Mais sobre o acordo entre o governo brasileiro e a Santa Sé. Depois dos ataques laicistas que já comentei em outra ocasião aqui no blog, agora é a vez dos católicos – isso mesmo! – se manifestarem contra o acordo. Segundo pesquisa encomendada pelas Católicas pelo Direito de Decidir (ou de matar), 75% dos católicos brasileiros são contra o acordo. É o que lemos no site Bem Paraná. Lamentável. Para mim, essa pesquisa mostra duas coisas: (1) o Brasil tem pouquíssimos católicos de verdade. Enquanto cria-se um mito em torno da afirmação de que somos a maior terra católica do mundo, cresce cada vez mais o número de traidores; além disso, (2) não entenderam ainda a finalidade do acordo. Acham, assim como os laicistas, que ele fere o princípio do Estado laico.
Mas até agora o acordo não teve nenhum problema para ser aceito pelo governo. É o que informa a Agência Canção Nova Notícias: Deputados aprovam o Estatuto da Igreja Católica; e a Rádio Vaticano: Câmara aprova acordo entre Brasil e Santa Sé. Isso prova que, assim como disse Tarso Genro, ministro da Justiça, “não há nele [no acordo] qualquer tipo de privilégio que não seja considerado um direito universal de qualquer igreja reconhecida no país”. Mas me deixa realmente preocupado a falta de informação dos católicos desse nosso país. Quanta confusão o demônio semeia nas almas que querem seguir a Igreja de Jesus Cristo! É claro que é preciso destacar que a separação do Estado e da Igreja não é um princípio que a Igreja Católica aprova. Pelo contrário, São Pio X, na encíclica Vehementer Nos, condenou o que ele chamou de “erro pernicioso”:
“Que seja preciso separar o Estado da Igreja, é esta uma tese absolutamente falsa, um erro perniciosíssimo. Com efeito, baseada nesse princípio de que o Estado não deve reconhecer nenhum culto religioso ela é, em primeiro lugar, em alto grau injuriosa para com Deus; porquanto o Criador do homem também é o Fundador das sociedades humanas, e conserva-as na existência como nos sustenta nelas. Devemos-lhe, pois, não somente um culto privado, mas um culto público e social para honrá-lo” (n. 6).
Mas, espere aí: se o acordo é entre o Brasil – que é um Estado laico – e a Igreja, a Igreja Católica, felizmente ou não, terá que respeitar esse princípio da legislação brasileira. E ela respeita. Nenhum artigo do acordo vai contra o conceito constitucional que afirma que o Estado é laico. O problema não é esse. É que os protestantes, assim como os ateus e os gnósticos, tremem de ódio da Igreja Católica. Tem um ódio profundo dela e por isso todos os rumores que apontam para a glória da Santa Sé devem ser destruídos. Para os laicistas agora a Igreja não pode ter nenhum contato formal com nenhum governo no mundo: isso feriria o princípio do Estado laico. Querem descabidamente impedir – ou pelo menos dificultar – a missão fundamental da Igreja que é a evangelização.
É preciso orar pelos católicos do nosso país. Que eles encontrem a luz de Maria no fim do túnel da ignorância e que deixem de ser cristãos só na palavra, uma vez que “o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos” (1 Cor 4,20).
Graça e paz.
