Quando os meios de comunicação noticiaram, no fim do ano passado, a existência das chamadas “pulseiras do sexo”, muitos se escandalizaram; outros, no entanto, defendiam o jogo como uma brincadeira “sadia” de adolescentes que estavam somente descobrindo sua sexualidade. Pois bem; eis que a verdade vem desmascarar a opinião dos defensores da libertinagem: Após ter ‘pulseira do sexo’ arrancada, adolescente é estuprada em Londrina.
Segundo o G1, “[a] vítima foi abordada por um grupo composto por quatro jovens depois de sair da escola, na região central da cidade”. A Polícia Civil afirmou que “[o] crime teria sido motivado pelo uso da ‘pulseira do sexo’”. “A menina disse que foi abordada pelo grupo e um deles arrancou a dita ‘pulseira do sexo’ que ela usava. Pela cor do adereço, ela teria de pagar uma prenda aos jovens. Ela se mostrou constrangida com o fato e acompanhou o grupo até a casa do rapaz de 18 anos.” O delegado afirmou que, como “[a] vítima e os envolvidos não se conheciam”, o crime só podia ter sido motivado pelo uso da pulseira.
“Toda árvore má dá maus frutos” (Mt 7, 17). As palavras são de Nosso Senhor. Essas pulseiras, enquanto simples acessórios, não representam perigo nenhum; mas, a partir do momento em que adquirem conotação sexual, passam a ser sinônimo de prostituição, de depravação sexual. Já havia alertado aqui no blog, ainda no fim do ano passado, sobre esse problema e também sobre a necessidade da atuação dos pais principalmente no diálogo com os filhos, explicando-lhes o quanto é importante conservar o tesouro inestimável da castidade e o zelo com o qual devemos agir para que nossas atitudes e nossos comportamentos não sejam contrários ao espírito de pureza tão ensinado pela Igreja.
O que se pode esperar, pois, de uma pulseira cuja finalidade é fazer com que as pessoas paguem “prendas”, dando-se, como objetos sexuais, aos que a romperem? A pulseira do sexo é instrumento de prostituição, infelizmente. Notícias como essas são conseqüências da mentalidade embutida por trás desses acessórios e da própria ideologia propagada pela mídia, que contribui, de maneira não menos expressiva, para a desconstrução da moralidade tradicional e do princípio cristão de família. Os meios de comunicação modernos pregam total desobediência e rebeldia aos preceitos que por tantos anos mantiveram a nossa sociedade estável, contrariando não só a moral cristã, que edificou a nossa civilização, mas também afetando negativamente as nossas famílias e influenciando de modo irresponsável a educação dos jovens.
Vamos a um exemplo básico: as novelas da Rede Globo, assim como os demais programas do mesmo canal de televisão, propagam uma ideologia de permissivismo sexual, ideologia essa que foi severamente condenada pela Igreja. “No contexto de uma cultura que deforma gravemente ou chega até a perder o verdadeiro significado da sexualidade humana, porque a desenraíza da sua referência essencial à pessoa, a Igreja sente como mais urgente e insubstituível a sua missão de apresentar a sexualidade como valor e tarefa de toda a pessoa criada, homem e mulher, à imagem de Deus.” (Familiaris Consortio, n. 32). Esses são os contrastes: de um lado, a mídia, defensora duma visão pervertida de sexualidade; do outro lado, a Igreja, defensora da valorização da dignidade humana e opositora ferrenha da degradação do homem tomado pela sociedade como mero objeto sexual.
O estupro… É fruto de quê? Justamente dessa visão que promove abertamente a promiscuidade sexual. O homem dominado pelas suas paixões está totalmente submetido aos mais primitivos e degradantes instintos, que o rebaixam à condição de selvagem. Os meios de comunicação pedem que “você não se controle”, viva os instintos, sinta o amor “subjetivo”. Quem estiver influenciado por todas essas propostas facilmente cairá.
Quem estiver, no entanto, apoiado na doutrina da Igreja, que deixa bem claro que “o homem não poderá encontrar a verdadeira felicidade, à qual aspira com todo o seu ser, senão no respeito pelas leis inscritas por Deus na sua natureza e que ele deve observar com inteligência e com amor” (Humanae Vitae, n. 31); quem estiver firmemente convicto de que a castidade é o único meio pelo qual podemos viver uma reta sexualidade e que a prostituição é um abismo que só leva o homem à tristeza e à solidão, esse, certamente, prevalecerá.
No entanto, para que a lei de Deus seja observada e para que as palavras da Igreja sejam ouvidas, é preciso que os pais eduquem seus filhos na santa fé cristã. E isso significa, sobretudo, renunciar àquilo que pode contaminar o nosso lar e as nossas crianças, puras criaturas do Altíssimo, e levá-las a se perderem. Os pais estão encarregados de cuidar de seus filhos. “Se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt 18, 6). Que a Virgem Santíssima, modelo de castidade, interceda por nossos jovens e por nossas famílias.
Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!
* * *
Leia mais: Justiça proíbe venda e uso de ‘pulseira do sexo’ em Londrina.
Leia também: Pulseiras do sexo: o tesouro da pureza por um fio, do blog Igreja Doméstica.