Guiar a nossa liberdade pela graça

http://3.bp.blogspot.com/_NOi3TeWLO38/SfiJ9UULZiI/AAAAAAAAETg/vjKC0f00wa4/s320/catarina_sena.JPG“Cada pessoa tem uma vinha, a vinha da própria alma. Nela trabalha com a vontade pessoal, livre, durante todo o tempo desta vida. Acabado este tempo, nenhum outro trabalho será realizado, seja para o bem como para o mal. Agora, sim, cada um pode industriar-se na vinha em que o coloquei. O operário de tal vinha – a vontade – recebe de mim tamanha força, que criatura alguma, mesmo o demônio, é capaz de impor-lhe algo sem o seu consentimento. Semelhante força lhe é dada no batismo, bem como, o amor pela virtude e o ódio pelo vício. Esse amor e ódio provêm do Sangue de Cristo, o qual, versando o Sangue por amor a vós e repulsa ao pecado, até morreu. É deste Sangue que recebeis a vida divina no batismo.”

(Santa Catarina de Sena, O Diálogo, página 69, 10.6 – Colaboração humana, Editora Paulus, 10ª edição, 2007).

O livre-arbítrio é essencial para a salvação do homem. Sem dúvida é a graça santificante – força da qual Santa Catarina de Sena fala nesse trecho d’O Diálogo – que nos impulsiona a realizar o bem, mas se não houver uma decisão do homem, uma ação da sua vontade pessoal e livre para seguir a Deus, o homem certamente não poderá se salvar, porque se negou a obedecer ao sumo Bem. Deus não nos impõe suas leis. Ele as expõe ao ser humano e deixa bem claro que existem dois caminhos: um para aqueles que, perseverando em fazer o bem, exerceram o livre-arbítrio na caridade, não se esquecendo da graça que receberam no batismo; e outro para aqueles que, se negando a abrir a porta dos seus corações ao Altíssimo, condenaram-se ao fogo do inferno. Portanto, as pessoas que ao menos se confrontaram com a doutrina católica não podem alegar ignorância para com as leis de Deus.

Considerando-se a realidade do batismo, quando a pessoa se torna capaz de seguir a Jesus Cristo e escolher o bem, o homem também não pode alegar que não tinha forças para escolher pela salvação. Pelo Batismo, sacramento fora da qual não pode haver salvação, o ser humano recebe a graça de Deus e liberta seu destino da prisão da concupiscência. No entanto, ele continua tendo de optar. A graça é apenas um auxílio de Deus, uma amostra gratuita de sua misericórdia para conosco. Ele, que quer que todos se salvem, entrega o homem à sua própria decisão, mas dispõe de todos os meios necessários para que esse ame o Bem e dirija seus passos pela Verdade.

Esse auxílio de Deus é essencial, bem o sabemos, porque antes de Jesus Cristo remir a humanidade com o Seu Sangue Redentor, os homens não podiam praticar as virtudes em sua plenitude e não podiam entrar para a vida eterna. Veio então o Filho do Homem e, dando aos homens a graça através da Redenção, que é mostrada ao ser humano no sacramento do Batismo, “destrancou” as portas do Céu para nós, fazendo com que o nosso livre-arbítrio não estivesse mais submetido exclusivamente à concupiscência, mas também ao amor de Deus.

Não podemos nos esquecer do trabalho na vinha de nossa alma. É uma missão que exige sacrifício e renúncias, que exige muito esforço e dedicação, mas, contando com a graça de Deus, somos fortes e podemos nos salvar. Não nos deixemos tomar pelo egoísmo de dizer que somos nós, por nós mesmos, que alcançamos a salvação. A nossa participação na nossa própria salvação é importante, mas sem a ajuda gratuita de Deus, nada poderíamos fazer. Agradeçamos primeiramente a Ele, suma Bondade, que se dignou vir até nós por meio de Seu Filho muito amado, que nos deu a Paz e a remissão dos pecados. Invoquemos, sobretudo, a proteção da Virgem Maria. Possamos imitá-la nas suas decisões e atitudes e guiar a nossa liberdade pela Verdade, pois só assim seremos verdadeiramente felizes e poderemos nos salvar.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

SANTO TOMÁS BECKET

Cidade do Vaticano, 29 dez (RV) - Tomás Becket nasceu em Londres em 1117. Recebeu de Deus dons excepcionais a tal ponto que foi feito chanceler do reino. Estava à vontade: possuía ambição, audácia, beleza e gosto. Sabia defender os direitos do príncipe, seu íntimo amigo e companheiro nos momentos de diversão e lazer.

Sete anos após subir ao trono, o rei Henrique II, que já o tinha como seu conselheiro, o escolheu como primaz de Cantuária. Antevendo situações futuras, Tomás disse ao rei: “Senhor, se Deus permitir que eu me torne arcebispo de Cantuária, perderei a amizade de Vossa Majestade.”

Foi ordenado sacerdote em 3 de junho de 1161 e bispo no dia seguinte.

As divergências surgiram imediatamente, pois o arcebispo não aceitava as ingerências do poder civil na Igreja. Tomás teve de fugir para a França e lá viveu seis anos exilado na abadia de Pontigny, um mosteiro cisterciense.

Através dos conselhos do Papa Alexandre III, Tomás estabeleceu uma paz formal com o rei.
Ao ser acolhido triunfalmente pelos fiéis, disse: “ Voltei para morrer no meio de vocês”.
Imediatamente repudiou os bispos que haviam pactuado com o rei, aceitando seu poder abusivo.
O rei reagiu dizendo: “ Quem me livrará deste padre briguento?”

Quatro cavaleiros armados foram para Cantuária. O arcebispo avisado, não fugiu, mas se dirigiu para a Catedral, se paramentou, disse: “ O MEDO DA MORTE NÃO DEVE FAZER-NOS PERDER DE VISTA A JUSTIÇA” e esperou os assassinos. Deixou-se apunhalar sem opor resistência, murmurando: “Aceito a morte pelo nome de Jesus e da Igreja.”

Como conseqüência o rei foi obrigado a limitar suas pretensões sobre a Igreja da Inglaterra e a pedir perdão ao papa.

O famoso poeta e dramaturgo anglo-americano T. S. Eliot escreveu, em 1935, sobre esse fato em “Assassinato na Catedral”.

Nessa interpretação literária T. S. Eliot destacou a escolha do martírio como a vitoriosa superação de quatro tentações de Santo Tomás: a atração pelo prazer, fortíssima em sua juventude; o desejo de poder; as considerações oportunistas; o orgulho da santidade.

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