Papa Francisco: “A incoerência dos fiéis e dos Pastores (…) mina a credibilidade da Igreja.”

Missa em São Paulo Extramuros

Papa Francisco celebrou a Missa do III Domingo da Páscoa na Basílica de São Paulo Extramuros.

“Mas isto vale para todos: tem-se de anunciar e testemunhar o Evangelho. Cada um deveria interrogar-se: Como testemunho Cristo com a minha fé? Tenho a coragem de Pedro e dos outros Apóstolos para pensar, decidir e viver como cristão, obedecendo a Deus? É certo que o testemunho da fé se reveste de muitas formas, como sucede num grande afresco que apresenta uma grande variedade de cores e tonalidades; todas, porém, são importantes, mesmo aquelas que não sobressaem. No grande desígnio de Deus, cada detalhe é importante, incluindo o teu, o meu pequeno e humilde testemunho, mesmo o testemunho oculto de quem vive a sua fé, com simplicidade, nas suas relações diárias de família, de trabalho, de amizade. Existem os santos de todos os dias, os santos ‘escondidos’, uma espécie de ‘classe média da santidade’, da qual todos podemos fazer parte. Mas há também, em diversas partes do mundo, quem sofra – como Pedro e os Apóstolos – por causa do Evangelho; há quem dê a própria vida para permanecer fiel a Cristo, com um testemunho que lhe custa o preço do sangue. Recordemo-lo bem todos nós: não se pode anunciar o Evangelho de Jesus sem o testemunho concreto da vida. Quem nos ouve e vê, deve poder ler nas nossas ações aquilo que ouve da nossa boca, e dar glória a Deus! A incoerência dos fiéis e dos Pastores entre aquilo que dizem e o que fazem, entre a palavra e a maneira de viver mina a credibilidade da Igreja.

(…)

“A passagem que ouvimos do Apocalipse, fala-nos da adoração: as miríades de anjos, todas as criaturas, os seres vivos, os anciãos prostram-se em adoração diante do trono de Deus e do Cordeiro imolado, que é Cristo e para quem é dirigido o louvor, a honra e a glória (cf. Ap 5, 11-14). Gostaria que todos se interrogassem: Tu, eu, adoramos o Senhor? Vamos ter com Deus só para pedir, para agradecer, ou vamos até Ele também para O adorar? Mas então que significa adorar a Deus? Significa aprender a estar com Ele, demorar-se em diálogo com Ele, sentindo a sua presença como a mais verdadeira, a melhor, a mais importante de todas. Cada um de nós possui na própria vida, de forma mais ou menos consciente, uma ordem bem definida das coisas que são consideradas mais ou menos importantes. Adorar o Senhor quer dizer dar-Lhe o lugar que Ele deve ter; adorar o Senhor significa afirmar, crer – e não apenas por palavras – que só Ele guia verdadeiramente a nossa vida; adorar o Senhor quer dizer que estamos diante d’Ele convencidos de que é o único Deus, o Deus da nossa vida, da nossa história.”

“Daqui deriva uma consequência para a nossa vida: despojar-nos dos numerosos ídolos, pequenos ou grandes, que temos e nos quais nos refugiamos, nos quais buscamos e muitas vezes depomos a nossa segurança. São ídolos que frequentemente conservamos bem escondidos; podem ser a ambição, o gosto do sucesso, o sobressair, a tendência a prevalecer sobre os outros, a pretensão de ser os únicos senhores da nossa vida, qualquer pecado ao qual estamos presos, e muitos outros. Há uma pergunta que eu queria que ressoasse, esta tarde, no coração de cada um de nós e que lhe respondêssemos com sinceridade: Já pensei qual possa ser o ídolo escondido na minha vida que me impede de adorar o Senhor? Adorar é despojarmo-nos dos nossos ídolos, mesmo os mais escondidos, e escolher o Senhor como centro, como via mestra da nossa vida.”

Da Homilia do Santo Padre, o Papa Francisco, em celebração na Basílica de S. Paulo Extramuros, 14 de abril de 2013

Cardeal Ranjith: pela piedade litúrgica, contra a comunhão na mão.

O perfil do cardeal Malcolm Ranjith, do Sri Lanka, foi abordado em um artigo recente do vaticanista John Allen Jr., traduzido pelo Fratres in Unum. Ranjith emerge, junto com o Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica no Vaticano, Raymond Burke, como um cardeal de linha mais conservadora, sendo próximo dos tradicionalistas, especialmente no que diz respeito à Liturgia.

O purpurado asiático já se manifestou contrário à comunhão na mão, ao escrever o prefácio do famoso livro de Dom Athanasius Schneider, “Dominus Est! – É o Senhor!” (cujo conteúdo já foi elogiado pelo cardeal Francis Arinze, ex-Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos). Transcrevemos o texto do cardeal na introdução desta obra, a fim de ajudar os leitores a entender a urgente necessidade de tratarmos com respeito a Eucaristia, para superar a crise de fé contemporânea. Com a palavra, o cardeal Ranjith:

Cardeal RanjithNo livro do Apocalipse, São João narra que, tendo visto e ouvido o que lhe havia sido revelado, prostrou-se em adoração aos pés do Anjo de Deus (cf. Ap 22, 8). Prostrar-se ou ajoelhar-se ante a majestade da presença de Deus, em humilde adoração, era um hábito de reverência que Israel sempre praticava ante a presença do Senhor. Diz o primeiro livro dos Reis:

“Quando Salomão acabou de dirigir ao Senhor esta oração e súplica, levantou-se diante do altar do Senhor, onde estava ajoelhado, de mãos erguidas para o céu. Pôs-se de pé e abençoou toda a assembleia de Israel” (I Rs 8, 54-55).

A postura da súplica do Rei é clara: ele estava de joelhos ante o altar.

A mesma tradição se encontra também no Novo Testamento, onde vemos Pedro ajoelhar-se diante de Jesus (Lc 5,8); Jairo ao lhe pedir que cure a sua filha (Lc 8, 41); o Samaritano quando volta para agradecer-Lhe, e Maria, irmã de Lázaro, para Lhe pedir a vida em favor de seu irmão (Jo 11, 32). A mesma atitude de se prostrar, devido ao assombro causado pela presença e revelação divinas, nota-se não raramente no livro do Apocalipse (Ap 5, 8.14 e 19, 4).

Estava intimamente relacionada com esta tradição a convicção de que o Templo Santo de Jerusalém era a casa de Deus e, portanto, era necessário nele se dispor em atitudes corporais que expressassem um profundo sentimento de humildade e de reverência na presença do Senhor.

Também na Igreja a convicção profunda de que, sob as espécies eucarísticas o Senhor está verdadeira e realmente presente, e o crescente costume de conservar a Santa Comunhão nos tabernáculos contribuiu para a prática de ajoelhar-se em atitude de humilde adoração do Senhor na Eucaristia.

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Virada Radical da juventude católica, em Mato Grosso

Aconteceu neste último fim de semana (dias 29 e 30 de junho e 1º de julho), na paróquia Cristo Rei, cidade de Várzea Grande, o retiro Virada Radical. O evento, promovido pela missão Enchei-vos, reuniu cerca de 300 jovens, e contou com a presença mais que especial do missionário Anderson Luis dos Reis, do apostolado Equipe de Escritores Rainha dos Apóstolos. Conhecido em todo o país, Anderson já pregou inclusive na comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista. Várias de suas pregações estão disponíveis na Internet, dentre as quais destacamos uma sobre a Igreja, uma sobre a vida do Santo Padre Pio de Pietrelcina e outra de título “As três dimensões do amor”.

No primeiro dia de retiro, pouco tempo foi suficiente para revelar as maravilhas que Deus viria a manifestar durante todo o encontro. Isto porque ele começou com a bênção do padre Overland de Moraes, pároco da comunidade local – o mesmo que contou seu belíssimo testemunho de amor a Maria no último Consagra-te! Cuiabá. A seguir, o missionário Anderson dos Reis contou para os jovens ali reunidos o seu testemunho de vida. Para quem não conhece a sua história de conversão, vale a pena assistir à sua participação em uma edição antiga do programa PHN, na Canção Nova.

No sábado, o retiro teve continuidade com momentos de louvor e oração, que foram alternados com belas pregações. Cleide Costa, que, juntamente com seu esposo, Cristiano, é idealizadora da missão Enchei-vos aqui em Cuiabá, narrou a experiência milagrosa do amor na vida de sua família, restaurada pelo poder do Preciosíssimo Sangue de Cristo.

Sem dúvida, o dia mais especial de todo o encontro foi o domingo, dia do Senhor: pela manhã, uma pregação do Anderson sobre a Igreja, sobre a única Igreja fundada por nosso Senhor – una, santa, católica e apostólica, como professamos no Credo -; depois, outra pregação, esta abordando o tema do namoro santo, vivido na castidade, no sacrifício e na oração. Por fim, um momento maravilhoso de adoração ao Santíssimo Sacramento: a juventude prostrada diante de nosso Senhor! Diz-se que quem permanece de joelhos diante do Altíssimo fica de pé quando se depara com as tribulações quotidianas, com as cruzes do dia-a-dia… É verdade. Porque, fechado em si mesmo, esquecendo-se de reconhecer a majestade de Cristo e a Sua realeza, o homem nada pode. Ensina o Catecismo da Igreja Católica que “a adoração do Deus único liberta o homem de se fechar sobre si próprio, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo” (§ 2097). Idolatria – ao contrário do que supõem muitos protestantes – não é simplesmente fazer uma imagem de barro, rendendo-lhe culto de latria (o que logicamente não é o ensinamento da Igreja Católica); adverte São Jerônimo que “o vício no coração é como um deus sobre o altar”, isto é, todas as vezes que, de alguma forma, pecamos, substituímos nosso Divino Redentor por um falso deus, por um “ídolo”. Todas as vezes que deixamos de amá-Lo “sobre todas as coisas” – como nos pede o primeiro mandamento -, estamos cometendo o pecado da idolatria, tentando servir a dois senhores – o que o Evangelho nos garante não ser possível (cf. Mt 6, 24).

Ainda no domingo, os jovens mostraram toda a sua força e vitalidade, em um momento de louvor conduzido pelo ministério de música da missão Enchei-vos.

Ah, e o mais importante: a Santa Missa! Após três dias de muito louvor e animação, uma hora de profundo recolhimento diante do altar do Senhor. Foi incrível. O Sacrifício foi celebrado com todo respeito e sacralidade: seis castiçais no altar, em arranjo beneditino; acólitos de batina e sobrepeliz; uso de turíbulo durante a celebração para incensar o altar, as ofertas, o padre, o povo e o Santíssimo; padre Overland usando uma bela casula romana vermelha; comunhão ministrada na boca e de joelhos; sem falar que o sinal-da-cruz e a doxologia foram rezadas pelo sacerdote na língua latina. Como se não bastasse, durante toda a celebração, o pe. Fábio Oliveira estava no confessionário atendendo confissões. Se pudesse existir algum lugar ou momento nesta terra que se assemelhasse ao ambiente celeste, este lugar era aquela igreja, este momento era aquela Missa.

Urge, agora, que mantenhamos crepitando em nosso coração a chama do Espírito Santo, que foi acesa durante este encontro fantástico. E que rezemos pela missão Enchei-vos, sempre mais, a fim de que insistam e persistam em seu árduo apostolado, buscando a glória de Deus, a edificação da Igreja e a salvação das almas.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Confira como foi o II Consagra-te! Cuiabá

Neste domingo (17), aconteceu, em Várzea Grande, o II encontro Consagra-te!, evento que tem como fim explicar em que consiste a consagração a Nossa Senhora pelo método de São Luís de Montfort. Na ocasião, o “Rincão do Meu Senhor”, da comunidade Canção Nova de Cuiabá, acolheu cerca de 2.500 fiéis, além da presença especial do padre Paulo Ricardo e do padre Overland de Moraes, sacerdotes arquidiocesanos.

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Depois de um momento de oração diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, o padre Paulo Ricardo fez uma bela pregação sobre o amor do bem-aventurado João Paulo II à Virgem Maria. O João de Deus foi consagrado à diletíssima Mãe pelo mesmo método de São Luís, e o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem” era seu livro de cabeceira. Mais: como lema de seu pontificado, Wojtyla escolheu justamente uma frase extraída da obra: Totus tuus (“Todo teu”). O seu amor a Nossa Senhora o motivou a escrever uma encíclica em Sua honra – a carta Redemptoris Mater – sem falar das inúmeras catequeses dedicadas a refletir sobre a humildade, a obediência e a solicitude desta santa Mãe.

Podemos dizer que este foi um Consagra-te! de números. Neste ano, celebramos 300 anos do Tratado de São Luís. E na última semana, de um modo especial, o padre Paulo completou 20 anos de ordenação sacerdotal (mais especificamente dia 14 de junho). No fim da primeira pregação, os fiéis fizeram sua homenagem – com direito a bolo de chocolate!

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A segunda pregação foi feita pelo padre Overland, que contou o seu testemunho de consagrado à Virgem – uma história maravilhosa, que valeu todo o encontro, sem dúvida. O sacerdote relatou fatos de sua infância e juventude, contou como aconteceu seu processo de conversão e, por fim, como decidiu que iria se tornar padre. E, em toda a sua vida, como pano de fundo, estava o manto da Virgem.

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Logo depois do almoço, padre Paulo voltou a pregar. Desta vez, o tema da reflexão era as palavras que Cristo tinha dito à Sua Mãe e a São João, quando pendia no madeiro da cruz. “Junto à cruz de Jesus, estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’ A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu” (Jo 19, 25-27). Aqui, as palavras do Senhor têm um sentido claro, explicou o sacerdote. Em São João, agora filho de Maria, estamos todos nós. Toda a Igreja foi entregue a Nossa Senhora, à sua maternal intercessão.

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Após esta pregação, o Santíssimo Sacramento foi exposto e os fiéis rezaram o Santo Terço. E o evento, então, foi encerrado com a Santa Missa. O Sacrifício – nem precisava dizer – foi celebrado com sacralidade e respeito às rubricas. No altar, a cruz e o arranjo beneditino dos castiçais; os acólitos usando batina e sobrepeliz; o uso do turíbulo para incensar o altar, as oferendas, o celebrante, o povo e o Santíssimo; a procissão do Evangeliário na aclamação ao Evangelho; e, por fim, a Comunhão sendo distribuída de joelhos e na boca dos fiéis.

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Tremei, ó exército do demônio! Tremei, ó homens perversos! O Exército da Imaculada está recrutando escravos. Este ano, outro grande número de almas vai se entregar totalmente ao Cristo pelas mãos da clemente, piedosa e doce Virgem Maria. Outro grande número de almas está a caminho da salvação. A consagração “em massa” acontece no dia da Imaculada Conceição, 8 de dezembro. Até lá, preparemo-nos. E tenhamos a certeza de que, no fim, o Imaculado Coração de Maria triunfará.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* * *

Visite o site oficial da Campanha Nacional de Consagrações a Santíssima Virgem: www.consagrate.com.

“Não nos acostumemos aos milagres que se operam diante dos nossos olhos.”

“Não entendo como se pode viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham ido concretizando essa piedade eucarística: umas vezes, com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé; outras, com gestos silenciosos e calados, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração.”

“Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que tem que ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos de continuar depois o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo irreprimível de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor mais outra delicadeza: que não tenha querido limitar a sua presença ao instante do Sacrifício do Altar, mas tenha decidido permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário.”

“Devo dizer que, para mim, o Sacrário foi sempre Betânia, o lugar tranquilo e aprazível onde está Cristo, onde lhe podemos contar as nossas preocupações, nossos sofrimentos, nossos anseios e nossas alegrias, com a mesma simplicidade e naturalidade com que lhe falavam aqueles seus amigos Marta, Maria e Lázaro. Por isso, ao percorrer as ruas de uma cidade ou de uma aldeia, alegra-me descobrir, mesmo de longe, a silhueta de uma igreja: é um novo Sacrário, uma nova ocasião de deixar que a alma se escape para estar em desejo junto do Senhor Sacramentado.”

(…)

Não nos acostumemos aos milagres que se operam diante dos nossos olhos: ao admirável prodígio de que o Senhor desça todos os dias às mãos do sacerdote. Jesus quer que estejamos despertos, para que nos convençamos da grandeza do seu poder, e para que ouçamos novamente a sua promessa: Venite post me, et faciam vos fieri piscatores hominum, se me seguirdes, farei de vós pescadores de homens; sereis eficazes e atraireis as almas para Deus. Devemos confiar, pois, nessas palavras do Senhor, entrar na barca, empunhar os remos, içar as velas e lançar-nos a esse mar do mundo que Cristo nos entrega por herança. Duc in altum et laxate retia vestra in capturam! – fazei-vos ao largo e lançai as vossas redes para pescar.”

“Este zelo apostólico que Cristo infundiu em nossos corações não deve esgotar-se – extinguir-se – por falsa humildade. Se é verdade que arrastamos misérias pessoais, também é verdade que o Senhor conta com os nossos erros. Não escapa ao seu olhar misericordioso que nós, os homens, somos criaturas com limitações, com fraquezas, com imperfeições, inclinadas a pecar. Porém, manda-nos que lutemos, que reconheçamos os nossos defeitos; não para nos acovardarmos, mas para nos arrependermos e fomentarmos o desejo de ser melhores.”

- São Josemaría Escrivá, Na festa do Corpus Christi
extraído do livro “É Cristo que passa”, cap. 15

O Papa e a oração V

http://www.avivamentoja.com/uploads/Avivamento/EliahMtCarmel.jpg“O povo pelo qual Elias reza é posto de novo diante da própria verdade, e o profeta pede que também a verdade do Senhor se manifeste e que Ele intervenha para converter Israel, dissuadindo-o do engano da idolatria e levando-o assim à salvação. O seu pedido é para que o povo enfim saiba, conheça de modo pleno quem é verdadeiramente o seu Deus, e faça a escolha decisiva de seguir só Ele, o Deus verdadeiro. Pois somente assim Deus é reconhecido por aquilo que é, Absoluto e Transcendente, sem a possibilidade de lhe pôr ao lado outros deuses, que O negariam como Absoluto, tornando-o relativo. (…) Ao Absoluto de Deus, o fiel deve responder com um amor absoluto, total, que comprometa a sua vida inteira, as suas forças e o seu coração.”

(…)

“Estimados irmãos e irmãs, o que nos diz, a nós, esta história do passado? Qual é o presente desta história? Em primeiro lugar está em questão a prioridade do primeiro mandamento: adorar unicamente a Deus. Onde Deus desaparece, o homem cai na escravidão de idolatrias, como mostraram, no nosso tempo, os regimes totalitários e como mostram também diversas formas de niilismo, que tornam o homem dependente de ídolos, de idolatrias, escravizando-o. Em segundo lugar, a finalidade primária da oração é a conversão: o fogo de Deus que transforma o nosso coração e nos torna capazes de ver Deus e, assim, de viver segundo Deus e de viver para o próximo. E o terceiro ponto: os Padres dizem-nos que também esta história de um profeta é profética, se — dizem — é sombra do porvir, do futuro Cristo; é um passo ao longo do caminho rumo a Cristo. E dizem-nos que aqui vemos o verdadeiro fogo de Deus: o amor que orienta o Senhor até à Cruz, até ao dom total de si mesmo. Então, a autêntica adoração de Deus consiste em dar-se a si próprio a Deus e aos homens, a verdadeira adoração é o amor. E a autêntica adoração de Deus não destrói, mas renova e transforma. Sem dúvida, o fogo de Deus, o fogo do amor consome, transforma e purifica, mas precisamente por isso não destrói mas, ao contrário, cria a verdade do nosso ser, volta a criar o nosso coração. E assim, realmente vivos pela graça do fogo do Espírito Santo, do amor de Deus, somos adoradores em espírito e em verdade.”

- Papa Bento XVI, Audiência Geral
15 de junho de 2011

Diante do Rei – Banda Vida Reluz

Ele nasceu! Mas os homens O desprezam. Desprezá-Lo-ão ainda mais adiante, na sua Paixão e Morte, é verdade. Mas, parece que nós, cristãos, ao menosprezarmos o sentido religioso do Natal, estamos fazendo o mesmo com Nosso Senhor. Naquele tempo os judeus crucificaram o Rei. Eles não sabiam o que faziam. Hoje, somos nós, com nossas infames atitudes, que ofendemos ao Nosso Senhor. A nossa indiferença, contudo, não tem explicação. Conhecemos a Verdade, mas não queremos segui-la. Sabemos bem que Cristo é o Filho de Deus, mas nos recusamos a obedecê-Lo.

Nesse Natal, reacendamos a chama de Deus que habita em nós. E que o Filho do Homem possa nascer também em nossas casas e em nosso coração.

A graça de Maria – Papa Pio XII

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12. Nem se diga que por esse motivo se diminui a redenção de Cristo, porque não se estenderia a toda a descendência de Adão, e que, por isso, algo seria tirado ao múnus e à dignidade do Divino Redentor. Se considerarmos profunda e diligentemente essa questão, na realidade, facilmente verificamos que Cristo Senhor nosso, de fato, remiu, e de forma perfeitíssima, sua Mãe, pois que Deus a preservou de toda a mancha hereditária do pecado, no primeiro momento da sua conceição, em atenção aos merecimentos de Cristo. Por isso, a infinita dignidade de Jesus Cristo e o múnus da sua redenção universal não diminuem nem se enfraquecem com essa questão doutrinal, mas, ao contrário, muito se elevam.

13. É, portanto, injusta a crítica e a censura que, por esse motivo, fazem não poucos acatólicos e protestantes à nossa devoção para com a virgem Mãe de Deus, como se tirássemos alguma coisa do culto devido somente a Deus e a Jesus Cristo; muito ao contrário, tudo que for de honra e veneração a nossa Mãe celeste, sem dúvida que redunda em glória para o seu divino Filho, não só porque dele vêm, como de primeira fonte, todas as graças e dons, mesmo excelsos, mas ainda porque “os pais são a glória dos filhos” (Pr 17,6).

Papa Pio XII, Fulgens Corona, n. 11-13
8 de setembro de 1953

São João Damasceno e o culto aos santos

Fonte: Santa Sé

Papa Bento XVI

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6b/John-of-Damascus_01.jpgJoão Damasceno foi também um dos primeiros em distinguir entre o culto público e privado dos cristãos, entre a adoração (latreia) e a veneração (proskynesis): a primeira só pode dirigir-se a Deus, sumamente espiritual; a segunda, ao contrário, pode utilizar uma imagem para dirigir-se àquele que é representado nela. Obviamente, o santo não pode em nenhum caso ser identificado com a matéria da qual está composto o ícone. Esta distinção se revelou imediatamente muito importante para responder de modo cristão àqueles que pretendiam como universal e perene a observância da severa proibição do Antigo Testamento sobre a utilização cultual das imagens. Esta era a grande discussão também no mundo islâmico, que aceita esta tradição hebraica da exclusão total das imagens no culto. Ao contrário, os cristãos, neste contexto, discutiram o problema e encontraram a justificação para a veneração das imagens. Damasceno escrevia:

«Em outros tempos, Deus não havia sido representado nunca em imagem, sendo incorpóreo e sem rosto. Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu entre os homens, eu represento o que é visível em Deus. Eu não venero a matéria, mas o Criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria. Nunca cessarei por isso de venerar a matéria através da qual me chegou a salvação. Mas não a venero em absoluto como Deus! Como poderia ser Deus aquilo que recebeu a existência a partir do não ser?… Mas eu venero e respeito também todo o resto da matéria que me procurou a salvação, enquanto que está cheia de energias e de graças santas. Não é talvez matéria o lenho da cruz três vezes bendita?… E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos, não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão da vida não é matéria?… E antes que nada, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor? Ou se deve suprimir o caráter sagrado de tudo isso, ou se deve conceder à tradição da Igreja a veneração das imagens de Deus e a dos amigos de Deus que são santificados pelo nome que levam, e que por esta razão estão habitados pela graça do Espírito Santo. Não se ofenda portanto a matéria: esta não é desprezível, porque nada do que Deus fez é desprezível» (Contra imaginum calumniatores, I, 16, ed. Kotter, pp. 89-90).

Vemos que, por causa da encarnação, a matéria aparece como divinizada, é vista como morada de Deus. Trata-se de uma nova visão do mundo e das realidades materiais. Deus se fez carne e a carne se converteu realmente em morada de Deus, cuja glória resplandece no rosto humano de Cristo. Portanto, os convites do Doutor oriental são ainda hoje de extrema atualidade, considerando a grandíssima dignidade que a matéria recebeu na Encarnação, podendo chegar a ser, na fé, sinal e sacramento eficaz do encontro do homem com Deus. João Damasceno é, portanto, um testemunho privilegiado do culto dos ícones, que chegará a ser um dos aspectos mais distintivos da teologia e da espiritualidade orientais até hoje. E, contudo, é uma forma de culto que pertence simplesmente à fé cristã, à fé nesse Deus que se fez carne e que se tornou visível. O ensinamento de São João Damasceno se insere, assim, na tradição da Igreja universal, cuja doutrina sacramental prevê que elementos materiais tomados da natureza possam converter-se, através da graça, em virtude da invocação (epiclesis) do Espírito Santo, acompanhada pela confissão da fé verdadeira.

Em união com estas idéias de fundo, João Damasceno põe também a veneração das relíquias dos santos sobre a base da convicção de que os santos cristãos, tendo sido partícipes da ressurreição de Cristo, não podem ser considerados simplesmente como «mortos». Enumerando, por exemplo, aqueles cujas relíquias ou imagens são dignas de veneração, João precisa em seu terceiro discurso em defesa das imagens:

«Antes de tudo (veneramos) aqueles entre quem Deus descansou, Ele, único santo que mora entre os santos (cf. Is 57, 15), como a santa Mãe de Deus e todos os santos. Estes são aqueles que, enquanto possível, tornaram-se semelhantes a Deus com sua vontade e pela inabitação e a ajuda de Deus; são chamados realmente de deuses (cf. Sal 82, 6), não por natureza, mas por contingência, assim como o ferro incandescente é chamado de fogo, não por natureza, mas por contingência e por participação do fogo. Diz, de fato: ‘Sereis santos porque eu sou santo’ (Lv 19, 2)» (III, 33, col. 1352 A).

Após uma série de referências desse tipo, Damasceno podia deduzir serenamente, portanto: «Deus, que é bom e superior a toda bondade, não se contentou com a contemplação de si mesmo, mas quis que houvesse seres beneficiados por Ele, que pudessem chegar a ser partícipes de sua bondade: por isso, criou do nada todas as coisas, visíveis e invisíveis, inclusive o homem, realidade visível e invisível. E o criou pensando e realizando-o como um ser capaz de pensamento (ennoema ergon) enriquecido pela palavra (Logo[i] sympleroumenon) e orientado para o espírito (pneumati teleioumenon)» (II, 2, PG 94, col. 865A). E para esclarecer este pensamento, acrescenta: «É necessário deixar-se encher de estupor (thaumazein) por todas as obras da providência (tes pronoias erga), louvá-las todas e aceitá-las todas, superando a tentação de assinalar nelas aspectos que a muitos parecem injustos ou iníquos (adika), e admitindo, ao contrário, que o projeto de Deus (pronoia) vai mais além da capacidade cognoscitiva e compreensiva (agnoston kai akatalepton) do homem, enquanto que, no entanto, só Ele conhece nossos pensamentos, nossas ações e inclusive nosso futuro» (II, 29, PG 94, col. 964C).

Papa Bento XVI, Audiência Geral
6 de maio de 2009

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São João Damasceno,
rogai por nós!

Podcast: A Igreja Católica não é idólatra

Tema bastante polêmico, mas importante, especialmente porque muitos católicos ultimamente vem tendo esse questionamento. Para que muitos não fraquejem na fé, não caiam na tentação de sair da verdadeira Igreja de Cristo, fundada em Pedro, falo, nessa mensagem, justamente sobre esse assunto: A Igreja Católica é mesmo idólatra? O que diz o testemunho da Bíblia e dos primeiros cristãos sobre o assunto? O que afirma o Magistério da Igreja sobre o culto aos santos? Abaixo o podcast e uma breve exposição da realidade.

[O link para acessar a mensagem está no blog Mater Misericordiae]