O Papa em Cuba

O Papa Bento XVI pisou ontem em solo italiano, depois de fazer uma breve viagem a América Latina. O Santo Padre visitou o México e também a ilha de Cuba, onde, além de celebrar a Eucaristia com os fiéis católicos do país, teve a oportunidade de se encontrar com Fidel Castro, o ditador comunista que governou por longos 32 anos o povo cubano.

Disponibilizamos abaixo uma seleção – arbitrária, diga-se de passagem – dos melhores discursos do Papa na ilha. ;)

“Muitas partes do mundo atravessam, hoje, um momento de particular dificuldade econômica, cuja origem tantos concordam em situá-la numa profunda crise de tipo espiritual e moral, que deixou o homem sem valores e desprotegido contra a ganância e o egoísmo de certos poderes que não têm em conta o bem autêntico das pessoas e das famílias. Não é possível continuar por mais tempo na mesma direção cultural e moral, que causou esta situação dolorosa que muitos sentem. Em vez disso, o verdadeiro progresso necessita duma ética que coloque no centro a pessoa humana e tenha em conta as suas exigências mais autênticas, de modo especial a sua dimensão espiritual e religiosa. Por isso, vai ganhando cada vez mais espaço, no coração e na mente de muitas pessoas, a certeza de que a regeneração das sociedades e do mundo exige homens retos e de firmes convicções morais e altos valores de fundo que não sejam manipuláveis por interesses limitados mas correspondam à natureza imutável e transcendente do ser humano.”

- Cerimônia de boas-vindas no Aeroporto de Santiago
26 de março de 2012

“Quando contemplamos o mistério da Encarnação, não podemos deixar de voltar os nossos olhos para Ela, enchendo-nos de admiração, gratidão e amor ao ver como o nosso Deus, para entrar no mundo, quis contar com o consentimento livre duma criatura sua. Só a partir do momento em que a Virgem respondeu ao anjo: ‘Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1, 38), é que o Verbo eterno do Pai começou a sua existência humana no tempo. É comovente ver como Deus não só respeita a liberdade humana, mas parece ter necessidade dela. E vemos também como o início da existência terrena do Filho de Deus está marcado por um duplo ‘sim’ à vontade salvífica do Pai: o de Cristo e o de Maria. É esta obediência a Deus que abre as portas do mundo à verdade, à salvação. De fato, Deus criou-nos como fruto do seu amor infinito; por isso viver segundo a sua vontade é o caminho para encontrar a nossa verdadeira identidade, a verdade do nosso ser, enquanto que o distanciamento de Deus nos afasta de nós mesmos e precipita-nos no vazio. A obediência na fé é a verdadeira liberdade, a autêntica redenção, que permite unirmo-nos ao amor de Jesus no seu esforço por Se conformar com a vontade do Pai. A redenção é sempre esse processo de levar a vontade humana à plena comunhão com a vontade divina.”

- Homilia na Missa da Solenidade da Anunciação do Senhor
26 de março de 2012

“Com efeito, a verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica. Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam sobre a possibilidade de conhecer a verdade (cf. Jo 18, 38), proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos. Esta atitude, como no caso do ceticismo e do relativismo, produz uma transformação no coração, tornando as pessoas frias, vacilantes, distantes dos demais e fechadas em si mesmas. São pessoas que lavam as mãos, como o governador romano, e deixam correr o rio da história sem se comprometer.”

“Entretanto há outros que interpretam mal esta busca da verdade, levando-os à irracionalidade e ao fanatismo, pelo que se fecham na ‘sua verdade’ e tentam impô-la aos outros. São como aqueles legalistas obcecados que, ao verem Jesus ferido e ensanguentado, exclamam enfurecidos: ‘Crucifica-o!’ (cf. Jo 19, 6). Na realidade, quem age irracionalmente não pode chegar a ser discípulo de Jesus. Fé e razão são necessárias e complementares na busca da verdade. Deus criou o homem com uma vocação inata para a verdade e, por isso, dotou-o de razão. Certamente não é a irracionalidade que promove a fé cristã, mas a ânsia da verdade. Todo o ser humano deve perscrutar a verdade e optar por ela quando a encontra, mesmo correndo o risco de enfrentar sacrifícios.”

- Homilia na Missa em Havana, na Praça da Revolução
28 de março de 2012

Catolicismo e Ordem DeMolay – outro esclarecimento

Nos últimos dias, o post Catolicismo e Ordem DeMolay – mais um esclarecimento recebeu, de vários demolays e simpatizantes da Ordem, um número considerável de comentários, os quais, agora, publico e comento, a fim de que sejam esclarecidos outros pontos que possam ter ficado obscuros e também para que não se tenha a impressão – equivocada, por certo – de que o nosso blog agora tenha se tornado uma verdadeira “casa da mãe Joana”.

Passo, primeiramente, ao comentário de uma tal Régia, bastante oportuno, justamente por mostrar o quão esperta é a tática maçônica para conseguir fazer mais adeptos em suas associações. Ela pergunta “porque a ordem é para adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos”. “Essa etapa do ser humano – observa – não é justamente o período formativo, a busca de conhecimentos (…)?”

Justamente! É assim que agem os membros da Ordem. “Arrebanham” – se é que me permitem usar esta palavra – os jovens, a fim de formar adultos que pensem conforme a filosofia e a práxis maçônicas. É, sem dúvida, uma ideia inteligente. Trazendo a coisa para a Igreja Católica, observamos crescente, nos últimos anos, a preocupação especial dos pastores católicos com os adolescentes – a criação da Jornada Mundial da Juventude é expressão visível disto. O Papa e os bispos têm consciência de que é conquistando a juventude que se dá vigor ao Corpo Místico de Cristo. No caso da Maçonaria e da Ordem DeMolay, porém, os jovens são conduzidos a pensar de uma maneira racionalista, desprezando a noção de Revelação, sem a qual definitivamente não pode haver autêntico Cristianismo.

É esta também a resposta ao comentário de Isaac Luna, que defende certo aspecto cristão em um trecho supostamente extraído do livro de um maçom grau 33. Para este, “a (…) grande preocupação (da Maçonaria) é o autoaperfeiçoamento do homem, orientando-o num aprendizado constante, conforme a Verdade”. Não vou nem levar em consideração o fato de que não é citado nenhum autor e nenhuma fonte. É sabido que, desde o princípio, a Maçonaria estabeleceu como um de seus “projetos” este da “busca da verdade”, que os membros da associação seriam responsáveis por cultivar. Ao lado deste princípio, porém, caminha um – e este, sim, condenável – relativismo, a ideia de que, por mais que se buscasse a verdade (e isto, somente usando a razão humana!), cada indivíduo deveria conviver com sua visão pessoal de divindade, estando o que eles cultuam como Grande Arquiteto do Universo sujeito às impressões de cada maçom, em particular.

Albert Pike também era maçom grau 33. E seu G.A.D.U., definitivamente, não era o Deus da Santíssima Trindade.

“Para os Maçons, a grande Verdade é Deus, vista através de Cristo”, teria escrito este mesmo maçom grau 33. Mas, ora, considerando que nas associações maçônicas são aceitos, além de cristãos, adeptos de outras religiões, esta afirmação simplesmente não faz sentido. Um maçom muçulmano certamente não aceitaria que a verdade que ele busca na Maçonaria é “vista através de Cristo”. Um ocultista, da mesma forma, veria no G.A.D.U. uma personagem bem diversa daquela que foi Jesus. Albert Pike, maçom e ocultista, trata de exaltar, p. ex., o inimigo de nosso Senhor – o diabo. “Lúcifer, o portador da luz! Nome estranho e misterioso para dar a um espírito das Trevas! Lúcifer, o filho da manhã! É ele quem traz a Luz, e com seus intoleráveis esplendores cega as almas fracas, sensuais ou egoístas? Não duvides!” (Morals and Dogma, cap. XIX, Pontiff).

Adiante, o comentário de Isaac destoa para o anticlericalismo, assim como os ataques de Herisson Bezerra não passam de histeria protestante (mais uma acusação infundada de idolatria). Estes, porém, são temas para outra postagem.

O que precisa ficar claro é que, por mais que se tente defender que as associações maçônicas não são anticristãs, os exemplos que possuímos e expomos demonstram justamente o contrário. Desde o princípio, o culto exacerbado à razão humana e a constante relativização da verdade, presentes na Maçonaria, conduzem seus membros pela estrada esburacada do agnosticismo… Não é, pois, sem razão que já por quase 300 anos perdura a condenação da Maçonaria pela Igreja.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Homossexual convertido: “Quando experimentas a castidade, encontras uma paz que o egoísmo não pode dar.”

Fonte: Religión en Libertad | Tradução: Ecclesia Una Sofreu, e muito, por causa de sua homossexualidade. Mas, agora, compartilha com a revista Misión [“Missão”], sem tabus, as feridas da infância que originaram seu sofrimento, e fala com alegria da transformação que tem experimentado em sua vida desde que teve um encontro profundo com Deus.

Rubén García é hoje um homossexual que tem integrado sua sexualidade a uma vida plena na castidade.

Como aponta Misión, “por trás de uma pessoa com inclinações homossexuais se oculta uma história de profunda dor. Uma biografia de feridas afetivas que, pouco a pouco, o levou a refugiar-se em pessoas do mesmo sexo.”

Rubén assegura que a homossexualidade não é genética e que tampouco se escolhe por vontade própria, mas que “é uma desordem que surge por carências afetivas na infância ou na juventude, e por outros fatores comportamentais”.

“Por isso, sanar o coração ferido destas pessoas não é simples. Muito menos em uma sociedade como a nossa, onde reina a incompreensão tanto por parte daqueles que enaltecem a homossexualidade como um direito, como também por aqueles que os veem como depravados sem solução. A realidade não é uma coisa nem outra. A realidade é que são pessoas que necessitam ser amadas com autenticidade, sem reservas”, raciocina a revista familiar de maior difusão na Espanha.

Rubén García conta abertamente as batalhas que teve que enfrentar até que encontrar-se com a fonte do amor: Deus. Ele tem a esperança de que as pessoas aprendam a acolher aos gays e às lésbicas “incondicionalmente”, e consigam dar-lhes o amor e o carinho que necessitam para curar suas feridas e integrar sua sexualidade a uma vida de castidade.

- Desde quando começou a sentir inclinações homossexuais?

- Desde criança, a raiz da carência de afeto do meu padrasto, que me tratava com muita dureza, e tendi a proteger-me no mundo feminino. Desde então, inconscientemente, comecei a buscar o afeto que não tive do meu pai em outros homens. Comecei a ter relações sexuais com homens e, finalmente, trabalhei em um prostíbulo.

- Era feliz com esta forma de vida?

- Teria respondido então que sim, porque no meio homossexual está proibido que digas o contrário. Mas o certo é que, sozinho, sentia um vazio enorme, além de um rancor contra Deus, a Quem eu culpava.

- Como deu o passo da homossexualidade à transexualidade e à prostituição?

- É um processo gradual. Começas jogando com teu corpo, buscando o prazer a tudo custo, te colocas numa dinâmica de permanente insatisfação, confiando em que por aí encontrarás uma relação verdadeira. Mas isso é impossível, posto que acabas utilizando os outros egoisticamente, sem amá-los como pessoas.

- Como mudou de vida?

- Tudo começou quando assisti a um retiro espiritual, em que uma mulher disse que Deus amava a todos, independentemente do que tivéssemos feito. Eu senti que essas palavras eram só pra mim. Que Deus me ama? A mim? Apesar do que eu lhe fiz? Até então tinham me falado de um Deus castigador, um Deus que era uma ameaça para mim. Essa mulher nos apresentou um Deus compassivo, que quer conquistar os pecadores. Pouco depois me confessei e experimentei a paz como nunca. E hoje, depois de anos junto a Deus, frequentando a Penitência e a Eucaristia, posso afirmar que vivo com uma felicidade que não se compara com o estilo de vida que levava antes.

- Muita gente opina que é contraditório ser católico e homossexual…

- A Igreja Católica abre os braços a todas as pessoas, sem exceção. Todos somos pecadores, todos necessitamos da medicina que só Deus pode dar: confissão, oração, leitura da Bíblia, Missa. Nada disso é contraditório com nenhuma pessoa. O contraditório é querer ser feliz sem respeitar a lei que Deus colocou no coração humano.

- Como vive agora sua sexualidade?

Agora sei que meu corpo é templo do Espírito Santo, a menos que O expulse pelo pecado. Posso olhar, falar e abraçar a homens e mulheres, sem limitar-me a abraçar seu corpo. Vejo irmãos aos quais devo servir, não cliente de que devo servir-me.

- É possível ter uma vida plena na castidade?

- Quando uma pessoa experimenta a castidade, encontra uma felicidade que o egoísmo não pode dar. A dependência dos instintos físicos não te faz livre; te converte em um consumidor compulsivo de prazer físico passageiro. É um tópico falso dizer que a promiscuidade sexual te faz livre e a castidade te faz um deprimido. É justamente o contrário.

Rubén García pertence ao grupo Courage Latino [“Coragem Latina”], onde muitos homossexuais e lésbicas compartilham suas experiências de uma vida sacramental e na castidade plena.

A fé católica marcou a vida, os costumes e a história da América Latina, defende Bento XVI

A fé católica marcou significativamente a vida, os costumes e a história deste Continente, onde muitas das suas nações estão a comemorar o bicentenário da independência. É um momento histórico sobre o qual continua a brilhar o nome de Cristo, trazido para aqui por insignes e generosos missionários, que O proclamaram com coragem e sabedoria. Eles arriscaram tudo por Cristo, mostrando que o homem encontra n’Ele a sua consistência e a força necessária para viver em plenitude e edificar uma sociedade digna do ser humano, como o quis o seu Criador. O ideal de não antepor nada ao Senhor e de fazer com que a Palavra de Deus chegue a todos, valendo-se das características próprias de cada um e das suas melhores tradições, continua a ser uma válida orientação para os Pastores de hoje.”

- Papa Bento XVI, Discurso durante celebração das Vésperas
com os Bispos do México e da América Latina

25 de março de 2012

Embora alguns tribunais de justiça Brasil afora covardemente anseiem enterrar o patrimônio ético e cultural legado pela Igreja, o Papa vem lembrar os bispos latino-americanos que “a fé católica marcou significativamente a vida, os costumes e a história deste Continente”. Foi sobre a pregação cristã de sacerdotes católicos que nasceu a América Latina… e são sobre estes valores católicos que estão baseadas as nossas leis, códigos e normas de conduta.

Portanto, este ódio, este desprezo pela moral judaico-cristã, que brotam de um pensamento profundamente laicista e, por assim dizer, ateu, são prejudiciais à própria Civilização Ocidental. Gradativamente, vai-se deixando de lado a existência de princípios morais objetivos; vai-se colocando o homem como criador da própria moralidade. Esta, por sua vez, vai ficando cada vez mais subjetiva, cada vez mais sujeita ao arbítrio humano. Neste sentido, vemos, por exemplo, em nosso país, um Supremo Tribunal Federal que legaliza a união homossexual, tentando conferir à família novas configurações, totalmente alheias à sua organização original; observamos um Senado que deseja legalizar o aborto, relativizando o valor da vida humana e defendendo de modo sorrateiro a maligna eugenia – que no último século fez milhões de vítimas no Holocausto nazista; e, por fim, avistamos líderes gayzistas defendendo explicitamente a pedofilia, em nome do “direito das crianças de manifestarem livremente suas expressões afetivas” (sic).

Todo este panorama é fotografia de uma sociedade que escolheu deliberadamente dar “não” a Deus e à obra católica. Agora, colhemos os frutos desta perversa decisão, desta escolha perniciosa. E, mais uma vez, vem o Papa fazer-se porta-voz do Altíssimo, pedindo às autoridades religiosas – e também às políticas – que deem ao legado cultural do Cristianismo o devido valor. As palavras de Sua Santidade serão acolhidas com solicitude pelo povo latino-americano? Ou Bento XVI será alvo de mais um solene desprezo por parte de seu próprio rebanho?

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Papa volta a pedir fidelidade à Doutrina Social da Igreja

“O senhor falou que quer dirigir sua mensagem a toda a América Latina no bicentenário da independência. A América Latina, apesar do desenvolvimento, segue sendo uma região de conflitos sociais e de fortes contrastes entre ricos e pobres. Às vezes, parece que a Igreja Católica não está suficientemente encorajada a se engajar neste campo. Pode-se seguir falando de ‘teologia da liberação’ de uma maneira positiva, depois que certos excessos – sobre o marxismo e a violência – tem sido corrigidos?”

“Claro, a Igreja deve sempre se perguntar se faz o suficiente pela justiça social neste grande continente. Este é um assunto de consciência, que constantemente tem que ser indagado. O que deve fazer a Igreja, o que é que não pode e não deve fazer? A Igreja não é um poder político, não é um partido, mas é uma realidade moral, um poder moral. Ela deve ser uma realidade moral. Repito mais uma vez: o primeiro pensamento da Igreja é o de educar as consciências e criar, assim, a responsabilidade necessária. Educar as consciências individuais e públicas. Talvez, na América latina, mas também em outros lugares, há em muitos católicos uma certa esquizofrenia entre a moral individual e a moral pública: individualmente, são católicos fiéis, mas na vida pública seguem outros caminhos que não respondem aos grandes valores do Evangelho que são necessários para o estabelecimento de uma sociedade justa. É bom educar para superar esta esquizofrenia, educar não só a uma moral individual, mas também a moral pública. E tratar de fazer isso com a doutrina social da Igreja, porque, naturalmente, esta moral pública deve ser uma moral razoável e compartilhada, compartilhada também pelos fiéis, uma moral da razão. Claro, à luz da fé podemos ver melhor tantas coisas que a razão também pode ver. E precisamente a fé serve também para eliminar os falsos interesses e os interesses obscurecem a razão. Devemos trabalhar para superar esta divisão social.”

- Papa Bento XVI em entrevista a jornalistas durante voo ao México
23 de março de 2012

O Papa pede, mais uma vez, obediência à doutrina social da Igreja; à doutrina que deixa de lado tanto o “capitalismo selvagem”, enquanto sistema do “individualismo” e do “apetite desordenado por dinheiro” – expressões compiladas do Catecismo -, quanto o socialismo ateu, inimigo da religião e das liberdades individuais; à doutrina que preza pelo respeito à dignidade do ser humano, visando o bem comum.

Atentemo-nos aos termos: é pedida fidelidade à Doutrina Social da Igreja (DSI), e não à Teologia da Libertação (TL). Esta última foi minuciosamente analisada pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, já há alguns anos, e, sendo de caráter marxista e materialista, recebeu explícita desaprovação eclesiástica.

Então, à pergunta feita ao Papa – se é possível seguir falando da TL de uma maneira positiva – a resposta é negativa. Os aspectos positivos apresentados por expoentes da Teologia da Libertação pertencem, por direito, à Doutrina Social da Igreja. Dando abertura a esta última, vem como consequência uma autêntica promoção de justiça social – não a pregada por Marx e por seus discípulos materialistas, mas a ensinada por nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Igreja.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Dom Luiz Bergonzini: “A morte não pode vencer a vida.”

Ontem, dia 21, foi dia de manifestação pró-vida em São Paulo. Atendendo ao pedido de Dom Luiz Bergonzini – o mesmo que, em 2010, militou ativamente contra políticos favoráveis à descriminalização do aborto -, brasileiros contrários à “cultura de morte” foram às ruas para pedir uma CPI da verdade sobre o aborto. Como informou o blogueiro Wagner Moura, a meta traçada pela Comissão – que, apesar de ter sido criada ainda em 2008, nunca foi efetivamente instalada – “era investigar a venda ilegal de remédios abortivos e desbaratar, com força policial, a rede de clínicas de aborto clandestino”. Seria um passo decisivo na luta contra os mestres da curetagem, que têm feito mulheres e crianças vítimas há tanto tempo em nossa nação.

No intento de não limitar a manifestação ao alcance dos paulistanos, foi promovido, quase que simultaneamente à reunião pró-vida em São Paulo, um tuitaço em defesa da vida. O Brasil inteiro se mobilizou e colocou no topo dos Trending Topics a hashtag #abortonuncamais. À campanha no Twitter até o apresentador do Globo Esporte, Tiago Leifert, aderiu.

Como não bastasse tudo isto, foi reportado pelo blog Deus lo Vult! que os panfletos que foram apreendidos, na última eleição, a pedido do Partido dos Trabalhadores, foram devidamente devolvidos à diocese de Guarulhos. Segundo nota emitida por Dom Bergonzini, “o Tribunal Superior Eleitoral determinou a devolução dos ‘panfletos’.” E estes – e também outros materiais – serão novamente distribuídos nas eleições municipais deste ano! “Outros documentos novos poderão ser redigidos e impressos, assinados por nós, para serem distribuídos. A morte não pode vencer a vida.

Prossigamos, na defesa do nascituro, implorando a Nossa Senhora da Conceição Aparecida que livre nossa nação da maldição do aborto.

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Leia também: Quanto tempo vai demorar para que os “progressistas” tentem proibir manifestações contra o aborto?, no blog do Reinaldo Azevedo.

Leia mais: Em panfletagem antiaborto, grupo pede em SP demissão da ministra. Dom Bergonzini lança nota oficial louvando blogueiros e anunciando processo contra “católicas” pelo direito de decidir., no Fratres in Unum.

Chalita desafia mais uma vez a doutrina católica

“Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo.” As palavras são do ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI; estão no documento Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, de 2003.

É doutrina católica que a prática da homossexualidade é pecaminosa. “Segundo a ordem moral objetiva, as relações homossexuais são atos destituídos da sua regra essencial e indispensável”, ensina a instrução Persona Humana. Mas o juízo da Igreja a respeito de assuntos relacionados com a moralidade sexual não se limita ao que acontece nos átrios de seus templos. Assim, o problema do reconhecimento civil da união homossexual, apesar de não envolver uma possível proposta de se fazer “casamento religioso gay”, é também alvo da condenação do Magistério católico.

“Poderá perguntar-se como pode ser contrária ao bem comum uma lei que não impõe nenhum comportamento particular, mas apenas se limita a legalizar uma realidade de fato, que aparentemente parece não comportar injustiça para com ninguém. A tal propósito convém refletir, antes de mais, na diferença que existe entre o comportamento homossexual como fenômeno privado, e o mesmo comportamento como relação social legalmente prevista e aprovada, a ponto de se tornar numa das instituições do ordenamento jurídico. O segundo fenômeno, não só é mais grave, mas assume uma relevância ainda mais vasta e profunda, e acabaria por introduzir alterações na inteira organização social, que se tornariam contrárias ao bem comum. As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem no seio da sociedade, para o bem ou para o mal. Desempenham uma função muito importante, e por vezes determinante, na promoção de uma mentalidade e de um costume. As formas de vida e os modelos que nela se exprimem não só configuram externamente a vida social, mas ao mesmo tempo tendem a modificar, nas novas gerações, a compreensão e avaliação dos comportamentos. A legalização das uniões homossexuais acabaria, portanto, por ofuscar a percepção de alguns valores morais fundamentais e desvalorizar a instituição matrimonial.

- Considerações sobre os projetos
de reconhecimento legal das uniões
entre pessoas homossexuais

3 de junho de 2003

Diferente, porém, do que reconhece a Igreja Católica, o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) – que “enche a boca” para dizer que é católico – declarou, em entrevista à Terra TV, ser favorável ao reconhecimento da união civil de homossexuais. “Acho que o Supremo já decidiu a esse respeito, dando o direito da união civil de pessoas do mesmo sexo. (…) Sou favorável a isso. Acho que isso já está decidido, discutido.”

Não é a primeira vez que o político paulista desafia a doutrina da religião da qual diz ser adepto “praticante”. Durante as eleições de 2010, o deputado deu suporte à campanha presidencial da candidata petista, Dilma Rousseff, defensora da descriminalização do aborto. Na tentativa de maquiar a adesão do Partido dos Trabalhadores à “cultura de morte”, Chalita por diversas vezes acusou os inimigos do PT e do aborto de fazerem “boataria” contra Dilma, mesmo que vários vídeos na Internet (ver, p. ex., aqui e aqui), comprovando o abortismo da candidata, demonstrassem o contrário.

Também nesta entrevista, Gabriel Chalita chamou novamente de “boataria” a campanha anti-PT desenvolvida no período eleitoral de 2010 por cidadãos católicos. “Eu acho que foi muito feio o que aconteceu na eleição presidencial. Eu não tenho problema em responder questão de nenhuma ordem. Mas o que aconteceu na eleição presidencial (…) de repente teve um reducionismo na eleição presidencial de uma discussão religiosa que nasceu de boataria de internet.”

Gabriel Chalita é, neste ano de 2012, pré-candidato à Prefeitura do município de São Paulo.

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Leia também: Um católico a seu modo, no Fratres in Unum.

A avó do aborto, o New York Times e a manifestação na PUC

Saiu ontem no Terra: Ministra critica médicos que se recusam a fazer aborto legal. A declaração de Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para Mulheres, é mais uma amostra de como o nosso governo petista está preocupado com a dignidade da vida humana e as liberdades individuais. Para Eleonora, aqueles profissionais da saúde que, alegando objeção de consciência, se recusam a realizar o procedimento do aborto, devem ser substituídos por outrem.

De onde já se viu, não é? Uma pessoa se negar a realizar tão nobre procedimento…! Para a nova ministra, a prática é uma coisa corriqueira, daí a importância de empregar médicos e enfermeiros comprometidos, não com seus princípios humanísticos ou religiosos, mas com a agenda de morte do governo.

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No blog do Reinaldo Azevedo: New York Times publica anuncio anticatólico, mas se nega a publicar anúncio anti-islâmico. O jornal norte-americano publicou recentemente uma propaganda incentivando os católicos a deixarem sua religião. O fundamento das críticas passa pelas “duas décadas de escândalos sexuais envolvendo padres, cumplicidade da Igreja, conluio e acobertamento, da base ao topo da hierarquia”. Pago para publicar um anúncio no mesmo estilo, só que, desta vez, contra a religião muçulmana, o New York Times simplesmente acovardou-se. A blogueira e autora da proposta, Pamela Geller, comentou: “Isso mostra a hipocrisia do New York Times, a excelência do seu jornalismo e sua disposição de se ajoelhar diante da pregação islâmica”.

Pregar contra a religião cristã, imputando a ela a culpa dos maiores males da humanidade, é perfeitamente aceitável. Taxar os sacerdotes católicos de pedófilos, zombar da Cruz de nosso Senhor e até pedir para que ela seja retirada de repartições públicas e de pescoços humanos, tudo isto é bastante normal… Agora, criticar o islamismo, apontando a verdadeira guerra que a ala radical desta religião tem travado contra a liberdade, bom, isto pode trazer problemas. Eis a hipocrisia e a parcialidade com que atuam os veículos de comunicação ao redor do mundo.

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Agora, reportagem do Estadão: Alunos da PUC-SP protestam contra declarações de bispo.

No começo do mês, o Leão de Guarulhos, Dom Luiz Bergonzini, trouxe às claras algo bastante óbvio: que as universidades católicas não deveriam aceitar professores que desrespeitem a doutrina católica. “Se a PUC é da Igreja Católica, deve seguir o Evangelho e a Moral Cristã. Não pode ter em seu corpo docente professores contrariando os ensinamentos da Igreja Católica, dentro ou fora da sala de aula. É um direito de cada pessoa ter e defender as ideias que quiser. Porém, as escolas e universidades católicas não são obrigadas a admitir empregados com posições contrárias aos seus ensinamentos.”

Como reação às palavras do bispo, alguns estudantes da PUC fizeram, no dia 15, uma manifestação. Cartazes foram estendidos no chão com frases como “Sou gay”, “Se o Papa fosse mulher, o aborto seria legal e seguro”, “Pela legalização do aborto” e “Sou comunista”.

O que estes estudantes não entenderam é que a universidade na qual estudam traz em seu nome uma herança cultural avessa aos seus anseios individuais. A doutrina cristã não se coaduna nem com a ideologia gay, nem com a legalização do aborto, nem com o comunismo. A PUC é católica e deve honrar este título, queiram ou não os alunos da instituição. O que Dom Luiz Bergonzini está fazendo é simplesmente defender aquilo que a PUC de fato é – e deve lutar para ser: uma universidade comprometida com o “Evangelho”, a “Moral Cristã” e os “ensinamentos da Igreja Católica”.

Aborto e contracepção, por João Paulo II

“Para facilitar a difusão do aborto, foram investidas — e continuam a sê-lo — somas enormes, destinadas à criação de fármacos que tornem possível a morte do feto no ventre materno, sem necessidade de recorrer à ajuda do médico. A própria investigação científica, neste âmbito, parece quase exclusivamente preocupada em obter produtos cada vez mais simples e eficazes contra a vida e, ao mesmo tempo, capazes de subtrair o aborto a qualquer forma de controlo e responsabilidade social.”

“Afirma-se frequentemente que a contracepção, tornada segura e acessível a todos, é o remédio mais eficaz contra o aborto. E depois acusa-se a Igreja Católica de, na realidade, favorecer o aborto, porque continua obstinadamente a ensinar a ilicitude moral da contracepção.”

“Bem vista, porém, a objeção é falaciosa. De fato, pode acontecer que muitos recorram aos contraceptivos com a intenção também de evitar depois a tentação do aborto. Mas os pseudovalores inerentes à ‘mentalidade contraceptiva’ — muito diversa do exercício responsável da paternidade e maternidade, atuada no respeito pela verdade plena do ato conjugal — são tais que tornam ainda mais forte essa tentação, na eventualidade de ser concebida uma vida não desejada. De fato, a cultura pró-aborto aparece sobretudo desenvolvida nos mesmos ambientes que recusam o ensinamento da Igreja sobre a contracepção. Certo é que a contracepção e o aborto são males especificamente diversos do ponto de vista moral: uma contradiz a verdade integral do ato sexual enquanto expressão própria do amor conjugal, o outro destrói a vida de um ser humano; a primeira opõe-se à virtude da castidade matrimonial, o segundo opõe-se à virtude da justiça e viola diretamente o preceito divino ‘não matarás’.”

“Mas, apesar de terem natureza e peso moral diversos, eles surgem, com muita frequência, intimamente relacionados como frutos da mesma planta. É verdade que não faltam casos onde, à contracepção e ao próprio aborto se vem juntar a pressão de diversas dificuldades existenciais que, no entanto, não podem nunca exonerar do esforço de observar plenamente a lei de Deus. Mas, em muitíssimos outros casos, tais práticas afundam as suas raízes numa mentalidade hedonista e desresponsabilizadora da sexualidade, e supõem um conceito egoísta da liberdade que vê na procriação um obstáculo ao desenvolvimento da própria personalidade. A vida que poderia nascer do encontro sexual torna-se assim o inimigo que se há de evitar absolutamente, e o aborto a única solução possível diante de uma contracepção falhada.

“Infelizmente, emerge cada vez mais a estreita conexão que existe, a nível de mentalidade, entre as práticas da contracepção e do aborto, como o demonstra, de modo alarmante, a produção de fármacos, dispositivos intrauterinos e preservativos, os quais, distribuídos com a mesma facilidade dos contraceptivos, atuam na prática como abortivos nos primeiros dias de desenvolvimento da vida do novo ser humano.”

- Beato João Paulo II, Evangelium Vitae, n. 13
25 de março de 1995

A Maçonaria, que nega o inferno, constitui uma prova da sua existência

- por padre Garrigou-Lagrange, OP

http://beinbetter.files.wordpress.com/2012/03/garrigou2.jpg?w=186Ao ler a Encíclica de Leão XIII Humanum genus, de Abril de 1884 sobre a maçonaria e as obras mais objetivas sobre esta questão não é difícil descortinar o objetivo real que têm em vista.

Depois de a malícia do demônio ter dividido o mundo em dois campos – diz em resumo Leão XIII -, a verdade tem os seus defensores, e também os seus adversários implacáveis. Aí temos as duas cidades opostas de que fala Santo Agostinho: a de Deus, representada pela Igreja de Cristo, com a sua doutrina de salvação eterna; e a de Satã, com a sua revolta contínua contra a doutrina revelada. A luta entre os dois exércitos é perpétua e, desde o fim do século XVII, data do começo da franco-maçonaria, que englobou todas as sociedades secretas, as seitas maçônicas organizaram uma guerra de extermínio contra Deus e contra a Igreja. Têm por fim descristianizar a vida individual, familiar, social, internacional e, para isso, todos os seus membros se tratam como irmãos em toda a superfície do globo. Constituem uma outra igreja: uma associação internacional e secreta.

Leão XIII, ao terminar a mesma encíclica, aponta a maneira como estas seitas clandestinas se insinuam na confiança dos príncipes, com o pretexto falacioso de proteger a sua autoridade contra a dominação da Igreja. Na realidade, é para minar todo o poder, como bem prova a experiência; pois, em seguida – diz o Papa -, estes homens pérfidos lisonjeiam as multidões, mostrando-lhes uma prosperidade de que a Igreja e os reis seriam os únicos inimigos. Afinal, acabam por precipitar as nações no abismo de todos os males, nas agitações revolucionárias e na ruína geral, que apenas aproveitam a alguns oportunistas.

Este objetivo real de descristianização da sociedade apareceu a princípio, mascarado por um fim aparente. A seita não passava, na aparência, de uma sociedade filantrópica e filosófica. Mas, após os primeiros triunfos, logo depôs a máscara. Gloria-se de todas as revoluções que sublevaram a Europa, em particular, da Revolução Francesa; de todas as leis contra o clero e ordens religiosas, da laicização das escolas; da ablação do crucifixo dos hospitais e tribunais; da lei do divórcio; de tudo o que descristianiza a família e diminui a autoridade do pai, para a substituir pela de um Estado ateu. Ela segue a divisa: dividir para reinar; separar da Igreja os reis e os Estados; enfraquecer os Estados, separando-os uns dos outros, a fim de os dominar por um poder oculto internacional; preparar conflitos de classes, separando os patrões dos operários; enfraquecer e arruinar o amor da pátria; na família, separar os esposos, proporcionando-lhes o divórcio legal e sempre cada vez mais fácil, separar, enfim, os filhos dos pais, para os tornar a presa da escola chamada neutra, mas ímpia, e do Estado ateu.

No seu entender, rejeitar toda a revelação divina, toda a autoridade religiosa, equivale a contribuir para o progresso da civilização. Quer os mistérios e os milagres devem banir-se de todo o programa científico. Põem-se de parte o pecado original, os sacramentos, a graça, as orações, os deveres para com Deus, a distinção entre o bem e o mal. Reduzem o bem ao útil, toda a obrigação moral desaparece, as sanções de além-túmulo não existem. A autoridade não vem de Deus, mas do povo soberano.

A maçonaria caracteriza-se especialmente pelo ódio a Jesus Cristo. Reservam as mais requintadas blasfêmias e imprecações para atingir o seu santo nome. Chegam a procurar hóstias consagradas para as profanarem da maneira mais ultrajante. A apostasia é condição imprescindível para preencher os cargos mais elevados. Os iniciados não têm rebuço em aceitar a condenação de Jesus de Nazaré pela autoridade judiciária e em concordar com a crucifixão, como outrora os judeus endurecidos. Combate-se a Igreja católica como inimiga. A noção de Deus, tolerada ao princípio, aparece irradiada do vocabulário maçônico.

A perversidade satânica da obra aparece oculta no segredo que envolve todos os seus planos. Os principais projetos, discutidos nos comícios misteriosos, são totalmente subtraídos ao conhecimento dos estranhos e até ao de muitos filiados de categoria mais baixa. Quanto aos iniciados, quando recebidos nos graus superiores, juram nunca revelar os segredos da sociedade e eles, que se colocam como defensores da liberdade, ligam-se completamente a um poder oculto que não conhecem e cujos projetos mais recônditos jamais conhecerão. O roubo, a supressão dos documentos mais importante, o sacrilégio, o assassinato, a violação de todas as leis divinas e humanas, tudo isto lhes poderá ser imposto; deverão executar estas ordens abomináveis, sob pena de morte.

A árvore avalia-se pelos seus frutos. A raiz desta árvore má é o ódio a Deus, a Cristo Redentor e à sua Igreja. Estamos perante uma obra satânica, que, à sua maneira, prova a existência do inferno, daquele inferno que a mesma seita pretende negar.

Não admira, pois, que a Igreja tenha condenado, em várias ocasiões a franco-maçonaria, designadamente nos pontificados de Clemente XII, Bento XIV, Leão XII, Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII. O Santo Ofício, na sua circular de Fevereiro de 1871 ao episcopado, impôs mesmo a obrigação de denunciar os corifeus e os chefes ocultos destas sociedades perigosas. Não se dispensa o filho de denunciar o pai e reciprocamente. O esposo deve agir do mesmo modo para com a esposa, o irmão, para com a irmã. É o bem geral da sociedade que o exige. O motivo desta decisão do Santo Ofício baseia-se nos embustes a que recorrem as lojas, apresentando ao público nomes falsos.

A maçonaria, que é a primeira a negar o inferno, constitui, pois, pela sua perversidade satânica, uma prova da existência dele. Isso revela-se, sobretudo, nas profanações da Eucaristia, manifestamente inspiradas pelo demônio e que pressupõem a sua fé na presença real. Esta fé do demônio, como explica São Tomás (II, II, q. 5, a. 2), não é a fé infusa e salutar com humilde submissão do espírito à autoridade de Deus revelador, mas sim uma fé adquirida, que se funda somente na evidência dos milagres, vê bem que se trata de verdadeiros milagres, inteiramente diferentes dos fatos maravilhosos que ele pratica. Esta terrível profanação de hóstias consagradas, constitui, pois, à sua maneira, uma prova sensível da malícia, e portanto, do inferno a que o demônio foi condenado. O próprio demônio confirma assim o testemunho da Escritura e da Tradição, testemunho que ele desejaria negar.

Além disso, em certas ocasiões, como durante a última guerra, revela-se por vezes um ódio horrível, dir-se-ia que o inferno se entreabre debaixo dos nossos pés. Tudo isto vem confirmar a revelação: os crimes de que não há arrependimento serão punidos com uma pena eterna.

[Padre Reginald Garrigou-Lagrange em O Homem e a Eternidade, 3ª parte – O Inferno, O Inferno segundo a Sagrada Escritura]