Convicções históricas tendenciosas contra Pio XII

Essa semana os grandes servos de Deus, João Paulo II e Pio XII, foram proclamados veneráveis pela Santa Igreja. No entanto, alguns historiadores – sem contar os judeus – não cultivam uma simpatia muito grande por Eugenio Pacelli. É aquela velha história que todos já conhecem “de cor e salteado”: Pio XII teria se calado diante das atrocidades cometidas pelo nazismo… A questão é realmente complicada, mas, deve ser analisada a par dos preconceitos que muitas vezes estão envolvidos nessas discussões. Por exemplo, é importante observar a alusão à condenação da Igreja e do próprio Pio XII ao nazismo em alguns documentos da Santa Sé e também à lealdade da Igreja na ajuda prestada aos judeus durante a guerra. Em suas radiomensagens de Natal – em 1941 e 1942, por exemplo – Pio XII falou da situação deplorável em que se encontravam aquelas pessoas que “às vezes só por motivos de nacionalidade ou raça, se vêem destinadas à morte ou a um extermínio progressivo” (Radiomensagem de 1942, n. 55). Era, sem sombra de dúvida, uma crítica à perversa ideologia nazista.

O problema é que grande parte dos ataques que são feitos à figura de Pacelli são, na verdade, mentiras anti-clericais que partem de inimigos ferozes da Igreja; os fundamentos dos seus argumentos nem sempre são os melhores.

Saiu no BOL: Israel pede investigação para impedir Pio 12 de virar santo. A notícia faz inclusive uma relação entre o suposto silêncio de Pio XII durante a guerra com o fato de Ratzinger ter pertencido à juventude hitlerista… Lamentável tentativa de se afirmar que Bento XVI poderia supostamente ser nazista ou comungar com o pensamento do nazismo.

Mas o que mais me impressiona é a revolta dos judeus. Eles já estão vendo Pio XII como santo. Provavelmente não conhecem todo o processo que leva a isso, toda a apuração histórica que se dará em torno da posição de Pacelli frente às atrocidades nazistas – que será melhor esclarecida quando o Arquivo do Vaticano for aberto. Estão fazendo uma tempestade em copo d’água. Além disso, estão analisando todo esse processo como uma injustiça, como se de fato a posição de Pio XII tivesse sido de aprovação ao nazismo.

Alguns líderes judeus deixaram uma dúvida no ar quanto a essa “convicção” da atual comunidade israelense em afirmar que Pio XII foi conivente com o nazismo. Abaixo estão alguns claros exemplos:

“Somente a Igreja permaneceu firme, em pé, para fechar o caminho às campanhas de Hitler que pretendiam suprimir a verdade. Antes eu nunca havia experimentado um interesse particular pela Igreja, mas agora sinto por ela um grande afeto e admiração, porque a Igreja foi a única que teve a valentia e a constância para defender a verdade intelectual e a liberdade moral” (Albert Einstein, 23 de dezembro de 1940).

“O povo de Israel nunca se esquecerá o que Sua Santidade [Pio XII] e seus ilustres delegados, inspirados pelos princípios eternos da religião que formam os fundamentos mesmos da civilização verdadeira, estão fazendo por nossos desafortunados irmãos e irmãs nesta hora, a mais trágica de nossa história, que é a prova viva da divina Providência neste mundo” (Isaac Herzog, 28 de fevereiro de 1944).

Fonte: Cleofas

Enquanto muitos historiadores insistem em afirmar que a posição de Pacelli frente aos crimes cometidos pelo nazismo foi lamentável, outros, no entanto, como o historiador judeu Lapide, escritor do livro Three Popes and the Jews, vão afirmar que uma maior condenação ao nazismo receberia maior retaliação. Com efeito, não se está dizendo que Pio XII não condenou o nazismo. A Mit Brennender Sorge, na qual o até então Cardeal Eugenio Pacelli, secretário do Vaticano, participou, foi uma condenação moralmente explícita à ideologia nazista. No entanto, na época, foi secretamente lida em todas as igrejas católicas da Alemanha. Foi suficiente para uma repercussão instantânea. Após a escrita da carta, mais judeus foram imediatamente jogados nos campos de concentração, cerca de 110 mil, segundo afirma Lapide. A constatação “maior condenação, maior retaliação”, analisando-se esses dados, parece tanto quanto óbvia.

Pio XII, escreve Lapide, “poderia ter elevado vibrantes protestos, que pareceriam inclusive insensatos, ou melhor proceder passo a passo, em silêncio. Palavras gritadas ou atos silenciosos. Pio XII escolheu os atos silenciosos e tratou de salvar o que poderia ser salvo”. As convicções históricas da comunidade judaica realmente impressionam na falta de bom senso.

Enfim, a questão histórica da relação entre Pio XII e nazismo é bastante conturbada e deve ser devidamente analisada. Mas, que caiam o preconceito, o ódio, a vingança e a inimizade à Igreja, tendências que levam à manipulação a favor do anti-clericalismo.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

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Leia mais: Pio XII e o nazismo.

Em Maria, é-nos dada a graça que por Eva tínhamos perdido

http://www.esev.ipv.pt/obrames/Novembro/Anunciacao.jpg“Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. Nós vos louvamos, bendizemos e glorificamos pelo mistério da Virgem Maria, Mãe de Deus. Do antigo adversário nos veio a desgraça, mas do seio virginal da Filha de Sião germinou aquele que nos alimenta com o pão do céu e garante para todo o gênero humano a salvação e a paz. Em Maria, é-nos dada de novo a graça que por Eva tínhamos perdido. Em Maria, mãe de todos os seres humanos, a maternidade, livre do pecado e da morte, se abre para uma nova vida. Se grande era a nossa culpa, bem maior se apresenta a divina misericórdia em Jesus Cristo, nosso Salvador. Por isso, enquanto esperamos sua chegada, unidos aos anjos e a todos os santos, cheios de esperança e alegria, nós vos louvamos (…).”

(Prefácio, Missal Romano, p. 477, apud Folheto “Deus Conosco” de 20/12/09)

O mistério que celebramos nesse Natal que se aproxima é sobretudo um mistério de amor. São João alude a esse extraordinário amor com que Deus vem ao nosso encontro no Evangelho: “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer (…) tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Com efeito, éramos pecadores e não éramos de nenhum modo dignos da graça de Deus. Em Cristo somos dignos e nos tornamos aptos a entrar no Reino de Deus. Jesus devolve à humanidade aquilo que tanto faltava para que se perpetuasse o amor: a graça. É ela que nos move a praticar o bem, as virtudes da Palavra de Deus.

E Maria é peça fundamental de toda essa história. Ela, que é Tabernáculo vivo, não hesitou em dizer sim quando o chamado de Deus em sua vida se fez presente. Diante da proposição do anjo Gabriel Maria se espanta, mas deixa bem claro que a vontade de Deus é um bem primordial: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Maria foi mulher de . O Evangelho da Santa Missa desse domingo, quarto do advento, alude à saudação de Isabel: “Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!” (Lc 1, 45). Diante da fala do anjo Gabriel, Maria, espantada, poderia muito bem ter duvidado de tudo aquilo que ele lha disse. Mas, não, Maria teve fé nas palavras do Senhor. É um modelo para a sociedade moderna. Diante do crescente progresso tecnológico e científico que se é observado e diante do uso cada vez mais enfático da razão para se reafirmar verdades, o Evangelho é apresentado como um desafio. Uma virgem que dá à luz. Sim. Maria teve fé. E, de fato, como deixou bem claro Isabel, tudo que o anjo disse a ela se cumpriu e ela se tornou a mãe do Salvador.

Maria foi mulher de contradição. Na Palavra de Deus temos duas leituras fundamentais para compreendermos a situação da humanidade. A primeira narrativa, contida no livro do Gênesis, narra a tentação da serpente e o terrível consentimento de Eva. O gênero humano está destituído da graça de Deus e privado de Sua glória. Por outro lado, no Evangelho de São Lucas, temos a narração da anunciação, uma das mais belas passagens bíblicas, o momento em que uma simples mulher de Nazaré, aquela que viria a pisar na cabeça da serpente, com seu “sim”, aceita participar do plano de redenção de toda a humanidade. Não fosse a resposta afirmativa de Nossa Senhora a graça não poderia ser devolvida ao povo de Deus e permaneceríamos na escuridão do pecado e da miséria espiritual.

Nesse sentido, cantamos no dia da Páscoa: “Ó pecado de Adão, indispensável, pois o Cristo o dissolve em seu amor. Ó culpa tão feliz que há merecido a Graça de um tão Grande Redentor!” Como reagir àquela freqüente pergunta de muitos céticos: Por que Deus não impediu que Adão e Eva pecassem? Conforme canta o Salmo 33, “muitos males se abatem sobre o justo, mas o Senhor de todos eles os liberta.” O que isso quer dizer? Deus não impede que soframos. Ele deseja que, por meio do sofrimento, possamos colher frutos para a nossa salvação. Do mesmo modo é no caso do pecado de Adão e Eva. A desobediência de Eva mereceu a feliz e santa presença de uma Virgem Imaculada, que rompeu os laços do homem com a podridão do pecado, assim como a transgressão de Adão mereceu a Graça de um tão Grande Redentor.

Sim, conforme deixa clara a Oração Eucarística da Santa Missa de hoje, queremos louvar e bendizer ao Senhor pela graça de ter-nos mandado Seu Filho Jesus, para a redenção e salvação da humanidade. E queremos louvá-Lo pela presença indispensável de Maria nessa obra de amor. Que a Virgem Santíssima, Mãe humilde e obediente, nos ajude sempre a compreendermos e penetrarmos mais e mais no abismo de amor que é a sabedoria divina.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!