O perdão, cerne de toda verdadeira reforma

http://www.blikopdewereld.nl/Ontwikkeling/images/stories/svkl1h6/paus_benedictus_xvi%20sv%20deel%201%20hfst%206.jpg“Como bem sabeis, amados Pastores, o núcleo da crise espiritual do nosso tempo tem as suas raízes no obscurecimento da graça do perdão. Quando este não é reconhecido como real e eficaz, tende-se a libertar a pessoa da culpa, fazendo com que as condições para a sua possibilidade nunca se verifiquem. Mas, no seu íntimo, as pessoas assim libertadas sabem que isso não é verdade, que o pecado existe e que elas mesmas são pecadoras. E, embora algumas linhas da psicologia sintam grande dificuldade em admitir que, entre os sentidos de culpa, possa haver também os devidos a uma verdadeira culpa, quem for tão frio que não prove sentimentos de culpa nem sequer quando deve, procure por todos os meios recuperá-los, porque no ordenamento espiritual são necessários para a saúde da alma. De fato Jesus veio salvar, não aqueles que já se libertaram por si mesmos pensando que não têm necessidade d’Ele, mas quantos sentem que são pecadores e precisam d’Ele (cf. Lc 5, 31-32).”

“A verdade é que todos nós temos necessidade d’Ele, como Escultor divino que remove as incrustações de pó e lixo que se pousaram sobre a imagem de Deus inscrita em nós. Precisamos do perdão, que constitui o cerne de toda a verdadeira reforma: refazendo a pessoa no seu íntimo, torna-se também o centro da renovação da comunidade. Com efeito, se forem retirados o pó e o lixo que tornam irreconhecível em mim a imagem de Deus, torno-me verdadeiramente semelhante ao outro, que é também imagem de Deus, e sobretudo torno-me semelhante a Cristo, que é a imagem de Deus sem defeito nem limite algum, o modelo segundo o qual todos nós fomos criados. São Paulo exprime isto de modo muito concreto: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Sou arrancado ao meu isolamento e acolhido numa nova comunidade-sujeito; o meu “eu” é inserido no “eu” de Cristo e assim é unido ao de todos os meus irmãos. Somente a partir desta profundidade de renovação do indivíduo é que nasce a Igreja, nasce a comunidade que une e sustenta na vida e na morte. Ela é uma companhia na subida, na realização daquela purificação que nos torna capazes da verdadeira altura do ser homens, da companhia com Deus. À medida que se realiza a purificação, também a subida – que ao princípio é árdua – vai-se tornando cada vez mais jubilosa. Esta alegria deve transparecer cada vez mais da Igreja, contagiando o mundo, porque ela é a juventude do mundo.”

- Papa Bento XVI, Discurso aos bispos do Rio de Janeiro
25 de setembro de 2010

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Maria, uma mulher de serviço

As palavras dos santos acerca da devoção a Maria Santíssima fazem sempre crescer em nós o amor a essa boníssima Mãe. Abaixo palavras de Santo Alberto Cruchaga, jesuíta chileno, sobre o serviço que Maria presta à Igreja.

http://www.chasque.net/umbrales/rev163/hurtado-retrato%20carbon.jpg“Maria, como Mãe, não quer condecorações nem honras, mas prestar serviços. E Jesus não vai não ouvir as suas súplicas, Ele, que mandou obedecer ao pai e à mãe. O primeiro imenso serviço dessa mulher foi o ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra’ e o ‘Eis aqui a escrava o Senhor’ (Lc 1, 38). Deus fez depender a sua obra do sim de Maria. Sem burlar, prestou, e segue prestando serviços: isto enche a alma de uma santa alegria e faz com que os filhos que adoram o Filho, não possam separá-lo da Mãe.”

- Santo Alberto Hurtado
Maria, modelo de cooperação

Maria, como Mãe, não quer condecorações nem honras, mas prestar serviços. A mãe não é só aquela que gera, mas também aquela que educa, que alimenta, que ensina as primeiras lições da Fé. A mãe presta serviços a seu filho. Maria, mãe de Cristo, prestou serviços ao menino Deus educando-O e nutrindo-O. Maria, mãe da Igreja, presta serviços aos membros do Corpo Místico de Cristo, intercedendo por nós junto de seu Filho e sendo nossa força na caminhada rumo à Pátria Celeste. Ela nos convida, ao mesmo tempo, a nos inspirarmos em seu exemplo de vida para conquistarmos o Reino dos Céus. O cristão que deseja seguir verdadeiramente a Jesus Cristo deve tomar a consciência de que está a servir não a si mesmo, mas aos seus irmãos. “Eis aqui a escrava do Senhor”, disse Maria. Os seguidores de Nosso Senhor são chamados a sujeitarem-se uns aos outros no temor de Cristo, tomando Nossa Senhora como exemplo vivo de caridade.

E Jesus não vai não ouvir as suas súplicas, Ele, que mandou obedecer ao pai e à mãe. Os santos doutores não temem afirmar que Maria é onipotente. Ora, em que sentido isso pode ser? É bem verdade que a Maria é criatura; por natureza, só Deus é onipotente de fato. Acontece que, estando ela junto de Deus, ouvindo ela as nossas súplicas graças à comunhão dos santos, sua ação em favor dos homens é de uma incrível eficácia. Maria tudo pode junto de Deus. Os desesperados a ela, Mãe de Misericórdia, recorrem; os aflitos, dela, que é Consolação, se aproximam. “Assim quer Jesus honrar sua querida Mãe, que tanto o honrou em vida, prontamente concedendo-lhe tudo que pede ou deseja”, diz São Pedro Damião. Assim coopera Maria Santíssima na salvação das almas.

Deus fez depender a sua obra do ‘sim’ de Maria. A humanidade contaminada pelo pecado original só poderia ser remida com o poderoso auxílio divino. E ele chega até nós com a colaboração de Maria. A graça do Altíssimo se faz realidade em nosso meio pela Redenção; sem o sim de Maria, no entanto, não poderia haver Redenção. Com efeito, antes do Sacrifício Redentor da Cruz há o belo episódio da Encarnação do Verbo de Deus. E este episódio é resultado do serviço de Nossa Senhora. Acaba o serviço de Maria aos homens aos pés da Santa Cruz? Não! Muito pelo contrário. Ali, na Cruz, Jesus entrega sua Mãe ao cuidado de São João, assim como afirma ser ele filho dela. Ali, em São João, estão representados todos nós, pecadores. Na oração da Ave-Maria, pedimos a ela que rogue por nós, agora e na hora de nossa morte. E ela roga! Seu serviço de amor e misericórdia se estende agora por todos os séculos. “Todas as gerações”, diz ela mesma, “me proclamarão bem-aventurada”. Feliz és tu, Maria; mas felizes somos também nós, por contarmos com teu tão poderoso e clemente auxílio!

Não temamos venerar a Santíssima Mãe de Deus e louvar a Deus por todas as graças que tem distribuído a nós por suas mãos generosas.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A pureza (e não só ela) é filha da caridade – II

Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor. Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos.

Carta de São Paulo aos Efésios 5,2-3

Ah, caridade! Virtude teologal, irmã da fé e da esperança. Ah, caridade, tão cantada como “amor”, mas de execução tão difícil! Mais uma vez São Paulo coloca a caridade a frente, precedendo as outras virtudes e combatendo os vícios.

Ah, Senhor, dai-me caridade que todas as outras virtudes virão juntas. Senhor, dando-me a caridade degolarás a luxúria quando compreender a ordenação dos afetos. Degolarás a cobiça quando puser os bens á disposição do próximo. Degolarás o orgulho quando ver tua face no meu irmão. Degolarás a preguiça quando me puser em marcha para fazer o bem. Degolarás a gula quando dividir meu pão com quem precisa. Degolarás a inveja quando reconhecer teus dosn no próximo. Degolarás a Ira quando agir com a tua mansidão para com os homens.

Não combata eu fraco de peito aberto aos vícios. Reforce a minha virtude da caridade, Senhor. A caridade combaterá os vícios por mim.

Chalita e o PT: a verdade, sem boatos

http://www.marlioforte.com.br/coluna/imagens/y2.JPGO candidato a deputado federal pelo PSB de São Paulo, Gabriel Chalita, apareceu, recentemente, em alguns vídeos, nos quais tecia alguns elogios a Marta Suplicy e à candidata à Presidência da República pelo mesmo PT, a sra. Dilma Rousseff. Quando divulguei aqui no blog as declarações do candidato cristão manifestando simpatia às duas petistas, alguns reagiram dizendo que “apoiar é uma coisa, dizer-se simpático pessoalmente ao que se discursa é totalmente diferente”. Ora, no vídeo em que Chalita discursa manifestando apoio ao trabalho de Marta, ele afirma que a candidata petista “é uma mulher que tem todas as condições de ser senadora deste estado importante que é o estado de São Paulo”. Sem mais comentários.

Acontece que o povo católico deste país gosta de coerência e transparência. E o apoio de Chalita a Marta Suplicy provocou reações em diversos veículos de informação católica. A comunidade Família de Deus, na pessoa de seu fundador, está sendo processada por Chalita. Ela é a acusada de produzir os vídeos no qual ele declara apoio à Marta e à Dilma. “Ele também nos acusa de que trabalhamos por outra candidatura. Não, nós não trabalhamos por ninguém. Levamos a sério o nosso trabalho que fazemos em Defesa da Vida, pelas famílias, por uma cultura de paz e com a vivência do nosso carisma e apostolado”, escreveu Ernesto Peres de Mendonça, membro da comunidade, em e-mail divulgado no blog Deus lo Vult!. Em suma, o vereador paulista está revoltado com a divulgação de declarações que ele mesmo deu.

A polêmica, no entanto, não encontra aí o seu fim. No Twitter, uma discussão entre Gabriel Chalita e alguns eleitores indignados com a sua manifestação de apoio às candidaturas de duas petistas mostra a gravidade da situação na qual se encontra o vereador do PSB. Os recados enviados e recebidos por ele na rede social do Twitter podem ser acessados no blog O Possível e O Extraordinário. “Sou radicalmente contra o aborto”, afirmou. “Qualquer que seja o presidente, trabalharei em defesa da vida”. Questionado sobre os elogios que havia tecido a Marta e a Dilma, recuou. “Vamos ver amanhã o debate da CNBB e, sem boatos, ver o que Dilma, Serra e Marina pensam do assunto”.

A qual conclusão chegou Chalita? O debate de ontem, transmitido pelas redes católicas e promovido pela CNBB, contou com a participação dos principais candidatos à Presidência da República. Dilma Rousseff lá estava, ao lado de Marina. A questão sobre o aborto foi levantada por Dom Dimas Lara Barbosa. O bispo mencionou até mesmo a 3ª versão do Programa de Direitos Humanos do governo Lula. A pergunta foi feita a Marina Silva, mas receberia comentários da petista Dilma Rousseff. Marina insistiu na realização de um plebiscito; Dilma, na ideia de que o aborto seria “uma questão de saúde pública”. Porque a preocupação visível da candidata era com os “direitos” da mulher. Antes de falar, afirmou ser a favor da vida, mas, no decorrer de sua resposta, não se referiu nenhuma vez à criança no ventre materno, ao ser humano que merece ter seu direito à vida respeitado.

Está aí a posição da candidata Dilma sobre o aborto, sem boatos. Antes mesmo do debate, ela já se demonstrava favorável à descriminalização da prática. Apesar de desconversar por inúmeras vezes, tentando ganhar votos dos eleitores cristãos, sempre estendeu a bandeira da defesa dos “direitos reprodutivos da mulher”, bandeira que representa os interesses do Partido dos Trabalhadores, ao qual está também filiada Marta Suplicy.

A pergunta que deve ser feita é: Será que Chalita vai insistir na manutenção do apoio a essas duas candidatas abortistas? Está mais do que evidente a incompatibilidade entre os princípios cristãos e as propostas apresentadas pelo Partido dos Trabalhadores. Está mais do que clara a posição de Dilma Rousseff e de demais candidatos petistas acerca do aborto. A verdade, sem boatos, é que aderir ou apoiar esses políticos defensores da cultura de morte é uma atitude que definitivamente não está de acordo com os princípios evangélicos. A verdade é que o nosso país está sendo terrivelmente ameaçado por ideias totalmente contrárias aos direitos humanos e parece que pouquíssimas pessoas se empenham de fato em mostrar essa dura realidade aos brasileiros.

O Senhor dê a Gabriel Chalita discernimento para ver o caminho que conduz à vida e coragem para denunciar a cultura de morte em nosso país. Seja ele coerente com os princípios éticos e morais que diz seguir. E que Nossa Senhora da Aparecida livre o Brasil do flagelo do comunismo.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!