Para onde vão os hereges

http://fratresinunum.files.wordpress.com/2011/02/serafinamicheli.gif?w=150&h=230Este ano será beatificada a fundadora das Irmãs dos Anjos, Irmã Maria Serafina Micheli. Conta-se que, enquanto rezava por engano na escadaria de uma igreja protestante, o seu anjo da guarda apareceu-lhe e revelou-lhe o local para onde foi o líder da Reforma Protestante, Martinho Lutero. Segundo artigo publicado recentemente no Fratres in Unum, “ela viu um terrível abismo de fogo, no qual eram cruelmente atormentadas um incalculável número de almas”. “No fundo deste precipício – continua o texto – havia um homem, Martinho Lutero, que se distinguia dos demais: estava cercado por demônios que o obrigavam a se ajoelhar e todos, munidos de martelos, se esforçavam, em vão, em fincar em sua cabeça um grande prego.” Conforme mostrou-lhe o anjo, a pena que sofreu foi consequência do primeiro pecado capital, o orgulho.

Este relato é valiosíssimo e mostra ao homem moderno a necessidade da obediência, da submissão à autoridade da Igreja Católica Apostólica Romana, única verdadeiramente fundada por nosso Senhor Jesus Cristo. Quando o homem se rebela contra uma autoridade instituída pelo próprio Deus, quando renega tenazmente as verdades de fé reveladas pelo Altíssimo à Sua Igreja, certamente está condenando-se a si mesmo e também àqueles que lhe cercam. Infelizmente até mesmo muitas pessoas que se dizem católicas têm o feio costume de exaltar essas pessoas que se rebelaram, ao longo da história, contra a santa Sé. Vários estudantes e professores de História dão muitas vezes um parecer deveras positivo à rebelião incentivada por Martinho Lutero. “Porque havia inúmeros membros do clero corruptos, porque a Igreja estava imunda de pecados…” Ora, é certo que a conduta de muitos homens de cargos eclesiásticos importantes não era muito digna de respeito na época de Lutero. Repugna-nos pensar na figura de um bispo que seja ao menos parecido com Alexandre VI. Essa alegação, no entanto, não justifica uma rebelião contra a Fé; não justifica uma transgressão à Lei de Deus (lembrar que a heresia é um pecado cometido contra o 1º mandamento, “amar a Deus sobre todas as coisas”). Muitos homens do tempo de Lutero reconheciam a necessidade de uma reforma – e posteriormente, através do Concílio de Trento, ela acabou por efetivar-se -, mas esta deveria ser empreendida não contra a Revelação cristã, santa e imaculada, mas sim contra os pecados dos filhos da Igreja, que constituíam o verdadeiro problema.

Foi distorcido, no entanto, o foco da reforma. E um número considerável de católicos pulou da barca de Pedro para se afogar nos violentos mares da heresia protestante. E quantas doutrinas estranhas começaram a se espalhar pelo mundo afora, quantas “verdades” têm sido pregadas em nome de Cristo, em nome da Bíblia! Para legitimar essa absurda situação na qual se encontra o protestantismo, desde as suas raízes, tem-se recorrido a recursos falaciosos (o relativismo é o melhor exemplo deles) e, então, qualquer sujeito pode se tornar pastor; basta que leia a Bíblia e “se sinta” inspirado pelo Espírito Santo. O resultado é fantástico: mil línguas protestantes pregando mil doutrinas diferentes. Não podemos aceitar de braços cruzados essa mutilação da nossa fé, essa tentativa perniciosa de arruinar a beleza da única Igreja fundada pelo próprio Senhor. Não podemos esquecer tão facilmente da declaração de Jesus Cristo de que seria São Pedro o apóstolo que “apascentaria as Suas ovelhas”. Deus não se engana nem pode nos enganar. Peçamos a Ele a graça de viver e morrer na fé católica, fé pela qual foi derramado o sangue dos Mártires; e que Maria Santíssima, a mulher que acreditou, nos ajude a sermos fiéis ao Magistério da Santa Madre Igreja por todos os dias de nossa vida.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Pragmatismo – o “juízo privado” nas questões religiosas

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Leo J. Trese, sacerdote norte-americano

Sabemos que os membros da Igreja de Cristo devem manifestar unidade de credo. As verdades em que cremos foram dadas a conhecer pelo próprio Cristo; são verdades que procedem diretamente de Deus. Não há verdades mais “verdadeiras” que a mente humana possa conhecer e aceitar do que as reveladas por Deus. Deus é a verdade; sabe tudo e não pode errar; é infinitamente verdadeiro e não pode mentir. É mais fácil crer, por exemplo, que não existe sol em pleno dia do que pensar que Jesus tenha podido enganar-se ao dizer-nos que existem três Pessoas num só Deus.

Por este motivo, consideramos o princípio do “juízo privado” como absolutamente ilógico. Há pessoas que estendem o princípio do juízo privado às questões religiosas. Admitem que Deus nos deu a conhecer certas verdades, mas dizem que cada homem tem de interpretar essas verdades de acordo com o seu critério. Que cada um leia a sua Bíblia, e aquilo que chegue a pensar que a Bíblia significa, esse é o significado para ele. Não está em nossas mãos escolher a acomodar a revelação de Deus às nossas preferências ou às nossas conveniências.

Essa teoria do “juízo privado” levou, naturalmente, a dar um passo a mais: a negar toda a verdade absoluta. Hoje, muita gente pretende que a verdade e a bondade são termos relativos. Uma coisa será verdadeira enquanto a maioria dos homens pensar que é útil, enquanto parecer que essa coisa “funciona”. Se crer em Deus ajuda você, então creia em Deus; mas, se você pensa que essa crença dificulta a marcha do progresso, deve estar disposto a afastá-la. E o mesmo se passa com a bondade. Uma coisa ou uma ação é boa se contribui para o bem-estar e a felicidade do homem. Mas se a castidade, por exemplo, parece que refreia o avanço de um mundo que está sempre evoluindo, então a castidade deixa de ser boa.

Em resumo, bom ou verdadeiro é apenas o que, aqui e agora, é útil para a comunidade, para o homem como elemento construtivo da sociedade, e é bom ou verdadeiro somente enquanto continua a ser útil. Esta filosofia tem o nome de pragmatismo. É muito difícil dialogar com um pragmático sobre a verdade, porque minou o terreno que você pisa começando por negar a existência de qualquer verdade real e absoluta. Tudo o que um homem de fé pode fazer por ele é rezar e demonstrar-lhe com uma vida cristã autêntica que o cristianismo “funciona”.

- Padre Leo J. Trese, A Fé Explicada,
edição em PDF
, pp. 123-124

O relativismo moral de mãos dadas com a pedofilia

http://www.fatima.org/port/crusader/cr35/cr35pg12_image001.jpgJá por diversas vezes temos falado, neste espaço, sobre os males do relativismo moral, esta ideia de que a verdade está submetida a parâmetros e configurações subjetivas, isto é, a verdade seria apenas um produto da ação individual. A Verdade não deveria ser buscada, mas sim, inventada. O texto que exerce mais influência nas análises que muitas vezes se faz acerca deste problema é certamente a homilia proferida pelo cardeal Joseph Ratzinger – hoje Papa Bento XVI – na Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, no ano de 2005.

Na ocasião, Ratzinger se referiu a uma “ditadura do relativismo”, uma linha de pensamento que estabelece, em meio ao mar de verdades relativas propostas, apenas um princípio absoluto: tudo é relativo. Não haveria problema algum se estivéssemos convivendo com um relativismo que, ao choramingar pelos cantos, se sentisse excluído por sua falta de apoio na sociedade (seria extremamente forçoso pensar semelhante situação). O problema é justamente o termo “ditadura”. Isto pressupõe que o sujeito defensor dessa doutrina pestilenta não deseja guardar a mentira só para si. Ele quer distribuir a sua mais nova heresia com os que estão ao lado.

O relativismo se espalha? Aparentemente o princípio utilizado pelo homem do século XXI para lidar com assuntos que dizem respeito à Fé não é o mesmo utilizado para lidar com aquilo que o outro afirma sem dar nenhum respaldo racional consistente àquilo que diz. Assim, diante do dogma de fé católico, o professor diz aos seus alunos: “É preciso questionar, estudantes! Não podemos deixar que a Igreja Católica imponha as suas ideias a nós, assim, tão facilmente…” Diante de Marx e Nietzsche ou de outros tantos pensadores modernos inimigos da religião e da moralidade objetiva, no entanto, o professor fica endiabrado, incita os estudantes a amá-los e, se possível, até mesmo prestar-lhes culto de latria. E pouquíssimos parecem ser capazes de enxergar que está se constituindo uma verdadeira ditadura.

Como derrubar este tirânico relativismo que parece devorar os nossos colégios e universidades e se infiltrar até mesmo nos púlpitos de nossas igrejas? Certamente precisamos convencer-nos a nós mesmos de que o relativismo não faz sentido nenhum e nos conduz inevitavelmente a uma forma de pensamento permissivista, onde aquilo que está claramente errado – lembrar que o Altíssimo inscreve as suas leis no coração humano – começa a ser aceito como legítimo. Aludimos a pecados que a sociedade moderna incorporou, mas também àquelas faltas que certamente serão enaltecidas, para a estupefação dos que hoje pensam ser possível conciliar uma sólida moralidade com a mentalidade relativista.

Daqui há alguns anos certamente veremos uma horda de parlamentares, jornalistas, psicólogos e outros tantos profissionais, defendendo o escabroso crime da pedofilia. Os argumentos fraudulentos utilizados hoje para defender descriminalização do aborto e legitimação de união homossexual serão complementados e muitos vão aceitar a ideia de que “as crianças não devam ter seus desejos sexuais reprimidos”. Porque a verdade, sendo relativa, é passível de mudança no decorrer dos tempos. “Aquilo que era errado hoje será nobre, justo e bom amanhã…” Graças a essa mentalidade demoníaca, muitos de nossa geração deixarão para seus netos, bisnetos ou tataranetos, uma repulsiva cultura de depravação sexual.

Se eu acredito mesmo que isso acontecerá…?* Do fundo do meu coração, repugna-me pensar que o homem possa chegar a esse ponto. Mas os frutos do relativismo são venenosos. Se continuarmos colocando a subjetividade humana ou mesmo o Estado acima dos mandamentos de Deus, o nosso fim será certamente a morte – este é o inevitável fim do pecado (cf. Rm 6, 23).

Tenhamos esperança! É que não devemos desanimar no trabalho de salvar almas, de conquistar pessoas para Cristo. Estudemos a palavra de Deus e, ao mesmo tempo, as palavras do nosso amado Santo Padre, pois só assim poderemos combater o bom combate, mostrando àqueles que caminham por trilhas estranhas a Verdade do Evangelho, do Verbo que se faz carne por amor ao ser humano.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* É que essa campanha de enaltecimento da pedofilia, para a nossa infelicidade, já está acontecendo. Luiz Mott, líder do movimento homossexual brasileiro, por exemplo, já escreveu textos fazendo apologia à pedofilia (o link dá acesso a um texto com mensagem altamente obscena, que ofende de modo terrível a moral católica). Um filósofo defensor do homossexualismo chamado Paulo Ghiraldelli já defendeu a aceitação da pedofilia em um texto repleto de elementos relativistas. Como estão todos cegos pela sacrossanta luta dos homossexuais “para se libertar dos ataques homofóbicos de nossa sociedade fundamentalista”, ninguém toca no assunto. E a ditadura do relativismo vai se fortalecendo.

Leia também: Papa denuncia perversão de ativismo pró-pedofilia, do arquivo do nosso blog.

O relativismo moral de mãos dadas com a ditadura

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/02/pepauloricardo.jpg?w=310&h=209Pouca gente entende a ligação que existe entre um relativismo moral e um governo tirânico. Mas uma coisa vai junto com a outra. (…) Quando eu tenho o relativismo moral, não existe algo que é errado em si mesmo. As coisas são erradas pra mim ou erradas pra você. “Pra mim o homossexualismo não é pecado; é só uma opção”. “Pra mim é pecado”. “Tudo bem, você fica na sua opinião e eu fico na minha opinião…” Só que acontece o seguinte: quando não existe um parâmetro moral objetivo, quando cada um faz a sua lei moral, chega um governo e diz: “Já que tudo é relativo e cada um tem a sua lei moral, nós precisamos pôr ordem na casa. Então, a lei moral vai ser a nossa. Nós ditamos. Nós fazemos”. E eles impõem uma ditadura.

Porque o normal de um governo seria o seguinte: o governo entender que ele não é Deus, Criador do Céu e da Terra, que ele não faz o bem e o mal, mas que ele deve obedecer uma Lei que vem de Deus. Por exemplo, não matarás. Ora, os seres humanos têm direito à vida. Isto é uma realidade. Isso é um direito humano objetivo. O Congresso Nacional não pode, amanhã, decretar e dizer que as pessoas não têm mais direito à vida, porque este direito as pessoas têm objetivamente. (…) Ora, se existe uma norma objetiva, se existem leis que vêm de Deus, qualquer governo deverá obedecer e, portanto, existe uma autoridade que está acima do governo. Mas, se não existem leis que vem de Deus, o governo fará as leis, o governo se torna deus. Então, vejam como a moral relativista gera um governo ditatorial. A coisa é consequência evidente uma da outra. E é assim que funciona.

Ora, se nós continuarmos distribuindo “kit gay”, cartilha das coisas importantes, que ensina as crianças a se masturbarem, a fazer sexo, a colocar camisinha no pênis etc., se nós continuarmos distribuindo por aí camisinhas nas máquinas que estão nos pátios das nossas escolas (…), as novas gerações não terão moralidade. Eles não vão ter limites morais. A moralidade vai ser uma coisa relativa. “Eu gosto de mulher, você gosta de homem, o outro gosta de bezerro, de hipopótamo, de tartaruga… Cada um faz sexo com o que quiser”. Então, tudo é relativo.

Quando tudo é relativo, quando não existe uma Lei que vem de Deus à qual eu devo obedecer, então o governo também não obedecerá. O governo fará as leis que ele quiser.

- Padre Paulo Ricardo
Trecho do podcast Parresía, 31 de janeiro de 2011

Como fugir do pecado nas más conversas

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“Poderá alguém dizer: Conheço as funestas consequências das más conversas; mas como se há de fazer? Estou numa casa, numa escola, num serviço, em uma casa de negócio, em um lugar onde se fazem más conversas. Infelizmente, meus caros jovens, sei que há desses casos; por isso vos indico o modo de sairdes dessa dificuldade sem ofender a Deus. Se são pessoas inferiores a vós, corrigi-as com rigor; dado o caso que sejam pessoas a quem não convenha admoestar, fugi, se vos for possível; não podendo, ficai firmes em não tomar parte nem com palavras, nem com os sorrisos e dizei no vosso coração: Meu Jesus, misericórdia.”

- São João Bosco
citado em A Modéstia Masculina

Marta Suplicy e a defesa de temas que fascinam Chalita

Durante as eleições – como já é de consciência de muitos -, as máscaras de vários cidadãos que se intitulavam cristãos finalmente caíram. Aqueles que colocavam seus interesses particulares acima dos mandamentos de Deus – e Ele é enfático ao declarar que é inaceitável tirar a vida do inocente (cf. Ex 23, 7) – espernearam de maneira infantil na tentativa de defender o Partido dos Trabalhadores em uma discussão que tinha como foco a descriminalização do aborto. Alguns padres, de modo valente, se declararam; outros bispos, com coragem, conclamaram seu rebanho a não aderir a partidos e candidatos que estivessem comprometidos com a agenda de morte. Do outro lado, também diversos membros do clero manifestaram seu apoio à candidata Dilma Rousseff, do PT, tentando ousadamente sustentar a ideia de que o que era dito sobre o partido de Lula em relação ao aborto não passava de boataria.

Alguns leigos com renome na mídia católica brasileira também aderiram ao infame projeto da mentira. E agora, os nocivos frutos desta parceria desastrosa já começam a ser degustados pelo povo de Deus.

Aludimos a Marta Suplicy, senadora do Partido dos Trabalhadores de São Paulo, que recebeu o apoio político do até então candidato Gabriel Chalita, do Partido Socialista Brasileiro. Abaixo, o vídeo no qual o candidato manifestava sua adesão à campanha de Marta.

“A Marta tem uma história de luta de defesa de temas que nos fascinam”, diz Chalita, no vídeo. E quais são esses temas que fascinam tanto a Chalita? Seria interessante que ele se explicasse pois está cada vez mais difícil de identificar, em Marta, alguma qualidade moral que a torne digna de receber o apoio de um sujeito que se diz católico. Ainda mais quando o Estadão decide mostrar às pessoas quais são os temas que a senadora petista realmente gosta de defender:

http://www.feminismo.org.br/livre/images/stories/politica/marta_suplicy2.jpgBRASÍLIA – A senadora Marta Suplicy (PT-SP) tomou posse de seu mandato nesta terça-feira, 1º, afirmando que vai trabalhar pela aprovação de um projeto que permita a união civil de pessoas do mesmo sexo. Marta também defendeu a legalização do aborto e afirmou que o Parlamento precisa “avançar” em questões comportamentais. Marta foi indicada pelo PT para ocupar a primeira vice-presidência da Casa e deve ser eleita ainda nesta tarde.

Ela afirmou que vai ver os trâmites para a possibilidade de desarquivar um projeto que trata da união civil, de sua autoria, apresentado ainda quando era deputada. Marta disse que o tema pode ser discutido em outro projeto.

“Enquanto outros países avançam, nós retrocedemos, enquanto a Argentina reconhece a união civil e Buenos Aires é uma cidade ‘gay friendly’, nós temos espancamentos na avenida Paulista”, disse a senadora.

Marta diz ver avanços sobre o tema no Judiciário, mas reclamou da atitude do Legislativo sobre o tema. “Tivemos um salto no Judiciário e o Parlamento está se apequenando, e nós precisamos avançar”.

A senadora defendeu ainda a legalização do aborto, tema que colocou o PT na defensiva durante o processo eleitoral. “Não podemos daqui a quatro anos ter ainda este assunto sem discussão porque ninguém tem coragem de debater. A campanha eleitoral foi desastrosa em questões comportamentais, mas isso se deve ao acirramento da eleição e os ânimos agora estarão diminuídos e poderemos debater”. Ela reconheceu, porém, que uma decisão sobre o aborto levará tempo e defendeu que toda a sociedade participe do debate.

Tive acesso à notícia graças ao blog O Possível e O Extraordinário, do Wagner Moura, que, por sua vez, viu o tópico no blog Vida, Família e Paz.

“Só quem é totalmente de Deus pode ser inteiramente do povo”

Oferecemos nossa tradução de alguns trechos da entrevista concedida pelo novo prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Mauro Piacenza, ao site Kath.net. Agradecimentos ao pessoal do blog La Buhardilla de San Jerónimo, que traduziu o texto da entrevista do italiano ao espanhol.

Cardeal Mauro Piacenza

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/02/mons-mauropiacenzaprefeitoclero.jpg?w=243&h=265Quem renova continuamente a Igreja e o sacerdócio é o Espírito Santo! Fora de uma visão sobrenatural, é impossível pensar mesmo em uma renovação. Considero que este é precisamente um dos principais caminhos a percorrer: o da recuperação da dimensão vertical e espiritual do ministério. Nas últimas décadas, muitos “reducionismos”, animados pela assim chamada teologia da desmistificação, acabaram por transformar o sacerdócio simplesmente em um “superministério” de animação e coordenação eclesial. O sacerdote é também aquele que anima a vida pastoral de uma comunidade, porém exerce tal ministério em virtude de uma vocação sobrenatural e de sua configuração a Cristo, determinada pelo sacramento da Ordem. Antes de todo “serviço ministerial”, ele representa Jesus Bom Pastor no coração da Igreja, e, concretamente, na comunidade à qual ele é enviado.

A consequência disto é que a renovação deverá passar necessariamente pelo primado da oração, da relação íntima e prolongada com Cristo Ressuscitado, presente espiritualmente nas Sagradas Escrituras, realmente na Eucaristia, com o qual o sacerdote está em perene comunhão no serviço concreto de cada gesto ministerial. Primado da oração significa também primado da fé: a fé pura e sincera dos santos, capaz de desestruturar, precisamente por sua simplicidade, todo cálculo humano ou racionalismo. Um sacerdote assim, em um contexto cultural fundado no eficientismo e no ativismo, se torna verdadeiramente um sinal de contradição; como o Senhor Jesus foi e é, ainda hoje, este “sinal de contradição”, assim, à Sua imagem, todo sacerdote também é chamado a sê-lo, precisamente em virtude da pertença à Cristo e à Igreja, e da perene novidade que a apostolica vivendi forma é para o mundo.

No atual contexto de secularização, são sinal de contradição os sacerdotes santos, fiéis, dedicados ao próprio ministério porque dedicados a Deus e capazes, por isso, de conduzir as almas a um autêntico encontro com o Senhor. Só quem é totalmente de Deus pode ser inteiramente do povo.

Em tudo isto as novas gerações de sacerdotes devem ser essencialmente formadas, evitando cuidadosamente cair na tentação de normalizar o sacerdócio, pensando, de tal modo, fazê-lo mais aceitável aos jovens e aos homens de nosso tempo. Isso, pelo contrário, levaria à desertificação das vocações. O futuro do sacerdócio, que está garantido a nível sobrenatural pela fidelidade de Deus à Sua Igreja, está também, no que nos diz respeito, na motivada preocupação de sua natureza autêntica, que é – as Escrituras dão testemunho e a Tradição eclesial e magisterial confirma – de origem singularmente divina.

[...]

Por diversas vezes o Santo Padre tem recordado que, com a Liturgia, vive ou morre a fé da Igreja. Ela é, ao mesmo tempo, um espelho no qual se reflete a fé, e um alimento que constantemente a nutre, purifica e sustenta. O antigo adágio “lex orandi, lex credendi” obviamente mantém toda a sua validez e eficácia.

Em não poucos casos, o mencionado intento de desmistificação tem atingido também a Liturgia, produzindo, como efeito único e devastador, uma paradoxal redução a ritos pré-cristãos, que são facilmente manipulados e expostos a desvios subjetivistas e relativistas. A Liturgia não é um “atuar humano”, no qual os indivíduos podem expressar livremente a própria emoção subjetiva, no qual seria necessário fazer ou dizer algo para participar; ela é principalmente ação de Cristo, o qual, vivo e presente na Sua Igreja, rende culto ao Pai, atraindo, nesta ação humano-divina, todos os homens.

Cristo Ressuscitado é o verdadeiro protagonista da história e da Liturgia, e toda ação humana que queira ser realmente litúrgica deve obedecer a este critério imprescindível e buscar orientar o coração dos fiéis ao reconhecimento do primado absoluto de Deus.

A redução e banalização da Liturgia são de responsabilidade gravíssima, não independente da perda de sentido do sagrado, problema do qual o Ocidente é vítima, e que se deriva, novamente, da desmistificação radical promovida por certa teologia, crendo ser ela “científica”.

A resposta a todo isto pode encontrar-se, contudo, no coração do próprio homem, o qual, apesar de tudo, é feito por Deus e é constitutivamente religioso e, portanto, aberto ao transcendente e ao sentido do sagrado. Uma Liturgia cristocêntrica, corretamente celebrada, eclesialmente significativa e que seja a realização do “Ele [Cristo] deve crescer e eu diminuir” (cf. Jo 3, 30), de memória joanina, contribui certamente para a nova evangelização da Europa e para a recuperação do sentido do sagrado, sem o qual até mesmo o diálogo com outras culturas e religiões tradicionais seria impossível.

A perseguição aos cristãos e a promoção da imoralidade

Representantes dos países da Europa – que sofrem de maneira acentuada os terríveis males da secularização laicista – se reuniram recentemente para discutir a perseguição aos cristãos que vem sendo freqüente no Oriente Médio e nas regiões vizinhas e demonstrar repúdio ao que foi chamado de “cristianofobia”. A Turquia e o Azerbaijão, juntamente com o representante parlamentar socialista, rejeitaram prontamente a iniciativa, o que foi verificado posteriormente também nos países da Península Ibérica, Irlanda, Chipre e Luxemburgo.

http://s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2010/05/06/pilatos_300_225.jpgEsta clara demonstração de indiferença ante os abomináveis crimes perpetrados contra o princípio da liberdade religiosa – e, de uma maneira especial, contra os seguidores de Cristo – se assemelham – é pavoroso constatar – a Pôncio Pilatos, que, incomodado pelo tumulto daqueles que pediam a crucificação de Jesus, “lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem” (Mt 27, 24). É graças ao silêncio dos bons, à cumplicidade dos poderosos, que os inocentes são perseguidos e a injustiça passa a ser aplaudida. Nosso Senhor profetizou a ruína de várias cidades por onde passou. “E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia” (Mt 11, 23). Que diria Cristo destes políticos que ignoram propositalmente o fato de que há um número preocupante de pessoas sendo mortas simplesmente porque pregam o escândalo da Cruz…!

Que diria Cristo destas nações que não se importam com o real problema das perseguições religiosas ao redor do mundo, mas se preocupam de forma assustadora em combater o que os governantes e os meios de comunicação têm chamado de “homofobia”, uma tática atroz para impor à sociedade a ideia perversa de que as relações homossexuais são perfeitamente legítimas, impassíveis de crítica ou repúdio.

E a mídia faz forte campanha para promover a agenda gayzista também em nosso país. É o que reportou o blog Conde Loppeux de La Villanueva, em artigo sobre a nova novela da rede Globo, intitulada Insensato Coração. Destaco:

“Já vi cidades inteiras do interior admiradoras de indivíduos homossexuais assumidos e que, inclusive, participavam de comemorações religiosas na Igreja Católica. Quando as famílias assistiam à passeata dos travestis no chamado Orgulho Gay, em São Paulo, carregavam o mesmo tipo de pensamento de velhinhas conservadoras que contemplavam os homossexuais no carnaval. O brasileiro médio, em geral, ama o pecador, mas odeia o pecado. Aceita os homossexuais, sem aceitar a homossexualidade. Constitui uma minoria bem insignificante as pessoas que odeiam realmente os homossexuais. E mesmo a maioria dessas pessoas odientas jamais agrediu ou matou um homossexual na vida. Grande parte dos assassinatos envolvendo gays é praticada pelos próprios, vide as brigas violentas com garotos de programa ou então a vida do submundo da prostituição. Isto porque há homicídios sem quaisquer motivações de ódio à vítima homossexual. Com todo esse histórico, a média de homossexuais perde, de longe, dos cálculos de mortos envolvendo heterossexuais em assassinatos.”

“Contudo, a militância homossexual não aceita tal rejeição. Quer a imposição compulsória de seus gostos e projetos políticos sobre a população, seja através da manipulação ou da intimidação. Quer leis especiais, privilégios, regalias, em nome da homossexualidade. Em nome da igualdade de direitos, os homossexuais fazem de si indivíduos distintos do resto, como se a sexualidade deles, em si mesma, demandasse direitos particulares.”

“Grande parte dos assassinatos envolvendo gays é praticada pelos próprios”. Um homossexual tentando matar seu companheiro em Praia Grande é apenas mais um exemplo de tantos outros nos quais o agressor ou assassino de gays é, também ele, homossexual. As próprias relações homossexuais são degradantes, porquanto “fecham o ato sexual ao dom da vida” e “não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual”, segundo exorta o Catecismo da Igreja (§ 2357). Mas, os governantes e as grandes organizações mundiais martelam na ideia de que a “homofobia” seria conseqüência da intolerante e retrógrada doutrina moral da Igreja Católica, a mesma que condena o preconceito a quem apresenta tendências homossexuais, a mesma que pede que estes “devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza” (Catecismo, § 2358).

Enquanto criticam a Igreja por defender a verdade contida na Revelação e lutam de modo incompreensível para oferecer privilégios aos homossexuais, cristãos são agredidos e mortos na Ásia e alguns parlamentares e governantes babacas simplesmente não se importam. O homem está imerso em um imundo lamaçal de imoralidade e injustiça. Enquanto não recorrermos Àquele que pode nos resgatar, certamente continuaremos a colher os amargos frutos da funesta Revolução, “a organização da vida humana somente segundo a razão humana e as paixões humanas” (Catecismo Anticomunista, n. 34).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Luzes com a Luz

Celebramos hoje a Festa da Apresentação do Senhor, que acontece quarenta dias após o Natal. Jesus é apresentado no Templo por Maria e José, segundo a lei mosaica havia prescrito; além desta apresentação (como é de costume antigo), celebrava-se a festa da Purificação de Nossa Senhora, pois também Maria devia purificar-se após o parto, e, ali, deveriam oferecer sacrifícios, por serem pobres Maria e José ofereceram um par de rolas ou dois pombinhos. Mas a Festa de hoje não é de caráter mariano, e sim de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que não quer dizer que não devemos honrar a bela cena da Sagrada Família que nos é apresentada.

Jesus é o consagrado por Deus e dado à humanidade. Ele vai à casa de Seu Pai, e não seria errado dizermos: Ele vai à Sua casa. Na fragilidade da criança contempla-se a luz que irradiaria em meio a um mundo tenebroso. Por isso, a Liturgia hodierna convida-nos a contemplarmos também a luz, símbolo que, de certa forma, assume hoje uma característica peculiar. Detenhamo-nos agora na primeira leitura, sendo que nos é apresentado Malaquias e Hebreus (por ser dia de semana faz-se apenas uma), nos deteremos neste ano na profecia de Malaquias.

“Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer?” (3, 1-2).

Chegará o Dominador. Sim! A apresentação de Jesus já havia sido prefigurada por Malaquias. Ele é o Dominador que tudo tem sob Si, o “Senhor dos exércitos”. Mas seu domínio não é comparado aos dos reis e soberanos deste mundo. Seu poder não é de escravidão! Ele não domina para Si, apesar de ser Deus. Pelo contrário: O Domínio de Jesus consiste sobretudo na verdade e na justiça; no amor e na compreensão.

Mas encontramos nesta leitura algo que dirige o nosso olhar também para a escatológica vinda do Senhor. Assim como há mais de dois mil anos, também na Sua vinda ninguém poderá resistir-lhe e fazer frente aos seus desígnios. Somos chamados a um renovado apelo de vivência e experiência da santidade, para que, na vinda do Senhor, sejamos também nós convidados a participarmos do seu banquete. Também a sua Onipotência é confirmada pelo salmista que leva-nos a cantar: “O rei da glória é o Senhor onipotente” (Sl 23). E hoje, ao contemplarmos nosso mundo dilacerado pela violência, pela falta de fé, por uma cultura desregrada da sexualidade, por uma aparente autossufuciência, queremos também elevar a Deus uma oração de súplica: Senhor concede paz aos nossos dias. Dá-nos a Tua paz, e não a paz passageira que o mundo aparentemente oferece. Faz com que o clarão da vossa luz salvífica brilhe sobre todos os homens, sobretudo aqueles que se enveredam pelas estradas da escuridão. Que a vossa glória seja plenamente manifestada Senhor! Que a nossa humanidade reconheça em Ti o Senhor da glória, que nos liberta de toda a tentação e obscuridade dos nossos olhos da fé!

Estando no Templo concretiza-se a profecia que nos foi citada na primeira leitura. Ao ver o Menino que era ofertado, Simeão faz duas afirmações que caracterizam as ações messiânicas e toda a vida de Jesus. Estavam, por assim dizer, intrínsecas a sua missão. Elas relacionam-se com a sua Paixão e Ressurreição. Temos dois adjetivos atribuido-Lhe: “luz das nações” e “glória do povo de Israel” (Lc 2, 32).  A luz que Jesus não apenas simboliza, mas realmente É, encontra pleno ápice na sua Ressurreição, de onde a humanidade, revigorada por tão grande mistério de amor, é imersa nesse profundo clarão, que investe, com toda sua força, contra os poderes maléficos. Por isso, a procissão das luzes feita hoje remete-nos ao glorioso sábado em que Cristo passa da morte à vida.

E agora encontramo-nos diante da  afirmação: “Glória do povo de Israel”. Talvez muitos que ali estivessem pensassem: como poderia na fragilidade de uma criança residir a glória de todo o povo? Mas, precisamente naquela fragilidade, Deus mostra o Seu poder. Ele não precisa se manifestar nos poderosos deste mundo, e nem quis fazê-lo, senão por meio de uma criança, aparentemente frágil e indefesa, mas que carregava em Si toda a glória e salvação do povo, dos pagãos de Israel, e de todos nós, que fomos beneficiados com o sacrifício redentor.

Agora dirijo-me a todos os consagrados e consagradas, e cumprimento-os pelo vosso dia. Que o Senhor, neste dia especial, vos estimule em vossas caminhas, e vos torne cada dia mais fiéis ao seu Evangelho e à sua Igreja. Ainda quando parece ser difícil a caminhada, a certeza de que o Senhor caminha ao nosso lado jamais nos deixa desanimar ou exitar de nossa missão. Que possais ser sinal da presença de Cristo em nosso mundo. E que sejais revigorados pelas bençãos divinas que sempre vos acompanham.

A todos reforço o convite: Sejamos luzes em nossos dias turbulentos! Não deixemos apagar em nós a chama da fé que deve irradiar esperança aos que hoje estão desesperançados; amor aos que hoje não sentem-se amados; fraternidade aos que vivem no egoísmo; fé aos que vivem na incerteza e na dúvida. Enfim, que possamos cumprir a missão a nós confiada, por aquele que é a Luz por excelência.

Que Maria Santíssima e São José nos ajudem a apresentarmo-nos diante de Deus, e a Ele oferecermos todos os nossos sacrifícios e a nossa vida