Publicamos recentemente neste espaço algumas considerações de um bispo mato-grossense do século XX sobre a intolerância católica. O homem de coragem de quem falávamos na ocasião é Dom Francisco de Aquino Corrêa. Ele foi arcebispo de Cuiabá durante um período conturbado da história mundial – administrou a diocese da capital durante a Segunda Grande Guerra -, sendo sempre um homem de extrema fidelidade à Igreja e ao Santo Padre, o Papa. Grande orador e escritor, foi o primeiro mato-grossense a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.
Em Cuiabá, o nome de Dom Aquino Corrêa é bastante conhecido; entretanto, não se pode falar o mesmo de sua obra. Por isso, o nosso apostolado deseja levar adiante um trabalho para maior conhecimento e propagação das magníficas letras escritas e pronunciadas por este ilustríssimo membro do episcopado brasileiro.
Vivemos tempos tenebrosos, em que as nuvens escuras de uma teologia avessa aos valores do Evangelho cobrem a Igreja brasileira e sufocam a esperança de muitas vocações sacerdotais. Por isso é importante que apeguemo-nos a figuras zelosas, personagens bravas, que colocavam a obediência a Cristo acima dos respeitos do mundo. Dom Aquino Corrêa foi, sem dúvida, um destes homens extraordinários, que trazem alento e novo fulgor à Igreja. Também em nossa época, possamos redescobrir o tesouro da Fé exposto nos discursos e escritos de Dom Aquino – um homem de fibra.
______________________________________________________________________
“Deve bastar a um católico a palavra da Igreja ou do Papa, para tirar-lhe toda a dúvida: Roma locuta, causa finita. Mesmo que não se trate de artigos de fé, não se discute. A Igreja e o Papa enxergam muito mais, e muito mais sabem do que nós, inspirados como são, em maneira toda peculiar, pelo Espírito Santo.”
“Dizemos isto, particularmente com referência a certas sociedades condenadas pela Igreja, e às quais, por conseguinte, não pode filiar-se o católico. Algumas dessas sociedades, como o protestantismo, não enganam o católico. São eles, os protestantes, os primeiros a não quererem ser, nem parecer católicos, e nisto se mostram muito lógicos e coerentes, dignos de louvor. Assim é que nunca se viu nenhum deles apresentar-se para padrinho de Batismo ou de Crisma, nem serem reclamados para eles, depois da morte, os sufrágios religiosos e públicos do catolicismo.”
“Outras sociedades, porém, como a maçonaria, o espiritismo etc., embora saibam que são reprovadas pela Igreja Católica, insistem em fazer crer que os seus membros possam continuar como bons católicos. E muitos se deixam iludir e ilaquear. Já se viu maior contrassenso? Nem a maçonaria, nem o espiritismo, nem sociedade alguma tem competência para julgar o que pode ou não pode fazer um católico, sem faltar à fidelidade para com a Igreja. O católico, que se inscreve em semelhantes associações, deve, para ser leal e sincero, renunciar aos seus direitos nessa Igreja, a quem não mais reconhece por mãe, a quem desobedece, a quem ipso facto repudia solenemente.”
“Ou a Igreja é o que diz ela ser, única arca de salvação, ou não é: se é, faz-se mister obedecer-lhe em tudo; se não é, por que teimar em pertencer a uma Igreja, que, na hipótese, seria a maior impostura, que jamais existiu em todo o mundo e em todos os séculos?”
(…)
“Não se pode servir a dois senhores: força é escolher entre a Igreja e a maçonaria, entre a Igreja e o espiritismo, entre a Igreja e quaisquer associações por ela excomungadas. Assim já procederam muitos, que, afinal, morreram, tranquilos, no seio maternal da Igreja. Porquanto, isso de claudicar para dois lados, como dizia o profeta Elias, ora com o Deus verdadeiro, ora com Baal; ou como dizemos nós, acender uma vela a Deus e outra ao diabo, é o caminho mais seguro da perdição eterna.”
[Dom Aquino Corrêa, 15 de agosto de 1948. Cartas Pastorais, vol. III, tomo II. Testamento do Vosso Arcebispo. pp. 300-301. Brasília, 1985.]
* * *




“No que se refere à Igreja Católica, o interesse principal das suas intervenções no campo público é a tutela e a promoção da dignidade da pessoa e, por conseguinte, ela chama conscientemente a uma particular atenção aos princípios que não são negociáveis. Entre eles, hoje emergem os seguintes:”





O presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB) é o pastor Marcos Pereira, da comunidade protestante Universal do Reino de Deus. Em maio de 2011, o líder evangélico
A Arquidiocese de São Paulo, tomando consciência da existência deste artigo escandaloso, emitiu uma nota de repúdio ao texto
É esta a conclusão a que chegamos quando tomamos conhecimento dos verdadeiros propósitos desta reforma que pretendem fazer ao Código Penal.
“Na realidade, o católico está, infelizmente alienado da vida política. Enquanto católico criou-se uma mentalidade de que porque o Estado é laico as pessoas não podem manifestar seus valores éticos e religiosos no mundo da política. Essa mentalidade é completamente absurda porque nós sabemos que toda lei manifesta um ethos, toda lei manifesta uma visão de mundo e um quadro de valores. Ora, o Estado pode ser laico, mas os brasileiros são religiosos. E eles têm não somente o direito mas o dever de levar esse seu ethos à própria confecção das leis. Ora, por causa dessa ideologia laicista o católico introjetou uma espécie de minoridade. Enquanto ele é religioso, católico, possui as suas convicções, mas é como se fosse um cidadão de segunda categoria. Só tem direito de se manifestar aquele que é ateu, materialista militante… o católico fica de lado. Na realidade precisamos acordar o católico consciente, convicto, praticante, fiel à Igreja e ao Papa, para a sua missão, a sua vocação no mundo da política. O diabo, na verdade, fez o trabalho dele muito bem feito. Colocou na cabeça do católico que política é para gente soncha, para pessoa soncha. Portanto, ele não deve imiscuir-se nesse ponto. É assim que, então, temos no Brasil uma situação bastante esdrúxula de uma maioria silenciosa que é governada quase que ditatorialmente por uma minoria que conseguiu amordaçar essa maioria.”
beligerante: são os ateus. Nós não temos dificuldade de analisar as duas hipóteses, mas os ateus têm aqui a sua única tábua de salvação. Porque, como explicar o mundo, se não há um Deus? Então (…) não sejamos ingênuos. Porque nem todas as pessoas que estão neste debate científico estão realmente de boa vontade e isentas. Algumas estão simplesmente defendendo o seu credo ateísta. E, por isso, precisam desesperadamente colocar certezas onde, na verdade, o que nós temos são teorias.”