“Sem se apoiar na Doutrina social da Igreja, quem se empenha pela justiça e pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento e pela defesa dos pobres, corre constantemente o risco de perder de vista o “lugar teológico” pelo qual interpretar de maneira correta este seu empenho. Se me permitirdes esta rápida menção, parece-me exatamente esta a consequência gerada pela teologia da libertação, pelo menos nas suas versões mais radicais. Esta pretendia começar pela prática de libertação antes que de Cristo libertador mas, fazendo assim, enfraquecia a doutrina cristã e o ensinamento da Igreja, ou seja, o lugar teológico a partir do qual podia tornar-se cristãmente provocatória também a pobreza do continente latino-americano. Deste modo, essas correntes radicais da teologia da libertação tiveram um efeito secularizador, alimentando no final a cultura relativista. Assim, infelizmente, acontece para todas as formas de empenho social e de solidariedade, quando se concebe somente como obra de justiça e, não também e sobretudo, de caridade, da caridade que nos foi revelada por Cristo e que continua a ser-nos ensinada pela Igreja.”
Cardeal Renato Raffaele Martino, Assembléia da Caritas Internationalis
4 de junho de 2007