Bolsonaro no CQC

Há um quadro no famoso programa da rede Bandeirantes, o Custe o que Custar (CQC), chamado “O povo quer saber”. E o entrevistado dessa semana foi ninguém menos do que o polêmico deputado Jair Bolsonaro, do Partido Progressista do Rio. O político é inimigo declarado da homossexualidade e das insidiosas investidas do movimento gay para que haja o que eles chamam de “desconstrução da heteronormatividade”. Abaixo o vídeo que mostra sua participação no programa humorístico da Band.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,46122889,00.jpgUma observação interessante a se fazer é a repercussão que essa entrevista ganhou na Internet – graças à estranha resposta dada por Bolsonaro à pergunta de Preta Gil, no final da entrevista. O site de notícias da Globo reportou: Deputado associa na TV namoro com negras a “promiscuidade”. Como explicou posteriormente o deputado federal, ele havia simplesmente confundido o conteúdo da pergunta. “O erro, com toda a certeza, foi meu. Foi uma bateria de perguntas sobre cotas e homossexualismo. O que eu entendi foi o seguinte: ‘Se o seu filho tivesse um relacionamento com um gay, como você se comportaria?’”

Em resposta à jornalistas no Congresso hoje, Jair Bolsonaro reafirmou sua posição conservadora em relação ao tema do homossexualismo. “Você ficaria feliz de ver seus filhos homossexuais? Eu não aceito um filho homem ter um relacionamento com outro homem, acabou. É direito meu. Você acha que se a minha mulher engravidar eu falo ‘Meu amor, se nascer um gayzinho, vai ser o orgulho da família?’” O político ainda fez questão de deixar claro que não tem nada a ver com racismo. “Tem um montão de afrodescendente trabalhando comigo no Rio de Janeiro. Eu não quero é que os boiolas coloquem no currículo escolar a disciplina de combate à homofobia que, na verdade, estimula o homossexualismo.”

Perguntado se teme ser punido, Bolsonaro é tenaz. “Meu anjo da guarda é forte, porque eu estou sempre do lado da verdade.”

Dez feministas, nenhum segredo

Quando ministros ordenados da Igreja Católica e pastores das comunidades evangélicas se manifestaram contrários à candidatura de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, foram acusados de retrógrados, fanáticos, fundamentalistas e mais um número infindável de adjetivos pejorativos. O resultado das eleições veio e, com ele, a comemoração dos acusadores. O projeto político do presidente Lula teria continuidade em Dilma. A defesa da descriminalização do aborto continuaria tendo o apoio do Presidente da República. O nome mudou, é certo, mas a proposta totalitária de permitir o assassinato de inocentes sem que haja punição para quem cometa tamanha crueldade, essa ideia continua a imperar; e não só na cabeça da “Presidenta”, mas também na mente daquelas que são suas ministras.

Ao todo, são nove as mulheres sinis… quero dizer: ministras. Da esquerda para a direita, na foto, estão Helena Chagas, ministra da Comunicação Social, Luiza Bairros, da Igualdade Racial, Tereza Campello, do Desenvolvimento Social, Ideli Salvatti, da Pesca, Miriam Belchior, do Planejamento, Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, Ana de Hollanda, do ministério da Cultura, Izabella Teixeira, do Meio Ambiente e, enfim, Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da qual já falamos aqui neste espaço.

Nenhuma das mulheres da foto se manifesta contrária à legalização do aborto. A observação parte da leitura da revista Marie Claire, que conversou com as ministras. Algumas não deixaram sua posição clara, é verdade (afinal, o assunto é polêmico e, depois da onda pró-vida que comoveu os brasileiros nas eleições do ano passado, muitas abortistas ainda não tiveram coragem para sair do buraco): das nove ministras, apenas uma (Luiza Bairros) não quis falar do tema, enquanto seis defenderam explicitamente a despenalização da prática. Outras duas mantiveram um discurso ambíguo, mas que dá ampla margem à mesma interpretação (o discurso delas é algo do tipo: “o Estado brasileiro deve tomar alguma providência” ou “sou a favor da vida dos fetos, mas também das mulheres”… coisa que se assemelha muito ao famoso – e já detonado – argumento “há mulheres fazendo abortos clandestinos e elas não devem ser penalizadas por isso”). De uma maneira geral, podemos sim dizer que o Brasil está sendo chefiado por uma comissão abortista – colocada no poder pelos eleitores do “maior país católico do mundo”.

Compilamos abaixo as respostas completas das ministras à questão da legalização do aborto.

Ana de Hollanda: Sou [a favor da legalização].

Iriny Lopes: As mulheres têm de ter o direito de decidir e o estado deve ampará-las nesta decisão. Nenhuma mulher gosta de passar por uma situação dessas.

Maria do Rosário: É um tema que precisa ser trabalhado pela sociedade e as mulheres brasileiras precisam ser escutadas. O que é um tema de saúde pública foi transformado num tema eleitoral nos últimos tempos. Não foi justo o que tentou se fazer com a presidenta Dilma como mulher, colocá-la em uma situação difícil. Foi muito adequado quando ela respondeu que essas circunstâncias não devem ser tratadas como um caso de polícia, mas sim de saúde pública. Sou favor de que no Brasil se cumpra a legislação, que diz respeito à questão do estupro, da violência de um modo geral. Acho que nós devemos avançar na questão do risco de vida da mãe, assegurando a agilização desses procedimentos. Concordo também nos casos de anencefalia, que não tenhamos essa dor perpetuada para as mulheres durante a gravidez. Essa é a minha posição institucional. Minha posição pessoal é contrária de que as mulheres sejam penalizadas.

Tereza Campello: A questão do aborto é uma questão que o estado brasileiro não pode se omitir. Decidi ser mãe e tive que batalhar bastante para poder engravidar. Não fiz tratamento. Engravidei com 43 anos. Se tivesse a oportunidade, seria mãe de novo.

Miriam Belchior: (…) Sou a favor de que as mulheres que tomam esta difícil decisão recebam tratamento adequado e não sejam criminalizadas por isso.

Ideli Salvatti: Sou a favor da vida. Não só dos fetos, mas também das mulheres que correm riscos ao fazer abortos em clínicas clandestinas.

Helena Chagas: O aborto é uma questão de foro íntimo, da mulher. Não se pode impor do ponto de vista pública. Ninguém deve impor isso a ninguém. É uma escolha pessoal.

Izabella Teixeira: Acho que não faria, mas sou a favor de que sociedade tenha o direito de exercer opções. Sou completamente a favor que a mulher decida sobre qualquer assunto que lhe compete. Ninguém tem que carregar a culpa de ninguém.

Luiza Bairros: Essa coisa de opinião pessoal de ministro causa problema…

Rezemos mais do que nunca pelo Brasil. Para que Nossa Senhora da Conceição Aparecida livre nossa nação do flagelo do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A propósito, só tivemos acesso à entrevista dada pelas ministras à revista Marie Claire graças ao blog O Possível e O Extraordinário. ;)

A ecologia cristã e a Campanha da Fraternidade 2011

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/03/cf2011.jpg?w=218&h=303Como todos devem saber, o tema da Campanha da Fraternidade deste ano é Fraternidade e a Vida no Planeta. Mais uma vez a Conferência episcopal brasileira escolhe um tema que, da maneira que vem sendo abordado, pouco contribui para adentrarmos no espírito da Quaresma, tempo de forte oração, jejum e penitência [*]. Essa situação desanimadora não é nova. O novo problema são os erros teológicos absurdos presentes no hino da Campanha deste ano.

Conforme notou o nosso amigo Everton Siqueira, que publicou, no blog Dominus Iesus, um artigo fazendo uma crítica à letra do hino da CF, a campanha parece mais a promoção de uma visão ecológica neopagã do que uma sadia tentativa de cooperar com a Teologia cristã na preservação das criaturas que Deus criou. A letra está recheada de palavras e expressões estranhas ao espírito da ecologia autenticamente cristã. É afirmado, na música, que a Terra seria “das criaturas todas, a mais linda”; que o “futuro” do planeta “vai depender só de nós” – apesar do Papa deixar bem claro que a Criação geme em dores de parto justamente por causa do egoísmo humano; sem falar de uma disfarçada adesão à teoria do aquecimento global e algumas outras frases que podem ser facilmente distorcidas a fim de defender um viés marxista e revolucionário. Que o homem é superior às demais criaturas, é doutrina perene da Igreja: “O homem é a obra-prima do obra do criação. A narração bíblica exprime isto distinguindo nitidamente a criação do homem da criação das outras criaturas” (Catecismo da Igreja Católica, § 343). Que essa ideia de que o futuro depende de nós é claro resquício do materialismo dialético de Marx, também não resta dúvidas. Ou seja, há problemas evidentes – e graves – com a música que comumente cantamos em nossas igrejas neste tempo da Quaresma.

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/03/pe-pauloricardo01.jpg?w=131&h=225Mas será que dá pra viver de modo autêntico o tema que nos é proposto pela Campanha da Fraternidade deste ano? A resposta vem do sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá – já bastante conhecido pelos internautas católicos -, padre Paulo Ricardo. No Parresía desta semana, ele aborda especificamente este tema – como viver uma ecologia que esteja de acordo com as leis da Igreja -, deixando clara a necessidade de rejeitarmos o ecopanteísmo neopagão, que iguala as criaturas ao seu Criador. É sempre bom lembrar que a condenação desse neopaganismo que vê a natureza não como criatura, mas como “deusa”, faz parte da doutrina católica e foi recentemente confirmada por Sua Santidade o Papa Bento XVI, por ocasião da mensagem para o Dia Mundial da Paz do ano passado:

[U]ma visão correta da relação do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa. Se o magistério da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, fá-lo porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos. Deste modo, chega-se realmente a eliminar a identidade e a função superior do homem, favorecendo uma visão igualitarista da ‘dignidade’ de todos os seres vivos. Assim se dá entrada a um novo panteísmo com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salvação para o homem. Ao contrário, a Igreja convida a colocar a questão de modo equilibrado, no respeito da ‘gramática’ que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardião e administrador responsável da criação, papel de que certamente não deve abusar mas também não pode abdicar. Com efeito, a posição contrária, que considera a técnica e o poder humano como absolutos, acaba por ser um grave atentado não só à natureza, mas também à própria dignidade humana.”

Além dessa ótima orientação do padre Paulo Ricardo para a vivermos bem a CF deste ano, recomendo a leitura de um excerto da entrevista concedida pelo até então cardeal Joseph Ratzinger ao jornalista alemão Peter Seewald, no livro “Sal da Terra”, no qual ele fala da necessidade de mantermos pura a nossa alma, para que possamos fazer uma verdadeira preservação do ambiente exterior.

http://www.dw-world.de/image/0,,937940_1,00.jpg[A] poluição do ambiente exterior que observamos é o espelho e o resultado da poluição do ambiente interior, à qual não prestamos suficiente atenção. Julgo que é também o que falta aos movimentos ecológicos. Combatem com uma paixão compreensível e justificada a poluição do ambiente; a poluição espiritual que o Homem faz a si mesmo continua, pelo contrário, a ser tratada como um dos seus direitos de liberdade. Há aqui uma desigualdade. Queremos afastar a poluição mensurável, mas não tomamos em consideração a poluição espiritual do Homem e a figura da criação que nele se encontra, para que se possa respirar humanamente. Defendemos, pelo contrário, tudo o que a arbitrariedade humana produz, com base num conceito completamente falso de liberdade.”

“Enquanto mantivermos essa caricatura de liberdade, quer dizer, a liberdade de uma destruição espiritual interior, continuarão imperturbavelmente os seus efeitos exteriores. Julgo que devemos refletir sobre isso. Não é apenas a natureza que tem as suas regras e as suas formas de vida, que temos de respeitar, se quisermos viver dela e nela, mas também o Homem é interiormente uma criatura e está sujeito à ordem da criação. Não pode fazer de si mesmo tudo o que quer, como lhe apetece. Para que o Homem possa viver a partir do interior, tem de aprender a reconhecer-se como criatura e tem de se dar conta de que nela deve existir, por assim dizer, a pureza interior devida ao fato de ele ser criatura, a ecologia espiritual. Se esse elemento fundamental da ecologia não for compreendido, tudo mais se desenvolverá num sentido negativo.”

- Cardeal Ratzinger em A degradação do meio ambiente
e a poluição espiritual

Que as exortações destes bons pastores do rebanho do Senhor nos ajudem a criar uma visão autenticamente católica de ecologia, que contribua para a nossa mudança de vida, para a nossa conversão à vontade do Altíssimo.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

[*] = [É possível, através do tema da ecologia, chegar a uma real reflexão espiritual, como pode ser visto nas palavras do ainda jovem cardeal alemão Joseph Ratzinger - hoje Papa Bento XVI]

Do que o movimento pró-vida precisa

http://www.abortionno.org/images/uploads/fr-frank-pavone-th.jpg“Somos sempre alertados dos motivos pelos quais não podemos nos manifestar abertamente contra o aborto. Se pregamos na Igreja, é dito que soa uma decisão muito política; se apresentamos o discurso em um debate político, dizem que parece uma assertiva muito religiosa. Se falamos na mídia, incomodamos; nas escolas, parece perturbador. Nas ruas, parece angustiar as crianças [On the public streets, it’s too distressing for children]; no mundo dos negócios, parece um tema controverso; na família, parece dividir; e nos meios sociais soa como falta de educação. Ora, mas se o aborto é errado, onde deveríamos ir para dizê-lo?”

“A resposta é que temos que parar de buscar os lugares apropriados para se debater o aborto, e buscar tratar o tema em todos esses ambientes. Há uma máxima divina [a calculus in the heavens] que diz: ‘Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos’ (Jo 15, 13). Se queremos proteger os nascituros, então devemos dar nossas vidas por eles. Paremos de calcular os problemas que nossas palavras poderiam causar e comecemos a calcular o preço que os bebês pagariam se nos silenciássemos. O movimento pró-vida não precisa de muita gente; precisa, outrossim, de pessoas dispostas a correr riscos.”

- Pe. Frank Pavone em We must be willing to suffer
the consequences of being pro-life

14 de março de 2011

Quanto àquele dia, ninguém o sabe

Este assunto nem deveria ser comentado. Mas, mostremos aos nossos leitores um pouquinho das conseqüências da Reforma Protestante, da doutrina do “livre exame”, do “li x, entendi y, estou inspirado”. A diversão em certas igrejas protestantes – nem todas, é verdade – está em profetizar o fim do mundo. É claro que essa mania nunca funcionou. Mas parece que nunca aprendem mesmo… O próprio Jesus deixou claro que “quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai” (Mt 24, 36). É inclusive este o sentido da vigilância que nos pede o mesmo Senhor: “Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora” (Mt 24, 13). No entanto, permanecem os estultos na solene idiotice de buscar adivinhar o dia em que se dará o juízo final; e ousam dar à sua fantasiosa interpretação das Escrituras a aprovação divina. Abaixo o vídeo do sr. Harold Gulli, o pseudo-profeta do fim dos tempos:

Notem a escabrosa distorção que o sujeito faz: “Como vocês sabem a Bíblia é a Palavra de Deus. [...] Portanto, qualquer informação que aprendemos dentro da Bíblia pode ser completamente confiável, porque Deus é verdadeiro e Suas palavras são absolutamente confiáveis.” Ora, sabemos muito bem que Deus, sendo verdadeiro e fiel, não se engana nem nos pode enganar; e que Ele assistiu os autores das Escrituras Sagradas com o seu Espírito. O que não entra em nossa cabeça é a autenticidade da informação que ele aprendeu “dentro” da Bíblia. Não questionamos a veracidade do testemunho bíblico. Questionamos a sua autoridade como intérprete das Escrituras. E é justamente por conhecermos as palavras do Altíssimo acerca dos temas escatológicos – está tudo muito claro no Evangelho de São Mateus – que duvidamos de todas essas puerilidades. Sabemos muito bem que o Espírito Santo assiste os Apóstolos – e os seus sucessores – até o final dos tempos (cf. Mt 28, 20; Jo 16, 13). Isto quer dizer que Cristo não nos desampara. Os séculos passam mas Ele permanece conosco por meio de Sua Igreja. Esta presença é como uma luz que guia os filhos de Deus em meio às trevas das falsas profecias, das autoridades ilegítimas… Ele mesmo deixou claro que viriam falsos profetas. E alertou para o perigo da cairmos em suas ciladas. “Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais” (Mt 24, 23).

“A Bíblia está claramente ensinando de que 21 de maio de 2011 será o dia do julgamento final…” Claramente, sr. Gulli? Claramente? Na Bíblia está clara a instituição da Eucaristia, do sacramento da Penitência, da Santa Igreja Católica Apostólica Romana… Mas, que o mundo vai acabar no dia 21 de maio, não, não há nada disso escrito.

A pergunta que não quer calar é: Há alguém que dê créditos às palavras desse homem?

O zelo de um jovem chamado Domingos Sávio

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Hoje, 9 de março, celebramos a memória de São Domingos Sávio

Certo dia, durante um almoço em sua casa oferecido a um visitante, não tendo este rezado antes de começar a comer, Domingos pegou seu prato e retirou-se a um canto. Seu pai perguntou-lhe depois por que fizera isso. Ele respondeu: “Não me atrevo a pôr-me à mesa com uma pessoa que começa a comer como o fazem os bichos”.

Retirado do site Catolicismo.

* * *

Certo dia, um dos companheiros de Domingos Sávio trouxe inadvertidamente para a escola uma revista que havia algumas figuras pouco sérias e irreligiosas. Um grupo de rapazes rodeou-o para ver aquelas gravuras que causariam asco, mesmo aos infiéis e pagãos. Domingos também se aproximou. Quando viu, porém, do que se tratava, foi surpreendido. Em seguida, com um sorriso de ironia, deitou-lhe a mão e rasgou-a em mil bocados. Os outros rapazes, atônitos, entreolharam-se mortificados, sem pestanejar. Domingos, então, disse-lhes:

- Pobres de nós! Nosso Senhor deu-nos os olhos para contemplar as belezas de tudo o que Ele criou, e vós servir-vos deles para olhar tais indecências, inventadas pela malícia dos homens para corromper as almas? Esquecestes o que tantas vezes vos foi ensinado? O Salvador diz-nos que com um olhar inconveniente manchamos as nossas almas, e vós a deliciar-vos com os olhos postos em coisas tão vergonhosas?!…

- Nós, respondeu um deles, fazíamos por distração.

- Sim, sim, por distração; no entanto, por distração, ide-vos preparando para o inferno. Riríeis no inferno se lá caísseis?

- Mas nós – retorquiu outro – não víamos grande malícia naquelas gravuras.

- Pior ainda. Não ver a maldade em semelhantes indecências é sinal de que já estais habituados a contemplá-las. Mas o hábito não desculpa, antes, pelo contrário, torna-vos mais culpados. Ó Jó! Ó Jó! Tu velho, mas eras um santo; sofrias de uma doença, que te obrigava a viver deitado sobre um monturo de imundície; e, contudo, fizeste um pacto com os teus olhos para que não olhassem, nem de leve, coisas inconvenientes!

A estas palavras, todos se calaram e ninguém se atreveu a censurá-lo nem lhe fazer qualquer observação.

Retirado do blog A Modéstia Masculina.

Nesta Quaresma, aplacar a justiça divina com penitências e orações

http://www.saintpetersbasilica.org/Statues/Founders/AlphonsusLiguori/St%20Alphonsus%20Liguori-a.jpg“Os insensatos que não crêem na vida futura e têm as verdades eternas por fábulas, estimulam-se, com a lembrança da morte, a levar vida folgada e a gozarem. Comedamus et bibamus; cras enim moriemur (Is 22, 13) – ‘Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos’.  De maneira bem diferente, porém, diz Santo Agostinho, deve proceder o cristão, que pela fé sabe que a alma sobrevive ao corpo, e que depois da morte deste, terá de dar contas rigorosíssimas de tudo quanto tiver feito. – O cristão, que se lembra que em breve deverá deixar o mundo, cuidará da sua eternidade e procurará aplacar a justiça divina com penitências e orações. É por isso exatamente que a Igreja, depois de nos ter posto as cinzas sobre a cabeça, ordena a seus ministros que notifiquem aos fiéis o jejum quaresmal: Canite tuba in Sion: sanctificate ieiunium (Jl 2, 15) – ‘Fazei soar a trombeta em Sião, santificai o jejum’.”

“Conformemo-nos, portanto, com as intenções de nossa boa Mãe; e como ela mesma o ordena, sejamos no santo tempo da Quaresma mais sóbrios em palavras, na comida, na bebida, no sono, nos divertimentos; e, o que é mais necessário, afastemo-nos mais de toda a culpa por meio de uma vida recolhida e consagrada à oração, porquanto, no dizer de São Leão, ‘sem proveito se subtrai o alimento ao corpo, se o espírito não se afasta mais da iniqüidade’.”

“Ó meu amabilíssimo Redentor, consenti que eu una à minha salutar abstinência com a que Vós com tanto rigor por mim quisestes observar no deserto. Consenti também que nesta união eu a ofereça a vosso Pai Divino, como protestação de minha obediência à Igreja, em desconto de meus pecados, pela conversão dos pecadores e em sufrágio das almas santas do purgatório. Tenho intenção de renovar esta oferta todos os dias da Quaresma. Vós, porém, ó Senhor, concedei-me a graça de começar este solene jejum com devida piedade e de continuá-lo com devoção constante, afim de que, chegada a Páscoa, depois de ter ressurgido convosco para a vida da graça, seja digno se ressuscitar também para a vida da glória. Fazei-o pelo amor de Maria Santíssima.”

- Meditação para a Quarta-Feira de Cinzas, por Santo Afonso de Ligório
retirada do site São Pio V

Rasgai os vossos corações

Após um longo período sem redigir nenhum artigo, aos poucos vou me estabilizando aqui no Seminário e o tempo vai se conciliando.

Mais uma vez somos convidados pela Igreja ao tempo quaresmal. Neste período faz-se ecoar em nosso coração o clamor do Senhor: “Voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Joel 2, 12-13). Deter-me-ei primeiramente nesta profecia para melhor adentrarmos ao mistério celebrado.

Como, neste dia de cinzas e início de quaresma, poderemos nos esvaziar de qualquer sentimento de engrandecimento e prepotência e rasgarmos o coração? Como poderemos mostrar a outros que o que realmente Deus olha é o coração e não o exterior? Primeiramente tenhamos em mente que é necessário testemunharmos. É preciso que o cristão seja uma testemunha veemente do evangelho. Nada mais nos pede o Senhor, senão que rasguemos os corações. E por que nos pede que rasguemos o coração e não as vestes? Por que as vestes se rasgam mas não se vê o coração, e o coração rasgado, ainda que não se rasguem as vestes, pode ser visto. A ascese neste período constitui algo fundamental na experiência da humildade cristã e nos faz reconhecer que nada somos, mas Deus é tudo e Ele tudo pode.

É triste vermos, pois, que a nossa sociedade não mais quer voltar-se à Deus, senão aos prazeres e efemeridades que este mundo oferece. O mundo necessita de Deus! Deus está próximo do mundo, mas o mundo não quer estar próximo dEle. Ainda clamamos, em comunhão com toda a Igreja: O Senhor quer perdoar-vos! Ele é um Deus amoroso! Achegai-vos a Ele! É sabido que ninguém pode resistir sem Deus. Qualquer sociedade sem Deus jamais, por si só, ficará de pé. É Deus quem sustenta todos os homens, e os fortalece em sua caminhada. Quando parecemos estar sós, quando parecemos desesperançados, Deus nos estende a mão, manifesta sua misericórdia e nos convida a levantar novamente. Não estamos sós nestas provações, estamos com Deus! Não rasguemos as vestes pois elas não demonstram o que somos, rasguemos o coração, para que vendo o nosso amor outros também o façam.

Neste sentido as cinzas, impostas hoje em nossa cabeça pelos sacerdotes, demonstram o que somos: pó, e é ao pó que retornaremos. Nada somos! Somos criados à imagem e semelhança de Deus. Não fisicamente nos assemelhamos a Ele, mas o nosso espírito deve ser semelhante. Que semelhança a criatura pode ter com o que Lhe fez? O amor! O amor nos assemelha a Deus. Um amor que deve ser incondicional. E ponho-me muitas vezes a perguntar para que apegar-se tanto aos bens materiais? Para que arrogância e prepotência? Para que se fechar à sempre nova mensagem do Evangelho? Nossa vida assemelha-se a um sopro. Que seja sopro do Espírito Santo, e não das frivolidades que tentam impor-se em nossa cultura.

Na segunda leitura Paulo convida-nos a reconciliarmo-nos com Deus. Eis o momento propício para que o mundo se volte a Ele. Voltemo-nos hoje! Agora! Deixai de lado a mediocridade que levais em vossas vidas. “’No momento favorável, eu te ouvi e, no dia da salvação, eu te socorri’. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6,2). Este clamor de Paulo, perpassados dois mil anos, convida-nos a deixar de lado este velho homem. Deixai de lado a vida laxa que levais! Cristo está a bater na porta e vós não escutais. E aqui escutamos as palavras do apóstolo refletidas pelo Santo Padre Bento XVI na sua mensagem para a Quaresma deste ano: “Sepultados com Ele no batismo, foi também com Ele que ressuscitastes” (cf. Cl 2, 12).

Ó! Mundo incrédulo, quando ireis abrir-vos a Deus? Quando ireis parar de crucificar novamente o nosso Salvador? Quando escutareis o clamor do Senhor que sempre está chamar-vos pelo nome? Hoje vo-los convido, irmãos, a mudarem de vida. Despi-vos do que era velho, o Senhor nos traz o que é novo. A cada Quaresma, preparando-nos para a Semana Santa, o Senhor faz-nos recordar a sua constante fidelidade e a sua maior prova de amor: a doação de seu Filho único. E creiam meus irmãos: nada é maior e nenhuma prova de amor maior podemos esperar do que esta grande e humilde atitude de Deus.

O mundo deixou-se contaminar pelo veneno de Satanás! Ele está procurando afastar-nos de Deus para nos atrair aos seus desejos, e admitamos que ele está a conseguir. E aqui o nosso Cristianismo deve fazer-se presente. Devemos fazer com que o próximo veja em nós o rosto de Cristo, sempre presente e acolhedor. Nossa Igreja não pode fundamentar-se em leis se em primeiro lugar a caridade não se fizer presente, pois do contrário será endurecida. A Igreja deve ter leis, deve prezar pelas alfaias e pela liturgia, mas se não prezar pela caridade perderá toda a sua fundamentação e o demais será vazio.

Não seja o que disse até aqui visto de forma passiva. E se for, minha mensagem não surtirá efeito. Pois se o que aqui disse for aceito por todos então não é o Evangelho que prego. É necessário que as reações contrárias sejam aqui manifestadas, pois Jesus vem não para agradar, mas para ferir com a sua palavra os corações endurecidos e que insistem em enveredar pelas sombras da morte.

Que nesta Quaresma estejamos voltados para o Cristo e que assumamos a conversão de vida para a qual todos somos chamados.  E, se o mundo vos disse que não é de grande valia as penitências e mortificações, aproximai-vos, contritos e humildes, das mesmas, oferecendo-as pelos pecadores que não reconhecem a misericórdia de Deus. Que Maria Santíssima interceda por nós e nos faça fieis ao projeto salvífico-redentor de Seu Filho.

Santa Quaresma a todos!

Quem é limpo deve evitar o que ameace a sua pureza

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/03/cdgospel710.jpg?w=267&h=200O Evangelho da Santa Missa deste Domingo é assaz adequado para o tempo de festas em que estamos. “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7, 21). Para que nos salvemos, é preciso que estejamos em estado de graça, evitando aquilo que desagrada o Altíssimo e praticando, ao mesmo tempo, aquilo que Ele quer de nós. Com efeito, o que recebemos pelo sacramento do Batismo – a graça santificante – só conservar-se-á em nossa alma se formos prudentes, se estivermos sempre atentos a fugir do pecado, por amor a Deus e à nossa própria alma. Como disse o papa Bento XVI em colóquio com os seminaristas da Diocese de Roma, “o Batismo (…) não produz automaticamente uma vida coerente: essa é fruto da vontade e do compromisso perseverante de colaborar com o dom, com a Graça recebida”.

Comecemos nossa reflexão com um alerta de São João apóstolo: “Ó terra e mar, cuidado! Porque o Demônio desceu para vós, cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Ap 12, 12). Nestes dias de Carnaval, essas palavras parecem fazer realmente muito sentido. O Demônio desceu para vós. É verdade. Toda a horda maligna parece povoar as praças, sambódromos e outros lugares de festejos carnavalescos nestes tempos. E ela desce cheia de grande ira. É possível observar a falta de modéstia nas roupas de mulheres que desfilam em escolas de samba, a falta de respeito nas músicas que são ouvidas pelos foliões, a falta de moderação na hora de ingerir bebidas alcoólicas. Todos parecem se esquecer dos mandamentos da Lei de Deus, dos preceitos evangélicos, das palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, dos alertas dos Santos da Igreja (dos quais inclusive falaremos mais adiante).

Quando falamos de prudência e vigilância – virtudes que estão em falta no mundo de hoje -, da necessidade de cuidar-se, falamos – é claro – da observância dos Mandamentos. Só se salva aquele que põe em prática a vontade de meu Pai. Nestes dias de Carnaval, queremos aludir, de um modo especial, ao sexto mandamento do Decálogo, que nos exorta a não pecar contra a castidade. Já foi dito – por São João Bosco e mais uma dezena de santos, se não me engano – que o pecado que mais leva almas para a perdição eterna é justamente a impureza. Que cuidado deviam os católicos tomar nestes dias, nos quais as pessoas geralmente se reúnem não para desfrutar de uma diversão sadia, mas sim para participar do adultério, da bebedeira, da prostituição! Que cuidado devíamos ter! Será que estamos realmente preocupados com a salvação de nossa alma?

Para que nos ajude a refletir melhor sobre nossos atos nesta festa de Carnaval, transcrevo trecho do livro “A Fé Explicada”, do sacerdote americano Leo Trese, no qual ele fala sobre a virtude da modéstia:

“A modéstia não é a castidade, mas é a sua guardiã, a sentinela que protege os acessos à fortaleza. A modéstia é uma virtude que nos leva a abster-nos de ações, palavras ou olhares que possam despertar o apetite sexual ilícito em nós mesmos ou em outros. As ações podem ser beijos, abraços ou carícias imprudentes; podem ser formas de vestir atrevidas ou leituras de escabrosos romances ‘modernos’. As palavras podem ser relatos sugestivos de cores fortes, canções obscenas ou de duplo sentido. Os olhares podem ser os que seguem banhistas de uma praia ou os que se concentram numa janela indiscreta, a contemplação mórbida de fotografias ou desenhos em revistas ou folhinhas. É certo que tudo é limpo para os limpos, mas também quem é limpo deve evitar tudo aquilo que ameace a sua pureza.”

- Pe. Leo Trese, A Fé Explicada
edição em PDF
, pg. 203

Os grifos são meus e foram feitos justamente para mostrar que aquilo que pede a modéstia está em evidente contradição com aquilo que se tornou a festa de carnaval hoje. “Beijos, abraços e carícias imprudentes” podem ser notados em qualquer festa mundana, seja ou não carnavalesca. “Formas de vestir atrevidas” são claras referências às mulheres seminuas que desfilam com os carros alegóricos no sambódromo do Rio. “Canções obscenas ou de duplo sentido” são aquelas malditas músicas que revelam desejos promíscuos de traição e incitam a movimentos sensuais e provocativos. Por exemplo, uma mulher revela, na letra de uma música, que o sujeito com o qual quer praticar o coito é casado. “Eu sei que você é casado / como é que eu vou te explicar…”, e o resto não pode ser mencionado aqui neste espaço para preservar o leitor de constrangimento.

Todas essas coisas ameaçam a nossa pureza. E – alerta o pe. Leo Trese – quem é limpo deve evitar tudo aquilo que ameace a sua pureza. Os conselhos para fugir das ocasiões de pecado partem também dos Santos católicos. Abaixo uma compilação de exortações destes virtuosos homens, falando sobre a terrível festa do Carnaval, pedindo aos cristãos também que busquem reparar os pecados cometidos nestes dias contra o Sagrado Coração de Jesus:

http://blog.cancaonova.com/america/files/2009/10/santa-faustina-grande.jpgSanta Faustina Kowalska: “Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista”.

Santa Margarida Maria Alacoque: “Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me, após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo, agora?”.

São Vicente Ferrer: “O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição”.

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/03/alphonsus.jpg?w=185&h=232Santo Afonso Maria de Ligório: “Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus, nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes”.

Extraído do blog Fazei o que Ele vos disser.

Recomendo, como fiz da última vez, a leitura de dois outros artigos sobre o assunto, vindos também da blogosfera católica. Um vem do Fábio Luciano e defende que devemos, mais do que condenar o puritanismo de negar a possibilidade de divertir-se, condenar a participação nas festas tais como elas se dão hoje. “Mais do que esclarecer os incautos dos perigos de uma posição puritana, creio que deveríamos esclarecê-los do perigo de uma atitude ingênua, em que nos fazemos de cegos para ostentar uma estranha prudência”. O outro texto vem do Jorge Ferraz e faz uma comparação entre o Carnaval moderno e o tradicional. “As pessoas que desejam simplesmente brincar o carnaval de uma maneira saudável encontram-se, durante os dias de folia, sem opções”. Além dos dois textos, indico o vídeo abaixo, que é o editorial de uma jornalista paraibana que se sente indignada ao pensar nos gastos do poder público com os que se detonam nas farras carnavalescas e também com a substituição da boa música brasileira pelas “canções obscenas ou de duplo sentido”.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

São Pedro Claver e o carnaval

http://www.arautos.org/resource/view?id=13202&size=2Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas.

— Padre, aonde vai com esse saco?

— Vou fazer carnaval; pois não é tempo de folgança?

O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o.

O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco.

— E agora? – pergunta o oficial.

— Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de carnaval.

Retirado do blog Fazei o que Ele vos disser.