“Os sacerdotes, ministros de meu Filho, os sacerdotes, por sua má vida, por suas irreverências e sua impiedade em celebrar os santos mistérios, por amor do dinheiro, das honras e dos prazeres, os sacerdotes tornaram-se cloacas de impureza. Sim, os padres pedem vingança, e esta está suspensa sobre as suas cabeças. Desgraçados dos padres e das pessoas consagradas a Deus, as quais, por suas infidelidades e sua má vida crucificam novamente o meu Filho! Os pecados das pessoas consagradas a Deus clamam ao Céu e chamam a vingança e ela está às suas portas, pois não se encontra ninguém para implorar misericórdia, e perdão para o povo; não há mais almas generosas não há mais ninguém digno de oferecer a Vítima sem mancha ao Pai Eterno em favor do mundo” (Nossa Senhora de La Salette, retirado do site Permanência).
Há 158 anos atrás a Igreja aprovava as mensagens das aparições de Nossa Senhora em La Salette, na França, a uma vidente chamada Melânia Calvat. Embora a sua figura seja pouca conhecida – afinal o belo da profecia é isso: renunciar a si mesmo para dar lugar a Deus – faz-se mister lembrar a memória dessa grande jovem que morreu defendendo o ideal cristão. Mais importante ainda é lembrar as palavras de Nossa Senhora naquela ocasião. Nessa passagem acima citada ela falava sobre a impureza dos sacerdotes. Naquele contexto o povo católico vivia o século XIX. Quase dois séculos depois das aparições de Nossa Senhora a realidade triste que se observa no clero católico permanece. Hoje, assim como em outros tempos difíceis que a Igreja sofreu, o coração de Jesus é constantemente ferido pelos pecados dos leigos e até mesmo dos sacerdotes. Ora, mas qual é o problema – pergunta o secularismo – de um padre pecar? Não é ele humano como todos nós?
Sem dúvida, o padre é humano, mas é servo consagrado de Deus. E isso é muito mais importante. Os Santos Padres da Igreja são unânimes em afirmar que a dignidade da alma sacerdotal é incomparável. Santo Afonso afirma, em sua obra A Selva, que “[a] dignidade sacerdotal ultrapassa até a dos anjos, razão por que também estes a veneram”. A intenção do Papa Bento XVI ao proclamar o Ano Sacerdotal em ocasião do aniversário da memória do Santo Cura de Ars é exatamente esta: restaurar na mente do povo cristão a idéia da dignidade sacerdotal. Ela não pode se perder em meio aos pecados que o clero infelizmente – e para a tristeza profunda de Deus – comete.
Mas qual é o tamanho do pecado que um padre comete? Por ele ser consagrado, um pecado grave que ele comete se torna pequeno? Não! De modo nenhum. Muito pelo contrário: aquele que tem conhecimento do pecado e mesmo assim o comete está pecando muito mais gravemente e cometendo uma infração terrível contra o Criador. Ainda mais os sacerdotes, que são consagrados por Deus especialmente para realizarem a sua vontade! São Jerônimo exclamava: “É grande a dignidade dos padres, mas também a sua ruína, se vierem a pecar. Regozijemo-nos com a nossa elevação, mas temamos de cair”. E Santo Afonso de Ligório, ainda n’A Selva, dizia:
“[O sacerdote] peca no meio da luz, o que faz que o seu pecado, como fica dito, seja um pecado de malícia: não pode pois alegar ignorância, porque sabe que mal é o pecado mortal; também não pode alegar fraqueza, porque conhece os recursos para se tornar forte, se quiser valer-se deles”.
Completa São João Crisóstomo: “Nulla re Deus magis offenditur, quam quando peccatores sacerdotii dignitate praefulgent – Nunca Deus é tão ofendido como quando os que o ultrajam estão revestidos da dignidade sacerdotal”. Está compreendida a razão pela qual Nossa Senhora destacou quão grave é o pecado cometido pelos sacerdotes. As frases acima citadas são os reflexos espirituais que são observados na vida do padre. Contudo as desgraças desses pecados se estendem para todo o povo de Deus.
Sabemos muito bem que o padre é encarregado de levar o homem a Deus. Com seus pecados, no entanto, ele desencoraja o fiel leigo. Por que o drama da pedofilia presente no clero católico é tão triste? Porque conhecemos quão grande é a dignidade do padre para ser manchada dessa maneira! Quando ele desobedece o Magistério da Igreja, anuncia a si mesmo e pára de falar de Deus e obedecer a Ele então ele não está mais exercendo fielmente o seu ministério. Por isso, diz Nossa Senhora de La Salette, “[o]s pecados das pessoas consagradas a Deus clamam ao céu vingança”. Elas têm conhecimento da verdade, se consagraram inteiramente a Deus, são pessoas que consagram a Nosso Senhor Jesus Cristo. Como seria possível fazer tudo isso e ao mesmo tempo ofendê-Lo de maneira tão descabida?
Intensifiquemos, na ocasião desse Ano Sacerdotal, as nossas orações pelo clero católico no mundo inteiro. Que Nossa Senhora de La Salette interceda pelos padres junto a Deus para que eles alcancem a santidade e possam honrar ao Seu Filho plenamente.
Nossa Senhora de La Salette, Mãe dos sacerdotes,
rogai por nós!
“Os sacerdotes, ministros de meu Filho, os sacerdotes, por sua má vida, por suas irreverências e sua impiedade em celebrar os santos mistérios, por amor do dinheiro, das honras e dos prazeres, os sacerdotes tornaram-se cloacas de impureza. Sim, os padres pedem vingança, e esta está suspensa sobre as suas cabeças.