Deus habita em uma família


Após a Solene Celebração do Natal, e ainda nestas festividades, dado que estamos na Oitava (os oito dias que se seguem após a celebração do Natal, como sendo um único e mesmo dia), a Igreja nos convida a celebrar a Festa da Sagrada Família, protótipo para todas as famílias.

Vivemos em uma sociedade que visa desestruturar a família, “Igreja doméstica” (Papa João Paulo II) e de onde brotam todas as vocações. Neste dia, contemplando a condição humana de Jesus, vemos como Ele também quis estar numa família, dando valor à mesma. A família é o núcleo da sociedade. Não há sociedade sem família! Os diversos programas que vemos hoje, sobretudo na questão da sexualidade, como os métodos que visam impedir o nascimento de novos seres humanos, devem ser repudiados pois se põe contra os preceitos evangélicos. A família é dom de Deus e, como tal, deve ser preservada.

Na primeira leitura medita-se o livro do Eclesiástico onde se ressalta o respeito aos pais, o qual todos os filhos devem manifestar. É necessário que os filhos, para constituir uma damília segundo o Evangelho, saibam respeitar os pais. O próprio Jesus, como nos narra São Lucas, respeitava a sua mãe e ao seu pai, José, mesmo sabendo que não era pai biológico: “Jesus desceu, então, com seus pais para Nazaré e era obediente a eles” (Lc 2,51). Também a obediência aos pais faz parte dos mandamentos. E por que? Será tão importante essa obediência que, por meio dela, poder-se-á gerar cidadãos melhores e cristãos melhores. Também para a glória a honra é uma das vias necessárias. Se não honramos como poderemos chegar a glória? Se não honramos nossos pais poderíamos honrar a Deus?

O livro do Eclesiástico ainda afirma: “Deus honra o Pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana” (3, 3-4).

A honra dada aos pais confirma-se nos filhos. E que retribuição teremos por esta honra atribuída? O perdão dos pecados, além de não mais cometê-los. E mais ainda: será ouvido na oração cotidiana. Para isto basta que respeitemos, amemos, tenhamos paciência, com nossos pais.

Deus não é mais inacessível, mas faz-se homem na pessoa de Jesus. Por isso poderíamos perguntar: como Deus, criador de tudo, submete-se à tutela de Maria e José? Ora, fazendo-se homem Jesus aceita também ser formado como homem, Ele aceita passar por todos os estágios e todas as condições humanas, exceto o pecado.

O amor que Deus tem por nós manifesta-se também no amor dos pais. Não pertencemos a ninguém! Os filhos não pertecem aos pais, mas são confiados por Deus a eles para que cuidem por um tempo. Abramo-nos ao amor de Deus! Deixemos que seu amor possa transormar-nos e fazer de nós pessoas mais convictas da nossa identidade cristã.

Na segunda leitura São Paulo dirige uma mensagem a família, mas também nos une a família trinitária, que é modelo perfeito e inigualável de família.

“Vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também” (Cl 3, 12-13).

Este convite de Paulo, não obstante esses dois mil anos, continua a ressoar de forma clara e nos convida a abrirmo-nos ao amor de Deus. Somos chamados à santidade, somos eleitos, mas, para isso, devemos assumir condições que muitas vezes não nos parece fácil. Fomos perdoados pelo Senhor, e em cada confissão que um sacerdote administra é Deus que nos perdoa; é Ele que se volta para nós com olhar de misericórdia e ternura. E assim como por Ele fomos perdoados, perdoemos também nós. Não guardemos mágoas, ressentimentos, mas abramo-nos ao perdão. Se ao menos não amamos o próximo, que o suportemos, como nos recomenda o apóstolo, de certo, há pessoas que são impossíveis de se amar.

Que a palavra de Cristo habite em vós com abundância” (v. 16). Cristo é A Palavra por excelência do Pai. O Verbo, o Logos, faz-se carne para que os homens possam tornar-se divinizados. A condição divina do homem é a contemplação da face de Deus por toda a eternidade. Assim, o homem tornar-se divino não é impossível, mas uma condição escatológica de participação no Reino de Deus. Logo, ao nos convidar a abrimo-nos a palavra de cristo, Paulo nos chama a abrimo-nos a Cristo, Senhor e Juiz da História. As famílias são também convidadas a estarem com Cristo, só assim elas encontrarão força para resistir às tentações e superar as tendências relativistas e pornográficas dos dias de hoje, que tentam infundir novas ideias em seu seio.

Falando às famílias São Paulo diz: “Mulheres, sede submissas a vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais ásperos com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isto agrada ao Senhor. Pais, não irriteis vossos filhos, para que eles não desanimem” (v. 18-21).

O respeito e o amor na família fazem falta em muitos lares hoje. São Paulo pede que as mulheres submetam-se aos maridos, como convém, no Senhor. Esta submissão hoje poderíamos afirmar como uma dedicação da esposa para com o esposo. Infelizmente, muitas mulheres hoje já não respeitam seus maridos e não o amam. Aos maridos, que amem suas esposas e não sejam duros com elas. A traição presente entre os casais e que tem se mostrado cada vez mais presente em nossos dias é uma praga que corrói os ambientes familiares e tira o valor e a sacralidade do seio familiar. Assim também é o divórcio, o aborto, etc.

A Santa Mãe Igreja condena todas estas formas de violação da sacralidade familiar, pois ferem o amor de Deus que faz-se presente em cada membro da família. E, como já ficou dito, todos são chamados à santidade.

No Evangelho, vemos a cena da fuga de Jesus, Maria e José para o Egito. Ainda pequeno Jesus já era perseguido por Herodes (que representa o poder do mal). Herodes imaginava que Jesus, Rei dos reis, fosse tomar o seu trono; no entanto, ele não sabia que o Reino de Jesus divergia-se do reino dos homens. Seu reino não é daqui, não é um reino do interesse econômico, mas é o Reino do amor e da paz.

O cerne da narração evangélica é o cumprimento da palavra do profeta: “Do Egito chamei meu filho”. Esta profecia aplicava-se ao povo de Israel, mas encontra pleno cumprimento em Jesus Cristo. Como o povo de Israel atravessou o deserto para que chegassem à Terra prometida, assim também Jesus atravessou o deserto, renovando de forma incomparável o cumprimento da promessa da salvação. Vemos também que assim como o Faraó tratou de matar os meninos hebreus, Herodes mata os filhos de Belém; Aqui nasce a Festa dos Santos Inocentes, que celebraremos no próximo dia 28. Eles doam sua vida pelo Menino-Deus – são os primeiros mártires. Não temem a morte. Jesus, como um novo Moisés, escapa da matança e refaz a peregrinação do povo de Israel para a salvação. Como Moisés foi educado na casa da filha do Faraó, por sua própria Mãe, a Jesus também aprouve ser educado por seus pais.

Que Jesus encontre em nossas famílias uma feliz recepção. E que tenhamos em mente que o Natal sempre se renova, e neste “hoje” do Natal queremos confiar todas as famílias à proteção da Sagrada Família.

Quanto a nós, caminhemos segundo as Escrituras e estejamos seguros nas mãos de Jesus, Maria e José!

3 thoughts on “Deus habita em uma família

  1. A Sagrada Família, Unidade onde A Trindade Se faz Lux. Pai, Filho e Espírito Santo.

    PAX À TODOS…AMÉM.

  2. Passando para visitar e premiar seu blog com o selo Dominus Vobiscum. Passa lá no blog e pega o selo

  3. Ótima forma de contar a história do natal postada no blog “O Cristão Comprometido”: O Nascimento de Cristo em Cordel !

    link em:

    cristaocomprometido.blogspot.com/

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