Pio X: não ao desprezo pela doutrina da Igreja

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“Temos aberta a estrada para enfrentar a autoridade dos Concílios e para contradizer à vontade as suas deliberações, e julgar os seus decretos e manifestar às claras tudo o que nos parece verdade, seja embora aprovado ou condenado por qualquer Concílio, ostentam certo desprezo das doutrinas católicas, dos Santos Padres, dos concílios ecumênicos, dos magistérios eclesiásticos; e se forem por isto repreendidos, queixam-se de que se lhes tolhe a liberdade.”

(São Pio X, Pascendi Dominici Gregis, 1ª parte, O modernista crente)

Os tradicionalistas, sob o pretexto de seguir a Tradição Católica, baseiam-se constantemente nos Magistérios de papas anteriores ao Concílio Vaticano II para poder justificar suas desavenças com o mesmo. Pois então, São Pio X, representante magnânimo de fidelidade e amor à tradição apostólica da Igreja, deixa bem claro que o modernismo se reveste muito dessa capa de aparências… E, vejamos bem, Pio X não diferenciou em nenhum momento se o concílio era dogmático ou meramente pastoral – que é um argumento constantemente utilizado pelos rad-trads para justificar suas posições. Ele simplesmente caracterizou um “concílio ecumênico”. E sabemos – sim, isso é fato – que o Concílio Vaticano II foi ecumênico.

Fica a dica para essa sadia leitura da Pascendi, de Pio X. Possamos seguir a doutrina católica não naquilo que nos parece ser verdade, mas naquilo que Ela ordena e determina, ensinamentos que estão também no Concílio Vaticano II.

Graça e paz.

São João Damasceno e o culto aos santos

Fonte: Santa Sé

Papa Bento XVI

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6b/John-of-Damascus_01.jpgJoão Damasceno foi também um dos primeiros em distinguir entre o culto público e privado dos cristãos, entre a adoração (latreia) e a veneração (proskynesis): a primeira só pode dirigir-se a Deus, sumamente espiritual; a segunda, ao contrário, pode utilizar uma imagem para dirigir-se àquele que é representado nela. Obviamente, o santo não pode em nenhum caso ser identificado com a matéria da qual está composto o ícone. Esta distinção se revelou imediatamente muito importante para responder de modo cristão àqueles que pretendiam como universal e perene a observância da severa proibição do Antigo Testamento sobre a utilização cultual das imagens. Esta era a grande discussão também no mundo islâmico, que aceita esta tradição hebraica da exclusão total das imagens no culto. Ao contrário, os cristãos, neste contexto, discutiram o problema e encontraram a justificação para a veneração das imagens. Damasceno escrevia:

«Em outros tempos, Deus não havia sido representado nunca em imagem, sendo incorpóreo e sem rosto. Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu entre os homens, eu represento o que é visível em Deus. Eu não venero a matéria, mas o Criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria. Nunca cessarei por isso de venerar a matéria através da qual me chegou a salvação. Mas não a venero em absoluto como Deus! Como poderia ser Deus aquilo que recebeu a existência a partir do não ser?… Mas eu venero e respeito também todo o resto da matéria que me procurou a salvação, enquanto que está cheia de energias e de graças santas. Não é talvez matéria o lenho da cruz três vezes bendita?… E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos, não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão da vida não é matéria?… E antes que nada, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor? Ou se deve suprimir o caráter sagrado de tudo isso, ou se deve conceder à tradição da Igreja a veneração das imagens de Deus e a dos amigos de Deus que são santificados pelo nome que levam, e que por esta razão estão habitados pela graça do Espírito Santo. Não se ofenda portanto a matéria: esta não é desprezível, porque nada do que Deus fez é desprezível» (Contra imaginum calumniatores, I, 16, ed. Kotter, pp. 89-90).

Vemos que, por causa da encarnação, a matéria aparece como divinizada, é vista como morada de Deus. Trata-se de uma nova visão do mundo e das realidades materiais. Deus se fez carne e a carne se converteu realmente em morada de Deus, cuja glória resplandece no rosto humano de Cristo. Portanto, os convites do Doutor oriental são ainda hoje de extrema atualidade, considerando a grandíssima dignidade que a matéria recebeu na Encarnação, podendo chegar a ser, na fé, sinal e sacramento eficaz do encontro do homem com Deus. João Damasceno é, portanto, um testemunho privilegiado do culto dos ícones, que chegará a ser um dos aspectos mais distintivos da teologia e da espiritualidade orientais até hoje. E, contudo, é uma forma de culto que pertence simplesmente à fé cristã, à fé nesse Deus que se fez carne e que se tornou visível. O ensinamento de São João Damasceno se insere, assim, na tradição da Igreja universal, cuja doutrina sacramental prevê que elementos materiais tomados da natureza possam converter-se, através da graça, em virtude da invocação (epiclesis) do Espírito Santo, acompanhada pela confissão da fé verdadeira.

Em união com estas idéias de fundo, João Damasceno põe também a veneração das relíquias dos santos sobre a base da convicção de que os santos cristãos, tendo sido partícipes da ressurreição de Cristo, não podem ser considerados simplesmente como «mortos». Enumerando, por exemplo, aqueles cujas relíquias ou imagens são dignas de veneração, João precisa em seu terceiro discurso em defesa das imagens:

«Antes de tudo (veneramos) aqueles entre quem Deus descansou, Ele, único santo que mora entre os santos (cf. Is 57, 15), como a santa Mãe de Deus e todos os santos. Estes são aqueles que, enquanto possível, tornaram-se semelhantes a Deus com sua vontade e pela inabitação e a ajuda de Deus; são chamados realmente de deuses (cf. Sal 82, 6), não por natureza, mas por contingência, assim como o ferro incandescente é chamado de fogo, não por natureza, mas por contingência e por participação do fogo. Diz, de fato: ‘Sereis santos porque eu sou santo’ (Lv 19, 2)» (III, 33, col. 1352 A).

Após uma série de referências desse tipo, Damasceno podia deduzir serenamente, portanto: «Deus, que é bom e superior a toda bondade, não se contentou com a contemplação de si mesmo, mas quis que houvesse seres beneficiados por Ele, que pudessem chegar a ser partícipes de sua bondade: por isso, criou do nada todas as coisas, visíveis e invisíveis, inclusive o homem, realidade visível e invisível. E o criou pensando e realizando-o como um ser capaz de pensamento (ennoema ergon) enriquecido pela palavra (Logo[i] sympleroumenon) e orientado para o espírito (pneumati teleioumenon)» (II, 2, PG 94, col. 865A). E para esclarecer este pensamento, acrescenta: «É necessário deixar-se encher de estupor (thaumazein) por todas as obras da providência (tes pronoias erga), louvá-las todas e aceitá-las todas, superando a tentação de assinalar nelas aspectos que a muitos parecem injustos ou iníquos (adika), e admitindo, ao contrário, que o projeto de Deus (pronoia) vai mais além da capacidade cognoscitiva e compreensiva (agnoston kai akatalepton) do homem, enquanto que, no entanto, só Ele conhece nossos pensamentos, nossas ações e inclusive nosso futuro» (II, 29, PG 94, col. 964C).

Papa Bento XVI, Audiência Geral
6 de maio de 2009

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São João Damasceno,
rogai por nós!

Os homossexuais e a salvação

http://4.bp.blogspot.com/_ISsc3K0We7c/SeoZUaoSFuI/AAAAAAAABRM/hy3-Aw2iDZs/s400/barragan.jpgSaiu no R7: Cardeal diz que gays jamais entrarão no reino dos céus. Cardeal Javier Lozano Barragan disse que “tudo aquilo que consiste em ir contra a natureza e contra a dignidade do corpo ofende a Deus”. De fato, é uma realidade: o homossexualismo é uma perversão infernal da sexualidade e, como sendo um pecado, não pode ser aceito nem pela Igreja nem por sua moral. A santidade é imprescindível para que entremos no reino dos céus e as práticas homossexuais conduzem indubitavelmente ao inferno: “São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados” (Catecismo da Igreja, § 2357).

Contudo, o discurso do Cardeal Barragan deixou margem a uma dupla interpretação. E a mídia, que já não mede as palavras quando é para criticar as posições da religião e, mais especificamente nesse caso, da Igreja Católica, foi diretamente na interpretação distorcida do ensinamento do Magistério da Igreja. Em primeiro lugar, para identificarmos a intenção do cardeal em afirmar que os gays jamais poderão participar do Reino Celeste, devemos levar em conta os conceitos: ao falar à agência de notícias italiana Ansa Sua Eminência considerou “ser gay” como ser uma pessoa que pratica o ato homossexual. Assim sendo, a pessoa, consciente de seu ato, irá inevitavelmente para o inferno (caso o homossexual não se arrepender antes da morte).

Mas é possível que pessoas com tendências homossexuais se salvem? Sim. Com efeito, ter tendência não significa efetivamente ser. Estamos todos sujeitos ao pecado, de um modo geral. Nascemos com essa propensão. Mas isso não significa que não devamos evitar o pecado. Da mesma maneira as pessoas homossexuais – observa o Magistério da Igreja – “são chamadas à castidade” (Catecismo da Igreja, § 2359). São chamadas, pela virtude do autodomínio e da caridade, a viverem o pudor e a integridade sexual. Quando a Igreja fala, contudo, de homossexuais, não fala necessariamente daqueles que praticam o homossexualismo, mas daqueles que têm a tendência à homossexualidade.

A exposição da doutrina moral da Igreja é clara: homossexuais podem se salvar? Sim, mas devem praticar a castidade. E, segundo informa a Agência Zenit, o Cardeal corrigiu sua afirmação, explicando que os jornais e agências de notícias no mundo inteiro distorceram sua mensagem. Disse ele que, “para que haja uma culpa grave, além de necessitar da matéria grave, necessita-se de uma advertência plena e de consentimento pleno. Onde um dessas três condições falhar, não há culpa grave”. A notícia publicada em Zenit também enfatizou o comentário do Pe. Federico Lombardi sobre a situação: ele se limitou a citar o parágrafo 2358 do Catecismo:

“[Os homossexuais] devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.”

Muitos ainda não entenderam que a Igreja não é homofóbica. Pensam que, só pelo fato da Igreja estabelecer que são imorais e pecaminosas as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, existe um preconceito e um racismo com os homossexuais. Isso não é verdade e o Magistério da Santa Sé está aí para confirmar: “Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta”. O amor não discrimina, não segrega; ele inclui a todos, inclusive aos que estão afastados da fé. A questão é: não podemos calar a nossa boca e pararmos de condenar as imoralidades sexuais desse mundo depravado só porque nos pediram para termos “respeito, compaixão e delicadeza” com os homossexuais. É sim possível amar o próximo e defender os princípios da Igreja, queira ou não a sociedade hodierna.

Graça e paz.

AS TRÊS VINDAS DO SENHOR

Nesse período do Advento somos chamados pela Igreja a meditar sobre a vinda do Senhor ao nosso meio, ou melhor “as” vindas do Senhor.

Segundo São Bernardo defini-la-emos em três: “A primeira, quando Ele veio por Sua Encarnação; a segunda é cotidiana, quando Ele vem a cada um de nós, pela sua graça; e a terceira, quando virá para julgar o mundo” (São Bernardo de Claraval, Obras completas de São Bernardo, Madrid: BAC, 1953, p. 177). Gostaria de meditar sobre as três vindas nas quais centram-se o mistério salvífico da redenção humana. Verdadeiramente sabemos que o amor de Deus manifesta-se incondicionalmente pela manifestação de Deus na fragilidade de uma criança; pela sua presença todos os dias em nosso lado, principalmente por meio da comunhão; pela sua vinda derradeira, na qual julgará como Justo Juiz todas as coisas.

I. A Primeira vinda do Senhor

A Primeira vinda do Senhor é conhecida por se tratar do Natal. Quando se fala em Natal, especialmente na cabeça das crianças, vem logo a figura de Papai Noel e o mundo com uma mentalidade cada vez mais consumista, se preocupando com valores efêmeros, e que busca ofuscar a luz do Natal. “Revestido da nossa fragilidade, Ele veio a primeira vez para realizar Seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação” (Prefácio do Advento I)

A Onipotência manifesta-se pela humildade. Mesmo com todo o seu poderio Jesus não se vangloriava por ser Filho de Deus, e por ser Deus. Ao contrário, vivia a humildade e soube dar exemplo de humildade. Nasceu na pobre gruta de Belém. Mas daquela gruta, naquela noite santa, esplandece a glória para toda a humanidade. É um Deus que não quis permanecer inacessível; não restringiu-se à sua Glória celestial, mas quis passar pela experiência humana, a ponto de ser em tudo igual a nós, exceto no pecado (Hb 4, 15). 

Bossuet escreveu certa vez: “Ele como que caiu, do seio do Seu Pai, no de uma mulher mortal, daí num estábulo, e daí desceu, por sucessívos graus de rabaixamento, até a infâmia da Cruz, até a escuridão do túmulo. Reconheço que não era possível cair mais baixo” (Oeuvres choisies. Versailles: Lebel, 1822, p. 156).

Esta vinda nós a recordamos sempre que celebramos o Natal. Em um mundo fomentando a concupiscência, o Senhor faz-se pequeno para nos dizer que a verdadeira felicidade não está no supérfluo, mas no eterno. E que só o eterno pode nos dar aquilo que ninguém nos pode tomar. 


Na Solenidade do Natal, portanto, somos chamados a centrar em nossa vida a figura de Jesus, não como uma mera criança que nasce; mas como um Deus que se humaniza para divinizar a humanidade. É bem verdade que o Verbo entra no mundo e não é bem acolhido, é rejeitado, pois na ideologia judaica – ao menos –, naquela época seria impossível Deus rebaixar-se a tamanho nível. Mas eis que o Seu Amor fala mais alto. E para libertar a humanidade oprimida pelo pecado Ele envia o seu Filho Unigênito, “para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

“Aquele a Quem não quiseram escutar quando Se apresentou humilde, eles O verão decer em grande poder e majestade, e experimetarão o Seu poder, tanto mais rigoroso quanto menos dobrem agora a cerviz do coração ante a paciência dEle” (São Gregório Magno, Obras de San Gregorio Magno. Madrid: BAC, 1958, p. 538).  


II.  A segunda vinda do Senhor

A segunda vinda dá-se cotidianamente. Porém levanta-se uma interrogação: Como essa vinda acontece? É uma pergunta a que se exige muita cautela para se responder. Primeiro lugar devemos recordar que a nossa oração é um profundo momento de encontro com Deus. Mas também a momentos que a Igreja nos proporciona, e que nós mesmo podemos proporcionar-nos. Deve-se aqui destacar a Eucaristia, a escuta atenta da Palavra, a Santa Missa e etc. Seria o que chamo de “Natal permanente”, ou seja, sempre estamos proporcionando a oportunidade de Jesus nascer em nós.

É interessante estarmos atentos ao convite que a Igreja nos faz à oração constante, à qual todos os crentes devem estar convictamente unidos, perseverando – como Maria e os Apóstolos – em oração constante (cf. At 1,14). Este é um convite, e ao mesmo tempo um alerta, que parte de Cristo: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação: pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14, 38). 

Nesta vida o mais importante é procurarmos manter-nos na graça de Deus. Pro isso o pecado muitas vezes leva-nos a ofender a Deus; e se caimos devemos levantar-nos, principalmente buscando a reconciliação no sacramento da Penitência. Exorta-nos São Gregório Magno: “Emendai-vos, mudai vossos costumes, vencei as tentações e castigai com lágrimas os pecados cometidos, porque algum dia vereis a chegada do eterno Juiz com tanto maior segurança quantos mais tiverdes prevenido pelo temor Sua severidade” (Obras de San Gregorio Magno. Madrid: BAC, 1958,p.541)

Não nos apeguemos aos bens terrenos. Recomenda-nos São Basílio: “A curiosidade e os cuidados desta vida, embora não pareçam prejudiciais, devem ser evitados quanto nmão contribuem para o serviço de Deus” (La biblia comentada por los Padres de la Iglesia. Madrid: Ciudad Nueva, 2000, p. 431).

III.   A Terceira vinda do Senhor

A terceira vinda deve ser meditada em contexto escatológico, isso porque ela é a consumação de tudo e a plenitude de todas as outras vindas.

“Revestindo de Sua glória, Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos, que hoje, vigilantes esperamos” (Prefácio do Advento I). A vigilância assume, portanto, uma característica principal do advento definitivo do Senhor. O termo que toma o apóstolo Paulo é “Parusia”, ou seja, a vinda definitiva, “vinda”, não “chegada”. 

Diversas vezes Jesus enunciou como seria sua ultima vinda. Uma delas é que “eles verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens com grande poder e glória” (Lc 21, 27). Santo Agostinho coloca-nos duas possiveis interpretações à este pormenor:

Pode-se entender isso em dois sentidos. Ele poderá vir à Igreja como sobre uma nuvem, como não cessa de vir agora, conforme diz a Escritura: ‘Vereis doravante o Filho do homem sentar-Se à direita do Todo-Poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu’ (Mt 26, 64). Mas virá então com grande poder e majestade, porque manifestará mais nos santos Seu poder e majestade divina, pois aumentou-lhes a fortaleza para não sucumbirem na perseguição. Pode-se entender também que venha em Seu Corpo, que está sentado à direita do Pai, no qual morreu, ressuscitou e subiu ao Céu, conforme está escrito nos Atos dos Apóstolos: ‘Dizendo isso, elevou-Se da terra à vista deles e uma nuvem O ocultou aos seus olhos’. E ali mesmo disseram os Anjos: ‘Voltará do mesmo modo que O vistes subir ao Céu’ (At 1, 9.11). Temos, pois, motivos para crer que virá, não só em Seu Corpo, mas também sobre uma nuvem; virá como Se foi, e ao ir-Se uma nuvem O ocultou. É difícil julgar qual dos dois sentidos é o melhor” (Santo Aogstinho, Carta 199, 41-45. In Comentários de San Agustín, Valladolid: Estudio Agustiniano, 1986, p. 52-53).

Reconheçamos que “tão humilde quato foi o nascimento de Jesus, gloriosa será Sua segunda vinda” (Mons. João Scognamiglio). Portanto devemo-nos preparar para esta segunda vinda vivenciando a primeira e a segunda, todas tem uma união intríseca entre si. Não se pode vivenciar uma e esquecer as outras. São como etapas. “A lembrança da ultima vinda de Nosso Senhor, inspirando-nos um salutar pavor que nos afasta do pecado e nos conduz ao bem, prepara-nos também para celebrar santamente a primeira vinda” (Explication des Evangiles du dimanche. Hong-Kong: Société des Missons Étrangères, 1920, p.2). E em todas devemos viver uma santidade inrepreensível no Senhor. Não devemos temer os sinais dos ultimos tempos, eles são a prefiguração da vinda de Cristo para a nossa salvação. Não precisamos temer. Santo Aostinho afirma que “a vinda do Filho do Homem incute temor só aos incrédulos” (La biblia comentada por los Padres de la Iglesia. Madrid: Ciudad Nueva, 2000, p. 431). 

Se perseverarmos poderemos desfrutar da salvação tão almejada por todos nós na vida futura. Mas neste mundo lutemos contra as forças do mal para que possamos, na eternidade, unirmo-nos a Deus e aos Santos.
Como Jesus afirmou: “Quem perseverar até o fim será salvo” (Mc 13, 13).
 
Encerro pedindo o auxílio da Mãe de Deus:
“Enquanto Maria vos sustenta, não caís; enquanto vos protege, não temeis; enquanto vos conduz, não vos fatigais; e, sendo-vos propícia, chegareis ao porto da salvação”
(São Bernardo de Claraval).


Salve Maria Santíssima
Pax Vobis