Aprendendo doutrina católica com a “serpente de bronze”

O nosso Apostolado tem trabalhado bastante, nos últimos dias, por meio da rede social Facebook. Neste mês de agosto, nossa página de evangelização ultrapassou as duas mil opções “curtir”, e as mensagens que disponibilizamos em nosso espaço têm sido amplamente compartilhadas. E, como também o Facebook possibilita a postagem de comentários nas atualizações, temos acolhido algumas discussões de conteúdo bem interessante – como, p. ex., a conduta anticatólica do candidato à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, e o problema da adesão dos católicos paulistanos à sua campanha política. No entanto, o mais novo debate que temos travado é com os protestantes. Não cessam as acusações de que a honra que prestamos aos santos ícones seria idolatria.

Para contestar o uso descontextualizado que muitos protestantes fazem das Escrituras Sagradas, fiz uma montagem, com uma estátua do pai do protestantismo alemão, Martinho Lutero, que está na cidade de Wittenberg (imagem ao lado). Se, como eles dizem, é proibido esculpir imagens de qualquer coisa – mesmo de nosso Senhor! -, qual seria o sentido de uma escultura desta? Se Êxodo 20 serve para os católicos, deve servir também para os protestantes – dois pesos, duas medidas. As respostas foram diversas. Mas, uma coisa até alguns protestantes reconheceram: é claro que o problema não está na confecção das imagens, mas sim no uso que se faz delas! Tanto é verdade que o próprio Deus ordenou, em determinada ocasião, que fosse construída uma serpente de bronze (cf. Num 21, 9); quando, porém, os israelitas utilizaram a imagem para praticar idolatria, a mesma imagem foi destruída (cf. 2 Rs 18, 4), já que estava se tornando ocasião de perdição para o povo de Deus.

A “serpente de bronze” nos ensina muita coisa. Além de ser imagem de Cristo crucificado – segundo o próprio Jesus (cf. Jo 3, 14) -, ela vem indicar-nos o que o Catecismo da Igreja Católica chama de “nova economia das imagens” (cf. § 2131), realidade que nosso Senhor inaugura com sua encarnação. A proibição do Antigo Testamento a qualquer tipo de imagem esculpida (cf. Dt 4, 15-16), do que quer que seja, decorria do fato de o Deus de Israel ser absolutamente transcendente, e, em certo sentido, inatingível, posto que, como afirma o próprio São João, “ninguém jamais viu a Deus” (1 Jo 4, 12). Com a Encarnação do Verbo, porém, esta realidade sofreu uma reviravolta total. O próprio Deus quis se fazer visível, representável. Ele mesmo desceu até nós, veio habitar em nosso meio. É basicamente esta a linha de pensamento que segue São João Damasceno, doutor da Igreja, em sua argumentação contra os iconoclastas:

“Em outros tempos, Deus não havia sido representado nunca em imagem, sendo incorpóreo e sem rosto. Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu entre os homens, eu represento o que é visível em Deus. Eu não venero a matéria, mas o Criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria. Nunca cessarei por isso de venerar a matéria através da qual me chegou a salvação. Mas não a venero em absoluto como Deus! Como poderia ser Deus aquilo que recebeu a existência a partir do não ser?… Mas eu venero e respeito também todo o resto da matéria que me procurou a salvação, enquanto que está cheia de energias e de graças santas. Não é talvez matéria o lenho da cruz três vezes bendita?… E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos, não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão da vida não é matéria?… E antes que nada, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor? Ou se deve suprimir o caráter sagrado de tudo isso, ou se deve conceder à tradição da Igreja a veneração das imagens de Deus e a dos amigos de Deus que são santificados pelo nome que levam, e que por esta razão estão habitados pela graça do Espírito Santo. Não se ofenda portanto a matéria: esta não é desprezível, porque nada do que Deus fez é desprezível.”

Mas os iconoclastas protestantes são obstinados. Nada lhes tira da cabeça que prestamos culto de adoração à matéria – no caso, às esculturas da Virgem Maria e dos Santos católicos. Não adianta mostrar que, no Catecismo da Igreja Católica, há uma condenação expressa à prática da idolatria, absolutamente “incompatível com a comunhão divina” (§ 2113). Não adianta esclarecer que o culto prestado aos ícones dirige-se, na verdade, à pessoa que está ali representada; nem que a imagem serve apenas como uma forma de lembrar aqueles que enfeitaram suas almas com as mais belas virtudes do Céu. Não adianta falar que as imagens de Nossa Senhora nos andores são somente uma humilde sugestão da glória que orna a Mãe do Salvador na cidade celestial. Não adianta provar para eles que a comunhão dos Santos era doutrina comum dos primeiros cristãos; nem que a intercessão dos cristãos que já tinham morrido era prática recorrente na própria Liturgia primitiva.

Não adianta sequer oferecer-lhes a história bíblica da “serpente de bronze” – da obra que o próprio Deus ordenou que fosse esculpida, a fim de sarar as feridas de seu povo. Nada disto adianta. Os pastores de suas comunidades pentecostais já inocularam em suas mentes suas interpretações particulares da Escritura, relegando à condição de idólatras as práticas de piedade da religião que colonizou esta Terra de Santa Cruz. Uma pena. O diálogo com os protestantes continuará permeado pela ignorância e pela injustiça. Injustiça, sim, porque a Bíblia que foi, nos primeiros séculos, cuidadosamente moldada pelos bispos da Igreja Católica, é o mesmo instrumento do qual estes mentirosos se servem para acusar-nos de idolatria.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Um cristão que não luta é um mau cristão ou Coragem e credibilidade de mãos dadas

http://www.cancaonova.com/portal/arquivos/fotos/2009/janeiro/18_eventos_006.jpg“A palavra ‘mundo’ às vezes é usada de forma positiva, às vezes é usada de forma negativa. Então, qual é o relacionamento do cristão com o mundo? Para nós entendermos isto, é importante darmos um passo atrás na sinceridade e entendermos uma coisa: mundo, seja ele positivo, seja ele negativo; seja o conceito positivo de mundo criado por Deus, seja o conceito negativo de mundo, aquele que o homem criou e que rejeita Deus, o mundo, antes de estar lá fora, está dentro de nós. Isso quer dizer o seguinte: se nós queremos nos relacionar com o mundo, com as pessoas que estão fora, se nós queremos evangelizar esta sociedade, se nós queremos fazer diferença, se nós queremos ser sal da terra, luz do mundo, nós precisamos entender que existe mundo dentro de nós. (…) Quando nós falamos de cristãos e de mundo, não estamos falando de dois grupos de pessoas, onde a gente põe de um lado os bonzinhos, os cristãos santinhos, e do outro lado os mauzinhos, os malvados, o pessoal das trevas. Nós estamos falando de uma divisão que está dentro de nós. Nós não somos gente. Nós somos um campo de batalha.

“Dentro de mim existe o que há de mais santo porque nós somos batizados. (…) Isso quer dizer que o Santíssimo Deus está em nosso coração; nós somos templo do Espírito Santo. Nós somos lugar da morada do Altíssimo. Dentro de nós existe o mais santo, o mais sublime. Só que dentro de nós também tem muita cafajestagem, muita sem-vergonhice. (…) Se você não é a Virgem Maria e se você não é nosso Senhor Jesus Cristo, então você não é imaculado. Imaculados são eles dois. Nós não somos imaculados. Nós temos o pecado original, portanto, temos miséria dentro de nós. Isto significa que existe batalha dentro de nós.”

“Acontece, no entanto, o seguinte: o Inimigo – estamos falando de Satanás e dos seus anjos, dos demônios – e os inimigos – agora falamos da cultura, das instituições e das pessoas que trabalham contra o Cristianismo – conseguiram, nas ultimas quatro décadas, colocar no coração dos cristãos uma ideia miserável chamada ‘pacifismo’, que é a paz custe o que custar; não seria atitude cristã lutar, fazer guerra, reagir. O cristão teria que ser pacífico. Ou seja, eles conseguiram colocar no nosso coração que nós temos que ser otários; que nós temos que apanhar e ficar quietos. Mas, não, meus queridos! Ser cristão é ser soldado, é ser guerreiro, é lutar. E se você não luta, se você não é guerreiro, se você não é soldado, você não é um bom cristão, você não é nada.”

- Padre Paulo Ricardo
Trecho do podcast Parresía, 17 de novembro de 2010

Disse Jesus que veio ao mundo trazer não a paz, mas a espada (cf. Mt 10, 34). Esta nossa vida que desfrutamos como simples peregrinos deve ser para nós como uma grande batalha. E são as próprias Escrituras que nos exortam a sermos soldados. “Revesti-vos da armadura de Deus” (Ef 6, 11), diz São Paulo aos cristãos em Éfeso. “Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações” (2 Cor 10, 4), alude o mesmo apóstolo aos corintos, deixando clara a existência de uma guerra travada entre o cristão e o mundo. E, aos romanos, Paulo especifica ainda mais onde se dá esta luta: “Assim, pois, de um lado, pelo meu espírito, sou submisso à lei de Deus; de outro lado, por minha carne, sou escravo da lei do pecado” (Rm 7, 26).

A vida do cristão deve ser, então, uma tomada de decisão, um compromisso. A partir do seu Batismo, é preciso que ele ame a Deus com todas as suas forças e acima de todas as coisas. Da mesma forma, é necessário que Ele rejeite, de todo o seu coração, aquilo que contraria a vontade de Deus e os seus mandamentos. Não há verdadeiro amor pelo Bem sem real ódio pelo mal, sem real inconformidade com o pecado. Reafirmar todas estas verdades é dar um golpe fatal na falsa ideia de que os cristãos deveriam ser pacifistas, idealizadores de uma paz absoluta e total. De maneira alguma podemos aceitar tal absurdo, porquanto Cristo, consumido pelo zelo pela casa de Seu Pai, não permitiu que ela fosse transformada em casa de comércio. De modo algum nos calaremos e seremos pacíficos enquanto crianças continuarem sendo deliberadamente mortas no ventre de suas próprias mães, enquanto injustiças forem defendidas por instituições, organizações e pessoas como direitos humanos.

A Igreja colhe os frutos de seu trabalho

Com efeito, o maior país católico do Brasil brinda os bons bispos de nosso país com uma demonstração de solidariedade para com a luta da Igreja contra a implantação da cultura de morte em nossa nação. Conforme reportou Wagner Moura, o Índice de Confiança na Justiça revelou um aumento de confiança da população na Igreja Católica. Segundo a coordenadora da pesquisa, Luciana Gross Cunha, “é evidente que é o ataque ao aborto [durante as eleições] o motivo principal do aumento significativo da confiança na Igreja”. De 7ª instituição mais confiável no segundo trimestre deste ano, a Igreja passou para a segunda posição nos últimos meses, ficando atrás apenas das Forças Armadas.

Resta-nos parabenizar os bispos brasileiros que, de alguma forma, contribuíram para mostrar o Amor de Deus, indignado com a injustiça e com a opressão que representa a prática do aborto. Não, o povo brasileiro não quer uma fé politicamente correta. O que os cristãos desta Terra de Santa Cruz desejam é ver a fortaleza brilhar nos pronunciamentos de seus pastores, é ver resplandecer a aberta denúncia às obras das trevas nas homilias dos sacerdotes do Altíssimo! Enquanto tantos pedem paz sem muitas vezes conhecer o seu verdadeiro significado, os cristãos fazem guerra… ao mal, à injustiça, à morte, à falta de fé.

Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida nos fortaleça no combate. E que nossa nação não pereça perante o flagelo do comunismo e a maldição do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Aviso de publicação: Não, não és franciscano!

http://www.voltairenet.org/IMG/jpg/leonardo-boff-copia.jpgTalvez muitos se lembrem da entrevista que o teólogo Leonardo Boff concedeu em maio deste ano à revista IstoÉ. “Sou católico apostólico franciscano”, declarou um dos maiores defensores da Teologia da Libertação no Brasil na ocasião.

A resposta às sandices heréticas de Boff é publicada hoje, dia de São Francisco de Assis, aqui no Ecclesia Una. “Desde quando o toque inicial, a ‘visita do Senhor’ a São Francisco foi fora do cristianismo ou muito menos fora da Igreja Católica?”, questiona frei Ângelo Bernardo, autor da resposta. A leitura do artigo é recomendada, especialmente para aqueles que estão cansados de ver elogios serem tecidos a São Francisco de Assis, estando esses elogios totalmente desvinculados de sua vida de obediência à Igreja Católica Apostólica Romana.

Por enquanto, frei Ângelo nos mandou somente a primeira parte do seu artigo. Quando recebermos a segunda parte, atualizamos a página no blog. ;)

* * *

“Estas são considerações indignadas de um filho do poverello de Assis. Desde a leitura, releitura, apreciação da fala do “Doutor Leonardo Boff”, procurei ler suas obras com afinco, sobretudo a que o ‘condenou’: “Igreja: Carisma e Poder – Ensaios de Eclesiologia Militante”, editado pela Vozes em 1981, bem como outras obras há anos publicadas, como “Jesus Cristo Libertador”, tendo sua primeira edição em 1972 e outras mais recentes. Para não incorrer em erros e contradições, busquei entender o seu pensamento, o modo como, o a partir donde ele escrevia e escreve.”

LEIA O ARTIGO COMPLETO CLICANDO AQUI

Separação definitiva, comunicação impossível

O Evangelho deste 26ª domingo do Tempo Comum nos propõe a parábola do rico e Lázaro. É uma mensagem essencialmente escatológica. Os personagens dessa história são um homem rico, que não se preocupava com a situação miserável na qual viviam aqueles que circundavam a sua mesa, e Lázaro, um pobre faminto cujas feridas eram lambidas pelos cães (cf. Lc 16, 21).  Que situação terrível vivia Lázaro. Que compaixão deve suscitar em nós a sua miséria! Mais do que compaixão, no entanto, pelo personagem evangélico, é preciso que nos solidarizemos com aqueles que padecem de fome na nossa sociedade. Aludimos aqui não só à fome material, mas principalmente à fome espiritual, anseio por felicidade. Não podemos nos esquecer que a matéria tem o seu fim; a alma, no entanto, após a morte, permanece viva.

O rico da parábola se esqueceu disso. Jesus narra a morte dos dois homens de dois modos distintos, inclusive. Para aquele que se preocupou excessivamente em adquirir bens terrenos, mostrou o destino do corpo; para aquele que não tinha do que se fartar materialmente neste mundo, mostrou o destino da alma. “Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado” (Lc 16, 22). O destino do corpo é o mesmo, para os dois. Por isso diz-se que a morte nivela todos os homens. Ricos e pobres, seus corpos o mesmo fim terão. Tanto o corpo do rico avarento quanto o corpo do pobre miserável serão consumidos. A alma, porém, dois destinos diferentes tem pela frente. Céu ou inferno, consolação ou tormento, alegria ou eterna penúria. Na situação apresentada por Nosso Senhor, vai o rico para o inferno e o pobre para a vida eterna. “Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado” (Lc 16, 23).

Mas, pode, por acaso, o condenado um dia ir para o Céu ou o salvo descer algum momento ao inferno? Pode ser alterada a justa sentença do Altíssimo acerca do destino eterno dos homens? “Há um grande abismo entre nós; por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós” (Lc 16, 26). E pode uma alma atormentada voltar à Terra para comunicar-se com os vivos e contar-lhes o que se passa no plano sobrenatural? A insistência do rico condenado também nos mostra que essa comunicação não é possível. Não se pode confundir evocação dos mortos, que é uma prática espírita severamente condenada pela Igreja, com a comunhão dos santos, que é a comunicação de bens espirituais entre os membros do Corpo Místico de Cristo. Admitir a comunicação com os mortos como fonte de revelação seria considerar insuficiente a obra redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, seria aderir à perversa doutrina dos espíritos de Allan Kardec.

Para complementar aquilo que já falamos sobre a rejeição do espiritismo pelo próprio Evangelho, nos utilizamos de comentários de frei Boaventura Kloppenburg escritos no livro Espiritismo – Orientação para católicos *:


O rico avarento é condenado ao inferno. A diferença entre os dois, depois da morte, é grande. O falecido rico gozador implora: “Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou torturado nesta chama”. Mas a separação entre ambos é definitiva e a comunicação, impossível. A resposta do céu é clara e dura: “Entre vós e nós existe um grande abismo, de modo que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o podem, nem tampouco atravessarem os de lá até nós” (v. 26).

O falecido epulão insiste num pedido com filantrópica proposta: “Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que ele os advirta, para que não venham eles também para este lugar de tormento”. Era uma sugestão que parecia muito boa. Estabelecer-se-ia um útil intercâmbio entre os do além, com seus novos conhecimentos, e os da terra, sempre necessitados de esclarecimento e orientação. No entanto, a resposta do céu é seca: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (v. 29).

Mas o proponente insiste, com uma justificação: “Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se converterão”. A razão parecia óbvia. É a solução proposta também pelos atuais movimentos espiritistas. Se é verdade que as almas dos falecidos sobrevivem conscientemente e que elas continuam solidárias conosco, afirmações que são corroboradas pela Bíblia e ensinadas pela Igreja católica, por que não poderia o Criador escolher esta via para trazer revelações úteis do além? A resposta do céu, entretanto, segundo Jesus, é sem rodeios: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão” (v. 31).

É a rejeição pura e simples da via espiritista. Deus certamente “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2, 4). Ele não quer deixar-nos na ignorância. Mas o Criador dos homens escolheu outra Via para instruí-los sobre o sentido da vida e o destino eterno. (…) Depois de Moisés e dos Profetas, Deus nos enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus (cf. Jo 1, 1-18). Com Jesus recebemos a plenitude da revelação necessária para a nossa salvação.


As palavras do Santo Evangelho nos ajudem a rejeitarmos de todo o nosso coração todas as práticas que nos afastam dos mandamentos da lei do Altíssimo e nos motivem a termos movimentos de sincera compaixão e solidariedade para com o nosso próximo. Contemplando a imensa Misericórdia de Deus, possamos temer também obstinarmo-nos no pecado e rejeitarmos Sua Bondade que salva.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* O texto de cor verde, transcrito do livro do frei Boaventura Kloppenburg, se encontra na pg. 29 da edição da obra em PDF. 

“O mundo sem Deus converte-se em um inferno”

“Com efeito, há uma forte corrente de pensamento laicista que deseja afastar Deus da vida das pessoas e da sociedade, lançando as bases e tentando criar um paraíso sem Ele. Mas a existência ensina que o mundo sem Deus converte-se em um inferno, onde prevalece o egoísmo, as divisões nas famílias, o ódio entre as pessoas e os povos, a falta de amor, alegria e esperança. Ao contrário, quando as pessoas e os povos acolhem a presença de Deus, Lhe adoram em verdade e escutam Sua voz, constrói-se concretamente a civilização do amor, onde cada um é respeitado em sua dignidade e cresce a comunhão, com os frutos que isso implica. Há cristãos que se deixam seduzir pelo modo de pensar laicista, ou são atraídos por correntes religiosas que lhes afastam da fé em Jesus Cristo. Outros, sem deixar-se seduzir por elas, simplesmente deixaram que se esfriasse a sua fé, com as inevitáveis consequências negativas no plano moral.”

- Papa Bento XVI
Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude 2011

“O mundo sem Deus converte-se em um inferno”. Impossível não se lembrar das atrocidades cometidas pelos regimes socialistas no último século. A proposta comunista parecia sedutora: uma sociedade sem classes, sem injustiças, sem problemas; queriam construir “um Céu na Terra”. À custa de muito sangue a fantasia se concretizaria. Em nome de um futuro hipotético, mataram milhões de pessoas.

E o homem aprendeu? Olhar para o século XXI é observar a formação de uma cultura que deseja excluir a moral cristã e os valores defendidos pela Igreja Católica de cena. Essa alternativa, no século passado, só trouxe miséria e destruição para os povos. Hoje os mesmos erros parecem ser repetidos. O materialismo continua a agir e a indiferença em relação a Deus predomina na mente dos homens. A indiferença diante de Deus… é a ruína do homem. No século XX, desprezaram a Deus de tal maneira que deixaram de valorizar a dignidade da vida humana. O resultado? Pilhas de cadáveres. Hoje a mesma coisa se repete. A diferença é que os cadáveres estão nos lixos de hospitais e foram assassinados por suas próprias mães. Estende-se pelo mundo inteiro um genocídio silencioso, cruel e desumano contra crianças inocentes.

Quem se esquece de Deus e deseja viver sem Ele acaba, na verdade, degradando o próprio homem. Voltemos a olhar para a doutrina cristã e deixemo-nos apaixonar por Jesus Cristo e por seus belíssimos ensinamentos, lições que edificam e dignificam o ser humano.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Uma resposta aos demolays

Os demolays que visitam este blog sempre usam o mesmo discurso. “Vocês dizem isso porque não aceitam que a Igreja perca o poder e a influência que tanto tinha na Idade Média”; “Vocês são inimigos da razão e da ciência, intolerantes e ignorantes”; “Vocês deveriam parar de julgar porque isso contradiz os ensinamentos de Cristo”; “Vocês têm que deixar de lado esses dogmatismos e precisam estar do lado da liberdade, da igualdade e da fraternidade”; “Isso que você tem é inveja”; “Você não foi admitido pela Ordem e se revoltou”. Ou se presencia um show de críticas infundadas ou um espetáculo recheado de liberalismo anticlerical.

Todos os textos que escrevi sobre o assunto giram em torno de um fato: um católico de fato não pode pertencer à Maçonaria sem que cometa pecado grave. É a lei à qual devem obedecer os católicos que queiram estar em coerência com a fé que professam. A afirmação está contida em um documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé e “não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçónicas com um juízo que implique derrogação” daquilo que é ensinado pela documento. A lógica é simples: Um católico deve obediência à Igreja Católica. A Igreja deixa clara a incompatibilidade entre os ensinamentos da Palavra de Deus e a filosofia maçônica. Quem quer ser católico mas deseja, ainda assim, participar de associações maçônicas, está sendo incoerente.

Os motivos pelos quais a Santa Igreja condena a Maçonaria são vários. Recomendo, para um conhecimento melhor do assunto, a leitura do livro A Maçonaria no Brasil, do frei Boaventura Kloppenburg. Exponho aqui um dos principais motivos da condenação: a Igreja de Cristo ensina que a verdade é absoluta e objetiva. Assim, ela é exterior aos indivíduos e pode ser conhecida ou pelo uso da razão ou pela Revelação de Deus. A Maçonaria e as demais associações ligadas a ela, no entanto, pregam que a verdade é relativa, ou seja, ela está na constatação pessoal de cada pessoa. “O que é verdade para você não é verdade para mim”. Assim seria possível que duas coisas completamente diferentes fossem, as duas ao mesmo tempo, verdades. Aqui está um motivo da condenação: o pensamento relativista presente na filosofia da Maçonaria.

Há muitos outros motivos, mas gostaria de me ater, agora, de maneira particular, aos comentários que recebi de demolays e simpatizantes da Ordem nesse fim de semana.

Parem de exaltar Galileu Galilei como herói da ciência e da razão, por favor. Vocês sequer conhecem a história do homem e vêm aqui defender o sujeito como uma pessoa que lutou contra a intolerância religiosa do seu tempo e contra as imposições da Igreja. Certamente muitos desses acham que Galileu foi queimado na fogueira da Inquisição ou que certamente tinha argumentos espetaculares para defender a até então teoria heliocêntrica. Vão ler, pelo amor que vocês têm ao Grande Arquiteto do Universo, um livro de história ou mesmo um texto confiável sobre o assunto, na internet ou em alguma biblioteca do mundo. Vão conhecer um pouquinho da história da Igreja, do contexto histórico no qual se deu a Inquisição, de quem foi o cardeal Roberto Belarmino, do que foi de fato o caso Galileu…

Parem de dizer que estamos julgando os demolays e que isso é contra os preceitos evangélicos. Estamos debatendo ideias, e não pessoas. Estamos discutindo pensamentos, afirmações, noções morais. Isso nada tem a ver com “julgar” conduta das pessoas. Todo cristão tem a obrigação de combater aquilo que é de espírito contrário aos ensinamentos da Igreja de Cristo: “Não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente” (Ef 5, 11).

Parem de fugir do foco do assunto. Os demolays transitam da Inquisição, vão às Cruzadas, chegam ao nazismo e param na pedofilia. Mas, falar da relação inconciliável entre o pensamento católico e a filosofia maçônica, que é o importante, não falam. Falam que não temos argumentos, mas não rebatem aquilo que falamos e ainda ficam balbuciando besteiras.

Não dá pra conciliar a doutrina da Igreja com aquilo que diz a Maçonaria. Se quiserem discutir seriamente aquilo que foi proposto, comentem. Se quiserem debater outros temas, vão a posts específicos. Mas, sejam diretos, objetivos, coesos, concisos, por favor.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Uma resposta aos iconoclastas

O Catecismo de São Pio X mantém sua atualidade. Disse certa vez o cardeal Joseph Ratzinger (hoje, papa Bento XVI): “A fé como tal é sempre idêntica. Portanto, o Catecismo de São Pio X conserva sempre o seu valor.” Constituído de perguntas diretas e respostas claras e sólidas, o Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã é um ótimo guia para os nossos dias. Abaixo, as respostas de São Pio X no que concerne ao culto que os católicos devem prestar aos Santos e à Virgem Maria. Em tempos onde é forte o espírito de iconoclastia, faz-se necessário prestar atenção às palavras da Igreja, para que não caiamos na insolência do erro.

O primeiro Mandamento proíbe acaso honrar e invocar os Anjos e os Santos?

Não. Não é proibido honrar e invocar os Anjos e os Santos, e até o devemos fazer, porque é coisa boa e útil, e altamente recomendada pela Igreja, já que eles são amigos de Deus e nossos intercessores junto dEle.

Sendo Jesus Cristo o nosso único mediador junto de Deus, por que recorremos também à intercessão da Santíssima Virgem e dos Santos?

Jesus Cristo é o nosso mediador junto de Deus, enquanto, sendo verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, só Ele, em virtude dos próprios merecimentos, nos reconciliou com Deus e dEle nos obtém todas as graças. Mas, a Santíssima Virgem e os Santos, em virtude dos merecimentos de Jesus Cristo, e pela caridade que os une a Deus e a nós, auxiliam-nos com a sua intercessão a alcançar as graças que pedimos. E este é um dos grandes bens da comunhão dos Santos.

Podemos honrar também as sagradas imagens de Jesus Cristo e dos Santos?

Sim, porque a honra que se tributa às sagradas imagens de Jesus Cristo e dos Santos, refere-se às suas mesmas pessoas.

E as relíquias dos Santos, podem honrar-se?

Sim, também as relíquias dos Santos podem e devem honrar-se porque os seus corpos foram membros vivos de Jesus Cristo e templos do Espírito Santo, e devem ressurgir gloriosos para a vida eterna.

Que diferença há entre o culto que prestamos a Deus, e o culto que prestamos aos Santos?

Entre o culto que prestamos a Deus e o culto que prestamos aos Santos há esta diferença: que a Deus adoramo-Lo pela sua infinita excelência, ao passo que aos Santos não os adoramos, mas só os honramos e veneramos como amigos de Deus e nossos intercessores junto dEle. O culto que prestamos a Deus chama-se latria, isto é, de adoração, e o culto que prestamos aos Santos chama-se dulia, isto é, de veneração aos servos de Deus; enfim o culto especial que prestamos a Maria Santíssima chama-se hiperdulia, isto é, de essencialíssima veneração, como Mãe de Deus.

[Extraído do Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, de São Pio X, n. 367-371]

O modernismo não morreu

Os piores inimigos da Igreja estão no seu interior. Essa afirmação expressa uma verdade que pode ser observada na prática em nossas comunidades. Há inclusive uma referência a essa realidade na doutrina de São Pio X: “Os fautores do erro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos” (Pascendi Dominici Gregis). O motivo pelo qual podemos afirmar convictamente que os piores inimigos são justamente os que estão na Igreja é que esses são “lobos em pele de cordeiro”, ou seja, estão disfarçados. Os inimigos declarados da obra de Cristo normalmente explicitam sua ação maligna, deixando aos cristãos a possibilidade de se prevenir. Os lobos disfarçados, com linguajar astuto e sedutor, arrastam para o Inferno as pessoas mais simples. Muitos deles receberam de Deus a missão de conduzir, de guiar a Cristo o Seu rebanho. Fazem, no entanto, exatamente o contrário: ensinam o erro, propagam a heresia, disseminam o modernismo.

O modernismo é uma heresia que surgiu no século XIX com o padre Alfred Loisy. De uma maneira bem resumida, foi um pensamento que surgiu como fruto ao ambiente cienficista e racionalista europeu. O resultado teológico foi um verdadeiro desastre: negação da transcendência, dos Santos Evangelhos, da autoridade da Igreja, da assistência do Espírito Santo aos bispos em comunhão com o Papa, da divindade de Nosso Senhor, da ressurreição de Jesus Cristo e da origem divina dos Sacramentos. O papa Pio X conduziu com coragem e obediência a Igreja frente ao terror da heresia modernista no século XX. Todos os padres deveriam professar o juramento antimodernista e se submeter aos ensinamentos infalíveis dos Concílios e dos Papas. A proposta de São Pio X – cuja memória a Liturgia celebra hoje – foi importante, mas o modernismo não morreu. Muito pelo contrário. Está forte e conquista um número grande de pessoas ao redor do mundo inteiro. E seria muitíssimo perigoso tentar ignorar esse mal que está visivelmente presente na Cristandade.

Talvez o exemplo mais óbvio do modernismo atualmente seja a heresia da Teologia da Libertação, que infectou de uma maneira especial o continente americano. Com efeito, a situação da pobreza na América Latina é triste, lamentável, e a ajuda do Cristianismo nesses países que apresentam necessidades é, sem dúvida, muito importante. O problema é se esquecer que o homem não vive só de pão. E a Teologia da Libertação, que é um modernismo disfarçado de mecanismo social de caridade, não quer simplesmente estender a mão aos mais necessitados e às pessoas carentes de recursos físicos. Ela adapta o Evangelho ao marxismo e ao socialismo. Valoriza de tal modo o materialismo, ponto essencial do pensamento comunista, que se esquece que o homem tem uma alma e que deve lutar para salvar-se, para conquistar a vida eterna (segundo eles, o Paraíso poderia ser construído aqui mesmo, nesse mundo). Destroem, com o materialismo, pontos essenciais da fé cristã. O Evangelho não faria referência mais ao Cristo-Deus, mas a um Jesus histórico (como se fosse possível separar essa duas dimensões de Nosso Senhor). A Ressurreição de Cristo não seria um fato, mas somente uma alegoria. A presença de Cristo na Eucaristia não seria real, mas apenas simbólica.

O Brasil está muito contaminado por essa mentalidade materialista e modernista! E como sofrem os fiéis com a falta de zelo de seus pastores! Quantas ovelhas se dispersam quando os pastores deixam de se preocupar com o imperecível! É preciso, hoje, mais do que nunca, combater, com todas as nossas forças, esse pensamento de cunho marxista que está se infiltrando em nossas comunidades.

Seja o zelo pastoral de São Pio X inspiração para todos os católicos. Que esses, reunidos sob a proteção da Santíssima Virgem Maria, sejam verdadeiramente obedientes ao Magistério da Igreja Católica. Estejam os nossos bispos preocupados com o necessário; e levem os fiéis a um encontro íntimo com Jesus na Eucaristia.

São Pio X,
rogai por nós!

* * *

Leia também a Catequese do Papa Bento XVI sobre São Pio X.

Aviso de publicação: Estultices protestantes refutadas

Os ataques do apóstata Francisco Araújo à Mãe de Deus não poderiam ficar sem resposta. Para responder aos seus comentários ao livro “Glórias de Maria”, de Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja, escrevi o artigo Estultices protestantes refutadas. Nele, escrevo um pouco sobre a comunhão dos santos e explico como a devoção à Maria Santíssima de modo algum ofusca o nosso amor a Jesus Cristo. Senti a necessidade de escrever o artigo após perceber a terrível distorção que o senhor Francisco fez de algumas passagens do livro de Santo Afonso, distorção essa que poderia vir a enganar os que por algum motivo estivessem fracos na fé.

O artigo está como página em nosso blog e a leitura é expressamente recomendada. ;)

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O diabo também conhece as Escrituras! A interpretação autêntica só a Igreja pode dar, mas à letra até o diabo tem acesso. O correto exame da Bíblia só os bispos da Igreja em comunhão com o Papa podem fazer, mas a leitura das Escrituras Sagradas e uma interpretação paralela, qualquer um pode fazer. Aqui nasce o protestantismo: do livre exame, da confusão. E Satanás sugeriu um uso distorcido da Palavra de Deus quando tentou o Cristo no deserto: “Se és filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra” (Mt 4, 6). Da mesma forma, sugere inúmeros erros a interpretação bíblica feita pelos protestantes. Não venere Maria, porque está escrito… Creia somente na Bíblia, porque está escrito… Basta crer e serás salvo, porque está escrito…. A semente da confusão foi semeada. E as ovelhas vão, pouco a pouco, se dispersando.

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Comentários em um testemunho de apostasia

A volta do diácono Francisco Araújo à igreja batista regular é realmente um fato lamentável, que todos nós, católicos, deploramos, por amor à verdade da Palavra de Deus e à devoção à Santíssima Mãe de Deus, Maria Santíssima. Fiz recentemente um post mencionando o seu testemunho de apostasia, mas penso ser oportuno falar mais sobre o assunto, já que o seu relato de conversão à fé católica pela fé na presença real de Jesus na Eucaristia causou, na época em que foi emitido, uma grande comoção no povo católico brasileiro.

Francisco, que deixou de exercer as funções do diaconato em 2000, narra seu processo de conversão ao catolicismo como “um grande pecado”. E afirma que está dando novo testemunho na igreja batista “por graça de Deus”. O pastor batista, ao apresentar Francisco, afirmou que, durante o tempo em que permaneceu na Igreja Católica, havia se desviado do Evangelho da Graça.

Esse discurso protestante “Bíblia sim, Igreja não”, ao qual o sr. Francisco se filiou, não faz sentido nenhum. Será que não explicaram a ele que a infalível Sagrada Escritura é resultado da ação do Espírito Santo na Igreja Católica Apostólica Romana? Francisco diz crer na Bíblia; mas crê neste livro justamente porque uma Igreja, há mais de mil e quinhentos anos atrás, reuniu os seus bispos e definiu os livros que eram inspirados pelo Espírito Santo. Crer na Bíblia exige primeiramente a fé na Igreja. Sem Igreja, não há Bíblia. Sem bispos, não há Sagrada Escritura.

Também em outro momento do testemunho, Francisco “adverte” os católicos: “O homem erra, mas a Palavra de Deus é eterna, e é verdadeira.” Para dizer que a Sagrada Escritura não erra, é preciso que primeiro ele confesse que os bispos da Igreja Católica, reunidos em comunhão com o Papa, não podem errar. Os protestantes vivem com a fé na Bíblia ameaçada, mas, preferem permanecer na incoerência.

“Eu cheguei a ser convidado para dizer, dentro da Igreja Católica, que eu tinha revelações… via a Virgem Maria”, contou Francisco. E aqui entra a história de Nossa Senhora “do marrom glacê”. Sua filha ganhou uma lata de doce marrom glacê e isso deveria ser atribuído à intercessão de Maria. No decorrer do vídeo, Francisco afirma ter mentido. Pôs o nome de Maria Santíssima no meio de uma mentira. Aqui fica um ensinamento para todos os católicos: que não acreditemos em qualquer história ou visão que alguém tenha recebido sem antes consultar o juízo da Igreja ou a integridade das informações e a discrição das pessoas envolvidas no assunto. Prudência! Muita prudência! O próprio Senhor nos alertava quanto aos lobos em pele de cordeiro que desviariam a fé e a piedade do povo de Deus.

Um pouco mais adiante, Francisco diz que a fé popular sobrevive graças à existência de visões aqui e acolá, como se fôssemos desesperados atrás de milagres e aparições. Com efeito, a nossa fé brota da confiança nas palavras de Cristo e nos ensinamentos da Igreja. Aparições são dignas de fé na medida em que já recebemos a palavra de Cristo viva no meio de nós.

O exemplo da aparição de Nossa Senhora em Lourdes é oportuno para uma reflexão. Em 1854, Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição. Em Lourdes, Maria Santíssima se manifestou a Santa Bernadete dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Por que cremos que Maria foi concebida sem mácula? Por causa da aparição? Não. A aparição é uma confirmação daquilo que recebemos da Igreja. Então, cremos na Imaculada Conceição porque o Papa, se pronunciando ex cathedra e, portanto, não podendo errar, proclamou essa verdade na qual todos nós devemos crer.

A estória do marrom glacê é uma farsa. Mas, mesmo se fosse verdade, nós não creríamos na intercessão de Nossa Senhora por causa desse milagre. Quando lemos a estória, temos a leve impressão de que Francisco só passou a acreditar na intercessão de Maria por causa desse suposto milagre. E não é isso o que a Igreja nos ensina! Cremos na mediação de Maria porque é uma doutrina constantemente repetida pelos Santos Padres, porque é uma verdade de fé proclamada pela Igreja, verdade que encontra bases sólidas na Sagrada Escritura.

Ao falar de Eucaristia, realça a sua fé na doutrina herética de Lutero. Chega a dizer que “Lutero fez uma grande obra” e que “está no Céu”. Negou que teria feito um “grande” estudo das Escrituras, admitindo que mentiu de novo.

Em dado momento, Francisco afirma que disse a um bispo que não acreditava nem no purgatório, nem na comunhão dos santos, nem nos dogmas marianos. Segundo ele, o bispo ainda lhe teria dito que “o purgatório não é dogma de fé”. Aqui, cabe perguntarmos: [1] será que é verdade que o bispo disse isso a ele? [2] Se foi verdade, o que levou um bispo católico a afirmar algo do tipo? O purgatório é sim um dogma de fé da Igreja – é doutrina da Igreja reafirmada pelo Concílio de Trento, no século XVI – e quem não aceita essa realidade e se obstina em não acreditar nela não pode ser chamado católico, mas herege. Será que ele tinha essa verdade bem solidificada em seu pensamento?

Criticou também os títulos que Maria, Mãe de Deus, tem recebido no decorrer dos séculos. A resposta à sua crítica pode ser encontrada, contudo, nos seus próprios escritos: “Ela [Maria] é Rainha por ser a Mãe do Rei dos Reis, Nosso Senhor Jesus Cristo. Como Rainha, é natural que tenha tantos títulos, sendo, no entanto, ela a única e mesma pessoa” (via Últimas Misericórdias).

No final do testemunho, Francisco faz uma breve referência ao Concílio Ecumênico Vaticano II e ao ecumenismo. Ele critica este, dizendo que não encontra apoio na Palavra de Deus. Na verdade, Francisco confundiu o ecumenismo pregado pela Igreja com o irenismo, que é expressamente condenado pelo Sagrado Magistério. Aquele movimento deve ser entendido como uma promoção “do retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo” (Mortalium Animos, 16); este, no entanto, é um embuste do demônio, uma mentira já atacada também pelo Vaticano II: “Nada tão alheio ao ecumenismo como aquele falso irenismo pelo qual a pureza da doutrina católica sofre detrimento e é obscurecido o seu sentido genuíno e certo” (Unitatis Redintegratio, 11).

Francisco Araújo encerra seu testemunho explicando os motivos pelos quais trocou a riqueza da fé da única Igreja de Cristo por uma comunidade protestante. Voltou ao erro, confessou mentiras e proferiu novas bobagens (afirmou inclusive que a Igreja teria começado com Constantino).

Encerramos esse artigo pedindo ao povo de Deus orações. Subam ao Céu as orações do povo de Deus: pela conversão dos infiéis, pela volta dos pecadores, pela integridade do rebanho. Maria Santíssima nos ajude a preservar sempre pura a fé dos apóstolos pela qual são salvos os homens.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!