A consagração a Nossa Senhora e os dogmas marianos dos últimos séculos


Começa a III Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria.

Nesta última quarta-feira (15), a Igreja celebrou a solenidade da Assunção da bem-aventurada Virgem Maria ao Céu. Patrimônio de fé dos cristãos desde os primeiros séculos da Igreja, a plena participação de Nossa Senhora no mistério da ressurreição foi proclamada dogma pelo venerável Papa Pio XII, há mais de 60 anos.

Uma proclamação de dogma não é uma definição arbitrária, ou, como os protestantes comumente se referem ao Magistério e à Tradição católica, uma “decisão humana”. Uma definição dogmática é, sobretudo, como já dito, um “patrimônio”. Aquilo que os Papas estabelecem, com a inspiração do Espírito Santo, em declarações solenes, não passa a ser verdade a partir da proclamação dogmática. O Pontífice Romano apenas sublinha um ponto de fé no qual os cristãos de todos os tempos já acreditavam. Assim, a Assunção de Nossa Senhora, bem como sua Imaculada Conceição, ou a sua maternidade divina, já eram verdades da Igreja bem antes de serem proclamadas como dogmas. Por exemplo, bem antes do Concílio Vaticano I, Santo Afonso de Ligório já fazia menção ao fato de que Maria fora preservada do pecado original. Antes de o Papa estabelecer como dogma a virgindade perpétua de Nossa Senhora, São Jerônimo já a defendera diante dos questionamentos de um herege de seu tempo. Ou seja, todas estas verdades sobre Nossa Senhora sempre foram crença comum dos fiéis, mas o Espírito Santo escolheu momentos específicos da história para contemplar a Igreja com uma maior promoção e defesa destes artigos de nossa Fé.

Depois da redação do famoso Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luís de Montfort, vieram à Igreja dois dogmas marianos. Alguns anos após o início da promoção da consagração a Nossa Senhora pelo método montfortiano, o Papa Pio IX, com a bula Ineffabilis Deus, deu à Igreja um presente de valor incomensurável: o dogma da Imaculada Conceição da Virgem. Considerando o poder que traz esta decisão de ser escravo de Nossa Senhora, considerando a força que a Virgem – que esmaga a cabeça da serpente – concede aos seus servos, para que lutem em defesa da Igreja e das virtudes, considerando o auxílio sempre providencial da Santíssima Mãe de Deus, especialmente nos momentos mais tenebrosos da história, destruindo as heresias, derrotando o demônio e fortalecendo seus filhos, não podemos deixar de ver uma ligação muito forte entre estes fatos, a saber: a prodigiosa propagação da consagração à Virgem pelo método de São Luís de Montfort, e a proclamação dos dogmas marianos da Imaculada Conceição, e da gloriosa Assunção de Nossa Senhora aos céus. Não resta dúvidas de que, pela agradável oferenda total de si mesmos a Jesus Cristo, os escravos da Imaculada deram à Igreja estas pérolas que enfeitam nossa doutrina, nossa Liturgia e nossos altares.

Se é tão poderosa assim esta forma de consagração, e se tantos Santos e bem-aventurados não hesitaram em doar-se inteiramente a Deus pelas mãos da Mãe da Providência, está mais do que clara a necessidade que todos nós temos de consagrar-nos a Ela.

Está começando a III Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria. É tempo de ler e estudar o Tratado, de reunir os grupos de fiéis que desejam fazer a consagração, de promover esta bela devoção entre os católicos de nossa nação. A consagração em massa deve acontecer em 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, ocasião oportuna também para os já consagrados renovarem sua aliança de amor com a Virgem.

Que neste ano de 2012, durante o qual festejamos 300 anos do Tratado de São Luís, sigamos com perseverança na estrada rumo ao triunfo… Ao triunfo do Imaculado Coração de Maria. É Ela mesmo que caminha conosco, trazendo-nos a presença amorosa de nosso Senhor, e a esperança de um dia gozarmos eternamente de Sua glória no Céu. Sigamos, pois, animados por esta doce verdade, e também pela afável proteção desta bela Senhora.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Um comentário sobre “A consagração a Nossa Senhora e os dogmas marianos dos últimos séculos

  1. Antes dos católicos do Ocidente, os católicos orientais já festejavam a festa da Dormição de Nossa Senhora. Mas ´´e fato de todos conhecido, que quando o Papa proclama um dogma, ele o faz de acordo com o Magisterio da Igreja, pelo fato de a crença dogmatizada ser um patrimônio de fé antigo da Igreja. E nada mais normal do a Virgem Santíssima ter sido levada ao céu em corpo e alma, visto que ela trouxe em seu ventre o Criador do Universo, e Ele certamente não iria permitir que o corpo daquela que concretizou a encarnação se transformasse em pó, como ocorre a todos nós.

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