Noção estranha de justiça

O que define um ser humano? Será possível julgar a existência ou não de um homem pela má-formação do tubo neural de um indivíduo? O empreendimento das abortistas é esse: descriminalizar o assassinato dos anencéfalos, legalizar o homicídio desses seres indefesos. Traçava-se, na Alemanha, há 60 anos atrás, uma história de ódio e terror: era o nazismo de Adolf Hitler. Hoje, qual a diferença entre um dos maiores genocídios da história e um ato covarde que, justificado como sendo “questão de saúde pública”, mata milhões de crianças todos os anos, em todos os continentes? A diferença é que esse último acontece silenciosamente. E pior que o silêncio dos que não podem se defender seria o silêncio dos bons perante um ato tão covarde, tão cruel.

Virou notícia, essa semana, no Twitter, um tweet de uma senhora chamada Ananda Morelli, no qual ela dizia ter tido o prazer de entregar um alvará autorizando o aborto de um anencéfalo. Na sexta-feira. Impossível não pensar em Jesus Crucificado, nas dores que sofreu pela humanidade pecadora, na lança que trespassou seu Coração, do qual jorrou sangue e água, fonte de misericórdia para os cristãos. O Sangue de Cristo é fonte de misericórdia; um alvará criminoso autoriza o derramamento de sangue inocente, pecado que clama aos céus a vingança de Deus. E a explicação vem em um comentário:

“O que eu fiz, como todos podem ler, foi apenas entregar um alvará autorizando o aborto de um feto anencéfalo. Quem expede o alvará é o juiz. Quem pede são as partes. Eu, tão-somente, entrego. A minha satisfação se deu ao ver uma família de baixa-renda conseguir ter acesso à justiça, num momento tão delicado como este, de forma rápida e efetiva. O meu prazer, meu caro, foi poder contribuir, mesmo que com uma pequena parcela, com o fim do sofrimento de uma família. (…) Eu sinto prazer ao tentar ajudá-las com o pouco que posso fazer.

- Ananda Morelli, no blog O Possível e O Extraordinário

O prazer está em conseguir, para uma família de baixa-renda, o acesso à justiça. Segundo Ananda, é o fim do sofrimento de uma família. Resolvido com a morte. Mas, resolvido, não é? Porque a sociedade moderna não está preocupada com a licitude dos meios, mas sim com a legitimidade dos fins. Nesse processo escabroso de justificação de um homicídio, a cegueira vai tomando conta da sociedade. A vida de um anencéfalo deixada de lado para “ajudar” uma família. Resta perguntar se a assistência a esse ato tão vil pode ser considerada verdadeiramente uma ajuda.

Lágrimas são previsíveis. A descoberta de anencefalia é uma experiência dolorosa para toda uma família. Mas, a anencefalia, meu Deus, não tira a humanidade de ninguém! Uma má-formação no tubo neural de um feto não altera as noções básicas de justiça! Não se trata de ignorar o sofrimento e a dor de uma família, mas de não se esquecer que um ser humano, mesmo com anencefalia, precisa ter seu direito à vida respeitado. E isso, isso não pode ser pedir demais.

Que Maria Santíssima, Espelho de Justiça, possa ser o consolo de tantos seres humanos trucidados nos ventres de suas mães. E o Preciosíssimo Sangue de Cristo purifique a humanidade de seus pecados e conduza aqueles que estão dispersos ao redil de Nosso Senhor.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

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