Confissão, um sacramento de confiança

Ficheiro:OleoPioX.JPGMas o dever de confessar a outro homem os próprios pecados, não será muito custoso, sobretudo muito vergonhoso?

Ainda que confessar a outro homem os próprios pecados possa ser penoso, é necessário fazê-lo, porque é de preceito divino; e de outro modo não se pode obter o perdão dos pecados cometidos; além disso, a dificuldade de se confessar é compensada por muitas vantagens e grandes consolações.

(Catecismo de São Pio X, 759)

A sociedade contemporânea, movida pelo comodismo espiritual, despreza muitos preceitos religiosos importantes. Um exemplo muito claro desse comodismo nos é demonstrado pela rejeição do sacramento da Confissão. O Catecismo de São Pio X responde aos questionamentos dos católicos, deixando bem claro o quanto é importante confessar-se ao sacerdote, uma vez que “de outro modo não se pode obter o perdão dos pecados cometidos”. Mas a questão principal que é posta não é essa. Pergunta-se: Ora, se Deus conhece todos os nossos pecados e todas as nossas fraquezas, então por que devemos confessar nossas misérias a um homem?

Sim, de fato, Deus tudo sabe. Ele poderia muito bem ter instituído um sacramento da Confissão onde todos nós nos trancássemos em nossos quartos, fizéssemos uma oração a Deus e aí obtivéssemos o perdão de todas as nossas faltas. Mas Ele não quis que fosse assim. Por isso diz aos apóstolos: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22-23). Ora, quem são os sucessores dos apóstolos? Não são os bispos? Pois então, a eles foi dado, em nome de Jesus Cristo, o mandato de perdoar os pecados. Foi o próprio Cristo quem instituiu esse admirável sacramento. Por isso diz o Magistério que a Penitência “é de preceito divino”.

É penoso confessar os nossos pecados a outro homem? Sim. Não se duvida disso. Mas Deus quis provar a nossa confiança através deste supremo ato de caridade e fé. De fato, se não temos confiança nos sacerdotes, que são representantes de Nosso Senhor – Sacerdos Alter Christus –, como poderemos manifestar a nossa confiança em Deus? Do mesmo modo, ao acusarmos os nossos pecados a uma pessoa a quem foi dado compreender a fundo os mistérios da fé e da Igreja estamos recebendo oportuníssimos conselhos de como levar uma vida casta e pura, e como evitarmos o pecado. A dificuldade de se confessar é, de fato, compensada por muitas vantagens e grandes consolações.

Estudar o Magistério da Igreja é muito importante para compreendermos os motivos pelos quais cremos e professamos a fé em Nosso Senhor e nos sacramentos da Santa Madre Igreja. Não queremos nos desviar do cristianismo. Queremos cada vez mais perseverar nesse caminho de amor e solicitude. Para isso, porém, precisamos realizar sacrifícios e penitências. Purifiquemo-nos de nossos pecados, confessando-nos constantemente. E que a Santíssima Virgem Maria, Auxilium Christianorum, se digne rogar por nós, pecadores, junto a Jesus Cristo, nosso mediador.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Imaculada Conceição de Maria

Fonte: Catequizando

“Deus Pai só deu ao mundo seu Unigênito por Maria. Suspiraram os patriarcas, e pedidos insistentes fizeram os profetas e os santos da lei antiga, durante quatro milênios, mas só Maria o mereceu, e alcançou graça diante de Deus, pela força de suas orações e pela sublimidade de suas virtudes. Porque o mundo era indigno, diz Santo Agostinho, de receber o Filho de Deus diretamente das mãos do Pai, ele o deu a Maria a fim de que o mundo o recebesse por meio dela.”

(São Luís de Montfort, Tratado de Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 16)

http://pessoais.home.sapo.pt/tiepolo01.jpgAntes de Maria, o Verbo já existia, mas Ele só veio ao mundo porque se encarnou no seio da Virgem Maria. Só podemos dizer com São João que “o Verbo se fez carne” (Jo 1, 14) graças à sublime submissão que uma simples e humilde jovem de Nazaré prometeu a Deus, dizendo que era, de fato, a serva do Senhor e que tudo se fizesse segundo a vontade d’Ele (cf. Lc 1, 38).

Deus já havia prometido à humanidade – temos o testemunho dos profetas – que lha mandaria seu Filho Único para salvá-la. Por meio de Maria, ao povo deu-lhe conhecer a Sua infinita e misericordiosa Bondade, cumprindo sua promessa. Jesus Cristo, Filho de Deus, veio ao mundo, mas não veio somente como Deus. Ele se tornou carne, se tornou homem; se encarnou no corpo de uma mulher que se conservava pura e imaculada para recebê-Lo. Essa mulher, Tabernáculo do Altíssimo, era Maria. De fato, como é possível que Jesus Cristo, perfeito, se encarnasse no corpo de uma mulher imperfeita? Não poderíamos de modo algum imaginar que o Salvador, Jesus Cristo, o Santo de Deus, viesse ao mundo por meio de um corpo onde prevalecia a lei do pecado, que regia todos os homens antes da Sua vinda. Seria irracional admitir que o Tabernáculo onde Ele permanecera durante nove meses fosse dominado pela impureza e pela imperfeição.

Comprovações bíblicas? Há muitas. Partamos à primeira: no livro do Gênesis, após a dramática narração do primeiro pecado do gênero humano, Deus diz à serpente, que induziu Eva a pecar: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3, 15). Pio IX, ao declarar o dogma da Imaculada Conceição através da bula Ineffabilis Deus, escreveu que “com esta divina profecia, foi clara e abertamente indicado o misericordiosíssimo Redentor do gênero humano, isto é, o Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo; foi designada sua beatíssima Mãe, a Virgem Maria; e, ao mesmo tempo, foi nitidamente expressa a inimizade de um e de outra contra o demônio” (n. 22).

Ora, como isso se deu? Bem sabemos que o primeiro pecado foi o responsável por aprisionar todo o gênero humano à escravidão da impureza e do mal. Mas viria Aquele que libertaria o povo da opressão do pecado. Esse homem, como foi designado pelos profetas, é o Cristo, “Deus Conosco”. Ora, a Palavra de Deus fala claramente da vitória de Cristo sobre Satanás e sobre o pecado; e também de uma conseqüente vida nova para os redimidos: “Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão” (1 Cor 15, 22). Ora, sem Maria a humanidade não poderia conhecer essa vida nova em Cristo, não poderia conhecer essa vitória. Assim como Eva foi ponte de pecado para Adão, Maria foi ponte de graça para conduzir a Jesus. Assim como Eva cedeu ao pecado, assim Maria o venceu, esmagando (ou como se lê na Bíblia: “ferindo”) a cabeça da serpente.

Se Maria venceu o pecado, o pecado não tem domínio sobre ela. Assim sendo, é óbvio conceber a realidade de que Ela foi, pela graça de Deus, privada de todo pecado e também do pecado original. É o que celebramos nessa semana que se passou: a festa da Imaculada Conceição de Maria. Os Santos Padres da Igreja também usavam uma passagem do Cântico dos Cânticos para falar da santidade indefectível de Maria: “És toda bela, ó minha amiga, e não há mancha em ti” (Ct 4, 7). Eva, “a mãe de todos os viventes”, pecou. O pecado, assim como uma “epidemia”, passou para todo o gênero humano. Mas, Deus, que ama o homem e não quer que ele se perca, ‘criou’ novamente o homem. Essa “nova Criação” se dá com Maria, mãe de todos os redimidos pelo Sangue de Cristo.

Existe todo um embasamento por trás desse amabilíssimo dogma, um embasamento que provém não somente da Sagrada Escritura, mas também da Tradição Apostólica e do Magistério dos pastores da Igreja, fontes de fé da Sé de Roma. E nós, como defensores da doutrina católica, temos a obrigação de defender essa Verdade revelada por Deus a todo o Seu povo. Sim, Maria, nós cremos e confessamos que tu és pura, santa e imaculada. Cremos e confessamos que és aquela que esmagou a cabeça da serpente e venceu o pecado ao dar-nos o Filho de Deus, nosso Redentor. Em comunhão com toda a Igreja queremos proclamar: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós!

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

“Eu posso usar o que eu quero” – Benjamin Wiker

[Encontrei um ótimo texto falando sobre modéstia dentro da celebração da Santa Missa no blog Maria Rosa. O texto original de Benjamin Wiker foi traduzido pela caríssima irmã católica Andrea Patrícia. As conclusões do escritor são simplesmente magníficas. Não transcrevi todo o texto, mas vale a pena entrar no blog da Andrea e conferir o resto do artigo. Nessa parte abaixo o autor se preocupa em refutar a afirmação constantemente utilizada por aqueles que querem justificar por trás da aparente “liberdade” seu inescrupuloso modo de se vestir e se comportar na igreja: “Eu posso usar o que eu quero...”. Imperdível. Bom conhecimento!]

Texto original: CERC
Tradução: Maria Rosa


Eu posso usar o que eu quero

http://www.tantor.com/AuthorImage/Wiker_B.jpgPara refutar a afirmação de que temos o direito de usar o que quiser, imagine o seguinte. Fazendo o seu melhor para concentrar-se no grande espetáculo da graça divina que está prestes a acontecer, você está rezando obediente e frutuosamente antes da Missa – obedientemente, porque você vai à Missa atendendo a um dever sagrado no qual você é obrigado não só a adorar a Deus, mas também a lutar para a remoção das impurezas que o mantêm afastado Dele, e frutuosamente, porque nesta rara ocasião você transpassa o nevoeiro da preguiça e distração que normalmente envolve a alma cansada, e está verdadeiramente sentindo a presença amorosa de Cristo.

Imagine que eu estou dentro de uma igreja, caminhando a passos largos vagando orgulhosamente à direita do corredor central após seu banco, ostentando um conjunto de chifres de Cervus Elaphus, o alce norte-americano. São galhos impressionantes, do tipo que fazem com que as pessoas se cutuquem e sussurrem. Seja honesto. Não importa o quão profundamente você estivesse mergulhado em feliz oração, você não teria sido sacudido totalmente para fora dos braços da doce graça? Você não estaria agora de joelhos, em meio a pedaços quebrados de seu devaneio santo, dizendo a si mesmo “Mas que coisa! Aquele idiota está usando chifres!”

Além disso, imaginar que eu orgulhosamente me embaralho exatamente no banco em frente a você, plenamente consciente de que eu tinha atraído a atenção de todos. E você está lá, preso a Missa inteira, olhando através dos meus grandes galhos para o padre. E aí está você um pouco mais tarde, na parte mais sagrada da Missa, vendo a elevação da hóstia consagrada emoldurada pelas mesmas galhadas ridículas. E então, caminhando para receber o nosso precioso Senhor, você não está pensando piamente, “Meu Senhor e meu Deus”, mas ao mesmo tempo xingando ou rindo impiedosa e incontrolavelmente. Sua chance de restaurar a sua alma está arruinada durante a semana.

Na saída, você decide confrontar-me. (bom para você!) “Por que você usa chifres à Missa?” você pergunta educadamente. “Certamente você deve saber que todo mundo estava olhando para você?”

Imediatamente, e com um brilho escuro e ofendido, eu respondo: “Quem é você para me dizer o que vestir? Eu tenho o direito de usar o que eu quiser!”

Você não responderia: “Onde você poderia conceber um direito de usar chifres? Além disso, o que aconteceu com o meu direito mais sagrado – e dever – de me concentrar durante a Missa? Sua exibição era total distração!”

Vamos voltar em nosso exercício imaginário e nos perguntar: Não temos o direito de não ser afastados da Missa? Não temos também a obrigação moral muito grave de não afastar os outros? Se você estivesse no sopé do Monte Sinai, e “O Senhor desceu sobre ele em fogo; e a fumaça subiu como a fumaça de um forno, e todo o monte tremia grandemente” e “como o som da trombeta aumentou mais e mais, Moisés falava, e Deus lhe respondia no trovão”, você não estaria violando algo grande, terrível e santo dançando na frente das pessoas, agitando os braços, ou se balançando em um esforço para distraí-los? Quanto mais devemos evitar distrair as pessoas quando o próprio Deus, com um grande amor, terrível e santo, torna-se nossa comida e bebida?

Vamos voltar para o hall de entrada da igreja. Eu tiro meus chifres e digo: “Você está absolutamente certa senhora, e sua minissaia é tão perturbador para todos os homens como meus galhos são para você – só que pior. Vestuário imodesto é feito para ser sexualmente atraente. Por qual outra razão que eles são chamados de ’sexy’ se não for para capturar o efeito que tem sobre o sexo oposto? Considerando que não há mandamento bíblico sobre encarar galhos, Cristo alertou que “todo aquele que olhar para uma mulher com intenção impura, já adulterou com ela em seu coração “ (Mt 5, 28). Este é o mesmo Cristo que disse: “tentações para o pecado é certo de vir, mas ai daquele [ou daquela], através da qual elas vêm!” (Lc 17, 1). Se você soubesse que esse mesmo Cristo estava aqui hoje, em pessoa, terrível em seu poder e pureza, severo em suas demandas, mergulhado na agonia da crucificação, e cegando em Sua santidade ressuscitada, como é que você teria se vestido? Bem, minha senhora, ele esteve aqui. E eu estou razoavelmente certo que qualquer tentativa consciente para distrair ou atrair outros Dele é um delito mais grave.”

Benjamin D. Wiker

Don’t Wear That Mini to Mass

Sofrer por Cristo, com Cristo e em Cristo

“Sua enfermidade (…) é uma prova dolorosa e singular, mas ante o mistério de Deus, que assumiu nossa carne mortal, adquire seu sentido e se converte em um dom e ocasião de santificação. Quando o sofrimento e o mal-estar se façam mais intensos, pensem que Cristo os está associando à sua cruz porque quer dizer através de vocês uma palavra de amor a quantos perderam o atalho da vida e, fechados no próprio egoísmo vazio, vivem no pecado e no afastamento de Deus.”

(Papa Bento XVI, discurso em visita ao Asilo Fundação Roma, 13 de dezembro de 2009, via ACI Digital)

As oportuníssimas palavras do Sumo Pontífice em visita aos enfermos são sempre importantes para recordarmo-nos daquela célebre frase de Santo Agostinho: “Deus onipotente, sendo sumamente bom, não deixaria mal algum em sua obra, se não fosse tão poderoso e bom que pudesse tirar até do mal o bem”. Nesse sentido, a visão cristã sobre a dor e sobre o sofrimento é magnífica. O sofrimento é o caminho para a vitória e para a superação. É como demolir uma casa para construir outra… Não podemos parar a obra no meio do caminho. Não podemos demolir e derrubar a casa e depois nos esquecermos de construir novamente a nossa moradia. Deus permite que soframos para que possamos enxergar as nossas fraquezas e possamos recorrer a Ele, Pai onipotente, para que nos ajude a caminhar. Permite o mal, para que daí possa extrair um bem maior para a nossa vida.

O Papa fala também de como a sociedade contemporânea enxerga aqueles que sofrem e padecem. Desse modo é interessante ver a semelhança entre esses e Jesus: “Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele” (Is 53, 3). Jesus é o homem das dores, aquele que carrega sobre Si as nossas maldições, os nossos desesperos, as nossas aflições. Quer que nos acheguemos a Ele, afinal, “eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas” (Mt 11, 29). Unindo os nossos sofrimentos às dores de Cristo, certamente encontraremos repouso e consolação. Que a Virgem Santíssima, Nossa Senhora das Dores, possa vir em nosso socorro e que interceda por nós para que sejamos contemplados com o amor de Cristo; Ele nos basta.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!