O testemunho suscita vocações

Fonte: Santa Sé

Papa Bento XVI
Mensagem para o Dia de Oração pelas Vocações

http://images.orkut.com/orkut/photos/OgAAAEn_BR3gMJUEn4UDYM_k6barK3gI8HdEuzkVsYQJMra7F_Nx7pIuCOV_WvsBU02jAD-7aNZHBY2sPYbDr9mFnksAm1T1UG8y97PV5-9AAT8z7MuIvjuY7CxT.jpg(…)

Elemento fundamental e comprovado de toda a vocação ao sacerdócio e à vida consagrada é a amizade com Cristo. Jesus vivia em constante união com o Pai, e isto suscitava nos discípulos o desejo de viverem a mesma experiência, aprendendo d’Ele a comunhão e o diálogo incessante com Deus. Se o sacerdote é o «homem de Deus», que pertence a Deus e ajuda a conhecê-Lo e a amá-Lo, não pode deixar de cultivar uma profunda intimidade com Ele e permanecer no seu amor, reservando tempo para a escuta da sua Palavra. A oração é o primeiro testemunho que suscita vocações. Tal como o apóstolo André comunica ao irmão que conheceu o Mestre, assim também quem quiser ser discípulo e testemunha de Cristo deve tê-Lo «visto» pessoalmente, deve tê-Lo conhecido, deve ter aprendido a amá-Lo e a permanecer com Ele.

(…)

Isto aplica-se também à vida consagrada. A própria existência dos religiosos e religiosas fala do amor de Cristo, quando O seguem com plena fidelidade ao Evangelho e assumem com alegria os seus critérios de discernimento e conduta. Tornam-se «sinais de contradição» para o mundo, cuja lógica frequentemente é inspirada pelo materialismo, o egoísmo e o individualismo. A sua fidelidade e a força do seu testemunho, porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar no ânimo de muitos jovens o desejo de, por sua vez, seguirem Cristo para sempre, de modo generoso e total. Imitar Cristo casto, pobre e obediente e identificar-se com Ele: eis o ideal da vida consagrada, testemunho do primado absoluto de Deus na vida e na história dos homens.

Fiel à sua vocação, cada presbítero, cada consagrado e cada consagrada transmite a alegria de servir Cristo, e convida todos os cristãos a responderem à vocação universal à santidade. Assim, para se promoverem as vocações específicas ao ministério sacerdotal e à vida consagrada, para se tornar mais forte e incisivo o anúncio vocacional, é indispensável o exemplo daqueles que já disseram o próprio «sim» a Deus e ao projeto de vida que Ele tem para cada um. O testemunho pessoal, feito de opções existenciais e concretas, há-de encorajar, por sua vez, os jovens a tomarem decisões empenhativas que envolvem o próprio futuro. Para ajudá-los, é necessária aquela arte do encontro e do diálogo capaz de os iluminar e acompanhar sobretudo através do exemplo de vida abraçada como vocação. Assim fez o Santo Cura d’Ars, que, no contato permanente com os seus paroquianos, «ensinava sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar».

Papa Bento XVI, Mensagem para o
Dia Mundial de Oração pelas Vocações

13 de novembro de 2009

Dia do Amigo

Hoje, dia 20 de julho de 2009, é comemorado o dia do Amigo; é dia, portanto, de refletir o verdadeiro significado da amizade nos tempos atuais. Com efeito, atribui-se à amizade muitos valores errados e até mesmo contraditórios. Isso porque o homem, na busca de seus próprios interesses, não quer mais viver uma amizade compromissada e fiel, e acaba por esquecer que o amor que Jesus nos ensinou era, antes de tudo, de caráter sacrificial. Foi Ele quem disse: “Como eu vos tenho amado, assim também deveis vós amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34). E de que maneira Jesus nos amou? Sacrificando seu Corpo e Seu Sangue por cada um de nós, sendo condenado e julgado pelo pecado de todos os homens.

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Por isso muitas vezes cantamos: Ninguém te ama como eu… Isso é bíblico. Jesus Cristo foi o único na Terra a demonstrar o verdadeiro amor que Deus exige de seus servos. Nosso amor é imperfeito e nossa caridade é defeituosa. É só nos espelhando no amor daquele que foi capaz de doar a sua vida pela salvação da humanidade que poderemos melhorar nossa maneira de amar e, desse modo, agradar a Deus de verdade. E especialmente hoje faz-se necessário um momento de reflexão: como estamos levando os nossos relacionamentos adiante? Será que estamos realmente promovendo, nas nossas amizades, o espírito de Jesus? Ou será que estamos sendo cristãos somente nas palavras e nos esquecendo das atitudes amorosas em favor do nosso irmão?

Muitas vezes, nós cristãos, começamos a nos preocupar muito com a e esquecemo-nos de concretizá-la com a caridade. Não é ruim preocupar-se com a fé, mas sabemos que a mesma fica incompleta sem a caridade com que Deus quer que cumulemos nossos amigos. São João foi claro em relação a isso: “Não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade” (1Jo 3,18). E disse que “se alguém disser: amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso” (1Jo 4,20). Mas a partir desse texto bíblico nos perguntamos: Como viver um amor verdadeiro?

Esqueçamos os sentimentalismos e as idéias corrompidas que são associadas ao valor da amizade. Atentemo-nos em ouvir as palavras de São Paulo: “A caridade é paciente. A caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13,4-7). Portanto, distingamos: as virtudes para se viver bem o amor aos irmãos são paciência, bondade, justiça e verdade. E o que se deve evitar para viver a caridade é a inveja, o orgulho, a arrogância, o escândalo, o egoísmo e a ira. Todas as dicas para um bom convívio estão aqui e são somente vivendo elas poderemos alcançar a felicidade num relacionamento.

Caridade, meus irmãos, – não nos enganemos – não é somente dar pão a quem tem fome, dar coisas a quem necessita, dar comida aos famintos. É, antes de tudo isso, aceitar a pessoa como ela é. Isso significa buscar mudar o nosso irmão na fé, mas nunca abandoná-lo, ele mudando ou não. Deus quer que vivamos a caridade em sua plenitude. Possamos viver esse dom de amor com que Deus vem ao nosso encontro, que tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Graça e paz.