O Papa Bento XVI pisou ontem em solo italiano, depois de fazer uma breve viagem a América Latina. O Santo Padre visitou o México e também a ilha de Cuba, onde, além de celebrar a Eucaristia com os fiéis católicos do país, teve a oportunidade de se encontrar com Fidel Castro, o ditador comunista que governou por longos 32 anos o povo cubano.
Disponibilizamos abaixo uma seleção – arbitrária, diga-se de passagem – dos melhores discursos do Papa na ilha.
“Muitas partes do mundo atravessam, hoje, um momento de particular dificuldade econômica, cuja origem tantos concordam em situá-la numa profunda crise de tipo espiritual e moral, que deixou o homem sem valores e desprotegido contra a ganância e o egoísmo de certos poderes que não têm em conta o bem autêntico das pessoas e das famílias. Não é possível continuar por mais tempo na mesma direção cultural e moral, que causou esta situação dolorosa que muitos sentem. Em vez disso, o verdadeiro progresso necessita duma ética que coloque no centro a pessoa humana e tenha em conta as suas exigências mais autênticas, de modo especial a sua dimensão espiritual e religiosa. Por isso, vai ganhando cada vez mais espaço, no coração e na mente de muitas pessoas, a certeza de que a regeneração das sociedades e do mundo exige homens retos e de firmes convicções morais e altos valores de fundo que não sejam manipuláveis por interesses limitados mas correspondam à natureza imutável e transcendente do ser humano.”
- Cerimônia de boas-vindas no Aeroporto de Santiago
26 de março de 2012

“Quando contemplamos o mistério da Encarnação, não podemos deixar de voltar os nossos olhos para Ela, enchendo-nos de admiração, gratidão e amor ao ver como o nosso Deus, para entrar no mundo, quis contar com o consentimento livre duma criatura sua. Só a partir do momento em que a Virgem respondeu ao anjo: ‘Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1, 38), é que o Verbo eterno do Pai começou a sua existência humana no tempo. É comovente ver como Deus não só respeita a liberdade humana, mas parece ter necessidade dela. E vemos também como o início da existência terrena do Filho de Deus está marcado por um duplo ‘sim’ à vontade salvífica do Pai: o de Cristo e o de Maria. É esta obediência a Deus que abre as portas do mundo à verdade, à salvação. De fato, Deus criou-nos como fruto do seu amor infinito; por isso viver segundo a sua vontade é o caminho para encontrar a nossa verdadeira identidade, a verdade do nosso ser, enquanto que o distanciamento de Deus nos afasta de nós mesmos e precipita-nos no vazio. A obediência na fé é a verdadeira liberdade, a autêntica redenção, que permite unirmo-nos ao amor de Jesus no seu esforço por Se conformar com a vontade do Pai. A redenção é sempre esse processo de levar a vontade humana à plena comunhão com a vontade divina.”
- Homilia na Missa da Solenidade da Anunciação do Senhor
26 de março de 2012

“Com efeito, a verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica. Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam sobre a possibilidade de conhecer a verdade (cf. Jo 18, 38), proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos. Esta atitude, como no caso do ceticismo e do relativismo, produz uma transformação no coração, tornando as pessoas frias, vacilantes, distantes dos demais e fechadas em si mesmas. São pessoas que lavam as mãos, como o governador romano, e deixam correr o rio da história sem se comprometer.”
“Entretanto há outros que interpretam mal esta busca da verdade, levando-os à irracionalidade e ao fanatismo, pelo que se fecham na ‘sua verdade’ e tentam impô-la aos outros. São como aqueles legalistas obcecados que, ao verem Jesus ferido e ensanguentado, exclamam enfurecidos: ‘Crucifica-o!’ (cf. Jo 19, 6). Na realidade, quem age irracionalmente não pode chegar a ser discípulo de Jesus. Fé e razão são necessárias e complementares na busca da verdade. Deus criou o homem com uma vocação inata para a verdade e, por isso, dotou-o de razão. Certamente não é a irracionalidade que promove a fé cristã, mas a ânsia da verdade. Todo o ser humano deve perscrutar a verdade e optar por ela quando a encontra, mesmo correndo o risco de enfrentar sacrifícios.”
- Homilia na Missa em Havana, na Praça da Revolução
28 de março de 2012

Rubén García é hoje um homossexual que tem integrado sua sexualidade a uma vida plena na castidade.
“A fé católica marcou significativamente a vida, os costumes e a história deste Continente, onde muitas das suas nações estão a comemorar o bicentenário da independência. É um momento histórico sobre o qual continua a brilhar o nome de Cristo, trazido para aqui por insignes e generosos missionários, que O proclamaram com coragem e sabedoria. Eles arriscaram tudo por Cristo, mostrando que o homem encontra n’Ele a sua consistência e a força necessária para viver em plenitude e edificar uma sociedade digna do ser humano, como o quis o seu Criador. O ideal de não antepor nada ao Senhor e de fazer com que a Palavra de Deus chegue a todos, valendo-se das características próprias de cada um e das suas melhores tradições, continua a ser uma válida orientação para os Pastores de hoje.”
“Claro, a Igreja deve sempre se perguntar se faz o suficiente pela justiça social neste grande continente. Este é um assunto de consciência, que constantemente tem que ser indagado. O que deve fazer a Igreja, o que é que não pode e não deve fazer? A Igreja não é um poder político, não é um partido, mas é uma realidade moral, um poder moral. Ela deve ser uma realidade moral. Repito mais uma vez: o primeiro pensamento da Igreja é o de educar as consciências e criar, assim, a responsabilidade necessária. Educar as consciências individuais e públicas. Talvez, na América latina, mas também em outros lugares, há em muitos católicos uma certa esquizofrenia entre a moral individual e a moral pública: individualmente, são católicos fiéis, mas na vida pública seguem outros caminhos que não respondem aos grandes valores do Evangelho que são necessários para o estabelecimento de uma sociedade justa. É bom educar para superar esta esquizofrenia, educar não só a uma moral individual, mas também a moral pública. E tratar de fazer isso com a doutrina social da Igreja, porque, naturalmente, esta moral pública deve ser uma moral razoável e compartilhada, compartilhada também pelos fiéis, uma moral da razão. Claro, à luz da fé podemos ver melhor tantas coisas que a razão também pode ver. E precisamente a fé serve também para eliminar os falsos interesses e os interesses obscurecem a razão. Devemos trabalhar para superar esta divisão social.”
Ontem, dia 21, foi dia de manifestação pró-vida em São Paulo. 
“Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo.” As palavras são do ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI; estão no documento
Diferente, porém, do que reconhece a Igreja Católica, o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) – que “enche a boca” para dizer que é católico – declarou,
Saiu ontem no Terra:
No blog do Reinaldo Azevedo:
Como reação às palavras do bispo, alguns estudantes da PUC fizeram, no dia 15, uma manifestação. Cartazes foram estendidos no chão com frases como “Sou gay”, “Se o Papa fosse mulher, o aborto seria legal e seguro”, “Pela legalização do aborto” e “Sou comunista”.
“Para facilitar a difusão do aborto, foram investidas — e continuam a sê-lo — somas enormes, destinadas à criação de fármacos que tornem possível a morte do feto no ventre materno, sem necessidade de recorrer à ajuda do médico. A própria investigação científica, neste âmbito, parece quase exclusivamente preocupada em obter produtos cada vez mais simples e eficazes contra a vida e, ao mesmo tempo, capazes de subtrair o aborto a qualquer forma de controlo e responsabilidade social.”
Ao ler