Dom Aquino de fibra: “Deve bastar a um católico a palavra da Igreja ou do Papa”.

Publicamos recentemente neste espaço algumas considerações de um bispo mato-grossense do século XX sobre a intolerância católica. O homem de coragem de quem falávamos na ocasião é Dom Francisco de Aquino Corrêa. Ele foi arcebispo de Cuiabá durante um período conturbado da história mundial – administrou a diocese da capital durante a Segunda Grande Guerra -, sendo sempre um homem de extrema fidelidade à Igreja e ao Santo Padre, o Papa. Grande orador e escritor, foi o primeiro mato-grossense a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Em Cuiabá, o nome de Dom Aquino Corrêa é bastante conhecido; entretanto, não se pode falar o mesmo de sua obra. Por isso, o nosso apostolado deseja levar adiante um trabalho para maior conhecimento e propagação das magníficas letras escritas e pronunciadas por este ilustríssimo membro do episcopado brasileiro.

Vivemos tempos tenebrosos, em que as nuvens escuras de uma teologia avessa aos valores do Evangelho cobrem a Igreja brasileira e sufocam a esperança de muitas vocações sacerdotais. Por isso é importante que apeguemo-nos a figuras zelosas, personagens bravas, que colocavam a obediência a Cristo acima dos respeitos do mundo. Dom Aquino Corrêa foi, sem dúvida, um destes homens extraordinários, que trazem alento e novo fulgor à Igreja. Também em nossa época, possamos redescobrir o tesouro da Fé exposto nos discursos e escritos de Dom Aquino – um homem de fibra.

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“Deve bastar a um católico a palavra da Igreja ou do Papa, para tirar-lhe toda a dúvida: Roma locuta, causa finita. Mesmo que não se trate de artigos de fé, não se discute. A Igreja e o Papa enxergam muito mais, e muito mais sabem do que nós, inspirados como são, em maneira toda peculiar, pelo Espírito Santo.”

“Dizemos isto, particularmente com referência a certas sociedades condenadas pela Igreja, e às quais, por conseguinte, não pode filiar-se o católico. Algumas dessas sociedades, como o protestantismo, não enganam o católico. São eles, os protestantes, os primeiros a não quererem ser, nem parecer católicos, e nisto se mostram muito lógicos e coerentes, dignos de louvor. Assim é que nunca se viu nenhum deles apresentar-se para padrinho de Batismo ou de Crisma, nem serem reclamados para eles, depois da morte, os sufrágios religiosos e públicos do catolicismo.”

Outras sociedades, porém, como a maçonaria, o espiritismo etc., embora saibam que são reprovadas pela Igreja Católica, insistem em fazer crer que os seus membros possam continuar como bons católicos. E muitos se deixam iludir e ilaquear. Já se viu maior contrassenso? Nem a maçonaria, nem o espiritismo, nem sociedade alguma tem competência para julgar o que pode ou não pode fazer um católico, sem faltar à fidelidade para com a Igreja. O católico, que se inscreve em semelhantes associações, deve, para ser leal e sincero, renunciar aos seus direitos nessa Igreja, a quem não mais reconhece por mãe, a quem desobedece, a quem ipso facto repudia solenemente.”

“Ou a Igreja é o que diz ela ser, única arca de salvação, ou não é: se é, faz-se mister obedecer-lhe em tudo; se não é, por que teimar em pertencer a uma Igreja, que, na hipótese, seria a maior impostura, que jamais existiu em todo o mundo e em todos os séculos?”

(…)

“Não se pode servir a dois senhores: força é escolher entre a Igreja e a maçonaria, entre a Igreja e o espiritismo, entre a Igreja e quaisquer associações por ela excomungadas. Assim já procederam muitos, que, afinal, morreram, tranquilos, no seio maternal da Igreja. Porquanto, isso de claudicar para dois lados, como dizia o profeta Elias, ora com o Deus verdadeiro, ora com Baal; ou como dizemos nós, acender uma vela a Deus e outra ao diabo, é o caminho mais seguro da perdição eterna.”

[Dom Aquino Corrêa, 15 de agosto de 1948. Cartas Pastorais, vol. III, tomo II. Testamento do Vosso Arcebispo. pp. 300-301. Brasília, 1985.]

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No tempo de Dom Aquino Corrêa, o católico que se filiasse às seitas maçônicas, estava excomungado da Igreja. A pena de excomunhão não é mais prevista no novo Código de Direito Canônico, de 1983; mas “permanece (…) imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas”, estando em pecado mortal os fiéis que pertencem a estas seitas. Ou seja, catolicismo e maçonaria continuam incompatíveis. Portanto, a crítica severa de Dom Aquino permanece, em toda sua atualidade… e rigidez.

Neymar é capa de revista esportiva… no corpo de Cristo crucificado.

Ganhe a fama de ­“cai-cai” do futebol brasileiro… e seja comparado a Jesus Cristo. Parece ter sido esta a receita usada pelo pessoal da Placar para confeccionar a capa da edição de outubro da revista. A arte da capa conta com uma imagem do jogador de futebol do Santos, Neymar, crucificado – em uma referência explícita ao carpinteiro de Nazaré.

O diretor de redação da revista esportiva, Maurício Barros, falou à imprensa sobre a questão. “Tomamos essa expressão como método de execução pública dos tempos antigos. A metáfora é com o método. Não há nenhuma intenção de se fazer uma alusão religiosa. (…) Neymar não está retratado como Jesus Cristo, nem de longe.”

A crucificação de nosso Senhor, de Velázquez.

As declarações de Maurício Barros são uma verdadeira válvula de escape. A imagem utilizada na capa da revista foi montada a partir da famosa obra do pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660), de nome “Crucifixão” (e quem está retratado na pintura é justamente Jesus de Nazaré). Basta observar os detalhes dos pés e das mãos no quadro, para identificar a analogia. E, mesmo que a metáfora fosse com o método de execução – o que não parece ser o caso -, no Ocidente a crucifixão está intimamente à figura de nosso Senhor Jesus Cristo. Não tem como dissociar as duas realidades. Os chiliques laicistas para tirar crucifixos de repartições públicas o demonstram.

Mas, como não poderia deixar de ser, a redação da Placar publicou uma nota, em reação à receptividade negativa da arte ultrajante. “Em nenhum momento foi intenção da revista ferir a religiosidade de ninguém.” Difícil de acreditar. Mas, mesmo não tendo sido esta a intenção, a imagem feriu, sim, a religiosidade dos cristãos deste país. Especialmente dos católicos, que dedicam até mesmo festas em honra da Cruz de Cristo, do madeiro pelo qual nos veio a salvação.

Esperamos, com sinceridade, que os pedidos de desculpas da redação da revista sejam acompanhados pela confecção de uma capa menos ridícula, mais respeitosa. E que voltem a publicar fotomontagens blasfemas só quando tiverem a coragem de brincar com Maomé e com a fé dos muçulmanos.

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Em tempo: assinem o abaixo-assinado “contra a afronta da capa feita pela Revista Placar, edição de outubro”.

Leia também: Nota de repúdio ao uso da imagem de Cristo em capa de revista esportiva, assinada pelos bispos da CNBB.

Sinfonia 2ª de Beethoven

“Cantate Domino canticum novum” (Sl 96,1)

Com estas palavras do salmista gostaria de dar continuidade às meditações das sinfonias de Beethoven, iniciadas a uns dias atrás.

A segunda sinfonia em Ré Maior, Op. 36 foi composta entre os anos de 1801 e 1802, em Heiligenstadt, quando Beethoven começava a evidenciar os primeiros sinais de sua surdez, o que levou-o a uma profunda depressão. Ela foi dedicada ao príncipe Kar Lichnowsky. Data-se também desta época, de fim de verão, o “Testamento” beethoviano, que embora fosse repleto de angústia e desespero, não se deixou transparecer na composição desta segunda sinfonia.

É evidente na segunda sinfonia o espírito de alegria que ela traz consigo. As palavras de São Paulo certamente circundaram a vida do grande compositor, para que não se abatesse e não perdesse a sua esperança. A certeza do auxilio do Senhor era-lhe certa. Ele não se desespera: Alegrai-vos sempre no Senhor (Fl 4,4), nos diz Paulo.

Sim, o homem temente a Deus carrega consigo a certeza da Sua alegria e do Seu apoio. Nele não está tudo acabado, entre à sorte daquele que é perverso e mal em sua natureza, mas é garantia de que as dores nos aproximam de Deus, que, embora soframos, o amor de Deus não diminui.

A sinfonia foi originalmente orquestrada para 2 flautas, 2 oboés, 2  clarinetes em lá, 2 fagotes, 2  trompas em ré e mi, 2 trompetes em ré, tímpanos e cordas.

No terceiro movimento é perceptível a substituição do tradicional Menuetto pelo Scherzo. Muitos foram os críticos que ficaram perplexos com tais mudanças. A sinfonia estreou no dia 5 de abril de 1803

Os movimentos dividem-se da seguinte forma:

  1. Adagio molto – Allegro com brio
  2. Larghetto
  3. Sherzo: alegro
  4. Allegro molto

O primeiro movimento desenrola-se na forma de uma sonata e assemelha-se à primeira sinfonia. Podemos encontrar também traços característicos da música folclórica, muito presente na Sinfonia Pastoral do músico. O terceiro é um quarteto Sherzo (que substitui o Menuetto). E o ultimo movimento é marcado pela rapidez e vivacidade que findam, assim, a composição.

Não temos nenhuma referência do manuscrito desta sinfonia, como também não o temos da primeira; o que nos restam apenas são esboços.

Pensemos que cada sinfonia de Beethoven é um aprofundamento, uma renovação, um acréscimo, uma melhora. E o faz o compositor com total cuidado e delicadeza que não venha a perder a estrutura essencial de sua música.

Nesta sinfonia é relevante a introdução mais longa que a primeira, mas com menos duração que as vindouras, visto que o aprimoramento deu-se a cada sinfonia, e por isso podemos também observar um dos aspectos que caracterizam sua sinfonia. E o segundo movimento desta sinfonia caracteriza-se por ser o mais longo andamento lento das sinfonias beethovianas.

O terceiro movimento é inusitado em si próprio. Ele rompe com a existência de um menuetto e introduz um Sherzo alegro. Algo que gerara uma certa surpresa por parte dos conhecedores da música.

O quarto andamento conclui com uma vivacidade impressionante, uma energia que contagia mesmo os ouvintes. Na época era algo realmente inusitado, inovador, marcado pela irreverência do grande compositor, talvez um como a história nunca mais verá, que marca a música clássica e os corações dos seus apreciadores.

Vai votar? Conheça os três princípios inegociáveis pelos cristãos na discussão política.

As eleições se aproximam, e ainda tem muita gente indecisa, pensando em quem vai votar. O nosso apostolado não tem nenhum candidato a indicar, mas o ensinamento da Igreja leva em conta alguns aspectos que vale a pena sublinhar. É o que vamos fazer nesta postagem. Afinal, quais são os valores pregados pela Igreja e dos quais não podemos, em situação alguma, abrir mão?

Durante um Congresso organizado pelo Partido Popular Europeu, ainda em 2006, no início de seu pontificado, Bento XVI lembrou os católicos dos valores inegociáveis na vida política – e que devem ser considerados por todos os cidadãos (especialmente os cristãos) na hora de votar. Destacamos:

“No que se refere à Igreja Católica, o interesse principal das suas intervenções no campo público é a tutela e a promoção da dignidade da pessoa e, por conseguinte, ela chama conscientemente a uma particular atenção aos princípios que não são negociáveis. Entre eles, hoje emergem os seguintes:”

“tutela da vida em todas as suas fases, desde o primeiro momento da concepção até à morte natural;”

“reconhecimento e promoção da estrutura natural da família, como união entre um homem e uma mulher baseada no matrimônio, e a sua defesa das tentativas de a tornar juridicamente equivalente a formas de uniões que, na realidade, a danificam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu caráter particular e o seu papel social insubstituível;”

“tutela do direito dos pais de educar os próprios filhos.”

“Estes princípios não são verdades de fé mesmo se recebem ulterior luz e confirmação da fé. Eles estão inscritos na natureza humana e, portanto, são comuns a toda a humanidade. A ação da Igreja de os promover não assume, por conseguinte, um caráter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, prescindindo da sua filiação religiosa. Ao contrário, esta ação é tanto mais necessária quanto mais estes princípios forem negados ou mal compreendidos porque isto constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma grave ferida infligida à própria justiça.”

- Papa Bento XVI, Discurso durante Congresso do Partido Popular Europeu
30 de março de 2006

Os princípios apresentados pelo Santo Padre são três: o primeiro diz respeito à “tutela da vida em todas as suas fases”; condena, portanto, a descriminalização do aborto, da eutanásia, ou o uso arbitrário da vida humana para manipulação genética. Este ponto se sobressaiu durante as eleições de 2010, quando o compromisso político do Partido dos Trabalhadores com a legalização do aborto no Brasil foi trazido a público. Os debates intensos em torno do abortismo da então candidata Dilma Rousseff foram importantes para mostrar aos políticos brasileiros que o povo brasileiro é majoritariamente contrário à prática do aborto. Este ano, continua valendo a regra de votar em candidatos comprometidos com a vida. – São só representantes municipais do Legislativo e Executivo! – Não há problema. Interferem diretamente na vida pública de nossas cidades. Se não conseguem sequer valorizar a dignidade da vida nascente, como vão lutar pelos demais interesses da população? Estes candidatos comprometidos com a morte não merecem a nossa aprovação, muito menos o nosso voto.

O segundo princípio inegociável apresentado por Bento XVI diz respeito à integridade da família tal como ela foi idealizada por Deus, ou seja, “como união entre um homem e uma mulher”. Condena-se, aqui, o reconhecimento das uniões homossexuais – ou mesmo as ingerências de alguns para facilitar o processo do divórcio civil. Mas as palavras do Papa neste discurso dirigem-se especificamente ao tópico dos relacionamentos homoafetivos. Não se trata – o Papa é claro – de uma posição religiosa, de uma “verdade de fé”; trata-se de um princípio inscrito na natureza humana. Daí a possibilidade prática de que todos a defendam, independente de sua profissão religiosa. De fato, a maioria da população brasileira tem consciência de que a família não pode ser “redefinida” ou modelada de acordo com os interesses de um grupo ou movimento social. E ninguém precisa ser católico para saber que confusão isto poderia provocar futuramente.

Por fim, o Papa fala do “direito dos pais de educar os próprios filhos”. Segundo os seus próprios princípios! Contrasta com a situação de nosso país, quando o Estado deseja ensinar às crianças o estilo de vida homossexual, por meio de programas educacionais estranhamente arbitrários.

Qualquer campanha política que apresente propostas que, de alguma forma, firam estes três princípios inegociáveis, precisa ser rechaçada, especialmente pelos católicos. Afinal, é este o interesse da Igreja na vida pública: “a tutela e a promoção da dignidade da pessoa”. Este deve ser o nosso interesse fundamental no debate político: o apreço pela vida humana – seja pela vida do nascituro, seja pela vida dos mais fracos, que pelejam em leitos de hospital. O direito à vida é irrenunciável. Como ensinava o bem-aventurado João Paulo II, “sobre o reconhecimento de tal direito é que se funda a convivência humana e a própria comunidade política” (Evangelium Vitae, n. 2).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Jornalista “cutuca” e Russomanno se irrita: “Vamos falar sobre São Paulo?”

Em entrevista concedida à Rede Globo, o candidato do PRB à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, ficou irritado: ele interrompeu a conversa quando o jornalista César Tralli perguntou sobre as recentes críticas feitas pela Igreja Católica paulista à ligação entre ele e a Universal do Reino de Deus. Abaixo o vídeo da entrevista (o candidato fica nervoso aos 3min).

E, pelo visto, a relação entre Russomanno e a Igreja Católica está longe de ser amistosa. Em recente debate eleitoral organizado pela Arquidiocese de São Paulo, o candidato do PRB não compareceu; e foi criticado por seu adversário do PMDB, Gabriel Chalita – o mesmo que apoiou o PT nas últimas eleições e se manifestou favorável à união civil homossexual. “É um candidato sem proposta nenhuma, que nem veio aqui hoje”, atacou Chalita, durante o debate.

Enquanto isso, uma pesquisa divulgada hoje (25) pelo Ibope mostra Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo, em vantagem sobre José Serra, do PSDB. Celso Russomanno continua na frente.

Escândalo: Missa pelo “Dia do Maçom” em Pernambuco

A notícia é de um mês atrás, mas vale a pena tecer alguns comentários sobre a Missa celebrada, na Diocese de Pesqueira, pelo “Dia do Maçom”. No dia 20 de agosto, o padre Geraldo de Magela Silva, pároco na cidade de Belo Jardim, Pernambuco, celebrou a Liturgia, rezando por uma intenção nada convencional: foi comemorado, durante a celebração, o Dia do Maçom.

O fato repercutiu em todo o Brasil e houve uma repulsa generalizada pela atitude do padre pernambucano. Com razão, já que a Igreja Católica sempre condenou a filiação de seus fiéis à Maçonaria. Uma declaração de 1983, assinada pelo então Cardeal Joseph Ratzinger – hoje Papa Bento XVI, gloriosamente reinante –, apontava que:

“Permanece (…) imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.”

Trocando em miúdos, católico não pode ser maçom. Esta iniciativa de realizar uma celebração pelo “Dia do Maçom” é completamente absurda, pois tenta criar na Igreja a simpatia por uma festividade cujo cerne é totalmente alheio à sua doutrina e à sua moral. E essa condenação não se trata – como muitos “defensores dos oprimidos e excluídos” poderiam alegar – de falta de misericórdia ou de radicalismo. Os maçons têm sua visão particular de Deus, da verdade e da moral: que pratiquem sua religião e cultuem o “Grande Arquiteto do Universo” em suas lojas! O que não pode acontecer é que, por imprudência e desobediência de alguns pastores, o deísmo e relativismo maçônicos sejam acolhidos no seio da Igreja, como se as duas visões antagônicas de mundo pudessem conviver harmonicamente; como se não fosse incoerente servir ao mesmo tempo a Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo, e a um facilmente modelável “arquiteto”. Antes de qualquer coisa, o compromisso dos católicos deve ser com a Verdade. E – esta é a verdade – o catolicismo não é compatível com a filosofia maçônica.

Rezemos. Para que cessem os desrespeitos pela Sagrada Liturgia; para que cessem as desobediências ao Evangelho de Nosso Senhor. E que pelo menos Seus ministros defendam a Sua Igreja.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Papa aos jovens do Líbano: “Sede mensageiros do Evangelho da vida”.

As frustrações presentes não devem levar-vos a buscar refúgio em mundos paralelos, como por exemplo o mundo das drogas de todo o tipo ou o mundo triste da pornografia. Quanto às redes sociais, são interessantes mas podem, com facilidade, levar-vos à dependência e à confusão entre o real e o virtual. Procurai e vivei relações ricas de amizade verdadeira e nobre. Cultivai iniciativas que deem sentido e raízes à vossa existência, lutando contra a superficialidade e o consumismo fácil. Estais de igual modo sujeitos a outra tentação: a do dinheiro – este ídolo tirânico que cega até ao ponto de sufocar a pessoa e o seu coração. Infelizmente os exemplos que vedes em redor não são sempre dos melhores. Muitos esquecem-se da afirmação de Cristo: não se pode servir a Deus e ao dinheiro (cf. Lc 16, 13). Procurai bons mestres, guias espirituais que saibam indicar-vos o caminho para a maturidade, pondo de lado o que é ilusório, aparência e mentira.”

(…)

Sede os mensageiros do Evangelho da vida e dos valores da vida; resisti corajosamente a tudo o que a nega: o aborto, a violência, a rejeição e o desprezo do outro, a injustiça, a guerra. Deste modo, propagareis a paz ao vosso redor. No fim de contas, não são os ‘obreiros da paz’ aqueles que mais admiramos? E não é a paz o bem precioso que toda a humanidade procura? Porventura não é um mundo de paz aquilo que mais profundamente desejamos para nós e para os outros? ‘Dou-vos a minha paz’: disse Jesus. Ele venceu o mal não com outro mal, mas tomando-o sobre Si e aniquilando-o na cruz com o amor vivido até ao fim. Descobrir verdadeiramente o perdão e a misericórdia de Deus permite sempre recomeçar uma nova vida. Não é fácil perdoar; mas o perdão de Deus dá a força da conversão, e a alegria de, por nossa vez, perdoar. O perdão e a reconciliação são caminhos de paz, e abrem um futuro.”

- Papa Bento XVI, Encontro com os jovens do Líbano
15 de setembro de 2012

Universal do Reino de Deus associa promoção do “kit gay” à Igreja Católica

O presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB) é o pastor Marcos Pereira, da comunidade protestante Universal do Reino de Deus. Em maio de 2011, o líder evangélico publicou em seu blog, no site de notícias da Record, um artigo associando a promoção do “kit gay” à Igreja Católica (!). No texto, de título “Qual o futuro da educação no Brasil?”, Pereira comenta que “obrigar os menores brasileiros a estudarem um suposto material didático que incentiva a prática da homossexualidade e entenderem isso como algo normal, é, sem dúvida, a imposição da ditadura das minorias”. No fim do texto, porém, a culpa do projeto, de iniciativa do Ministério da Educação, é imputada à Santa Sé. “Até quando o Vaticano terá o controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal? Até quando o Brasil do século 21 continuará se curvando às ‘batinas púrpuras’ de Roma?”

Nem é preciso dizer que o conteúdo deste texto é absurdo. É um artigo mentiroso, produzido com a finalidade clara de ofender a Fé católica, de abusar da Igreja. E vindo justamente de um líder – vejam só! – de uma das comunidades pentecostais mais corrompidas e sujas da América Latina: a Universal “do Reino de Deus”. As aspas são propositais. Porque, definitivamente, não é possível falar de “Reino de Deus” quando, aliados a um discurso de fé em Jesus e na Sagrada Escritura, vêm a defesa da descriminalização do aborto e o culto a Mamon, deus do dinheiro.

A Arquidiocese de São Paulo, tomando consciência da existência deste artigo escandaloso, emitiu uma nota de repúdio ao texto, lembrando inclusive que, este ano, o PRB lançou Celso Russomanno como candidato à Prefeitura do município. Os termos usados para repudiar o texto do presidente do PRB são fortes: “clara demonstração de destempero”, “ataques (…) gratuitos, infundados e ridículos”, “posicionamentos ridículos, confusos, desrespeitosos e sem fundamento algum”, “elucubrações fantasiosas”, entre outros. Por fim, diz a nota, “atribuir o malfadado ‘kit gay’ e os males da educação no Brasil à Igreja Católica não faz nenhum sentido e cheira a intolerância religiosa”.

As reações à nota foram imediatas. Celso Russomanno mesmo se mostrou disposto a dialogar com Dom Odilo Scherer. Um esclarecimento posterior da mesma Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de São Paulo notifica que “a Igreja Católica não trouxe a questão para o contexto eleitoral”.

Mas, é claro que não. Uma ofensa deste teor deve ser respondida, independente do período em que se toma conhecimento dela. Agora, que o partido de Russomanno e a Universal do Reino de Deus andam lado a lado, não é preciso investigar muito para saber. E também é do conhecimento de todos o compromisso da comunidade do “bispo” Macedo com a agenda da “cultura de morte” em nosso país… “Cristãos” que nem respeito pela dignidade da vida humana têm. E ainda querem apontar o dedo e julgar a bimilenar Igreja Católica. Risível.

Quando dão mais valor a um cachorro que à vida de uma criança…

Não é de hoje que acusam a Igreja Católica de atrasar o “progresso da humanidade”, de ser “inimiga da ciência” ou de impedir o avanço da democracia… São acusações injustas. É verdade que defendemos valores e preceitos antiquíssimos – herança apostólica, coisa que só mesmo a Sé de Pedro preservou integralmente ao longo dos últimos milênios -, o que não significa que a religião cristã está “fora de moda” e, portanto, sem aplicação prática nos tempos hodiernos. Não. A sociedade moderna precisa mais do que nunca do Evangelho de Cristo e da pregação da Igreja Católica.

É esta a conclusão a que chegamos quando tomamos conhecimento dos verdadeiros propósitos desta reforma que pretendem fazer ao Código Penal. Pelo que está no texto da proposta, seríamos levados a crer que a vida de um animal doméstico é superior à dignidade da vida humana. Não, não é exagero. Para quem “abandonar, em qualquer espaço público ou privado, animal doméstico, domesticado, silvestre ou em rota migratória, do qual se detém a propriedade, posse ou guarda”, é prevista uma pena de um a quatro anos de detenção. Por outro lado, quem “deixar de prestar assistência (…)  à criança abandonada ou extraviada”, propõe-se de um a seis meses de reclusão, ou mesmo uma simples multa. Uma pessoa pode ficar mais tempo presa por destratar uma ninhada de filhotes de rolinha, do que por abandonar uma criança!

É este o avanço, o progresso, a evolução que queremos? É para tratar com desprezo e negligência nossos filhos que chegamos ao presente momento da história? Perdão, mas se esta proposta de reforma do Código Penal for realmente levada a sério, passando a vigorar em um futuro próximo, só podemos vislumbrar um fim para este país: a destruição. Foi assim que caiu o Império Romano; foi pelos maus costumes do povo e pelo desprezo da vida humana que veio abaixo uma das maiores civilizações antigas; foi pela depravação de um povo que vivia para o prazer, que desmoronou uma das estruturas políticas mais fortes da Antiguidade. Eu sei, hoje é dia 7 de setembro, hoje é um dia festivo para os brasileiros… Celebramos 190 anos de Independência! Mas, infeliz de nós! Pela adesão de nossos governantes à “cultura de morte”, podemos nos tornar dependentes das grandes organizações mundiais que financiam a infâmia; podemos nos tornar escravos deste imundo projeto antinatalista impetrado para desfigurar o Cristo, a Igreja e o próprio ser humano.

Podemos nos tornar dependentes… Mas o nosso povo é cristão! E, embora muitas vezes não tenhamos consciência disto, somos fortes, fortes o suficiente para erigir uma democracia que preze pela dignidade da vida do nascituro, pela importância da família e pelo respeito às liberdades individuais e religiosas. Daí a importância de que os católicos tomem consciência da necessidade de sua ação política. Trago, aqui, neste sentido, trecho de uma entrevista concedida recentemente pelo padre Paulo Ricardo à agência Zenit.

“Na realidade, o católico está, infelizmente alienado da vida política. Enquanto católico criou-se uma mentalidade de que porque o Estado é laico as pessoas não podem manifestar seus valores éticos e religiosos no mundo da política. Essa mentalidade é completamente absurda porque nós sabemos que toda lei manifesta um ethos, toda lei manifesta uma visão de mundo e um quadro de valores. Ora, o Estado pode ser laico, mas os brasileiros são religiosos. E eles têm não somente o direito mas o dever de levar esse seu ethos à própria confecção das leis. Ora, por causa dessa ideologia laicista o católico introjetou uma espécie de minoridade. Enquanto ele é religioso, católico, possui as suas convicções, mas é como se fosse um cidadão de segunda categoria. Só tem direito de se manifestar aquele que é ateu, materialista militante… o católico fica de lado. Na realidade precisamos acordar o católico consciente, convicto, praticante, fiel à Igreja e ao Papa, para a sua missão, a sua vocação no mundo da política. O diabo, na verdade, fez o trabalho dele muito bem feito. Colocou na cabeça do católico que política é para gente soncha, para pessoa soncha. Portanto, ele não deve imiscuir-se nesse ponto. É assim que, então, temos no Brasil uma situação bastante esdrúxula de uma maioria silenciosa que é governada quase que ditatorialmente por uma minoria que conseguiu amordaçar essa maioria.

Urge que entremos de corpo e alma neste combate. Que entreguemo-nos, de fato. Sabemos que a vitória já é nossa, a vitória é de Cristo; mas, ao mesmo tempo, é relevante o fato de que Deus age no mundo contando com a colaboração de homens de boa vontade. A vida humana é um bem precioso, e é a Igreja a responsável por resgatar esta verdade tão desprezada em nosso tempo. Porque, afinal, não se pode falar de progresso, quando dão mais valor à vida de um cachorro que à vida de uma criança. Não se pode falar de avanço científico, quando os próprios fundamentos da biologia ou da genética são manipulados em nome dos “direitos reprodutivos da mulher”. E, por fim, não se pode falar de democracia, quando um pequeno grupo de tiranos homicidas quer impor à sociedade o silêncio, a repressão… e a morte.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* * *

Leia também: Juiz autoriza aborto de criança doente e, desta vez, não é anencefalia, no blog Deus lo Vult!.

Afinal, o evolucionismo é contrário à fé cristã?

“É por isso que quando nós falamos desse debate, a respeito da Teoria da Evolução, nós estamos diante de uma parte que é bastante beligerante: são os ateus. Nós não temos dificuldade de analisar as duas hipóteses, mas os ateus têm aqui a sua única tábua de salvação. Porque, como explicar o mundo, se não há um Deus? Então (…) não sejamos ingênuos. Porque nem todas as pessoas que estão neste debate científico estão realmente de boa vontade e isentas. Algumas estão simplesmente defendendo o seu credo ateísta. E, por isso, precisam desesperadamente colocar certezas onde, na verdade, o que nós temos são teorias.”

- Padre Paulo Ricardo em É possível um católico
defender a Teoria da Evolução?

Afinal, o evolucionismo é contrário à fé cristã, à fé em um Deus que criou o universo e moldou o homem à Sua imagem e semelhança?

Quem traz a resposta é o padre Paulo Ricardo. No vídeo abaixo, o sacerdote explica, baseando-se em documentos da Santa Sé – mais especificamente, a encíclica Humani generis, do Papa Pio XII, e a carta Humano Imago Dei, da Comissão Teológica Internacional -, que a visão de que o homem e o macaco descendem de um ancestral comum é perfeitamente compatível com a Criação divina e o ensinamento católico acerca do ser humano e sua vocação.