Pentecostes: Amor e Coragem no discipulado

“Et repleti sunt omnes Spiritu Sancto et coeperunt loqui aliis linguis, prout Spiritus dabat eloqui illis” (At 2,4)¹.

           formacoes66 Fala mal quem deseja falar todas as línguas e em nenhuma se detém, visto que nem tem tempo para aprimorar-se – já que deseja chegar ao conhecimento de todas – e tampouco terá a exatidão da compreensão, que tem os que em alguma detiveram-se. Assim o é conosco, assim o foi outrora com os apóstolos. Para as diversas nações que ali se encontravam, nenhuma era a compreensão pela diversidade de línguas; pardos não compreendiam os elamitas; romanos não compreendiam os mesopotâmicos; frígios não entendiam os capadócios e assim por diante. Parecia-nos esta a Babel, o caos, o desentendimento. Mas, notai! Os construtores de Babel foram confundidos por Deus, e no Cenáculo não foram confundidos, senão que unificados. Lá fizera o Senhor confusão onde havia unidade; cá, o Senhor faz unidade onde há confusão; lá os homens almejavam edificar uma torre que chegasse até o céu – que era a ideia de espaço físico onde Deus se encontrava – para que elevassem seu nome sobre a terra; cá os homens não edificavam torre, senão que estavam temerosos para irem ao encontro de Deus, para o testemunharem, para traçarem uma ponte que pudesse chegar até Ele. Comparai uma e outra e vereis que há uma inversão, por assim dizermos, entre Babel e o Cenáculo. O que naquela se perdera, nesta se restaurara; o que naquela se destruíra, nesta se edificara.

            Diz-nos também o evangelista que o Espírito aparece e todos Dele ficam “repletos”. Pois não ficaram cheios, mas repletos. E por quê? Porque aquilo que está cheio pode não estar repleto, mas tudo o que está repleto, em si, já está cheio – e mais que cheio, está pleno. E aqui, sim, cumpre-se aquilo que houvera predito o Senhor aos seus antes de elevar-Se aos céus: “Recebereis o poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1,8).

Agora estão todos preparados e munidos da força interior para serem testemunhas, sem temor, sem tremor, levando somente o que por Si basta: O Espírito Santo. E por que vão eles aos “confins da terra” e não apenas à Palestina ou a Roma? Por que cada um dirige-se a um território diferente? Porque a salvação é para todos, não somente para alguns, isto é representado com maior clarividência na diversidade de povos acima citada. Todos tem a oportunidade de aderirem a salvação, mas não é a ninguém obrigado porque o Espírito, nos diz Paulo, é de liberdade. E porque testemunhar é servir e o amor é serviço, põem-se eles a irem a lugares tão distantes, espalhando o Reino de Deus e o Logos divino que permeia o homem.

Ao Filho de Deus, Segunda Pessoa da Trindade, atribui-se a sabedoria; ao Espírito, Terceira Pessoa, atribui-se o amor. Todo amor é serviço, entretanto, nem todo serviço é feito com amor. Quando se serve sob pretexto de algo, procurando favorecer-se ou sob ameaça de alguém, o amor perde o seu sentido mais belo: a liberdade, liberdade para amar e, por conseguinte, para servir. E os apóstolos são testemunhas autênticas de tal verdade. Ou não poderiam eles negar ao nome de Jesus, retornarem à comodidade de suas vidas e livrarem-se de todos os perigos e ameaças que a tarefa apostólica acarretaria? Pois optam por amarem o Amor, por servi-Lo e por darem as suas próprias vidas, encorajados pelo Espírito da Verdade, da Sabedoria, e do destemor dos homens, mas do Temor a Deus.

Eis, pois, que nenhum cristão sinta-se medroso diante das realidades do mundo! Se somos membros da mesma Igreja, se outrora viera o Espírito aos Apóstolos, agora Ele no-Lo é concedido, vem também a nós e, como fora a dois mil anos, o faz também hoje. Pois que medo há mais do que aquele de omitir-se no projeto salvífico de Cristo? Que vergonha maior há do que não testemunhar o Senhor da Igreja à qual somos membros? Que tristeza há mais do que aquela de estarmos na Igreja mas pensarmos como o mundo?

Hoje é a Festa do Espírito, mas é também a Festa da Igreja. O dia em que, encorajada pelo Espírito, ela abre-se ao mundo, torna-se missionária e testemunha; aliás, contraditório e perigoso é um missionário que não testemunhe. E justamente por ser missionária é também universal, fala várias línguas com apenas um entendimento. Não se entendem diversas coisas daquilo que ela diz nas diversas línguas, mas apenas uma – e necessária – cousa se-nos-é compreensível. A mesma doutrina é transmitida à variedade de línguas, de forma que todos possam saber que apenas um é seu ensinamento transmitido desde os tempos apostólicos. Bem o disse Paulo: “De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito” (1Cor 12,13). Bebemos de um único Espírito porque não há de ter mais de um, mas somente aquele que inspira a Igreja durante seus dois milênios. Se alguém não bebe desta fonte, se alguém bebe de algum outro ensinamento, não bebe do Espírito de Deus mas de fontes desconhecidas e contrárias ao que se tem pregado por séculos.

Pouco é o que aqui tenho dito, muito é o que ainda há de se falar. Peçamos ao Espírito de Deus que nos conceda sabedoria, humildade e coragem para bem exercermos a nossa vivência cristã. Que Ele desça eficazmente sobre cada um de nós. Concede perseverança, Senhor, aos que falam em teu nome, e, como outrora fizestes descer língua de fogo sobre os apóstolos, dê fogo de língua aos nossos pregadores e com toda a Igreja clamemos: Veni, Sancte Spiritus, et emitte caelitus, lucis tuae radium – Vem, Santo Espírito, e mandai dos céus um raio de luz”.

____________

1.”Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem”.

3ª Sinfonia de Beethoven: Na dor e na alegria o homem compõe sua vida

Depois de um demasiado período de distanciamento entre a última sinfonia a ser meditada, chegamos a 3ª de Beethoven Em Mi Bemol Maior, também conhecida como Eroica. Parece-nos que aqui encontra-se um marco do fim da Era Clássica e do início da Era Romântica. É, como sempre em Beethoven, uma harmoniosa e expressiva manifestação da capacidade compositiva do mesmo.

Encontramos na sinfonia a presença de 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes em si bemol, 2 fagotes, 3 trompas em mi bemol, fá e dó, 2 trompetes em mi bemol e dó, tímpano e cordas.

A ideia inicial seria dedicar a sinfonia a Napoleão Bonaparte justamente porque via-se como admirador dos ideais da Revolução Francesa, entretanto tal ideal fora mais tarde frustrado quando Napoleão se auto intitulou imperador da França em maio de 1804, ao que Beethoven teria se revoltado ardentemente a ponto de riscar da página-título o nome de Bonaparte com uma faca de forma a fazer um buraco no papel. O compositor teria então mudado o nome da sinfonia para: Sinfonia eroica, composta per festeggiare il sovvenire d’un grand’uomo (“sinfonia heróica, composta para celebrar a memória de um grande homem”).

Segundo o seu assistente Ferdinand Ries:

“Ao escrever esta sinfonia Beethoven tinha pensado em Buonaparte, mas Buonaparte como Primeiro Cônsul. Naquela época, Beethoven tinha a maior estima por ele e o comparou aos máximos cônsules da antiga Roma. Não só eu, mas muitos dos amigos mais próximos de Beethoven, viu esta sinfonia em sua mesa, lindamente copiados à mão, com a palavra ‘Buonaparte’ inscrito no topo da página-título e ‘Ludwig van Beethoven’ na parte inferior. …Eu fui o primeiro a dizer a notícia de que Bonaparte havia se auto-declarado imperador, quando de repente teve um acesso de fúria e exclamou, ‘Então ele não é mais do que um mortal comum! Agora, também, ele vai pisar no pé de todos os direitos do homem, saciando somente a sua vontade; agora ele vai pensar que é superior a todos os homens, se tornando um tirano!’ Beethoven foi até a mesa, pegou a página-título, rasgou ao meio e jogou-o no chão. A página tinha de voltar a ser copiado e foi só agora que a sinfonia recebeu o título de ‘Sinfonia Eroica’” (Wikipedia apud A Era Napoleônica).

A execução da sinfonia deu-se pela primeira vez de forma privada para o seu grande amigo Joseph Franz Maximilian Lobkowitz em 1804, e a execução publica deu-se no seguinte ano.

Segundo conta-se, a recepção não foi assim tão caloroso, ao contrário, causou confusão e divisão nos ouvintes. A obra, duas vezes mais extensa que a de Haydn ou Mozart (já no primeiro movimento mais extensa que várias sinfonias), dividiu os ouvintes levando-os a afirmarem ser esta a obra-prima de Beethoven, entretanto outros diziam que seria uma busca de originalidade que acabou por se não ter.

Passemos agora a compreensão das divisões da sinfonia. O Primeiro Andamento é o Allegro com brio, que se inicia com alguns acordes que serão mais enfatizados na quinta sinfonia.

O Segundo Andamento (Marcia funebre: Adagio assai em dó menor) como o nome indica é uma marcha fúnebre. Trata-se de uma composição que é das mais pungentes de toda a história da música. Alterna entre a mais profunda expressão da dor com momentos de luz e esperança. E, de fato, é tão comovente e avassaladora, tão sentimental, que nos faz volvermos nossos olhos para uma cena de profunda dor; contudo, no decorrer da sinfonia é notório que da dor vai se criando um grito como que de esperança, uma luz daquela que nos diz o salmista: “Lux orta est iusto – Uma luz já se levanta para os justos” (Sl 97,11).

No Terceiro Andamento (Scherzo: Allegro vivace), tal como aliás e sobretudo o quarto, são por vezes considerados menores, ao ponto de um dos maiores críticos ingleses do século XIX ter afirmado uma vez “a interpretação da terceira sinfonia terminou e muito corretamente no fim da marcha fúnebre tendo as restantes partes sido omitidas”. Pessoalmente discordo desses. Só pela beleza e genialidade também presentes no terceiro e quarto seria impossível omiti-los como se não fizessem diferença.

O quarto andamento (Finale: Allegro molto), construído inteiramente a partir de um tema e variações em fuga bastante simples não deixa de ser uma composição extraordinária. Berlioz na sua análise das sinfonias de Beethoven, diz a respeito deste andamento que aqui Beethoven conseguiu construir a diferença de cores que existe entre o azul e o violeta.

E assim, na beleza da música clássica nós podemos contemplar cada sentido transcendental da vida, manifestações de dor ou de alegria, de vida ou de morte, mas que sempre nos levam a pensar, a reavaliarmos o valor da vida e fazermos desta o nosso lugar, o lugar do homem na história.



O amor de Deus: fundamento da Religião

“Antigamente convertia-se o mundo, hoje por que se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obras são tiros sem bala; atroam, mas não ferem (Pe. Antônio Vieira, Sermão da Sexagésima).

Após um longo período afastado por algumas razões de saúde e demais motivos superiores, hoje relendo o Sermão do Pe. Antônio Vieira, um dos  que mais me agradam nas obras e em todo o suporte retórico e teológico-espiritual que ele nos oferece, resolvi dedicar-me a este artigo, sobre o qual apenas pensei no papel da religião na nossa sociedade. É este um verdadeiro clamor às religiões e aos cristãos; um clamor que brota, mais do que nunca, diríamos, das entranhas do Espírito Santo. Ao chegarmos à conclusão do Tempo Pascal com a Solenidade da Ascensão do Senhor e de Pentecostes, somos impelidos por estas palavras que tocam o âmago da nossa fé e da nossa concepção de Cristianismo e de vivência cristã.

 Desta feita, torna-se necessária hoje uma tríplice pergunta: O que é a fé cristã? Como exercitá-la no mundo? Como transmiti-la aos demais? Tais indagações fazem-nos refletir e adequarmo-nos a uma realidade sempre pertinente e à qual nunca me canso de chamar a atenção: a configuração total a Cristo por meio do Evangelho, de uma autêntica vivência da Fé. Não podemos nos cansar de ser cristãos; não podemos brincar com o Evangelho; não podemos adequar o Evangelho a nós – triste realidade do mundo hodierno. Ou somos destemidos ou somos covardes; ou somos audazes ou somos retraídos; ou somos cristãos ou não o somos, mas não podemos fazer meio termo da Palavra de Deus, pois Deus não faz meio termo do gênero humano.

Diz-nos a Escritura: “Nem quente, nem frio, mas porque és morno vomitar-te-ei da minha boca” (Ap 3,16). Palavras duras, mas verdadeiras. Deve haver uma contrapartida entre o homem e Deus, uma reciprocidade. Deus não é interesseiro, mas a questão aqui é de um reconhecimento da nossa parte. Aquele que é Senhor de tudo, doador de todas as graças, quer depender do nosso amor, quer de nós apenas isso: que O amemos. E só desta forma pode o homem senti-lO: pelo amor. A religião (re-ligare = religar) deve ser a propiciadora deste encontro, aquela ponte que une o homem a Deus e jamais deve ser muro que separa, desvirtuando-se, assim, não apenas da sua nomenclatura, mas da sua missão primeira.

Pregar sobre Deus, anunciá-lO, mostrar o Seu amor ao mundo, esse é o dever da religião. Quando a religião deixa de pregar sobre Deus e o seu Evangelho e passa a ser transmissora de suas convicções institucionais ou de convicções pessoais de seus membros, deixa de ser semente de Deus e passa a ser joio do Diabo. Se queremos que o mundo olhe para a Igreja, contemple o crucificado, adore o Senhor morto e ressuscitado, não podemos fazê-lo apenas por palavras e por belas retóricas – como recordara Pe. Vieira –, devemos antes de tudo dar testemunho. Coloquemos Deus novamente no centro da religião e de nossas vidas. Quando retiramos Deus dos horizontes da sociedade, tendemos a mostrá-los apenas horizontes de morte, desfigurados pela falta de amor e de misericórdia, pela falta de fraternidade e de humildade.

Antes de proferirmos belas palavras dos púlpitos, batamos no peito e reconheçamos as nossas misérias e peçamos perdão por nossos pecados; depois poderemos anunciar aos outros aquilo que escrevemos primeiramente para cada um de nós, pois enquanto não ponderarmos nossas ações e buscarmos autenticidade nelas, não passaremos de meros semeadores de confusão daquilo que falamos mas não fazemos, denunciamos mas não corrigimos, proclamamos mas não escutamos.

Na Solenidade da Ascensão do Senhor sejamos como os Apóstolos, testemunhas destemidas do mandato de Jesus. Que o nosso medo não resvale na nossa boa audácia de discípulos e que a nossa fé não sucumba nas adversidades.

A esperança cristã reside no Amor

adventoCom a Solenidade de Cristo Rei no Domingo passado, concluímos mais um Ano Litúrgico, nos preparando interiormente para este tempo do Advento que a Igreja nos conclama a celebrarmos.

É neste tempo que, com os corações contritos e esperançosos, aguardamos o jubiloso prenúncio do Salvador, que dirige-se ao nosso encontro e oferece-nos a sua graça salvífica e a possibilidade de uma reconciliação do homem com Deus, rompidas pelos primeiros pais. Neste período recobremos com ânimo a virtude teologal da esperança, que nos é dada do alto e que é imprescindível ao cristão. Assim, com este vigor no coração, somos convidados a olharmos e mantermos a mesma expectativa que nos diz o prefácio: “Revestido da nossa fragilidade, Ele veio a primeira vez para realizar Seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação” (Prefácio do Advento I). É-nos sabido que este plano de amor concretizou-se plenamente em Cristo Jesus e nesta primeira vinda de um estreitamento de laços do homem com Deus.

Mas, podemos nos perguntar: como mantermos a expectativa cristã em uma realidade tão fugaz? Como estar com os olhos fitos em Cristo se o mundo oferece-nos coisas aparentemente mais atraentes? E aqui acaba o homem por criar um verdadeiro dilema existencial e um lapso no relacionamento consigo e com os demais irmãos. Sim, aquele que se fecha à realidade de Cristo não apenas fecha-se aos outros, mas, por conseguinte, a si mesmo. Isto porque o relacionamento com Cristo requer também um bom relacionamento com o irmão. No outro vemos a face de Cristo; no outro vemos também a nós, criados à imagem e semelhança de Deus. Quem perde este sentido fecha-se no seu eu e cai na desesperança, porque já não mais nutre-se da vida, mas da sua morte interior.

Às indagações anteriores, São Paulo nos responde com extrema brandura e ao mesmo tempo com firmeza espiritual: “O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós” (1Ts 3,12). É na realidade do amor – a Deus e ao próximo – que o homem reconhece-se como sujeito único e singular, dotado de inteligência e de vontade livre, mas também composto de uma realidade material. Ele tornar-se, não obstante as dificuldades, um ser de relacionamento e de proximidade, firmando-se sempre mais na perspectiva futura do convívio eterno com o Senhor. E entendemos o porquê Deus torna-se a “peça chave” no nosso relacionamento: Dele, Amor puro e gratuito, há de provir todo o amor que existe entre os homens para que eles não hesitem no reconhecimento da unidade e da autentica liberdade que foi-lhes dada na filiação adotiva.

Por isso, mais que uma promessa e que uma exortação, o pedido de Paulo concretiza-se no autêntico testemunho de vida voltado a todos os homens que desejam colocar-se à disposição de um amor real, que não subsiste na incerteza e nas especulações. De fato, somente aquele que tem o amor como plano de fundo pode configurar sua vida ao projeto real de Cristo, que não se baseia sobre outra coisa primeiramente, senão sobre a comunhão. Portanto, o advento definitivo não evoca uma realidade distante, temerosa, pela qual os homens ingressam sob a ótica radical das palavras evangélicas ou escatológicas, mas é uma realidade de esperança que caracteriza-se pela harmonia das coisas e pela infusão de um amor radicado no senso ontológico do homem.

A exortação feita pelo Apóstolo São Paulo na segunda leitura é fundamentada já em um princípio eclesiológico. De fato, como Paulo, a Santa Igreja não se cansa de exortar a todos os seus filhos para que mantenham-se atentos aos eminentes sinais dos tempos, que se darão quando Nosso Senhor no-los fizer conhecerem. Por isso, neste imperioso dever de orientar os homens, nos seus vinte e um séculos, a Igreja nunca se ab-rogou da sua missão, mesmo que, em alguns momentos, tenha se sentido fragilizada pelo peso que alguns de seus filhos a imputaram. “Meus irmãos, eis o que vos pedimos e exortamos no Senhor Jesus: Aprendestes de nós como deveis viver para agradar a Deus, e já estais vivendo assim. Fazei progressos ainda maiores!” (1Ts 4,1).

À comunidade de Tessalônica se dirigiu esta exortação, mas não menos atual em nossos dias. O povo tessalônico vivia em grande fadiga da caridade, numa fé operosa e isso os fazia manterem-se numa constante expectativa pelo seu Senhor. Neste sentido, o advento torna-se ainda mais profícuo se vivido intensamente, progredindo no bem e na caridade que nos são constantemente exortados. Tornou-se necessário, mediante a hodierna sociedade, progredirmos sempre no Senhor, intensificarmos nossa espiritualidade, reforçar as bases da nossa fé. O primeiro passo para este reforço é a escuta atenta da Palavra, uma vez que “a fé vem pelo ouvir” (Rm 10,17); depois temos o testemunho autêntico daquilo que ouvimos e nisto outros verão, pelas obras, de quem somos testemunhas.

Na óptica deste Tempo do Advento, tenhamos sempre conosco a certeza viva e uma esperança inabalável; a esperança do ser cristão, que reside em Cristo Jesus. Desta forma seremos animados a enfrentarmos os desafios dos tempos pós-modernos e a fazer com que continue viva no mundo a chama da luz de Cristo, para que todos conhecendo-O possam amá-lo e amando-O possam esperá-lo. A Maria, que por nove meses gerou o menino-Deus em seu ventre, queremos elevar nossos agradecimentos e preces, para que Ela nos ensine a gerarmos o Cristo em nós e portá-Lo aos demais irmãos, com caridade e verdade, mostrando que o verdadeiro rosto de Cristo pode ser encontrado no interior de cada homem que por Ele se deixa tocar e transformar.

E continuemos a escutar e seguir atentamente a exortação de Cristo, que diz: “Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes de pé diante do Filho do Homem” (Lc 21,36). E com toda a Igreja possamos exclamar: Maranathá! Vem, Senhor Jesus!

O Reino de Deus: Esperança dos homens

Neste último Domingo do Tempo Comum, a Liturgia cede lugar à Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Verdadeiramente nesta Festa litúrgica ouvimos novamente, com atenção, as palavras do Apocalipse: “Dignus est Agnus, qui occisus est, accipere virtutem, et sapientiam, et fortitudinem, et honorem. Ipsi gloria, et imperium in saecula saeculorum – O Cordeiro, que foi imolado, é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A Ele, a glória e a o império por todos os séculos dos séculos” (5,12). Sim, rendamos glória ao Onipotente, Onipresente e Onisciente. Glória ao Rei e Senhor da História, que tudo governa e que é esperança imortal e perene dos homens.

No Antigo Testamento vemos também uma menção forte ao reinado. Diversos são os reis que se nos apresentam nas Escrituras e que, para o bem ou para o mal, exerceram sua influência na vida do povo. Reis pagãos, tementes a Deus, frágeis, fortes, guerreiros… enfim, todos com características diversas, mas que são inseridos nas narrações bíblicas.

No Novo Testamento essa figura do Rei não se torna menos presente, mas ao contrário, é atribuída ao próprio Cristo. Sabemos que em nenhum momento Jesus se auto intitulou Rei, mas manteve-se sempre na condição de servo. Por isso está escrito que Ele “esvaziou-se de sua glória e assumiu a condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhantes” (Fl 2,12). E aqui seríamos tentados a fazermos aquela mesma pergunta que outrora fizera Pilatos a Cristo e que volta a ressoar no evangelho de hoje: “Ergo Rex es tu? – Então, tu és Rei?” (Jo 18,37). Sim, olhando aquela condição em que se encontrava, envolto em correntes, flagelado, coroado de espinhos, na sua maior fragilidade, quais de nós ousaríamos dizer que era Ele rei? Quais de nós venceríamos a nossa racionalidade, a nossa mentalidade finita e cogitaríamos que Aquele que ali estava era realmente um Rei soberano? De onde era o seu Reino? Que Reino era este? 

Estas perguntas, de fato, não são fáceis de serem respondidas, nem mesmo em nossos dias. Em primeiro lugar precisaríamos ter em mente que a concepção de reino segundo a nossa mentalidade é totalmente divergente da ideia do que seria o Reino de Deus. É patente que aquele é um reino finito e este um reino perene; aquele um reino onde os ricos exploram e oprimem os desfavorecidos, este é o Reino dos pobres, não apenas os pobres materiais, mas sobretudo – e primeiramente! – os pobres de espírito; aquele é o reino da escravidão; este é o reino da liberdade, onde servir já não é um peso mas uma atitude corajosa e decidida de quem está livre para amar. E se um reinado tem a fisionomia do seu rei, este reinado tem a fisionomia do amor e da verdade, que residem totalmente em Cristo Jesus. Por isso a pergunta de Pilatos não encontra-se sem resposta, mas é dada por meio de uma palavra que resume todo o projeto salvífico de Cristo: “Ego in hoc natus sum et ad hoc veni in mundum, ut testimonium perhibeam veritati: omnis, qui est ex veritate, audit vocem meam – Eu para isso nasci e para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade, ouve minha voz” (Jo 18,37).

O Reino de Deus (βασιλεία τοῦ θεοῦ) é também chamado de basiléia. Neste sentido é que ele tem simultaneamente três dimensões, sendo a primeira uma dimensão cristológica, ou seja, o próprio Jesus é o Reino de Deus, Ele mesmo se intitula, ainda que entrelinhas, como o auto-basiléia, Aquele pelo qual todos os homens podem ingressar se descobrirem o real sentido da verdade que reside n’Ele. 

Um segundo aspecto é o eclesial, o Reino de Deus prefigurado na Igreja. De fato, também ela é chamada a manifestar a sua continuidade entre os homens e a sua prefiguração nos tempos escatológicos. Por isso o Sagrado Concílio Vaticano II nos adverte: “Porque o reino de Cristo não é deste mundo (cfr. Jo. 18,36), a Igreja, ou seja o Povo de Deus, ao implantar este reino, não subtrai coisa alguma ao bem temporal de nenhum povo, mas, pelo contrário, fomenta e assume as qualidades, as riquezas, os costumes e o modo de ser dos povos, na medida em que são bons; e assumindo-os, purifica-os, fortalece-os e eleva-os” (Const. Dogm. Lumen Gentium, 13).

A terceira característica o Reino de Deus que cada homem traz consigo, refletido no seu caráter espiritual e moral. De fato, a vinda deste que pedimos no Pai nosso é já um prenúncio salutar daquele mesmo Reino anunciado por Nosso Senhor (Cf. Mt 25,31-46). Entretanto este anúncio não é uma reivindicação por parte de Cristo do seu reinado. É clarividente nos evangelhos que Ele nunca cedeu ao entusiasmo da população que queria proclamá-lo rei, sempre encontramo-lo a fugir destes e daqueles. 

No encontro com Natanael este faz o reconhecimento do poderio de Jesus: “Tu es o Rei de Israel” (Jo 1,49), mas Ele logo trata de volver os olhos do discípulo para a parusia do Filho do Homem, naquela visão magnífica dos anjos que sobem e descem ante o Todo-Poderoso. Depois vemos a multiplicação dos pães, quando a multidão se consolava na esperança de um alimento não pago e desejam arrebata-lo para fazê-lo rei, mas ele novamente escapa (Jo 6,15).

E deparamo-nos novamente com o Evangelho. Jesus não nega a titularidade de rei, mas reafirma que o seu reino não está solidificado neste mundo (cf. Jo 18,36). Não é um reino concorrente com César e tampouco almeja roubar a coroa de Herodes. Por isso, na cegueira da incredulidade, os chefes judeus  não compreendem estas palavras e colocam Jesus como um devaneador, que usa-se do povo para sentar-se no trono de César. 

Na cruz está Seu trono, ali Ele pode reinar para todo o mundo e lá acontece a plenitude da encarnação, ato máximo da sua vida terrena e prefiguração do seu advento definitivo, onde ao seu lado reinaremos na glória final.

Por fim, com o autor sagrado nós queremos reconhecer que “Jesus Cristo é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra. A Jesus, que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade. Amém” (Ap 1,5-6).

Meditações sobre o “Ano da Fé” – Const. Dogm. Lumen gentium (Parte I)

Após a introdução sobre o Ano da Fé e suas perspectivas, damos início às meditações a partir dos documentos conciliares, neste período de um ano, para que com mais clareza e profundidade possamos observar os aspectos essenciais que o Concílio nos propusera e continua a propor-nos por meio do Magistério.

Se por um lado a Constituição é uma leitura do Mistério da Igreja, peregrina neste mundo e esperançosa dos mistérios celestiais que Nosso Senhor há de dar-lhe como recompensa pelos seus méritos; por outro é uma manifestação da Igreja triunfante, que após peregrinar em meio a tormentos e procelas, faz-se agora partícipe da gloria salvífica do Seu Fundador, Cristo Jesus, Rei e Senhor do Cosmos.

Assim inicia a Constituição Dogmática Lumen gentium:

“A luz dos povos é Cristo: por isso, este sagrado Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja ardentemente iluminar com a Sua luz, que resplandece no rosto da Igreja, todos os homens, anunciando o Evangelho a toda a criatura (cfr. Mc. 16,15). Mas porque a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano, pretende ela, na sequência dos anteriores Concílios, pôr de manifesto com maior insistência, aos fiéis e a todo o mundo, a sua natureza e missão universal. E as condições do nosso tempo tornam ainda mais urgentes este dever da Igreja, para que deste modo os homens todos, hoje mais estreitamente ligados uns aos outros, pelos diversos laços sociais, técnicos e culturais, alcancem também a plena unidade em Cristo” (nº1).

As condições teológicas que se seguiram ao Concílio foram mesmo inquietantes para a realidade pastoral e teológica da Igreja; de fato, muitos não quiseram aceitar o contexto e o viés teológico proporcionado pelo mesmo, que não interrompia em nada o anterior, mas era uma continuidade, suscitado pelo Espírito como Dom à Igreja.

O Bem-aventurado João XXIII no discurso de abertura do Concílio ressalta o objetivo principal deste acontecimento: “O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz” (Papa João XXIII, Discurso de abertura do Concílio Vaticano II). Assim, não tende a outra finalidade senão continuar, como depósito da sã doutrina, a anunciar a Boa Nova como mandara o seu Senhor e a fazer-se porta-voz do consolo de Cristo nas necessidades hodiernas que impetram temor e tremor aos homens.

Em primeiro lugar, a Constituição enfatiza claramente que o Concílio é fruto da ação do Espírito, não uma ação humana, restrita ao âmbito terreno, mas é dom do alto, é força propulsora que faz os homens recobrarem o valor da misericórdia de Deus e a natureza missionária, pela qual a Igreja foi constituída e que era o tema central daquele momento de graça.  

Uma primeira realidade que encontramos logo de início, é a Igreja anunciadora, missionária, que adentra povos e culturas para lhes indicar o kerigma, a novidade do Evangelho. Para anunciar esta novidade, antes, é preciso que ela mesma resplandeça o Cristo, afinal ninguém pode dar aquilo que ainda não possui. Anunciar o Senhor, e anuncia-lo com alegria sempre nova: eis o ideal cristão! O cristão não pode se tornar suscetível às alegrias e tristezas do mundo, mas, se firmado na verdade, sua alegria é inabalável, sua coragem é imutável, sua determinação é inatingível, sua vida torna-se assim testemunho autêntico do projeto do Reino. E iremos encontrá-la sobretudo na expressiva riqueza dos documentos conciliares, que chamam os fiéis não a uma fé fechada, restrita a seus ideais, uma fé triste pelas dificuldades que acarretam o ser cristão; é sim uma conclamação a alegria de Cristo, a mesma alegria que invadiu as mulheres quando, ao contemplarem o Ressuscitado, foram anunciá-lo aos apóstolos. Naquela madrugada, tomadas pelo medo mas também pela alegria, as mulheres foram pressurosas aos apóstolos anunciar aquilo que o anjo mandara: “Não vos assusteis! Procurais Jesus, o nazareno, aquele que foi crucificado? Ele ressuscitou! Não está aqui! Vede o lugar onde o puseram! Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro: ‘Ele vai à vossa frente para a Galileia, Lá o vereis, como ele vos disse!’” (Mc 16,6b-7).

E precisamente aqui reside o foco primeiro do Concílio: dar um novo caráter pastoral à Igreja. Não visava condenar heresias ou proclamar dogmas, mas reavaliar, fomentar, ilustrar o novo cenário que se despontava e, nesta perspectiva, aggiornar (atualizar) os ensinamentos eclesiásticos mostrando ao mundo o caráter sempre atual do Evangelho. Ainda nesse aspecto o Papa João XXIII afirmara no discurso de abertura: “Uma coisa é a substância do “depositum fidei“, isto é, as verdades contidas na Doutrina da Igreja, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance. Será preciso atribuir muita importância a esta forma e, se necessário, insistir com paciência, na sua elaboração; e será necessário usar a maneira de apresentar as coisas que mais corresponda ao magistério, cujo caráter é prevalentemente pastoral”.

Um segundo aspecto é a manifestação da Igreja como Sacramento, emanada do lado aberto de Cristo, representada pelo sangue e pela água que jorraram do seu peito. Da Cruz brota para o mundo a Igreja, fincada no coração do Seu Senhor, ostentada pelo lenho da salvação. E por consequência desta ligação, mesmo com as adversidades constantes, com o cinismo religioso da parte de alguns, com o relativismo, com a descrença, Ela está indissoluvelmente estreitada ao lado de Cristo; desta forma, como nos diz o profeta, ela é receptáculo, beneficiada, por aquelas palavras que nos fazem atentar ao zelo pertinente que os cristãos tiveram nos séculos e que fizeram edificar-se na história: “Haurietis aquas in gaudium... – Haurireis águas com gáudio das fontes do Salvador” (Is 12,3).

O primeiro capítulo, portanto, está dedicado ao Mistério da Igreja e a sua história, desde a prefiguração do Antigo Testamento até a sua presença no contexto histórico-salvífico da humanidade, o qual continuaremos a ver, juntamente com outros documentos, no decorrer deste Ano da Fé.

Na Audiência Geral da Quarta-feira, 14 de Novembro, dando continuidade às suas meditações sobre o Ano da Fé, o Santo Padre Bento XVI, afirmou: “Muitos têm compreensão limitada da fé cristã, porque a identificam como um mero sistema de crença e de valores e não tanto com a verdade de um Deus revelada na história, desejoso de comunicar com o homem face a face, em um relacionamento de amor com Ele”.

Eis aqui o fundamento primeiro: amor! Uma palavra tão desgastada, tanto etimologicamente, quanto sentimentalmente. Transcorridos cinco decênios do Concílio faço insurgir um questionamento: temos sido a religião do amor e do perdão que Cristo tanto anunciou? Temos cumprido a primeira missão do ser cristão que reside convictamente no amor? Questionamentos pertinentes à nossa realidade que convidam-nos a realçarmos o papel primário do amor no âmbito cristão. 

Não desejo fazer uma meditação etimológica, teológica ou filosófica do amor, mas levar a uma realidade sobrepujante: a sua vivência. A realidade do amor é o fundamento do projeto salvífico de Cristo. Deus é o Deus da justiça, do perdão, da misericórdia, mas o é também – e sobretudo! – do amor. O Cristianismo, se esvaziado deste, perde todo o seu sentido, todo o seu significado maior, torna-se apenas um código de moral ou ética, rompe o laço trinitário, desvanece do seu caráter salvífico. Por isso, a Lumen gentium condiciona este caráter a estar arraigada em Cristo (“a Igreja, em Cristo…”), verdadeiro e único Salvador.

E se o amor é plano de fundo da comunhão entre os homens de boa vontade, é propício que também, atado a este, encontre-se outra definição eclesiológica conciliar: “instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”. De fato, como por nós é sabido, todo instrumento é servido para auxiliar em algo, a alguém. A Igreja, usada pelo próprio Cristo como seu Corpo Místico, ou segundo a expressão paulina, “esposa de Cristo” (Ef 5,22-32), não é dona dos mistérios que lhe foram confiados, mas é uma administradora fiel, prudente e materna, que sapientemente conduz e produz frutos abundantes. Está em todos os lugares e é porta voz de todos os povos. 

Parece-nos que, muitas vezes, temos nos invalidado desta missão de promovermos a unidade; ao contrário, percebemos também que em diversos atos temos sido promotores de discórdias e de lutas, seja com nossos irmãos crentes ou com os que professam outra fé. Cabe a nós fazermos valer este título de promotora da unidade com o gênero humano. Devemos dialogar em comum fitando-nos no mesmo ponto que é Cristo Jesus. Isso não significa aceitarmos os erros teológicos de outrem, mas dialogarmos pela passividade, pelo respeito e pela liberdade, reconhecendo a autonomia religiosa de cada um e fazendo com que o primeiro direito e dom de Deus, a vida, seja defendido em todos os lugares. 

A Igreja também é, antes de tudo, um caráter mistagógico, outrora oculto em Deus, hoje revelado e em parte realizado; é manifestação de Deus aos homens, graça doadora do Pai para que, reconstituindo os laços humanos divididos pelo pecado, pudessem reencontrar um caminho, um farol, para seguirem adiante e não desanimarem no curso histórico.

Sendo mistério de Deus a definimos, por conseguinte, como “mistério humano”, ou ainda melhor diríamos: mistério aos homens. Não obstante ser genuinamente e basicamente projeto divino, ela não poderia desenvolver outro curso senão ao lado da história humana. É sabido que dentre as constituições ontológicas do homem, temos algo que lhe é inerente e, portanto, imutável: a sua passividade a errar. Deus, em sua absoluta grandeza, nunca está sujeito ao erro, uma vez que seria contrário à Sua natureza, e assim sendo, isto nos levaria a questionar a veracidade de Sua divindade; no entanto, sendo Deus o supremo arquiteto da graça e baluarte da salvação, doa aos homens a Igreja como propiciadora de uma feliz reconciliação, reatando os laços que, outrora, foram cortados pelo pecado.

Reafirmando a unicidade do homem com Deus e a impossibilidade de uma existência sadia longe d’Ele, o inimigo perversor semeia a intriga e a discórdia, para que seja a Igreja atacada de forma virulenta e possa desanimar de sua missão profética. Como bem alertara o Venerável Servo de Deus, Papa Pio XII, de imperecível memória, e com o qual findo esta primeira meditação: 

“Certamente, o ódio contra Deus e contra os que legitimamente lhe fazem as vezes é o maior crime que o homem pode cometer, criado como foi este à imagem e semelhança de Deus, destinado a gozar da sua amizade perfeita e eterna no céu; visto que pelo ódio a Deus o homem se afasta o mais possível do sumo Bem, sente-se impelido a repelir de si e do seu próximo tudo quanto vem de Deus, tudo quanto une com Deus, tudo quanto conduz a gozar de Deus, ou seja a verdade, a paz e a justiça” (Cart. Enc. Haurietis Aquas, 68).

Santidade: Convite proeminente de Cristo

Imagem

A chamada universal à santidade iniciada por Cristo e continuada pela Igreja perpetua-se durante estes vinte e um séculos sobre o foco de um convite. Em verdade, esta nunca se impôs como uma obrigação, mas foi manifestada àqueles que escutam atenciosamente o chamado do Senhor e que, com Ele, desejam estreitar suas vidas em conformidade com o projeto salvífico.

Beati mundo corde – Bem-aventurados os puros de coração” (Mt 5,8). Bem aventurados todos os que conformam sua vida ao projeto de Cristo, aqueles que adentram o seu coração e que deixam-se adentrar por Ele. É relevante o tema da santidade uma vez que ela é a via para conduzir-nos a Deus. Todos são conclamados a este mistério de amor dado por Deus, Santo por excelência, “Santo e fonte de toda a santidade”; o Deus vivo e verdadeiro que existe antes de todo o tempo e permaneceis para sempre, habitando em luz inacessível (Oração Eucarística II; cf. Ora. Euc. IV). Tal a magnitude de sua santidade, que nem todos os Santos, unidos a bem-aventurada Virgem Maria, poderiam superá-lo, afinal Ele é o Criador e Senhor de todas as coisas, autor da santidade e Sumo Bem. Por isso, Ele é três vezes Santo – Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth -, o Senhor dos exércitos, que enche o céu e a terra (cf. Is 6,3).

Se perguntarmos aos teólogos qual o maior atributo de Deus dir-nos-ão que n’Ele são todos os atributos iguais, porque todos e cada um deles é Deus, e portanto não podem ser ditos maiores ou menores, mas constituem parte inerente e indizível da mesma natureza. Entretanto, São Dionísio Areopagita, que outrora escrevera magnanimamente sobre os atributos divinos, diz-nos: “Deus per excellentiam cuncta excellentem Sanctus Sanctorum praedicatur – Quando dizemos que Deus é santo, e Santo dos Santos, louvamos em Deus uma excelência que é mais excelente que todas”. Há também que ressaltarmos que as Escrituras nos apresentam o nome Santo como um outro nome de Deus. Podemos vê-lo em um dos exemplos: “Blasphemaverunt Sanctum Israel – Blasfemaram o Santo de Israel” (Is 1,4).

A noção bíblica de santidade é riquíssima de significados. A Escritura não apenas põe a santidade como renúncia ao profano, mas coloca-a em Deus, sua própria fonte e origem. Se, de um lado, a santidade de Deus, como já dissera, é inacessível ao homem; por outro lado o próprio Deus quis comunicar essa sua santidade, Ele “se santifica”, se mostra santo, manifestando sua glória. Poderíamos deter-nos sobre diversas manifestações da santidade divina, no entanto convém deter-nos sobre a santidade comunicada por amor aos homens.

“Agora celebramos, e depois seremos celebrados: agora nós celebramos a eles, e depois outros celebrarão a nós” (Pe. Antônio Vieira, Sermão de Todos os Santos). Com estas palavras do egrégio orador, possuidor de riquíssima sabedoria intelectual, mas sobretudo de um uma riqueza espiritual, vemos o convite veemente à santidade.

A Igreja triunfante recebeu o mérito da vida que levara enquanto Igreja militante. Mas, donde lhes provém a santidade divina, se os laços humanos foram rompidos com Deus? A santidade humana não provém diretamente de Deus, mas antes disso ela deve passar pelo sacrifício de Cristo que santifica a todos os crentes. A participação na vida de fé move-nos a este caminho de santidade, nos conclama a uma participação na comunidade eclesial, onde podemos melhor exercê-la.

O Sagrado Concílio Ecumênico Vaticano II, com o qual devemos estreitar mais ainda nossos laços neste Ano da Fé, faz-nos uma advertência sobre a Santidade: “Munidos de tantos e tão salutares meios, todos os cristãos de qualquer condição ou estado são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai” (nº 31).

Não é um convite indiferente às necessidade do tempo hodierno. Também hoje ressoa o convite de Cristo, que, embora às vezes, sufocado pelos prazeres e comodismos de vida, nunca é totalmente ab-rogado do homem. Por isso, na segunda leitura, São João faz-nos recobrar a grandeza própria do homem, de ser chamado filho de Deus: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai.
Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1Jo 3,1-2).

Graças a filiação adotiva podemos ser chamados filhos de Deus. E o somos por meio de Cristo Jesus. Este é o presente primeiro que nos concede Deus em sua infinita bondade. Rompidos os laços do homem com o pecado, Deus, por meio da encarnação do Verbo, nos reconstitui a Ele, nos faz seus filhos e nos concede a dignidade de podermos chamá-lo: Pai.

Mas esta filiação adotiva leva-nos também a professarmos a nossa certeza da luta pela santidade. “Seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como ele é”. Estas palavras do apóstolo fazem mergulhar-nos na grande misericórdia de Deus. Eis a recompensa para aqueles que fazem da sua vida um sinal do amor de Deus. Contemplar a face de Deus, é isso que tanto pedimos, e isto nos será concedido se mantivermos em nós os mesmos sentimentos de Cristo, a retidão e a estreita união com Deus.

Beati mundo corde – Bem-aventurados os puros de coração”, diz Nosso Senhor no Evangelho (Mt 5,8). Sim, é no coração que está a fonte da santidade, por isso o homem deve mergulhar o seu coração no Coração de Deus. 

Por isso dirá Padre Antônio Vieira: “De sorte que, para um homem ser santo, não é necessário coisa alguma fora do homem, nem ainda é necessário todo homem; basta-lhe uma só parte, e essa a primeira que vive e a última que morre, para que lhe não possa faltar em toda a vida, que é o coração” (Sermão de Todos os Santos).

Para Deus basta-nos a pureza do coração para que obtenhamos os bens celestiais concedidos aos já participantes da Igreja triunfante. Por isso, de nada nos adiantam títulos e honras se não obtivermos, antes de tudo, a maior honra que é a de um coração límpido, tocado pelo amor de Deus. Não são as Mitras, os Báculos, os Solidéus, as Coroas, os graus hierárquicos, o estado civil, os bens materiais, que fazem ou deixam de fazer santos, mas antes de tudo (e somente isso!): a pureza interior. Não fosse assim não o seriam Luiz, Rei da França; Estevão, Rei da Hungria; Erico, Rei da Dinamarca; Benedito, o Negro, Cozinheiro do Convento; Lázaro, pobre; Floro, serrador; Jacó de Boêmia, carpinteiro; Alderico, vaqueiro; Arnoldo, marinheiro; Leonardo, pastor, entre tantos outros que me abstenho de enumerar aqui. E não há ofício tão baixo, tão trabalhoso e imundo para os homens, que não seja tão alto para Deus se em todos eles mantivermos aquele grau primeiro para a santidade: Beati mundo corde.

Neste dia da Solenidade de Todos os Santos, proponhamo-nos a vivenciar com pureza de coração o exemplo destes homens e mulheres que doaram sua vida a Cristo, cada qual em seu estado de vida e em sua profissão. Para Deus não vale-se a grandeza terrena mas a grandeza do coração. O céu não está longe, mas muito próximo. Ele pode ser encontrado a começar do interior de cada homem. Pois que adianta o corpo está no claustro e o coração no mundo? Que adianta consagra-se a Deus, mas continuar a oferecer sacrifício aos ídolos? Que adianta abraçar um estado de vida, se teu coração e tua vocação te apontam outro caminho? Busquemos a santidade onde quer que estejamos. E onde quer que estejamos mostremos que a santidade produz a alegria dos filhos de Deus, não é triste nem monótona, é alegre, fiel e esperançosa.

Ano da Fé: “Audage nobis fidem”

O Santo Padre Bento XVI conclamou, como é sabido em todo mundo, o Ano da Fé, em comemoração do cinquentenário do Concílio Vaticano II e dos 20 anos do Catecismo da Igreja Católica. A convocação deu-se na Carta Apostólica Porta Fidei, escrita em forma de Motu Proprio. Na abertura da carta o Santo Padre nos diz: “A PORTA DA FÉ (cf. At 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma”(nº 1).  

Trata-se de recobrarmos o valor transcendental da fé, a sua mais alta dignidade. Nesta Virtude Teologal Deus manifesta ao homem que ele não se encontra só, não está isolado das realidades, mas constitui um povo, chamado a exercer livremente a sua adoção filial. E, como filhos, primamos sobretudo pelo ingresso à fé, que dar-se-á no sacramento batismal, realizado após o anúncio da Palavra, crida e confessada com a vida.

O Ano da Fé é propício também em um período que temos sido afrontados por ondas diversas, que tendem a fazer-nos questionar e duvidar da confiança em Deus. De fato, a fé não deve ser reduzida ao redil da razão, mas é ato de confiança e de plena entrega à bondade divina. É dom de Deus, é certeza constante, é indubitável. Conhecer, de fato, poderia ser uma operação somente intelectual, enquanto “reconhecer” quer significar a necessidade de descobrir a ligação profunda entre a verdade que professamos no Credo e a nossa existência cotidiana, para que esta verdade seja verdadeiramente e concretamente – como sempre foi – luz para os passos do nosso viver, água que irriga o calor do nosso caminho, vida que vence certos desertos da vida contemporânea.  No Credo se enxerta a vida moral do cristão, que nesse encontra o seu fundamento e a sua justificativa” (Catequese do Santo Padre Bento XVI, 18 de outubro 2012).

Este ano, que vai de 11 de outubro de 2012 até 24 de novembro de 2013, deve ser um convite à renovação e consolidação da nossa fé, fragilizada tantas vezes por demasiados pensamentos. Fé não é apenas racionalidade desafiadora, mas é também pureza consolidada no Deus frágil, que se tornou um de nós, mas que não perde a sua condição divina. Fragilidade e Fortaleza, aparentemente se contradizem (e muito!), mas na fé cristã elas se complementam, uma ajuda a outra, uma cede espaço a outra e assim as duas caminham juntas.

Para melhor aprofundarmos este ano tão caríssimo a nós, iniciarei algumas meditações sobre os documentos conciliares, procurando frisar os principais aspectos de cada um e a essência do tema a neles contido.

Celebramos hoje, com toda a Igreja, a Festa de São Lucas, Evangelista. Ele que inspirou o terceiro evangelho, seja para nós sinal de uma fé convicta, radicada nos ensinamentos de Cristo e autêntica para enfrentar as adversidades. Que o seu exemplo nos faça sempre portar uma fé vitoriosa e viva, na expectativa da nossa ressurreição final.

Por fim, esperamos que o Ano da Fé frutifique no coração de cada um o ardente desejo de procurar a Cristo e de encontrá-Lo. E, com toda a Igreja, queremos entoar do nosso íntimo: Audage nobis fidem!

Publicado originalmente no Reflexões Franciscanas

Sinfonia 2ª de Beethoven

“Cantate Domino canticum novum” (Sl 96,1)

Com estas palavras do salmista gostaria de dar continuidade às meditações das sinfonias de Beethoven, iniciadas a uns dias atrás.

A segunda sinfonia em Ré Maior, Op. 36 foi composta entre os anos de 1801 e 1802, em Heiligenstadt, quando Beethoven começava a evidenciar os primeiros sinais de sua surdez, o que levou-o a uma profunda depressão. Ela foi dedicada ao príncipe Kar Lichnowsky. Data-se também desta época, de fim de verão, o “Testamento” beethoviano, que embora fosse repleto de angústia e desespero, não se deixou transparecer na composição desta segunda sinfonia.

É evidente na segunda sinfonia o espírito de alegria que ela traz consigo. As palavras de São Paulo certamente circundaram a vida do grande compositor, para que não se abatesse e não perdesse a sua esperança. A certeza do auxilio do Senhor era-lhe certa. Ele não se desespera: Alegrai-vos sempre no Senhor (Fl 4,4), nos diz Paulo.

Sim, o homem temente a Deus carrega consigo a certeza da Sua alegria e do Seu apoio. Nele não está tudo acabado, entre à sorte daquele que é perverso e mal em sua natureza, mas é garantia de que as dores nos aproximam de Deus, que, embora soframos, o amor de Deus não diminui.

A sinfonia foi originalmente orquestrada para 2 flautas, 2 oboés, 2  clarinetes em lá, 2 fagotes, 2  trompas em ré e mi, 2 trompetes em ré, tímpanos e cordas.

No terceiro movimento é perceptível a substituição do tradicional Menuetto pelo Scherzo. Muitos foram os críticos que ficaram perplexos com tais mudanças. A sinfonia estreou no dia 5 de abril de 1803

Os movimentos dividem-se da seguinte forma:

  1. Adagio molto – Allegro com brio
  2. Larghetto
  3. Sherzo: alegro
  4. Allegro molto

O primeiro movimento desenrola-se na forma de uma sonata e assemelha-se à primeira sinfonia. Podemos encontrar também traços característicos da música folclórica, muito presente na Sinfonia Pastoral do músico. O terceiro é um quarteto Sherzo (que substitui o Menuetto). E o ultimo movimento é marcado pela rapidez e vivacidade que findam, assim, a composição.

Não temos nenhuma referência do manuscrito desta sinfonia, como também não o temos da primeira; o que nos restam apenas são esboços.

Pensemos que cada sinfonia de Beethoven é um aprofundamento, uma renovação, um acréscimo, uma melhora. E o faz o compositor com total cuidado e delicadeza que não venha a perder a estrutura essencial de sua música.

Nesta sinfonia é relevante a introdução mais longa que a primeira, mas com menos duração que as vindouras, visto que o aprimoramento deu-se a cada sinfonia, e por isso podemos também observar um dos aspectos que caracterizam sua sinfonia. E o segundo movimento desta sinfonia caracteriza-se por ser o mais longo andamento lento das sinfonias beethovianas.

O terceiro movimento é inusitado em si próprio. Ele rompe com a existência de um menuetto e introduz um Sherzo alegro. Algo que gerara uma certa surpresa por parte dos conhecedores da música.

O quarto andamento conclui com uma vivacidade impressionante, uma energia que contagia mesmo os ouvintes. Na época era algo realmente inusitado, inovador, marcado pela irreverência do grande compositor, talvez um como a história nunca mais verá, que marca a música clássica e os corações dos seus apreciadores.

O Mundo da Psicanálise

“Os ignorantes pronunciam ‘freud’. Os bem-informados pronunciam ‘fróid’. Eu, porém, pronuncio ‘fraude’.”
- G. K. Chesterton

O Mundo da Psicanálise

Pe. Juvan Celestino da Silva

  • Um mundo liberal, um mundo dos desejos satisfeitos, um mundo do hedonismo onde tudo é permitido, exceto a ordem, nada de disciplina, nada de Lei ou harmonia, tudo é aceitável;
  • No mundo da psicanálise satisfazem-se os desejos, os instintos mais baixos do homem e da mulher; satisfaz-se o sexo com toda volúpia até enlouquecer o ser humano em sua espinha dorsal;
  • No mundo da Psicanálise diz sim a liberdade dos instintos e, não para a liberdade dos princípios;
  • No mundo da Psicanálise Deus é o Pai que precisa morrer, para que o filho tenha todos os direitos garantidos, desde que se esqueça dos deveres;
  • No mundo da Psicanálise, Freud ensinou, que o pai é a causa do trauma, como conseqüência, desacreditem esse pai, não creia em Deus Pai, “pois como vocês têm a possibilidade de se “tornarem em um deus como Ele”, acabem com a religião que tem Deus como Pai”;
  • No mundo da Psicanálise, eles entendem que “para nós nos realizarmos plenamente como pessoas, devemos lutar contra o pai: “Matar o Pai”, porque o pai quer somente, segundo eles, nos dominar e tirar-nos a figura materna que nos alimenta”;
  • No mundo da Psicanálise, não se tem autoridade, então “mata-se o pai”, pois “ele é autoridade e quer somente nos oprimir para poder nos vencer, porque você, menino ou menina, quer roubar dele o amor da mãe, da esposa e ele deve oprimi-la por isso”;
  • No mundo da Psicanálise “Vocês devem destruir o seu pai terreno, devem sair de casa, não devem acreditar nele e devem destruir a religião cristã, porque a religião cristã tem um Deus que é Pai”;
  • No mundo da psicanálise nada de cobrança, deve-se deixar guiar pela cegueira dos desejos;
  • No mundo da psicanálise nada de repreensão, deixa correr solto… todas as paixões em nome da não frustração…
  • No mundo da psicanálise nada de palmadas nos filhos, palmadas nos pais, se, se ousarem a dar palmadas nos filhos…
  • No mundo da psicanálise educação é divertimento, nada de forçar a mente ou o raciocínio…
  • No mundo da psicanálise o homossexualismo é normal, anormais são as relações heterossexuais…
  • No mundo da psicanálise homofobia é crime, os depravados são inocentes e justos são todos aqueles que praticam aberrações;
  • No mundo da psicanálise conheça seu corpo através da masturbação, ignorante é quem vive na busca sadia do controle da castidade….
  • No mundo da psicanálise, experimente… experimente… quando se cansar… descanse… e enjoe-se de si e dos outros…
  • O mundo da psicanálise aprova a liberação do aborto em nome do direito da mulher, mesmo que aquele que pode nascer seja uma menina… ou seja, mata-se uma futura mulher…
  • No mundo da psicanálise….desafia-se Deus e suas leis;
  • No mundo da Psicanálise demônio não existe, tudo é coisa da mente…. Tudo é explicável pela mente, o que passa disso é loucura;
  • Mas como nos diz a Palavra por meio de São Paulo: “Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o argumentador deste século?”. (1 Cor 1, 19-20)
  • Os psicanalistas se arrogam saber das coisas mais do que os outros e, mas do que os santos…
  • Há por falar em santos e santas, para o Mundo da psicanálise eles não passam de um bando de exagerados e loucos… seus sacrifícios, penitencias e jejuns  são considerados  fora da moda,  pois na  moda está o cuidar do corpo e praticar  exercícios… nada de penitencia e viva a potencia;
  • Mas como nos diz o Filho do homem: “Mas a sabedoria foi justificada por suas obras” (Mt 11,19)
  • No mundo da psicanálise, se sabe para onde se encaminha a sociedade…

Obs.: Sigmund Freud foi um médico especializado em doenças mentais de renome, causador de polêmica na área cientifica, sociológica e filosófica que viveu no início do século XX, pai da psicanálise moderna. Formou sua teoria da psique humana, do inconsciente que registra tudo, destruindo o conceito de alma humana influenciando hereticamente a teologia cristã.