Abrir-se à salvação

http://messiah.sites.uol.com.br/Fe/imagens/zaqueu.jpgNeste Domingo, o Evangelho nos faz a narrativa de Zaqueu, que por ter baixa estatura e querendo ver Jesus, subiu numa árvore para observá-lo. No entanto, algo de supreendente acontece na vida daquele publicano: Jesus pára, olha-o, e ordena que desça, pois haveria de hospedar-se na casa dele naquela ocasião. Eis aqui algo maravilhoso, caríssimos! Quão bela é esta passagem que nos insere na misericórdia infinita de Deus.

O que poderíamos esperar de Zaqueu? Por que ele haveria  de receber a digna honra de hospedar Jesus? O que Jesus faria na casa de um publicano? Permeada destas perguntas estava a mente de toda aquela multidão. E Jesus, ao chegar na casa de Zaqueu, afirma: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este é um filho de Abraão” (Lc 19, 9).

Ora, Jesus aqui assume na radicalidade o sentido de misericórdia, até porque Ele é misericórdia. A sua resposta aos que assim interrogavam foi clara: “O Filho do Homem veio para salvar o que estava perdido” (v. 10).

Postas em termos atuais, Jesus talvez quizesse dizer: “Todos podem ser salvos, mesmo os mais pecadores, pois também eles são filhos de Deus”. Nosso Deus não está afastado das nossas realidades e da nossa fraqueza, não está retido a um tempo e a um local, mas se faz sempre nosso amigo, companheiro de jornada. Ainda que pareçam ser fortes as tribulações, Deus é maior que elas, e se faz peregrino conosco.

Zaqueu sobe na árvore para ver Jesus. A atitude de subir, como recordamos no Domigo passado, busca um contato íntimo com Deus, um relacionamento interior, que só pode partir do encontro pessoal com o Senhor, deixando-se transformar primeiramente pelo interior. É preciso, quando nos sentirmos pequenos, que subamos nas árvores da humildade, do amor, da esperança. É preciso que nos agarremos a estes troncos que é Jesus.

Outra questão que gostaria de retratar é que o publicano Zaqueu faz questão de doar quatro vezes mais a quem havia roubado, além de doar seus bens aos pobres. Jesus faz uma completa transformação na vida daquele pecador. Ele é regenerado. Mas isto só acontece após a entrada da Salvação na sua casa. Esta Salvação é o próprio Cristo, mas também pode ser descrita como uma salvação interior, não visível e não palpável ao homem.

Peçamos ao Senhor que conceda também a nós o dom da humildade, para reconhecermos sua incomensurável misericórdia, e que possamos nos abrir à realidade da Salvação, pela qual todos somos chamados a sermos partícipes do Reino escatológico do Senhor.

Salus et Pax in corde Iesus et Maria.

O dragão devastador não pode continuar no poder

Enquanto o disfarce de muitos, com o recente discurso do Santo Padre aos bispos do Brasil, vem abaixo, o partidarismo presente no discurso de alguns religiosos permanece.

Agora quem enfatiza seu apoio à candidatura de Dilma é Dom Luiz Carlos Eccel, bispo de Caçador, Santa Catarina. Em artigo intitulado O papa e a política, o pastor catarinense afirmou que “o Santo Padre foi muito oportuno e feliz nas suas colocações, porque o Estado Brasileiro é laico, mas seu povo é religioso, e isto precisa ser respeitado.” A frase pode parecer uma resposta à reação anticlerical de eleitores do Partido dos Trabalhadores às palavras de Bento XVI. Mais adiante, no entanto, Dom Luiz escreve:

“Como Bispo da Igreja Católica, e como cidadão brasileiro, fico feliz por saber que nosso Presidente tem defendido a vida, e sempre se pronunciou contra o aborto. Nesses últimos anos o Brasil tem crescido e melhorado em todos os aspectos, de maneira especial no respeito à vida e a valorização da dignidade humana. Esta é a Vontade de Deus! E as pessoas, em plena posse de suas faculdades mentais, vão reconhecer esta verdade.”

As afirmações do bispo de Caçador parecem estranhas, especialmente quando vamos examinar os fatos. O Presidente da República, em conformidade com a agenda abortista de seu partido, por diversas vezes defendeu a descriminalização do aborto. Daremos aqui apenas alguns exemplos, para refrescar a memória de Dom Luiz Eccel e do eleitor brasileiro.

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  • No livro Entrevistas e Discursos, protagonizado por declarações de Luís Inácio Lula da Silva, o senhor Presidente faz uma defesa apaixonada da legalização do aborto: “Eu sou a favor do aborto. Primeiro porque eu acho que a pessoa pode cometer um erro. Às vezes, nascer a criança é muito mais prejudicial do que praticar o aborto. (…) O ideal seria que não precisasse ninguém abortar, mas, como existe essa necessidade, o aborto deveria ser legalizado” (citado por Percival Puggina em Lula e a punição aos fetos e por Pe. Luiz Lodi da Cruz em José Serra e Lula: qual o mal menor?).
  • Em 2004, Lula assumiu como compromisso de governo o Plano Nacional de Política para as Mulheres. Uma das propostas do referido Plano seria “revisar a legislação punitiva que trata da interrupção voluntária da gravidez”.
  • Em abril de 2005, o Presidente Lula enviou à Organização das Nações Unidas documento no qual se comprometia a descriminalizar o aborto no Brasil. “Outro assunto que deve ser considerado é a questão dos direitos reprodutivos. O atual governo brasileiro assumiu o compromisso de revisar a legislação repressiva do aborto para que se respeite plenamente o princípio da livre eleição no exercício da sexualidade de cada um.”
  • Em agosto de 2005, Luís Inácio Lula da Silva enviou aos bispos do Brasil uma carta na qual se assumia cristão: “Quero, pela minha identificação com os valores éticos do Evangelho, e pela fé que recebi de minha mãe, reafirmar minha posição em defesa da vida em todos os seus aspectos e em todo o seu alcance. Nosso governo não tomará nenhuma iniciativa que contradiga os princípios cristãos. Um mês depois, Lula entregou à Câmara dos Deputados um projeto de lei que revogaria todos os artigos do Código Penal que definem como crime qualquer tipo de aborto, redefinindo a prática como um direito e tornando-a legal durante toda a gravidez.

Após todas essas amostras descaradas de abortismo, é impossível sustentar que Lula “sempre se posicionou contra o aborto” ou que “nesses últimos anos o Brasil tem crescido e melhorado em todos os aspectos, de maneira especial no respeito à vida e a valorização da dignidade humana”. Se houve uma pessoa que lutou para legalizar a prática do aborto no Brasil, essa pessoa foi o Presidente Lula.

Desvendadas as mentiras presentes nesse trecho do artigo, partamos ao final do texto. O bispo catarinense afirma que Dilma “já provou ser coerente, competente e comprometida com a vida”. E, no final, faz um alerta: “O dragão devastador não pode voltar ao poder.”

Parece difícil acreditar, mas são essas as últimas palavras de Dom Luiz em defesa da candidata Dilma. Se o PSDB, não fechando posição sobre a questão da descriminalização do aborto, já é considerado dragão pelo pastor, que vamos dizer do Partido dos Trabalhadores, que, nos últimos anos, tem se comprometido com a defesa da legalização da prática em nossa nação?

O dragão devastador não pode continuar no poder. Como bem lembrou o padre Paulo Ricardo, “é inútil apelar para um currículo de progressos sociais e de defesas dos oprimidos do Partido dos Trabalhadores, quando seu ‘projeto político’ está tão empenhado em eliminar os seres humanos mais fracos e indefesos no ventre das mães”. Os verdadeiros dragões a ser combatidos aqui são o aborto e a injustiça de buscar descriminalizar essa prática hedionda. Mas, como o PT insiste em abraçar essa causa infernal, realmente não dá para aderir à sua candidata sem antes pecar contra o Altíssimo.

Sigamos rezando para que Nossa Senhora Aparecida livre nossa Nação do flagelo do comunismo e da maldição do aborto. E que o “dragão devastador” seja vencido o quanto antes, para a maior glória de Deus, para a edificação da Igreja e para a salvação das almas.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Petistas reagem com violência a discurso de Bento XVI

Conforme já tinha sido comentado neste blog, o Papa Bento XVI fez recentemente um discurso aos bispos do nordeste brasileiro. Sua Santidade foi clara, direta. Citando a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, lembrou aos bispos que “quando (…) os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”.

E, mesmo não citando o histórico abortista do Partido dos Trabalhadores de Lula e Dilma Rousseff, a reação dos simpatizantes do PT ao discurso de Bento XVI foi imediata.

É uma reação agressiva, mas, ao mesmo tempo, esclarecedora. Porque se é verdade que nos últimos dias a candidata Dilma tem maquiado o seu discurso sobre a questão da descriminalização do aborto no Brasil, é também verdade que toda essa distorção é puro oportunismo. Dom Luiz Gonzaga Bergonzini já havia denunciado isso em entrevista à Folha de São Paulo. Agora, Bento XVI põe às claras aquilo que estava sendo ocultado pelo jogo de interesses políticos do PT.

O Papa denunciou o aborto e o PT se identificou com a defesa da prática.

E você, católico? Com quem se identifica? Com o Sucessor de Pedro, o doce Cristo na Terra, ou com o Partido dos Trabalhadores?

E Pedro falou!

O Santo Padre Bento XVI no seu discurso aos Bispos do Regional Nordeste 5 na manhã desta quinta-feira, dia 28, foi verdadeiramente feliz em suas colocações.

Na situação drástica em que está a política brasileira hoje, vemos o PT e sua candidata Dilma que querem a todo custo aprovar a legalização do aborto, a retirada de símbolos religiosos de lugares públicos, etc. Têm duas caras: por um lado dizem não querer legalizar, e ainda dizem estar em defesa da vida; por outro, são a favor do aborto e buscam legalizá-lo. A Igreja agradece a Deus por um pastor tão fiel ao ministério que lhe foi confiado. O Santo Padre não teme os ataques e impropérios daqueles que se erguem contra ele, não se silencia mediante os ataques ao Evangelho e aos ensinamentos pela Igreja transmitidos desde os apóstolos.

Por isso, hoje, no seu discurso, vemos de forma clara aquilo que Jesus sempre chamava a atenção: aos lobos em pele de cordeiro. Não precisa nem citar o partido, pois sabemos que de forma indireta o Santo Padre critica veementemente as atitudes petistas. E nos convida a usar o voto contra estes que buscam impor-se na sociedade.

Não temer a oposição e a impopularidade. Outro ponto ao qual nos exorta o Santo Padre. A Igreja não precisa ser popular, a Igreja precisa anunciar o Evangelho, como diz são Paulo, quer agrade, quer desagrade. Se anunciar o Evangelho não traz popularidade, então não somos popular; pois antes não ser popular mas ser fiel aos mandamentos de Cristo, do que ser popular e ab-rogar o mandamento do Senhor a nós confiado. Popularidade não salva ninguém, e o Papa sabe disso ao proferir tais palavras.

Certamente muitos Bispos e Padres não estão felizes com o posicionamento do Papa, não é Dom Pedro Casaldáliga, Dom Demétrio Valentini, entre outros (sobretudo os da Teologia da Libertação)? Mas vão ter que engolir, afinal: Quem falou foi Pedro!

Neste dia de São Judas Tadeu, peçamos que ele corte, com seu machado, toda raiz de ódio e intolerância imposta pelo Partido dos Trabalhadores.

E Viva o Santo Padre Bento XVI!

* * *

Segue abaixo o discurso do Santo Padre:

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5 [cinco]. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas(cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases(cf. Evangelium vitae, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo»(ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Benedictus PP. XVI

* * *

Veja também: O “grave dever” dos bispos de orientarem os fiéis também em questões políticas, do blog Deus lo Vult!.

Leia mais: Bento XVI e o Silêncio dos Bispos, do blog do padre Paulo Ricardo.

Crueldade na China

E a política chinesa de apenas um filho continua gerando revolta. O controle populacional na China é feito à custa de muito sangue, sangue de crianças inocentes, vítimas de uma medida intolerante, cruel, desumana, absurda.

Quem testemunha os horrores dessa política terrível é um pai chinês que teve o seu filho de 8 meses abortado. “Eles me disseram que a política de um filho só significava que tínhamos de abortar o bebê. Protestei. O bebê tinha oitos meses. Isso é um ser vivo. Não dá para se livrar de uma vida”. A notícia foi publicada no site Notícias Pró-Família e o vídeo do testemunho de Luo Yanqua – com legendas em inglês – pode ser visto abaixo.

O site da Arquidiocese de Campinas disponibiliza um ótimo texto sobre o aborto e as eleições presidenciais. “A concepção de que o direito de abortar decorre do direito da mulher ao próprio corpo na esfera do direito de autonomia reprodutiva está ultrapassado. Penso que o direito de escolha do casal, como expressão da sua liberdade, acontece em momento anterior, quando o casal decide conceber ou não. Uma vez gerada a vida, ela não pertence mais à mulher ou ao casal.” Não pertence mais à mulher, ao casal ou ao Estado. Assim, é claro que o planejamento familiar é importante, mas não se pode introduzir na sociedade, em nome da tentativa de controlar o crescimento de uma população, uma política assassina como é a política que aprova o aborto e outros atentados à vida humana.

“Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (Evangelium Vitae, n. 58). No Brasil, muitos políticos têm defendido a descriminalização do aborto, afirmando que são pessoalmente contra o aborto, mas têm que analisar a situação como questão de saúde pública. As mulheres que praticassem o aborto não deveriam ser punidas. O aborto não deveria ser mais um caso de polícia. O grande problema deste pensamento está na desconsideração da dignidade do ser humano presente no ventre materno. A criatura humana que mata seu semelhante está praticando um crime e deve ser punida. A mulher que mata seu filho, seja ele um embrião ou um recém-nascido, está praticando homicídio e não pode sair impune dessa situação.

O que acontece hoje na China é um alerta para todos os brasileiros, para que se comprometam com a defesa da vida e rejeitem a cultura de morte que está sendo lentamente implantada por veículos de comunicação e partidos políticos de nossa nação. Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida livre o Brasil do flagelo do comunismo e da maldição do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Orar com humildade

Em que consiste orar com humildade? Por que este tema?

Não poderemos compreendê-lo se não fizermos uma analogia entre as leituras e a necessidade da oração, conjugando-a na sociedade hodierna. Verdadeiramente ultimamente temos sido veementemente exortados pelas leituras dominicais a uma oração que nasça da sinceridade do coração; que não se revista de uma aparência exterior, mas interiormente está vazia e sem sentido. Por isso a primeira leitura é taxativa a dizer: “Jamais despreza a súplica do órfão nem da viúva, quando esta lhe fala com seus gemidos… Quem adora a Deus será recebido com agrado e sua súplica chegará até as nuvens. A oração do humilde penetra as nuvens e não se consolará enquanto não se aproximar de Deus; e não se afastará, enquanto o Altíssimo não olhar e o justo juiz não fizer justiça” (Eclo 35, 27. 20-21).

Estas penetrantes palavras contêm um ensinamento profundo, que em uma primeira vista não seria possível observarmos. Mas debrucemo-nos um instante sobre estas palavras sapienciais. O que elas indicam-nos? Em primeiro lugar tenhamos em mente que estas palavras, como obviamente está à nossa percepção, dirige-se aos humildes. Mas quem são os humildes? São os pobres materiais? Falando-se no contexto deste mundo, restrito à possessão de bens, sim. Falando no contexto evangélico não. Mesmo os ricos, que não atribuem suas riquezas a méritos próprios, mas a reconhecem como presente de Deus; quem tem o espírito submisso a Deus e sabe partilhar, também eles são os humildes. Santa Teresa de Ávila apresenta-os um pouco diferente, mas em um mesmo contexto: “O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”. Comumente a Bíblia os associa aos “órfãos, viúvas e estrangeiros”, que eram colocados à margem da sociedade na época, e ainda hoje não obstante os diversos progressos e esforços a uma igualdade continuam a existir diversos marginalizados.

Depois gostaria de deter-me sobre a frase: “Quem adora a Deus será recebido com agrado e sua súplica chegará até as nuvens”. Feliz realização! Como estas palavras são incômodas nos dias de hoje. Muitos não adoram a Deus; no entanto, fixam seu olhar sobre os bens terrenos e passageiros, que em nada contribuem para uma melhor vivência da fé; vivem na ganância e na soberba, são bem aparentados por fora, mas por dentro estão vazios e não sabem o verdadeiro valor do amor. São Paulo condena a estes e exorta, também a nós: “Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Cor 10, 31).  E ainda, ao escrever a Timóteo fala com dureza: “A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro… Ordena aos ricos deste mundo que rejeitem o orgulho e não ponham sua esperança na riqueza incerta, mas em Deus que provê abundantemente de tudo para nosso bom uso. Ordena-lhes ainda que façam o bem e se enriqueçam de boas obras, que sejam prontos para dar e generosos” (1 Tm 6, 10.17-18).

Na segunda leitura, vemo-la frequentemente nas celebrações de São Pedro e São Paulo, este último apóstolo já tinha consciência de sua morte, e, portanto, sabemos que não se distancia desta. Gastada sua vida em favor do Evangelho, Paulo não a perde, mas a ganha. Por isso escreve: “Combati o bom combate. Conclui a corrida. Guardei a fé. Agora me é reservada a coroa da justiça” (2 Tm 4, 7-8). Sobre isso São João Crisóstomo bem afirmou: “Estar longe de Cristo representava para ele o combate e o sofrimento, mais ainda, o máximo combate e a mais intensa dor. Pelo contrário, estar com Cristo era um prêmio único. Paulo, porém, por amor de Cristo, prefere o combate ao prêmio… Talvez algum de vós afirme: Mas ele sempre dizia que tudo lhe era suave por amor de Cristo! Isso também eu afirmo, pois as coisas que são para nós causa de tristeza eram para ele enorme prazer… Rogo-vos, pois, que não vos limiteis a admirar este tão ilustre exemplo de virtude, mas imitai-o. Só assim poderemos ser participantes de sua glória” (Riquezas da Igreja, Prof. Felipe Aquino, pag. 172 e 173).

“Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu, todos me abandonaram. Que isto não lhe seja levado em conta. Mas o Senhor veio em meu auxílio e me deu forças… E eu fui libertado da boca do leão” (2 Tm 4, 16-17). Ora, este abandono de Paulo é sentido por muitos hoje. Quantos acham que Deus o abandonou? Ou então o contrário: Quantos só podem contar com Deus, pois foram “abandonados”? Nestes dois casos vale aquilo que o Papa bento XVI disse: “Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve. Quando já não posso falar com ninguém, nem invocar ninguém, a Deus sempre posso falar. Se não há mais ninguém que me possa ajudar – por tratar-se de uma necessidade ou de uma expectativa que supera a capacidade humana de esperar – Ele pode ajudar-me” (Carta Encíclica Spe Salvi, 32).

No Evangelho Jesus conta-nos a parábola do fariseu e do publicano. Dirigia-se o Senhor àqueles que confiavam na própria justiça e desprezavam os outros. “Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos” (Lc 18, 10). A atitude de subir significa estar em contanto íntimo com Deus. Assim como Jesus subia ao monte para orar, estes dois vão também pôr-se diante do Altíssimo.

Mas a diferença é que um na sua oração exaltava-se, o outro reconhecia a imensidão dos seus pecados. “O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’.
O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!” (vv. 11-13).

A oração não é para nos engrandecer, mas para reconhecermos nossos pecados, colocando-nos por inteiro nas mãos de Deus. O pecado não traz alegria, mas ele faz com que busquemos a verdadeira alegria, que é a nossa reconciliação com Deus: “O não reconhecimento da culpa, a ilusão de inocência não me justifica nem me salva, porque o entorpecimento da consciência, a incapacidade de reconhecer em mim o mal enquanto tal é culpa minha” (Spe Salve, 33). Aquele fariseu não foi justificado, mas sim o publicano, porque não apenas rezou, mas rezou com humildade. A oração não nos isola, mas nos ensina a viver em comunidade. “Orar não significa sair da história e retirar-se para o canto privado da própria felicidade. O modo correto de rezar é um processo de purificação interior que nos torna aptos para Deus e, precisamente desta forma, aptos também para os homens” (idem).

Na oração devemos buscar estar unidos de uma forma tão íntima com o Senhor que nem precisamos falar, pois Ele como Pai já sabe das nossas necessidades, do que realmente é importante.

Peçamos ao Senhor a humildade, para que não sobreponha-se as nossas misérias, mais que reconheçamos tudo como graça de Deus. Peçamos também, neste dia mundial das Missões, a graça de sermos testemunhas autênticas do Evangelho, para que ele seja levado a outros, sobretudo por nossas ações.

Enquanto agradeço a Deus pelo bom êxito do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, confio-vos em minhas orações à proteção de Maria, Mãe da humildade.

Salus et Pax in corde Iesus et Maria

 

A Igreja e a verdade amordaçadas pelo PT

O padre Paulo Ricardo se manifestou mais uma vez, novamente através de vídeo, contra o Partido dos Trabalhadores e a proposta assumida pelo partido em descriminalizar o aborto no Brasil.


“O Partido dos Trabalhadores está acusando bispos, pastores, sacerdotes, de que estão promovendo uma campanha difamatória contra a sua candidata. No entanto, parece estranho. No vocabulário do PT, fato, verdade incômoda, é uma difamação.”

O posicionamento firme tomado por muitos líderes cristãos nas eleições deste ano realmente influenciaram no resultado das eleições. E todos os homens de boa vontade de nosso país são chamados a continuar defendendo a vida também neste 2º turno. Com efeito, o compromisso assumido pelos cristãos não é com um partido político em particular. Assim, a Igreja, quando condena o voto em candidatos do Partido dos Trabalhadores, não está sendo partidária, não está se colocando do lado do PSDB. O compromisso da Igreja não é com um grupo político, mas com o Evangelho de Cristo. Por defender a dignidade da vida humana desde a sua concepção até a morte natural, a Igreja se manifesta totalmente contrária a todas as tentativas de implantação da cultura de morte em nossa sociedade.

E, no Brasil, o PT tem assumido a defesa dos “direitos reprodutivos da mulher” – e tudo isso está muito bem documentado. Tem assumido, mas, por medo de perder votos na reta final dessas eleições, tem maquiado o discurso. E, diante da verdade, o PT se sente incomodado. Dilma já disse estar sendo protagonista de umas das campanhas mais caluniosas dos últimos tempos. Mas, como bem apontou o padre Paulo Ricardo, tudo isso parece muito estranho, porque, para o PT, fatos se tornaram calúnias; verdades se tornaram difamações.

Então, o que eles fazem? Constrangem. Constrangem os cristãos chamando-os de fundamentalistas e alegando que a Igreja não deveria “intrometer” em questões políticas, como se não estivéssemos vivendo em uma democracia. Constrangem os bispos, os sacerdotes, pedindo que fatos sejam ocultados e panfletos mostrando verdades sejam apreendidos, porque – alegam eles – “são calúnias e difamações”. Não tratam de provar que aquilo que estava escrito, por exemplo, no documento emitido pelo Regional Sul 1 da CNBB, seja mentira. Apenas acusam, sem provas, sem argumentos.

O padre Paulo Ricardo faz o alerta: “Quando a própria Conferência Episcopal é obrigada, pela pressão exercida pelo Partido dos Trabalhadores, à vergonha de ter que desdizer-se a si mesma publicamente e voltar atrás, quando um documento que ela mesma havia pedido que tivesse a mais ampla divulgação, um documento que apresenta fatos públicos, fortemente documentados e facilmente verificáveis por qualquer pessoa, é humilhantemente apreendido acusado de apócrifo e difamatório diante das câmeras de televisão de todo o país, sem que a própria Conferência tenha ânimo de manifestar qualquer sinal de protesto. Se é isso que acontece em nosso país, algo está muito mal. Você pode imaginar que nível de cerceamento de liberdade de expressão, que nível de totalitarismo será imposto a simples pessoas como eu e você se o Partido dos Trabalhadores continuar no poder.”

Continuemos em oração, para que Nossa Senhora Aparecida livre o Brasil do flagelo do comunismo e da maldição do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Em defesa de Dom Luiz Bergonzini

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa(e), e o presidente da Conferência, Dom Geraldo Lyrio Rocha, concedem entrevista coletiva em Brasília para falar do Campanha da Fraternidade 2011O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou, hoje, em entrevista, que “acima do bispo, no governo da Igreja, só existe uma autoridade, o papa”. Ressaltou também que “a CNBB não é um organismo para interferir nas dioceses ou se for o caso repreender”. A notícia foi reportada pelo G1 e pelo Terra. “Na diocese, o bispo tem plena autonomia, ele tem o direito e até o dever de, de acordo com sua consciência, orientar seus fiéis do modo que julga mais eficaz, mais eficiente”, concluiu o presidente da CNBB. As declarações de Dom Geraldo surgem no contexto da recente apreensão de panfletos pró-vida impressos a mando do bispo da diocese de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini.

Na mesma entrevista, Dom Geraldo ainda explicou que a Igreja tem o direito de se posicionar no processo político. “Se Estado laico for entendido como um que não permite com posições diferentes, não será estado laico será ditadura laica. (…) Não se pode querer silenciar a Igreja como se não pudesse manifestar sua posição. Todos são respeitados quando falam, todas as minorias, mas a Igreja quando fala é acusada de estar se intrometendo, por isso este argumento é falso.”

Dignas de aplausos as recentes declarações do presidente da Conferência Episcopal Brasileira! Quando se estende no Brasil uma campanha se colocando contra as condenações da Igreja às propostas pró-aborto apresentadas por vários candidatos políticos nos últimos tempos, é preciso que os bispos se manifestem energicamente, mostrando que o apoio ao partido da vida exige, ao mesmo tempo, compromisso na luta contra a implantação da cultura de morte em nosso país. E quantos bispos se manifestaram de maneira clara e direta nessas eleições! Podemos fazer referência a Dom Luiz Bergonzini, mas também muitos outros foram bem claros ao declarar que o voto em um partido que mantém compromisso com a descriminalização do aborto no Brasil não pode receber adesão de cristãos católicos.

No caso específico do bispo de Guarulhos, mais de um milhão de panfletos assinados pelos bispos do Regional Sul 1 da CNBB e impressos a pedido do pastor paulista foram apreendidos pela Polícia Federal. Mas, a Mitra Diocesana de Guarulhos encaminhou ao TSE o pedido de revogação da liminar que determinou a apreensão do material. Disponibilizo abaixo trecho do texto de defesa encaminhado pela diocese paulista ao Tribunal Superior Eleitoral. Para ler mais trechos do documento, acessem o blog do Reinaldo Azevedo.

 

http://beinbetter.files.wordpress.com/2010/10/5603a3e7a341ecd300aecc06720841c5.jpg?w=215A Mitra Diocesana e o Bispo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini não apoiaram nenhum candidato a deputado estadual ou federal, senador, governador ou presidente. Estão defendendo o Evangelho e a Doutrina Cristã e acompanhando a pregação e orientação do Papa Bento XVI, que desde o início de seu Papado, está alertando os católicos sobre o relativismo.

Relativismo é, por exemplo, votar em algum político que “rouba mas faz”. Se ele rouba, não poderia ser candidato. É mandamento cristão: “NÃO ROUBAR”. Em obediência ao mandamento, os católicos não devem votar em quem rouba. Relativismo é, por exemplo, aceitar e votar num partido ou político que está empenhado na liberação do aborto. Cristo defende a vida. A Igreja Católica defende a vida. Os católicos defendem a vida. Os cristãos defendem a vida. A vida é o bem maior de todos os seres humanos. “NÃO MATAR” é um mandamento.

O aborto, para os cristãos, consiste na retirada de um ser humano em formação – que será depois uma criança, um jovem, um adulto, um idoso, até chegar à morte -, do útero de uma mulher e jogá-lo na privada, no lixo ou no esgoto. A Igreja Católica Apostólica Romana segue o Evangelho de Jesus Cristo. Ela e seus sacerdotes – padres e bispos – fazem profissão de fé e estão obrigados a defender esses princípios, em todos os momentos de suas vidas.

(…)

Dom Luiz poderia, inclusive, indicar candidatos, se quisesse. Isso não é proibido. Mas não o fez. Está apenas defendendo princípios. Se os princípios conflitam com os princípios de outras pessoas, partidos ou candidatos, as conseqüências cada um deve assumir para si. Se alguém tem posições contrárias aos princípios cristãos, deve expor e defender essas teses, assumindo a responsabilidade decorrente.

No caso presente, os bispos das 41 dioceses do Estado de São Paulo resolveram emitir um documento que explicasse em quem não votar, tendo como base principal o aborto, ponto que Sua Santidade o Papa Bento XVI vem, exaustivamente, chamando a atenção de todo o povo do mundo.

A vida é dom de Deus, bem indisponível, em qualquer tempo, tanto que auxiliar alguém a suicidar-se é crime capitulado no art. 122, do Código Penal. Ninguém pode atentar contra nenhuma vida.

A apreensão dos documentos pertencentes à Mitra Diocesana de Guarulhos, autorizado pela CNBB REGIONAL SUL-1, é uma ação discriminatória da candidata Dilma Rousseff e da Coligação para o Brasil Seguir Mudando, que está perseguindo e tentando impedir a Igreja Católica e seus membros de expressar suas convicções religiosas.

(…)

 

A defesa elaborada pelos advogados da Mitra Diocesana, João Carlos Biagini e Roberto Victalino de Brito Filho, é de uma qualidade praticamente incontestável. Agora é esperar que a liminar que pedia a apreensão dos panfletos pró-vida seja revogada e que o material apreendido seja devolvido.

Continuemos orando pela salvação do Brasil. Nossa Senhora livre nossa Nação do flagelo do comunismo e da maldição do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Panfletos, ameaças de morte e mentiras. Um retrato das eleições.

Este ano, as eleições fizeram uma verdadeira divisão no episcopado brasileiro. Nos últimos dias, a discussão acerca da posição dos candidatos à Presidência sobre a descriminalização do aborto vem sendo acalorada pela mobilização dos católicos brasileiros, que, fiéis às condenações da Igreja à prática do aborto, têm distribuído panfletos pró-vida em todo o país alertando as pessoas de bem ao perigo do voto em candidatos comprometidos com a cultura de morte.

No centro da discussão está o bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini. Mais de um milhão de panfletos pró-vida do Regional Sul 1 da CNBB foram apreendidos em gráfica paulista pela Polícia Federal a pedido do Partido dos Trabalhadores. O responsável pela impressão dos panfletos era, segundo o dono do estabelecimento, o bispo da diocese de Guarulhos. E os panfletos não foram apreendidos só nessa gráfica de São Paulo, mas também em Campos do Jordão, graças à ação de um deputado petista que denunciou a distribuição do material à Polícia Civil. Os defensores do Partido dos Trabalhadores reclamam que as informações contidas no panfleto são “inverídicas e degradantes”.

Uma simples leitura do material nos leva a uma conclusão contrária à tirada pelos simpatizantes de Dilma.

Frente e verso do panfleto. Dos três bispos paulistas que assinaram o Apelo, apenas Dom Beni, de Lorena, manteve o apoio à cópia e difusão do material.

 

Miolo do panfleto.

A situação de conflito entre o tema que defende Dom Bergonzini e os interesses do PT rendeu ameaças de morte ao bispo paulista. “Recebi uma carta anônima com velada ameaça à minha vida, que já está nas mãos da polícia”, escreveu o pastor, em carta divulgada na íntegra pelo Fratres in Unum. Nessa mesma carta, Dom Luiz chama a atenção de seu irmão no episcopado, Dom Demétrio Valentini. Ele escreve: “Parece que há Bispos da Igreja Católica, no Brasil, que estão trocando o Evangelho do Senhor pela política partidária e por amizades pessoais”. Dom Demétrio, por sua vez, rebateu, afirmando que “de maneira muito injusta” o bispo de Guarulhos lhe acusava. “E ainda por cima declara que não está fazendo política”, concluiu o bispo de Jales, o mesmo que há alguns dias atrás assinou um documento defendendo a candidatura da petista Dilma Rousseff.

A coragem de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, no entanto, é grande, e o pastor paulista não esmorece: “Diante desses fatos, sou obrigado a enviar uma reclamação ao Papa Bento XVI, imediatamente, com toda a documentação, pedindo-lhe que tome as providências que julgar cabíveis e necessárias, para reorientar a Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil, inclusive me orientar, se eu estiver agindo em desconformidade com o Evangelho.”

Enquanto o clima esquenta na Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil, o Jornal Nacional entrevista os candidatos à Presidência da República. Ontem, segunda-feira, Dilma Rousseff foi novamente questionada sobre sua posição a respeito da descriminalização do aborto. E ela foi enfática, mais uma vez:

http://www.guiame.com.br/images_materia/materia/z_5542.jpg“O que é que acontece com o presidente da República? Ele não pode fingir que não existem milhares de mulheres, principalmente, até milhões, pelos dados até publicados pelo [jornal O] “Globo” são milhões de mulheres, três milhões e meio de mulheres que recorrem ao aborto. Nós não podemos fingir que essas mulheres não existem. E mais: não podemos fingir que essas mulheres, elas fazem isso em situações muito precárias, e provoca, recorrer ao aborto provoca risco de vida e em alguns casos a morte. Pois bem, a minha posição sempre foi a seguinte: você não pode colocar essas mulheres, prender essas mulheres. Não se trata de prender as mulheres, se trata de cuidar delas. Porque você não vai deixar três e meio milhões de mulheres ameaçadas a sua saúde. Então são duas posições diferentes. Quando a gente diz que o aborto não é um caso de polícia, no Brasil ele é um caso de saúde pública, o que que nós estamos falando? Nós estamos falando o seguinte: para prevenir para que não haja o aborto, primeira questão, nós temos que tratar a quantidade imensa de gestantes adolescentes que recorrem ao aborto ou porque têm medo da família, da família não aceitar, ou porque já não têm laços familiares efetivos que podem garantir a ela o apoio pra poder ter a criança.”

- Dilma Rousseff no Jornal Nacional
18 de outubro de 2010

O discurso petista mais uma vez montado sob uma ótica feminista, que deixa de considerar a dignidade do ser humano presente ali, no ventre da mulher grávida, só evidencia os contrastes existentes entre o movimento pró-vida e a tentativa de implantação da “cultura de morte” em nosso país. Tudo está muito nítido. Há muito tempo. Alguns bispos fecham os olhos a essa realidade e ainda acusam os companheiros que não se omitem de “partidarismo”. Dom Luiz Bergonzini, ao condenar o voto em candidatos abortistas e citar os nomes das pessoas comprometidas com essa bandeira não está sendo partidário. Aliás, ele nunca citou, em nenhum documento, apoio a José Serra. Posição bem diferente foi a tomada por bispos como Dom Eugênio Rixen e Dom Demétrio Valentini, ambos de Goiás, que declararam, um de forma implícita e o outro de maneira explícita, o seu apoio à candidata Dilma, do PT.

A teimosa insistência de chamar de boatos aquilo que está documentado como verdade e o considerar o aborto uma questão secundária, um assunto que não merece prioridade, são amostras de como o jogo de interesses políticos é sórdido e como a vida humana é banalizada. A mentira se tornou o centro do espetáculo.

* * *

Leia também: Eleições e aborto (irracionalidade, mentira e traição), do pe. João Batista de Almeida Costa.

A degradação do meio ambiente e a poluição espiritual

Abaixo trecho de entrevista concedida pelo Cardeal Ratzinger – hoje Papa Bento XVI – ao jornalista Peter Seewald.

Talvez realmente já não seja possível curar a partir do exterior, mas unicamente a partir do interior, curar uma consciência que não é egoísta. O senhor acabou de referir que os avisos bíblicos do mau estilo de vida talvez nos quisessem dizer: é a nossa condição espiritual que influencia a natureza.

http://www.pt.josemariaescriva.info/image/jratzinger21.jpgSim, parece-me claro que, de fato, é o Homem que ameaça retirar o sopro vital à natureza. E que a poluição do ambiente exterior que observamos é o espelho e o resultado da poluição do ambiente interior, à qual não prestamos suficiente atenção. Julgo que é também o que falta aos movimentos ecológicos. Combatem com uma paixão compreensível e justificada a poluição do ambiente; a poluição espiritual que o Homem faz a si mesmo continua, pelo contrário, a ser tratada como um dos seus direitos de liberdade. Há aqui uma desigualdade. Queremos afastar a poluição mensurável, mas não tomamos em consideração a poluição espiritual do Homem e a figura da criação que nele se encontra, para que se possa respirar humanamente. Defendemos, pelo contrário, tudo o que a arbitrariedade humana produz, com base num conceito completamente falso de liberdade.

Enquanto mantivermos essa caricatura de liberdade, quer dizer, a liberdade de uma destruição espiritual interior, continuarão imperturbavelmente os seus efeitos exteriores. Julgo que devemos refletir sobre isso. Não é apenas a natureza que tem as suas regras e as suas formas de vida, que temos de respeitar, se quisermos viver dela e nela, mas também o Homem é interiormente uma criatura e está sujeito à ordem da criação. Não pode fazer de si mesmo tudo o que quer, como lhe apetece. Para que o Homem possa viver a partir do interior, tem de aprender a reconhecer-se como criatura e tem de se dar conta de que nela deve existir, por assim dizer, a pureza interior devida ao fato de ele ser criatura, a ecologia espiritual. Se esse elemento fundamental da ecologia não for compreendido, tudo mais se desenvolverá num sentido negativo.

A epístola aos Romanos diz isso muito claramente no oitavo capítulo. Diz que Adão, ou seja, o Homem interiormente poluído, trata a criação como um escravo, a espezinha; a criação geme sob ele, por causa dele, através dele. E hoje ouvimos o gemido da criação, como nunca antes a tínhamos ouvido gemer. São Paulo acrescenta que a criação espera a vinda dos filhos de Deus e que respirará de alívio quando surgirem pessoas nas quais transpareça a luz de Deus – e só então a criação poderá voltar a respirar.

[Cardeal Joseph Ratzinger, O Sal da Terra, capítulo III, A Catarse – A mudança de era e as suas dilacerações; pp. 183-184, Editora Imago, 2ª edição, Rio de Janeiro, 2005]