Separação definitiva, comunicação impossível

O Evangelho deste 26ª domingo do Tempo Comum nos propõe a parábola do rico e Lázaro. É uma mensagem essencialmente escatológica. Os personagens dessa história são um homem rico, que não se preocupava com a situação miserável na qual viviam aqueles que circundavam a sua mesa, e Lázaro, um pobre faminto cujas feridas eram lambidas pelos cães (cf. Lc 16, 21).  Que situação terrível vivia Lázaro. Que compaixão deve suscitar em nós a sua miséria! Mais do que compaixão, no entanto, pelo personagem evangélico, é preciso que nos solidarizemos com aqueles que padecem de fome na nossa sociedade. Aludimos aqui não só à fome material, mas principalmente à fome espiritual, anseio por felicidade. Não podemos nos esquecer que a matéria tem o seu fim; a alma, no entanto, após a morte, permanece viva.

O rico da parábola se esqueceu disso. Jesus narra a morte dos dois homens de dois modos distintos, inclusive. Para aquele que se preocupou excessivamente em adquirir bens terrenos, mostrou o destino do corpo; para aquele que não tinha do que se fartar materialmente neste mundo, mostrou o destino da alma. “Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado” (Lc 16, 22). O destino do corpo é o mesmo, para os dois. Por isso diz-se que a morte nivela todos os homens. Ricos e pobres, seus corpos o mesmo fim terão. Tanto o corpo do rico avarento quanto o corpo do pobre miserável serão consumidos. A alma, porém, dois destinos diferentes tem pela frente. Céu ou inferno, consolação ou tormento, alegria ou eterna penúria. Na situação apresentada por Nosso Senhor, vai o rico para o inferno e o pobre para a vida eterna. “Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado” (Lc 16, 23).

Mas, pode, por acaso, o condenado um dia ir para o Céu ou o salvo descer algum momento ao inferno? Pode ser alterada a justa sentença do Altíssimo acerca do destino eterno dos homens? “Há um grande abismo entre nós; por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós” (Lc 16, 26). E pode uma alma atormentada voltar à Terra para comunicar-se com os vivos e contar-lhes o que se passa no plano sobrenatural? A insistência do rico condenado também nos mostra que essa comunicação não é possível. Não se pode confundir evocação dos mortos, que é uma prática espírita severamente condenada pela Igreja, com a comunhão dos santos, que é a comunicação de bens espirituais entre os membros do Corpo Místico de Cristo. Admitir a comunicação com os mortos como fonte de revelação seria considerar insuficiente a obra redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, seria aderir à perversa doutrina dos espíritos de Allan Kardec.

Para complementar aquilo que já falamos sobre a rejeição do espiritismo pelo próprio Evangelho, nos utilizamos de comentários de frei Boaventura Kloppenburg escritos no livro Espiritismo – Orientação para católicos *:


O rico avarento é condenado ao inferno. A diferença entre os dois, depois da morte, é grande. O falecido rico gozador implora: “Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou torturado nesta chama”. Mas a separação entre ambos é definitiva e a comunicação, impossível. A resposta do céu é clara e dura: “Entre vós e nós existe um grande abismo, de modo que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o podem, nem tampouco atravessarem os de lá até nós” (v. 26).

O falecido epulão insiste num pedido com filantrópica proposta: “Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que ele os advirta, para que não venham eles também para este lugar de tormento”. Era uma sugestão que parecia muito boa. Estabelecer-se-ia um útil intercâmbio entre os do além, com seus novos conhecimentos, e os da terra, sempre necessitados de esclarecimento e orientação. No entanto, a resposta do céu é seca: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (v. 29).

Mas o proponente insiste, com uma justificação: “Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se converterão”. A razão parecia óbvia. É a solução proposta também pelos atuais movimentos espiritistas. Se é verdade que as almas dos falecidos sobrevivem conscientemente e que elas continuam solidárias conosco, afirmações que são corroboradas pela Bíblia e ensinadas pela Igreja católica, por que não poderia o Criador escolher esta via para trazer revelações úteis do além? A resposta do céu, entretanto, segundo Jesus, é sem rodeios: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão” (v. 31).

É a rejeição pura e simples da via espiritista. Deus certamente “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2, 4). Ele não quer deixar-nos na ignorância. Mas o Criador dos homens escolheu outra Via para instruí-los sobre o sentido da vida e o destino eterno. (…) Depois de Moisés e dos Profetas, Deus nos enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus (cf. Jo 1, 1-18). Com Jesus recebemos a plenitude da revelação necessária para a nossa salvação.


As palavras do Santo Evangelho nos ajudem a rejeitarmos de todo o nosso coração todas as práticas que nos afastam dos mandamentos da lei do Altíssimo e nos motivem a termos movimentos de sincera compaixão e solidariedade para com o nosso próximo. Contemplando a imensa Misericórdia de Deus, possamos temer também obstinarmo-nos no pecado e rejeitarmos Sua Bondade que salva.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* O texto de cor verde, transcrito do livro do frei Boaventura Kloppenburg, se encontra na pg. 29 da edição da obra em PDF. 

O perdão, cerne de toda verdadeira reforma

http://www.blikopdewereld.nl/Ontwikkeling/images/stories/svkl1h6/paus_benedictus_xvi%20sv%20deel%201%20hfst%206.jpg“Como bem sabeis, amados Pastores, o núcleo da crise espiritual do nosso tempo tem as suas raízes no obscurecimento da graça do perdão. Quando este não é reconhecido como real e eficaz, tende-se a libertar a pessoa da culpa, fazendo com que as condições para a sua possibilidade nunca se verifiquem. Mas, no seu íntimo, as pessoas assim libertadas sabem que isso não é verdade, que o pecado existe e que elas mesmas são pecadoras. E, embora algumas linhas da psicologia sintam grande dificuldade em admitir que, entre os sentidos de culpa, possa haver também os devidos a uma verdadeira culpa, quem for tão frio que não prove sentimentos de culpa nem sequer quando deve, procure por todos os meios recuperá-los, porque no ordenamento espiritual são necessários para a saúde da alma. De fato Jesus veio salvar, não aqueles que já se libertaram por si mesmos pensando que não têm necessidade d’Ele, mas quantos sentem que são pecadores e precisam d’Ele (cf. Lc 5, 31-32).”

“A verdade é que todos nós temos necessidade d’Ele, como Escultor divino que remove as incrustações de pó e lixo que se pousaram sobre a imagem de Deus inscrita em nós. Precisamos do perdão, que constitui o cerne de toda a verdadeira reforma: refazendo a pessoa no seu íntimo, torna-se também o centro da renovação da comunidade. Com efeito, se forem retirados o pó e o lixo que tornam irreconhecível em mim a imagem de Deus, torno-me verdadeiramente semelhante ao outro, que é também imagem de Deus, e sobretudo torno-me semelhante a Cristo, que é a imagem de Deus sem defeito nem limite algum, o modelo segundo o qual todos nós fomos criados. São Paulo exprime isto de modo muito concreto: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Sou arrancado ao meu isolamento e acolhido numa nova comunidade-sujeito; o meu “eu” é inserido no “eu” de Cristo e assim é unido ao de todos os meus irmãos. Somente a partir desta profundidade de renovação do indivíduo é que nasce a Igreja, nasce a comunidade que une e sustenta na vida e na morte. Ela é uma companhia na subida, na realização daquela purificação que nos torna capazes da verdadeira altura do ser homens, da companhia com Deus. À medida que se realiza a purificação, também a subida – que ao princípio é árdua – vai-se tornando cada vez mais jubilosa. Esta alegria deve transparecer cada vez mais da Igreja, contagiando o mundo, porque ela é a juventude do mundo.”

- Papa Bento XVI, Discurso aos bispos do Rio de Janeiro
25 de setembro de 2010

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Maria, uma mulher de serviço

As palavras dos santos acerca da devoção a Maria Santíssima fazem sempre crescer em nós o amor a essa boníssima Mãe. Abaixo palavras de Santo Alberto Cruchaga, jesuíta chileno, sobre o serviço que Maria presta à Igreja.

http://www.chasque.net/umbrales/rev163/hurtado-retrato%20carbon.jpg“Maria, como Mãe, não quer condecorações nem honras, mas prestar serviços. E Jesus não vai não ouvir as suas súplicas, Ele, que mandou obedecer ao pai e à mãe. O primeiro imenso serviço dessa mulher foi o ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra’ e o ‘Eis aqui a escrava o Senhor’ (Lc 1, 38). Deus fez depender a sua obra do sim de Maria. Sem burlar, prestou, e segue prestando serviços: isto enche a alma de uma santa alegria e faz com que os filhos que adoram o Filho, não possam separá-lo da Mãe.”

- Santo Alberto Hurtado
Maria, modelo de cooperação

Maria, como Mãe, não quer condecorações nem honras, mas prestar serviços. A mãe não é só aquela que gera, mas também aquela que educa, que alimenta, que ensina as primeiras lições da Fé. A mãe presta serviços a seu filho. Maria, mãe de Cristo, prestou serviços ao menino Deus educando-O e nutrindo-O. Maria, mãe da Igreja, presta serviços aos membros do Corpo Místico de Cristo, intercedendo por nós junto de seu Filho e sendo nossa força na caminhada rumo à Pátria Celeste. Ela nos convida, ao mesmo tempo, a nos inspirarmos em seu exemplo de vida para conquistarmos o Reino dos Céus. O cristão que deseja seguir verdadeiramente a Jesus Cristo deve tomar a consciência de que está a servir não a si mesmo, mas aos seus irmãos. “Eis aqui a escrava do Senhor”, disse Maria. Os seguidores de Nosso Senhor são chamados a sujeitarem-se uns aos outros no temor de Cristo, tomando Nossa Senhora como exemplo vivo de caridade.

E Jesus não vai não ouvir as suas súplicas, Ele, que mandou obedecer ao pai e à mãe. Os santos doutores não temem afirmar que Maria é onipotente. Ora, em que sentido isso pode ser? É bem verdade que a Maria é criatura; por natureza, só Deus é onipotente de fato. Acontece que, estando ela junto de Deus, ouvindo ela as nossas súplicas graças à comunhão dos santos, sua ação em favor dos homens é de uma incrível eficácia. Maria tudo pode junto de Deus. Os desesperados a ela, Mãe de Misericórdia, recorrem; os aflitos, dela, que é Consolação, se aproximam. “Assim quer Jesus honrar sua querida Mãe, que tanto o honrou em vida, prontamente concedendo-lhe tudo que pede ou deseja”, diz São Pedro Damião. Assim coopera Maria Santíssima na salvação das almas.

Deus fez depender a sua obra do ‘sim’ de Maria. A humanidade contaminada pelo pecado original só poderia ser remida com o poderoso auxílio divino. E ele chega até nós com a colaboração de Maria. A graça do Altíssimo se faz realidade em nosso meio pela Redenção; sem o sim de Maria, no entanto, não poderia haver Redenção. Com efeito, antes do Sacrifício Redentor da Cruz há o belo episódio da Encarnação do Verbo de Deus. E este episódio é resultado do serviço de Nossa Senhora. Acaba o serviço de Maria aos homens aos pés da Santa Cruz? Não! Muito pelo contrário. Ali, na Cruz, Jesus entrega sua Mãe ao cuidado de São João, assim como afirma ser ele filho dela. Ali, em São João, estão representados todos nós, pecadores. Na oração da Ave-Maria, pedimos a ela que rogue por nós, agora e na hora de nossa morte. E ela roga! Seu serviço de amor e misericórdia se estende agora por todos os séculos. “Todas as gerações”, diz ela mesma, “me proclamarão bem-aventurada”. Feliz és tu, Maria; mas felizes somos também nós, por contarmos com teu tão poderoso e clemente auxílio!

Não temamos venerar a Santíssima Mãe de Deus e louvar a Deus por todas as graças que tem distribuído a nós por suas mãos generosas.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A pureza (e não só ela) é filha da caridade – II

Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor. Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos.

Carta de São Paulo aos Efésios 5,2-3

Ah, caridade! Virtude teologal, irmã da fé e da esperança. Ah, caridade, tão cantada como “amor”, mas de execução tão difícil! Mais uma vez São Paulo coloca a caridade a frente, precedendo as outras virtudes e combatendo os vícios.

Ah, Senhor, dai-me caridade que todas as outras virtudes virão juntas. Senhor, dando-me a caridade degolarás a luxúria quando compreender a ordenação dos afetos. Degolarás a cobiça quando puser os bens á disposição do próximo. Degolarás o orgulho quando ver tua face no meu irmão. Degolarás a preguiça quando me puser em marcha para fazer o bem. Degolarás a gula quando dividir meu pão com quem precisa. Degolarás a inveja quando reconhecer teus dosn no próximo. Degolarás a Ira quando agir com a tua mansidão para com os homens.

Não combata eu fraco de peito aberto aos vícios. Reforce a minha virtude da caridade, Senhor. A caridade combaterá os vícios por mim.

Chalita e o PT: a verdade, sem boatos

http://www.marlioforte.com.br/coluna/imagens/y2.JPGO candidato a deputado federal pelo PSB de São Paulo, Gabriel Chalita, apareceu, recentemente, em alguns vídeos, nos quais tecia alguns elogios a Marta Suplicy e à candidata à Presidência da República pelo mesmo PT, a sra. Dilma Rousseff. Quando divulguei aqui no blog as declarações do candidato cristão manifestando simpatia às duas petistas, alguns reagiram dizendo que “apoiar é uma coisa, dizer-se simpático pessoalmente ao que se discursa é totalmente diferente”. Ora, no vídeo em que Chalita discursa manifestando apoio ao trabalho de Marta, ele afirma que a candidata petista “é uma mulher que tem todas as condições de ser senadora deste estado importante que é o estado de São Paulo”. Sem mais comentários.

Acontece que o povo católico deste país gosta de coerência e transparência. E o apoio de Chalita a Marta Suplicy provocou reações em diversos veículos de informação católica. A comunidade Família de Deus, na pessoa de seu fundador, está sendo processada por Chalita. Ela é a acusada de produzir os vídeos no qual ele declara apoio à Marta e à Dilma. “Ele também nos acusa de que trabalhamos por outra candidatura. Não, nós não trabalhamos por ninguém. Levamos a sério o nosso trabalho que fazemos em Defesa da Vida, pelas famílias, por uma cultura de paz e com a vivência do nosso carisma e apostolado”, escreveu Ernesto Peres de Mendonça, membro da comunidade, em e-mail divulgado no blog Deus lo Vult!. Em suma, o vereador paulista está revoltado com a divulgação de declarações que ele mesmo deu.

A polêmica, no entanto, não encontra aí o seu fim. No Twitter, uma discussão entre Gabriel Chalita e alguns eleitores indignados com a sua manifestação de apoio às candidaturas de duas petistas mostra a gravidade da situação na qual se encontra o vereador do PSB. Os recados enviados e recebidos por ele na rede social do Twitter podem ser acessados no blog O Possível e O Extraordinário. “Sou radicalmente contra o aborto”, afirmou. “Qualquer que seja o presidente, trabalharei em defesa da vida”. Questionado sobre os elogios que havia tecido a Marta e a Dilma, recuou. “Vamos ver amanhã o debate da CNBB e, sem boatos, ver o que Dilma, Serra e Marina pensam do assunto”.

A qual conclusão chegou Chalita? O debate de ontem, transmitido pelas redes católicas e promovido pela CNBB, contou com a participação dos principais candidatos à Presidência da República. Dilma Rousseff lá estava, ao lado de Marina. A questão sobre o aborto foi levantada por Dom Dimas Lara Barbosa. O bispo mencionou até mesmo a 3ª versão do Programa de Direitos Humanos do governo Lula. A pergunta foi feita a Marina Silva, mas receberia comentários da petista Dilma Rousseff. Marina insistiu na realização de um plebiscito; Dilma, na ideia de que o aborto seria “uma questão de saúde pública”. Porque a preocupação visível da candidata era com os “direitos” da mulher. Antes de falar, afirmou ser a favor da vida, mas, no decorrer de sua resposta, não se referiu nenhuma vez à criança no ventre materno, ao ser humano que merece ter seu direito à vida respeitado.

Está aí a posição da candidata Dilma sobre o aborto, sem boatos. Antes mesmo do debate, ela já se demonstrava favorável à descriminalização da prática. Apesar de desconversar por inúmeras vezes, tentando ganhar votos dos eleitores cristãos, sempre estendeu a bandeira da defesa dos “direitos reprodutivos da mulher”, bandeira que representa os interesses do Partido dos Trabalhadores, ao qual está também filiada Marta Suplicy.

A pergunta que deve ser feita é: Será que Chalita vai insistir na manutenção do apoio a essas duas candidatas abortistas? Está mais do que evidente a incompatibilidade entre os princípios cristãos e as propostas apresentadas pelo Partido dos Trabalhadores. Está mais do que clara a posição de Dilma Rousseff e de demais candidatos petistas acerca do aborto. A verdade, sem boatos, é que aderir ou apoiar esses políticos defensores da cultura de morte é uma atitude que definitivamente não está de acordo com os princípios evangélicos. A verdade é que o nosso país está sendo terrivelmente ameaçado por ideias totalmente contrárias aos direitos humanos e parece que pouquíssimas pessoas se empenham de fato em mostrar essa dura realidade aos brasileiros.

O Senhor dê a Gabriel Chalita discernimento para ver o caminho que conduz à vida e coragem para denunciar a cultura de morte em nosso país. Seja ele coerente com os princípios éticos e morais que diz seguir. E que Nossa Senhora da Aparecida livre o Brasil do flagelo do comunismo.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Triunfo pessoal para o Papa, humilhação para os fanáticos seculares

Não posso deixar de recomendar o texto que acabei de ler no blog do pe. Demétrio Gomes, o Ignem in Terram, sobre a visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido. Ele traça um panorama do que foi a viagem apostólica do Sumo Pontífice à ilha, observa os desafios superados por Sua Santidade e o fracasso da propaganda laicista de protesto contra a figura do Santo Padre. O texto original vem de Damian Thompson, editor do Telegraph Blogs e jornalista especializado em religião. A tradução é de Fabiano Rollim.

Fonte: Ignem in Terram

http://frmarkdwhite.files.wordpress.com/2010/04/pope-smile.jpg?w=202&h=300Há tantas coisas a dizer sobre esta visita papal extraordinariamente bem sucedida que não consigo colocar tudo em uma única postagem de blog. Mas se tivesse que produzir uma reação imediata seria alegria por o Papa Bento XVI não ser mais um estranho para o povo britânico. Agora eles o conhecem; a curiosidade deles foi despertada por sua mensagem poderosa e os corações deles aquecidos pelo seu jeito perfeito de agir e seu delicado sorriso de avô. David Cameron deixou isso claro em seu discurso no aeroporto: nós te ouvimos, ele disse ao pontífice, acrescentando que “desafiastes o país inteiro a sentar e pensar”.

Notavelmente, o sucesso da visita de Bento XVI teve um efeito mesmo entre as fileiras de seus oponentes ideológicos. Muitos liberais estão se afastando silenciosamente dos “Romofóbicos” (e não estaria surpreso se Stephen Fry discretamente se arrependesse de ter se metido nisso). A verdade é que depois de meses de uma retórica crescente e barulhenta de Dawkins, Hitchens e Hari, o movimento antipapa não produziu nada além de um punhado de lama.

Considere o fiasco do “Protesto contra o Papa” ontem. Em uma tarde ensolarada, numa cidade de 10 milhões de pessoas, uma turba de menos de 10.000 pessoas seguia o trio-elétrico anticatólico. Richard Dawkins, Johann Hari, Stephen Fry e outros do tipo podem considerar isso um bom resultado, mas se (no máximo) um londrino em mil vai às ruas para registrar sua desaprovação sobre o uso de seus impostos para receber o Papa, então eu diria que os secularistas interpretaram mal a opinião do público, você não acha? E veja que exígua fatia demográfica da população eles representam: principalmente brancos, de classe média, metropolitanos. (Não é necessário dizer que não foi possível incomodá-los a ponto de fazerem a jornada até Birminghan: o Papa pode ser o anticristo dos ateístas, mas você não pode deixar seus princípios atrapalharem um bom café capuccino numa manhã preguiçosa de domingo.)

Compare aqueles que protestaram com os Católicos em Hyde Park: velhas senhoras polacas, cavalheiros dos condados em seus casacos de lã, africanos que trabalham como serventes em hospitais, adolescentes bem comportados, filipinos assistentes de balcões e, como disse um de meus amigos, “algumas mulheres turistas de aparência provocante que obviamente já deviam ter tomado um ou dois copos”. Não a chamam de Igreja Católica à toa: se não se trata de um apanhado geral de toda a humanidade, ainda assim é bem mais próxima a isto do que qualquer convenção dita humanista.

Acabei de assistir ao Papa Bento XVI deixando a Universidade de Oscott e sendo fotografado com os policiais que fizeram sua escolta. Nenhum deles fez qualquer tentativa de prendê-lo. Mas que papelão fizeram Dawkins, Hitchens e Robertson com aquele plano, baseado em um reporte falso e propositalmente mal entendido a respeito do suposto envolvimento do Papa em casos de abuso infantil. O povo britânico certamente não está disposto a retirar a responsabilidade da Igreja naquele caso, e nem deveria estar; mas agora entendem que Bento XVI repudia profundamente aqueles crimes horrendos, e de agora em diante estarão menos receptivos à mentira sobre o Papa dar cobertura àqueles crimes.

Em relação à calúnia ridícula relacionada ao nazismo, hoje eles ouviram um Papa alemão parabenizá-los por lutarem contra a ideologia maligna de Hitler. O que mais ele tem de dizer? Nada, suspeito: a visita papal acabou com o mito do “Papa nazista” fora de um restrito círculo de caluniadores profissionais do Papa que, de agora em diante, podem se perceber marginalizados mesmo em círculos seculares liberais.

A mensagem de Jesus Cristo é para todos

Encerrada mais uma Visita Apostólica do Santo Padre o Papa Bento XVI (sua 11º a um país europeu e sua 17º Internacional), resta-nos agradecer profundamente a Deus por um tão magnífico presente dado a nós e a toda a Igreja espalhada pelo vasto campo de missão, o mundo, onde, em nossos dias, não menos urgente é a tarefa evangelizadora à qual todos os cristãos são chamados. Não obstante os constantes desafios, a Igreja convida-nos a fazermos cumprir o desejo do Senhor, que, ainda que perpassados dois mil anos, torna-se cada vez mais veemente e necessário, sobretudo em uma sociedade tomada por ideologias consumistas, capitalistas e ateístas, que tendem a fazer desaparecer os verdadeiros valores do Evangelho.

O Papa leva a todos esta mensagem de renovado ardor missionário. Onde já não mais há esperança ele anuncia que ainda existe uma Esperança intrépida, que os homens podem confiar sempre, mesmo diante das adversidades; mesmo diante das tempestades, que por muitas vezes parecem incensáveis. Criticado foi o Papa, e criticada é a Igreja, mas nunca desanimarão por investidas satânicas que contra eles se ergam.

O Papa leva o Evangelho de Cristo, e este Evangelho muitas vezes comporta mensagens duras, para alguns inaceitáveis. Mas é preciso que o mundo saiba que a santificação só virá quando, obediente aos ensinamentos de Cristo, cumprirmos os “duros” preceitos que Ele apresentar-nos-á no decorrer da história salvífica da humanidade.

Quem espera ouvir do Papa e da Igreja palavras fáceis para o seguimento a Cristo, não crie esta esperança. Digo isto porque dura é a mensagem do Evangelho, e por vezes ela não agrada a muitos.

A Igreja não quer, e nem pode, ceder em assuntos que, muitas vezes, a humanidade vê como algo a ser “diplomaticamente discutido”. A vida humana, por exemplo, não é questão de diplomacia, mas de direito, ao qual todo o homem é chamado, e jamais, ninguém, poderá dizer o contrário.

No início da viagem a imprensa dizia que poucos iriam comparecer às celebrações do Papa, pois ele, com suas idéias, não agradava a muitos ingleses. Ora, vemos que tudo o que a imprensa “premeditou” com suas cargas d’água foi abaixo. O povo esperava ansiosamente a chegada do Papa. Milhares de pessoas foram às ruas para vê-lo e escutá-lo. Ainda que pareçam duras as palavras do Papa são também as de Cristo. Ele trás uma mensagem de esperança, para todos os homens, independente de qual seja a raça, nacionalidade ou credo. Todos aqueles estavam em busca de uma resposta, e garanto que todos a encontraram. Esta mensagem tornar-se-á presente em Jesus, filho de Deus feito homem, que, por esta ação, demonstra seu incomensurável amor pela humanidade, ainda que sejamos indignos. E isto agrada os fiéis.

Ao contrário da imprensa, que divulga ideologias que buscam desvalorizar e destruir a família, a Igreja é a única que levanta-se e põe-se em favor da vida, dos verdadeiros direitos humanos, de uma valorização da família que se torna indispensável na sociedade hodierna.

Nesta viagem realizou-se a beatificação do Cardeal John Henry Newmann, que por meio dos estudos introduz-nos, com seus ensinamentos, em um intrínseco relacionamento com Deus. E com suas palavras gostaria de encerrar este breve artigo:

Praise to the Holiest in the height and in the depth be praise; In all his words most wonderful, most sure in all his ways!Seja louvado o Santíssimo no céu, seja louvado no abismo; em todas as suas palavras, o mais maravilhoso, o mais seguro em todos os seus caminhos” (O sonho de Gerontius).

Rezemos sempre mais pela missão do nosso Guia visível e sinal de unidade. Peçamos que o Senhor e a Santíssima Vigem fortaleçam-no sempre mais. E que possam vir tantas outras viagens, demonstrando que a Palavra de Deus é para todos e que o Santo Padre não teme anunciá-la.

Viva o Santo Padre!

Ut in omnibus glorificetur Deus!

A pureza é filha da caridade

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

I Carta de São Paulo aos Coríntios 13, 1

Um sacerdote da Companhia, já bem entrado em anos, alertou-me que todos os problemas na manutenção da castidade provém de um mau trabalho na virtude da caridade, e conseqüêntemente, na ordenação da afetividade. Fiquei matutando e finalmente consegui compreender todo o sentido desta passagem de São Paulo, excessivamente vulgarizada e descontextualizada por uma música popular.

De fato, o que são as demais virtudes cristãs senão “filhas” das três principais, fé, esperança e caridade? Os vícios não são análogos? Não é a luxúria manifesta a filha do orgulho oculto? Portanto não é a pureza a fumaça da caridade ardente, que corretamente ordena a afetividade humana? Amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a ti mesmo, assim Nosso Senhor resumiu os mandamentos. E neste resumo está contido o não pecarás contra a castidade.

Parece ser uma lição simples, mas a vida espiritual é sempre o re-aprendizado de coisas simples.

Palavras do Papa no Reino Unido incomodam ateus

A viagem apostólica do Papa Bento XVI ao Reino Unido continua, em meio a polêmicas. Dessa vez, são os ateus britânicos que se manifestam contra as declarações do Sumo Pontífice. A frase que os inquietou foi proferida por Sua Santidade durante o encontro com a rainha Elizabeth II, em Edimburgo. “Enquanto refletimos sobre as graves lições do extremismo ateu do século vinte, nunca nos esqueçamos de como a exclusão de Deus, da religião e da virtude na vida pública leva, no fim das contas, a uma visão truncada do homem e da sociedade.”

A reação dos non-believers foi imediata, segundo assinalou a BBC Brasil. “A noção que foi o ateísmo dos nazistas que os levou ao extremismo e a visões cheias de ódio, ou que [o ateísmo] de alguma forma alimenta a intolerância na Grã-Bretanha hoje é uma calúnia terrível contra aqueles que não acreditam em Deus (…). A noção de que são as pessoas não-religiosas no Reino Unido que hoje querem impor suas opiniões – vinda de um homem cuja organização se empenha internacionalmente em impor sua forma estreita e excludente de moralidade, além de enfraquecer os direitos humanos de mulheres, crianças, gays e muito outros – é surreal.” As afirmações estão contidas em uma nota que foi emitida pela Associação Humanista da Grã-Bretanha.

http://api.ning.com/files/muYVIq517gWqfgJIqclQF1fZ2C3GyWprAowyWw-nZbnYYVkbQ8xA-vsNs432JEGPo*ujXevOOno0bCZtK3v94D*tkBfV*Atx/mustache.jpgQualquer pessoa com o mínimo de conhecimento histórico tem consciência de que os regimes totalitários do século XX eram regimes de base ateísta. Basta ler um pouquinho de Marx, ou dos discursos ofensivos de Lênin, para se chegar à conclusão de que o socialismo, responsável pela morte de milhões de pessoas no século passado, era materialista. O nazismo também é recheado dessas noções socialistas. A diferença era que o discurso de Hitler se voltava não contra os burgueses, mas contra os judeus, “considerados indignos de viver”, por serem considerados um entrave ao desenvolvimento político e econômico da Alemanha. Eliminando a noção religiosa da vida eterna pós-morte, os marxistas revolucionários lutaram com todas as suas forças para implantar, já aqui nesta terra, um paraíso. Em nome de um futuro hipoteticamente redentor, assassinaram milhares de pessoas, que seriam consideradas um entrave para a implantação desse modelo social. Todos esses genocídios em massa que ocorreram no século passado são sim conseqüência de uma forma de pensamento que exclui Deus e a religião da sociedade. O Papa apenas afirmou uma verdade que pode ser facilmente observada olhando simplesmente para a história do século XX e para os livros dos defensores do marxismo.

Quanto à tentativa de “impor suas opiniões”, é infelizmente isso que estamos observando no mundo moderno, quando vemos tantos humanistas defendendo, p. ex., leis que impedem as pessoas de manifestar suas posições frente aos atos homossexuais. Imposição essa que, de tão arbitrária, assume formas cruéis e desumanas. Pensamos, nesse sentido, no intolerável crime do aborto, que massacra o corpo de um ser inocente e destrói psicológica e fisicamente uma mulher. É contra essas formas de pensamento totalitárias que a Igreja vem se manifestando.

Então, quem é que enfraquece os direitos humanos de mulheres, crianças e gays? Será mesmo a Igreja? Será que, quando um sujeito defende a descriminalização do aborto, ele está realmente lutando pelos direitos humanos das crianças? Será que quando uma criatura defende, por exemplo, a lei da mordaça gay, ela não está “impondo suas opiniões” às outras pessoas, impedindo que se manifestem livremente contra um ato com cuja prática não têm obrigação de concordar?

Durmam com esse barulho.

A linguagem da Cruz é uma força divina

Ehttp://beinbetter.files.wordpress.com/2010/09/tissot-mater-dolorosa.jpg?w=248&h=359ssa semana a Igreja celebrou a festa da Exaltação da Santa Cruz e o dia de Nossa Senhora das Dores, nos dias 14 e 15 de setembro, respectivamente. São datas muito importantes e seria um tremendo erro de minha parte deixá-las passar assim, sem que se faça nenhum comentário oportuno acerca de ambas.

Na verdade, as duas festas estão de tal modo interligadas que não ousaríamos separá-las. Então, partamos ao mistério da nossa Redenção, mistério que, sendo manifestação magnífica do amor de Deus para conosco, nos dá de volta a vida, a graça que em Adão perdemos.

Seria necessário dizer primeiramente que o mundo tem horror à Cruz. Aliás, qualquer pessoa que vivesse no Império Romano nos tempos do Cristo teria horror àquele instrumento de tortura e de morte. Pela cruz passavam os rebeldes, os transgressores, os maus. Jesus Cristo vem inverter toda essa lógica. É pela cruz, esse instrumento considerado sinal de maldição, que Deus salva o seu povo. Passa por essa morte humilhante o Cordeiro sem mancha alguma, o próprio filho de Deus. Assim, foi condenado aquele que culpa nenhuma possuía; foi crucificado aquele que mancha nenhuma carregava. Por nossos pecados e por nossas transgressões, foi crucificado e reconciliou Deus e o mundo. A cruz, que até então causava terror, agora é motivo de salvação.

Escandalize-se o mundo. “A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina” (1 Cor 1, 18). A Cruz é uma força divina. Muitos protestantes têm recusado, nos tempos presentes, o símbolo da cruz, alegando que seria até mesmo pecado possuir tanto afeto por tal instrumento. Ora, ora, como desprezar o lenho pelo qual fomos salvos? “Não cessarei de venerar a matéria através da qual chegou a minha salvação”, diz São João Damasceno. “Não é por acaso matéria o madeiro da cruz três vezes santa?” Sim, a Cruz deve ser objeto de nossa veneração. Nela é derramado o Sangue Preciosíssimo do Redentor, Sangue que é derramado pela nossa salvação. Nela todos os sofrimentos dos homens se encontram, enquanto estes esperam, confiando na vitória da Ressurreição, a implacável Justiça do Altíssimo. Nela se encontra o alívio das almas dos fiéis que padecem no Purgatório, nela se encontra a gratidão de todos os que hoje conhecem a Verdade e dão testemunho d’Ela.

E o que a Virgem Maria tem a nos oferecer na celebração da festa da exaltação da santa Cruz? Os santos da Igreja não temem em dizer que a Santíssima Mãe de Deus foi a primeira pessoa a exaltar o lenho da Cruz. Após assistir o Santo Sacrifício da Cruz, vendo seu diletíssimo Filho padecer injustamente, esta santa mulher voltou ao instrumento que tanto lhe causara dor e o bendisse, por ser sinal de salvação para todos os homens manchados pela culpa original.

Uma espada transpassará a tua alma, disse Simeão a Maria (cf. Lc 2, 35). No Calvário a profecia se cumpria. Narra S. João que “um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19, 34). Ali, uma lança abria o lado de Jesus; ali, uma espada transpassava a alma de Nossa Senhora. Muitas outras dores padeceu ainda essa boa Mãe. Por isso recebe o título de Nossa Senhora das Dores. Na fuga da Sagrada Família para o Egito, na perda e encontro do menino Jesus no Templo, na noite da agonia de Nosso Senhor… Por isso entregamos a essa piedosa mulher os nossos sofrimentos, as nossas angústias, ela, que é aclamada pela Ladainha como Consoladora dos Aflitos.

O que o Calvário tem a nos ensinar hoje? A Cruz sempre nos oferece uma lição, um conselho, um caminho. O seu significado perene é justamente a salvação. Nos últimos tempos, no entanto, podemos pensar, p. ex., na falta de devoção e piedade com que o povo assiste ao Santo Sacrifício da Missa. Como devemos assistir à Santa Missa? Assim como S. João e Maria Santíssima, aos pés da Cruz. Os dois, diante de Jesus Crucificado, não levantavam os braços como se estivessem em um show; não batiam palmas como se estivessem em um programa de auditório. Os dois contemplavam, compenetrados e em silêncio, a morte do Filho de Deus.

Durante a celebração eucarística, estejamos, a exemplo de Maria, comprometidos com a contemplação de Cristo Crucificado. A Cruz é uma força divina, diz São Paulo. Nós, que sofremos hoje neste vale de lágrimas, confiemo-nos à proteção da Virgem das Dores, para que sejamos aliviados pelo instrumento que ela tão amorosamente exaltou.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!