Alegres, mas vigilantes

http://zonal5.zip.net/images/vela.jpgVivemos a Liturgia do Advento, momento em que nos reunimos no Banquete Eucarístico para celebrar a vinda do Senhor Jesus, na noite de Natal. Essa vinda se vê cada vez mais próxima e nesse domingo essa expectativa de esperança cresce em cada um de nós: “Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém!” (Sf 3, 14). Sim! O Senhor vem! Exultemos de alegria e louvemos a Deus, pois, Cristo Salvador e Redentor vem. Situação de alegria, mas também de preocupação. A vigilância que desde o começo desse novo ano litúrgico o Senhor nos exorta a pôr em prática é a mesma que hoje nos põe em alegria diante do Nosso Senhor. De fato, só se alegra com a vinda de Jesus aquele que tem a vida irrepreensivelmente santa e virtuosa. Aqueles que cultivam um proceder corrupto e condenável não se sentem felizes com a vinda de Cristo; antes, se atemorizam porque, tendo consciência de suas faltas graves e de sua conduta abominável, e conhecendo o justo Juízo de Deus que condena ao inferno aqueles que são infiéis à Sua Palavra, sabem que seu destino é o castigo eterno.

Mas, alegrai-vos, diz São Paulo. “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos” (Fl 4, 4). Alegrar-se por motivos mundanos representa euforia, uma felicidade passageira, verdadeiramente mundana. Mas, alegrar-se no Senhor, conforme propõe São Paulo, significa sentir alegria por estar unido a Deus; sentir alegria por conhecê-Lo e amá-Lo. A alegria que abraça a Deus, ao contrário da alegria mundana, é uma felicidade divina, duradoura. Aqueles que em seu coração cultivam essa santa alegria nada precisam temer. Com eles têm o sinal de Cristo, que impera sobre todo pecado. Têm a força da oração, que vence toda batalha espiritual. Têm, sobretudo, a esperança que reina sobre todo princípio de desespero que permeia as dificuldades humanas; a certeza de que “o Senhor está próximo” (Fl 4, 5).

Partimos, enfim, ao Evangelho, onde é novamente tratada a figura de São João Batista, personagem essencial desse momento litúrgico. Ele não era o Messias, mas era responsável por preparar o povo para Sua vinda. Diz ele: “Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo” (Lc 3, 16). São João Crisóstomo comenta: “Assim como Jesus Cristo chama água à graça do Espírito, manifestando pela palavra ‘água’ a pureza e o imenso consolo que produz; assim São João, com a palavra fogo, expressa o fervor e a retidão da graça, como também o fim dos pecados” (Homilia in Mattheum, 11, via Catena Aurea). O batismo que João Batista pregava, de fato, não tinha o mesmo significado e a mesma simbologia da celebração batismal cristã. Por meio do batismo, a partir de Jesus Cristo, somos capacitados a praticar o bem e cumprir os seus santos mandamentos; morremos para uma vida velha; somos revestidos da veste de núpcias, que fazem com que estejamos aptos a trabalhar pelo Reino dos céus.

Além disso, o que mais dizer dos ensinamentos de São João Batista? Perguntado pelo povo sobre o que deveria fazer, Ele responde: partilhe! “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem!” (Lc 3, 11). Não é esse o verdadeiro espírito do amor do Reino de Deus? Todos os homens, para viverem em paz, precisam partilhar não só dos bens materiais – também deles, conforme expõe S. João – mas dos espirituais: precisam da partilha da Palavra, da partilha na Eucaristia, assim como em outras ocasiões dentro das celebrações da Igreja.

Engana-se quem pensa que toda essa partilha anula a catequese da Igreja acerca dos milagres e sinais de Jesus… Não é errado pensar na partilha; o errado é pensar somente nela e reduzir o Evangelho a um simples livro social, sem nenhum sinal escatológico da fé. Que os bispos e presbíteros do nosso país e de todo o mundo compreendam que, dentro do Evangelho, o amor aos pobres e à doutrina da Igreja são inseparáveis; e que, se quisermos seguir mesmo o que Cristo nos pedia, devemos abaixar a cabeça e dizer ‘sim’ à doutrina social da Igreja. Rezemos para que o nosso povo possa praticar a vigilância. Alegremo-nos, mas não nos descuidemos. O Senhor vem. Ponhamos em prática seus ensinamentos.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!