Frei Ângelo Bernardo escreveu, já há algum tempo, uma réplica a declarações heterodoxas de Leonardo Boff, da Teologia da Libertação, artigo que publicamos aqui no Ecclesia Una. Desta vez, este exímio conhecedor da doutrina católica nos oferece um artigo sobre a Liturgia. É que frei Ângelo está cansado de tanta inovação (=bagunça) em uma celebração que é tão sagrada, sublime. Abaixo republicamos o texto, que foi também publicado no Salvem a Liturgia!.
Não à manipulação da Santa Missa!
por frei Ângelo Bernardo
Estou cansado de ter que procurar uma Santa Missa, com dignidade e sem modas, como uma agulha no palheiro. Parece até uma sina: onde chego, logo na porta principal da Igreja já está o cartaz com o convite para a “Missa de Cura e Libertação”, com Padre Fulano de Tal… ou pior ainda, quando olho para o outro lado do mural, está agendada a “Missa Sertaneja”; no grupo de oração da semana que vem, “Missa Carismática”… (ah, se Padre Pio ainda vivesse para ouvir o que fizeram com os ‘grupos de oração’…). Por outro lado, quando encontro algumas pessoas que costumam assistir a Santa Missa em sua forma extraordinária ou, vulgarmente chamada de “Tridentina”, chamam-na de “Missa de Sempre”. É que não tenho a pele branca para ver quão vermelho de irritação eu fico quando ouço certos “jargões”.
“Missa de Cura e Libertação”, “Missa Sertaneja”, “Missa Carismática”, “Missa de Sempre”… a que ponto chegamos! Manipular o único e eterno memorial do Sacrifício do Calvário… quanto desgosto sinto! Acredito que seja o mesmo que muitos, quando têm que aturar padres (e alguns até ‘muito bem preparados’, academicamente), falando abobrinhas sentimentais…
Foi-se o tempo em que o início da Santa Missa era feito pelo Padre e não pelos cantores; foi-se o tempo em que o ato penitencial levava a uma contrição autêntica; foi-se o tempo em que o glória era um louvor ao Pai e ao Cordeiro e não um “hino trinitário”; foi-se o tempo em que o salmo era responsorial e não de “meditação”; foi-se o tempo em que a homilia era o momento de catequese; foi-se o tempo em que o canto do Sanctus proclamava, já antecipadamente, a vinda escatológica Do que vem em nome do Senhor; foi-se o tempo em que, após a consagração, era o momento de olhar o Senhor e adorá-lo e não cantar ou bater palmas, e que apenas ‘quem falava eram os sinos’; foi-se o tempo em que a comunhão era de joelhos e na boca; foi-se o tempo em que se guardava silêncio, mesmo que breve, após a comunhão… enfim, foi-se o tempo de tantas coisas… e estas “tantas coisas” geraram Santos, verdadeiros homens de fé e uma fé madura, não infantilizada, à estatura de NSJC.
É certo que a Palavra de Deus é viva e eficaz e que nos toca ao coração. Mas não se trata de banalizar ou denigrir o seu valor. Ela é cortante e penetra o íntimo das nossas almas. A grande questão é o desvio de foco. Se hoje temos concepções de “Missas” como essas, é devido ao subjetivismo de tantos padres, ou seja, eles desviam o foco de NSJC e levam-no para si. Também é certo que o sacerdote age in persona Christi, mas ele deve se re-cordar (= trazer ao coração) sempre o exemplo do Senhor Jesus Cristo que, “embora sendo de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens… Por isso, Deus o exaltou soberanamente…” (Fl 2,6-7.9).
Mas, o que realmente me deixa consternado é a manipulação da Santa Missa para os gostos pessoais e intimistas de cada padre… E nem adianta dizer que é o povo quem quer assim. Errado! Todo sacerdote (ou presbítero, como queiram chamar), recebeu uma formação específica da Santa Igreja Católica Apostólica e Romana. Ora, se assim o é, então, deve obedecer, como prometeram no dia da sua ordenação a tudo o que está escrito e não transgredir ou inventar ou, pior ainda, modificar, sem poder algum para tal coisa. O povo recebe o que o padre dá.
Penso que o dever primeiro de cada sacerdote é a salvação e cura das almas, a começar da sua própria. E rezo para que cada qual tenha consciência do que faz e que temam o juízo. De fato, constato que muitos já não têm mesmo medo da condenação eterna e se afugentam na historinha: ah, o céu ou inferno é aqui e agora… Que Deus lhos perdoe por tanta insanidade e falta de fé. Esta sim é a grande “crise” pela qual muitos deveriam passar. Mas apenas o fazem no sentido mais fraco do termo, que seja, modificação e não no sentido real da palavra, de ‘purificação’. Sim, é necessária uma grande purificação dos pensamentos, palavras, atos e até de omissões!
Acredito que muitos dos que lêem o que escrevo fazem apenas com o intuito de criticar ao final das leituras; mas se pararem para “pensar”, isto é, avaliar onde está o ‘peso’ real das coisas, hão de concordar que os erros não estão em quem lhos constatam; antes, estão nos que são os sujeitos das situações, no caso, dos Padres em relação às concepções da Santa Missa.
Concluindo esta breve conversa, dirijo-me aos “Ministros do Divino Altar”. Se tiverem consciência de que cada um é realmente “um outro Cristo nesta terra”, começarão a executar os seus ofícios com um gostinho de céu, como uma antecipação já aqui e agora do Reino que pregamos e anunciamos. Espero que ao ensinarem as ovelhas confiadas a cada um, quando falarem em “Missa de Cura e Libertação”, “Missa Sertaneja”, “Missa Carismática”, “Missa de Sempre”, façam com a consciência de que em cada denominação errônea dessas, ainda assim, não desviem o foco: NSJC!”
Pingback: Tweets that mention Não à manipulação da Santa Missa! « Ecclesia Una -- Topsy.com
Me espanta existir alguns padres que fazem da Santa Missa um circo.
Everth, lendo esse artigo de frei Ângelo é como sentir a dor de cortar na nossa própria carne. Dói muito.Queria sugerir o livro” As Angústias da Igreja” da Associação Maria Rosa Mística , Editora Odorizzi, Movimento Salvai almas para os leitores do seu site. esse livro dá uma compreensão de como agem os inimigos da igreja, como combatem o Papa e, finalmente nos consola quando nos fala que tudo isso faz parte da grande apostasia final e precisa se cumprir para o triunfo da verdadeira Igreja como foi predito pelo profeta Ezequiel no Capítulo 7, versículos e 7 a 12. Paz e bem. Sandra.
Procuro e não acho:
Em Maceió é difícil encontrar uma missa com momentos de silêncio…até o o momento do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo…” é atropelado pelo abraço da paz(mas quando termina a missa todos saem correndo da Igreja sem converdar com ninguém). Só na Catedral, com Padre Celso Alípio(rito ordinário),com Pe. José Kermes no bairro do Eustáquio Gomes (rito ordinário) e Pe. Érico (ritos ordinários e extraordinários) que se têm respeito a sacralidade.
blog: “O Cristão Comprometido”:
cristaocomprometido.blogspot.com/
Pingback: Artigo: “Não à manipulação da Santa Missa!” « Contos do Átrio
Infelizmente, a bem da unidade, temos que suportar toda essa diversidade com amor e paciência, para que não corram da Igreja pra fora, como já aconteceu.
Carismático é filhote de pentecostal protestante. Um movimento estranho a Igreja. Contrariam vários pontos doutrinários, entre eles as seguintes passagens bíblicas: “Fé é a certeza das coisas que não se vê” (São Paulo). Bem aventurados os que não viram e creram (Jesus a São Tomé). “cremos em um só batismo para remissão dos pecados” – Credo constantinonicenopolitano.
Os carismáticos precisam “sentir” e ver o sobrenatural: dons, profecias, falar línguas estranhas, curas, exorcismos.Tem pouca fé, portanto.
Os carismáticos acreditam em dois batismos: “Um na água e outro no Espírito”, portanto contrariam o credo e o magistério da Igreja. Há deles que praticam secretamente o “discipulado”, outra heresia contra o ensinamento da Igreja.