Cardeal Bertone estava certo

Os dados abaixo são fragmentos de diversas pesquisas realizadas no campo do comportamento sexual. Os resultados foram reportados e transcritos em um recente relatório editado por Brian W. Clowes e publicado no Life Site News, com o título: Homossexualidade e a crise na Igreja [Homossexuality and the Church Crisis]. As constatações são realmente muito boas e confirmam aquilo que recentemente disse o Cardeal Bertone no Chile: que há uma estreita relação entre homossexualismo e pedofilia.

[...] Uma enorme percentagem de homossexuais sexualmente ativos já participaram em casos de pederastia.

Isso não é homofobia, mas fato científico.

Por exemplo:

[1] Alfred Kinsey, proeminente pesquisador sexual norte-americano [the USA’s preeminent sexual researcher], descobriu, em 1948, que 37% de todos os homossexuais do sexo masculino admitiram ter tido relações sexuais com crianças com menos de 17 anos.

[2] Um recente estudo publicado nos Arquivos de Comportamento Sexual descobriu que a melhor evidência epidemiológica indica que somente 2 a 4% dos homens atraídos por adultos preferem homens. Ao contrário, 25 a 40% dos homens atraídos por crianças preferem garotos [homens]. Então, o número de atração homossexual é de 6 a 20 vezes maior entre pedófilos.

[3] Outro recente estudo nos Arquivos de Comportamento Sexual descobriu que 9 de 48 homossexuais homens preferiram as duas categorias mais jovens. As idades dessas categorias eram 15 e 12 anos.

[4] Um terceiro estudo nos Arquivos de Comportamento Sexual descobriu que pedofilia parece ter uma grande chance de associação com outros duas freqüentes fenômenos estatísticos: o primeiro deles, homossexualismo. Fontes recentes estimam a prevalência de homossexualidade, entre homens atraídos por adultos, na casa de 2%. Em contraste, a prevalência de homossexualismo entre pedófilos deve estar entre 30 e 40%.

[5] Um estudo no Journal of Sex Research notou que a proporção de agressores sexuais que praticam o crime contra meninos entre homossexuais do sexo masculino é substancialmente maior que a proporção de agressores sexuais entre homens heterossexuais; o crescimento da pedofilia está mais associado com a homossexualidade que com a heterossexualidade.

[6] Um estudo de 229 pedófilos convictos publicado nos Arquivos de Comportamento Sexual observou que 86% dos agressores sexuais de meninos se descreveram como homossexuais ou bissexuais.

[7] Um estudo de The Institute for Sex Research, que foi encontrado por Alfred Kinsey, determinou que 25% dos homossexuais brancos tinham tido sexo com garotos de 16 anos ou menos.

______________________________________________________________________

PS.: As referências das afirmações estão no documento original, que pode ser lido aqui.

* * *

Leia mais: Cardeal Bertone tem razão ao vincular pedofilia com homossexualidade, afirma psiquiatra nos EUA, da agência ACI Digital.

Leia também: Outro perito dá razão ao Cardeal Bertone ao vincular pedofilia com homossexualidade, da agência ACI Digital.

São Pio V, Papa

Fonte: Página Oriente

Pio V nasceu em 1504 em Bosco, Itália, de nobre família Ghislieri. No santo Batismo deram ao filho o nome de Miguel. Menino ainda, deu Miguel indício de vocação sacerdotal, distinguindo-se sempre por uma piedade pouco vulgar.

Seguindo a sua inclinação, entrou na Ordem de S. Domingos, na qual ocupou diversos cargos de Superior. Igualmente distinto em santidade como em ciência, foi Miguel nomeado inquisidor, cargo este que desempenhou com grande competência. Muitas cidades e regiões inteiras lhe devem terem ficado livres da peste de heresia.

Reconhecendo-lhe o valor e os grandes méritos, o Papa Pio IV conferiu-lhe a dignidade de Bispo e Cardeal da Igreja Católica. O conclave, reunido por ocasião da morte de Pio IV, elevou-o ao pontificado.

Como Papa, desenvolveu Pio V uma atividade admirável, para o bem da Igreja de Deus sobre a terra. Foi um pontificado dos mais abençoados. Exemplaríssimo na vida particular, ardente de zelo pela glória de Deus e a salvação das almas, possuía Pio V as qualidades necessárias de um grande reformador. É impossível resumir em poucas linhas o que este grande Papa fez, pela defesa da verdadeira fé, pela exterminação das heresias e pela reforma dos bons costumes na Igreja toda. Incansável mostrou-se em restabelecer a disciplina eclesiástica, em defender os direitos da Santa Sé, em remover escândalos, erros e heresias, em particular a causa dos oprimidos e necessitados. Cumpridor consciencioso do dever, não se fiava na palavra de outros, quando se tratava do governo de Igreja ou da disciplina. Ele mesmo, em pessoa se informava, queria ver, ouvir para depois formar opinião própria e resolver os casos em questão. De máximo rigor usava contra a imoralidade pública; prostitutas queria ele que fossem enterradas, não no cemitério, mas no esterquilínio. Deu leis severas contra o jogo e proibiu as touradas, como contrárias à piedade cristã. Em 1566 publicou o “Catecismo Romano”, obra importantíssima sobre a doutrina católica. Deve-lhe a Igreja também a organização oficial e definitiva do Breviário e do Missal.

Não só mandou embaixadores a todas as cortes cristãs européias, mas, por sua ordem, muitos homens percorreram a França, os Países Baixos, a Alemanha e a Inglaterra em defesa da fé católica, que seriamente periclitava, principalmente naqueles países.

Infelizmente sua campanha contra Isabel, rainha da Inglaterra, cuja destronização chegou a decretar sem podê-la tornar efetiva, causou muitos sofrimentos e perseguições aos católicas ingleses. A Companhia de Jesus, cuja fundação é contemporânea desse pontificado, achou em Pio V um grande protetor.

Ameaçava grande perigo à Igreja, como à Europa toda, da parte dos turcos, cujo imperador jurara exterminar a religião cristã. Pio V envidou todos os esforços, fez valer toda sua influência junto aos príncipes cristãos para conjurar essa desgraça iminente. Para obter de Deus que abençoasse as armas cristãs, ordenou que se fizessem, em toda a parte da cristandade, preces públicas, particularmente o terço, procissões, penitência. Paralelamente, em 1570,  os otomanos, de notável poderio militar, apoderaram-se do Santo Sepulcro em Jerusalém e não permitiam a visita dos cristãos.  O próprio Papa, em pessoa, tomou parte nesses exercícios extraordinários, impostos pela extrema necessidade. Organizou uma Cruzada, cujo comando entregou a Dom João da Áustria, que era irmão  de Carlos V,  Imperador do Sacro Império Romano. Aconteceu a Batalha Naval no Golfo de Lepanto. A armada turca, com poderio militar que ultrapassava o dobro dos navios dos cruzados, incidiu ferozmente para destruir os cristãos. Os chefes cruzados ajoelharam e suplicaram a intercessão de Nossa Senhora. Por intercessão de Maria Santíssima, foram inspirados pelo Espírito Santo a rezar o Terço como única forma de enfrentar e vencer o inimigo e assim o fizeram. O êxito foi glorioso. A vitória dos cristãos em Lepanto (1571) foi completa. As festas de Nossa Senhora da Vitória e do SS. Rosário perpetuam até hoje a memória daquele célebre fato. No momento em que a batalha se decidia a favor dos cristãos, teve o Papa, por revelação divina, conhecimento da vitória e imediatamente convidou as pessoas presentes a dar graças a Deus. Era seu plano organizar uma nova campanha contra os turcos, mas uma doença dolorosa não lho permitiu pô-la em execução. A doença  era o prenúncio da morte, para a qual Pio se preparou com o maior cuidado. Quando as dores ( causadas por cálculos renais) chegavam ao auge, exclamava o doente: “Senhor ! aumentai a dor e dai-me paciência !”. Mandou que lhe lessem trechos da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor, e continuamente se confortava com a citação de versos bíblicos e jaculatórias, até que a morte lhe pôs termo à vida, tão rica em trabalhos, sofrimentos e glórias. Antes, porém, havia instituído, como agradecimento pela vitória em Lepanto, a festa de Nossa Senhora das Vitórias. (Dois anos mais tarde, o Papa Gregório XIII, seu sucessor, lembrando que a vitória de Lepanto foi mais uma vitória do Rosário, mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário.)

Pio V morreu em 15 de maio de 1572, tendo seu pontificado durado seis anos e três meses. Não há virtude que este grande Papa não tenha exercitado. Todos os dias celebrava ou ouvia a Santa Missa, com o maior recolhimento. Terníssima devoção tinha a Jesus Crucificado. Todas as orações fazia aos pés do Crucificado, os quais inúmeras vezes beijava.

Certa vez que ia beijá-los, conforme o costume, a imagem retirou-se, salvando-o assim de morte certa. Pessoa má tinha-os coberto de um pó levíssimo e venenoso. Numa quinta-feira Santa, quando realizava a cerimônia do “Mandatum”, entre os doze pobres havia um, cujos pés apresentavam uma úlcera asquerosa. Pio, reprimindo uma natural repugnância, beijou a ferida com muita ternura. Um fidalgo inglês, que viu este ato, ficou tão comovido, que, no mesmo dia, se converteu à Igreja Católica.

Pio era tão amigo da oração, que os turcos afirmaram ter mais medo da oração do Papa, do que dos exércitos de todos os príncipes unidos. À oração unia rigor contra si mesmo: a vida era-lhe de penitência contínua. ‘Três vezes somente por semana comia carne e ainda assim em quantidade diminutíssima.

Grande amor mostrava aos pobres e doentes. Entre os pobres, gozavam de preferência os neófitos. Pouco aproveitavam os parentes. Quando, em certa ocasião, alguém lhe lembrou de subvencionar mais os parentes, Pio respondeu: “Deus fez-me Papa para cuidar da Igreja e não de meus parentes”.

Seguindo o exemplo do divino Mestre, perdoava de boa vontade aos inimigos e ofensores. Nunca se lhe ouviu da boca uma palavra áspera.

Pio empregava bem o tempo. Era amigo do trabalho e todo o tempo que sobrava da oração, pertencia às ocupações do alto cargo. Alguém lhe aconselhara que poupasse mais a saúde, e tomasse mais descanso. Pio respondeu-lhe: “Deus deu-me este cargo, não para que vivesse segundo a minha comodidade, mas para que trabalhasse para o bem dos meus súditos. Quem é governador da Igreja, deve atender mais às exigências da consciência que às do corpo”.

Pio V foi canonizado por Clemente XI. O corpo descansa na Igreja de Santa Maria Maggiore.

Discurso de Bento XVI a bispos de países africanos

Fonte: Canção Nova

Queridos Irmãos Bispos,

tenho o prazer de receber-vos, os Bispos da Libéria, Gâmbia e Serra Leoa, em vossa visita ad Limina aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo. Sou grato pelos sentimentos de comunhão e afeição expressos pelo Bispo Koroma em vosso nome, e peço-vos que transmitais a minha cordial saudação e encorajamento ao vosso amado povo, para que se esforce para levar uma vida digna de sua vocação (cf. Ef 4, 1).

A Segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos foi uma rica experiência de comunhão e uma ocasião providencial para renovar vosso próprio ministério episcopal e refletir sobre sua função essencial, nominalmente, “ajudar o Povo de Deus a prestar à palavra da Revelação a obediência da fé e a abraçar integralmente a doutrina de Cristo” (Pastores Gregis, 31). Tenho o prazer de perceber, a partir de vossos relatórios quinquenais que, enquanto dedicados à administração de vossas Dioceses, vós pessoalmente vos esforçais para pregar o Evangelho através das Confirmações, visitas às paróquias, quando vos reunis com grupos de sacerdotes, religiosos ou leigos e em vossas cartas pastorais. Através de vosso ensinamento, o Senhor preserva o seu povo do mal, ignorância e superstição, e o transforma em filhos de seu Reino. Esforçai-vos para construir comunidades vibrantes e expansivas de homens e mulheres fortes na fé, contemplativos e alegres na liturgia, e bem instruídos sobre “como viver da maneira que agrada a Deus” (1 Ts 4, 1). Em um ambiente marcado pelo divórcio e poligamia, promovei a unidade e o bem-estar da família Cristã, construída sobre o sacramento do matrimônio. Iniciativas e associações dedicadas à santificação dessa comunidade de base merecem o vosso pleno apoio. Continuai a defender a dignidade das mulheres no contexto dos direitos humanos e defendei vosso povo contra as tentativas de introduzir uma mentalidade antinatalista disfarçada como uma forma de progresso cultural (cf. Caritas in Veritate, 28). Vossa missão também requer que deis atenção para o adequado discernimento e preparação de vocações e à formação permanente dos sacerdotes, que são vossos mais estreitos colaboradores na tarefa da evangelização. Continuai a conduzi-los pela palavra e pelo exemplo de serem homens de oração, sólidos e claros em vosso ensinamento, maduros e respeitosos em vosso relacionamento com os outros, fiéis aos vosso compromissos espirituais e fortes na compaixão para com todos os necessitados. Da mesma forma, não hesitai em convidar missionários de outros países para auxiliar no bom trabalho que tem sido feito por vosso clero, religiosos e catequistas.

Em vossos países, a Igreja é tida em alta consideração por sua contribuição pelo bem da sociedade, especialmente na educação, desenvolvimento e assistência à saúde, oferecidos a todos sem distinção. Esse tributo fala bem da vitalidade de vossa caridade cristã, aquele legado divino dado à Igreja universal por seu fundador (cf. Caritas in Veritate, 27). Agradeço, de forma especial, a assistência que ofereceis aos refugiados e imigrantes, e exorto-vos a procurar, quando possível, a cooperação pastoral de vosso países de origem. A luta contra a pobreza deve ser realizada com respeito pela dignidade de todos os envolvidos, encorajando-os a serem protagonistas do próprio desenvolvimento integral. Muito bem pode ser feito através de compromissos comunitários em pequena escala e iniciativas microeconômicas ao serviço das famílias. No desenvolvimento e manutenção de tais estratégias, melhorar a educação será sempre um fator decisivo. Assim, encorajo-vos a continuar a providenciar programas escolares que preparem e motivem as novas gerações a se tornarem cidadãs responsáveis, socialmente ativas para o bem de suas comunidades e país. Vós corretamente incentivais as pessoas em posições de autoridade a liderar a luta contra a corrupção, chamando a atenção para a gravidade e a injustiça de tais pecados. Neste contexto, a formação espiritual e moral dos leigos, homens e mulheres, para a liderança, através de cursos de especialização na Doutrina Social da Igreja, é um importante contributo para o bem comum.

Felicito-vos por vossa atenção ao grande dom que é a paz. Rezo para que o processo de reconciliação, na justiça e verdade, que vós tendes corretamente apoiado na região, possa produzir respeito duradouro por todos os direitos humanos dados por Deus e neutralizar as tendências à retaliação e vingança. Em vosso serviço à paz, continuai a promover o diálogo com outras religiões, especialmente com o Islã, de modo a sustentar as boas relações existentes e evitar qualquer forma de intolerância, injustiça ou opressão, prejudicial à promoção da confiança mútua. Trabalhando juntos na defesa da vida e na luta contra as doenças e a desnutrição, não deixareis de construir o entendimento, respeito e aceitação. Acima de tudo, um clima de diálogo e comunhão deve caracterizar a Igreja local. Por vosso próprio exemplo, levai os vossos sacerdotes, religiosos e fiéis leigos a crescer em entendimento e cooperação, ao ouvir um ao outro e na partilha de iniciativas. A Igreja, como sinal e instrumento da única família de Deus, deve dar testemunho claro do amor de Jesus, nosso Senhor e Salvador, que se estende para além das fronteiras étnicas e abraça todos os homens e mulheres.

Queridos Irmãos Bispos, sei que vós encontrais inspiração e encorajamento nas palavras de Cristo ressuscitado aos Apóstolos: “A paz esteja convosco. Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós” (Jo 20, 21). Em vosso regresso ao lar, continuai vossa missão como sucessores dos Apóstolos; por favor, transmitais meus afetuosos e sinceros bons votos, cheios de oração, aos vossos sacerdotes, religiosos, catequistas e todo o vosso amado povo. Para cada um de vós e àqueles confiados aos vossos cuidados pastorais, concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica.

Abraça Jesus crucificado, amante e amado

“Querida irmã em Jesus. Eu, Catarina, serva dos servos de Jesus, escrevo-te no seu precioso sangue, desejosa que te alimentes do amor de Deus e que dele te nutras, como do seio de uma doce mãe. Ninguém, de facto, pode viver sem este leite!

Quem possui o amor de Deus, nele encontra tanta alegria que cada amargura se transforma em doçura e cada grande peso se torna leve. E isto não nos deve surpreender porque, vivendo na caridade, vive-se em Deus:

“Deus é amor; quem permanece no amor habita em Deus e Deus habita nele”.

Vivendo em Deus, por conseguinte, não se pode ter amargura alguma porque Deus é delícia, doçura e alegria infinita!

É esta a razão pela qual os amigos de Deus são sempre felizes! Mesmo se doentes, necessitados, aflitos, atribulados, perseguidos, nós estamos alegres.

Mesmo quando todas as línguas caluniosas nos metessem em má luz, não nos preocuparemos, mas nos alegraremos com tudo porque vivemos em Deus, nosso repouso, e saboreamos o leite do seu amor. Como a criança suga o leite do seio da mãe assim nós, inamorados de Deus, atingimos o amor de Jesus Crucificado, seguindo sempre as suas pegadas e caminhando com ele pelo caminho das humilhações, das penas e das injúrias.

Não procuramos a alegria se não em Jesus e fugimos de toda a glória que não seja aquela da cruz.

Abraça, portanto, Jesus Crucificado elevando a ele o olhar do teu desejo! Toma em consideração o seu amor ardente por ti, que levou Jesus a derramar sangue de todas as partes do seu corpo!

Abraça Jesus Crucificado, amante e amado e nele encontrarás a verdadeira vida, porque ele é Deus que se fez homem. Que o teu coração e a tua alma ardam pelo fogo do amor do qual foi coberto Jesus cravado na cruz!

Tu deves, portanto, tornar-te amor, olhando para o amor de Deus, que tanto te amou, não porque te devesse obrigação alguma, mas por um puro dom, impelido somente pelo seu inefável amor.

Não terás outro desejo para além daquele de seguir Jesus! E, como que inebriada do Amor, não farás caso se te encontras só ou acompanhada: não te preocuparás com tantas coisas mas somente de encontrar Jesus e segui-lo!

Corre, Bartolomea, e não estejas a dormir, porque o tempo corre e não espera nem um momento!

Permanece no doce amor de Deus.

Doce Jesus, amor Jesus.”

Das “Cartas” de Santa Catarina de Sena, Virgem e Doutora da Igreja (1347-1380) (carta n.165 a Bartolomea, esposa de Salviato da Lucca)

Oração

Oh inestimável Amor! Tu nos iluminas com a tua sabedoria para que nos possamos conhecer a nós mesmos, conhecer a tua verdade e os enganos subtís do demónio.

Com o fogo do teu amor acendes os nossos corações com o desejo de te amar e de te seguir na verdade.

Só tu és o Amor, somente digno de ser amado! (de Santa Catarina de Sena)

Postado em Sem categoria | Marcado

Catequese de Bento XVI sobre dois santos sacerdotes

Fonte: Canção Nova

Queridos irmãos e irmãs,

estamos caminhando rumo à conclusão do Ano Sacerdotal e, nesta última quarta-feira de abril, desejo falar de dois santos Sacerdotes exemplares na própria doação a Deus e no testemunho de caridade, vivido na Igreja e pela Igreja, pelos irmãos mais necessitados: São Leonardo Murialdo e São   José Benedito Cottolengo. Do primeiro recordamos os 110 anos da morte e 40 anos da canonização; do segundo, começaram as celebrações pelo 2º centenário de Ordenação sacerdotal.

Murialdo nasceu em Turim, em 26 de outubro de 1828: é a Turim de São João Bosco, do próprio São José Benedito Cottolengo, terra fecundada por tantos exemplos de santidade de fiéis leigos e sacerdotes. Leonardo é o oitavo filho de uma família simples. Ainda criança, juntamente com seu irmão, entrou no colégio dos Padres Escolápios de Savona para o curso elementar, a escola média e o curso superior; ali encontraram educadores preparados, em um clima de religiosidade fundado sobre uma séria catequese, com práticas de piedade regulares. Durante a adolescência viveu, no entanto, uma profunda crise existencial e espiritual, que o levou a antecipar o retorno à família e a concluir os estudos em Turim, inscrevendo-se no biênio de Filosofia. O “retorno à luz” aconteceu – como ele conta – depois de alguns meses, com a graça de uma confissão geral, na qual redescobriu a imensa misericórdia de Deus; amadureceu, então, aos 17 anos, a decisão de se tornar sacerdote, como resposta de amor a Deus que o havia aferrado com seu amor. Ele foi ordenado em 20 de setembro de 1851. Exatamente nesse período, como catequista do Oratório do Anjo da Guarda, foi conhecido e apreciado por Dom Bosco, que o convenceu a aceitar a direção do novo Oratório de São Luís em Porta Nuova, cargo que ocupou até 1865. Ali, teve contato também com os graves problemas dos mais pobres, visitou as suas casas, desenvolvendo uma profunda sensibilidade social, educacional e apostólica, que o levou, em seguida, a dedicar-se a autonomamente a múltiplas iniciativas em favor da juventude. Catequese, escola, atividades recreativas foram os fundamentos de seu método educativo no Oratório. Sempre Dom Bosco o quis consigo em ocasião das Audiências concedidas pelo Beato Pio IX, em 1858.

Em 1873, fundou a Congregação de São José, cujo fim apostólico era, desde o início, a formação da juventude, especialmente aquela mais pobre e abandonada. O ambiente de Turim daquele tempo era marcado pelo intenso surgimento de obras e atividades caritativas promovidas por Murialdo até sua morte, em 30 de março de 1900.

Apraz-me sublinhar que o núcleo central da espiritualidade de Murialdo é a convicção do amor misericordioso de Deus; um Pai sempre bom, paciente e generoso, que revela a grandeza e a imensidão da sua misericórdia através do perdão. Essa realidade São Leonardo a experimentou em nível não intelectual, mas existencial, mediante o encontro vivo com o Senhor. Ele sempre se considerou um homem agraciado por Deus misericordioso: por isso, viveu o sentido alegre da gratidão ao Senhor, a serena consciência do próprio limite, o desejo ardente de penitência, o empenho constante e generoso de conversão. Ele via toda a sua existência não apenas iluminada, guiada, apoiada por esse amor, mas continuamente imersa na infinita misericórdia de Deus. Escreve em seu Testamento espiritual: “A tua misericórdia me envolve, ó Senhor … Como Deus está sempre em toda a parte, assim está sempre em toda a parte o amor, está sempre em toda a parte a misericórdia”. Recordando o momento de crise que teve na juventude, observou: “Eis que o bom Deus desejava fazer resplandecer ainda a sua bondade e generosidade de um modo todo singular. Ele não apenas me admitiu novamente em sua amizade, mas chamou-me a uma escolha de predileção: chamou-me ao sacerdócio, e isso apenas alguns meses após meu retorno a ele”. São Leonardo viveu, por isso, a vocação sacerdotal como dom gratuito da misericórdia de Deus com sentimento de gratidão, alegria e amor. Escreveu ainda: “Deus me escolheu! Ele me chamou, eu fui mesmo forçado à honra, à glória, à felicidade inefável de ser seu ministro, de ser ‘um outro Cristo’ … E onde estava eu quando me procurou, meu Deus? No fundo do abismo! Eu estava lá, e Deus lá veio me procurar; lá Ele fez-me entender sua voz ….”.

Sublinhando a grandeza da missão do sacerdote, que deve “continuar a obra da redenção, a grande obra de Jesus Cristo, a obra do Salvador do mundo”, isto é, aquele de “salvar almas”, São Leonardo recordava sempre a si mesmo e aos irmãos a responsabilidade de uma vida coerente com o sacramento recebido. Amor de Deus e amor a Deus: foi essa a força de seu caminho de santidade, a lei de seu sacerdócio, o significado mais profundo do seu apostolado entre os jovens pobres e a fonte da sua oração. São Leonardo Murialdo abandonou-se com confiança à Providência, cumprindo generosamente a vontade divina, no contato com Deus e na dedicação aos jovens pobres. Desta forma, uniu o silêncio contemplativo com o ardor inestancável, a fidelidade aos deveres de cada dia com a genialidade das iniciativas, a força nas dificuldades com a serenidade do espírito. Essa é a sua estrada de santidade para viver o mandamento do amor, a Deus e ao próximo.

Com o mesmo espírito de caridade viveu, quarenta anos antes de Murialdo, São  José Benedito Cottolengo, fundador da obra por ele próprio chamada de “Pequena Casa da Divina Providência” e chamada hoje também de “Cottolengo”. No próximo domingo, na minha Visita pastoral a Turim, terei a oportunidade de venerar as relíquias desse santo e encontrar os hóspedes da “Pequena Casa”.

José Benedito Cottolengo nasceu em Bra, cidade na província de Cuneo, em 3 de maio de 1786. Primogênito de 12 filhos, dos quais seis morreram na infância, mostrou desde a infância grande sensibilidade para com os pobres. Abraçou a via do sacerdócio, imitado também por dois irmãos. Os anos de sua juventude foram aquelas da aventura napoleônica e das consequentes perturbações no campo religioso e social. Cottolengo tornou-se um bom padre, procurado por muitos penitentes e, na Turim daquele tempo, pregador de retiros e conferências a estudantes universitários, onde alcançava sempre um notável sucesso. Na idade de 32 anos, foi nomeado cônego da Santíssima Trindade, uma congregação de sacerdotes que tinha a tarefa de oficiar na Igreja de Corpus Domini e de dar decoro às cerimônias religiosas da cidade, mas ele sentia-se inquieto naquela sistematização. Deus o estava preparando para uma missão particular, e, através de um encontro inesperado e decisivo, lhe fez compreender qual seria o seu futuro destino no exercício do ministério.

O Senhor coloca sempre sinais em nosso caminho para guiar-nos, segundo a Sua vontade, ao nosso verdadeiro bem. Para Cottolengo, isso aconteceu, de modo dramático, na manhã de domingo, 2 setembro de 1827. Proveniente de Milão, chega a Turim uma diligência, lotada como nunca antes vista, que se encontrava abarrotada por toda uma família francesa em que a mulher, com cinco filhos, estava em estado de gravidez avançada e com febre alta. Após perambular por vários hospitais, aquela família encontrou alojamento num dormitório público, mas a situação da mulher agravou-se e alguns foram em busca de um padre. Por um misterioso projeto, cruzaram-se com Cottolengo, e foi exatamente ele, com o coração pesado e oprimido, a acompanhar à morte essa jovem mãe, bem como a agonia de toda a família. Após ter realizado essa tarefa dolorosa, com dor em seu coração, colocou-se diante do Santíssimo Sacramento e orou: “Meu Deus, por quê? Por que me quis como testemunha? O que quer de mim? Necessito fazer alguma coisa!” Levantando-se, fez soar todos os sinos, acender as velas, e acolhendo os curiosos na igreja disse: “A graça aconteceu! A graça aconteceu!”. A partir daquele momento, Cottolengo foi transformado: todas as suas capacidades, especialmente a sua habilidade econômica e organizacional, foram utilizadas para dar vida a iniciativas de sustento aos mais necessitados.

Ele soube envolver em sua missão dezenas e dezenas de colaboradores e voluntários. Movendo-se rumo à periferia de Turim para expandir o seu trabalho, criou uma espécie de vila, em que a cada edifício que pôde construir atribuiu um nome significativo: “casa da fé”, “casa da esperança”, “casa da caridade”. Colocava em prática o estilo das “famílias”, constituindo verdadeiras e próprias comunidades de pessoas, voluntários e voluntárias, homens e mulheres, religiosos e leigos, unidos para afrontar e superar em conjunto as dificuldades que se apresentavam. Todos naquela Pequena Casa da Divina Providência tinham uma tarefa específica: quem trabalhava, quem rezava, quem servia, quem instruía, quem administrava. Sãos e doentes compartilhavam todos o mesmo peso do cotidiano. Também a vida religiosa especificou-se no tempo, de acordo com as necessidades e exigências particulares. Pensou também em um próprio seminário, para a formação específica dos sacerdotes da Obra. Esteve sempre pronto a seguir e servir a Divina Providência, nunca questioná-la. Dizia: “Sou um covarde e nem sequer sei o que estou fazendo. A Divina Providência, no entanto, sabe certamente o que deseja. A mim, cabe somente concordar. Avanti in Domino”. Para os seus pobres e necessitados, definia-se sempre como “o trabalhador da Divina Providência”.

Além das pequenas cidadezinhas, desejou fundar também cinco mosteiros de irmãs contemplativas e um de eremitas, e lhes considerou entre as realizações mais importantes: uma espécie de “coração” que devia bater para toda a Obra. Morreu em 30 de abril de 1842, pronunciando estas palavras: “Misericórdia, Senhor; Misericórdia, Senhor. Boa e Santa Providência … Virgem Santa, agora cabe a Vós”. A sua vida, como escreveu um jornal da época, foi toda “uma intensa jornada de amor”.

Queridos amigos, esses dois santos Sacerdotes, dos quais apresentei alguns traços, viveram o próprio ministério no dom total da vida aos mais pobres, aos mais necessitados, aos últimos, encontrando sempre as raízes profundas, a fonte inesgotável da própria ação no relacionamento com Deus, atraídos por seu amor, na profunda convicção de que não é possível exercitar a caridade sem viver em Cristo a na Igreja. A sua intercessão e seu exemplo continuam a iluminar o ministério de muitos sacerdotes que se gastam generosamente por Deus e pelo rebanho a eles confiado, e ajudam cada um a doar-se com alegria e generosidade a Deus e ao próximo.

O genocídio comunista e a Inquisição

Milhões de pessoas foram mortas por regimes comunistas no século XX. Só pra lembrar alguns exemplos, podemos falar do genocídio de Holodomor na Ucrânia e também do extermínio em massa em Camboja, liderado pelo secretário-geral do Partido Comunista, Pol Pot, que matou mais de 1 milhão de pessoas. Isso se não mencionarmos os nomes de ditadores genocidas como Mao Tsé-Tung, Josef Stalin ou Adolf Hitler. Estima-se que, juntos, os três tenham matado aproximadamente 100 milhões de pessoas.

http://www.historyplace.com/worldhistory/genocide/mass-grave.jpg

Os críticos do socialismo não tinham somente motivos ideológicos para criticá-lo. O sistema político foi duramente criticado por teóricos do século XX também por apresentar propostas totalitárias totalmente opostas à correta aplicação dos direitos humanos. O Papa Pio XI, na encíclica Divini Redemptoris, deplorou os crimes perpetrados pela ideologia socialista no mundo: “Bispos e sacerdotes foram desterrados, condenados a trabalhos forçados, fuzilados, ou trucidados de modo desumano; simples leigos, tornados suspeitos por terem defendido a religião, foram vexados, tratados como inimigos, e arrastados aos tribunais e às prisões” (n. 19).

Quando me perguntaram por que eu não simpatizava com o comunismo, expliquei que não podia concordar com tantas atrocidades cometidas por esse sistema político. A resposta foi imediata: “Se és anticomunista porque o comunismo matou pessoas, então por que és católico, se a Igreja Católica assassinou ainda mais pessoas?”

A pergunta faz sentido. Para aqueles que têm uma mentalidade formada pelo anticlericalismo comum a grande parte de nossos professores de História e pelo ódio que a mídia fomenta contra a obra católica, a dúvida faz muito sentido.

Vamos, primeiramente, analisar a pergunta do sujeito. Ele afirma que a Igreja Católica assassinou “ainda” mais pessoas que o comunismo. Mas, será que essa afirmação é verdadeira? Transitemos pelo fato histórico que hoje é comentado pelo mundo moderno como símbolo da intolerância e da “crueldade” da Igreja: a Inquisição. Historiadores modernos sérios têm investigado o assunto e concluído que a caracterização desse tribunal eclesiástico como uma instituição perversa e sanguinária não passa de lenda inventada pelos filósofos iluministas para derrubar a força da Igreja Católica. Em verdade, o número de mortes por execução em fogueiras é bem menor do que é anunciado nas nossas salas de aula e o uso de tortura não era tão frequente como se pensa. (Não duvidamos de que houve, sim, abusos, cometidos por alguns inquisidores, mas, esses abusos não representam a totalidade do pensamento cristão e nem podem ser chamados de verdadeiro testemunho do que foi a Inquisição)

Além disso, é preciso sempre analisar um texto em seu contexto. A Inquisição se deu durante a Idade Média. A mentalidade popular estava totalmente moldada pelo pensamento religioso e a ligação entre o Estado civil e a Igreja era fortíssima. Encontramos na doutrina de São Tomás de Aquino alguns ensinamentos importantes para compreendermos esse assunto. P. ex., na Suma Teológica (II-II, questão 11, art. 3), lemos: “É muito mais grave corromper a fé, que é a vida da alma, do que falsificar a moeda, que é o meio de prover à vida temporal”. Ora, continua S. Tomás, “se (…) os falsificadores de moedas e outros malfeitores são (…) condenados à morte pelos príncipes seculares, com muito mais razão os hereges, desde que sejam comprovados tais, podem não somente ser excomungados, mas também em toda justiça ser condenados à morte”.

A filosofia corrente nessa época da história nos permite inferir que a instituição de pena de morte para crimes de heresia não era considerada violenta como o é hoje. É porque, infelizmente, muitos deturpam a realidade histórica e tiram a Inquisição do seu contexto. Inclusive, foi nessa linha que se pronunciou João Paulo II aos cientistas participantes no simpósio sobre esse tema: “O Magistério eclesial não pode, certamente, propor-se a realizar um ato de natureza ética, como é o pedido de perdão, sem antes ter-se informado com exatidão acerca da situação daquele tempo”.

E qual é a situação daquele tempo? Olhemos para a justiça civil da Idade Média e início da Idade Moderna. Temos um precário sistema de investigação para crimes e frágeis sistemas de reabilitação para criminosos. A pena de morte era como que a única alternativa encontrada pelo Estado naquele tempo para executar punições. E isso, por acaso, contradiz os mandamentos da lei de Deus? Não está escrito “Não matarás” na Bíblia Sagrada? Será que podemos falar de contexto em um tempo onde a Igreja, ciente desse mandamento da lei de Deus, mesmo assim, o usava entregar os hereges obstinados ao braço secular para que fossem executados?

A Sagrada Escritura verdadeiramente tem essa lei. Mas, ao mesmo tempo, a lei de Moisés, que foi aperfeiçoada pela lei de Nosso Senhor Jesus Cristo, prescrevia pena de morte para pecados como adultério, homossexualismo e homicídio. Entende-se, então, que Deus está fazendo referência, ao afirmar que não devemos matar, a pessoas inocentes. Em todo o tempo matar inocentes e justos é um pecado que clama aos Céus. No entanto, ao falarmos de criminosos, precisamos diferenciar tempos. Há leis eternas e leis temporais. Eternas são aquelas que são válidas para todos os povos, em todos os tempos; temporais são válidas somente para um determinado período da história. Ora, ninguém duvida que a pena de morte é uma lei temporal, pois o homem nem sempre gozou de métodos eficientes de restituição social para infratores durante a história.

É, mas e o contexto do século XX? Será que ele nos permite dizer que os crimes do socialismo na verdade não são tão cruéis e perversos como se diz hoje? Sim, por que se o argumento do contexto é válido para analisarmos a Inquisição, certamente também é válido para analisarmos o genocídio comunista no último século.

Durante o tempo da Inquisição, havia uma geral aceitação do rigor. Durante a prosperidade dos regimes comunistas, no entanto, houve sempre muitos protestos contra os crimes perpetrados em nome da revolução, seja por líderes de direita seja por representantes da ala esquerdista. Durante o tempo da Inquisição, os hereges eram condenados ou inocentados após uma criteriosa investigação; se comprovados que eles verdadeiramente se obstinavam em defender um modo de vida muitas vezes ameaçador à própria sociedade cristã daquele tempo, eram entregues ao braço secular e, por fim, executados; isso quando não eram liberados pelo Tribunal com brandas penitências. Durante a perseguição do socialismo alemão aos judeus, eram mortos sem piedade judeus, negros e deficientes, em nome da supremacia da raça ariana. Durante a tentativa dos socialistas em consolidarem a “sociedade sem classes”, eram eliminados todos aqueles que eram considerados empecilhos para a concretização dos ideais socialistas. E aqui está o problema: as pessoas que eram mortas pelos regimes revolucionários eram assassinadas em nome de um futuro hipotético. Valia tudo para concretizar os ideais comunistas… Crimes definitivamente indefensáveis.

Mas, por que eles ocorreram? Há muitos motivos, mas um deles está relacionado com a ausência de moralidade presente no pensamento socialista. O comunismo nega a existência de Deus, nega a importância da religião. É essencialmente materialista. O brado de Dostoievski é particularmente importante para compreendermos os crimes perpetrados em nome do ateísmo no século XX, que, diga-se de passagem, ocorreram em um número bem mais assombroso e assustador do que o real número de “crimes cometidos em nome da religião”. Ele dizia que, se Deus não existe, então tudo é permitido. A afirmação faz sentido na medida em que explica a importância da lei cristã para a formação da moralidade tradicional. A fé em Deus põe limites às paixões do homem.

Os ataques que muitos ateus promovem hoje à religião podem parecer desencorajadores. No entanto, mais desencorajadoras que as críticas são as atitudes daqueles que querem condenar a religião, mas acabam por não olhar para a história sangrenta e desumana do comunismo ateu durante o século passado.

Jason Evert: O que é a castidade?

“A castidade só pode ser pensada em associação com a virtude do amor”. A frase é do Papa João Paulo II e é a base dessa conversa de Jason Evert com os jovens. No vídeo ele explica o engano da mentalidade de que seria preciso ter uma experiência sexual antes do casamento para que ele possa ser bem vivido. Não deixem de assistir. Boa interação!

Jesus recebe os pecadores – pe. Hurtado, S. J.

Fonte: Fundación Padre Hurtado

Santo Alberto Hurtado

Meditação de retiro sobre a misericórdia de Jesus.

http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/danielleoliveira.spaceblog.com.br/images/gd/1263749576/Tu-es-meu-tudo.jpg“Este recebe os pecadores!”, era a acusação que lançavam contra Jesus Cristo, hipocritamente escandalizados, os fariseus (Lc 15, 2). “Este recebe os pecadores!”. E é verdade! Essas palavras são como o distintivo exclusivo de Jesus Cristo. Aí podem escrever-se sobre essa cruz, na porta desse Sacrário!

Distintivo exclusivo, porque se não é Jesus Cristo, quem recebe misericordiosamente os pecadores? Por acaso o mundo?… O mundo?… por Deus!, se se nos assomara diante toda a lepra moral de injustiças que quiçá ocultamos nas dobras da consciência, o que faria o mundo senão fugir de nós gritando escandalizado: Fora o leproso!? Rechaçar-nos brutalmente, dizendo-nos, como o fariseu, afasta-te que manchas com o teu contato!

O mundo faz pecadores os homens, mas logo que os faz pecadores, condena-os, injuria-os, e acrescenta à lama dos seus pecados a lama do desprezo. Lama sobre lama é o mundo: o mundo não recebe os pecadores. Somente Jesus Cristo recebe os pecadores.

São João Crisóstomo: Meu Deus, tem misericórdia de mim! Misericórdia pedes? Pois não temas! Onde há misericórdia não há investigações judiciais sobre a culpa, nem aparato de tribunais, nem necessidade de alegar raciocinadas escusas. Grande é a tormenta dos meus pecados, meu Deus! Mas, maior é a bonança da tua misericórdia!

Jesus Cristo, logo que apareceu no mundo, a quem chama? Os magos! E depois dos magos? Ao publicano! E depois do publicano a prostituta. E depois da prostituta? O salteador! E depois do salteador? O perseguidor ímpio.

Vives como um infiel? Infiéis eram os magos. És usurário? Usurário era o publicano. És impuro? Impura era a prostituta. És homicida? Homicida era o salteador. És ímpio? Ímpio era Paulo, porque primeiro foi blasfemo e logo apóstolo; primeiro perseguidor, logo evangelista… Não me digas: “sou blasfemo, sou sacrílego, sou impuro”. Pois, não tens exemplo de todos os pecados perdoados por Deus?

Pecaste? Faz penitência. Pecaste mil vezes? Faz penitência mil vezes. Ao teu lado colocar-se-á Satanás para despertar-te. Não o sigas, recorda antes estas quatro palavras: “Jesus recebe os pecadores”, palavras que são um grito inefável do amor, uma efusão inesgotável de misericórdia, e uma promessa inquebrantável de perdão.

Ser ovelhas do verdadeiro Pastor

Neste domingo a Igreja celebra o Domingo do Bom Pastor e o dia mundial de oração pelas vocações.

O Evangelho, apesar de curto, carrega em sí uma característica muito importante e bela. Analisando o seu profundo contexto poderemos notar as sábias palavras de Jesus. “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão” (Jo 10, 27-28).

Jesus se manifesta como o Bom Pastor. Um pastor capaz de dar a vida por seu rebanho. Ora, na verdade, no mundo de hoje está difícil ouvir a voz de Jesus. Quando tantas vozes julgam indicar o caminho correto, o caminho mais prazeroso? Como reconhecer a voz do Senhor?

Certamente se seguimos a Igreja e a ela ouvimos, com certeza não estaremos desviando-nos do verdadeiro caminho. Poderemos ainda encontrar a resposta à esta nossa dúvida na segunda leitura, um dos textos que mais gosto. “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro… Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos” (Ap 7, 14b. 17).

Não temos dúvidas que estes que estão diante do trono e que estão com tamanha alvura em suas vestes, são os mártires, além de trazerem palmas na mão (cf. 9), símbolo do martírio, vinham da tribulação. Estes seguiram o caminho do bom pastor, estes ouviram a voz de Cristo. Ele não temeram em suportar as tamanhas dores para estarem com Cristo.

Tertuliano já dizia: “O Sangue dos mártires é semente de novos Cristãos”.

Certamente muitos de nós hoje tememos as “dores” que o mundo pode causar por estarmos com Cristo. Mas não existe nenhuma dor maior do que estar longe de Cristo. Aquele que está afastado do Senhor está privado da esperança e da certeza da vida eterna.

O mundo deseja que sejamos do jeito que ele quer. Nós estamos no mundo, mas não somos do mundo. Viemos de Deus e para Ele voltaremos. Constantemente o mundo causa-nos tribulações e nós somos chamados a não deixarmos de testemunhar. Mais como reposta a ele, recordo as memoráveis palavras de São Paulo: “Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados” (2Cor 4,8-9).

Isto porque aquele que está com Cristo pode passar por tribulações, mas nunca será vencido.

“Eu sou o Bom Pastor”, disse Jesus. Hoje em dias sentimos na nossa Igreja, em alguns locais, falta de padres e bispos que assumem sua missão como Jesus assumiu a dEle. Jesus, em hipótese alguma renunciou a sua missão para satisfazer a sua vontade. Não! Ele foi até a cruz, padeceu pela nossa salvação, mas jamais renunciou a vontade do Seu Pai. Os padres e bispos são pastores do povo, não produto de um mercado consumista e cheio de ideologias políticas.

Neste domingo de oração pelas vocações temos como tema “O testemunho suscita vocações”.

De modo particular devo dizer que com dois anos de idade decidi ser padre. Não tinha um conhecimento verdadeiro sobre essa vocação, mas creio que em mim realiza-se as palavras que o Senhor dirigiu a Jeremias: Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações” (Jr 1, 5).

De modo particular, neste Ano Sacerdotal, os padres são chamados a darem testemunho e a serem modelos de vida para que, de tal forma, possa suscitar vocações na Igreja. E não somente os padres, como também os religiosos e religiosas.

Encerro com as sábias palavras do nosso Santo Padre Bento XVI, na sua Mensagem para o 47º dia mundial de oração pelas vocações:

Apraz-me recordar o que escreveu o meu venerado predecessor João Paulo II: «A própria vida dos padres, a sua dedicação incondicional ao rebanho de Deus, o seu testemunho de amoroso serviço ao Senhor e à sua Igreja – testemunho assinalado pela opção da cruz acolhida na esperança e na alegria pascal –, a sua concórdia fraterna e o seu zelo pela evangelização do mundo são o primeiro e mais persuasivo factor de fecundidade vocacional» (Pastores dabo vobis, 41). Poder-se-ia afirmar que as vocações sacerdotais nascem do contacto com os sacerdotes, como se fossem uma espécie de património precioso comunicado com a palavra, o exemplo e a existência inteira.

Isto aplica-se também à vida consagrada. A própria existência dos religiosos e religiosas fala do amor de Cristo, quando O seguem com plena fidelidade ao Evangelho e assumem com alegria os seus critérios de discernimento e conduta. Tornam-se «sinais de contradição» para o mundo, cuja lógica frequentemente é inspirada pelo materialismo, o egoísmo e o individualismo. A sua fidelidade e a força do seu testemunho, porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar no ânimo de muitos jovens o desejo de, por sua vez, seguirem Cristo para sempre, de modo generoso e total. Imitar Cristo casto, pobre e obediente e identificar-se com Ele: eis o ideal da vida consagrada, testemunho do primado absoluto de Deus na vida e na história dos homens.

À Virgem Maria pedimos que suscite santas vocações para a Igreja.

Jesus, o pão vivo que desceu do céu

http://www.arquidiocesedebrasilia.org.br/imagens/vidaeterna.jpgQuem participou da Santa Missa essa semana presenciou um amável debate travado entre Nosso Senhor Jesus Cristo e alguns de seus discípulos. O discurso de Jesus é memorável: fala sobre o Pão da vida. Na ocasião as palavras de Cristo foram motivo de escândalo e, a partir daquele momento, “muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele” (Jo 6, 66).

Mas, o que disse Jesus de tão importante nesse momento, que fez com que tantos discípulos seus se afastassem? “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6, 51). Jesus estava fazendo alusão ao sacrifício que ia padecer: o Sacrifício da Cruz. Naquele momento, Ele estava próximo de beber do cálice que o Pai havia lhe preparado. Pela sua paixão e morte, escrevem os apóstolos de Nosso Senhor, fomos redimidos, fomos salvos.

Esse sacrifício que há quase dois mil anos atrás se deu no Calvário se realiza todos os dias em nossas igrejas. Às vezes buscamos felicidade em lugares tão distantes, tão afastados e, às vezes, tão imundos… Buscamos nas coisas do mundo aquilo que só Deus pode nos dar. Ele fala! Muitos católicos vão pouquíssimas vezes à igreja no ano; outros vão todos os domingos… Nas festas, a presença é mais constante do que na igreja. A impressão é de que a festa traga mais felicidade. E é verdade? De fato, pura ilusão, pois, por mais opções que o mundo possa lhe oferecer, todas elas são passageiras. Só aquilo que está solidificado em Deus permanece. E, afinal, do que vale uma felicidade que não permanece? Do que vale um coração instável, que facilmente se alegra com os prazeres da carne mas facilmente se entristece quando lhe falta esse prazer?

Nas nossas igrejas o sacrifício da Cruz acontece. É certo que em alguns lugares, por problemas de falta de sacerdotes, o povo dificilmente tem acesso à Eucaristia; a busca pela felicidade em outras fontes é cada vez mais constante. Mas, quando esse encontro acontece, infelizmente há uma indiferença desanimadora.

E por que essa indiferença? Será por que Nosso Senhor está escondido sob o véu do pão e do vinho? Não exatamente, não exatamente. O que acontece é que muito se preocupa com os elementos de música, de decoração, de animação… O mais importante fica muitas vezes esquecido. Nós não estamos querendo dizer que não devemos preparar a igreja para Jesus. Ah, quão zelosa é a atitude daqueles que, compenetrados pelo amor de Cristo, enfeitam Sua casa! O problema está no desvio da atenção. São Pio de Pietrelcina, perguntado sobre como deveríamos assistir ao piedoso sacrifício da Missa, respondia: “Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício sangrento da cruz”. São Leonardo de Porto-Maurício, em outras palavras: “Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos.”

E por que tanta indiferença? Deve ser porque meninos que vão às aulas de Catecismo, ao invés de aprenderem realidades fundamentais da nossa fé, já se cansaram de tanto desenhar e colorir desenhos… Deve ser porque, ao invés de falar de Eucaristia, de Sacramentos, de testemunho cristão, muitos catequistas andam ensinando nossos meninos a lutarem contra a propriedade privada ou contra o opressor sistema capitalista… É verdade: a culpa nem sempre é deles, mas, sendo ou não culpados, estão ajudando a perpetuar uma cultura de secularismo, que acaba por desvalorizar a fé e agir com indiferença e tibieza diante do Santíssimo Sacramento.

Foi o Concílio de Trento quem determinou: “[N]este divino sacrifício, que se realiza na Missa, se encerra e é sacrificado incruentamente aquele mesmo Cristo que uma só vez cruentamente no altar da cruz se ofereceu a si mesmo”. É verdade. Roma locuta, causa finita est. O Sacrifício da Missa é o Sacrifício da Cruz. A indiferença diante do mistério da Santa Missa é a indiferença diante do sacrifício da Cruz, diante do sacrifício de um justo que padecia por milhares de pecadores.

A indiferença… Nem mesmo os discípulos de Jesus naquele tempo podiam ser indiferentes à dura realidade da presença real de Nosso Senhor na Eucaristia. Por isso aqueles que não acreditaram deixaram de segui-lo. Hoje, no entanto, muitos não acreditam, mas disfarçadamente O seguem. Seguem a Cristo até certo limite. A partir de determinado ponto, não mais crêem. São católicos até um certo limite: “Tem coisas na Igreja com as quais eu não concordo”. Está edificado o castelo de hipocrisia sobre a areia. Com a provação, vem a fuga.

Engana-se, no entanto, quem pensa que a indiferença se manifesta escancaradamente. Por nossos pecados graves, com nossas impiedades, crucificamos novamente o Filho de Deus; desprezamos o valor da Redenção; pisamos no Sangue da Nova Aliança. De nobres filhos de Deus passamos a miseráveis merecedores do inferno. Pela Penitência, que o Senhor instituiu para mostrar-nos a sua face misericordiosa, recobramos a graça de Deus. Arrependidos, voltamo-nos ao Pai. Mas, ao mesmo tempo, perguntamo-nos a nós mesmos: Como deixar acesa a graça de Deus em nossa alma?

“Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6, 53). A Eucaristia sustenta. Assim como o pão é alimento para o nosso corpo, o Corpo de Cristo é alimento para a nossa alma. Se não comerdes a carne do Filho do Homem, morrereis. Pior que a morte do corpo, inevitável destino de todo ser humano, é a morte da alma. Busquemos nossas forças nesse pão que nutre e revigora todos os cristãos. E que a Santíssima Virgem, Mãe da Eucaristia, nos ajude a trilhar o caminho que conduz à vida eterna.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!