A autoridade da Igreja e as Escrituras


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“Eu acreditava em tua existência, na imutabilidade de tua substância, no teu governo sobre os homens, na tua justiça. Acreditava que em Cristo, teu Filho e Senhor nosso, e nas Sagradas Escrituras, garantidas pela tua Igreja Católica, havias colocado o caminho da salvação para a humanidade, a fim de atingir a vida que começará depois da morte” (Santo Agostinho, Confissões, VII, 11).

As palavras de Santo Agostinho revelam uma realidade que perdura pelos séculos. Se hoje é constituída uma base cristã em nossa sociedade e se o protestantismo, assim como tantas outras correntes que se dizem ligadas a Jesus Cristo existem, é graças à autoridade da Igreja Católica, que definiu, além do que devemos crer, o que devemos ter como santo nas Sagradas Escrituras. Sim: foi a Igreja Católica a responsável pela definição do cânon bíblico. E o mesmo mestre da Patrística confessa: “Ego vero Evangelio non crederem, ni si catholicae Ecclesiae commoveret auctoritasNo Evangelho verdadeiro eu não creria, se a isso não me movesse a autoridade da Igreja Católica” (Ep. Contra os Maniqueus, I, 1).

Conforme atesta a constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, “[m]ediante a Tradição, conhece a Igreja o cânon inteiro dos livros sagrados, e a própria Sagrada Escritura entende-se nela mais profundamente e torna-se incessantemente operante” (n. 8). Realmente, não havia um consenso geral entre todos de quais deveriam ser os livros sagrados. A confirmação definitiva, de fato, que foi baseada em testemunhos antigos da Tradição, aconteceu no Concílio de Florença, no século XVI. Mas já no século IV – mais especificamente no ano 367 – Santo Atanásio de Alexandria falava, na Epístola 39, sobre o Cânon das Escrituras. E falava do ardoroso desejo que tinham os Santos Padres em adicionar outros cinco livros à Bíblia:

“[H]á outros livros, além desses, de fato incluídos no Cânon, indicados pelos Padres para leitura por aqueles recém-admitidos entre nós e que desejam receber instrução sobre a Palavra de Deus: a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Sirac, Ester e Judite, Tobias” (n. 7).

E completava que em lugar nenhum havia menção de que esses livros fossem apócrifos (cf. S. Atanásio, Ep. 39, 7), comprovando que é falsa aquela idéia protestante que afirma que os livros que foram acrescentados à Bíblia eram apócrifos e haviam sido anteriormente rejeitados. No mesmo século, então, o Papa Dâmaso, exercendo a infalibilidade que Jesus Cristo deu à Sua Igreja, proclamou, no decreto gelasiano, quais eram os livros inspirados pelo Espírito Santo. Citava, entre aqueles dos quais já conhecemos, os livros que chamamos deuterocanônicos: Sabedoria, Eclesiástico, Tobias, Judite e os dois livros de Macabeus. Portanto, a definição primeira do Cânon, que já era de autoria da Tradição Apostólica e, conseqüentemente, da autoridade do Magistério da Sé, recebeu mais esses livros que, no século XVI, viriam a ser rejeitados por Lutero como falsos.

Não existe nenhuma tese que sustente a incoerência do protestantismo: quando afirma crer somente na autoridade bíblica, está ao mesmo tempo confirmando a autoridade da Igreja Católica, que definiu e compôs os livros das Sagradas Escrituras. Os protestantes não têm saída: ou crêem na infalibilidade da Tradição Apostólica da Igreja Católica ou não podem crer na infalibilidade das Sagradas Escrituras. Se hoje é a Bíblia o fundamento principal da nossa fé é porque no começo da história do cristianismo a Igreja, por meio do Papa Dâmaso e dos santos patriarcas da fé, definiu o Cânon das Escrituras.

E não adianta dizer que Lutero formou o próprio cânon protestante, retirando os livros deuterocanônicos da Bíblia. Ora, não baseou a sua “modificação canônica” nos livros já anteriormente definidos pelo Sagrado Magistério da Igreja Católica? Não é possível, pois, crer na Bíblia sem antes crer na autoridade da Igreja; não é possível crer nas Escrituras e cultuá-las como verdadeiro fundamento de nossa fé se, para que elas existissem, fosse preciso a ação da Tradição da Igreja; não é possível, enfim, separar a autoridade das Escrituras da autoridade da Igreja Católica. Uma é confirmação da outra.

Se os protestantes querem continuar com a farsa descabida da Sola Scriptura, continuem; mas que conheçam a verdade histórica que é revelada pela Igreja.

Graça e paz.

One thought on “A autoridade da Igreja e as Escrituras

  1. Amigo

    Todo poder de uma religião vem de Deus. Nenhuma Igreja tem autoridade para se auto denominar com autoridade de mudar uma norma divina sem que aja inspiração da parte de Deus.Portanto, uma verdadeira religião deve proceder de uma profecia, foi assim no At e no NT e sucessivamente até o fim. Todas as profecias concernentes a ICAR estão nas profecias bem como a grande reforma protestante.Deve-se estudar os livros de Daniel e o Apocalipse, tirar dai a conclusão de qual é o verdadeiro caminho a ser seguido para se ter um caminho de Deus dentro das normas estabelecidas por Ele.

    Saudaçoes

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