Nada deles resta, senão cinzas e vermes

Todos nascemos com a corda no pescoço e a cada passo que damos mais nos aproximamos da morte, diz sabiamente São Cipriano.

http://i15.photobucket.com/albums/a351/britishgrenadier/Saints/St%20Alphonsus%20Liguori/AlphonsusLiguori.jpg“Por muitos anos (…) que ainda tenhas de viver, há de chegar um dia, e nesse dia uma hora, que te será a última. Tanto para mim, que escrevo, como para ti, que lês este livro, está decretado o dia, o instante, em que nem eu poderei mais escrever nem tu ler. (…) Está proferida a sentença. Nunca existiu homem tão néscio que se julgasse isento da morte. O que sucedeu a teus antepassados, também sucederá a ti. De quantas pessoas, que, no princípio do século passado, viviam em tua pátria, nenhuma existe com vida. Até os príncipes e monarcas deixarão este mundo. Não subsistirá deles mais que um mausoléu de mármore com inscrição pomposa que somente serve para nos patentear que dos grandes deste mundo só resta um pouco de pó resguardado por aquelas lajes. São Bernardo pergunta: ‘Dize-me: onde estão os amadores do mundo? E responde: Nada deles resta, senão cinzas e vermes’.”

- Santo Afonso de Ligório
Preparação para a morte, edição em PDF, p. 36

Cinzas e vermes. O homem está preocupado em ajuntar tesouros nesse mundo. Conquista terras e bens materiais. Sujeita outros homens a seus desejos mesquinhos, maltrata seus empregados, desfruta de todos os prazeres carnais e, no fim de sua vida, não pode escapar da terrível realidade da morte. A morte põe fim à sua vida de prazeres e, agora, esse mesmo homem está diante de Deus, para prestar-Lhe contas. Estava tão obcecado pelos bens perecíveis desse mundo que se esqueceu de preparar seu lugar na eternidade. Para onde vai esse homem?

Assim como tantos outros, será certamente lançado no inferno. “Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançados para fora” (Lc 13, 28). O Verbo Divino se fez carne e anunciou aos homens a boa nova da salvação. Somos predestinados e a graça é irresistível ou nós somos capazes, por nós mesmos, de entrar no Reino dos céus? Nem Jansênio, nem Pelágio. A salvação é fruto da colaboração entre a graça divina e a liberdade humana. Se o homem aceita a Deus, isso é obra de Sua graça. E se a graça de Deus o homem aceita, é porque esse abriu a Ele, pelo exercício da liberdade, as portas de seu coração. Se, pelo exercício de sua liberdade, o homem ignora a voz do Altíssimo e se obstina no erro, se lança às trevas exteriores, se condena, se afasta d’Aquele que é fonte de toda Bondade, de toda Verdade, de todo Amor.

E para sempre. Uma ofensa cometida contra um Deus eterno merece castigo eterno. E pelo pecado nos tornamos merecedores do inferno. Quão tola é a atitude daqueles que, ignorando que devem morrer, se esquecem de pôr em prática os meios para fugir das ocasiões de pecado! O inferno… é a eternidade longe de Deus. A eternidade! Não é nem um dia nem mil anos: é viver a imortalidade condenado ao fogo que não se apaga. Oh, se pelo menos fosse exterminada a alma daquele se condena. Mas, não! A alma está ali, padecendo sem morrer, sofrendo os mais terríveis tormentos…

O alerta de Cristo a todos nós hoje é fundamental: “Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam” (Mt 6, 20). Ajuntai tesouros no Céu! Ajuntar tesouros na terra é inútil. Tudo o que temos aqui vamos deixar. O nosso corpo é entregue às traças, aos vermes; se torna cinzas. A nossa alma, porém… Como devemos lutar para estar em estado de amizade com Deus! Só assim poderemos verdadeiramente nos salvar, só assim poderemos verdadeiramente ser felizes, esperando viver a eternidade ao lado do Altíssimo, louvando Sua Bondade para sempre.

Pensemos nisso. E mudemos de vida. Hoje. Porque, amanhã, o amanhã pode não chegar.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Votar com consciência e responsabilidade

http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/jornal_o_sao_paulo/2008/080902/jornal_noticia_05.jpg“[O] grande problema, bastante presente nesta situação pré-eleitoral, é o da duplicidade, da incoerência daqueles candidatos, que por um lado, fazem questão de se mostrarem “religiosos”, sensíveis à fé, mas que na prática ou estão inscritos em partidos que defendem valores anticristãos, ou apresentam um ideário programático político pessoal que contêm indicações absolutamente incoerentes com a fé que declaram professar ou respeitar. Dentro deste quadro, chegamos ao ponto de sermos obrigados a ouvir, de determinados candidatos e candidatas, certas declarações, por exemplo, em relação ao aborto, afirmando que “pessoalmente sou contra, mas quando no governo, garantirei o direito de quem quiser abortar, já que o aborto não é uma questão que envolva a fé, mas sim, a saúde pública”.”

- Dom Antônio Keller
Nota Pastoral de orientação em relação às eleições de 2010

A nota que faz algumas considerações acerca do papel do cristão na política eleitoral, emitida recentemente pelo bispo de Frederico Westphalen, dá esclarecimentos importantíssimos para que os católicos brasileiros exerçam sua cidadania “com consciência e responsabilidade”.

Com consciência e responsabilidade, i. é, não se esquecendo do compromisso que fizeram com o Altíssimo no dia em que receberam o indelével selo batismal, compromisso de zelar pela vida humana, desde a sua concepção até a morte natural, compromisso de valorizar a honra e a dignidade da família cristã. Dos candidatos que são apresentados como opções, pouquíssimos mantêm esse compromisso. E é obrigação de todo católico verificar a ficha de seus candidatos. Será que esse candidato vai me representar direito na Câmara, no Senado, na Assembleia Legislativa? Quais são suas propostas? Estão elas em contradição com o que me ensina a fé da Igreja?

Todas essas perguntas são importantíssimas, especialmente quando observamos a banalidade com a qual muitos cristãos tratam as questões políticas. Esteja atento, católico. Esteja atento à ficha de seus candidatos e aos seus projetos. O futuro do Brasil depende de sua tomada de consciência.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A raiz do mal

Não há nenhuma cura para a assembléia dos soberbos, pois, sem que o saibam, o caule do pecado se enraíza neles.

- Eclesiástico 3,30

Chamou minha atenção este versículo da primeira leitura de hoje. O orgulho é o vício dos vícios, maior dos pecados capitais, cabeça deles. É o pecado satânico por excelência, é o começo e cume de toda perversão na criação. Já no Antigo Testamento os sábios de Israel como o autor do Sirácida, já o sabiam. Até mesmo os antigos pagãos conheciam o veneno do orgulho, a Hubrys cantada em suas tragédias e lendas como Níobe e Mársias. Emprestando uma metáfora dos gregos (o ouro dos egípcios, já dizia Agostinho), se o pecado é uma Hidra de Lerna, o orgulho é sua cabeça principal.

Nosso Senhor Jesus Cristo, rei do universo, transido de dores em sua Paixão, ensine-nos pelo exemplo, e auxilie-nos pela sua divina graça a combatermos a raiz do mal.

Escolher o último lugar

As leituras deste domingo mais uma vez exortam-nos a uma virtude da humildade, indispensável na vida do cristão. É preciso que nossa vida esteja integralmente submetida a Deus, sem “porém”.

Na primeira leitura somos colocados imediatamente em relação profunda com a humildade. “Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor. Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios. Pois grande é o poder do Senhor, mas ele é glorificado pelos humildes” (Eclo 3, 20-21). Diversas vezes os textos dominicais nos colocaram a questão da humildade, e hoje, mais uma vez, vemo-la como uma riqueza e uma essencialidade na vida do cristão. Quem poderá ser mais rico do que aquele que é mais humilde? E Jesus foi o primeiro a dar-nos o exemplo da servidão, da humilhação. Esta teve sua plena consumação na cruz, com sua morte. Ali, quando parecia vencido, abatido pelo fardo que foi obrigado a carregar, o Senhor manifesta gloriosamente o seu poder. Pela morte de Cristo nos-é dada a redenção. E que grande vitória parte da humilhação!

Deparamo-nos na hodierna sociedade, principalmente no âmbito social, mas também no religioso, com pessoas que buscam famas, prazeres, e querem reconhecimento já neste mundo, feito de efemeridades. A estes servem as palavras da primeira leitura; mas também a nós, para que não incorramos neste erro.

Há! Os Santos! Que grandes pessoas foram! Doutores, místicos, eremitas, abades, Papas, Bispos, reis, rainhas… e nunca se envaideceram de tais honras. Nunca buscaram gloriar-se, senão gloriar unicamente a Cristo, como bem recorda-nos o apóstolo: “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6, 14).

No Evangelho Jesus não dá uma aula de comportamento, mas ensina a submetermo-nos aos desígnios de Deus, e aceitá-los humildemente. O evangelista diz-nos que “Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares” (Lc 14, 1.7). Aqui se encaixa exatamente o perfil da sociedade atual: a sede de prazer, de estar sempre à frente, de ocupar os primeiros lugares. Em outras palavras: uma busca desenfreada pela autossuficiência, onde Deus já não é o objetivo central, mas é subjugado pelo homem. Desta forma deixa-se de transcender para o bem e acaba por lançar-se à própria sorte, caindo no mesmo erro de Satanás, a soberba, e esvaziando-se do verdadeiro sentido de humildade.

Se se é humilde apenas na aparência, mas o espírito está repleto de ganância, em vão será esta aparente humildade.

E Jesus diz mais: “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar.

Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado” (Lc 14, 8-11).

Jesus se utiliza da comparação de um casamento. Sobre esta simbologia o Pe. Tuya escreve: “O banquete de casamento ao qual Jesus faz menção é o Reino Messiânico [...]. Ali, os primeiros lugares estão reservados para os que forem mais humildes” (Bíblia comentada. Evangelios. Madrid: BAC, 1964, v.II, p.864). Não busquemos ocupar os primeiros lugares, pois poderemos ser mandados para os últimos. São condições que Jesus apresenta-nos para entrarmos no Reino do Céu. É necessário escolhermos o último lugar, e só assim poderemos chegar ao primeiro. E ocupemo-los com amor e espírito de serviço, para assim agradarmos ao Senhor.

São Beda, o Venerável, assim afirmou: “Todo aquele que, convidado, venha às bodas de Jesus Cristo e da Igreja, unido pela fé aos membros da Igreja, não se exalte como se fosse superior aos outros, nem se glorie por seus méritos; mas ceda seu lugar àquele que, convidado depois, é mais digno e progrediu mais no fervor dos que seguem a Jesus Cristo, e ocupe com modéstia o último lugar, reconhecendo que os demais são melhores do que ele em tudo quanto se julgava superior” (via Arautos).

“Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos” (Lc 14, 13-14).

Há! Estas palavras de Jesus! Como fazem uma diferença tremenda em nosso meio. Como elas foram tão duras aos ímpetos orgulhosos, materialistas e egocêntricos homens, que circundavam aquela mesa. Vivemos em um mundo que sempre busca retribuições e ações interesseiras. Jesus, porém, ensina-nos a nada pedirmos em troca, para que tudo possamos ganhar no dia da ressurreição.

Assim, São João Crisóstomo, Doutor da Igreja, bem escreveu: “Não nos perturbemos, pois, quando não recebermos recompensa pelos nossos benefícios, mas sim quando a recebermos; porque se a recebermos aqui, nada receberemos depois; mas se os homens não nos pagarem, Deus nos pagará” (via Arautos).

Que a Virgem Maria, nos proteja, e nos ensine a sermos humildes, assim como Ela foi. Celebrando a Festa do Martírio de São João Batista, queremos também nós, pedirmos o dom do serviço e do verdadeiro anúncio da verdade.

Ut in omnibus glorificetur Deus!

Chamados ao amor

“Constituiu-nos em situação de produzirmos fruto, isto é, de nos amarmos mutuamente. Nunca poderíamos produzir este fruto sem a sua cooperação, assim como os ramos nada podem produzir sem a videira. A caridade, portanto, tal como a definiu o Apóstolo: ‘nascida de um coração puro, da boa consciência e da fé não fingida’ [1Tm 1,5] é o nosso fruto. É com ela que nos amamos uns aos outros e que amamos a Deus.

Nunca poderíamos amar-nos mutuamente com verdadeiro amor se não amássemos a Deus. Ama o próximo como a si mesmo aquele que ama a Deus. Se não ama a Deus não se ama a si mesmo”.

(Santo Agostinho, Comentário ao Evangelho de São João)

Celebramos hoje a Festa de Santo Agostinho, Bispo, escritor, filósofo, teólogo, Padre e Doutor da Igreja. É o Padre da Igreja que mais deixou escritos. Para este dia resolvi fazer um comentário às suas sábias palavras, que perpassaram estes séculos que dele nos separam e permanecessem audíveis a todos os homens da nossa sociedade.

Santo Agostinho não hesitava em defender a verdade que Jesus Cristo defendeu, e por ela fez a maior doação que foi sua própria vida. Dizia ele: “Não se imponha a verdade sem caridade, mas não se sacrifique a verdade em nome da caridade”. Ora, transcorridos dois mil anos, a Igreja toma para si estas palavras e, em toda a sua história, nunca se omitiu, nem se omitirá da verdade, ainda que muitos não concordem com ela. Para os que a criticam bastar-lhes-ia dizer que Nosso Senhor foi perseguido e morto por causa da verdade; os mártires derramaram seu sangue pela verdade; e a Igreja é perseguida por transmitir ao mundo a Verdade. Só o amor pode conter a Verdade, e só quem possui a verdade pode conter o verdadeiro Amor.

Esta é uma característica do amor: doar-se. Após sua conversão, ou mesmo antes dela, Agostinho incansavelmente sempre esteve em busca da verdade; julgava ele que esta poderia ser encontrada nos prazeres do mundo ou nos ensinamentos maniqueístas. No entanto, lá, nada encontrou que o preenchesse plenamente.

Mas, em sua conversão, fruto das intensas orações de sua Santa mãe, Mônica, ele depara-se com o verdadeiro sentido existencial. Ele fora criado para amar, para servir a Deus, para doar-se completamente. Eis o objetivo magno de sua vida! Sentira ele que se não amasse a Deus, também não poderia amar o próximo, pois Deus é a causa do amor. E aqui precisamente nos defrontamos com o horizonte que despontou-se ante nossos olhos: a falta de amor, que gera individualismo; um mundo velho, que precisa renascer. Santo Agostinho rejuvenesceu em seu encontro com Cristo, “caminho universal da liberdade e da salvação” (Papa João Paulo II, Augustinum Hipponensem, 21). Ao mesmo tempo ele convida o mundo para que possa rejuvenescer, mergulhar em águas novas. Quem está com Cristo é eternamente jovem, ainda que o corpo possa parecer velho, o espírito sempre estará em estado jovial. “Não rejeitar rejuvenescer unido a Cristo, também no mundo velho. Ele diz-te: Não temas, a tua juventude renovar-se-á como a da águia” (cf. Serm. 81, 8).

O amor a Deus é a “porta de acesso” para que também possamos amar o próximo. Só passando pela cruz os homens poderão abraçar-se em espírito de fraternidade. E por que pela cruz? Porque lá está a maior prova de amor da humanidade. “Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5, 8). O amor torna-se humanamente visível na pessoa de Jesus Cristo. E tão-somente fosse visível, não chegaria a ter sentindo salvífico. Este só pode alcançar tal característica no Messias que, mesmo em estado padecente, não condenou-nos, senão orou para que fossem perdoados seus algozes. O efeito desta oração atingir-nos-á em cada instante, ainda quando esquecemos do seu infinito e benevolente amor.

Em primeiro lugar consiste o amor a Deus, como bem nos ensina os mandamentos. E este amor a Deus significa que devemos renunciar às nossas próprias vontades. Já disse aqui outras vezes sobre a sede de transcendência do homem, que realizar-se-á unicamente quando ele souber submeter-se à vontade de Deus. É preciso que encontremo-nos, antes de encontrar Deus. “Quem não se encontra as si mesmo, não encontra a Deus, porque Deus está no interior de cada um de nós” (Papa João Paulo II, Carta Apostólica Agustinum Hipponensem, II, 2).

Para quantos Deus parece estar distante? Mas, na verdade, não é Deus que se distancia, porém o homem distancia-se dele. E cada atitude de autossuficiência, de arrogância, faz com que criemos uma barreira com este Deus que é totalmente acessível e que em sua essência é amor.

Agostinho “foi um homem de oração; e mais, poderíamos dizer: um homem feito de oração” (Idem, II, 5). A oração sempre foi o núcleo da vida dos santos. A total entrega a Deus deve ser modelo em uma sociedade que tende a desmoralizar os valores cristãos. O amor fortalece esta doação; com ele não sentimos a solidão, pois melhor acompanhado está quem está com Deus.

Omnia vincit amor — o amor tudo vence”, afirma Virgílio nas Bucólicas e acrescenta: “et nos cedamus amori — rendamo-nos também nós ao amor” (X, 69). Com este convite a que somos impelidos, procuremos, a exemplo dos santos, de modo particular Santo Agostinho, vivermos, em concomitância com os ensinamentos evangélicos, o amor cristão-caritativo, invólucro nos mandamentos da lei de Deus, e que é o próprio Deus.

Ut in omnibus glorificetur Deus!

Edir Macedo defende o aborto

http://oglobo.globo.com/fotos/2010/02/26/26_MVG_pais_edir-macedo1.jpgNão é nova para ninguém a estranha posição da igreja Universal do Reino de Deus acerca do aborto. Para Edir Macedo, seria melhor que o ser humano fosse abortado do que viesse ao mundo para sofrer e para se voltar contra a sociedade. O discurso determinista do fundador da igreja Universal é repugnante; e insistente. Explica o lobo que o aborto seria um verdadeiro benefício social, seja para a família (que teria melhor qualidade da vida, já que mais filhos representariam mais problemas), seja para a própria sociedade como um todo (já que um filho nascido sem planejamento familiar é um filho revoltado, pessoa que certamente se voltaria contra a sociedade).

A criatura chega a querer usar as Sagradas Escrituras para defender a prática do aborto. Não pode haver linguagem mais suja, mais covarde, mais desumana e mais cruel que a linguagem daqueles que abrem a boca para vomitar o erro e o crime. E o sr. Edir Macedo só deixa mais claro quão funestas podem ser as consequências da má interpretação da Escritura, quão terríveis podem ser as táticas usadas pelo homem para se buscar “qualidade de vida”.

O vídeo que mostra o sr. Edir Macedo defendendo a prática do aborto foi divulgado primeiro no blog O Possível e O Extraordinário.

“Eu sou a favor do aborto sim. Eu sou e digo isso em alto e bom som, com toda a fé do meu coração, e não tenho medo nenhum de pecar. E se eu estou pecando, eu cometo esse pecado consciente.”

“De Deus não se zomba” (Gl 6, 7).

Ouvir a voz de Deus e abrir-Lhe a porta

http://www.yeti.be/files/image/benedictusXVI_1.jpgO papa Bento XVI lembrou hoje a figura de Santo Agostinho, cuja memória a Liturgia celebra no próximo dia 28.

“Desejo dizer a todos, também àqueles que estão em um momento difícil em sua caminhada de fé, a quem participa pouco na vida da Igreja ou a quem vive como se Deus não existisse, que não tenham medo da Verdade, não interrompam nunca o caminho rumo a ela, não deixem de procurar a verdade profunda sobre si mesmos e sobre as coisas com o olho interior do coração. Deus não deixará de dar Luz para fazer ver e Calor para fazer sentir no coração que nos ama e que deseja ser amado.”

- Papa Bento XVI, Catequese sobre Santo Agostinho
25 de agosto de 2010

“Santo Agostinho compreendeu, em sua incansável busca, que não é ele que havia encontrado a Verdade, mas a Verdade mesma, que é Deus, perseguiu-o e o encontrou”. A conclusão do Papa faz alusão a uma verdade bíblica: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (Ap 3, 20). É preciso que ouçamos a voz de Deus. Por isso, “as criaturas devem ficar em silêncio quando se deve dar lugar ao silêncio em que Deus pode falar”, aponta o Papa. Em meio ao barulho e à correria em que vive o homem moderno, o convite ao silêncio é também um desafio. Silenciar-se significa desprender-se, desapegar-se. Para ligar-se em Deus, é preciso que o homem se desligue do mundo e ouça ao Altíssimo, que é Este homem que está à porta e bate, esperando que a porta lhe seja aberta.

Quando o Senhor mostra que, para que sejamos Sua morada, devemos abrir-Lhe a porta, logo nos remetemos à ideia da liberdade. O Altíssimo deseja derramar sobre todos os homens a Sua misericórdia, a Sua graça, a Sua bondade, os Seus dons. O Onipotente, no entanto, se faz necessitado do ato da liberdade humana, para que possa agir de fato no mundo. Com efeito, santos de uma espiritualidade viva e encantadora, como São Francisco de Assis, Santa Teresa de Ávila e São Pio de Pietrelcina, todos eles só puderam ser modelo para o mundo graças ao sim que deram a Deus. Ele não impõe sua Vontade a ninguém. Não arromba a porta. Está diante dela, batendo. Portanto, se Ele apenas bate à porta, por que temer?

Encoraja-nos o Papa: “Não tenham medo da Verdade.” Tenhamos, antes, medo de perder a maravilhosa oportunidade de abrir a porta do nosso coração aos chamados do Senhor. A rejeição de Deus, por um ato da nossa liberdade, é a rejeição de todo Bem, de toda Verdade, de toda consolação. Enquanto não ouvirmos a voz de Deus, Ele continuará batendo e nos chamando. Deixemos de lado a indiferença e a irreligião. Silenciemo-nos e abramos a porta Àquele que bate. A Virgem Santíssima nos ajude a responder sim à vontade do Senhor.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Debate entre presidenciáveis na Canção Nova

A TV Canção Nova e a Rede Aparecida promoveram, ontem, um debate entre os candidatos à presidência da República. Foram convidados para a conversa a candidata do PT, Dilma Rousseff, o candidato do PSDB, José Serra, o candidato do PSOL, Plínio Arruda, e a candidata do PV, Marina Silva. Mais uma vez José Eymael, do PSDC, ficou de fora de um debate entre os presidenciáveis, aparecendo na programação só durante a propaganda política obrigatória.

Convém ressaltar que a candidata petista, Dilma Rousseff, não compareceu ao debate, alegando “problemas de agenda”. A explicação da candidata foi ridicularizada pelo candidato Plínio Arruda, durante o debate. Ele explicou, após receber informações de seus assessores, que Dilma estava, na verdade, tuitando enquanto ouvia músicas do Pato Fu. O que a candidata do PT fez foi fugir. Fugir das embaraçosas perguntas de bioética e fugir da pressão que os jornalistas talvez pudessem fazer quanto à posição da candidata em relação ao Programa Nacional de Direitos Humanos 3.0. Sua participação no debate ou viria recheada de discursos mentirosos e mal elaborados ou certamente evidenciaria a impossibilidade de um católico votar na candidata do governo.

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O candidato Plínio Arruda, do PSOL, explicitou suas opiniões. Em dado momento, defendeu a manutenção do ensino religioso nas escolas. Se manifestou, no entanto, favorável à descriminalização do aborto e afirmou não ver nenhum problema no Programa Nacional de Direitos Humanos do governo Lula. Mostrou uma visão política e social totalmente distinta do pensamento da doutrina católica. Defendeu a implantação do sistema socialista frente à “exploração capitalista”.

O pe. Joãozinho manifestou reações diversas à participação de Plínio Arruda no debate. Primeiramente, denominou-o “genial,” chamando-o de “profeta da política” (!). Depois, exclamou: “O Plínio é a própria lucidez em vida!” Ao ouvir a opinião do candidato sobre o aborto, falou que havia sido “demagógico”. Depois de assistir às alfinetadas do candidato socialista à candidata do PV, afirmou que tinha sido deseducado e denominou o ato “ridículo”.

A militância socialista do sr. Plínio – convenhamos – assusta. Para o candidato, os problemas de violência e os crimes presentes na sociedade são todos culpa do sistema capitalista. E a solução? Qual seria? A implantação de um regime comunista. Impossível não se lembrar das palavras do papa Pio XI: “Efetivamente, o comunismo por sua natureza opõe-se a qualquer religião, e a razão por que a considera como o ópio do povo, é porque os seus dogmas e preceitos, pregando a vida eterna depois desta vida mortal, apartam os homens da realização daquele futuro paraíso, que são obrigados a conseguir na terra” (Divini Redemptoris, n. 22). Embora não assuma publicamente – e talvez nem pense dessa maneira – que não gosta da religião e que se opõe a qualquer manifestação religiosa, o pensamento do sr. Plínio de que seria possível construir “um Céu na Terra” tem suas raízes justamente nesse materialismo severamente condenado pela Igreja Católica.

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O candidato José Serra, do PSDB, foi ofuscado pela atuação de Plínio e Marina. Apesar da ausência da candidata Dilma, Serra não perdeu a oportunidade de alfinetar a concorrente direta na disputa eleitoral. Falou sobre o aborto e se manifestou contrário à realização de um plebiscito para consulta da opinião popular sobre o assunto. Criticou a candidata Dilma, por seus comentários ambíguos no que se refere à descriminalização do aborto. Nas considerações finais, se emocionou ao lembrar Zilda Arns, cuja figura o motivou em seu trabalho pela saúde.

José Serra aparenta ser um bom candidato, mas, seu passado tem algumas marcas duvidosas. Apesar de ter criticado o projeto de descriminalização do aborto durante o debate na TV Canção Nova, quando ministro da Saúde, editou uma Norma Técnica facilitando a execução do aborto. Se o projeto Ficha Limpa vale para envolvimento em escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos, certamente vale também para atuações negativas no que diz respeito à defesa do direito inalienável da vida.

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A candidata Marina Silva, do PV, insistiu na defesa de um plebiscito para tomada de decisões quanto à lei que descriminaliza o aborto e defendeu a visão de um Cristo pacifista. Por outro lado, defendeu a manutenção de símbolos religiosos em repartições públicas e, em determinado momento do debate, afirmou que “o Estado é laico, não ateu”, mostrando que laicidade não se confunde com laicismo. Defendeu também a necessidade de preservação da natureza.

O tema da mensagem do papa Bento XVI no dia mundial da Paz esse ano foi: “Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação”. A Igreja é enfática em afirmar a importância do cristão se comprometer com a conservação do meio ambiente. O que se mostra bastante incoerente no pensamento de Marina é que defenda tanto o meio ambiente, mas se mostre tão “democrática” no que diz respeito à questão do aborto. Ela é claramente contra o aborto e um plebiscito no Brasil hoje daria vantagem aos defensores da vida, já que quase três quartos da população brasileira são desfavoráveis à legalização do homicídio de crianças. Mas o problema não é esse. Por acaso a decisão sobre a manutenção da vida de seres humanos deve estar sujeita à Constituição ou à opinião popular? Ora, a Lei natural e a Constituição Brasileira são claras ao defender o direito das pessoas à vida, desde o momento da concepção até a morte natural. Nesse ponto, Marina se mostra contraditória.

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Traçar um resumo do que foi o debate não é tarefa fácil. Talvez se resuma aos estranhos aplausos da plateia aos trágicos comentários do socialista Plínio Arruda. Talvez se resuma à atuação pouco convincente de Serra, ou ao medo da candidata Dilma em debater assuntos que são tão importantes para o eleitorado católico. Talvez se resuma a algumas frases brilhantes proferidas por Marina durante o debate. Entre tantos talvezes, uma coisa é certa: dos candidatos com chances maiores de vitória, nenhum tem compromisso sólido com as propostas cristãs. E isso é muito triste para um país considerado “a maior nação católica do mundo”. Que Nossa Senhora Aparecida tenha misericórdia dessa Terra de Santa Cruz.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

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Leia também: Tudo é mais do mesmo, do blog Deus lo Vult!.

És tu Maria…

[Resolvi escrevê-lo após a oração do Terço]

És tu Maria, que me mostra a face maternal e misericordiosa de um Deus que fez-se homem, e rebaixou-se à nossa condição humana, para poder elevá-la.

És tu que, ao receber o chamado de Deus, não te engrandecestes, mas te fizeste serva do Senhor, ensinando-nos que só pode ser feliz quem se põe sob a proteção de Deus, tornando-se seu eterno servo.

És tu quem mostra ao mundo que, quem está com Deus, ainda que sejam grandes as dificuldades, maior ainda deve ser a nossa fé, e tanto maior será a ação de Deus.

És tu que ao ser o primeiro Sacrário da humanidade, ensina-nos que hoje somos chamados a sermos sacrários, ainda que indignamente mereçamos receber nosso Senhor.

És tu, Maria, mãe agraciada e Imaculada, que ensina-nos que o mais

importante não é o que este mundo tem-nos a dar passageiramente, mas o que Deus [e só Deus!] pode dar-nos eternamente.

És tu que nos ensina que nós fomos criados para o céu. Não somos para a perdição e o vazio existencial! Somos peregrinos! E como peregrinos temos uma Meta que se chama Deus.

Qual magnânimo é teu nome! Ao ser pronunciado abala os infernos e põe abaixo a horda satânica.

Ó Mãe! Quão infelizes aqueles que te rejeitam! Que negam que o teu amor maternal por cada um de nós é maior que o amor de todas as mães do mundo pelos seus filhos.

Em ti, Mãe, eu me refugio! Tenho certeza de que nunca nos desamparas, e sem poderás fazê-lo, pois sois puramente misericórdia.

Interceda sempre por mim junto a Jesus! Que o teu manto protetor afaste as tentações de Satanás e todos os males que insurgem contra nós. E que, se sobre mim vier o sofrimento, que esteja eu confiando no teu Filho e em Ti; será-me mais confortador sofrer toda a vida e vencer na eternidade, não somente com teu amado Jesus, mas nEle. Ensina-me a estar aos pés da cruz, e como fostes, torne-me também paciente em cada tribulação.