Livro de religiosa norte-americana é reprovado pela Santa Sé

Foi o papa Paulo VI quem “aboliu” o famoso Index Librorum Prohibitorum – a lista de livros condenados pela Igreja como contrários à Fé. Não foi extinto, porém, o trabalho de examinar e emitir parecer sobre algumas obras escritas por autores aparentemente “católicos”, supostamente idôneos. Vez ou outra a Congregação para a Doutrina da Fé aparece para fazer justiça e reprovar alguns livros cujo conteúdo não condiz com a fé apostólica e com o Magistério católico. Já foram alvo do crivo romano vários escritores, como o jesuíta e teólogo da libertação Jon Sobrino; sem falar da memorável crítica do então cardeal Joseph Ratzinger à obra “Igreja: Carisma e poder”, do heresiarca Leonardo Boff.

Não, ninguém está proibido de ler as obras proscritas pela Santa Sé – os livros de Boff são vendidos aos montes nas livrarias brasileiras, a propósito. Mas é preciso ficar bem claro que a “Congregação tem o dever de promover e tutelar” a “sã doutrina da fé”, coisa que infelizmente muitos teólogos “católicos” se esquecem de fazer.  Promover e tutelar a doutrina da fé deveria ser a primeira preocupação dos autores cristãos. E o significado disto é óbvio: a mensagem de Cristo exige fidelidade. Antes de subir aos céus, Jesus pede que os seus discípulos ensinem as nações “a observar tudo o que vos prescrevi” (Mt 28, 20). Atenção: observar tudo o que o Senhor prescreveu – sem mutilações, sem adaptações que deturpem a essência do Evangelho.

Mais uma vez a Congregação para a Doutrina da Fé fez o seu papel de zelar pela Fé, pela mensagem evangélica. A condenação é do livro de uma irmã norte-americana, Margaret Farley. A obra Just Love. A Framework for Christian Sexual Ethics (“Só Amor. Um marco para a ética sexual cristã”) simpatiza com a masturbação, com as uniões homossexuais e até com o divórcio! “O sentido de um compromisso permanente – escreve a religiosa – é ademais exatamente aquele de vincular a despeito de todas as mudanças que podem aparecer. Mas é possível de sustentá-lo sempre? É possível sustentá-lo apesar de mudanças radicais e imprevistas? A minha resposta é: às vezes não é possível. Às vezes a obrigação pode ser desfeita e o compromisso pode ser legitimamente modificado.”

A nota publicada no site da Santa Sé explica que já havia sido enviada uma carta à irmã Farley, “indicando os problemas doutrinais presentes no texto”, só que a resposta da escritora “não foi suficiente para esclarecer os problemas indicados”. Ao fim do texto, a Congregação para a Doutrina da Fé alerta que o livro de Farley “não é conforme à doutrina da Igreja e portanto não pode ser utilizado como válida expressão da doutrina católica nem para a direção espiritual e formação, nem para o diálogo ecumênico e inter-religioso”.

Intolerância do Vaticano? Sim, intolerância, sadia intolerância católica. Porque com a Fé não se brinca.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!