O estilo das declarações polêmicas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) nunca me agradou. Era uma personagem que me parecia muito séria, até confessar em rede nacional que já praticou zoofilia (isto já não é coisa que se faça, muito menos que se reconheça em um programa de televisão). Por outro lado, na luta contra a concessão de privilégios indevidos ao movimento LGBT, é preciso reconhecer que, mais do que ninguém, ele tem sido muito atuante.
Nesta semana, Bolsonaro participou do programa “A Liga”, da rede Bandeirantes. O tema do programa era justamente a Parada Gay – no último domingo a Avenida Paulista recebeu mais uma edição do evento (ao menos este ano não penduraram nas ruas nenhum cartaz zombando da fé católica). A entrevista do deputado rendeu vários comentários no Twitter, sendo que seu nome ficou em 1º lugar nos Trending Topics Brasil por um tempo considerável.
Gostaria de fazer alguns adendos importantes às falas do deputado. Antes de mais nada, é bom esclarecer que não concordamos com tudo o que foi dito; mas, sim, falar mal do movimento gay é “politicamente incorreto”, as passeatas de orgulho gay estão recheadas de desrespeito, a sociedade brasileira é, em sua maioria, conservadora, a adoção de crianças por pares homossexuais não é direito coisa nenhuma e, por fim, as uniões homossexuais não podem ser equiparadas à família formada por um homem e uma mulher.
Em determinado momento da entrevista, o repórter pergunta a Bolsonaro se ele acha que o dinheiro público que financia a Parada Gay é um investimento “para apoiar a diversidade ou (…) para apoiar um evento cultural, que traz muitas divisas para o Estado”. O deputado responde imediatamente: “Que cultura?” Fazemos coro: que cultura? A cultura do vilipêndio religioso e do deboche anticlerical? A cultura da promiscuidade sexual e da “desconstrução da heteronormatividade”? A propósito, quanto à suposta cultura promovida por esse pessoal, é bom que os brasileiros tomem conhecimento do que acontece, p. ex., na Parada Gay de São Francisco, nos Estados Unidos. Lá os militantes homossexuais têm um concurso chamado Hunky Jesus Contest (“Concurso do Jesus Sensual”). Algumas pessoas se caracterizam com roupas da época dos Apóstolos e blasfemam contra nosso Senhor, fazendo gestos obscenos e exibindo suas partes íntimas. Disto ninguém fala. Este tipo de “evento cultural” ninguém reporta. É muito cômodo pintar estas passeatas de orgulho gay como uma marcha de apoio à diversidade, de luta contra preconceito, quando, na verdade, o que está por trás dessas manifestações é a busca de benefícios políticos e o ódio à cultura judaico-cristã – que é a base da Civilização Ocidental.
Outro ponto importante, com relação ao tema da adoção de crianças por pares homossexuais; foi publicado um artigo interessante no site da Juventude Conservadora da UnB, sobre estudos que estão sendo desenvolvidos para analisar como se comportam jovens que conviveram na infância em um ambiente “homoafetivo”. A princípio, as pesquisas não indicavam nenhum problema específico, mas o assunto voltou à tona e os resultados são outros. “Qualquer filho de duas pessoas do mesmo sexo sentirá falta de pelo menos um de seus pais biológicos e provavelmente experimentará alguma instabilidade em mudar da díade biológica para qualquer arranjo que a substitua”, reporta Charles Cooke, do National Review. “De fato, a maior conclusão do relatório não é de que famílias homossexuais sejam negativas, mas mais uma afirmação de que famílias biológicas intactas são positivas.”
Em defesa da família tradicional não está só a Juventude Conservadora da UnB, ou só o deputado Bolsonaro. Parcela esmagadora da sociedade brasileira é contra o casamento gay, contra esta tentativa esdrúxula de equiparar relacionamentos homossexuais ao matrimônio estabelecido entre um homem e uma mulher.
Nós sabemos: Jair Bolsonaro não é o melhor representante do conservadorismo no Brasil, mas a defesa que faz da família é um trabalho digno de menção.
* * *
Leia mais: Família e referenciais de gênero, no blog Contos do Átrio.