A Teologia da Libertação na Pastoral da Juventude III

Esta não é a primeira vez que escrevemos sobre a Teologia da Libertação infiltrada na Pastoral da Juventude. Em uma ocasião, quando escrevemos sobre as críticas feitas pelos pejoteiros ao cartaz da Campanha da Fraternidade deste ano, afirmei:

“[É] esta a PJ que criticamos: a Pastoral da Juventude que se alinhou ao materialismo, às ideias revolucionárias e anticristãs do marxismo, à Teologia que tem destruído inúmeras vocações em toda a América Latina… Estas ideologias falsas são demasiado velhas e antiquadas; não combinam com o espírito da juventude.”

Nossa crítica permanece. Jovens que buscam viver seu Batismo, lutando contra o pecado e contra a “cultura de morte” de nosso mundo: esta postagem não é para nenhum de vocês. As linhas que seguem são dirigidas a algumas víboras mascaradas de católicos, que atacam a Igreja da maneira mais vil: tentando destruí-la por dentro. As linhas que seguem são aos sectários que tentam ressuscitar uma Teologia fracassada, falida, sem futuro nenhum. As linhas que seguem são, sobretudo, uma denúncia.

Há uma página no Facebook que já há algum tempo é motivo de escândalo para os fiéis católicos brasileiros. É administrada por membros da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Fortaleza, no Ceará. Há ali inúmeras postagens exaltando figuras como o teólogo da libertação Leonardo Boff, o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, o ditador cubano Fidel Castro e, mais recentemente, o “companheiro” Hugo Chávez.

Ainda é necessário dizer o quanto a idolatria destas personagens contrasta com a autêntica fé católica? O quanto repugna ao Cristianismo o culto destas pessoas que, em vida, lutaram – e lutam – não pelo Reino de Deus, mas pela implantação de um “paraíso socialista” neste mundo? A quem talvez não saiba das contradições gritantes que existem entre o catolicismo e o comunismo ateu, pode interessar muito a leitura deste ótimo artigo do amigo Felipe Melo, do blog da Juventude Conservadora da UnB. Desde o começo, o socialismo foi condenado pelos Papas: o mesmo socialismo pelo qual lutaram Che Guevara, Fidel Castro e outros picaretas hoje estampados no mural da página de uma pastoral que se diz… católica! O mesmo socialismo que hoje tem seus simpatizantes agindo pública e livremente em um grupo dentro da… Arquidiocese de Fortaleza!

Mas eles vão além: introduzem sua desobediência ao Magistério também na Liturgia. Uma foto é suficiente para mostrar a falta de respeito e sacralidade na hora de celebrar a Santa Missa:

"PJ: nosso jeito de ser, crer e viver"

Acontece sempre? Não dá pra saber, mas talvez a legenda “nosso jeito de ser, crer e viver” diga alguma coisa.

É com isto que a Pastoral da Juventude se identifica: com a avacalhação da Liturgia católica, contra a qual o bem-aventurado João Paulo II já tão insistentemente tinha alertado:

“Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. (…) Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções.”

- Ecclesia de Eucharistia, n. 10

“A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções.” As palavras são de João Paulo II, são do Papa! Mas, devemos esperar obediência desses grupos tão notáveis justamente por desobedecerem? Aliás, é bom nem imaginar qual a ideia que a Pastoral da Juventude faz do Sumo Pontífice, quando chama o próprio Jesus Cristo de “socialista”.

A PJ é católica?! Pode até ser, mas este grupo de Fortaleza, que cultua Che Guevara, Fidel Castro e Hugo Chávez, já abandonou a Igreja há muito tempo. Afinal, nas palavras do Papa Pio XI, de venerável memória, “ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Quadragesimo Anno, III, n. 2).

*

Leia também os outros dois posts da trilogia: A Teologia da Libertação na Pastoral da Juventude I e A Teologia da Libertação na Pastoral da Juventude II, no arquivo de nosso blog.

Cardeal Ranjith: pela piedade litúrgica, contra a comunhão na mão.

O perfil do cardeal Malcolm Ranjith, do Sri Lanka, foi abordado em um artigo recente do vaticanista John Allen Jr., traduzido pelo Fratres in Unum. Ranjith emerge, junto com o Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica no Vaticano, Raymond Burke, como um cardeal de linha mais conservadora, sendo próximo dos tradicionalistas, especialmente no que diz respeito à Liturgia.

O purpurado asiático já se manifestou contrário à comunhão na mão, ao escrever o prefácio do famoso livro de Dom Athanasius Schneider, “Dominus Est! – É o Senhor!” (cujo conteúdo já foi elogiado pelo cardeal Francis Arinze, ex-Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos). Transcrevemos o texto do cardeal na introdução desta obra, a fim de ajudar os leitores a entender a urgente necessidade de tratarmos com respeito a Eucaristia, para superar a crise de fé contemporânea. Com a palavra, o cardeal Ranjith:

Cardeal RanjithNo livro do Apocalipse, São João narra que, tendo visto e ouvido o que lhe havia sido revelado, prostrou-se em adoração aos pés do Anjo de Deus (cf. Ap 22, 8). Prostrar-se ou ajoelhar-se ante a majestade da presença de Deus, em humilde adoração, era um hábito de reverência que Israel sempre praticava ante a presença do Senhor. Diz o primeiro livro dos Reis:

“Quando Salomão acabou de dirigir ao Senhor esta oração e súplica, levantou-se diante do altar do Senhor, onde estava ajoelhado, de mãos erguidas para o céu. Pôs-se de pé e abençoou toda a assembleia de Israel” (I Rs 8, 54-55).

A postura da súplica do Rei é clara: ele estava de joelhos ante o altar.

A mesma tradição se encontra também no Novo Testamento, onde vemos Pedro ajoelhar-se diante de Jesus (Lc 5,8); Jairo ao lhe pedir que cure a sua filha (Lc 8, 41); o Samaritano quando volta para agradecer-Lhe, e Maria, irmã de Lázaro, para Lhe pedir a vida em favor de seu irmão (Jo 11, 32). A mesma atitude de se prostrar, devido ao assombro causado pela presença e revelação divinas, nota-se não raramente no livro do Apocalipse (Ap 5, 8.14 e 19, 4).

Estava intimamente relacionada com esta tradição a convicção de que o Templo Santo de Jerusalém era a casa de Deus e, portanto, era necessário nele se dispor em atitudes corporais que expressassem um profundo sentimento de humildade e de reverência na presença do Senhor.

Também na Igreja a convicção profunda de que, sob as espécies eucarísticas o Senhor está verdadeira e realmente presente, e o crescente costume de conservar a Santa Comunhão nos tabernáculos contribuiu para a prática de ajoelhar-se em atitude de humilde adoração do Senhor na Eucaristia.

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Algumas notas rápidas sobre os abusos litúrgicos na comunidade Canção Nova

Os abusos litúrgicos que aconteceram este fim de semana em Cachoeira Paulista causaram o maior bafafá aqui, no blog, e nas redes sociais. Trata-se, porém, de uma polêmica que não tem razão de ser. A coisa é muito simples: pode ser resolvida em um rápido silogismo. A Canção Nova, como comunidade católica que é, deve obediência às leis e normas da Igreja referentes à celebração da Liturgia. E estas apontam que “o Mistério da Eucaristia é demasiado grande para que alguém possa permitir tratá-lo ao seu arbítrio pessoal” (Instrução Redemptionis Sacramentum, n. 11). C’est fini.

Está tudo muito claro, mas os defensores do indefensável ficam revoltados: dizem que estamos julgando, que não podemos falar dos erros e abusos, porque “a Canção Nova já trouxe muitas pessoas de volta ao seio da Igreja”. Chegam mesmo a rasgar as vestes e insinuar algo do tipo: O que seria da Igreja sem a Renovação Carismática? Ou: O que seria do catolicismo no Brasil sem a Canção Nova?

Não vou nem me demorar no absurdo das duas últimas sentenças, afinal, esta ideia de que a Igreja só está firme graças a um ou outro movimento particular repugna ao próprio atributo de universalidade inerente ao Corpo Místico de Cristo. O que o pessoal não compreende – ou parece não querer entender – é que não estamos criticando o trabalho de evangelização da Canção Nova. Estamos falando de coisas bem pontuais: abusos litúrgicos. E independe de onde venham, estes devem ser denunciados.

Outra válvula de escape que muitos utilizaram foi partir para a defesa do homem sertanejo. – Ah, o homem sertanejo simples teme muito mais a Deus que vocês, que ficam julgando a Canção Nova… – Novamente: não é disto que estamos falando. A comunidade Canção Nova pode fazer acampamentos temáticos à vontade: acampamentos sertanejos, voltados à juventude, voltados para a família, que seja. Não é este o problema. O problema é introduzir na Liturgia elementos que são estranhos à Sua essência divina, sobrenatural. E isto não sou eu, blogueiro católico, quem falo. Isto é o ensinamento do Papa e da Igreja. Vamos a mais uma dose de Redemptionis Sacramentum. Agora, n. 114.

“Nas Missas dominicais da paróquia, como ‘comunidade eucarística’, é normal que se encontrem os grupos, movimentos, associações e as pequenas comunidades religiosas presentes nela. Embora seja lícito celebrar a Missa, de acordo com as normas do direito, para grupos particulares, estes grupos, de nenhuma maneira, estão isentos de observar fielmente as normas litúrgicas.”

Quer fazer Missa para a Pastoral da Juventude, do Imigrante ou da Terra? Sem problemas, mas, foca no Missal e respeita as normas litúrgicas! Os fiéis têm o direito a uma Missa bem celebrada, de acordo com o que dispõem os ensinamentos da Santa Igreja.

Afinal, ninguém gostaria de entrar numa igreja, para assistir ao Santo Sacrifício, e acabar se deparando com isto:

A foto acima é de uma Missa “afro” celebrada este mês, na diocese de São João Del Rei, em Minas Gerais, por ocasião do Dia da Consciência Negra. A página da diocese no Facebook publicou muitas outras – e não demorou para que muitos fiéis católicos fizessem seu protesto. Afinal, como já dizia um velho adágio latino, lex orandi, lex credendi – a lei da oração é a lei da fé. Se nós verdadeiramente cremos que a Liturgia da Santa Missa é a atualização do Sacrifício de Cristo na Cruz, precisamos participar dela com piedade, devoção e respeito. Sabemos, são coisas de que muitos sacerdotes e agentes de pastoral têm se esquecido, mas cujo resgate é sempre necessário. Está em jogo a própria vitalidade da nossa fé.

Missa “sertaneja” na Canção Nova

Procissão de entrada de Missa “sertaneja”, na comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista, neste sábado, dia 24. Na presidência da celebração – sem aparecer na foto -, padre Fábio de Melo – cujas considerações teológicas e doutrinárias dispensam comentários; concelebrando, um sacerdote que preferiu o chapéu de boiadeiro ao barrete litúrgico; à frente, o gado.

Uma fotografia bem diferente daquelas tiradas durante a Semana Santa deste ano, na mesma comunidade carismática.

Arinze não curtiu isso.

Os abusos litúrgicos e a fumaça de Satanás na Igreja

http://mi-cache.legacy.com/usercontent/ns/photos/152753238.jpgx?w=280&h=244&option=1“O Papa Montini, por Satanás, queria indicar todos aqueles padres ou bispos e cardeais que não rendem culto ao Senhor, celebrando mal a Santa Missa por causa de uma errônea interpretação e aplicação do Concílio Vaticano II. Ele falou da fumaça de Satanás porque sustentava que aqueles prelados que faziam da Santa Missa uma palha seca em nome da criatividade, na verdade estavam possuídos da vanglória e do orgulho do Maligno. Portanto, o fumo de Satanás não era outra coisa além da mentalidade que queria distorcer os cânones tradicionais e litúrgicos da cerimônia Eucarística.”

Cardeal Virgílio Noé, explicando o que Paulo VI queria dizer com “fumaça de Satanás” na Igreja

Padre Paulo fala sobre inculturação e profanação da Liturgia

http://beinbetter.files.wordpress.com/2012/02/446602_us_missa_afro_mundo_209_279.jpg?w=279Digite “abusos litúrgicos” no Google e se prepare… para sofrer um infarto! As fotos são horríveis… É coroinha levantando patena na hora da doxologia, é a Comunhão sendo oferecida aos fiéis em vasos de vidro, é indivíduo fantasiado de sei-lá-o-quê dançando em frente ao altar, é padre levantando a sagrada Hóstia enquanto, ao lado, tem um carinha segurando um espeto de churrasco (esta é particularmente escandalosa), enfim, enfim… É preciso confessar que, em muitos lugares de nosso país, o Santo Sacrifício do altar não vem sendo devidamente celebrado. E respeitado.

Por isto recomendo que assistam ao último “A Resposta Católica”, no qual padre Paulo Ricardo responde se as Missas ditas “inculturadas” são permitidas. Abaixo, transcrevi alguns trechos do vídeo, para maior conforto dos leitores. Aproveitem.

(…)

Inculturação é simplesmente tirar aqueles elementos que iriam perturbar a compreensão da Missa e do Santo Sacrifício naquela cultura específica, mas isso não se faz espontaneamente, não se faz a partir do alvitre do celebrante, e nem sequer de Bispos locais. É necessário que haja a aprovação da Santa Sé. As pessoas que celebram esse tipo de Missa estão violando um direito fundamental dos fiéis. O Código de Direito Canônico, quando coloca os direitos dos fiéis em geral, diz o seguinte, no cânon 214: “Os fiéis têm o direito de prestar culto a Deus segundo as determinações do próprio rito aprovado pelos legítimos Pastores da Igreja”.

É um direito do fiel. Ou seja, um fiel, quando vai à igreja, tem o direito de receber a Missa da Igreja, não a Missa do padre. Agora, é evidente que padres e celebrantes gemam diante deste cânon. Por quê? Porque está tirando deles a possibilidade de ser um tiranete. Ou seja, “eu sou o pequeno ditador que diz como a Missa será”… É evidente que equipes de Liturgia gemam diante deste cânon. Porque equipes de Liturgia, criativas, que querem começar a Missa com a bênção final e terminá-la com a procissão de entrada (…), essas pessoas que querem tudo de cabeça para baixo, irão protestar… Mas, que alívio para os fiéis! Que alívio para os fiéis saber que a Igreja os defende e defende seus direitos; que quando eu vou à Missa, eu não quero ser refém do celebrante e da equipe de Liturgia; quando eu vou à Missa, eu quero saber como ela começa, tem o seu prosseguimento, segundo os ritos, e como é que ela acaba… Que bom saber que a Missa pode e deve ser respeitada!

Uma outra realidade é o fato de que essas Missas “inculturadas” (…) são, na verdade, Missas dessacralizadas. Existe algo de profundamente errado, antropologicamente errado, nessas Missas, que é o seguinte: Quando você vai a um terreiro de macumba, as vestes que as pessoas estão oficiando o sacrifício são vestes diferentes, os ritmos, a música, são ritmos e músicas diferentes, existe naquela religião um sentido do sagrado. Ou seja, a pessoa que está realizando aquele culto afro-brasileiro, ela não está nem se vestindo e nem se comportando como ela faz no dia-a-dia. Porque existe um princípio antropológico básico de que o culto se presta com algo diferente do dia-a-dia. Ou seja, existe o sagrado, existe o secular, o profano, aquilo que eu faço no dia-a-dia. O culto a Deus é prestado com algo diferente do meu dia-a-dia. (…)

A Igreja sempre viveu dentro desta verdade antropológica. Nós tínhamos uma música sagrada – o gregoriano -, roupas sagradas – os paramentos litúrgicos -, textos sagrados, havia toda uma realidade sagrada… Eu estou usando “havia” não porque foi abolido, mas “havia” porque as pessoas jogaram fora, jogaram fora o patrimônio da Igreja! Tudo isto ainda existe, ainda está aí, e não foi o Vaticano II que acabou com isso… Essas pessoas que dizem isso (…) jamais le[ram] uma linha do Vaticano II. Eu desafio você a encontrar na Sacrosanctum Concilium qualquer tipo de aprovação deste tipo de maluquice litúrgica. Não há… E isso jamais passou pela antecâmara do cérebro dos padres conciliares.

(…)

Pois bem, aqui está a realidade. Estas Missas – assim chamadas “inculturadas” – deveriam se chamar Missas profanadas, dessacralizadas, Missas onde o sagrado agora já não existe, existe somente o profano. Você (…) usa a roupa profana, usa uma roupa que não foi pensada para o culto, colocam-se danças que não são danças sagradas, colocam-se ritmos que não são ritmos sagrados, tudo isto dentro da Missa. Ora, mesmo que fossem ritmos e danças sagradas, ninguém teria a autorização de inserir nada sem a licença da Santa Sé, porque é necessário apresentar à Santa Sé primeiro para que ela aprove qualquer modificação dentro do rito, porque a Santa Sé está aí para tutelar a Tradição ritual da Igreja, a validade dos Sacramentos, a retidão da fé, e, nesse caso, o direito dos fiéis. Então, vejam, este tipo de Missa não somente não tem cabimento, mas como não tem verdade antropológica.

Uma terceira coisa: este tipo de Missa não tem verdade teológica. Ou seja, se você for ver, todas estas inserções, estes tipos de rituais, foram feitos por pessoas que não entendem absolutamente o que é o verdadeiro rito da Missa. A Missa é a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, é o Santo Sacrifício Eucarístico. Todas essas inculturações sempre (…) vão na direção de “festosas” celebrações comunitárias, onde o Sacrifício de Cristo na Cruz fica encoberto, esquecido, quase que ausente. Por quê? Porque o que é importante é aquilo que você é, o importante é aquilo que nós temos no dia-a-dia, trazer o profano pra dentro da Igreja.

Chamar isto de profanação talvez seja literal demais. Mas é isto que está acontecendo.

O apreço de Deus pela linguagem do silêncio

“Há um silêncio que dá Deus. Qual silêncio? Não é o silêncio do homem, esse que o homem encontra entre os homens, esse em que o homem pode iniciar-se. É o silêncio da alma que se recolhe, da alma que escuta Deus, e a quem Deus fala. Deus fala àqueles que se calam, que reservam tempo para o ouvir e o esperar.

- Pierre Blanchard
via Jornada Cristã

http://beinbetter.files.wordpress.com/2010/10/santateresadec381vila.jpg?w=235&h=330

Hoje, mais que nunca, precisamos de silêncio. É o que Santa Teresa de Ávila recomenda: “Silencie-se diante deste Deus grandioso, pois a linguagem que Ele mais ouve é a do amor silencioso”.

E por que silenciar-se? Por que ao nos colocarmos diante de Deus para orar devemos nos recolher interiormente? A Sagrada Escritura nos traz a resposta: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (Ap 3, 20). Quando o Altíssimo nos criou, concedeu-nos o livre-arbítrio. Com efeito, o Senhor não nos obriga a amá-Lo. Ele está à porta, batendo. Espera, no entanto, que ouçamos a sua voz. A vida que muitas vezes levamos na agitação, na correria, no barulho, a rotina que nos impede de refletir, de meditar e de orar, são barreiras que nos impedem de ouvir a voz de Deus. Aqui encontramos a necessidade do silêncio. Se alguém quer ser feliz, deve seguir a Jesus Cristo e obedecê-Lo. Mas só poderá segui-Lo, só poderá verdadeiramente aceitar Sua Palavra e viver de modo autêntico os Sacramentos da Sua Igreja quando tomar a atitude do silêncio. Pela graciosa ação do Espírito, saímos de nossa vida de agitação e buscamos ouvir a voz de Quem está à porta e bate.

“A vossa dedicação ao Senhor no silêncio e no escondimento é tornada fecunda e fértil, não somente em ordem do caminho de santificação e purificação pessoal, mas também no que diz respeito àquele apostolado de intercessão que desenvolveis por toda a Igreja, para que possa aparecer pura e santa diante do Senhor. Vós, que bem conheceis a eficácia da oração, experimentais todo o dia quantas graças de santificação ela pode obter à Igreja.” Esta pequena reflexão sobre o silêncio na oração é retirada de Homilia recente de Sua Santidade o Papa Bento XVI. O que o sucessor de São Pedro quer nos fazer refletir, com suas sábias palavras, é a importância da intercessão para a vida da Igreja. Ele utiliza, inclusive, palavras de São Paulo, palavras que podem ser utilizadas para fazermos uma analogia com o significado da oração. “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, (…) para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5, 25-27). A intercessão é esse trabalho que edifica a Igreja. Quando oramos pelas almas do Purgatório, pedindo à bem-aventurada Virgem Maria que, juntamente com os anjos e santos de Deus, reina com Cristo no Céu, estamos mantendo uma comunicação entre os membros do Corpo Místico de Cristo, comunicação que mostra a beleza da comunhão dos santos para a vida da fé.

Colocar-se em silêncio na oração, apesar de belo, é algo difícil de ser executado, já que estamos tão acostumados com um ritmo de vida totalmente diferente. Por isso, é necessário praticar, fazer sacrifícios, sem esmorecer.

Por onde começar? Poderíamos iniciar a nossa prática de silêncio e meditação na celebração da Santa Missa, o Sacrifício do Cordeiro na Cruz. Quantos abusos litúrgicos têm sido cometidos! Quantas palmas, quantos gritos, quantas danças… Estamos nos esquecendo da beleza do mistério eucarístico, da beleza do colocar-se diante da Cruz, como Maria Santíssima e São João, em atitude de recolhimento e de contemplação.

Que Nossa Senhora das Dores nos ajude a ser obedientes às palavras do Magistério da Igreja e nos conduza sempre pelos caminhos da oração e do silêncio, caminhos que nos conduzem verdadeiramente a Deus.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Suspenso por displicência litúrgica

Foi suspenso pelo bispo Joseph-Maria Punt o pe. Paul Vlaar, que celebrou, no último domingo, uma Missa sacrílega na especial intenção da seleção holandesa de futebol. O prelado holandês afirmou, conforme indicou o Fratres in Unum, que “o padre Vlaar havia confundido a Missa com um simples evento mundano.”

Não é a primeira vez que o sacerdote foi advertido por sua falta de zelo litúrgico. Em 2009, ele celebrou uma missa na intenção dos direitos dos animais, que contou justamente com a presença de alguns pássaros e cães (!) durante a celebração.

As fotos acima foram divulgadas pelo blog Catholic Church Conservation e são da Missa pela causa ambientalista celebrada há um ano atrás pelo pe. Vlaar.

Para ver fotos da Missa “futebolística” celebrada na Holanda, clique aqui; para assistir ao vídeo dos abusos litúrgicos presenciados pelo povo holandês, aqui.

Normas disciplinares para a correta realização das orações para alcançar de Deus a cura

[São visíveis no Brasil e no mundo inteiro os casos de abusos litúrgicos, que ferem a doutrina católica sobre a Santa Missa e destroem os valores sagrados da Igreja. Nesse sentido, publico abaixo as Disposições Disciplinares do documento “Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura”, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, de 2000. O documento, assinado pelo Cardeal Ratzinger – hoje Bento XVI – e aprovado pelo Santo Papa João Paulo II, exorta principalmente os bispos a zelarem da liturgia, no contexto de algumas missas especiais celebradas no Brasil, cuidando para que ela não se torne banal. Trata de modo particular das missas de cura que são realizadas muitas vezes em nosso país e promovidas pela RCC. Que Deus dê discernimento aos nossos bispos para que possam compreender qual é a vontade do Senhor e da Sua Santa Igreja: que se cumprar as normas prescritas pela Santa Sé. Boa leitura!]

Fonte: Vaticano


II. DISPOSIÇÕES DISCIPLINARES


Art. 1 - Todo o fiel pode elevar preces a Deus para alcançar a cura. Quando estas se fazem numa igreja ou noutro lugar sagrado, convém que seja um ministro ordenado a presidi-las.

Art. 2 - As orações de cura têm a qualificação de litúrgicas, quando inseridas nos livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente da Igreja; caso contrário, são orações não litúrgicas.

Art. 3 - § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.

§ 2. As Conferências Episcopais, em conformidade com quanto estabelecido nos Praenotanda, V, De aptationibus quae Conferentiae Episcoporum competunt do mesmo Rituale Romanum, podem fazer as adaptações ao rito das bênçãos dos enfermos, que considerarem pastoralmente oportunas ou eventualmente necessárias, com prévia revisão da Sé Apostólica.

Art. 4 - § 1. O Bispo diocesano tem o direito de emanar para a própria Igreja particular normas sobre as celebrações litúrgicas de cura, conforme o cân. 838, § 4.

§ 2. Os que estão encarregados de preparar ditas celebrações litúrgicas deverão ater-se a essas normas na realização das mesmas.

§ 3. A licença de realizar ditas celebrações tem de ser explícita, mesmo quando organizadas por Bispos ou Cardeais ou estes nelas participem. O Bispo diocesano tem o direito de negar tal licença a qualquer Bispo, sempre que houver uma razão justa e proporcionada.

Art. 5 - § 1. As orações de cura não litúrgicas realizam-se com modalidades diferentes das celebrações litúrgicas, tais como encontros de oração ou leitura da Palavra de Deus, salva sempre a vigilância do Ordinário do lugar, em conformidade com o cân. 839, § 2.

§ 2. Evite-se cuidadosamente confundir estas orações livres não litúrgicas com as celebrações litúrgicas propriamente ditas.

§ 3. É necessário, além disso, que na sua execução não se chegue, sobretudo por parte de quem as orienta, a formas parecidas com o histerismo, a artificialidade, a teatralidade ou o sensacionalismo.

Art. 6 - O uso de instrumentos de comunicação social, nomeadamente a televisão, durante as orações de cura, tanto litúrgicas como não litúrgicas, é submetido à vigilância do Bispo diocesano, em conformidade com o estabelecido no cân. 823 e com as normas emanadas pela Congregação para a Doutrina da Fé na Instrução de 30 de Março de 1992.

Art. 7 - § 1. Mantendo-se em vigor quanto acima disposto no art. 3 e salvas as funções para os doentes previstas nos livros litúrgicos, não devem inserir-se orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

§ 2. Durante as celebrações, a que se refere o art. 1, é permitido inserir na oração universal ou «dos fiéis» intenções especiais de oração pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.

Art. 8 - § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o cân. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985 e com o Rituale Romanum.

§ 2. As orações de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.

§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

Art. 9 - Os que presidem às celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, esforcem-se por manter na assembléia um clima de serena devoção, e atuem com a devida prudência, quando se verificarem curas entre os presentes. Terminada a celebração, poderão recolher, com simplicidade e precisão, os eventuais testemunhos e submeterão o fato à autoridade eclesiástica competente.

Art. 10 - A intervenção da autoridade do Bispo diocesano é obrigatória e necessária, quando se verificarem abusos nas celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, em caso de evidente escândalo para a comunidade dos fiéis ou quando houver grave inobservância das normas litúrgicas e disciplinares.

O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida ao abaixo assinado Prefeito, aprovou a presente Instrução, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e mandou que fosse publicada.

Roma, Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 14 de Setembro de 2000, Festa da exaltação da Santa Cruz.

+ Joseph Card. RATZINGER,
Prefeito

+ Tarcisio BERTONE, S.D.B.,
Arc. Emérito de Vercelli,
Secretário

A Missa não é um show

http://sal.zip.net/images/elevationofhost_0.jpgNa Santa Missa do 22º domingo do Tempo Comum, que foi realizada na Paróquia Nossa Senhora das Vitórias, aqui em Santa Vitória-MG, o Padre Fernando tratou de deixar claro que “a Santa Missa não é um show”. Infelizmente o nosso povo vem se esquecendo dessa santa exortação e tentando incorporar à liturgia da Santa Missa aspectos totalmente incomuns ao espírito do bom senso e da integridade. E é preciso ficar claro que a missa é um ato solene, que deve ser celebrado com a maior seriedade possível, com risco de incorrer em falta grave aqueles que, em um ato de extrema banalização do rito, vão à missa com a maior falta de pudor buscando aquele maligno prurido de novidades, que destrói a tradição da Igreja.

E quando falamos que a Santa Missa não é um show, queremos lembrar não somente da forma como ela é celebrada, mas também da maneira que comparecemos à igreja para encontrar a Jesus Cristo. Muitos, talvez por não conhecerem a grande beleza que se encerra na Sagrada Liturgia, vão à Missa como se ela fosse um evento social ou um simples acontecimento festivo. Não é assim, não! Quando vamos a uma igreja, em primeiro lugar, devemos saber que estamos indo a um lugar sagrado, ou seja, que repele todo tipo de impureza e sensualidade. Mas as pessoas se esquecem disso e comparecem à casa de Deus como se fossem a um desfile de moda. Usam os maiores decotes, estampam as partes íntimas do corpo; outras, com a maior falta de vergonha, ainda andam dentro da igreja como se estivessem numa praça ou em um lugar público qualquer.

E a Santa Missa, meu Deus! Não existe nada mais sagrado nesse mundo do que o ato da Santa Missa, que é o momento em que comungamos o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se faz presença real no Santíssimo Sacramento da Eucaristia! Quando vamos assistir a uma Missa, a primeira coisa que temos que ter em mente é: Eu vou ao encontro de Jesus. Não importa se estou indo com minha companheira ou meu companheiro, com meu esposo, ou com minha esposa. Estou lá para agradar a Deus. E é impossível agradar a Deus vestindo certo tipo de roupa. Por quê? Primeiro porque o nosso corpo, diz São Paulo, é templo do Espírito Santo (cf. 1 Cor 6, 19). Então, é preciso que ele seja fonte de graça. Ora, como um corpo onde é visível o esboço da sensualidade pode ser fonte de graça? A mulher ou o homem que se veste buscando destacar em seu corpo as marcas da sensualidade é fonte de pecado e contaminação. E aí estamos jogando pérolas aos porcos, fazendo daquilo que é sagrado – templo do Espírito Santo – algo profano.

“[O] impuro peca contra o seu próprio corpo” (1 Cor 6, 18), diz São Paulo. Queremos ser impuros e pecar contra os nossos corpos, ameaçando a castidade dos que estão à nossa volta? Ora, que saibamos que “[o]s que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus” (Rm 8, 8). E acaso queremos contristar o Espírito Santo, com o qual fomos selados desde o nosso batismo para que pudéssemos ser sinais da graça de Deus? Ou queremos agradar aos homens? “É, porventura, o favor dos homens que eu procuro, ou o de Deus? Por acaso tenho interesse em agradar aos homens? Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1,10). Aquele – saiba – que quer agradar aos homens não pode ser servo de Cristo, e, portanto, não pode se salvar.

E infelizmente aqueles que banalizam a Santa Liturgia não seguindo os preceitos que a sã doutrina da Igreja propõe estão banalizando o Sacrifício de Jesus Cristo na Cruz. Esses são aqueles mesmos que crucificaram e zombaram de Cristo: “[C]uspiam nele” (Mc 15,19). Não se contentam em desagradar-Lhe com seus pecados, o desprezam crucificando-O novamente.

Precisamos cuidar para não tratar a Santa Missa como um mero evento social ou um simples banquete, pois – ensina a reta doutrina da Madre Igreja – “[a] Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor” (Ecclesia de Eucharistia, 12). “A Santa Missa não é um show”, lembrou bem nosso querido pároco. Que Nossa Senhora nos ajude a lembrar disso e que o Sacrifício de Seu Santo Filho na cruz seja mais honrado e seja dignamente celebrado.

Graça e paz.