Secularização e relativismo na Teologia da Libertação

http://www.havelshouseofhistory.com/Martino,%20Renato%20Raffaele%20Cardinal.jpg“Sem se apoiar na Doutrina social da Igreja, quem se empenha pela justiça e pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento e pela defesa dos pobres, corre constantemente o risco de perder de vista o “lugar teológico” pelo qual interpretar de maneira correta este seu empenho. Se me permitirdes esta rápida menção, parece-me exatamente esta a consequência gerada pela teologia da libertação, pelo menos nas suas versões mais radicais. Esta pretendia começar pela prática de libertação antes que de Cristo libertador mas, fazendo assim, enfraquecia a doutrina cristã e o ensinamento da Igreja, ou seja, o lugar teológico a partir do qual podia tornar-se cristãmente provocatória também a pobreza do continente latino-americano. Deste modo, essas correntes radicais da teologia da libertação tiveram um efeito secularizador, alimentando no final a cultura relativista. Assim, infelizmente, acontece para todas as formas de empenho social e de solidariedade, quando se concebe somente como obra de justiça e, não também e sobretudo, de caridade, da caridade que nos foi revelada por Cristo e que continua a ser-nos ensinada pela Igreja.”

Cardeal Renato Raffaele Martino, Assembléia da Caritas Internationalis
4 de junho de 2007

Dom Rifan: “O padre não é protagonista da Missa”

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“O padre não é o protagonista da Missa; o protagonista da Missa é Jesus, Nosso Senhor. Quanto mais transparente for o padre, melhor é, porque ele tem que levar as pessoas para Deus; ele não pode atrair para si. Porque, se ele atrair para si, ele vira o protagonista da história. E nós não vamos na igreja por causa de padre; nós vamos na igreja por causa de Jesus Cristo.”

- Dom Fernando Rifan

Dom Fernando Rifan concedeu uma ótima entrevista essa semana para a Mult TV, canal de televisão da cidade de Campos, no Rio de Janeiro. Diante da pergunta do entrevistador – sobre o que o bispo pensava dos padres popstar, que fazem sucesso na mídia – a resposta de Dom Rifan foi brilhante. Observou as vantagens, mas apontou também as desvantagens de estar constantemente nos meios de comunicação, se expondo de modo exagerado à fama. Teceu um comentário realmente pertinente sobre o uso da batina: o padre que não a usa, disse o bispo, “fica muito leigo”.

Falou também do Santo Sacrifício da Missa, observando uma realidade muito inconveniente para muitos: O padre não é protagonista da Missa, mas Nosso Senhor. Vemos essa verdade bastante esquecida em nossas comunidades. O padre deve, sim, ser sinônimo de encontro com Deus, deve ser caminho para o encontro com o Altíssimo, mas, mesmo assim, ele não é o centro. E precisa tomar consciência disso. É preciso que nossos sacerdotes – e também nossos leigos – tenham em mente que “nem o que planta é alguma coisa nem o que rega, mas só Deus, que faz crescer” (1 Cor 3, 7).

Destacou também, com observações muito convenientes, o crescimento das seitas pentecostais em nosso país e também a falta de essência que permeia essas comunidades. Enfim, vale muito a pena dar uma olhada no vídeo. Tive acesso a ele graças ao blog do Wagner Moura. Boa interação!

Saramago se põe contra a Igreja

http://www.entrelinhas.info/wp-content/uploads/2008/06/saramago2.jpgO escritor português José Saramago esbravejou: “Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias pelos presumíveis representantes de Deus na terra, a quem na realidade só interessa o poder” (via Público). Mas, que verdade, sr. José Saramago? O que é a verdade? Diante da mesma pergunta que Pilatos fez a Jesus hoje nos deparamos. A resposta de Jesus pode parecer egoísta (“Eu sou a verdade” – Jo 14, 6); a de Saramago pode parecer sábia: “A razão (…) pode ser uma moral”. Mas na verdade nem tudo é realmente o que parece.

“Muitos, ultrapassando indevidamente os limites das ciências positivas, ou pretendem explicar todas as coisas só com os recursos da ciência, ou, pelo contrário, já não admitem nenhuma verdade absoluta” (Gaudium et Spes, 19), é o que nos exorta o Concílio Vaticano II. A palavra ultrapassando é fundamental nesse texto. Nos leva a concluir que a razão, em si mesma, é um bem importante para compreendermos até mesmo alguns valores da fé. Mas infelizmente quando “ultrapassamos indevidamente os limites das ciências positivas” começamos a enxergar uma contradição – que, na realidade, não existe – entre a e a razão.

Continua a Gaudium et Spes: “Alguns, exaltam de tal modo o homem, que a fé em Deus perde toda a força, e parecem mais inclinados a afirmar o homem do que a negar Deus” (n. 19). Utilizar a razão como artifício para negar a Deus é uma atitude severamente condenável. Ora, ambas – razão e – foram criadas por Deus. Como podem se opor? É o que nos perguntamos diante da atitude aparentemente sábia de Saramago. Sabedoria verdadeira é aquela que conserva a razão, mas que também conserva o Criador de todas as coisas – inclusive da razão -, que é Deus. Enfim, a razão, em si, não nos afasta de Deus; antes, nos aproxima. Mas o uso exagerado dela para a explicação dos acontecimentos e fenômenos e também a tentativa frustrada de estabelecer o relativismo como única verdade absoluta, esses sim nos afastam do Criador.

Então, o que concluímos da fala de Saramago? Se para ele – assim como para muitos dos racionalistas exacerbados – a verdade é relativa, como o Papa pode ofender a verdade? Quem está ofendendo a verdade é ele, afirmando que somente a razão deve ser utilizada como moral a se seguir… O ateísmo é fruto justamente desses comportamentos mentirosos e desprezíveis de supostos sábios que se acham deuses, na capacidade de julgar as intenções do coração de um ou outro.

Para Saramago os “presumíveis” representantes de Deus na terra só querem o poder. Mas quem é Saramago para tratar de assuntos relacionados à fé? Não é ele ateu? Talvez não conheça os escritos da Igreja, talvez não saiba – conforme pronunciou-se o mesmo Concílio Vaticano II – que “nenhuma ambição terrestre move a Igreja” (GS, 3). O único desejo dela é conformado ao grande desejo de Deus: “quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2, 4), verdade essa rejeitada por José Saramago.

Mas ele não pára por aí. Continua seu discurso infame: “Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar o seu neo-medievalismo universal, um Deus que jamais viu, com o qual nunca se sentou a tomar um café”. Sim. O Papa Bento XVI certamente nunca viu Deus; talvez nem tenha sentado para tomar um café com Ele. Mas Ele crê. E não só ele. Milhões de cristãos crêem porque sabem o que é a verdade, que Jesus se dignou mostrar a todos nós por meio não só das Sagradas Escrituras mas também através de seus santos:

“A tua lei é a verdade; e a verdade és tu” (Santo Agostinho, Confissões, IV, 9).

“A fé nos é concedida pela verdade, pois a fé se fundamenta na verdade. De fato, cremos o que realmente é e como é; e crendo no que realmente é e como sempre foi, mantemos firme nossa adesão” (Santo Irineu de Lião, Demonstração da Pregação Apostólica, 3).

Saramago rejeitou e banalizou a verdade. Chama sua mentira de “inteligência viva” e busca justificar suas crenças baseando-se em teorias anti-clericais sem nenhum sentido. Sem delongas, é essa a conclusão do discurso dele.

Mas a reação dos católicos foi imediata (graças a Deus!). O João Cadete se manifestou no Saúde da Alma; o Jorge bradou: “Impressionante como o simples fato de um sujeito esbravejar contra a Igreja, sem se preocupar em dar à sua crítica um mínimo de consistência que ultrapasse a rebeldia sem causa, é já motivo suficiente para ganhar manchetes mundo afora”. Por fim, o Professor Felipe Aquino escreveu uma ótima carta respondendo às frivolidades do escritor português. Destaco:

“O sr. diz ainda que agora vai partir para o ataque ateísta contra a Igreja. Gostaria apenas de relembrar-lhe que a Igreja não pode ser vencida por um poder meramente humano. Não perca seu tempo. Cristo lhe prometeu que as portas do inferno, que movem o coração dos que a perseguem, jamais prevalecerão contra ela.

Seria bom o sr. examinar os últimos dois mil anos da História para constatar a veracidade dessa Promessa. Onde está o Império Romano que quis destruí-la e que ceifou tantos mártires? Onde está a fúria de Napoleão que mandou prender Pio VII? Onde está a União Soviética de Stalin que perguntou “quantas legiões de soldados tem o papa?” Onde está o nazismo, o comunismo, que tentaram eliminar a Igreja e a fé católica desde as suas raízes, e que fizeram tantos mártires?

Ora Dr. Saramago, será que o sr. ainda não entendeu que todos aqueles que se atiraram insanamente contra a Rocha de Pedro caíram para trás desolados? Será que precisamos de mais exemplos?”

(Carta ao Dr. Saramago, via blog do Prof. Felipe Aquino)

Não. O mundo ainda não compreendeu que “a Igreja é firme demais para ser derrubada pelo esforço dos homens” (Leão XIII, Humanum Genus, 7). Mas um dia – só Deus sabe quando – Jesus se erguerá do seu majestoso trono e mostrará a todos os povos a hipocrisia que defenderam em vida. Que Deus possibilite que esses corações duros se convertam antes do tremendo dia do Juízo. E que a Santíssima Virgem Maria auxilie a Santa Madre Igreja no combate à heresia e ao ateísmo, inimigo da verdadeira ciência, que Deus criou.

Graça e paz.