Universo eterno, uma válvula de escape

Trecho da entrevista do físico Mário Novello ao jornal Folha de São Paulo, publicada no site do Instituto Humanitas Unisinos:

http://www.joinville.udesc.br/portal/noticias/fotos/1158.jpg“Sou contra definir o Big Bang como o marco zero. Isso é contra a atitude científica. Mas o cenário está mudando. Entre os cientistas há uma tendência a aceitar que chegou o momento de ir além do Big Bang como o começo.”

(…)

“A ciência é a tentativa de explicar racionalmente tudo que existe. Eu sabia muito bem que a ideia de singularidade [a concentração de toda a massa do Universo em um único ponto que teria dado origem a tudo que se conhece] significava abdicar de fazer ciência ao longo de toda a história do Universo, significava dizer que a ciência tinha limite. Eu não podia aceitar isso.”

Um físico nega o Big Bang porque a teoria mostra que a ciência tem um limite. Está claro que posições como essa evidenciam não um desejo de fazer verdadeiramente ciência, mas de negar a intervenção de um Ser sobrenatural no Universo. Até hoje a teoria do Big Bang assombra muitos cientistas ateus. Para eles é escabroso ter que admitir que é possível sim defender a ideia da existência de um Design Inteligente.

A ciência na mão de muitos ateus, no entanto, se tornou instrumento para a imposição de dogmatismos anti-religiosos que, na verdade, contrariam a própria ciência. Essa, por sua vez, é bastante útil para o homem; pelo menos até o ponto em que não envolve intervenções tendenciosas dos neo-ateus.

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Leia também: Físico diz que Big-Bang é mito religioso mas defende posição anti-científica, do blog No princípio criou Deus os céus e a Terra.

Até hoje a teoria do Big Bang assombra muitos cientistas ateus. Para eles é escabroso ter que admitir que é possível sim defender a ideia da existência de um Design Inteligente.

A ciência na mão de muitos ateus, no entanto, se tornou instrumento para a imposição de dogmatismos anti-religiosos que, na verdade, contrariam a própria ciência.

O dever de agradar não aos homens, mas a Deus

http://iasddutra.files.wordpress.com/2009/02/modelo-de-obediencia.jpg?w=230&h=347“[A]inda que ficasse somente o Papa na Igreja, ela não acabaria. Pois ainda seria uma comunidade unida a Trindade. Que maior comunidade pode haver, senão aquela unida com o Pai, o Filho e o Espírito Santo? Jesus, quando disse que as portas do inferno não prevaleceriam, não fala com quantas pessoas. Pois só o Papa, guiado pelo Espírito Santo, que ‘sonda tudo, mesmo as profundezas de Deus’ (1 Cor 2, 10), é capaz de por abaixo toda a horda demoníaca.”

- Ian Farias em Trindade, fonte e origem da Igreja

O Papa afirmou recentemente que “ninguém é capaz de apascentar o rebanho de Cristo, se não vive uma profunda e real obediência ao Cristo e à Igreja” (Audiência Geral, 26 de maio). A missão da Igreja não é agradar aos homens, mas a Deus. Não importa o tamanho da comunidade, desde que esteja unida verdadeiramente a Cristo e à Igreja, afinal, a Igreja deseja salvar almas, mas precisa, sobretudo, buscar a glória de Deus; precisa estar unida à Trindade.

Às vezes as pessoas nos interpelam dizendo que o Papa deveria “abrir” a Igreja ao mundo, como se a Igreja fosse uma democracia, como se o desejo do povo fosse prioridade. A essas pessoas devemos responder, dizendo que a missão da Igreja é cumprir a vontade de Deus. Ao contrário de muitas seitas mercenárias, que só desejam arrecadar dinheiro e arrebanhar clientes, a Igreja de Cristo quer fiéis comprometidos com uma adaptação dos costumes ao Evangelho. Adaptar-se ao Evangelho, i. é, ser fiel a Cristo.

“Que maior comunidade pode haver, senão aquela unida com o Pai, o Filho e o Espírito Santo?” Que maior comunidade pode haver, senão aquela que busca servir ao Evangelho de Nosso Senhor? Que a Virgem Santíssima interceda por todos aqueles cristãos que estão na igreja, para que se incorporem à Igreja, de alma e coração. E que os fiéis vivam as palavras do Cristo na sua radicalidade, pois é a obediência – e não o comodismo – que agrada a Deus.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A dignidade do nascituro banalizada

Segundo informou a Agência Zenit, no Reino Unido, evidenciou-se uma polêmica discussão entre abortistas e clérigos católicos. Anúncios publicitários patrocinados por uma associação feminista instigam mulheres a realizar o aborto. “Se atrasar [a menstruação], você pode estar grávida. Se está grávida e não está segura do que fazer, Marie Stopes International pode ajudá-la”, diz a propaganda.

A reação do clero católico foi imediata. Os bispos da Inglaterra e de Gales se manifestaram dizendo que “[o] aborto não é um serviço de consumo”. Complementaram, afirmando que essas propagandas “deterioram o respeito à vida”; qualificaram os anúncios como “enganosos e muito prejudiciais para as mulheres, que podem ser persuadidas a tomar uma decisão precipitada e que logo poderão se arrepender”.

O debate é interessante porque, mesmo que as pessoas naqueles países sejam contrárias à propaganda dos serviços relacionados ao aborto, a mídia insiste em transmitir o infame anúncio. A atitude de abortar já é, em si, totalitária; é a supremacia da mulher sobre a vida de outro ser humano. Nada, nesse mundo, pode justificar esse crime hediondo. Injustificável – não na mesma medida – é a ação da mídia que, se contrapondo à opinião do público, decide divulgar – e, assim se tornar cúmplice desse assassinato – a oportunidade de realização do aborto.

Outro aspecto importante a se destacar é que a reação dos bispos mostrou repugnância à relação que talvez pudesse se criar entre aborto e saúde, algo que não existe, definitivamente. Inclusive, há pesquisas sérias mostrando que mulheres que realizaram aborto têm mais tendências a desenvolverem problemas psicológicos e depressão que mulheres que nunca abortaram. Dados comprovam que a realização do aborto provocado facilita a ocorrência de um aborto espontâneo no futuro. Enfim, a realização de um aborto sempre está envolvida de um caráter dramático não só para o bebê, que será assassinado, mas também para a mulher, considerando as seqüelas psicológicas e físicas que esse ato acarreta.

Após considerar tudo isso, é desencorajador ter que ouvir de uma candidata à Presidência da República do Brasil uma comparação entre o aborto e… o processo de arrancar um dente! Perguntaram a Dilma Rousseff o que ela achava da descriminalização do aborto, ao que ela respondeu:

“Não é uma questão se eu sou contra ou a favor, é o que eu acho que tem que ser feito. Não acredito que mulher alguma queira abortar. Não acho que ninguém quer arrancar um dente, e ninguém tampouco quer tirar a vida de dentro de si.”

- depoimento citado no blog do Reinaldo Azevedo

Essas propagandas que estimulam a realização do aborto têm o mesmo alicerce ideológico dessas afirmações abortistas do pessoal do Partido dos Trabalhadores. Não é questão de “querer” tirar a vida de dentro de si. A questão é “poder”. A Lei garante que “todos têm direito à vida”. Se a afirmação é verdadeira, então é verdade que “ninguém pode tirar a vida de dentro de si”. As mulheres não só não querem tirar a vida de dentro de si; elas não podem. “Matar um ser humano” e “tirar um dente” são atitudes totalmente distintas uma da outra, de modo que chega a ser escandaloso estabelecer uma comparação entre elas.

Mas, essa mentalidade é fruto de quê, na verdade? Do pensamento materialista, no século XIX, e da “objetificação” do homem, que faz com que ele se torne não mais um ser com direitos que precisam ser respeitados, mas um simples “amontoado de células”, coisa que pode ser descartada. Inclusive, sabiam que o aborto na Polônia começou com Hitler?

Trindade: Fonte e origem da Igreja

Neste domingo, celebrando a Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja quer mais uma vez reafirmar seu compromisso constante de anunciadora da Verdade que é subsistente nestas três Pessoas. Estamos no centro do mistério da fé cristã. Mas o que precisamente vem à nossa mente quando falamos neste profundo e jamais totalmente entendido mistério da Trindade? Em que precisamente esta consiste?

Em primeiro lugar devo dizer que este artigo não irá apresentar nenhuma solução para se entender o mistério trinitário, se nem mesmo Santo Agostinho e os grandes Santos conseguiram, não serei eu que conseguirei. Apenas desejo exemplificar e dar uma melhor compreensão sobre algo que, superior à mente humana, é incompreensível à nossa natureza.

É na Trindade que a Igreja se reúne. A primeira e a última saudação da Missa, os prefácios, etc. “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (II Cor 13, 13). Comumente esta saudação é usada na celebração eucarística. A Igreja quer seguir os passos da Comunidade Perfeita. Quer estar constantemente unida ao mistério que desvela-se nas Santas Missas.

Na primeira leitura nos-é possível notar que é feita uma profunda analogia com a Trindade, família perfeita e modelo ideal para nossas famílias nos dias hodiernos. “Desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra” (Pr 8, 23). Sabemos que Deus (Trindade) é um ser infinito. Desde as origens do mundo vemos Deus dialogar com as outras duas pessoas: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1, 26). Ora, se Ele disse “façamos”, logo não estava sozinho. Mas Deus, Sabedoria suprema, manifesta a sua essência. Já professamos no Credo que Jesus é “consubstancial”, ou seja, da mesma substância do Pai e do Espírito. São Eles três Pessoas em um só Deus. Nenhum age sem plena adesão do outro; pelo contrário, agem juntos e em comum.

Na segunda leitura São Paulo escreve algo que me admira, e ao qual poucos tendem a fazê-lo: “Nos gloriemos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona” (Rm 5, 3-4). Difícil já é suportar uma tribulação, quanto mais gloriar-se nela. Mas é isso que nos exorta o apóstolo. O melhor meio para superar uma tribulação é ter a certeza de que Cristo está conosco, de que, apesar de nossa fraqueza, o Senhor não nos abandona, e mais que isso: Ele prova a nossa fé.

No momento que passo por constantes dúvidas e provações, essa palavra toca profundamente o meu coração. E posso dizer: Sim! Teremos provações. E nelas o Senhor testa a nossa fé, para saber se realmente somos dignos de um dia contemplarmos a sua face. Para ser padre, por exemplo, não basta apenas que você tome isso como meta, achando que superará fácil todas as provações. Posso dizer seguro que isso não acontecerá. Quem quer servir o Senhor sempre passará por provações e dificuldades, ainda mais quando não apenas servimos, mas quando tomamos em nós a pessoa do próprio Cristo. Satanás tentará impor barreiras que nós devemos, não saltá-las, pois elas ficarão para trás, mas um dia poderão voltar. Devemos quebrar, derrubar, todas as barreiras que impedem o nosso caminho e o nosso encontro pessoal com Cristo.

Àquele que se confia a Deus e se entrega a oração o Senhor os ajudará a vencer as dificuldades e a darem um sentido novo à suas vidas.

Precisamos passar pelo processo descrito por São Paulo: Tribulação, constância, virtude provada e esperança. Esperança que se fundamenta em Cristo Jesus e na Sua Igreja. E quem mais tem demonstrado esta esperança é a Igreja.

É engraçado como, às vezes, escuto alguém dizer: “Se o Papa voltar a Missa em latim vai acabar com a Igreja”. Ou então: “Se não por um ponto final ao celibato, vai acabar com a Igreja”. Eu digo a estes: ainda que ficasse somente o Papa na Igreja, ela não acabaria. Pois ainda seria uma comunidade unida a Trindade. Que maior comunidade pode haver, senão aquela unida com o Pai, o Filho e o Espírito Santo? Jesus quando disse que as portas do inferno não prevaleceriam, Ele não diz com quantas pessoas. Pois só o Papa, guiado pelo Espírito Santo que “sonda tudo, mesmo as profundezas de Deus” (I Cor 2, 10), é capaz de por abaixo toda a horda demoníaca.

No Evangelho Jesus, no seu discurso de despedida, promete o envio do Paráclito sobre os apóstolos. “Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade… Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu” (Jo 16, 13-15).

Recordo-me de Santo Hilário de Poitiers que dizia: “Já que a nossa fraqueza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Dom, que é o Espírito Santo, estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades à encarnação de Deus” (Tratado sobre a Trindade).

Este Espírito, recordo o artigo por ocasião da Solenidade de Pentecostes, tem guiado a Igreja, ainda que mediantes as tribulações. A Igreja é imperecível, e o-é mais ainda depois do dia de Pentecostes, naquela gloriosa efusão. Ela anuncia o que lhe foi entregue pelos apóstolos, e a estes entregue por Cristo.

Peçamos a Maria Santíssima que nos oriente para a estrada trinitária. Que nos fortaleça nas tribulações e nos torne perseverantes em nossa fé cristã.

Fraternalmente em Cristo Jesus!

Nós oramos de acordo com aquilo que cremos

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Lex orandi, lex credendi. A frase é uma máxima da sabedoria da Igreja e significa: “Nós oramos de acordo com aquilo que cremos”. É a chave para entendermos porque não devemos introduzir arbitrariamente na Liturgia católica elementos de espiritualidade protestante. Nós cremos na Igreja, conforme professamos no Credo; na Igreja una, santa, católica e apostólica. O protestantismo não só não crê na Igreja como também não acredita na devoção a Nossa Senhora e no culto aos santos. Não crê na Eucaristia. O mistério central da Missa é muitas vezes banalizado quando músicas protestantes tomam o centro das atenções.

Já havia escrito um artigo, ainda no início do ano, sobre os problemas de um católico ouvir a música do cantor gospel Regis Danese, “Faz um milagre em mim”. Se ouvir e cantar a música já são atitudes pouco ortodoxas, terrível é utilizá-la na Liturgia da Santa Missa, quando celebramos a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, dogma no qual os protestantes não acreditam. É o que de modo resumido explica Dom Estêvão Bettencourt: “Os cantos protestantes ignoram verdades centrais do Cristianismo: a Eucaristia, a Comunhão dos Santos, a Igreja Mãe e Mestra; esses temas não podem faltar numa autêntica espiritualidade cristã.”

Esses temas não podem faltar numa autêntica espiritualidade cristã, i. é, a Eucaristia, a Comunhão dos Santos e a fé na Igreja não são temas banais. Quando valorizamos a fé católica e especialmente os elementos que a diferenciam de outras religiões, não estamos indo contra o ecumenismo proposto pelo Concílio Vaticano II – até porque a verdade é que “não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo” (Mortalium Animos, n. 16) – mas mostrando àqueles que ainda não conhecem a verdadeira fé que o indiferentismo religioso e o modernismo relativista estão equivocados em seus perniciosos princípios.

A beleza da fé católica está em que ela se aparta dos ideais mundanos. Ela é sinal de contradição. E o espírito de conformismo ao qual muitas vezes nos referimos negativamente está infelizmente presente também no coração de muitos católicos.

Não cante músicas protestantes na Missa. Valorize a Liturgia católica e ajude os cristãos a enxergarem a riqueza que se manifesta no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

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Leia mais: Não se pode cantar músicas protestantes na Santa Missa, do blog Grupo de Resgate Anjos de Adoração.

Cristianismo e espiritismo são incompatíveis

http://www.ade-rj.org.br/__imagelib/cd702f41756970e302033fab3714d5e1.jpg“Da mesma maneira que disse o Cristo: Eu não venho destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento, também diz o Espiritismo: “Eu não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe cumprimento”. Ele nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo, mas o desenvolve, completa e explica, em termos claros para todos, o que foi dito sob forma alegórica. Ele vem cumprir, na época predita, o que o Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras. Ele é, portanto, obra do Cristo, que o preside, assim como preside ao que igualmente anunciou: a regeneração que se opera e que prepara o Reino de Deus sobre a Terra.”

(Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 1, § 7)

O Espiritismo se autointitula “obra de Cristo”. Diz que “nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo”. A verdade, no entanto, é que todo esse discurso de Allan Kardec não passa de mentira. É verdade que toda a obra espírita já foi desmascarada por vários apologetas católicos. Poderia citar aqui o excelente livro do Frei Boaventura Kloppenburg, Espiritismo – Orientação para católicos, que é um ótimo guia para católicos que queiram defender a fé diante dos enganos espíritas. No entanto, faz-se necessário combater sempre as ideias expostas nessas obras uma vez que nem todos têm acesso a esses livros e o espiritismo é uma religião que faz parte do cotidiano do povo brasileiro, que ama misturar elementos de religiões anticristãs com a religião que aprendeu na infância. O sincretismo religioso tem suas raízes nessa tola compreensão de que “não existe religião certa, o que importa é o coração”. Guiadas por essa frase, muitas almas se perdem, sendo facilmente enganadas.

Allan Kardec diz que o espiritismo não veio destruir a lei cristã, mas cumpri-la. Porém, será que isso é verdade? Será que a religião espírita “nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo”? Para desmascarar essa afirmação escandalosa, basta examinar um pouco as Escrituras e os livros espíritas. Há uma visível contradição entre as duas doutrinas e os pontos mais óbvios dessa contradição estão estampados nas Sagradas Escrituras, que são a base do ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vamos aos fatos. É verdade que o espiritismo acredita na reencarnação, isto é, a nossa alma, após a morte, não receberá pena eterna no Inferno ou recompensa eterna no Céu. A perfeição se alcança através de sucessivas reencarnações, pelas quais um espírito é capaz de progredir. Essa doutrina perniciosa está em clara contradição com as palavras do Evangelho. Jesus se refere ao Céu muitas vezes como a “vida eterna” – só nos Evangelhos Nosso Senhor utiliza esse termo mais de 25 vezes! – e se refere ao Inferno como o “fogo inextinguível” (Mc 9, 43) e como o “castigo eterno” (Mt 25, 46), dando a entender claramente que as penas e recompensas pós-morte são para sempre. E quando Nosso Senhor conta a parábola do rico e Lázaro, deixa bem claro que entre Céu e Inferno há “um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá” (Lc 16, 26).

Tudo isso mutila totalmente o modelo escatológico proposto pelo espiritismo, não só porque reafirma aquilo que é dito na carta aos hebreus: “Está determinado aos homens que morram uma só vez e logo em seguida vem o juízo” (Hb 9, 27), mas principalmente porque mostra que há penas e recompensas eternas, algo que, segundo o próprio Allan Kardec, “opõe uma barreira insuperável” à ideia “[d]o progresso das almas”.

No entanto, não é só isso. O espiritismo nega a nossa redenção por Jesus Cristo, realidade que é por diversas vezes afirmada na Bíblia Sagrada. Diz São João que “Ele mesmo é a propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 2, 2); São Paulo afirma que “[f]omos reconciliados com Deus pela morte de seu filho” (Rm 5, 10); São João Batista se refere ao Cristo como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29). É tudo muito claro. Fomos remidos por Jesus Cristo! No entanto, o que dizem os espíritas? León Denis, famoso autor espírita, que decidiu propagar o espiritismo após a morte de Allan Kardec, escrevia:

http://1.bp.blogspot.com/_47pawseSoeA/SeFyw6oWMMI/AAAAAAAAB4E/SsgzKtwJsgs/s400/leon+denis.jpg“Não, a missão do Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da Humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. Nada de exterior a nós poderia fazê-lo. É o que os Espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos do mundo. Das esferas de luz, onde tudo é serenidade e paz, desceu o Cristo às nossas obscuras e tormentosas regiões, para mostrar-nos o caminho que conduz a Deus: tal o seu sacrifício. A efusão de amor em que envolve os homens, sua identificação com eles, nas alegrias como nos sofrimentos, constituem a redenção que nos oferece e que somos livres de aceitar.”

(León Denis, Cristianismo e Espiritismo, capítulo 7, Os Dogmas – os Sacramentos, o Culto)

Ora, São Pedro é claro quando diz: “Vós sabeis que não é por bens perecíveis (…) que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver (…), mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum” (1 Pd 1, 18-19). Foi pelo precioso sangue de Cristo! Mas o Espiritismo diz que a missão de Cristo não era essa. E ainda tem a coragem de afirmar que “nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo”. Está mais que comprovado que toda essa conversa de Allan Kardec está baseada numa grande e tenebrosa mentira.

É mentira. Quando os tolos abrirão os olhos e verão a situação de incompatibilidade existente entre a doutrina espírita e a Verdade, entre as obras do Espiritismo e as palavras da Igreja e de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Imagem de Maria profanada nos Estados Unidos

http://www.acidigital.com/imagespp/ppfotoguadalupe250510.jpg“Desconhecidos irromperam na Igreja Santa Rosa de Lima na localidade de Maywood e a profanaram cravando uma faca em uma imagem da Virgem do Guadalupe e ademais escreveram 666 com molho de tomate nas paredes, defecaram no auditório paroquial e sacudiram tudo em seu trajeto.”

(…)

“O departamento de polícia assinala a respeito que ‘o vandalismo foi de uma natureza terrível. De fato é consistente com o que poderia chamar um crime de ódio’.”

Fonte: ACI Digital

Pela descrição, certamente os vândalos são satanistas. Os sacrílegos, para blasfemar contra o Filho de Deus, profanam a imagem de Maria Santíssima. De fato, o demônio tem horror a Maria, por sua pureza e singular obediência a Deus. Conforme escrevia São Luís de Montfort, “Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio”. Explica inclusive que o temor que essa santa Mãe inspira ao demônio é até maior, em certo sentido, que o que lhe inspira o próprio Deus. “Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem – explica o santo servo de Deus -, (…) mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino”.

Além disso, é pela poderosa intercessão da Santíssima Virgem que muitas almas se salvam do inferno. É pela misericórdia dessa gloriosa Mãe que muitos pecadores se reconciliam com Nosso Senhor Jesus Cristo.

E muitos fazem pouco caso da devoção a Nossa Senhora. Muitos santos da Igreja não tardaram em afirmar que “é impossível salvar-se quem não é devoto de Maria e não vive sob sua proteção”. Conta-nos Santo Afonso de Ligório que até o protestante Ecolampádio tinha por indício certo de reprovação a pouca devoção à Mãe de Deus.

Confiemos em Maria. E rezemos pelo mundo que despreza a Deus e à santa fé católica.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

O verdadeiro sentido de hierarquia

[Aqui está na íntegra o texto da Audiência Geral do Papa Bento XVI, realizada na quarta-feira (26/05). Desculpem pelo atraso na tradução.]

Munus regendi

Queridos irmãos e irmãs,

O Ano Sacerdotal chega ao fim, por isso comecei a falar na última catequese sobre as tarefas fundamentais do sacerdote, isto é: ensinar, santificar e governar. Já fiz duas catequeses, uma sobre o ministério da santificação, os Sacramentos sobretudo, e uma sobre o ensinamento. Portanto, hoje gostaria de falar sobre a missão do sacerdote de governar, de guiar, com a autoridade de Cristo, não com a própria, a porção do Povo que Deus os confiou.

Como compreender na cultura contemporânea uma tal dimensão que implica o conceito de autoridade e se origina do mandato mesmo do Senhor de apascentar as suas ovelhas? O que é realmente, para nós cristãos, a autoridade? A experiência cultural, política e histórica do recente passado, especialmente as ditaduras na Europa Oriental e Ocidental no século XX, fizeram o homem contemporâneo suspeito nos confrontos desse conceito. Suspeita-se que, frequentemente, se traduz como necessário o abandono de toda a autoridade, que não vem exclusivamente dos homens e seja imposta por eles, por eles controlada. Mas o olhar sobre os regimes que, no século passado, semearam terror e morte, fortemente recorda que a autoridade, em todos os âmbitos, quando é exercida sem referência ao Transcendente, se ele ignora a autoridade suprema, que é Deus, termina inevitavelmente por voltar-se contra o homem. É importante reconhecer que a autoridade humana nunca é um fim, mas sempre e apenas um meio e que, necessariamente em todas as épocas, o fim é sempre a pessoa, criada por Deus e com sua dignidade inviolável e chamada a relacionar-se com o próprio Criador, no caminho terreno da existência e na vida eterna; é uma autoridade exercitada em responsabilidade diante de Deus, o Criador.  Uma autoridade intensa, que tem o único propósito de servir o verdadeiro bem da pessoa e ser transparência do único Sumo Bem que é Deus, não só não é estranha aos homens, mas, ao contrário, é uma preciosa ajuda no caminho para a plena realização em Cristo, para a salvação.

A Igreja é chamada e se empenha a exercitar este tipo de autoridade que é serviço, e a exercita não em nome próprio, mas no nome de Jesus Cristo, que do Pai recebeu todo poder no Céu e sobre a terra (cf. Mt 28, 18). Através dos Pastores da Igreja, de fato, Cristo apascenta seu rebanho: é Ele que os guia, os protege, os corrigi, porque os ama profundamente. Mas o Senhor Jesus, Pastor supremo da nossa alma, quis que o Colégio Apostólico, hoje os Bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, e os sacerdotes, seus mais preciosos colaboradores, participassem desta sua missão de cuidar do Povo de Deus, de serem educadores na fé, orientando, animando e sustentando a comunidade cristã, ou, como disse o Concílio, “cuidando, especialmente que os fiéis sejam guiados no Espírito Santo para viver o Evangelho à sua própria vocação, a praticar a caridade sincera e ativa e para o exercício dessa liberdade com que Cristo nos libertou” (Presbiterorum Ordinis, 6). Cada pastor, então, é o meio pelo qual Cristo ama os homens: é através do nosso ministério – queridos sacerdotes – é através de nós que Deus alcança almas, as instrue, as guarda e as guia. Santo Agostinho, em seu Comentário ao Evangelho de São João diz: “Seja, portanto, compromisso de amor apascentar o rebanho de Cristo” (123,5); esta é a norma suprema de conduta para os ministros de Deus, um amor incondicional, como aquele do Bom Pastor, pleno de alegria, aberto a todos, atencioso, atento aos fechados e atencioso para com os distantes (cf. Santo Agostinho, Sermão 340, 1; Discurso 46, 15), sensível aos mais fracos, os pequenos, os simples, os pecadores, para manifestar a infinita misericórdia de Deus com as palavras tranquilizadoras da esperança (cf. Idem, Carta 95, 1).

Se esta tarefa é fundada sobre o Sacramento, todavia sua eficácia não é independente da existência pessoal do presbítero. Para ser um pastor segundo o coração de Deus (cf. Jr 3,15) deve ocorrer um profundo radicamento na viva amizade com Cristo, não só da inteligência, mas também da liberdade e da vontade, uma consciência clara da identidade recebida na Ordenação Sacerdotal, uma disponibilidade incondicional para conduzir o rebanho confiado onde o Senhor quer e não na direção que, aparentemente, parece mais fácil ou conveniente. Isso requer, em primeiro lugar, a contínua e progressiva disponibilidade para deixar que Cristo mesmo governe a existência sacerdotal dos presbíteros. De fato, ninguém é realmente capaz de apascentar o rebanho de Cristo se não vive em profunda e verdadeira obediência a Cristo e à Igreja, e a própria docilidade do povo para com os seus sacerdotes depende da obediência dos sacerdotes a Cristo; por isso, na base do ministério pastoral está sempre o encontro pessoal e constante com o Senhor, o conhecimento profundo Dele, o conformar a própria vontade à vontade de Cristo.

Nas últimas décadas, utilizou-se frequentemente o adjetivo “pastoral” quase em oposição ao conceito de “hierárquico”, assim como foi interpretada na mesma oposição a idéia de “comunhão”. É talvez o ponto onde ele pode ser útil para um breve comentário sobre a palavra “hierarquia”, que é a denominação tradicional de estrutura sacramental da Igreja de autoridade, ordenada pelos três níveis do sacramento da Ordem: episcopato, presbiterato, diaconato. Prevalece na opinião pública, para a realidade “hierarquia”, o elemento de subordinação e o elemento jurídico; por isso, para muitos a idéia de hierarquia parece estar em contraste à flexibilidade e à vitalidade do senso pastoral e também contraria à humildade do Evangelho. Mas este é um mal-entendido sobre a hierarquia, também causado historicamente pelo abuso de autoridade e pelo carreirismo, que são exatamente abusos e não derivam do próprio ser da realidade “hierarquia”. A opinião comum é que “hierarquia” seja sempre relacionada ao domínio e portanto não corresponde ao verdadeiro sentido da Igreja, da unidade no amor de Cristo. Mas como eu disse, esta é uma interpretação errada, que se originou no abuso da história, mas não responde ao verdadeiro significado daquilo que é a hierarquia. Começamos com a palavra. Geralmente, é dito que o significado da palavra hierarquia seria ” sagrado domínio “, mas o verdadeiro significado não  é este, é ” sagrada origem “, ou seja: esta autoridade não vem do homem, mas tem suas origens no sagrado, no Sacramento; então a pessoa submete-se a vocação, ao mistério de Cristo; faz de si um servo de Cristo e só enquanto servo de Cristo este pode governar, guiar por Cristo e com Cristo. Portanto, aqueles que entram na sagrada Ordem do Sacramento, a “hierarquia”, não é um autocrata, mas entra em um novo laço de obediência a Cristo: está ligada a Ele em comunhão com os outros membros da Sagrada Ordem, do Sacerdócio. E também o Papa – ponto de referência para todos os outros pastores e da comunhão da Igreja – não pode fazer o que quer; pelo contrário, o Papa é o guardião de obediência a Cristo, sua palavra resume-se na “regula fidei“, no Credo da Igreja, e deve preceder na obediência a Cristo e a sua Igreja. Hierarquia implica uma tríplice ligação: aquela, antes de tudo, com Cristo e a ordem dada pelo Senhor à sua Igreja; depois a ligação com outros Pastores, na única comunhão da Igreja; e, finalmente, a relação com os fiéis confiados ao indivíduo, na ordem da Igreja.

Assim, entendemos que a comunhão e a hierarquia não são contrários uns aos outros, mas são condicionais. São em si uma coisa só (comunhão hierárquica). O Pastor está apenas guiando e protegendo o rebanho, e às vezes impedindo que ele se disperse. Fora de uma visão clara e explicitamente sobrenatural, não é compreensível a tarefa governar, própria dos sacerdotes. Esse, no entanto, sustentado pelo verdadeiro amor para a salvação de cada fiel, é particularmente precioso e necessário em nosso tempo. Se o objetivo é levar a mensagem de Cristo e conduzir os homens ao encontro com Ele para que tenham vida, a tarefa de guiar se configura como um serviço vivo em uma doação total para a edificação do rebanho na verdade e na santidade, muitas vezes indo contra a corrente e recordando que quem é o maior deve fazer-se menor, e aquele que governa, como aquele que serve (cf. Lumen Gentium, 27).

Onde pode achar hoje um sacerdote a força para o exercício do seu ministério, em plena fidelidade a Cristo e à Igreja, com uma dedicação total ao rebanho? A resposta é uma só: em Cristo Senhor. O reino de Jesus governar não é aquele do domínio, mas o humilde e amoroso serviço da lavagem dos pés, e a realeza de Cristo sobre o universo não é um triunfo terreno, mas encontra seu ponto culminante no lenho da cruz, que torna-se juízo para o mundo e ponto de referência para o exercício da autoridade que seja verdadeira expressão da caridade pastoral. Os santos, entre eles São João Maria Vianney, praticaram com amor e dedicação a tarefa de tratar a porção do Povo de Deus confiada a ele, mostrando-se também homem forte e determinado, com o único objetivo de promover o verdadeiro bem da almas, capaz de pagar, em pessoa, até o martírio, para permanecer fiéis à verdade e à justiça do Evangelho.

Caríssimos sacerdotes, “apascentai o rebanho de Deus que vos é confiado, não por constrangimento, mas de boa vontade [...], fazendo-vos modelos para o rebanho” (1 Pedro 5,2). Portanto, não tenham medo de conduzir a Cristo cada um dos irmãos que Ele vos confiou, seguros que cada palavra e cada atitude, se decorrentes da obediência à vontade de Deus darão frutos; saibam viver apreciando os méritos e reconhecendo os limites da cultura em que estamos inseridos, com a garantia firme de que o anúncio do Evangelho é o maior serviço que se pode fazer aos homens. Não há, de fato, bem maior nesta vida terrena, que conduzir os homens a Deus, despertando a fé, levantando o homem da inércia e do desespero, dar a esperança de que Deus está próximo e guia a história pessoal e do mundo: este, em definitivo, é o profundo senso de responsabilidade e a última tarefa de governar que o Senhor vos confiou. Se trata de formar Cristo nos crentes, através do processo de santificação que é conversão dos critérios, da escala de valores, das atitudes, para deixar que Cristo viva em cada fiel. São Paulo assim reassume a sua ação pastoral: “Meus filhinhos, eu estou novamente em trabalho de parto até que Cristo seja formado em vós” (Gl 4, 19).

Queridos irmãos e irmãs, convido-vos a rezar por mim, o Sucessor de Pedro, eu tenho uma função específica no governo da Igreja de Cristo, bem como todos os vossos Bispos e sacerdotes. Ore para que nós cuidemos de todas as ovelhas, mesmo aquelas que perderam-se do rebanho que nos foi confiado. Para vós, queridos sacerdotes, dirijo um cordial convite para as comemorações de encerramento do Ano Sacerdotal, nos dias 9, 10 e 11 de Junho, aqui em Roma: meditaremos sobre a conversão e sobre a missão, o dom do Espírito Santo e sua relação com Maria, e renovaremos as nossas promessas sacerdotais, apoiado por todo o Povo de Deus! Obrigado!

A autoridade que brota da obediência a Cristo

Como compreender na cultura contemporânea uma dimensão assim, que implica no conceito de autoridade e tem sua origem no próprio convite do Senhor a apascentar o seu rebanho? O que é realmente, para nós cristãos, a autoridade? As experiências culturais, políticas e históricas do passado recente, sobretudo as ditaduras na Europa Oriental e Ocidental no século XX, fizeram o homem contemporâneo suspeitar deste conceito. Uma suspeita que, com frequência, traduz-se em considerar necessário o abandono de toda a autoridade, que não venha exclusivamente dos homens e esteja perante eles, controlada por eles. Mas, precisamente, olhar para os regimes que, no século passado, semearam terror e morte, recorda com força que a autoridade, em todo o âmbito, quando exercida sem uma referência para o Transcendente, ignora a Autoridade suprema, que é Deus, termina inevitavelmente voltando-se contra o homem. É, então, importante reconhecer que a autoridade humana nunca é um fim, mas sempre e somente um meio e que, necessariamente e por todo o tempo, o fim é sempre a pessoa, criada por Deus com sua própria dignidade intangível e chamada a relacionar-se com seu Criador, na estrada terrena da existência e na vida eterna; é uma autoridade exercida na responsabilidade perante Deus, o Criador. Uma autoridade entendida deste modo, que tem como único objetivo servir ao verdadeiro bem da pessoa e ser transparência do único Bem Supremo que é Deus, não só não é estranha aos homens, mas, pelo contrário, é uma preciosa ajuda na estrada para a plena realização em Cristo, para a salvação.

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Para ser um Pastor segundo o coração de Deus (cf. Jr 3, 15) é necessário um profundo afinco na amizade viva com Cristo, não só da inteligência, mas também da liberdade e da vontade, uma clara consciência da identidade recebida na Ordenação Sacerdotal, uma disponibilidade incondicional para conduzir o rebanho confiante para onde o Senhor desejar e não na direção que, aparentemente, seja mais conveniente ou mais fácil. Isto requer, em primeiro lugar, a contínua e progressiva disponibilidade para deixar que o próprio Cristo governe a existência sacerdotal dos presbíteros. Com efeito, ninguém é capaz de apascentar o rebanho de Cristo, se não vive uma profunda e real obediência ao Cristo e à Igreja, e a mesma docilidade do Povo com seus sacerdotes depende da docilidade dos sacerdotes com Cristo; por isso, na base do ministério pastoral está sempre o encontro pessoal e constante com o Senhor, o conhecimento profundo Dele, submetendo a própria vontade à vontade de Cristo.

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Onde pode encontrar hoje um sacerdote a força para tal exercício do próprio ministério, na plena fidelidade a Cristo e à Igreja, com uma dedicação total ao rebanho? A resposta é única: em Cristo Senhor. A maneira de governar de Jesus não é a do domínio, mas é o serviço humilde e amoroso do lavatório dos pés, e a realeza de Cristo sobre o universo não é um triunfo terreno, mas que encontra seu ápice no tronco da Cruz, que transforma-se em juízo para o mundo e ponto de referência para o exercício de uma autoridade que seja verdadeira expressão da caridade pastoral. Os santos, e entre eles São João Maria Vianney, exercitaram com amor e dedicação a tarefa de cuidar da porção do Povo de Deus a eles confiada, mostrando também serem homens fortes e determinados, com o único objetivo de promover o verdadeiro bem das almas, capazes de pagar pessoalmente, até o martírio, para permanecerem fiéis à verdade e à justiça do Evangelho.

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Queridos irmãos e irmãs, eu gostaria de convidar-vos a rezar por mim, Sucessor de Pedro, que tenho uma tarefa específica no governo da Igreja de Cristo, como também por todos vossos Bispos e sacerdotes. Rezai para que saibamos cuidar de todas as ovelhas, também das perdidas, do rebanho confiado a nós.

- Papa Bento XVI, Audiência Geral
26 de maio de 2010

“Ó clemente, ó piedosa…”

Oração de Santo Afonso de Ligório a Maria Santíssima

http://www.cantodapaz.com.br/images/dogma-assuncao-nossa-senhora.jpgÓ Mãe misericordiosa, sois tão clemente e tendes imenso desejo de proteger os miseráveis e atender-lhes os pedidos! Venho, por isso, a vós neste dia, eu que sou o mais indigno de todos os homens e imploro vosso auxílio. Atendei aos meus rogos! Peçam-vos outros, se quiserem, saúde do corpo, prosperidade e grandeza da terra. Quanto a mim, venho pedir-vos, Senhora, justamente aquilo que desejais de mim, aquilo que é mais conforme e mais grato ao vosso Santíssimo Coração.

Sois tão humilde, impetrai-me, pois, a humildade e o amor dos desprezos.
Fostes tão paciente nos trabalhos desta vida, impetrai-me a paciência na adversidade;
fostes tão cheia de amor de Deus, impetrai-me o dom do santo e puro amor;
fostes toda a caridade para com o próximo, impetrai-me a caridade para com todos, particularmente para com o inimigo;
fostes totalmente unida à divina vontade, impetrai-me a total conformidade a todas as disposições de Deus a meu respeito.
Sois, em suma, a mais santa de todas as criaturas, ó Maria, tornai-me santo.

Amor não vos falta; podeis tudo e quereis alcançar-me todas as graças. A única coisa que me pode impedir de receber vossos favores é, ou a negligência em recorrer a vós, ou a falta de confiança em vossa intercessão. Impetrai-me, pois, vós mesma a constância em invocar-vos e a confiança em vosso poder. De vós espero essas duas graças supremas; de vós as imploro e conto recebê-las confiadamente, ó Maria, minha Mãe, minha esperança, meu amor, minha vida, meu refúgio, minha força e minha consolação. Amém.

[Extraído do livro Glórias de Maria, p. 1, oração do capítulo IX; pp. 211-212, Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]