Quem não produz bons frutos não é bom cristão – 3º domingo da Quaresma

A primeira leitura deste domingo centraliza-nos no início do ministério de Moisés. Diz-nos a Escritura que enquanto “apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã [...] apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de figo, do meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não se consumia” (Ex 3, 1.2).
Eis que naquele momento o Senhor mudaria a vida daquele simples pastor de ovelhas. Ele passaria a ser mais que isto: seria o pastor do povo hebreu que eram escravizados pelos egípcios a muito tempo.
Moisés se aproxima curiosamente da sarça, e eis que o Senhor, ao vê-lo aproximar-se, disse: “’Moisés! Moisés!’ Ele respondeu: ‘Aqui estou’. E Deus disse: ‘Não te aproximes! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa’” (v. 4-5).
Deus dirige-se a Moisés para libertar o povo que clamava da aflição do Egito. Hoje Ele dirige-se a cada um de nós por meio da Igreja e dos seus pastores, eles que são os “Moiséses” do mundo hodierno. E também sentem a aflição do povo escravizado pelo pecado, por uma cultura que centraliza o homem e o dinheiro e esquece-se do Deus verdadeiro, o único pelo qual veio a libertação, uma vez que esta se deu em Jesus Cristo. Nesta libertação singular nos-é manifestada a verdadeira salvação, a misericórdia e o amor de Deus.
Na segunda leitura Paulo nos exorta a guardarmos a observância da vigilância e a estarmos unidos intrinsecamente a Cristo Jesus. E de forma inerente nos avisa: “Quem julga estar de pé tome cuidado para que não cair” (1Cor 10, 12). O que o apóstolo que dizer-nos com tais palavras?
É necessário que observemos atentamente para tal resposta duas figuras que são muito moldadas no mundo de hoje, como as pessoas moldam sua vida. Primeiro vem aquele que é prepotente e arrogante, crê que seus desejos e vontades sejam mais importantes e ficam fechados em si mesmos, esquecendo-se do próximo e do salvífico desígnio do Senhor, que são indubitavelmente salutares à nossa salvação. Assim caracteriza-se aquele que já está de pé, no entanto futuramente cairá.
Depois vem aquele que, como cristão, sabe viver os mandamentos do Senhor, mesmo que isso leve à sua humilhação em meio aos homens. Ora, ser cristão não é promessa de comodidade. É algo que requer esforço. Há muito o que fazer pela justiça e pelo vindouro Reino de Deus, promessa esta que está plenamente prefigurada na Igreja. O cristão deve tomar a cruz e seguir Jesus. Tomar a cruz hoje significa passar por provações, por dificuldades, sofrer rejeição por parte de muitos para que outros possam conhecer Jesus e sua salvação.
Mesmo dentro da Igreja, e isto não deve ser omitido, existem pessoas que, de certa forma, impedem o progresso do Evangelho e do Reino de Deus. Existem pessoas que se opõe de maneira explícita aos ensinamentos do Sagrado Magistério e das Escrituras Sagradas. Não podemos deixar-nos abater por tais curvas. Devemos fazer com que a “coluna e o sustentáculo da verdade”, que é a Igreja, possa cumprir plenamente sua missão de ser luz para os homens que hoje andam obscurecidos nas trevas.
No Evangelho Jesus fala-nos mais uma vez da necessidade da conversão. “Se vós não vos converterdes ireis morrer todos do mesmo modo” (Lc 13, 3).
A conversão é o primeiro aspecto para se admitir uma pessoa na vida cristã: converte-se, é batizada e entra no número dos eleitos. É um ato que deve partir do interior do homem e deve ser usado em seu favor, não de modo arbitrário e descontrolado, mas que o conduza à intimidade do próprio Cristo. A desgraça não deve ser visto como um castigo divino, antes: constitui um chamado à conversão, a uma verdadeira mudança de vida.
Mas como já ressaltei agora a pouco, Jesus não oferece nenhuma vantagem explícita para sermos cristãos, nenhuma vontade que se concretize materialmente, mas só oferece “prêmios” espirituais. Em nenhum momento Jesus diz que quem for cristão poderá ser ocioso. Não! E por isso muitos preferem estar “no mundo” a estar “em Cristo”. O cristão deve produzi frutos que sejam úteis ao Evangelho.
Aqui entra a parábola da figueira. Há três anos o dono não encontrava figos, ele mandou que o vinhateiro a cortasse e queimasse. O vinhateiro, então, disse ao dono: “Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode se que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás” (Lc 13, 8-9).
Todo ser humano tem uma “segunda chance”. A conversão é como esta parábola: O Senhor não nos cortará em primeiro, mas nos dará uma nova oportunidade para que possamos converter-nos e produzamos frutos úteis. Para se um verdadeiro cristão é necessário produzir bons frutos. Quem não o fizer não é bom cristão.
Peçamos que a Virgem Maria nos auxilie nesta caminhada de arrependimento e conversão. Para que este possa ser o verdadeiro significado da Quaresma em nossa vida.
Salve Maria Santíssima e Imaculada!

Secularização e relativismo na Teologia da Libertação

http://www.havelshouseofhistory.com/Martino,%20Renato%20Raffaele%20Cardinal.jpg“Sem se apoiar na Doutrina social da Igreja, quem se empenha pela justiça e pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento e pela defesa dos pobres, corre constantemente o risco de perder de vista o “lugar teológico” pelo qual interpretar de maneira correta este seu empenho. Se me permitirdes esta rápida menção, parece-me exatamente esta a consequência gerada pela teologia da libertação, pelo menos nas suas versões mais radicais. Esta pretendia começar pela prática de libertação antes que de Cristo libertador mas, fazendo assim, enfraquecia a doutrina cristã e o ensinamento da Igreja, ou seja, o lugar teológico a partir do qual podia tornar-se cristãmente provocatória também a pobreza do continente latino-americano. Deste modo, essas correntes radicais da teologia da libertação tiveram um efeito secularizador, alimentando no final a cultura relativista. Assim, infelizmente, acontece para todas as formas de empenho social e de solidariedade, quando se concebe somente como obra de justiça e, não também e sobretudo, de caridade, da caridade que nos foi revelada por Cristo e que continua a ser-nos ensinada pela Igreja.”

Cardeal Renato Raffaele Martino, Assembléia da Caritas Internationalis
4 de junho de 2007

Um ano depois do aborto dos gêmeos de Alagoinhas…

http://farm3.static.flickr.com/2460/3687675032_9cf0e1f05a.jpg“Meu irmão, se você diz que ama o bem, a moralidade, a ética, saiba que ninguém tem amor pelo bem, pela moralidade e pela ética que não tenha igualmente ódio mortal da injustiça, da imoralidade e da falta de ética. Se você ama o bem é porque você odeia o mal. Ninguém pode dizer que ama o bem e ficar indiferente com o mal.”

- Padre Paulo Ricardo, sobre o aborto dos gêmeos de Alagoinhas

Há um ano atrás, o Brasil inteiro se comovia com o estupro de uma menina de 9 anos. Ela engravidou. De gêmeos. Qual a solução? Amparo médico? Assistência psicológica? Não. A menina foi submetida à tortura do aborto. A menina, e as duas crianças no seu ventre.

O acontecimento foi marcado pela manipulação midiática, que demonstrou mais uma vez seu ódio contra a Igreja Católica, vomitando toda sua raiva contra o até então Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho. Ele comunicou que o aborto acarreta a excomunhão. A pena é latae sententiae, diz o Código de Direito Canônico. Ou seja, a excomunhão não foi dada pelo bispo; ela é automática nesse caso.

Mesmo assim, a Igreja foi tachada de intolerante, retrógrada, sem misericórdia e autoritária. A visão que as pessoas têm da fé católica não mudou muito no decorrer desse ano que passou. O mundo está cego. Tapou os olhos à crueldade do aborto.

Meu Deus, o que é o aborto? Não é o assassinato de bebês? Se queremos salvar vidas, o aborto não pode ser opção NUNCA! Mas, eis que os médicos apareceram, como redentores, como heróis. De um lado, os médicos assassinos; do outro, o bispo retrógrada, defensor da vida.

A população brasileira – mais exatamente 73,5% dela – é contra o aborto. Naquele momento, ainda havia mais pessoas que eram contra essa infâmia. Mas, para nossa surpresa, quase todo o Brasil, naquele momento, estava a favor da morte, do lado dos médicos.

E por quê? Vivemos em um país de catolicismo pretensioso. Somos católicos, mas há um limite. Somos cristãos até onde o cristianismo nos impõe obrigações. A partir daí, sou católico, mas “não concordo com algumas coisas que o Papa fala”; sou católico, mas “tem algumas atitudes da Igreja com as quais eu realmente não compactuo”. Enfim, é hipócrita, mas é a triste e dura realidade que observamos no Brasil.

E quando um bispo católico emite uma declaração católica sobre determinado assunto, então, há a revolta. Valem, nesse sentido, as duras palavras do pe. Paulo Ricardo para os católicos self-service: “Se você ama o bem é porque você odeia o mal.”

Católicos que amam as máximas de Cristo mas rejeitam os “duros” dogmas da Igreja, acordem para a cruel e desumana realidade do aborto, acordem para a incoerente e repugnante situação de hipocrisia em que viveis!

Lembremo-nos, por fim, das palavras do venerável Papa João Paulo II sobre o crime abominável do aborto: “[à]s vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (Evangelium Vitae, n. 58).

Que Maria, Mãe Santíssima, se digne interceder junto ao Altíssimo por todas essas crianças que tiveram a sua dignidade à vida desrespeitada.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

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Leia também: “Queremos Barrabás!”, do blog Contra o Aborto.

Leia mais: O certo e o errado, do arquivo do nosso blog.