O Evangelho deste 26ª domingo do Tempo Comum nos propõe a parábola do rico e Lázaro. É uma mensagem essencialmente escatológica. Os personagens dessa história são um homem rico, que não se preocupava com a situação miserável na qual viviam aqueles que circundavam a sua mesa, e Lázaro, um pobre faminto cujas feridas eram lambidas pelos cães (cf. Lc 16, 21). Que situação terrível vivia Lázaro. Que compaixão deve suscitar em nós a sua miséria! Mais do que compaixão, no entanto, pelo personagem evangélico, é preciso que nos solidarizemos com aqueles que padecem de fome na nossa sociedade. Aludimos aqui não só à fome material, mas principalmente à fome espiritual, anseio por felicidade. Não podemos nos esquecer que a matéria tem o seu fim; a alma, no entanto, após a morte, permanece viva.
O rico da parábola se esqueceu disso. Jesus narra a morte dos dois homens de dois modos distintos, inclusive. Para aquele que se preocupou excessivamente em adquirir bens terrenos, mostrou o destino do corpo; para aquele que não tinha do que se fartar materialmente neste mundo, mostrou o destino da alma. “Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado” (Lc 16, 22). O destino do corpo é o mesmo, para os dois. Por isso diz-se que a morte nivela todos os homens. Ricos e pobres, seus corpos o mesmo fim terão. Tanto o corpo do rico avarento quanto o corpo do pobre miserável serão consumidos. A alma, porém, dois destinos diferentes tem pela frente. Céu ou inferno, consolação ou tormento, alegria ou eterna penúria. Na situação apresentada por Nosso Senhor, vai o rico para o inferno e o pobre para a vida eterna. “Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado” (Lc 16, 23).
Mas, pode, por acaso, o condenado um dia ir para o Céu ou o salvo descer algum momento ao inferno? Pode ser alterada a justa sentença do Altíssimo acerca do destino eterno dos homens? “Há um grande abismo entre nós; por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós” (Lc 16, 26). E pode uma alma atormentada voltar à Terra para comunicar-se com os vivos e contar-lhes o que se passa no plano sobrenatural? A insistência do rico condenado também nos mostra que essa comunicação não é possível. Não se pode confundir evocação dos mortos, que é uma prática espírita severamente condenada pela Igreja, com a comunhão dos santos, que é a comunicação de bens espirituais entre os membros do Corpo Místico de Cristo. Admitir a comunicação com os mortos como fonte de revelação seria considerar insuficiente a obra redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, seria aderir à perversa doutrina dos espíritos de Allan Kardec.
Para complementar aquilo que já falamos sobre a rejeição do espiritismo pelo próprio Evangelho, nos utilizamos de comentários de frei Boaventura Kloppenburg escritos no livro Espiritismo – Orientação para católicos *:

O rico avarento é condenado ao inferno. A diferença entre os dois, depois da morte, é grande. O falecido rico gozador implora: “Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou torturado nesta chama”. Mas a separação entre ambos é definitiva e a comunicação, impossível. A resposta do céu é clara e dura: “Entre vós e nós existe um grande abismo, de modo que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o podem, nem tampouco atravessarem os de lá até nós” (v. 26).
O falecido epulão insiste num pedido com filantrópica proposta: “Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que ele os advirta, para que não venham eles também para este lugar de tormento”. Era uma sugestão que parecia muito boa. Estabelecer-se-ia um útil intercâmbio entre os do além, com seus novos conhecimentos, e os da terra, sempre necessitados de esclarecimento e orientação. No entanto, a resposta do céu é seca: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (v. 29).
Mas o proponente insiste, com uma justificação: “Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se converterão”. A razão parecia óbvia. É a solução proposta também pelos atuais movimentos espiritistas. Se é verdade que as almas dos falecidos sobrevivem conscientemente e que elas continuam solidárias conosco, afirmações que são corroboradas pela Bíblia e ensinadas pela Igreja católica, por que não poderia o Criador escolher esta via para trazer revelações úteis do além? A resposta do céu, entretanto, segundo Jesus, é sem rodeios: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão” (v. 31).
É a rejeição pura e simples da via espiritista. Deus certamente “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2, 4). Ele não quer deixar-nos na ignorância. Mas o Criador dos homens escolheu outra Via para instruí-los sobre o sentido da vida e o destino eterno. (…) Depois de Moisés e dos Profetas, Deus nos enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus (cf. Jo 1, 1-18). Com Jesus recebemos a plenitude da revelação necessária para a nossa salvação.
As palavras do Santo Evangelho nos ajudem a rejeitarmos de todo o nosso coração todas as práticas que nos afastam dos mandamentos da lei do Altíssimo e nos motivem a termos movimentos de sincera compaixão e solidariedade para com o nosso próximo. Contemplando a imensa Misericórdia de Deus, possamos temer também obstinarmo-nos no pecado e rejeitarmos Sua Bondade que salva.
Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!
“Como bem sabeis, amados Pastores, o núcleo da crise espiritual do nosso tempo tem as suas raízes no obscurecimento da graça do perdão. Quando este não é reconhecido como real e eficaz, tende-se a libertar a pessoa da culpa, fazendo com que as condições para a sua possibilidade nunca se verifiquem. Mas, no seu íntimo, as pessoas assim libertadas sabem que isso não é verdade, que o pecado existe e que elas mesmas são pecadoras. E, embora algumas linhas da psicologia sintam grande dificuldade em admitir que, entre os sentidos de culpa, possa haver também os devidos a uma verdadeira culpa, quem for tão frio que não prove sentimentos de culpa nem sequer quando deve, procure por todos os meios recuperá-los, porque no ordenamento espiritual são necessários para a saúde da alma. De fato Jesus veio salvar, não aqueles que já se libertaram por si mesmos pensando que não têm necessidade d’Ele, mas quantos sentem que são pecadores e precisam d’Ele (cf. Lc 5, 31-32).”
“Maria, como Mãe, não quer condecorações nem honras, mas prestar serviços. E Jesus não vai não ouvir as suas súplicas, Ele, que mandou obedecer ao pai e à mãe. O primeiro imenso serviço dessa mulher foi o ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra’ e o ‘Eis aqui a escrava o Senhor’ (Lc 1, 38). Deus fez depender a sua obra do sim de Maria. Sem burlar, prestou, e segue prestando serviços: isto enche a alma de uma santa alegria e
Há tantas coisas a dizer sobre esta visita papal extraordinariamente bem sucedida que não consigo colocar tudo em uma única postagem de blog. Mas se tivesse que produzir uma reação imediata seria alegria por o Papa Bento XVI não ser mais um estranho para o povo britânico. Agora eles o conhecem; a curiosidade deles foi despertada por sua mensagem poderosa e os corações deles aquecidos pelo seu jeito perfeito de agir e seu delicado sorriso de avô. David Cameron deixou isso claro em seu discurso no aeroporto: nós te ouvimos, ele disse ao pontífice, acrescentando que “desafiastes o país inteiro a sentar e pensar”.
Encerrada mais uma Visita Apostólica do Santo Padre o Papa Bento XVI (sua 11º a um país europeu e sua 17º Internacional), resta-nos agradecer profundamente a Deus por um tão magnífico presente dado a nós e a toda a Igreja espalhada pelo vasto campo de missão, o mundo, onde, em nossos dias, não menos urgente é a tarefa evangelizadora à qual todos os cristãos são chamados. Não obstante os constantes desafios, a Igreja convida-nos a fazermos cumprir o desejo do Senhor, que, ainda que perpassados dois mil anos, torna-se cada vez mais veemente e necessário, sobretudo em uma sociedade tomada por ideologias consumistas, capitalistas e ateístas, que tendem a fazer desaparecer os verdadeiros valores do Evangelho.
Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento histórico tem consciência de que os regimes totalitários do século XX eram regimes de base ateísta. Basta ler um pouquinho de Marx, ou dos discursos ofensivos de Lênin, para se chegar à conclusão de que o socialismo, responsável pela morte de milhões de pessoas no século passado, era materialista. O nazismo também é recheado dessas noções socialistas. A diferença era que o discurso de Hitler se voltava não contra os burgueses, mas contra os judeus, “considerados indignos de viver”, por serem considerados um entrave ao desenvolvimento político e econômico da Alemanha. Eliminando a noção religiosa da vida eterna pós-morte, os marxistas revolucionários lutaram com todas as suas forças para implantar, já aqui nesta terra, um paraíso. Em nome de um futuro hipoteticamente redentor, assassinaram milhares de pessoas, que seriam consideradas um entrave para a implantação desse modelo social. Todos esses genocídios em massa que ocorreram no século passado são sim conseqüência de uma forma de pensamento que exclui Deus e a religião da sociedade. O Papa apenas afirmou uma verdade que pode ser facilmente observada olhando simplesmente para a história do século XX e para os livros dos defensores do marxismo.
ssa semana a Igreja celebrou a festa da Exaltação da Santa Cruz e o dia de Nossa Senhora das Dores, nos dias 14 e 15 de setembro, respectivamente. São datas muito importantes e seria um tremendo erro de minha parte deixá-las passar assim, sem que se faça nenhum comentário oportuno acerca de ambas.