios-termos, declarava: “Eu estou com todo aquele que estiver na Cátedra de São Pedro(Ep. 16).

Obviamente Jerônimo não descuida o aspecto ético. Com frequência ele recorda o dever de conciliar a vida com a Palavra divina e só vivendo-a encontramos também a capacidade de a compreender. Esta coerência é indispensável para cada cristão, e particularmente para o pregador, para que as suas ações, se forem discordantes em relação aos discursos, não o ponham em dificuldade. Assim exorta o sacerdote Nepociano: “Que as tuas ações não desmintam as tuas palavras, para que não aconteça que, quando pregas na igreja, haja quem no seu íntimo comente: “Por que precisamente tu não te comportas assim?”. Verdadeiramente simpático aquele mestre que, de barriga cheia, disserta sobre o jejum; também um ladrão pode censurar a avareza; mas no sacerdote de Cristo a mente e a palavra devem estar em sintonia (Ep. 52, 7). Noutra carta Jerônimo recorda: “Também se possui uma doutrina maravilhosa, não tem vergonha a pessoa que se sente condenar pela própria consciência” (Ep. 127, 4). Sempre em tema de coerência, ele observa: o Evangelho deve traduzir-se em atitudes de caridade verdadeira, porque em cada ser humano está presente a própria Pessoa de Cristo. Dirigindo-se, por exemplo, ao presbítero Paulino (que depois foi Bispo de Nola e Santo), Jerônimo assim o aconselha: “O verdadeiro templo de Cristo é a alma do fiel: ornamenta este santuário, embeleza-o, coloca nele as tuas ofertas e recebe Cristo. Para que revestir as paredes de pedras preciosas, se Cristo morre de fome na pessoa de um pobre?(Ep. 58, 7). Jerônimo concretiza: é preciso “vestir Cristo nos pobres, visitá-lo em quem sofre, alimentá-lo nos famintos, dar-lhe abrigo nos desalojados” (Ep. 130, 14). O amor a Cristo, alimentado com o estudo e a meditação, faz-nos superar qualquer dificuldade: “Amemos também nós Jesus Cristo, procuremos sempre a união com ele: então parecer-nos-á fácil também o que é difícil” (Ep. 22, 40).

Jerônimo, definido por Próspero de Aquitânia “modelo de comportamento e mestre do gênero humano” (Carmen de ingratis, 57), deixou-nos também um ensinamento rico e variado sobre o ascetismo cristão. Ele recorda que um compromisso corajoso em relação à perfeição exige uma vigilância constante, mortificações frequentes, mesmo se com moderação e prudência, um trabalho intelectual ou manual assíduo para evitar o ócio (cf. Epp. 125, 11 e 130, 15), e sobretudo a obediência a Deus: “Nada… apraz tanto a Deus como a obediência… que é a virtude mais excelsa e única(Hom. de Oboedientia: CCL 78, 552). No caminho ascético pode estar incluída também a prática das peregrinações. Em particular, Jerônimo estimulou as peregrinações à Terra Santa, onde os peregrinos eram acolhidos e hospedados nos edifícios ao lado do mosteiro de Belém, graças à generosidade da fidalga Paula, filha espiritual de Jerônimo (cf. Ep. 108,14).

Por fim, não podemos deixar de mencionar o contributo dado por Jerônimo em matéria de pedagogia cristã (cf. Epp. 107 e 128). Ele propõe-se formar “uma alma que deve tornar-se o templo do Senhor” (Ep. 107, 4), uma “gema preciosíssima” aos olhos de Deus (Ep. 107, 13). Com profunda intuição ele aconselha a sua preservação do mal e das ocasiões pecaminosas, a exclusão de amizades equívocas ou dissipantes (cf. Ep. 107, 4 e 8-9; cf. também Ep. 128, 3-4). Sobretudo exorta os pais para que criem um ambiente de tranquilidade e de alegria em volta dos filhos, os estimulem ao estudo e ao trabalho, também com o louvor e a emulação (cf. Epp. 107, 4 e 128, 1), os encoragem a superar as dificuldades, favoreçam neles os bons hábitos e os preservem dos maus costumes porque e cita uma frase de Públio Sírio que ouviu na escola “dificilmente conseguirás corrigir-te daquelas coisas às quais te vais tranquilamente habituando” (Ep. 107, 8). Os pais são os principais educadores dos filhos, os primeiros mestres de vida. Com muita clareza Jerônimo, dirigindo-se à mãe de uma jovem e mencionando depois o pai, admoesta, quase expressando uma exigência fundamental de cada criatura humana que empreende a existência: “Que ela encontre em ti a sua mestra, e olhe para ti com admiração na sua inexperiente juventude. Que nunca veja em ti nem em seu pai atitudes que a levem a pecar, se forem imitadas. Recordai-vos de que… a podeis educar mais com o exemplo do que com a palavra” (Ep. 107, 9). Entre as principais intuições de Jerônimo como pedagogo devem ser ressaltadas a importância atribuída a uma educação sadia e completa desde a infância, a responsabilidade peculiar reconhecida aos pais, a urgência de uma séria formação moral e religiosa, a exigência do estudo para uma formação humana mais completa.

Além disso, um aspecto bastante esquecido nos tempos antigos, mas considerado vital pelo nosso autor, é a promoção da mulher, à qual reconhece o direito a uma formação completa: humana, escolar, religiosa, profissional. E vemos precisamente hoje como a educação da personalidade na sua totalidade, a educação para a responsabilidade diante de Deus e do homem, seja a verdadeira condição para qualquer progresso, paz, reconciliação e exclusão da violência. Educação diante de Deus e do homem: é a Sagrada Escritura que nos oferece a guia para a educação e assim para o verdadeiro humanismo.

Não podemos concluir estas rápidas anotações sobre o grande Padre da Igreja sem mencionar a contribuição eficaz por ela dada à salvaguarda dos elementos positivos e válidos das antigas culturas judaica, grega e romana na nascente civilização cristã. Jerônimo reconheceu e assimilou os valores artísticos, a riqueza dos sentimentos e a harmonia das imagens presentes nos clássicos, que educam o coração e a fantasia para sentimentos nobres. Sobretudo, ele pôs no centro da sua vida e da sua atividade a Palavra de Deus, que indica ao homem os caminhos da vida, e revela-lhe os segredos da santidade. Por tudo isto devemos estar-lhe profundamente gratos, precisamente no nosso hoje.

Papa Bento XVI

São Jerônimo (2)

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São Jerônimo,
rogai por nós!

São Jerônimo (1)

[Comemoramos amanhã a memória de São Jerônimo, grande exegeta e estudioso das Escrituras. No contexto dessa grande festa da Igreja, que encerra o mês bíblico de Setembro, publicamos aqui reflexões do Papa Bento XVI sobre esse doutor da Igreja. Em novembro de 2007 o Papa dedicou duas de suas audiências a S. Jerônimo. Hoje, publicamos a primeira; amanhã, a segunda. “Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”, afirma o santo. Obedeçamos à Palavra de Deus e principalmente ao Magistério da Igreja, autoridade na qual a Bíblia foi criada. São Jerônimo, rogai por nós!]


Audiência Geral do Papa Bento XVI no dia 7 de novembro de 2007

São Jerônimo (1)

Fonte: Vaticano

Queridos irmãos e irmãs!

http://lh6.ggpht.com/_jTpss3bYcl4/Sb8TSqigtbI/AAAAAAAAYpc/7hze3QHbJa0/1+de+agosto+S%C3%A3o+Jer%C3%B4nimo.jpgDetemos hoje a nossa atenção sobre São Jerônimo, um Padre da Igreja que colocou no centro da sua vida a Bíblia: traduziu-a em língua latina, comentou-a nas suas obras, e sobretudo empenhou-se em vivê-la concretamente na sua longa existência terrena, não obstante o conhecido caráter difícil e impetuoso que recebeu da natureza.

Jerônimo nasceu em Strídon por volta de 347 de uma família cristã, que lhe garantiu uma cuidadosa formação, enviando-o também a Roma para aperfeiçoar os seus estudos. Desde jovem sentiu atração pela vida mundana (cf. Ep. 22, 7), mas prevaleceram nele o desejo e a intercessão pela religião cristã. Tendo recebido o batismo por volta de 336, orientou-se para a vida ascética e, tendo ido a Aquiléia, inseriu-se num grupo de cristãos fervorosos por ele definido quase “um coro de beatos” (Chron. ad ann. 374) reunido em volta do Bispo Valeriano. Partiu depois para o Oriente e viveu como eremita no deserto de Calcide, a sul de Alepo (cf. Ep. 14, 10), dedicando-se seriamente aos estudos. Aperfeiçoou o seu conhecimento do grego, iniciou o estudo do hebraico (cf. Ap. 125, 12), transcreveu códices e obras patrísticas (cf. Ep. 5, 2). A meditação, a solidão, o contato com a Palavra de Deus fizeram amadurecer a sua sensibilidade cristã. Sentiu mais incômodo o peso dos anos juvenis (cf. Ep. 22, 7), e advertiu vivamente o contraste entre mentalidade pagã e vida cristã: um contraste que se tornou célebre pela “visão” dramática e vivaz, da qual nos deixou uma narração. Nela pareceu-lhe ser flagelado diante de Deus, porque “ciceroniano e não-cristão” (cf. Ep 22, 30).

Em 382 transferiu-se para Roma: aqui o Papa Dâmaso, conhecendo a sua fama de asceta e a sua competência de estudioso, assumiu-o como secretário e conselheiro; encorajou-o a empreender uma nova tradução latina dos textos bíblicos por motivos pastorais e culturais. Algumas pessoas da aristocracia romana, sobretudo fidalgas como Paula, Marcela, Asella, Lea e outras, desejosas de se empenharem no caminho da perfeição cristã e de aprofundarem o seu conhecimento da Palavra de Deus, escolheram-no como sua guia espiritual e mestre na abordagem metódica aos textos sagrados. Estas fidalgas aprenderam também grego e hebraico.

Depois da morte do Papa Dâmaso, Jerônimo deixou Roma em 385, e empreendeu uma peregrinação, primeiro à Terra Santa, testemunha silenciosa da vida terrena de Cristo, depois ao Egito, terra de eleição de muitos monges (cf. Contra Rufinum 3, 22; Ep. 108, 6-14). Em 386 permaneceu em Belém onde, por generosidade da fidalga Paula, foram construídos um mosteiro masculino, um feminino e uma estalagem para os peregrinos que iam à Terra Santa, “pensando que Maria e José não tinham encontrado onde repousar” (Ep. 108, 14). Permaneceu em Belém até à morte, continuando a desempenhar uma intensa atividade: comentou a Palavra de Deus; defendeu a fé, opondo-se vigorosamente a várias heresias; exortou os monges à perfeição; ensinou a cultura clássica e cristã a jovens alunos; acolheu com alma pastoral os peregrinos que visitavam a Terra Santa. Faleceu na sua cela, perto da gruta da Natividade, a 30 de Setembro de 419/420.

A preparação literária e a ampla erudição permitiram que Jerônimo fizesse a revisão e a tradução de muitos textos bíblicos: um precioso trabalho para a Igreja latina e para a cultura ocidental. Com base nos textos originais em grego e em hebraico e graças ao confronto com versões anteriores, ele realizou a revisão dos quatro Evangelhos em língua latina, depois o Saltério e grande parte do Antigo Testamento. Tendo em conta o original hebraico e grego, dos Setenta, a versão grega clássica do Antigo Testamento que remontava ao tempo pré-cristão, e as precedentes versões latinas, Jerônimo, com a ajuda de outros colaboradores, pôde oferecer uma tradução melhor: ela constitui a chamada “Vulgata”, o texto “oficial” da Igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Concílio de Trento e que, depois da recente revisão, permanece o texto “oficial” da Igreja de língua latina. É interessante ressaltar os critérios aos quais o grande biblista se ateve na sua obra de tradutor. Revela-o ele mesmo quando afirma respeitar até a ordem das palavras das Sagradas Escrituras, porque nelas, diz, “até a ordem das palavras é um mistério” (Ep. 57, 5), isto é, uma revelação. Reafirma ainda a necessidade de recorrer aos textos originários: “Quando surge um debate entre os Latinos sobre o Novo Testamento, para as relações discordantes dos manuscritos, recorremos ao original, isto é, ao texto grego, no qual foi escrito o Novo Pacto. Do mesmo modo para o Antigo Testamento, se existem divergências entre os textos gregos e latinos, apelamos ao texto original, o hebraico; assim tudo o que brota da nascente, podemo-lo encontrar nos ribeiros” (Ep. 106, 2). Além disso, Jerônimo comentou também muitos textos bíblicos. Para ele os comentários devem oferecer numerosas opiniões, “de modo que o leitor cauteloso, depois de ter lido as diversas explicações e conhecido numerosas opiniões para aceitar ou rejeitar julgue qual seja a mais fidedigna e, como um perito de câmbios, rejeite a moeda falsa” (Contra Rufinum 1, 16).

Contestou enérgica e vivazmente os hereges que recusavam a tradição e a fé da Igreja. Demonstrou também a importância e a validade da literatura cristã, que se tornou uma verdadeira cultura já digna de ser posta em confronto com a clássica: fê-lo compondo o De viris illustribus, uma obra na qual Jerônimo apresenta as biografias de mais de uma centena de autores cristãos. Escreveu também biografias de monges, ilustrando ao lado de outros percursos espirituais também o ideal monástico; traduziu também várias obras de autores gregos. Por fim, no importante Epistolário, uma obra-prima da literatura latina, Jerônimo sobressai com as suas características de homem culto, de asceta e de guia das almas.

Que podemos nós aprender de São Jerônimo? Sobretudo, penso, o seguinte: amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura. Diz São Jerônimo: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo“. Por isso é importante que cada cristão viva em contato e em diálogo pessoal com a palavra de Deus, que nos é dada na Sagrada Escritura. Este nosso diálogo com ela deve ter sempre duas dimensões: por um lado, deve ser um diálogo realmente pessoal, porque Deus fala com cada um de nós através da Sagrada Escritura e cada um tem uma mensagem. Devemos ler a Sagrada Escritura não como palavra do passado, mas como Palavra de Deus que se dirige também a nós e procurar compreender o que o Senhor nos quer dizer. Mas para não cair no individualismo devemos ter presente que a Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir comunhão, para nos unir na verdade no nosso caminho para Deus. Portanto, ela, mesmo sendo sempre uma palavra pessoal, é também uma Palavra que constrói comunidade, que constrói a Igreja. Por isso, devemos lê-la em comunhão com a Igreja viva. O lugar privilegiado da leitura e da escuta da Palavra de Deus é a liturgia, na qual, celebrando a Palavra e tornando presente no Sacramento o Corpo de Cristo, atualizamos a Palavra na nossa vida e tornamo-la presente entre nós. Nunca devemos esquecer que a Palavra de Deus transcende os tempos. As opiniões humanas vão e voltam. O que hoje é muito moderno, amanhã será velho. A Palavra de Deus, ao contrário, é Palavra de vida eterna, tem em si a eternidade, ou seja, é válida para sempre. Trazendo em nós a Palavra de Deus, trazemos também em nós o eterno, a vida eterna.

E concluo com uma palavra de São Jerônimo a São Paulino de Nola. Nela o grande exegeta expressa precisamente esta realidade, isto é, que na Palavra de Deus recebemos a eternidade, a vida eterna. Diz São Jerônimo: “Procuremos aprender na terra aquelas verdades cuja consistência persistirá também no céu” (Ep. 53, 10).

Papa Bento XVI

São Jerônimo (1)

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São Jerônimo,
rogai por nós!

29 de setembro – Santos Arcanjos

Com alegria, comemoramos a festa de três Arcanjos neste dia: Miguel, Gabriel e Rafael. A Igreja Católica, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento a devoção a estes amigos, protetores e intercessores que do Céu vêm em nosso socorro pois, como São Paulo, vivemos num constante bom combate. A palavra “Arcanjo” significa “Anjo principal”. E a palavra “Anjo”, por sua vez, significa “mensageiro”.

São Miguel

O nome do Arcanjo Miguel possui um revelador significado em hebraico: “Quem como Deus”. Segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus.

No Antigo Testamento o profeta Daniel chama São Miguel de príncipe protetor dos judeus, enquanto que, no Novo Testamento ele é o protetor dos filhos de Deus e de sua Igreja, já que até a segunda vinda do Senhor estaremos em luta espiritual contra os vencidos, que querem nos fazer perdedores também.

“Houve então um combate no Céu: Miguel e seus anjos combateram contra o dragão. Também o dragão combateu, junto com seus anjos, mas não conseguiu vencer e não se encontrou mais lugar para eles no Céu”. (Apocalipse 12, 7-8)
São Gabriel

O nome deste Arcanjo, citado duas vezes nas profecias de Daniel, significa “Força de Deus” ou “Deus é a minha proteção”. É muito conhecido devido a sua singular missão de mensageiro, uma vez que foi ele quem anunciou o nascimento de João Batista e, principalmente, anunciou o maior fato histórico:

“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré… O anjo veio à presença de Maria e disse-lhe: ‘Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus’…” a partir daí, São Lucas narra no primeiro capítulo do seu Evangelho como se deu a Encarnação.
São Rafael

Um dos sete espíritos que assistem ao Trono de Deus. Rafael aparece no Antigo Testamento no livro de Tobit.

“Tobias foi à procura de alguém que o pudesse acompanhar e conhecesse bem o caminho. Ao sair, encontrou o anjo Rafael, em pé diante dele, mas não suspeitou que fosse um anjo de Deus” (Tob 5,4).

Este arcanjo de nome “Deus curou” ou “Medicina de Deus”, restituiu à vista do piedoso Tobit e nos demonstra que a sua presença, bem como a de Miguel e Gabriel, é discreta, porém, amiga e importante.

São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós!

Na escola de Maria, Mulher « Eucarística »

Trecho da Encíclica
Ecclesia de Eucharistia”, do Papa João Paulo II

CAPÍTULO VI

NA ESCOLA DE MARIA, MULHER « EUCARÍSTICA »

Fonte: Vaticano

http://www.derradeirasgracas.com/images/Fotos%20das%20Devo%C3%A7%C3%B5es,%20Grandiosas%20Ora%C3%A7%C3%B5es%20e%20promessas/Papa%20Jo%C3%A3o%20Paulo%20II%20.jpg53. Se quisermos redescobrir em toda a sua riqueza a relação íntima entre a Igreja e a Eucaristia, não podemos esquecer Maria, Mãe e modelo da Igreja. Na carta apostólica Rosarium Virginis Mariæ, depois de indicar a Virgem Santíssima como Mestra na contemplação do rosto de Cristo, inseri também entre os mistérios da luz a instituição da Eucaristia. Com efeito, Maria pode guiar-nos para o Santíssimo Sacramento porque tem uma profunda ligação com ele.

À primeira vista, o Evangelho nada diz a tal respeito. A narração da instituição, na noite de Quinta-feira Santa, não fala de Maria. Mas sabe-se que Ela estava presente no meio dos Apóstolos, quando, « unidos pelo mesmo sentimento, se entregavam assiduamente à oração » (At 1, 14), na primeira comunidade que se reuniu depois da Ascensão à espera do Pentecostes. E não podia certamente deixar de estar presente, nas celebrações eucarísticas, no meio dos fiéis da primeira geração cristã, que eram assíduos à « fração do pão » (At 2, 42).

Para além da sua participação no banquete eucarístico, pode-se delinear a relação de Maria com a Eucaristia indiretamente a partir da sua atitude interior. Maria é mulher « eucarística» na totalidade da sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo.

54. Mysterium fidei! Se a Eucaristia é um mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Última Ceia dando cumprimento ao seu mandato: « Fazei isto em memória de Mim », ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: « Fazei o que Ele vos disser » (Jo 2, 5). Com a solicitude materna manifestada nas bodas de Caná, Ela parece dizer-nos: « Não hesiteis, confiai na palavra do meu Filho. Se Ele pôde mudar a água em vinho, também é capaz de fazer do pão e do vinho o seu corpo e sangue, entregando aos crentes, neste mistério, o memorial vivo da sua Páscoa e tornando-se assim “pão de vida” ».

55. De certo modo, Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. A Eucaristia, ao mesmo tempo que evoca a paixão e a ressurreição, coloca-se no prolongamento da encarnação. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n’Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor.

Existe, pois, uma profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o amen que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. A Maria foi-Lhe pedido para acreditar que Aquele que Ela concebia « por obra do Espírito Santo » era o « Filho de Deus » (cf. Lc 1, 30-35). Dando continuidade à fé da Virgem Santa, no mistério eucarístico é-nos pedido para crer que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, Se torna presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser humano-divino.

« Feliz d’Aquela que acreditou » (Lc 1, 45): Maria antecipou também, no mistério da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de « sacrário » – o primeiro « sacrário » da história –, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que « irradiando » a sua luz através dos olhos e da voz de Maria. E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e O estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor a que se devem inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas?

56. Ao longo de toda a sua existência ao lado de Cristo, e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Quando levou o menino Jesus ao templo de Jerusalém, « para O apresentar ao Senhor » (Lc 2, 22), ouviu o velho Simeão anunciar que aquele Menino seria « sinal de contradição » e que uma « espada » havia de trespassar também a alma d’Ela (cf. Lc 2, 34-35). Assim foi vaticinado o drama do Filho crucificado e de algum modo prefigurado o « stabat Mater » aos pés da Cruz. Preparando-Se dia a dia para o Calvário, Maria vive uma espécie de « Eucaristia antecipada », dir-se-ia uma « comunhão espiritual » de desejo e oferta, que terá o seu cumprimento na união com o Filho durante a Paixão, e manifestar-se-á depois, no período pós-pascal, na sua participação na celebração eucarística, presidida pelos Apóstolos, como « memorial » da Paixão.

Impossível imaginar os sentimentos de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Última Ceia: « Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós » (Lc 22, 19). Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre! Receber a Eucaristia devia significar para Maria quase acolher de novo no seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o d’Ela e reviver o que tinha pessoalmente experimentado junto da Cruz.

57. « Fazei isto em memória de Mim » (Lc 22, 19). No « memorial » do Calvário, está presente tudo o que Cristo realizou na sua paixão e morte. Por isso, não pode faltar o que Cristo fez para com sua Mãe em nosso favor. De fato, entrega-Lhe o discípulo predileto e, nele, entrega cada um de nós: « Eis aí o teu filho ». E de igual modo diz a cada um de nós também: « Eis aí a tua mãe » (cf. Jo 19, 26-27).

Viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica também receber continuamente este dom. Significa levar conosco – a exemplo de João – Aquela que sempre de novo nos é dada como Mãe. Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, entrando na escola da Mãe e aceitando a sua companhia. Maria está presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das celebrações eucarísticas. Se Igreja e Eucaristia são um binômio indivisível, o mesmo é preciso afirmar do binômio Maria e Eucaristia. Por isso mesmo, desde a antiguidade é unânime nas Igrejas do Oriente e do Ocidente a recordação de Maria na celebração eucarística.

58. Na Eucaristia, a Igreja une-se plenamente a Cristo e ao seu sacrifício, com o mesmo espírito de Maria. Tal verdade pode-se aprofundar relendo o Magnificat em perspectiva eucarística. De fato, como o cântico de Maria, também a Eucaristia é primariamente louvor e ação de graças. Quando exclama: « A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador », Maria traz no seu ventre Jesus. Louva o Pai « por » Jesus, mas louva-O também « em » Jesus e « com » Jesus. É nisto precisamente que consiste a verdadeira « atitude eucarística ».

Ao mesmo tempo Maria recorda as maravilhas operadas por Deus ao longo da história da salvação, segundo a promessa feita aos nossos pais (cf. Lc 1, 55), anunciando a maravilha mais sublime de todas: a encarnação redentora. Enfim, no Magnificat está presente a tensão escatológica da Eucaristia. Cada vez que o Filho de Deus Se torna presente entre nós na « pobreza » dos sinais sacramentais, pão e vinho, é lançado no mundo o germe daquela história nova, que verá os poderosos « derrubados dos seus tronos » e « exaltados os humildes » (cf. Lc 1, 52). Maria canta aquele « novo céu » e aquela « nova terra », cuja antecipação e em certa medida a « síntese » programática se encontram na Eucaristia. Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda ela um magnificat!

Papa João Paulo II

Ecclesia de Eucharistia”, 53-58

Os santos Arcanjos – São Gregório Magno

[Celebramos no dia de hoje os Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael. Aproveitando essa bela ocasião publico no blog homilia do Papa São Gregório Magno explicando as funções dos Arcanjos e o significado do nome de cada um deles. Que a mesma sabedoria da qual o Papa Gregório Magno usufruiu naquele tempo possa nos instruir e possamos entender os mistérios profundos da Palavra de Deus. São Miguel, São Gabriel, São Rafael e São Gregório Magno, rogai por nós!]

Fonte: Ecclesia


Bendizer o Senhor, vós seus anjos,
que servis a sua palavra (Sl 102, 20)

São Gregório Magno, Papa

http://4.bp.blogspot.com/_VsL8VkjSZWw/SOA3SId9WbI/AAAAAAAAAUg/CXNNCdaeYRY/s400/archangels.jpgQue há anjos, muitas páginas da Sagrada Escritura o atestam… Mas é preciso saber que a palavra “anjo” designa a sua função: ser mensageiro. E chamamos “arcanjos” aos que anunciam os grandes acontecimentos. Foi assim que o arcanjo Gabriel foi enviado à Virgem Maria; para este ministério, para anunciar o maior de todos os acontecimentos, impunha-se enviar um anjo da mais alta estirpe…

De igual forma, quando se tratou de manifestar um poder extraordinário, foi Miguel que foi enviado. Na verdade, a sua ação, tal como o seu nome que quer dizer “Quem como Deus?”, fazem compreender aos homens que ninguém pode realizar o que compete apenas a Deus. O antigo inimigo, que desejou por orgulho fazer-se semelhante a Deus, dizia: “Eu escalarei os céus; erigirei o meu trono acima das estrelas; serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14,13). Mas o Apocalipse diz-nos que, no fim dos tempos, quando for abandonado à sua própria força, antes de ser eliminado pelo suplício final, ele terá de combater contra o arcanjo Miguel: “Houve um combate nos céus: Miguel e os seus anjos combateram contra o Dragão. E também o Dragão combatia com os seus anjos; mas não venceu e foi precipitado no abismo” (Ap 12,7).

À Virgem Maria, foi então Gabriel, cujo nome significa “Força de Deus”, que foi enviado; não é verdade que ele vinha anunciar aquele que quis manifestar-se numa condição humilde, para triunfar do orgulho do demônio? Foi, pois, pela “Força de Deus” que foi anunciado aquele que vinha como “o Senhor dos exércitos, poderoso nos combates” (Sl 23,8).

Quanto ao arcanjo Rafael, o seu nome significa “Deus cura”. Na verdade, foi ele que livrou das trevas os olhos de Tobias, tocando-os como toca um médico vindo do céu (Tb 11,17). Aquele que foi enviado para cuidar o justo na sua enfermidade merece bem ser chamado “Deus cura”.

São Gregório Magno

“Homilia sobre o Evangelho”, retirado do site Ecclesia

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São Miguel, São Gabriel e São Rafael,
rogai por nós e defendei-nos no combate!

Como entender Cristo na Hóstia Consagrada

Professor Felipe Aquino

Fonte: Canção Nova Formação

http://www.cantodapaz.com.br/images/eucaristia.jpgEm todo ser há um conjunto de coisas que podem mudar, como o tamanho, a cor, o peso, o sabor, etc., e um substrato permanente que, conservando-se sempre o mesmo, caracteriza o ser, que não muda. Esse substrato é chamado substância, essência ou natureza do ser. Em qualquer pedaço de pão há coisas mutáveis: a cor, tamanho, gosto, o sabor, a posição, sem que a substância que as sustenta mude; esta substância ninguém vê; mas é uma realidade. Assim, há homens de cores diferentes, feições diferentes, etc.; mas todos possuem uma mesma substância: uma alma humana imortal, que se nota pelas suas faculdades, as quais os animais não têm: inteligência, liberdade, vontade, consciência, psique, entre outros.

Quando as palavras da consagração são pronunciadas sobre o pão, a substância deste muda ou se converte totalmente em substância do Corpo humano de Jesus (donde o nome “transubstanciação”), ficando, porém, os acidentes externos (aparências) do pão (gosto, cor, cheiro, sabor, tamanho, etc.); sendo assim, sem mudar de aparência, o pão consagrado já não é pão, mas é substancialmente o Corpo de Cristo. O mesmo se dá com o vinho; ao serem pronunciadas sobre ele as palavras da consagração; sua substância se converte na do Sangue do Senhor, pelo poder da intervenção da Onipotência Divina.

Isso explica como o Corpo de Cristo pode estar simultaneamente presente em diversas hóstias consagradas e em vários lugares ao mesmo tempo. Jesus não está presente na Eucaristia segundo as suas aparências, como o tamanho ou a localização no espaço. Uma vez que os fragmentos de pão se multiplicam com a sua localização própria no espaço; assim onde quer que haja um pedaço de pão consagrado, pode estar de fato o Corpo Eucarístico de Cristo.

Uma comparação: quando você olha para um espelho, aí você vê a imagem do seu rosto inteiro; se quebrá-lo em duas ou mais partes, a sua imagem não se quebrará com o espelho, mas continuará uma imagem inteira em cada pedaço.

É preciso, então, entender que a presença de Cristo Eucarístico pode se multiplicar, sem que o Corpo do Senhor se multiplique. Isso faz com que a presença do Cristo Eucarístico possa multiplicar (sem que o Corpo d’Ele se multiplique) se forem multiplicados os fragmentos de pão consagrados nos mais diversos lugares da Terra. Não há bilocação nem multilocação do Corpo de Cristo.

O Corpo de Cristo, sob os acidentes do pão, não tem extensão nem quantidade próprias; assim não se pode dizer que a tal fragmento da hóstia corresponda tal parte do Corpo de Cristo. Quando o pão consagrado é partido, só se parte a quantidade do pão, não o Corpo de Jesus.

Assim muitas hóstias e muitos fragmentos de hóstia não constituem muitos Cristos – o que seria absurdo –, mas muitas “presenças” de um só e mesmo Cristo. Analogamente a multiplicação dos espelhos não multiplica o objeto original, mas multiplica a presença desse objeto; também a multiplicação dos ouvintes de uma sinfonia não multiplica essa sinfonia, mas apenas a presença desta.

Por essas razões, quando se deteriora o Pão Eucarístico por efeito do tempo, da digestão ou de um outro agente corruptor, o que se estraga são apenas os acidentes do pão: quantidade, cor, figura, entre outros, e nesse caso, o Corpo de Cristo deixa de estar presente sob os Véus Eucarísticos; isso porque Nosso Senhor Jesus Cristo quis que, nas espécies ou nas aparências de pão e vinho, garantir a Sua presença sacramental, e não nas de algum outro corpo.

A fé católica ensina uma conversão total e absoluta da substância do pão na do Corpo de Cristo; o Concílio de Trento rejeitou a doutrina de Lutero, que admitia a “empanação” de Cristo: empanação, segundo a qual permaneceriam a substância do pão e a do vinho junto com a do Corpo e a do Sangue de Cristo; o pão continuaria a ser realmente pão (e não apenas segundo as aparências), o vinho continuaria a ser realmente vinho (e não apenas segundo as aparências), de tal sorte que o Corpo de Cristo estaria como que “revestido” de pão e vinho. Para o Concílio de Trento e, para a fé católica, esse tipo de presença de Cristo na Eucaristia é insuficiente; é preciso dizer que o pão e o vinho, em sua realidade íntima (substância), deixam de ser pão e vinho para se tornarem a realidade mesma do Corpo e do Sangue de Cristo.

Assim como na criação acontece o surgimento de todo o ser, também na Eucaristia há a conversão de todo o ser. Essa “conversão de todo o ser” é “conversão de toda a substância” ou “transubstanciação”.

Assim como só Deus pode criar (tirar um ser do nada), só Deus pode “transubstanciar”; ambas as atividade supõem um poder infinito que só o Senhor tem.

Para entender um pouco melhor o milagre da Transubstanciação podemos dizer ainda o seguinte: No milagre da Multiplicação dos Pães, Jesus mudou apenas a espécie do pão (no caso a quantidade), mas não mudou a sua natureza, continuou sendo pão. Quando Ele fez o milagre das Bodas de Caná, mudou a natureza da água (passou a ser vinho) e mudou também a sua espécie (cor, sabor etc.); no milagre da Transubstanciação, o Senhor muda apenas a natureza do pão e do vinho (passam a ser seu Corpo e Sangue) sem mudar a espécie (cor, sabor, cheiro, tamanho, etc.).

Tudo por amor a nós; Ele, o Rei do universo, se faz pequeno, humilde, indefeso… [N]as espécies sagradas do pão e do vinho, para ser nosso alimento, companheiro, modelo, exemplo, força, consolação…

Professor Felipe Aquino

Como entender Cristo na Hóstia Consagrada