O mundo tem fome de Deus

O nosso mundo, não obstante transcorridos dois milênios de anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo, ainda tem fome de Deus. Esta fome é maior do que a fome material, pois esta só Jesus Cristo poderá saciá-la.  E neste domingo as leituras vêm expressarem precisamente isso: todos têm direito à Palavra de Jesus Cristo.

Na primeira leitura o profeta, falando aos exilados de seu tempo que estavam sem esperança e sem fé, recorda as palavras do Senhor, convite sempre ressoante e vivo, que dirige-se a todos os povos: “Vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro” (Is 55, 1). Este convite tão sedutor é uma ação de complacência da parte de Deus para nós pecadores. Numa sociedade predominantemente capitalista, onde quem tem não se contenta com o que tem, mas sempre quer mais, e quem não tem quer ter mas está impedido pela ganância dos mais ricos, este convite deveria arrastar multidões, sobretudo os que, de forma sedenta, buscam um lugar para saciar-se.  A todos, ricos ou pobres, o Senhor dirige-se com proeminente benevolência: “Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com a satisfação completa? Ouvi-me com atenção” (v. 2). O mundo é autossuficiente, prepotente e acha que pode progredir e sustentar-se sozinho; crê que fechando os olhos à fé, a ciência poderá dar-lhe todo o progresso necessário, e isto já bastar-lhes-ia. No entanto é bem sabido o caráter ambivalente que ela possui, pois, se por um lado é verdade que a ciência trouxe importantes e cruciais avanços para o melhor bem estar dos povos (e a Igreja não se opõe a isso), por outro é verdade também que ela trouxe consigo, em certos âmbitos, aspectos consideráveis de ignorância e de mediocridade ateístas, fazendo-se valer da fé, em certos momentos, para depois ignorá-la, ou mesmo esquecendo que toda a sua formação e constituição fora iniciada na Igreja por monges ou padres, por Bispos e até mesmo por Papas. Desta forma, ignorando suas raízes e com um execrável ódio pela Igreja, ela quer sobrepor-se mesmo sobre a fé, que pode explicar aquilo que ela, em sua capacidade limitada de inteligibilidade, não o pode. Desta forma, a ciência e fé como “irmãs” devem caminhar juntas, de maneira que venham constituir as “duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade” (João Paulo II, Carta Encíclica Fides et Ratio).

Na segunda leitura o apóstolo irá reconfortar-nos sobre a nossa unidade ao amor de Cristo. É preciso estarmos sob a intrínseca proteção deste amor que nos conforta em todas as dificuldades. Só quem se põe sob o auxilio de Cristo conhece o verdadeiro amor; só quem reconhece em Cristo o Amor pode transmiti-lo a outros.  Como nos é sabido, Paulo fora perseguidor ferrenho da Igreja primitiva, não obstante o Senhor o chama a segui-lo, a testemunhar com sua vida o Evangelho e, por conseguinte, a sofrer o martírio por aquilo, ou melhor, por Aquele que anunciara.

Quis nos separabit a caritate Christi? – Quem nos separará do amor de Cristo” (Rm 8, 35). Quem poderia, Paulo, separar-vos do Amor de Cristo se fora Ele mesmo que te uniu a Ele. Assim, com tão excelso vínculo, nem mesmo as enumeradas situações descritas poderiam fazê-lo, pois não teriam força nenhum perante um vínculo tão estreito e tão gracioso: “Tribulatio an angustia an persecutio an fames an nuditas an periculum an gladius… Neque mors neque vita neque angeli neque principatus neque instantia neque futura neque virtutes neque altitudo neque profundum neque alia quaelibet criatura – Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada… Nem a vida, nem os anjos, nem os poderes celestiais, nem o presente, nem o futuro, nem as forças cósmicas, nem a altura, nem a profundeza, nem outra criatura qualquer” (Idem 35. 38-39). Nada, nada separar-nos-á deste amor. Sabemos que a Carta aos Romanos é sim de autenticidade paulina, e disto nenhum biblista duvida. Porém encontramos uma coincidência notória neste trecho. Paulo dirige-se aos romanos e afirma que nem mesmo a espada poderia separar-nos do amor de Cristo, e sabemos que Paulo, tendo sido degolado, o fora em Roma, onde a poucos anos dirigiu-se aos seus habitantes.

E aqui chegamos a centralidade desta segunda leitura: O que é precisamente o Amor de Cristo? Como ele se manifesta? O Cristianismo é a religião do Amor Encarnado, que expressa-se sobretudo pelo sacrifício cruento de Cristo, que de livre vontade doa a sua vida pela salvação do mundo. Assim, com este gesto, o amor encontra sua expressão máxima na pessoa de Jesus e nos indica claramente que, além de doação gratuita, o amor é também levar ao cumprimento o projeto salvífico de Deus vivenciado na radicalidade do Evangelho. O amor de Cristo não subtrai-se mediante as provações e perseguições, mas revigora-se e permeia os mais duros corações, além de ser sustentado pela constante certeza da ressurreição.

Um segundo aspecto deste amor, pelo que não irei alongar-me para que possamos chegar de imediato ao Evangelho, é o amor ao próximo prescrito entre o novo mandamento deixado por Jesus: “Ut diligatis invicem, sicut dilexi vos – Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,12). Para alguns o amor em Platão era alheio a interesses ou gozos, era uma virtude. Na verdade, porém, olhando a fundo o pensamento de Platão, vemos que ele concebia o amor como faltoso, ou seja, não pode completar-se, mas busca no amado a Ideia que não possui em si. Destas duas formas podemos conceber o amor cristão. A primeira é a forma do amor ao próximo, que deve ser gratuito, como Cristo ensinara: Amar sem interesse, amar por amar; amar por que Ele, Amor verdadeiro, amou. A segunda é o amor a Deus: O ser humano em sua condição limitada é um ser faltoso. Não é um ser plenamente “autônomo”, mas depende de Deus, que lhe dá vida, que o sustenta e o criou. Quem busca a plenitude da felicidade e uma realização total com os seres limitados e finitos e esquece-se de correr a Deus nunca poderá sentir-se plenamente realizado, pois só Deus realiza plenamente o homem.

Na sua primeira Encíclica Deus Caritas est, o Santo Padre Bento XVI, de feliz reinado, evidencia isso ao afirmar: “O amor ao próximo é uma estrada para encontrar também a Deus, e que o fechar os olhos diante do próximo torna-os cegos diante de Deus” (n. 16).

No Santo Evangelho somos hoje convidados a meditar sobre a multiplicação dos pães. A intenção de Jesus era estar só, por isso retira-se a um lugar deserto e afastado, porém o povo o segue, mas segue para ouvi-lo sem saber o que depois haveria de suceder-se. O alimento que buscavam não era alimento material, queriam alimentar-se espiritualmente, estavam sedentos de respostas. Recordemo-nos que no famoso discurso do Pão da Vida se dirigem até Jesus pessoas interessadas apenas no pão material que viram do milagre da multiplicação feito.

Agora Nosso Senhor toma a iniciativa e faz o milagre, pois o povo não fora na intenção de comer, mas de escutar as palavras de vida eterna. Jesus então, vendo o quanto a multidão, que só homens eram cinco mil, sem contar mulheres e crianças, estavam fatigados por tantas horas expostos ao sol para escutá-lo, Jesus realiza então o gesto de multiplicação. Se antes procuraram a Jesus para que lhes desse pão de graça e Ele não no-lo deu, agora Ele concede pão aos que foram ouvi-lo, mas o concede porque antes de tudo foram em busca do Reino de Deus, e o resto viera em acréscimo (cf Mt 6,33). Aqui dois esclarecimentos viriam a ajudar-nos. Primeiro: Por que o evangelista só cita o número de homens, mas não o de mulheres e crianças? Porque somente os homens eram os reais seguidores da Lei. Mulheres e crianças eram deixados à margem desta aprendizagem.  A segunda observação é: O milagre de Jesus é já uma prefiguração de sua doação na Eucaristia, não uma mera apologia a partilha, mas é um milagre, manifestação da divindade de Jesus, para que todos reconhecem nele a imagem por excelência de Deus.

Por fim, peçamos a Maria Santíssima que interceda por nós e que sejamos sempre mais fortalecidos para corremos ás fontes e saciar-nos do Deus que é pão da vida.

O paraíso é o complexo de todas as alegrias imagináveis

“Oh! que delícias gozarão as almas no paraíso! Segundo o testemunho de S. Paulo são elas inenarráveis: O olho não viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais experimentou o coração do homem o que preparou Deus àqueles que O amam (1 Cor 2, 9). Deverei dizer-vos alguma coisa do céu?, pergunta São Bernardo, e responde: Lá nada existe que desagrade, mas tudo que pode satisfazer.”

“Tendo a alma entrado na bem-aventurança de Deus, nada mais encontrará que a desgoste, nada mais que a possa afligir. E Deus enxugará todas as lágrimas de seus olhos e não haverá mais nem morte, nem luto, nem dor alguma, porque as primeiras coisas passaram (Ap 21, 4). No céu não há doença alguma, nem pobreza, nem adversidade de espécie alguma. Lá não haverá mudança de dias e noites, de frio e calor; lá existirá uma primavera eterna e a todos os respeitos deliciosa. Não haverá perseguição e inveja, já que aí todos amar-se-ão ternamente; cada um se alegrará tanto com a felicidade do outro como com a própria. Lá não haverá mais temores, pois a alma confirmada em graça não poderá mais perder a Deus. Eis que faço novas todas as coisas. Tudo é novo, tudo nos alegra e satisfaz. Os olhos regozijar-se-ão com a vista dessa cidade de incomparável beleza. Que admiração não se apoderaria de nós, se víssemos uma cidade calçada de cristal, com palácios de pura prata forrados de ouro e ornados da maneira mais aprazível com jarros das mais esquisitas flores! Oh! quanto não fica acima disso a Jerusalém celeste. Que encanto ver os habitantes do céu vestidos com pompa real, pois lá haverá tantos reis quantos os moradores, segundo S. Agostinho. Que delícia ver a Santíssima Virgem, mais bela que todo o céu. http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/07/00energia5b15d.jpg?w=202&h=248Que prazer então ver o Cordeiro de Deus, Jesus, o esposo das almas. S. Teresa teve uma vez a dita de ver uma mão do Salvador glorificado, sendo tão grande sua beleza que a santa entrou em êxtase. Perfumes esquisitos e fragrâncias paradisíacas nos deleitarão nos céus. Deliciarão nossos ouvidos harmonias sobrenaturais. Um anjo fez S. Francisco ouvir uma só melodia celeste, sentindo-se o santo desfalecer de gozo. Que será então quando se ouvir cantar os coros dos anjos e santos? Que será então ouvir a Santíssima Virgem louvar a Deus? A voz de Maria no céu assemelha-se à do rouxinol, que sobrepuja À de todos os outros pássaros, nota S. Francisco de Sales. Numa palavra: o paraíso é o complexo de todas as alegrias imagináveis.”

“E contudo essas alegrias todas são os menores bens do céu. O que constitui propriamente o céu é o Sumo Bem, é Deus. ‘Tudo o que esperamos está contido em duas sílabas, Deus’, diz S. Agostinho (In Jo X, tract. 4). A recompensa que Deus promete não consiste propriamente em belezas, harmonias e alegrias para os sentidos; a recompensa principal que nos espera é Deus mesmo; ela consiste, em especial, na visão e amor de Deus. Eu sou tua recompensa excessivamente grande, disse Deus a Abraão (Gn 15, 1). Se Deus se mostrasse aos condenados, no mesmo instante o inferno tornar-se-ia um paraíso, diz S. Agostinho.”

- Santo Afonso de Ligório
(Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã,
capítulo segundo, da felicidade que nos procura a perfeição)

Rejeição da Ordem às mulheres exige “assentimento definitivo”

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/07/ordena25c325a725c325a3o2bsacerdotal2bvaticano2b2.jpg?w=267&h=179A Igreja não vai abrir o sacerdócio a mulheres simplesmente porque ela não tem este poder. Foi o que declarou o bem-aventurado João Paulo II, em uma declaração ex cathedra, no ano de 1994. “Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja.”

“Esta sentença deve ser considerada como definitiva”. Ponto final. O sucessor de São Pedro, exercendo o poder das chaves que recebeu do Cristo, falou; não haverá mudança. A ordenação de mulheres não é uma hipótese; é uma proposta que foi de todo rejeitada pelo Sagrado Magistério. A Congregação para a Doutrina da Fé, em documento publicado ainda no ano de 1995, já reiterou a resposta solene da Igreja a este questionamento. O até então prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, foi incisivo: “Esta doutrina exige um assentimento definitivo, posto que, baseada na Palavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja desde o princípio, foi proposta infalivelmente pelo Magistério ordinário e universal.”

Mas, há gente no próprio clero que parece não entender o recado do Papa.

É a conclusão a que chegamos quando tomamos conhecimento de sacerdotes, na Áustria e nos Estados Unidos, fazendo um verdadeiro “apelo à desobediência”: “Vamos aproveitar todas as oportunidades para nos manifestar publicamente em favor da ordenação de mulheres (…). Vemo-los como colegas, e colegas bem-vindos, ao serviço pastoral.”

Em que se transforma a autoridade de padres desobedientes a Roma? Ora, já dizia São João Bosco, “ninguém está apto para mandar se não for capaz de obedecer”. Um sacerdote que se desliga de Roma busca autoridade em si mesmo, quando a autoridade legítima procede de Deus. O católico obedece ao Papa porque esta submissão tem um fundamento anterior ao próprio São Pedro. O Verbo, gerado pelo Pai desde toda a eternidade, se fez carne, e confiou a Pedro a missão de apascentar as Suas ovelhas, de confirmar seus irmãos na fé. Aqui está a origem de nossa obediência ao Sumo Pontífice: nas palavras divinas. Submetemo-nos a Bento XVI e a João Paulo II porque eles são sucessores daquele a quem foram confiadas as chaves do Reino dos céus: “O que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 19).

Se até mesmo o Céu acolheu as palavras de João Paulo II, porque não as acolheram alguns padres?

A desobediência é uma invenção demoníaca, esta é a resposta. Para, a exemplo de Satã, dizer “Não servirei!”, faz-se de tudo. Transforma-se “assentimento definitivo” em “diálogo democrático”, “declaração infalível” em “discurso pastoral”… A regra para quem ignora a doutrina do Salvador é a mesma regra que conduz ao inferno um número incontável de almas: Seja feita a minha vontade.

A vida presente é uma guerra contínua com o inferno

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/07/batalha.jpg?w=220&h=291“O que mais consola uma alma que ama a Deus, ao se lhe anunciar sua morte, é o pensamento de que em breve estará livre de tantos perigos de ofender a Deus, de tantas inquietações de consciência, de tantas tentações do demônio. A vida presente é uma guerra contínua com o inferno, na qual corremos, a cada instante, o perigo de perder a Deus e a nossa alma. S. Ambrósio diz que na terra só caminhamos sobre ciladas armadas por nossos inimigos a fim de nos roubarem a graça divina. (…) Com que ânsia não deseja uma pessoa retirar-se de uma casa, cujas paredes ameaçam desabar, diz S. Cipriano. Pois bem, aqui neste mundo uma desgraça horrível ameaça de todas as partes a nossa alma: o mundo, o inferno, as paixões, nossos sentidos revoltosos, tudo nos quer induzir ao pecado e lançar-nos na morte eterna. Quem me livrará deste corpo de morte? (Rm 7, 24), exclama o Apóstolo. Que alegria, portanto, não sentirá a alma ao ouvir estas palavras: Vem do Líbano, minha esposa… vem do covil dos leões. Vem, que serás coroada (Ct 4, 8). Vem, minha esposa, deixa esse vale de lágrimas, vem desse antro de leões que procuram engolir-te e roubar-te a minha graça.”

“É para a alma um grande favor chamá-la Deus a si quando se encontra em estado de graça, tirando-a deste mundo onde poderia mudar de sentimentos e perder a amizade divina. Todo aquele que vive em união com Deus é feliz. Mas como um navio, na expressão de S. Ambrósio, só se pode ter por seguro quando entrado no porto e escapo à tempestade, assim também uma alma só então se poderá julgar inteiramente feliz quando deixar esta vida em estado de graça. Se o navegante se julga feliz ao chegar ao termo de sua viagem, depois de superar grandes perigos, quantos mais feliz julgar-se-á aquele que dentro em pouco se verá seguro, na posse de sua eterna felicidade.”

- Santo Afonso de Ligório
(Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã,
capítulo segundo, da felicidade que nos procura a perfeição)

A preocupação de Dom Manoel Pestana

“Que te adianta recitar meus preceitos
e ter minha aliança na boca,
uma vez que detestas a disciplina
e rejeitas as minhas palavras?
Se vês um ladrão, tu corres com ele,
e junto aos adúlteros tens a tua parte;
abres tua boca para o mal,
e teus lábios tramam a fraude.
Sentas-te para falar contra teu irmão,
e desonras o filho de tua mãe.
Assim te comportas, e eu me calaria?
Imaginas que eu seja como tu?
Eu te acuso e exponho tudo aos teus olhos.
Considerai isto, vós que esqueceis a Deus,
senão eu vos dilacero, e ninguém vos libertará!

- Salmo 50, 16-22

http://www.santamariadasvitorias.com.br/img/dom-pestana.jpgNo próximo dia 11 completará um ano a carta enviada por Dom Manoel Pestana aos bispos do Brasil, sobre a situação da Igreja na América Latina. O texto é pequeno, mas as observações são valiosíssimas. A expressão preocupada do até então bispo emérito de Anápolis é dolorosa. “Assusta-me a corrupção dentro da Igreja, o desmantelamento dos seminários, a maçonização de Cúrias e Movimentos”, revelava, na ocasião, Dom Manoel.

Esses fatos que assustavam a este bispo tão corajoso são as mesmas realidades que fazem os filhos fiéis da Igreja de Deus menear a cabeça… Como andam “modernas” as nossas igrejas… e como estão vazias! Como andam “atuais” as homilias dos padres… e como são desinteressantes! Como andam “adaptadas ao espírito moderno” as nossas Missas… e como está o povo perdendo o respeito ao sagrado! De que serviram para a promoção de uma autêntica evangelização tantos esforços em se “adaptar” o conteúdo da doutrina da única Igreja de nosso Senhor aos nossos tempos? Por acaso criamos comunidades mais fiéis ao Papa, mais devotas a Nossa Senhora ou mais amantes da Eucaristia?

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Permanecer unido à vontade de Deus

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ee/Sant%27Alfonso_Liguori.jpg“Se desejas (…), alma cristã, agradar verdadeiramente a Deus e gozar de uma vida feliz, permanece então sempre e em tudo unida à sua santa vontade. Pondera que todos os teus pecados de tua vida passada provinham unicamente de te haveres desviado da vontade de Deus. Procura doravante exclusivamente o beneplácito do Senhor e repete, toda a vez que te suceder algum mal: Assim se faça, ó Pai, porque foi de teu agrado (Mt 11, 26).”

- Santo Afonso de Ligório
(Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã,
capítulo segundo, da felicidade que nos procura a perfeição)

A Deus não se dá o tempo que sobra

“O Catecismo da Igreja Católica nos lembra que nós não damos resto a Deus. A Deus não se dá o tempo que sobra, mas se separa tempo para dar a Deus. Todos os nossos dias nós temos tempo pra almoçar, temos hora pra chegar pontualmente no trabalho (…), todos nós temos hora pra dormir, todos nós temos hora para nos alimentar… E hora pra rezar? Será que todos nós temos essa hora pra rezar? Se nós deixamos a vida de oração simplesmente na espontaneidade, nós não teremos vida interior, nós não encontraremos a Deus. (…) Ah, se sobrar um tempinho hoje, eu rezo o meu terço. Se sobrar um tempinho hoje, eu vou ler e meditar as Sagradas Escrituras. Não! Coloque na tua agenda diária um horário fixo pra rezar.”

(…)

“Nós, se quiséssemos marcar audiência com alguém importante, com algum chefe de Estado, com algum diretor de uma grande empresa, nós teríamos que esperar talvez dias, meses, para conseguir um lugar na agenda de algum personagem desses principais. Mas, se quisermos falar com o Senhor do Céu e da Terra, com o Criador de tudo o que existe, nós não precisamos marcar audiência com Ele. Que grande dom o dom da oração! Que grande presente podermos dirigir-nos a Deus, como um amigo fala com seu amigo, e a qualquer hora do dia, e em qualquer lugar… nós podemos falar com Deus. A oração é um grande tesouro que o Senhor confiou a nós e não podemos desperdiçar esse dom.

- Pe. Demétrio em Corra ao encontro de Deus
22 de julho de 2011

Ele cuidará carinhosamente de nós

“Quão grande é a loucura daqueles que não querem submeter-se à vontade de Deus! Não padecerão menos por isso, pois ninguém pode frustrar os desígnios de Deus. Quem poderá resistir à sua vontade? (Rm 9, 19). Se Deus nos envia tribulações é em vista de um bem superior e porque isso é melhor para nós. Para os que amam a Deus, todas as coisas cooperam para o bem (Rm 8, 28). A virtuosa Judite nos atesta que o Senhor não nos castiga com a intenção de nos perder, mas de nos corrigir e tornar felizes: Devemos pensar… que os flagelos do Senhor devem servir para a correção e não para a punição (Jdt 8, 27). Para nos preservar das penas eternas, protege-nos Deus com sua boa vontade como com um escudo. Senhor, coroastes-nos com o escudo de vossa boa vontade (Sl 5, 13). Deus não só mostra desejo de nossa salvação, mas também cuida seriamente disso. O Senhor é solícito por mim (Sl 39, 18). O que nos poderá negar esse Deus que nos deu seu Filho unigênito?, pergunta São Paulo. Aquele que não perdoou a seu próprio Filho, mas entregou-o por nós todos, como não nos havia de dar como ele todas as coisas? (Rm 8, 32).”

“Com que confiança, pois, não nos devemos pôr à disposição da divina Providência, visto que todas as suas determinações visam o nosso bem. Digamos, portanto, em tudo o que nos acontecer: Dormirei e descansarei em paz, porque vós, Senhor, me confirmastes de um modo singular na esperança (Sl 4, 9). Entreguemo-nos em seus braços: Ele cuidará carinhosamente de nós. Lançai nele toda a vossa solicitude, porque ele cuida de vós (1 Pd 5, 7). Pensemos somente em Deus e no cumprimento de Sua vontade, que Ele pensará em nós e cuidará de nosso bem. ‘Minha filha, pensa sempre em Mim, que Eu pensarei sem cessar em ti’, disse um dia o Senhor a S. Catarina de Sena. Digamos muitas vezes com a Esposa dos Cânticos: Meu Bem Amado é meu e eu sou dele (Ct 2, 6). Meu Bem Amado ocupa-se de meu bem-estar e eu quero ocupar-me em agradá-lo e em conformar-me em tudo com sua santa vontade. ‘Não devemos pedir a Deus que Ele faça a nossa vontade, mas que ele nos conceda a graça de fazer o que Ele deseja’, diz S. Nilo Abade. Se nos acontecer alguma coisa incômoda, recebamo-la das mãos de Deus, não só com paciência, mas mesmo com alegria, seguindo o exemplo dos Apóstolos, que se julgavam felizes quando padeciam pelo nome de Jesus.”

- Santo Afonso de Ligório
(Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã,
capítulo segundo, da felicidade que nos procura a perfeição)

Padre Paulo e Padre Demétrio no Escola da Fé

Em tempo: os vídeos da participação do Padre Paulo Ricardo e do Padre Demétrio Gomes no programa Escola da Fé, do Prof. Felipe Aquino, ontem, já estão disponíveis no YouTube. ;)

Lula: “Nós queremos o reino agora, aqui na Terra.”

Está n’O Globo: Lula chama de ‘bobagem’ passagem bíblica que promete o paraíso para os pobres. Segundo fontes nada confiáveis – em entrevista à rede Record, o deputado Gabriel Chalita concordou com o jornalista Paulo Henrique Amorim quando este disse que “[o] presidente Lula (…) é católico praticante” -, nosso ex-Presidente é católico. Segundo ele próprio, sua confissão religiosa é o catolicismo. No entanto, quando é exigida de Lula uma resposta séria a respeito de fatos que se passam no Brasil e no mundo, e quando suas falas podem interferir decisivamente na sua popularidade, o líder do Partido dos Trabalhadores não hesita em trair a sua fé.

Ora, quem não se lembra do aborto de gêmeos em Alagoinhas, quando o nosso sapientíssimo chefe de Estado deu uma declaração – que foi aplaudida aqui e acolá – na qual se manifestava a favor do assassinato das duas crianças, já que, segundo ele, “a medicina está mais correta que a Igreja”? Na ocasião, Sua Excelência, “como cristão e como católico” (!), repudiou a excomunhão – latae sententiae, frise-se – que havia sido lançada aos responsáveis pelo aborto. “Lamento profundamente que um bispo da Igreja Católica tenha um comportamento, eu diria, conservador como esse” 1, afirmou, com autoridade, o mesmo sujeito que aproveitou o Carnaval no Rio para distribuir preservativos para o povo.

Desta vez, no entanto, a hipocrisia lulista não precisou de nenhuma oportunidade polêmica para dar as caras. Ela veio assim mesmo, de graça.

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