Semana Santa com o Papa


Semana Santa no Vaticano é sempre um caso à parte. Enquanto em nossas paróquias somos obrigados a presenciar graves abusos litúrgicos, que muitas vezes tiram o foco d’Aquele que deve ser o centro de toda celebração litúrgica – nosso Senhor -, lá em Roma tudo é feito conforme as rubricas… São celebrações sempre piedosas e verdadeiramente edificantes. E, não bastasse a Missa oferecida com sacralidade, temos um Papa que sempre “arrebenta” nas homilias! Este post está sendo escrito justamente com esta finalidade: comentar as palavras do Santo Padre nas últimas celebrações desta Semana Santa.

Comecemos pela Missa Crismal na manhã da Quinta-Feira Santa. Como pontuou o crítico literário Rodrigo Gurgel, trata-se, sem dúvida, da “homilia que será lembrada para sempre”. “Mais que uma crítica clara aos que desejam revolucionar a Igreja e lutam abertamente contra a Santa Tradição e o Magistério – observou Rodrigo –, as palavras de Bento XVI são um apelo a que toda a hierarquia eclesial retome o ‘zelo das almas’.” É recomendada a leitura de TODA a homilia, porque está realmente riquíssima: Sua Santidade respondeu aos padres que redigiram, há algum tempo, um “apelo à desobediência”, pedindo ordenação de mulheres (!) e outras bizarrices modernistas; explicou que “a configuração a Cristo é o pressuposto e a base de toda a renovação”, eliminando, assim a infidelidade à Sua doutrina como suposto “caminho” para uma reforma na Igreja; e, por fim, chamou os sacerdotes a cultivarem um animarum zelus. O Papa lembrou que “[u]m sacerdote nunca se pertence a si mesmo. As pessoas devem notar o nosso zelo, através do qual testemunhamos de modo credível o Evangelho de Jesus Cristo.”

Depois, à noite, durante a Missa na Ceia do Senhor, o Santo Padre decidiu refletir um pouco no aspecto “escuro” da Quinta-Feira Santa – a agonia no Getsêmani. Ali, o Senhor ajoelha-se diante do Pai para orar.

Mas, por que fica de joelhos o Cristo? E por que devem ajoelhar-se os seguidores de Jesus ao rezar? Bento XVI dá a resposta:

“Ajoelhando-se, os cristãos entram na oração de Jesus no Monte das Oliveiras. Ameaçados pelo poder do mal, eles ajoelham: permanecem de pé frente ao mundo, mas, enquanto filhos, estão de joelhos diante do Pai. Diante da glória de Deus, nós, cristãos, ajoelhamo-nos reconhecendo a sua divindade; mas, com este gesto, exprimimos também a nossa confiança de que Ele vence.”

Mais adiante, já encerrando sua reflexão, o Papa sublinha a luta que travou o filho de Deus no horto das oliveiras; e como também, nós, cristãos, somos constantemente confrontados com este verdadeiro combate entre a vontade de Deus e a nossa vontade humana.

“Jesus diz: ‘Pai, tudo Te é possível; afasta de Mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres’ (Mc 14, 36). A vontade natural do Homem Jesus recua, assustada, perante uma realidade tão monstruosa; pede que isso Lhe seja poupado. Todavia, enquanto Filho, depõe esta vontade humana na vontade do Pai: não Eu, mas Tu. E assim Ele transformou a atitude de Adão, o pecado primordial do homem, curando deste modo o homem. A atitude de Adão fora: Não o que quiseste Tu, ó Deus; eu mesmo quero ser deus. Esta soberba é a verdadeira essência do pecado. Pensamos que só poderemos ser livres e verdadeiramente nós mesmos, se seguirmos exclusivamente a nossa vontade. Vemos Deus como contrário à nossa liberdade. Devemos libertar-nos d’Ele – isto é todo o nosso pensar –; só então seremos livres. Tal é a rebelião fundamental, que permeia a história, e a mentira de fundo que desnatura a nossa vida. Quando o homem se põe contra Deus, põe-se contra a sua própria verdade e, por conseguinte, não fica livre mas alienado de si mesmo. Só somos livres, se permanecermos na nossa verdade, se estivermos unidos a Deus. Então tornamo-nos verdadeiramente ‘como Deus’; mas não opondo-nos a Deus, desfazendo-nos d’Ele ou negando-O. Na luta da oração no Monte das Oliveiras, Jesus desfez a falsa contradição entre obediência e liberdade, e abriu o caminho para a liberdade.”

Por fim, por ocasião da tradicional Via-Sacra no Coliseu, Sua Santidade falou da verdadeira via crucis que enfrentam as famílias modernas, encontrando em seu caminho problemas que ameaçam a sua estrutura e estabilidade. O conselho de Bento XVI enfatizou a necessidade da união do sofrimento das famílias ao sofrimento de Cristo na Cruz. “Se forem vividos com Cristo, com fé n’Ele, os dias de tribulação e de prova trazem já dentro de si a luz da ressurreição, a vida nova do mundo ressuscitado, a páscoa de todo o homem que crê na sua Palavra.”

O Ecclesia Una está unido a todos os católicos esperando a gloriosa Ressurreição de Cristo e aguardando os próximos discursos do Santo Padre. Desejamos, desde já, uma feliz Páscoa a todos os visitantes deste espaço! ;)

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

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Quem também aderiu à Reforma da Reforma, celebrando com piedade o Santo Sacrifício da Missa, foi a Canção Nova! Confira as fotos da Missa in Coena Domini no Salvem a Liturgia!.