“Porém, o que significou a aceitação da fé cristã para os povos da América Latina e do Caribe? Para eles, significou conhecer e acolher Cristo, o Deus desconhecido que os seus antepassados, sem o saber, buscavam nas suas ricas tradições religiosas. Cristo era o Salvador que esperavam silenciosamente. Significou também ter recebido, com as águas do batismo, a vida divina que fez deles filhos de Deus por adoção; ter recebido, outrossim, o Espírito Santo que veio fecundar as suas culturas, purificando-as e desenvolvendo os numerosos germes e sementes que o Verbo encarnado tinha lançado nelas, orientando-as assim pelos caminhos do Evangelho. Com efeito, o anúncio de Jesus e do seu Evangelho não supôs, em qualquer momento, uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi uma imposição de uma cultura alheia. As culturas autênticas não estão encerradas em si mesmas, nem petrificadas num determinado ponto da história, mas estão abertas, mais ainda, buscam o encontro com outras culturas, esperam alcançar a universalidade no encontro e o diálogo com outras formas de vida e com os elementos que possam levar a uma nova síntese, em que se respeite sempre a diversidade das expressões e da sua realização cultural concreta.”
(Papa Bento XVI, Discurso na Sessão inaugural dos trabalhos da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e Caribe, 13/05/07)
Quando o Papa pronunciou essas palavras em solo brasileiro muitos historiadores e estudiosos se escandalizaram profundamente. Os próprios índios se sentiram injustiçados… Mas a realidade infelizmente era pura e simplesmente essa: Cristo era o Salvador que os povos indígenas esperavam silenciosamente. A religião que cultivavam na América, seus rituais e práticas que buscavam, de alguma maneira, o transcedental e o divino, esperavam uma purificação; e ela veio com a colonização européia em solo americano.
Mas infelizmente poucos querem enxergar os abomináveis crimes que eram praticados pelo povos indígenas que aqui habitavam antes da chegada dos portugueses e espanhóis. Eram definitivamente povos “bárbaros”. Acreditavam sim em Deus, mas não tinham uma visão pura sobre o que Ele realmente era; tanto é verdade que a sua relação com os demais índios e tribos diferentes era conflituosa e bastante conturbada. No Brasil era nítida a prática do canibalismo pelos indígenas. Nas civilizações maia e asteca predominava em grande massa o extermínio de humanos, que eram oferecidos em sacrifício pelo “deus-sol”. A noção de igualdade, de direito à vida, de respeito à integridade do ser humano chegou juntamente com a colonização européia queiram ou não os historiadores.
O que o Papa falou foi justamente isso: “o Espírito Santo (…) veio fecundar as suas culturas, purificando-as e desenvolvendo os numerosos germes e sementes que o Verbo encarnado tinha lançado nelas, orientando-as assim pelos caminhos do Evangelho”. Não é questão de supervalorizar ou não culturas. A questão é: como acabaram os sacrifícios humanos na América? Como a prática do canibalismo cessou? Ninguém duvida de que foi graças ao árduo trabalho da Igreja que, consciente da sua missão de evangelizar os povos (cf. Mc 16, 15), tratou de construir na nossa sociedade uma ideologia mais humana, defensora especialmente do direito que todos tinham a viver dignamente.
Por isso que o Papa vai afirmar que a colonização exercida pelos cristãos na Europa não foi uma simples “imposição ideológica”, mas também um impulso aos indígenas praticarem a verdadeira virtude da religião, defensora de valores até então desconhecidos pelos pré-colombianos.
O que infelizmente não enxergam é esse “colonialismo cultural” que hoje em massa é exercido pela mídia e pelas escolas: uma verdadeira imposição ideológica, que leva o homem a pensar que as religiões ou as crenças indígenas não eram erradas, ou pior: que eram até superiores à fé cristã. Desprezam a religião que moldou a nossa civilização. Conservam e exaltam o indigenismo. Esquecem-se que se hoje temos em nossa cultura conceitos como dignidade ou direito à vida é devido principalmente ao trabalho da Igreja e dos colonizadores europeus.
Sim, a nossa mentalidade foi moldada pela colonização cristã. Desprezá-la é deprezar também nossa cultura.
Graça e paz.
“Porém, o que significou a aceitação da fé cristã para os povos da América Latina e do Caribe? Para eles, significou conhecer e acolher Cristo, o Deus desconhecido que os seus antepassados, sem o saber, buscavam nas suas ricas tradições religiosas. Cristo era o Salvador que esperavam silenciosamente. Significou também ter recebido, com as águas do batismo, a vida divina que fez deles filhos de Deus por adoção; ter recebido, outrossim, o Espírito Santo que veio fecundar as suas culturas, purificando-as e desenvolvendo os numerosos germes e sementes que o Verbo encarnado tinha lançado nelas, orientando-as assim pelos caminhos do Evangelho. Com efeito,
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Autor: Everth Queiroz Oliveira


Sem duvida o discurso do papa foi altamente preconceituoso e fora do real.
Realmente o canibalismo era praticado em algumas aldeias, mais não de forma aberta tipo “comer quem aparecesse”.
O canibalismo era praticado somente com a captura de algum guerreiro em momentos de guerra, pois eles acreditavam que comendo a carne daquele guerreiro ganhariam a força e a coragem dele… Agora colocar um fato praticamente irrelevante como esse para justificar o GENOCIDIO de milhões de seres humanos… Há fala serio… O que os diferenciam dos “terriveis canibais” que aqui se encontravam? Creio que eles eram piores, pois o índio matava por necessidade, para se defender de grupos inimigos. E os colonizadores que já conheciam a DEUS matavam por maldade… Usar esses argumentos para explicar esse tipo de comportamento para com homens criados pelo mesmo Deus dos colonizadores é totalmente ridículo… É o que torna a religião cristã mais certa que a indígena, pois, alguns dos costumes deles a religião cristã possuem como, por exemplo, o fato de ser politeísta, embora não admita é claro, entretanto não compreendo tantos santos, ou melhor, “intercessores” pra pedir algo e não me venham com insinuações de que não existe adoração a ídolos, pois tem sim, se não me explique o que são as promessas para esses mesmos ídolos? Não se pode chegar aqui e simplesmente dizer que elas eram erradas por não serem iguais as dos colonizadores… Creio que os colonizadores vieram realmente purificar essas terras e para isso eles tiveram que EXTERMINAR os infiéis, não?
O que quero expressar aqui é meu repudio por em pleno século XXI existir pessoas com esse tipo de discurso preconceituoso e eurocêntrico…
Atenciosamente uma colega católica apostólica romana que discorda plenamente dessa sua idéia…