“…jamais chegareis a honrá-la tanto, como chamando-lhe Mãe de Deus.”

Our Lady of Fatima 2

“Necessário seria compreender quão sublime é a grandeza de Deus, para também se compreender a altura a que Maria foi elevada. Bastará, pois, somente dizer que Deus fez desta Virgem sua Mãe, para entender com isso que não lhe era possível exaltá-la mais do que a exaltou. Apropriadamente afirma Arnoldo de Chartres que, em se fazendo Filho da Virgem, Deus a colocou numa altura superior a todos os santos e anjos. Exceto Deus, ela é sem comparação mais elevada do que todos os espíritos celestes, como dizem S. Efrém e S. André de Creta. Vulgato Anselmo escreve: Senhora, vós não tendes quem vos seja igual, porque qualquer outro ou está acima, ou está abaixo de vós; só Deus vos é superior, e todos os outros vos são inferiores. É tão grande, em suma, a grandeza da Virgem, conclui S. Bernardino, que só Deus pode e sabe compreendê-la.”

“‘Por isso ninguém se maravilhe, adverte S. Tomás de Vilanova, se os santos evangelistas, tão prontos em registrar os louvores de São João Batista, de Madalena, foram tão parcos em descrever as prerrogativas de Maria. Contentam-se em dizer que dela nasceu Jesus. Baste-nos isso. Com tais palavras dizem tudo, resumem-lhe todas as excelências, sendo por isso desnecessário que as fossem descrevendo uma a uma’. E descrevê-las por que? Maria é Mãe de Deus, e já não excede com isso a toda grandeza e dignidade que se pode exprimir ou imaginar depois de Deus? pergunta Eádmero. Igualmente conclui Pedro Celense: Dai-lhe o nome que quiserdes, de Rainha do céu, de Senhora dos anjos, ou qualquer outro título de honra, jamais chegareis a honrá-la tanto, como chamando-lhe Mãe de Deus.”

Santo Afonso Maria de Ligório,
Glórias de Maria
3. ed. – Aparecida, SP: Editora Santuário, 1989
p. 291-292

Médicos do Vaticano aprovam milagre que tornará Wojtyla santo

Por Andrea Tornielli – Tradução: Ecclesia Una | “Santo subito!”: a canonização do Papa Wojtyla caminha a passos largos e poderia ser celebrada já no próximo mês de outubro. Papa João Paulo IIDe fato, nos últimos dias, a Comissão Médica da Congregação para as Causas dos Santos reconheceu que é inexplicável uma cura atribuída ao beato João Paulo II. Um suposto “milagre” que, se aprovado também pelos teólogos e cardeais – o que é muito provável –, fará com que o Pontífice polaco, que morreu em 2005, obtenha a auréola de santo em um tempo recorde, apenas oito anos depois de sua morte.

Tudo aconteceu em grande segredo, com a máxima discrição. Em janeiro, o postulador da causa, mons. Slawomir Oder, apresentou uma possível cura milagrosa à Congregação vaticana para os santos, para uma opinião preliminar. Como é sabido, depois da aprovação de um milagre para a proclamação de um beato, o procedimento canônico prevê o reconhecimento de um segundo milagre que deve acontecer depois da cerimônia de beatificação.

Dois médicos da comissão vaticana examinaram previamente este novo caso, e ambos deram um ditame favorável. O dossiê com os registros médicos e os testemunhos foi então apresentado oficialmente ao dicastério, que imediatamente o incluiu em sua agenda, para ser examinado. Nos últimos dias, o tema foi discutido por uma comissão de sete médicos, presidida pelo doutor Patrizio Polisca, cardiologista de João Paulo II, médico pessoal de Bento XVI e, agora, do Papa Francisco. A comissão médica também deu um parecer favorável, a primeira via livre oficial por parte do Vaticano, definindo como inexplicável a cura atribuída à intercessão do beato Karol Wojtyla.

Trata-se da superação do primeiro obstáculo fundamental, já que o suposto milagre terá agora que ser aprovado pelos teólogos e logo pelos cardeais e bispos da Congregação, antes de ser submetido ao Papa para o “sim” definitivo. Mas, de todo modo, o trâmite da comissão é considerado o passo mais importante: nem os teólogos nem os cardeais entram de fato nas valorações clínicas relativas ao caso.

Fica evidente, pelos passos que já foram dados, a vontade da Congregação para as Causas dos Santos de proceder de maneira rápida, como aconteceu com a beatificação de João Paulo II, celebrada por seu sucessor Bento XVI, em 1º de maio de 2011. Esta larga estrada que segue aberta para Wojtyla indica que também o Papa Francisco está a favor da canonização do Pontífice polaco.

Todavia, é prematuro falar de datas para a canonização, mas a rapidez com a qual está acontecendo o processo do milagre deixa aberta a possibilidade de que se celebre no domingo, dia 20 de outubro, aproveitando a festa litúrgica assinalada para o bem-aventurado Wojtyla, fixada em 22 de outubro.

A canonização tornará João Paulo II o segundo Papa santo do último século, depois de Pio X. Outros dois Papas beatificados mas não declarados santos são Pio IX e João XXIII. Outro Pontífice que está vendo chegar sua beatificação é Paulo VI: depois da conclusão do processo já foi apresentado à Congregação para as Causas dos Santos um milagre atribuído a sua intercessão. Espera-se, por outro lado, a indicação de um milagre para a causa de Pio XII. Enquanto isso, o processo do Papa Luciani já se encontra em fase avançada. Como se vê, a história do papado do século XX está cheia de auréolas.

“…como um imã atrai o ferro a si.”

Santa Brígida da Suécia

Santa Brígida da Suécia

“Mas agora, há muitos que me odeiam e a meus feitos, e que consideram minhas palavras como desgraça e vaidade, e ao contrário, com afeição e amor, abraçam o adulterador: o demônio. Tudo o que eles fazem para mim é feito com reclamação e amargor. Eles nem mesmo confessam meu nome ou me servem, se não tem medo da opinião de outros homens. Eles amam o mundo com tal fervor que nunca se cansam de trabalhar por ele, noite e dia, sempre queimando de amor por ele. Seu serviço é tão agradável para mim como o de alguém que dá dinheiro a seus inimigos para matar seu próprio filho! Isto é o que eles fazem para mim. Dão-me algumas esmolas e me honram com seus lábios para conseguir sucesso no mundo e permanecer em seu privilégio e em seus pecados. O bom espírito está, portanto, bloqueado neles e eles estão impedidos ter qualquer progresso em fazer o bem.”

“No entanto, se quiseres amar-me de todo seu coração e não desejar nada a não ser a mim, Eu te atrairei a mim através do amor, como um imã atrai o ferro a si. Tomar-te-ei em meu braço, que é tão forte que ninguém o pode estender, e tão firme que ninguém, uma vez estendido, pode dobrar, e é tão doce que ultrapassa todos os aromas e está além da comparação com qualquer coisa doce ou prazer do mundo.”

Das revelações de nosso Senhor a Santa Brígida da Suécia
via “Escritos dos Santos”

Rolando Rivi beato

Há pouco menos de um ano, escrevi aqui algumas linhas sobre o seminarista Rolando Rivi, que recebeu a palma do martírio, após recusar abandonar sua batina. Afirmei, na ocasião, que “a identidade sacerdotal se expressa não só no testemunho pessoal e nas obras apostólicas, como também na maneira como a pessoa se apresenta ao mundo”. Seu martírio é um exemplo para nossos tempos, em que até mesmo os ministros de Cristo – escolhidos para servi-Lo de maneira especial, oferecendo o Santo Sacrifício da Missa – rejeitam elementos públicos que apontem para a identidade sacerdotal.

Pois bem, reconhecido o seu martírio, este jovem herói já está pronto para ser elevado à honra dos altares. Na última Semana Santa, o Papa Francisco autorizou “a Congregação da Causa dos Santos a promulgar os Decretos em relação a 63 novos Beatos e 7 novos Veneráveis servos de Deus”. Um dos decretos reconhece “o martírio do Servo de Deus Rolando Rivi, aluno de Seminário; nascido em San Valentino de Castellarano, Itália, em 7 de janeiro de 1931 e morto no ódio à fé em Piane di Monchio, Itália, em 13 de abril de 1945”. Como é sabido, a entrega heroica dos mártires dispensa o reconhecimento de um milagre para o processo de beatificação. Este decreto autorizado pelo Santo Padre era o que faltava para que chamássemos o jovem de bem-aventurado.

O que esta beatificação significa para nós? Muitas coisas… mas talvez uma delas seja notável: enquanto alguns críticos da batina dentro da própria Igreja, contaminados por um laicismo intolerante e agressivo, passam e caem no esquecimento; outros, que honram o hábito eclesiástico – porque reconhecem a necessidade de ser sinais de Deus não só dentro da sacristia -, são martirizados e beatificados. É uma lição importantíssima especialmente para o Brasil, em que padres são perseguidos simplesmente por defender o uso da sotaina e as leis da Igreja.

“Não é pão ou vinho comum o que recebemos.”

“A outros não é permitido participar da eucaristia, a não ser aquele que, admitindo como verdadeiros os nossos ensinamentos e tendo sido purificado pelo batismo para a remissão dos pecados e a regeneração, leve uma vida como Cristo ensinou.”

Jesus transubstanciação“Pois não é pão ou vinho comum o que recebemos. Com efeito, do mesmo modo como Jesus Cristo, nosso salvador, se fez homem pela Palavra de Deus e assumiu a carne e o sangue para a nossa salvação, também nos foi ensinado que o alimento sobre o qual foi pronunciada a ação de graças com as mesmas palavras de Cristo e, depois de transformado, nutre nossa carne e nosso sangue, é a própria carne e o sangue de Jesus que se encarnou.

“Os apóstolos, em suas memórias, que chamamos Evangelhos, nos transmitiram a recomendação que Jesus lhes fizera. Tendo eles tomado o pão e dado graças, disse: ‘Isto é o meu corpo (…) Fazei isto em memória de mim’ (Lc 22, 19; Mc 14, 22); e tomando igualmente o cálice e dando graças, disse: ‘Este é o meu sangue’ (Mc 14, 24), e os deu somente a eles. Desde então, nunca mais deixamos de recordar estas coisas entre nós. Com aquilo que possuímos, socorremos a todos os necessitados e estamos sempre unidos uns aos outros. E por todas as coisas, com que nos alimentamos, bendizemos o Criador do universo, por seu Filho Jesus Cristo e pelo Espírito Santo.”

(…)

“Reunimo-nos todos no dia do Sol, não só porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso salvador, ressuscitou dos mortos. Crucificaram-no na véspera do dia de Saturno; no dia seguinte a este, ou seja, no dia do Sol, aparecendo aos seus apóstolos e discípulos, ensinou-lhes tudo o que também nós vos propusemos como digno de consideração.”

Das Apologias de São Justino (século II), mártir, confirmando a perene doutrina católica da transubstanciação

São José, “um eloquente testemunho de como ‘reinar’ é ‘servir’.”

Fonte: Santa Sé – Por Papa João Paulo II
Angelus, 18 de março de 2001

São JoséSão José é para nós, em primeiro lugar, modelo de fé. Como Abraão, viveu sempre numa atitude de total abandono à Providência divina e, por isso, oferece-nos um exemplo encorajante, especialmente quando nos é pedido que nos confiemos a Deus “sob a palavra”, isto é, sem ver claramente o seu desígnio.

Somos chamados a imitá-lo, além disso, no humilde exercício da obediência, virtude que nele brilha no estilo de silêncio e obscuridade operosa. Como é preciosa a “escola” de Nazaré para o homem contemporâneo, assediado por uma cultura que muito frequentemente exalta a aparência e o sucesso, a autonomia e um falso conceito de liberdade individual! Quão necessário é, pelo contrário, recuperar o valor da simplicidade, da obediência, do respeito e da busca amorosa da vontade de Deus.

São José viveu ao serviço da sua Esposa e do Filho divino; tornou-se assim para os crentes um eloquente testemunho de como “reinar” é “servir”. Podem olhar para ele, para um útil ensinamento da vida, especialmente aqueles que na família, na escola e na Igreja têm o dever de ser “pais” e “mestres”. Penso sobretudo nos pais, que celebram a sua festa precisamente no dia dedicado a São José. Penso também em todos os que Deus colocou na Igreja para exercer uma paternidade espiritual.

(…)

São José, que o povo cristão invoca com confiança, guie sempre os passos da família de Deus; ajude, de maneira muito especial, aqueles que exercem a missão da paternidade tanto física como espiritual. Acompanhe a nossa invocação e interceda por nós Maria, Esposa virginal de José e Mãe do Redentor.

As febres extraordinárias de São Pio de Pietrelcina

Relatos extraídos do ótimo Padre Pio – um santo entre nós, do jornalista italiano Renzo Allegri. Os grifos são nossos.

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Há ainda outro dado desconcertante a tomar em consideração, um dado absolutamente inconcebível do ponto de vista científico, mas extremamente significativo para ajudar a compreender a situação: as suas febres.

Tão depressa vinham como, de repente, desapareciam. Atingiam temperaturas elevadíssimas, tão elevadas que não havia memória de tais valores na história da medicina. Se não fossem detectadas e controladas por médicos, pensar-se-ia que os dados transmitidos tinham sido inventados.

O Padre Pio começou a acusar este tipo de febres precisamente nos anos em que era forçado a abandonar periodicamente o convento para tratar da sua saúde em casa.

Os médicos constatavam que a fronte do jovem religioso ardia, que os seus olhos brilhavam e que tinha o pulso galopante. Colocavam-lhe o termómetro debaixo das axilas e a coluna de mercúrio subia com rapidez e violência dentro do tubo de vidro, a ponto de fazê-lo rebentar. A febre ultrapassava, portanto, os 42 graus centígrados, limite máximo previsto num termómetro normal.

Certo dia um médico teve a ideia de utilizar um termómetro daqueles que são utilizados para medir a temperatura da água, o «termómetro de banho». Mediu a febre ao Padre e a pequena coluna de mercúrio deteve-se nos 48 graus. O médico não queria acreditar no que estava a ver. Experimentou de novo, e obteve o mesmo resultado.

Este dado foi mais tarde confirmado por médicos militares, quando o Padre Pio estava na tropa, e depois pelo doutor Giorgio Festa, que estudou longa e meticulosamente o físico do Padre Pio. «Eu já tinha ouvido falar daquela anomalia», escreveu o Doutor Festa, num dos seus relatórios. «Julgava-a impossível e, para poder avaliá-la com exactidão, levei comigo um termómetro especial, que serve para as experiências científicas e que é de uma precisão absoluta.»

O Doutor Festa mediu metodicamente a temperatura do Padre Pio, duas vezes por dia, durante várias semanas. Os resultados foram incríveis. Havia dias em que a temperatura era de 36,2-36,5 graus, mas noutros subia a 48-48,5 graus.

«Quando era atingido por temperaturas tão elevadas,» escreveu o Doutor Festa, «o Padre Pio parecia sofrer muito, sendo tomado por grande agitação na cama, mas sem delirar e sem as perturbações comuns que habitualmente acompanham alterações febris significativas. Ao fim de um ou dois dias, tudo regressava ao seu estado normal.»

O próprio Padre Pio deixou um testemunho deste facto em várias cartas. A 9 de Fevereiro de 1917, escreveu o seguinte a Erminia Gargani, sua filha espiritual: «Sinto que melhorei. A febre tão alta, que não havia termómetro capaz de medi-la, deixou-me há já alguns dias».

Passados vários dias, escrevendo a Maria, irmã de Erminia, acrescentava: «O calor da febre era tão excessivo, que fazia rebentar o termómetro».

O Padre Paolino de Casacalenda, que nessa altura era Guardião do convento de San Giovanni Rotondo, escreveu assim nas suas memórias:

Padre Paolino da Casacalenda

«Estávamos a 17 ou 18 de Janeiro de 1917, quando o Padre Pio caiu de cama. Era a primeira vez que eu me encontrava com ele. Ao vê-lo estendido no leito, com o rosto afogueado e a respiração um pouco difícil, tínhamos a sensação súbita de um grande sofrimento…»

«Antes de chamar o médico, decidi tirar-lhe a febre. Qual não foi o meu espanto quando, ao retirar o termómetro, me apercebi que o mercúrio, chegado aos 42 graus e meio, ou seja, ao ponto extremo dos termómetros vulgares, tinha feito pressão e, não podendo sair, tinha quebrado o reservatório onde estava encerrado. Ainda hoje conservo aquele termómetro especial, que nunca quis entregar a ninguém, sendo esta a prova mais autêntica daquilo que digo…»

«Entretanto, embora soubesse que uma febre de 42,5 graus é sinal de doença grave, nao me assustei, persuadido de que me encontrava frente a um indivíduo fora do vulgar, e por isso nem sequer me apressei a chamar o médico.»

«Pelo contrário, cheio de curiosidade por ver até onde chegaria a febre do Padre, peguei num termómetro de banho, que tinha no meu quarto e, depois de o ter libertado do estojo de madeira em que estava encerrado, aproximei-me do doente, a fim de lhe medir novamente a febre. O meu assombro aumentou extraordinariamente ao verificar o termómetro, depois de o ter retirado da axila do Padre. Vi na coluna que o mercúrio tinha atingido os 52 graus. Observei imediatamente o doente, com grande preocupação, mas ele revelava apenas uma grande depressão. Pus-lhe a mão na fronte; estava fresca como a de quem não tem febre…»

O Padre Raffaele de Sant’Elia de Pianisi, que viveu muitos anos com o Padre Pio, e foi Guardião do convento de San Giovanni Rotondo, deixou o seguinte testemunho:

Padre Raffaele de Sant’Elia de Pianisi

«Durante os anos em que vivi com Padre Pio, ele era muitas vezes atacado por gripes e febres reumáticas e lembro-me que, um ano, também por malária, de tal modo que cheguei a dar-lhe injeções de quinino, receitadas pelo doutor Di Giacomo.»

«Quando tinha estes acessos de febre, o termómetro ultrapassava sempre os 46 graus, e também me recordo que, um ano, no dia de Pentecostes, quando D. Bosco foi canonizado, subiu a 53 graus. Vi-o com os meus próprios olhos. O Padre, na sua cama, parecia autêntico fogo, devido ao calor. Para lhe tirar a febre, tínhamos utilizado um termómetro de banho.»

«Alguns revelaram que naquele dia tinham visto o Padre Pio em Roma, a assistir à canonização de D. Bosco, ao lado de D. Orione. Eu sei muito bem que naquele dia o Padre Pio estava de cama, e nao posso dizer até que ponto tais afirmações eram verdadeiras. De resto, tudo era possível ao Padre Pio, de quem se contavam tantos casos de bilocação.»

Outro testemunho significativo, que revela como o fenómeno se repetiu ao longo do tempo, remonta aos anos 1941-1944, e é dado pelo doutor Giuseppe Avenia, médico cirurgião de Agropoli, na província de Salerno, que visitou o Padre Pio durante esse período. Ele conservava ainda o termómetro com que, então, tinha tirado a febre ao Padre e que se tinha quebrado, na axila do paciente, devido ao facto de a coluna de mercúrio ter ultrapassado os 42 graus.

Como já disse, nenhum médico, que nao tenha sido testemunha directa, aceita como verdadeiros os factos referidos, pois não têm equivalente na história da medicina.

O doutor Giorgio Festa que, ao estudar os estigmas do Padre Pio, também se interessou pelos seus febrões, procedeu a investigações específicas. Descobriu que Julius Friedrich Cohnheim, no seu Tratado de Patologia Geral, recordava que, no ataque epiléptico e urémico, nomeadamente em casos de tétano, numerosos observadores tinham registrado temperaturas absolutamente extraordinárias: 42,5-43, e até 44 graus. Eram temperaturas sempre fatais que, por vezes, depois da morte, sofriam ainda um aumento.

Baumler, referindo-se à patologia da insolação, falava de um caso, seguido de morte, em que o doente, uma hora após o seu internamento no hospital, apresentava uma temperatura de 42,9 graus.

Wunderlich, na Alemanha, tinha chamado a atenção dos médicos para a circunstância de que, nas mais variadas doenças do sistema nervoso central, quase no fim da vida, a temperatura do corpo podia subir de forma considerável, chegando a atingir 42 e, às vezes, 43 e 44 graus.

O que ele pensava sobre o assunto fora confirmado por todos os observadores que o tinham seguido, e as temperaturas tão elevadas por ele descritas tinham recebido o nome de «agónicas ou pré-agónicas», precisamente como expressão da tragédia que prenunciavam.

Contudo, em todos estes casos extremos, investigados pelo doutor Festa, estamos sempre muito longe daquilo que acontecia ao Padre Pio, cuja febre alcançava os 48 e até os 53 graus centígrados.

[ALLEGRI, Renzo. Padre Pio – um santo entre nós, pp. 94-97. Paulinas, Lisboa, 1999.]

A justificação vem pela fé, desde que verdadeira e sincera

“Pela fé vem a justificação, desde que seja verdadeira e sincera, não falsa e afetada. A fé dos heréticos não conduz à justificação, pois não é verdadeira, é falsa; a fé dos maus católicos não conduz à justificação por que não é sincera, mas afetada. É afetada de duas maneiras: quando nós não acreditamos realmente, mas somente fingimos acreditar; ou quando, apesar de acreditar, não é vivida, como acreditamos que deve ser. Nestas duas situações é que as palavras de São Paulo na epístola a Tito devem ser compreendidas: Afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos (Tt 1, 16a). Desta maneira os santos padres Jerônimo e Agostinho interpretam estas palavras do apóstolo.”

“Agora, desta primeira virtude de um homem justo, nós podemos facilmente entender quão grande deve ser a multidão daqueles que não vivem bem, e, da mesma maneira, morrem no pecado. Eu vejo infiéis, pagãos, heréticos e ateístas que são completamente ignorantes da arte de morrer bem. E entre católicos, quantos existem que ‘afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos’? Quem reconhece ser virgem a mãe de Nosso Senhor, mas não teme blasfemar contra ela? Quem preza orar, jejuar, fazer caridade e outras boas obras, mas ainda se permite vícios opostos? Eu omito outras coisas que são conhecidas de todos. Aqueles dizem possuir fé ‘sem hipocrisia’, não acreditam naquilo que dizem crer, ou não vivem de acordo com os mandamentos da Igreja Católica; e, por isso, demonstram pela sua conduta que ainda não começaram a viver bem, nem podem ter esperança de uma morte feliz, exceto se por uma graça de Deus aprenderam a arte de morrer bem.”

- São Roberto Belarmino em A Arte de Morrer Bem, cap. 3
via Tesouros da Igreja Católica

Santidade: Convite proeminente de Cristo

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A chamada universal à santidade iniciada por Cristo e continuada pela Igreja perpetua-se durante estes vinte e um séculos sobre o foco de um convite. Em verdade, esta nunca se impôs como uma obrigação, mas foi manifestada àqueles que escutam atenciosamente o chamado do Senhor e que, com Ele, desejam estreitar suas vidas em conformidade com o projeto salvífico.

Beati mundo corde – Bem-aventurados os puros de coração” (Mt 5,8). Bem aventurados todos os que conformam sua vida ao projeto de Cristo, aqueles que adentram o seu coração e que deixam-se adentrar por Ele. É relevante o tema da santidade uma vez que ela é a via para conduzir-nos a Deus. Todos são conclamados a este mistério de amor dado por Deus, Santo por excelência, “Santo e fonte de toda a santidade”; o Deus vivo e verdadeiro que existe antes de todo o tempo e permaneceis para sempre, habitando em luz inacessível (Oração Eucarística II; cf. Ora. Euc. IV). Tal a magnitude de sua santidade, que nem todos os Santos, unidos a bem-aventurada Virgem Maria, poderiam superá-lo, afinal Ele é o Criador e Senhor de todas as coisas, autor da santidade e Sumo Bem. Por isso, Ele é três vezes Santo – Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth -, o Senhor dos exércitos, que enche o céu e a terra (cf. Is 6,3).

Se perguntarmos aos teólogos qual o maior atributo de Deus dir-nos-ão que n’Ele são todos os atributos iguais, porque todos e cada um deles é Deus, e portanto não podem ser ditos maiores ou menores, mas constituem parte inerente e indizível da mesma natureza. Entretanto, São Dionísio Areopagita, que outrora escrevera magnanimamente sobre os atributos divinos, diz-nos: “Deus per excellentiam cuncta excellentem Sanctus Sanctorum praedicatur – Quando dizemos que Deus é santo, e Santo dos Santos, louvamos em Deus uma excelência que é mais excelente que todas”. Há também que ressaltarmos que as Escrituras nos apresentam o nome Santo como um outro nome de Deus. Podemos vê-lo em um dos exemplos: “Blasphemaverunt Sanctum Israel – Blasfemaram o Santo de Israel” (Is 1,4).

A noção bíblica de santidade é riquíssima de significados. A Escritura não apenas põe a santidade como renúncia ao profano, mas coloca-a em Deus, sua própria fonte e origem. Se, de um lado, a santidade de Deus, como já dissera, é inacessível ao homem; por outro lado o próprio Deus quis comunicar essa sua santidade, Ele “se santifica”, se mostra santo, manifestando sua glória. Poderíamos deter-nos sobre diversas manifestações da santidade divina, no entanto convém deter-nos sobre a santidade comunicada por amor aos homens.

“Agora celebramos, e depois seremos celebrados: agora nós celebramos a eles, e depois outros celebrarão a nós” (Pe. Antônio Vieira, Sermão de Todos os Santos). Com estas palavras do egrégio orador, possuidor de riquíssima sabedoria intelectual, mas sobretudo de um uma riqueza espiritual, vemos o convite veemente à santidade.

A Igreja triunfante recebeu o mérito da vida que levara enquanto Igreja militante. Mas, donde lhes provém a santidade divina, se os laços humanos foram rompidos com Deus? A santidade humana não provém diretamente de Deus, mas antes disso ela deve passar pelo sacrifício de Cristo que santifica a todos os crentes. A participação na vida de fé move-nos a este caminho de santidade, nos conclama a uma participação na comunidade eclesial, onde podemos melhor exercê-la.

O Sagrado Concílio Ecumênico Vaticano II, com o qual devemos estreitar mais ainda nossos laços neste Ano da Fé, faz-nos uma advertência sobre a Santidade: “Munidos de tantos e tão salutares meios, todos os cristãos de qualquer condição ou estado são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai” (nº 31).

Não é um convite indiferente às necessidade do tempo hodierno. Também hoje ressoa o convite de Cristo, que, embora às vezes, sufocado pelos prazeres e comodismos de vida, nunca é totalmente ab-rogado do homem. Por isso, na segunda leitura, São João faz-nos recobrar a grandeza própria do homem, de ser chamado filho de Deus: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai.
Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1Jo 3,1-2).

Graças a filiação adotiva podemos ser chamados filhos de Deus. E o somos por meio de Cristo Jesus. Este é o presente primeiro que nos concede Deus em sua infinita bondade. Rompidos os laços do homem com o pecado, Deus, por meio da encarnação do Verbo, nos reconstitui a Ele, nos faz seus filhos e nos concede a dignidade de podermos chamá-lo: Pai.

Mas esta filiação adotiva leva-nos também a professarmos a nossa certeza da luta pela santidade. “Seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como ele é”. Estas palavras do apóstolo fazem mergulhar-nos na grande misericórdia de Deus. Eis a recompensa para aqueles que fazem da sua vida um sinal do amor de Deus. Contemplar a face de Deus, é isso que tanto pedimos, e isto nos será concedido se mantivermos em nós os mesmos sentimentos de Cristo, a retidão e a estreita união com Deus.

Beati mundo corde – Bem-aventurados os puros de coração”, diz Nosso Senhor no Evangelho (Mt 5,8). Sim, é no coração que está a fonte da santidade, por isso o homem deve mergulhar o seu coração no Coração de Deus. 

Por isso dirá Padre Antônio Vieira: “De sorte que, para um homem ser santo, não é necessário coisa alguma fora do homem, nem ainda é necessário todo homem; basta-lhe uma só parte, e essa a primeira que vive e a última que morre, para que lhe não possa faltar em toda a vida, que é o coração” (Sermão de Todos os Santos).

Para Deus basta-nos a pureza do coração para que obtenhamos os bens celestiais concedidos aos já participantes da Igreja triunfante. Por isso, de nada nos adiantam títulos e honras se não obtivermos, antes de tudo, a maior honra que é a de um coração límpido, tocado pelo amor de Deus. Não são as Mitras, os Báculos, os Solidéus, as Coroas, os graus hierárquicos, o estado civil, os bens materiais, que fazem ou deixam de fazer santos, mas antes de tudo (e somente isso!): a pureza interior. Não fosse assim não o seriam Luiz, Rei da França; Estevão, Rei da Hungria; Erico, Rei da Dinamarca; Benedito, o Negro, Cozinheiro do Convento; Lázaro, pobre; Floro, serrador; Jacó de Boêmia, carpinteiro; Alderico, vaqueiro; Arnoldo, marinheiro; Leonardo, pastor, entre tantos outros que me abstenho de enumerar aqui. E não há ofício tão baixo, tão trabalhoso e imundo para os homens, que não seja tão alto para Deus se em todos eles mantivermos aquele grau primeiro para a santidade: Beati mundo corde.

Neste dia da Solenidade de Todos os Santos, proponhamo-nos a vivenciar com pureza de coração o exemplo destes homens e mulheres que doaram sua vida a Cristo, cada qual em seu estado de vida e em sua profissão. Para Deus não vale-se a grandeza terrena mas a grandeza do coração. O céu não está longe, mas muito próximo. Ele pode ser encontrado a começar do interior de cada homem. Pois que adianta o corpo está no claustro e o coração no mundo? Que adianta consagra-se a Deus, mas continuar a oferecer sacrifício aos ídolos? Que adianta abraçar um estado de vida, se teu coração e tua vocação te apontam outro caminho? Busquemos a santidade onde quer que estejamos. E onde quer que estejamos mostremos que a santidade produz a alegria dos filhos de Deus, não é triste nem monótona, é alegre, fiel e esperançosa.

Aprendendo doutrina católica com a “serpente de bronze”

O nosso Apostolado tem trabalhado bastante, nos últimos dias, por meio da rede social Facebook. Neste mês de agosto, nossa página de evangelização ultrapassou as duas mil opções “curtir”, e as mensagens que disponibilizamos em nosso espaço têm sido amplamente compartilhadas. E, como também o Facebook possibilita a postagem de comentários nas atualizações, temos acolhido algumas discussões de conteúdo bem interessante – como, p. ex., a conduta anticatólica do candidato à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, e o problema da adesão dos católicos paulistanos à sua campanha política. No entanto, o mais novo debate que temos travado é com os protestantes. Não cessam as acusações de que a honra que prestamos aos santos ícones seria idolatria.

Para contestar o uso descontextualizado que muitos protestantes fazem das Escrituras Sagradas, fiz uma montagem, com uma estátua do pai do protestantismo alemão, Martinho Lutero, que está na cidade de Wittenberg (imagem ao lado). Se, como eles dizem, é proibido esculpir imagens de qualquer coisa – mesmo de nosso Senhor! -, qual seria o sentido de uma escultura desta? Se Êxodo 20 serve para os católicos, deve servir também para os protestantes – dois pesos, duas medidas. As respostas foram diversas. Mas, uma coisa até alguns protestantes reconheceram: é claro que o problema não está na confecção das imagens, mas sim no uso que se faz delas! Tanto é verdade que o próprio Deus ordenou, em determinada ocasião, que fosse construída uma serpente de bronze (cf. Num 21, 9); quando, porém, os israelitas utilizaram a imagem para praticar idolatria, a mesma imagem foi destruída (cf. 2 Rs 18, 4), já que estava se tornando ocasião de perdição para o povo de Deus.

A “serpente de bronze” nos ensina muita coisa. Além de ser imagem de Cristo crucificado – segundo o próprio Jesus (cf. Jo 3, 14) -, ela vem indicar-nos o que o Catecismo da Igreja Católica chama de “nova economia das imagens” (cf. § 2131), realidade que nosso Senhor inaugura com sua encarnação. A proibição do Antigo Testamento a qualquer tipo de imagem esculpida (cf. Dt 4, 15-16), do que quer que seja, decorria do fato de o Deus de Israel ser absolutamente transcendente, e, em certo sentido, inatingível, posto que, como afirma o próprio São João, “ninguém jamais viu a Deus” (1 Jo 4, 12). Com a Encarnação do Verbo, porém, esta realidade sofreu uma reviravolta total. O próprio Deus quis se fazer visível, representável. Ele mesmo desceu até nós, veio habitar em nosso meio. É basicamente esta a linha de pensamento que segue São João Damasceno, doutor da Igreja, em sua argumentação contra os iconoclastas:

“Em outros tempos, Deus não havia sido representado nunca em imagem, sendo incorpóreo e sem rosto. Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu entre os homens, eu represento o que é visível em Deus. Eu não venero a matéria, mas o Criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria. Nunca cessarei por isso de venerar a matéria através da qual me chegou a salvação. Mas não a venero em absoluto como Deus! Como poderia ser Deus aquilo que recebeu a existência a partir do não ser?… Mas eu venero e respeito também todo o resto da matéria que me procurou a salvação, enquanto que está cheia de energias e de graças santas. Não é talvez matéria o lenho da cruz três vezes bendita?… E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos, não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão da vida não é matéria?… E antes que nada, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor? Ou se deve suprimir o caráter sagrado de tudo isso, ou se deve conceder à tradição da Igreja a veneração das imagens de Deus e a dos amigos de Deus que são santificados pelo nome que levam, e que por esta razão estão habitados pela graça do Espírito Santo. Não se ofenda portanto a matéria: esta não é desprezível, porque nada do que Deus fez é desprezível.”

Mas os iconoclastas protestantes são obstinados. Nada lhes tira da cabeça que prestamos culto de adoração à matéria – no caso, às esculturas da Virgem Maria e dos Santos católicos. Não adianta mostrar que, no Catecismo da Igreja Católica, há uma condenação expressa à prática da idolatria, absolutamente “incompatível com a comunhão divina” (§ 2113). Não adianta esclarecer que o culto prestado aos ícones dirige-se, na verdade, à pessoa que está ali representada; nem que a imagem serve apenas como uma forma de lembrar aqueles que enfeitaram suas almas com as mais belas virtudes do Céu. Não adianta falar que as imagens de Nossa Senhora nos andores são somente uma humilde sugestão da glória que orna a Mãe do Salvador na cidade celestial. Não adianta provar para eles que a comunhão dos Santos era doutrina comum dos primeiros cristãos; nem que a intercessão dos cristãos que já tinham morrido era prática recorrente na própria Liturgia primitiva.

Não adianta sequer oferecer-lhes a história bíblica da “serpente de bronze” – da obra que o próprio Deus ordenou que fosse esculpida, a fim de sarar as feridas de seu povo. Nada disto adianta. Os pastores de suas comunidades pentecostais já inocularam em suas mentes suas interpretações particulares da Escritura, relegando à condição de idólatras as práticas de piedade da religião que colonizou esta Terra de Santa Cruz. Uma pena. O diálogo com os protestantes continuará permeado pela ignorância e pela injustiça. Injustiça, sim, porque a Bíblia que foi, nos primeiros séculos, cuidadosamente moldada pelos bispos da Igreja Católica, é o mesmo instrumento do qual estes mentirosos se servem para acusar-nos de idolatria.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!