Já por diversas vezes temos falado, neste espaço, sobre os males do relativismo moral, esta ideia de que a verdade está submetida a parâmetros e configurações subjetivas, isto é, a verdade seria apenas um produto da ação individual. A Verdade não deveria ser buscada, mas sim, inventada. O texto que exerce mais influência nas análises que muitas vezes se faz acerca deste problema é certamente a homilia proferida pelo cardeal Joseph Ratzinger – hoje Papa Bento XVI – na Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, no ano de 2005.
Na ocasião, Ratzinger se referiu a uma “ditadura do relativismo”, uma linha de pensamento que estabelece, em meio ao mar de verdades relativas propostas, apenas um princípio absoluto: tudo é relativo. Não haveria problema algum se estivéssemos convivendo com um relativismo que, ao choramingar pelos cantos, se sentisse excluído por sua falta de apoio na sociedade (seria extremamente forçoso pensar semelhante situação). O problema é justamente o termo “ditadura”. Isto pressupõe que o sujeito defensor dessa doutrina pestilenta não deseja guardar a mentira só para si. Ele quer distribuir a sua mais nova heresia com os que estão ao lado.
O relativismo se espalha? Aparentemente o princípio utilizado pelo homem do século XXI para lidar com assuntos que dizem respeito à Fé não é o mesmo utilizado para lidar com aquilo que o outro afirma sem dar nenhum respaldo racional consistente àquilo que diz. Assim, diante do dogma de fé católico, o professor diz aos seus alunos: “É preciso questionar, estudantes! Não podemos deixar que a Igreja Católica imponha as suas ideias a nós, assim, tão facilmente…” Diante de Marx e Nietzsche ou de outros tantos pensadores modernos inimigos da religião e da moralidade objetiva, no entanto, o professor fica endiabrado, incita os estudantes a amá-los e, se possível, até mesmo prestar-lhes culto de latria. E pouquíssimos parecem ser capazes de enxergar que está se constituindo uma verdadeira ditadura.
Como derrubar este tirânico relativismo que parece devorar os nossos colégios e universidades e se infiltrar até mesmo nos púlpitos de nossas igrejas? Certamente precisamos convencer-nos a nós mesmos de que o relativismo não faz sentido nenhum e nos conduz inevitavelmente a uma forma de pensamento permissivista, onde aquilo que está claramente errado – lembrar que o Altíssimo inscreve as suas leis no coração humano – começa a ser aceito como legítimo. Aludimos a pecados que a sociedade moderna incorporou, mas também àquelas faltas que certamente serão enaltecidas, para a estupefação dos que hoje pensam ser possível conciliar uma sólida moralidade com a mentalidade relativista.
Daqui há alguns anos certamente veremos uma horda de parlamentares, jornalistas, psicólogos e outros tantos profissionais, defendendo o escabroso crime da pedofilia. Os argumentos fraudulentos utilizados hoje para defender descriminalização do aborto e legitimação de união homossexual serão complementados e muitos vão aceitar a ideia de que “as crianças não devam ter seus desejos sexuais reprimidos”. Porque a verdade, sendo relativa, é passível de mudança no decorrer dos tempos. “Aquilo que era errado hoje será nobre, justo e bom amanhã…” Graças a essa mentalidade demoníaca, muitos de nossa geração deixarão para seus netos, bisnetos ou tataranetos, uma repulsiva cultura de depravação sexual.
Se eu acredito mesmo que isso acontecerá…?* Do fundo do meu coração, repugna-me pensar que o homem possa chegar a esse ponto. Mas os frutos do relativismo são venenosos. Se continuarmos colocando a subjetividade humana ou mesmo o Estado acima dos mandamentos de Deus, o nosso fim será certamente a morte – este é o inevitável fim do pecado (cf. Rm 6, 23).
Tenhamos esperança! É que não devemos desanimar no trabalho de salvar almas, de conquistar pessoas para Cristo. Estudemos a palavra de Deus e, ao mesmo tempo, as palavras do nosso amado Santo Padre, pois só assim poderemos combater o bom combate, mostrando àqueles que caminham por trilhas estranhas a Verdade do Evangelho, do Verbo que se faz carne por amor ao ser humano.
Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!
* É que essa campanha de enaltecimento da pedofilia, para a nossa infelicidade, já está acontecendo. Luiz Mott, líder do movimento homossexual brasileiro, por exemplo, já escreveu textos fazendo apologia à pedofilia (o link dá acesso a um texto com mensagem altamente obscena, que ofende de modo terrível a moral católica). Um filósofo defensor do homossexualismo chamado Paulo Ghiraldelli já defendeu a aceitação da pedofilia em um texto repleto de elementos relativistas. Como estão todos cegos pela sacrossanta luta dos homossexuais “para se libertar dos ataques homofóbicos de nossa sociedade fundamentalista”, ninguém toca no assunto. E a ditadura do relativismo vai se fortalecendo.
Leia também: Papa denuncia perversão de ativismo pró-pedofilia, do arquivo do nosso blog.
Em coletiva à imprensa chilena,
Quando os meios de comunicação noticiaram, no fim do ano passado, a existência das chamadas “pulseiras do sexo”, muitos se escandalizaram; outros, no entanto, defendiam o jogo como uma brincadeira “sadia” de adolescentes que estavam somente descobrindo sua sexualidade. Pois bem; eis que a verdade vem desmascarar a opinião dos defensores da libertinagem:
O Big Brother Brasil certamente é mais um dos lixos que a TV brasileira costuma produzir. No programa, são visíveis cenas de sexo, de injúrias, calúnias etc. Não dá para “dar uma espiadinha” e não ficar revoltado com o que se vê.
Já tem criança nascendo, cobre enfermeira no tapa
Este carnaval tenho sentido muita consolação. É a gratidão de ver-me num outro mundo tão feliz e diferente do pobre mundo esfaimado de prazer, sempre vomitando para poder sempre comer de novo, e afinal de contas nunca satisfeito. Quando eu estava no noviciado, onde passei perto de seis anos, nesses dias ouvia muito o barulho da cidade; agora só ouço o da ladeira, que em certas noites é bastante turbulenta. Sinto-me tão longe de tudo, neste jardim fechado, nesta fonte selada, neste santuário vedado aos olhares profanos! Lá fora tudo é barulho, prazer, liberdade criminosa, pecado, esquecimento de Deus; aqui dentro tudo silêncio, oração, sacrifício, penitência, sujeição, desejo de honrar e desagravar a esse mesmo Deus tão esquecido e ofendido… Lá fora os olhares todos erguidos para os carros carnavalescos; aqui os olhos fechados ou postos no Santíssimo Sacramento…
Este vício não é absolutamente comparável a nenhum outro, porque supera a todos em enormidade. Este vício produz, com efeito, a morte dos corpos e a destruição das almas. Polui a carne, extingue a luz da inteligência, expulsa o Espírito Santo do templo do coração do homem, nele introduzindo o diabo que é o instigador da luxúria, conduz ao erro, subtrai totalmente a verdade da alma enganada, prepara armadilhas para os que nele incorrem, obstrui o poço para que daí não saiam os que nele caem, abre-lhes o inferno, fecha-lhes a porta do Céu, torna herdeiro da infernal Babilônia aquele que era cidadão da celeste Jerusalém, transformando-o de estrela do céu em palha para o fogo eterno, arranca o membro da Igreja e o lança no voraz incêndio da geena ardente.
“Bem melhor fariam os educadores da juventude clerical, inculcando-lhe as normas do pudor cristão, que tanto contribui para manter incólume a virgindade, e bem pode chamar-se a prudência da castidade. O pudor adivinha o perigo, obsta a que se afronte, e leva a evitar aquelas mesmas ocasiões de que não se acautelam os menos prudentes. Ao pudor não agradam as palavras torpes ou menos honestas, e aborrece-lhe a mais leve imodéstia. Ele afasta-se da familiaridade suspeita com pessoas do outro sexo, porque enche a alma de profundo respeito pelo corpo, membro de Cristo (cf. l Cor 6, 15), e templo do Espírito Santo (l Cor 6, 19).