“Ligado para a intimidade”

Fazendo eco ao excelente post do Everth sobre o vício da pornografia cujo tema é abordado por uma novela, quero deixar um link para o melhor e mais honesto livro de psicanálise já escrito sobre o assunto. Li a recomendação pela Zenit, importei a e não me arrependo. O livro – não há tradução em português – é “WIRED FOR INTIMACY: How Pornography Hijacks The Male Brain” cuja tradução seria: Ligado para a intimidade: Como a pornografia seqüestra o cérebro masculino. O autor, Willian Struthers, é um psicólogo católico e tem ampla experiência no tema, partilha as mais sérias pesquisas no assunto. Ou seja, é um homem de fé e de ciência, e vemos isto em sua obra.

O homem é programado para buscar a intimidade feminina, seja afetiva, seja sexual. Assim é a natureza masculina, visando a formação de uma família e a sobrevivência da espécie. Dado a concupiscência da carne, a pornografia transtorna estes relacionamentos, quando de maneira desordenada esta busca da “initimidade” transforma-se em voyerismo, na visão de um casal tendo relações sexuais exibicionistas e artificiais. E o efeito da pornografia é o mesmo de uma droga, as mesmas áreas cerebrais movidas porum vício em drogas químicas são ativadas num cérebro masculino vendo pornografia. O autor também aborda a inseparável consequência da pornografia: a masturbação, e as consequentes dificuldades de relacionamento, auto-imagem e transtornos de afetividade que gera. Conseqüências terríveis na sexualidade, porque assim como um viciado caminha por drogas químicas cada vez mais pesadas, o viciado em pornografia termina por danificar sua sexualidade de tal forma que apenas doses mais e mais intensas – “hardcore” – de pornografia o excitam… com todas os perigos que gera à convivência familiar: um viciado pesado em pornografia não mais consegue se excitar com seu próprio cônjuge. Pornografia é uma droga, não é questão de liberdade de expressão apenas. Além de que é pecado, um pecado em que o pecador é a vítima que caiu na cilada do mal, o vício da pornografia e da masturbação.

O livro é fantástico, realmente pesquisa séria na área, a ciência confirmando um ensinamento moral. A pornografia não só é pecado, mas é um vício que degrada psicologica e gravemente suas vítimas. Como o próprio autor diz, num primeiro momento da exposição a pornografia, há uma escolha moral. Depois, no avanço do vício, já há pouca liberdade obtida por ele, como um dependente químico tem pouco controle para oferecer resistência a droga que já está acostumado.

A quem sabe inglês, vale a pena adquirir um. A quem não sabe inglês, vale a pena aprender para poder ler.

O vício de Gerson e a necessidade da cura interior

Quem convive comigo conhece a minha opinião acerca daqueles programas de televisão chamados “novelas”. São principalmente os valores inculcados às famílias por estas obras que me preocupam. Crianças assistindo e aprendendo desde cedo a banalizar o compromisso firmado por homem e mulher no Sacramento do Matrimônio, aprendendo a ver a relação sexual não mais como uma doação de amor, mas como uma forma de buscar apenas prazer e satisfação carnal, aprendendo a mentir e a escapar das consequências dos erros cometidos etc. Alguns ensinamentos podem até ser dignos de estima, mas boa parte dos valores por estes programas propagados é radicalmente contrária aos preceitos da lei de Deus.

Tomei conhecimento hoje do que estão chamando na internet de “O Segredo de Gerson”. A personagem Gerson é interpretada pelo ator global Marcelo Anthony e ele teria – pelo menos é o que os episódios da novela Passione demonstram – algum problema relacionado ao uso da internet. Recentemente, o suposto “segredo” da personagem foi revelado. E é o vício na pornografia.

O vício em material pornográfico é infelizmente um problema comum em nossa sociedade. O homem, desde cedo, é induzido a desobedecer ao sexto mandamento da lei de Deus, que nos pede “não pecar contra a castidade”. Os ataques da própria mídia a uma visão sadia de sexualidade já são uma verdadeira porta aberta para a infiltração de uma mentalidade hedonista, que reduz o sexo a um mero instrumento de prazer sexual. Diz o Catecismo da Igreja Católica que a pornografia “ofende a castidade, porque desnatura o ato conjugal, doação íntima dos esposos um ao outro”; explica ainda que “é um grave atentado contra a dignidade das pessoas intervenientes (atores, comerciantes, público), uma vez que cada um se torna para o outro objeto dum prazer vulgar e dum lucro ilícito”, além de fazer “mergulhar uns e outros na ilusão dum mundo fictício” (§ 2354).

http://www.portaldosevangelicos.com.br/wp-content/uploads/2008/11/escravopecado.jpgCom a transgressão da Lei, vêm também as trágicas consequências. São Paulo diz que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6, 23). E ele está certo. O salário do pecado é a angústia, é a escravidão, é, de fato, a morte. Quantas pessoas têm se dedicado a estudar o celibato sacerdotal na Igreja! E quantos ignorantes não têm dito que esta sábia doutrina católica “reprimiria” sexualmente os clérigos e as pessoas que de livre e espontânea vontade se dedicam ao Reino vivendo na continência, quando, na verdade, o que aprisiona e escraviza o homem é a sexualidade vivida de modo distorcido, na pornografia, na masturbação, na fornicação, no adultério etc. Quando o homem moderno repele o compromisso ele de nada está se libertando. Ele pode tentar fugir da responsabilidade do Matrimônio, mas nem por isso está se libertando, porquanto uma vida impura torna o homem escravo de suas paixões. Quanto mais se exime a razão de tomar as rédeas da alma humana, esta se vê cada vez mais submetida ao império das paixões desordenadas.

Há, porém, solução para este terrível problema? É claro que sim! E é o próprio Jesus quem nos exorta: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14, 38). Vigilância, porque “o demônio anda ao redor de vós como um leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Pd 5, 8); oração, porque tudo aquilo que de coração pedimos ao Pai Ele prometeu nos conceder. Então, peçamos a força para combatermos as tentações, e, com Ele, venceremos.

Possamos, no entanto, entregar-nos totalmente ao Senhor. Um vício não pode ser vencido sem que haja também uma cura no interior de nosso coração. Também Jesus Cristo deixa claro que “não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele” (Mt 15, 11).

O novelista Aguinaldo Silva, da Rede Globo, postou um comentário em seu Twitter que faz certa síntese do pensamento do homem moderno no que diz respeito às ofensas à castidade, pensamento que está em clara oposição com o ensinamento moral da Igreja Católica:

O verdadeiro problema de Gerson seria “falta de imaginação”; e atormentar-se por estar viciado em pornografia viria a ser atitude digna de compaixão, porquanto ver sexo na internet é algo que “todo mundo faz”. Ora, será que ignoramos as terríveis consequências que o vício de Gerson acarretou na própria novela? Especialmente em uma relação matrimonial, a presença de pornografia no ambiente familiar representa, além de uma traição àquela promessa de fidelidade firmada no dia do casamento, também o aprisionamento em uma ilusão que compromete a própria vida conjugal de marido e mulher. E mesmo que não houvesse Matrimônio nenhum, a ideia que a pornografia passa a quem assiste ou participa de alguma forma destes espetáculos demoníacos é que o homem e a mulher são simples objetos. O ser humano deixa de ser considerado em sua dignidade, deixa de ser respeitado, de ser amado como obra do Altíssimo. A prática da masturbação, da mesma maneira, faz com que o homem ignore que a relação sexual é uma verdadeira doação de amor, de compromisso. A pessoa se fecha em seu egoísmo e se corrompe a si mesmo, esquecendo que a transmissão da vida é um dos aspectos fundamentais a ser levados em conta na vida conjugal.

Aos que desejam se libertar do espírito da luxúria, novamente dirigimos um apelo de confiança: Vigiai e orai, fugi das ocasiões de pecado e confiai na poderosíssima intercessão de Maria, que é Mãe da Divina Graça. Recomendamos a leitura da obra Tratado da Castidade, de Santo Afonso de Ligório, para quem deseja obter um conhecimento mais detalhado acerca desta belíssima virtude que é a castidade.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Atualização em 3 de janeiro de 2011: Aparentemente o vício de Gerson não é em pornografia. Trata-se de um problema chamado riparofilia, que é a atração sexual por pessoas esteticamente feias ou de baixo padrão social e higiênico. As críticas ao vício da pornografia, no entanto, continuam sendo válidas, já que o fato de Gerson ser riparofílico não faz com que ele deixe de ver material obsceno na Internet.

Mais comentários na polêmica dos preservativos

http://beinbetter.files.wordpress.com/2010/11/seewald2.jpg?w=265&h=181Voltando ao que o Papa falou… Realmente é difícil se omitir de comentar uma situação que envolve tanto o nome da Igreja. Mas, ao mesmo tempo, me parece complicado analisar o que Sua Santidade disse – como teólogo, repito – quando há tantas pessoas emitindo juízos diversos sobre o que foi afirmado.

Partamos, primeiro, àquilo que é dito pelo Magistério da Igreja em relação ao uso dos preservativos. Por que a Igreja é contra a contracepção e, mais especificamente, neste caso, a camisinha? O problema reside, primeiramente, na deturpação do plano de Deus para o ato sexual, que deve ser vivido na sacralidade do sacramento do Matrimônio. Está implícita, no incentivo do uso dos preservativos, uma exortação contrária ao espírito da castidade. Pela camisinha, o homem não deveria se preocupar com o número ou o gênero de seus parceiros sexuais. A camisinha “protege” ele de qualquer eventual “problema” no futuro. Assim, pelo preservativo, seria evitada tanto a gravidez indesejada quanto as doenças sexualmente transmissíveis. A camisinha funcionaria como uma válvula de escape, como um “não” àquela famosa frase de São Paulo: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6, 23). O que pensaria o homem moderno? Que ele pode pecar sem precisar encarar as consequências de suas infrações.

Além disso, o ato sexual deve ser vivido de acordo com o plano de Deus. Quando criou o homem, o Altíssimo disse: “Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1, 28). O Magistério da Igreja deixa claro que, no sexo, deve estar presente tanto o aspecto unitivo quanto o procriativo. O casamento deve ser fecundo. “A Igreja, que está do lado da vida, ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida. Esta doutrina, muitas vezes, exposta pelo Magistério, está fundada na conexão inseparável, que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador” (Catecismo da Igreja Católica, § 2366). Se, por um lado, é perfeitamente lícito ao homem gozar do prazer que a ele advém pelo união sexual, por outro, é preciso lembrar que fechar este ato conjugal à transmissão da vida acarreta funestos problemas para o relacionamento matrimonial. Aqui entra a condenação da Igreja à contracepção. “É intrinsecamente má toda ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento de suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação” (Catecismo da Igreja Católica, § 2370).

Em que contexto se introduz a afirmação de Bento XVI ao jornalista Peter Seewald? Ora, primeiro que o caso de utilização do preservativo mencionado por Sua Santidade não diz respeito à camisinha como método anticoncepcional. Massimo Introvigne, em artigo intitulado O papa, o preservativo e os imbecis, que foi parcialmente traduzido pelo blog A Saúde da Alma, fez questão de enfatizar o termo “prostituto”, que foi erroneamente traduzido por vários meios de comunicação como “prostituta”. Ele explica, ademais, que aqui Bento XVI se refere exatamente aos prostitutos homossexuais. O jornalista escreve: “O Papa tem em mente exatamente a prostituição masculina, em que muitas vezes – como relatado na literatura científica – os clientes insistem que o ‘prostituto’ não use preservativos, e onde muitos ‘prostitutos’ – o caso do Haiti, de longe um paraíso do turismo homossexual – sofrem de SIDA, infectando centenas de seus clientes, muitos dos quais morrem. Alguns podem dizer que ‘prostituto’ também se aplica aos heterossexuais ‘gigolôs’, que se fazem ‘acompanhar’, por pagamento, por mulheres, mas o argumento é capcioso, porque é nos ‘prostitutos’ homossexuais que a SIDA é epidêmica”.

Ora, está fora de questão o tema anticoncepção, porque o ato homossexual é naturalmente fechado à transmissão da vida. E aqui está a chave do problema. Um prostituto que está prestes a ter uma relação sexual com o seu “cliente” está cometendo, utilizando ou não a camisinha, um pecado mortal. E esta doutrina é imutável, porquanto o testemunho da Tradição, do Magistério e das Escrituras é unânime em dois mil anos de Cristianismo em condenar severamente a prática da sodomia.

Então, a que aludiu o Papa? Massimo Introvigne explica: “Se (…), consciente de ter SIDA, [o prostituto] infecta o seu cliente sabendo que o está a infectar, além do pecado mortal contra o sexto mandamento, comete ainda um quinto, porque se trata de homicídio, pelo menos tentado.” Então, aqui são cometidos dois pecados (É preciso levar em conta a consciência da soropositividade, pois, sem ela, não podemos falar de pecado grave): um cometido contra o “não matarás” e o outro contra o “não pecar contra a castidade”. Do que o Papa está falando? Quando um prostituto – indiscutivelmente imoral – utiliza o preservativo para evitar que o outro venha a ser contaminado com o HIV, há, ali, certa consciência de responsabilidade pela vida do outro. Esta primeira consciência – de que há a vida do outro a ser preservada – pode ser “um primeiro passo para (…) uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer”.

Mas, o Papa realmente acha que é assim que vamos combater efetivamente a AIDS? É óbvio que não. O que a Igreja anseia realmente é combater toda esta banalização da sexualidade; o que ela quer, de fato, é tirar da lama do pecado esses “prostitutos” que sujam seu corpo com um prazer sujo e vil, com um “trabalho” degradante e indigno. Por isso ele insiste que “[aquela] não é (…) a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por VIH/HIV”.

Portanto, a Igreja Católica, fiel às palavras de Cristo, continuará promovendo o anúncio do Evangelho a todos os povos, e isto implica denunciar também o ato sexual que se fecha ao pedido do Criador de que nos multipliquemos. Insistimos nas palavras de João Paulo II: “É moralmente inaceitável que, para regular a natalidade, se encoraje ou até imponha o uso de meios como a contracepção, a esterilização e o aborto” (Evangelium Vitae, n. 91).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A autosecularização tem minado os fundamentos da vida religiosa

Oferecemos abaixo a tradução de um artigo publicado recentemente no L’Osservatore Romano e traduzido para a língua espanhola pelo blog La Buhardilla de San Jerónimo. O texto, de autoria do Secretário da Congregação para a Educação Católica, o arcebispo dominicano Jean Louis Brugués, aborda alguns aspectos interessantes do processo de secularização que a catequese veio sofrendo nos últimos anos, além de dar uma ênfase à crise da vida religiosa na Igreja do século XXI.

por Jean Louis Brugués

http://www.tempi.it/files/imagecache/300xscale/files/interv03.jpgA vida religiosa se encontra submetida atualmente a notáveis pressões. Em particular, penso que merecem atenção dois tipos de condicionamentos. O primeiro concerne à secularização, um fenômeno histórico nascido na França na metade do século XVIII e que acabou por acometer todas as sociedades que desejavam entrar na modernidade. Também a abertura ao mundo, proclamada justamente pelo Concílio Vaticano II, foi interpretada, devido à pressão das ideologias correntes, como uma passagem necessária à secularização. E, de fato, nos últimos cinqüenta anos, temos assistido uma formidável iniciativa de autosecularização dentro da Igreja. Exemplos não faltam: os cristãos estão prontos a comprometer-se ao serviço da paz, da justiça e das causas humanitárias. Mas, ainda crêem na vida eterna? Nossas Igrejas colocam em prática um imenso esforço para renovar a catequese; mas esta fala ainda da escatologia, da vida após a morte? Nossas Igrejas estão inseridas na maior parte dos debates éticos do momento; mas discutem sobre o pecado, a graça e as virtudes teologais? Nossas Igrejas recorrem ao melhor de seu próprio entendimento para melhorar a participação dos fiéis na Liturgia; mas esta não perdeu, em grande parte, o sentido do sagrado, aquele desejo de eternidade? Nossa geração, sem se dar conta, não idealizou, talvez, uma “Igreja de puros”, colocando-se em retaguarda contra toda manifestação de devoção popular?

Que restou, nesse contexto, daquela vida religiosa que tinha sido apresentada, de maneira tradicional, como um sinal escatológico e uma antecipação do Reino que há de vir? De fato, religiosos e religiosas têm prontamente abandonado o hábito da própria família para vestir-se como todos os outros. Com freqüência abandonam os próprios conventos, considerados muito ostentosos ou ricos, em troca de pequenas comunidades espalhadas no meio dos povos ou nas grandes áreas urbanas. Escolhem ofícios profanos, se comprometem com atividades sociais e caritativas ou se colocam a serviço de causas humanitárias. Fazem-se similares aos outros e se dissolvem na massa, às vezes para ser a levedura, mas também, em muitos casos, porque essa atitude responde ao espírito dos tempos.

Não deveríamos subestimar os méritos deste enfoque nem os benefícios que dele a Igreja tem obtido hoje. Aqueles religiosos e religiosas, de fato, têm se aproximado mais das pessoas e, em particular, dos mais desfavorecidos, mostrando o rosto mais humilde e fraterno da Igreja. No entanto, esta forma de vida religiosa parece não ter tanto futuro, quase não atrai mais vocações. Quase todas as congregações ativas, nascidas no século XIX ou no começo do século XX, se encontram moribundas e seu desaparecimento é apenas uma questão de tempo. As casas gerais e os grandes conventos já se transformaram em casas de repouso para anciãos. Entre 1973 e 1985, 268 congregações francesas das 369 existentes fecharam o próprio noviciado. A situação, desde então, só piorou. A autosecularização tem minado os fundamentos da vida religiosa. A crise golpeou sobretudo as formas de vida contemplativas, porque a secularização havia orientado tudo o que é religioso à militância ou ao compromisso social.

O fato é que o militante ou a pessoa comprometida com o social, atualmente, tende a permanecer leigo. Estamos na segunda tipologia de pressão exercida sobre a vida religiosa. Para afrontar o desafio da secularização, o Concílio teve a intuição genial de confiar esta missão aos leigos. Não eram os mais apropriados para realizar esta tarefa aqueles que viviam a aventura de ser os protagonistas da sociedade secular? O Vaticano II valorizou – não digo que revalorizou, já que um intento similar nunca havia sido realizado no passado – a vocação dos leigos. No entanto, precisamente a valorização do laicato gerou um processo de esmagamento da vida religiosa “ativa”. Se esta última, de fato, reconheceu por muito tempo a própria identificação com um serviço específico oferecido à Igreja e à sociedade – como o ensino nas escolas ou o cuidado dos enfermos nos hospitais -, a partir do momento em que os leigos começaram a oferecer os mesmos serviços e a dedicar-se a atividades similares, a vida religiosa ativa perdeu sua razão de ser. Hoje já não é necessário passar por uma consagração para brindar os mesmos serviços. Quando estamos diante de uma professora apaixonada em ensinar ou de uma enfermeira que serve com diligência, ambas desejosas de levar uma vida autenticamente cristã, poderíamos nos perguntar se a mesma mulher, há cem ou cento e cinqüenta anos atrás, não teria se apresentado à porta de uma daquelas recém-nascidas congregações que havíamos evocado anteriormente.

Isto nos leva à seguinte conclusão: hoje, mais do que nunca, a vida religiosa não pode ser definida partindo de um “fazer”, mas, melhor, de um modo de ser e de um estilo de vida. Os dois riscos que descrevemos de forma sintética e – não tenho dificuldade de admiti-lo – sem a consideração de muitos aspectos, isto é, os riscos da autosecularização e da valorização do laicato, constituem um perigo para a vida religiosa. Sua combinação gerou um estado de implosão. Como conseqüência, a situação atual da vida religiosa, sobretudo nas Igrejas ocidentais, se apresenta de modo paradóxico. Por um lado, depois do Concílio, gozamos das vantagens de uma importante renovação da teologia da vida religiosa. Por outra, assistimos à derrocada de numerosas congregações, assim como a um florescimento de novas formas de vida religiosa na primeira metade dos anos 70.

Este paradoxo nos convida, por conseguinte, a voltar ao essencial. Começando pelo fato de que a vida religiosa é única em sua essência e plural em suas formas. Em outras palavras, estas múltiplas formas nascem todas de um tronco comum, o da vida e tradição monástica. Assim, a primeira dimensão é mística: a vida religiosa nos submerge no mistério da morte e ressurreição de Cristo. Deste modo, é equivocado definir um instituto a partir de sua atividade, ainda que as congregações nascidas nos dois séculos passados fossem assim concebidas.

Esse chamado a estar com o Senhor é transmitido a uma pessoa singular – toda vocação é muito personalizada e não há dois caminhos que sejam realmente iguais -, embora esta seja convidada a unir-se a uma comunidade específica. Alguns experimentam tal condição de deslumbramento com uma comunidade que nem sequer lhes passa pela cabeça a ideia de bater em outra porta. Outros, por outro lado, dão a si mesmos um largo tempo de reflexão, durante o qual dão voltar por muitas casas e se dedicam a estudos comparativos minuciosos. Em todas as épocas houve matrimônios de amor e matrimônios de razão. O que é certo, entretanto, é que a atração está sempre vinculada à vida comunitária. De fato, o Código de Direito Canônico define a vida religiosa como uma vida essencialmente comunitária. E esta vida comunitária é eminentemente espiritual na medida em que é o Espírito Santo quem a anima e a leva adiante. Podemos deduzir, portanto, que a fé dada pelo Espírito representa a chave de leitura de todos os elementos que constituem a vida religiosa, começando pelos votos e pela oração.

Nesse sentido, a pobreza religiosa não é um conceito sociológico. (…) O voto religioso corresponde a um ato de fé por meio do qual o religioso aceita aquele dom do Espírito que o compromete a não ter nada para si a fim de viver de modo mais intenso sua comunhão com a vida fraterna.

Do mesmo modo, a obediência religiosa não é in primis de natureza ascética ou pedagógica. Sem dúvida pressupõe uma ascese na medida em que implica certa renúncia à própria vontade. Apresenta, além disso, uma dimensão pedagógica, na medida em que visa educar em nós a liberdade de filhos de Deus. Sua natureza, no entanto, é essencialmente mística: nos faz entrar em um sistema no qual manda o Espírito. A fé nos leva a afirmar que a ordem dada não vem, em primeiro lugar, da vontade do superior – ainda que leve a marca de sua psicologia, talvez também de sua patologia – mas do Espírito, do qual o superior é, em certo sentido, o representante visível. Naquele ponto, deixamos de nos comportar como uma entidade singular para nos converter em um corpo fraterno.

Também entre o amor humano e a castidade religiosa, apesar de existir diversos pontos comuns, há uma diferença essencial. O amor humano comporta uma opção e uma conquista, como um amor de exclusão: escolher uma mulher específica significa renunciar a todas as outras. Agora, contrariamente às aparências, que nos levam a sustentar que escolhemos nos fazer carmelitas ou dominicanos, a vida religiosa não se escolhe: encontramo-nos abarcados nesta vida graças ao impulso do Espírito. Para cada um de nós pareceria impossível permanecer fiéis às promessas de nosso Batismo fora da vida religiosa. Nesta última, não existe nenhuma conquista nem nenhuma exclusão: o Espírito nos faz participantes de uma comunidade de acolhida na qual todos devem aprender a viver como irmãos.

Finalmente, é na fé dada pelo Espírito que vivemos a oração, não como uma atividade comum, não como uma atividade a mais, nem como uma ameaça para as diversas atividades implicadas pelo estilo de vida – todos conhecemos bem aquela tensão entre nosso trabalho e o tempo dedicado à oração, que equivale com freqüência a um tempo separado. No simbolismo monástico, o claustro, isto é, a abertura ao Espírito, representa o vínculo entre a Igreja, lugar de oração (Opus Dei), e os diversos lugares de trabalho (opus hominis), como uma escola na qual aprendemos a nos converter em “mendigos do Senhor”.

Eles não querem um debate sério

http://beinbetter.files.wordpress.com/2010/11/xingando.jpg?w=225&h=219O nosso blog recebeu, recentemente, a inconveniente visita de alguns demolays – ou simpatizantes da Ordem – revoltados com as críticas que aqui foram feitas contra a associação. Transcrevo trechos de alguns comentários postados em resposta ao artigo Ordem DeMolay e Maçonaria – perigos aos cristãos:

“Nunca li um texto tão absurdo e tão ignorante nessa vida! (…) Mas toda e qualquer palavra ali contida é mentira! Cabeluda! (…) Burrice é uma coisa, é tolerável! Mas ignorância é o burro que não quer aprender. E o pior aqui é que o burro se acha inteligente e quer passar tamanha ignorância à sociedade! (…) Estude e busque coisas boas que, talvez, essa ignorância possar ser desculpada…”

“Nunca vi tanta bobagem escrita junto (…). A Igreja não é o que dizem, ela faz muitas coisas erradas, assim como certas. E pelo menos na Ordem ninguém é acusado de pedofilia.”

“Vocês só falam mal da Ordem porque vocês não são dignos de entrar em uma ordem maravilhosa como ela, vocês são invejosos, e, por não conseguirem, não serem dignos, começam a falar essas ‘porras’ achando que sabem (…). Que eu saiba as pessoas tem o direito de ir e vir! Então, por que vocês não respeitam? Vocês se acham superiores? Os demolays, que são ótimas pessoas, têm tudo pra se achar superior às pessoas, mas o que fazem? São humildes! E vocês?”

“Eu estou abismada com tanta demonstração de ignorância e falta de cristianismo! Quem escreveu isso aqui e certamente que concorda merece ser processado [!]. Alimentando a hipocrisia que existe dentro de cada um! Vão estudar! Vão aprender o que é irmandade, união, igualdade, certamente vocês não sabem o que é isso! E reforço: o Ministério Público deve tomar conhecimento deste blog e da incitação e preconceito, dois crimes graves que estão cometendo aqui! E encerrar esse blog!

Destaquei algumas frases para mostrar que o apelo feito pela esmagadora maioria dos defensores da Ordem aqui neste espaço, na maioria das vezes, está baseado não em um desejo sadio de debater o verdadeiro foco dos artigos – a incompatibilidade entre os princípios do Cristianismo e o pensamento filosófico da Maçonaria -, mas em um claro sentimento anticlerical ou até mesmo emocional. Dizer, p. ex., que “toda e qualquer palavra ali contida [no artigo] é mentira”, chamar o autor e divulgadores do texto de ignorantes e invejosos e chegar ao cúmulo de afirmar que “[os demolays] têm tudo para se achar superior às pessoas”… nenhuma dessas declarações estão de acordo com o espírito de debate que já propus aqui.

Inclusive, não é a primeira vez que convido os demolays que visitam este blog a um debate sério. Há dois meses atrás, escrevia que, nos seus comentários, “ou se presencia um show de críticas infundadas ou um espetáculo recheado de liberalismo anticlerical”. E o que disse naquela ocasião não perdeu sua validade. Eles vêm defender a Ordem DeMolay não com a disposição de refutar o que foi articulado, mas sim de ofender o autor do texto e menosprezar a fé católica.

Por isso, renovo a advertência que anteriormente já havia feito aqui: Parem de fugir do foco do assunto. Não dá pra conciliar a doutrina da Igreja com aquilo que a filosofia da Maçonaria promove. E é este tema que está em debate.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Campanha de Oração pela salvação do Brasil

A situação da fé no Brasil é insustentável. As eleições se avizinham e os candidatos que têm maior chance de vencer não têm compromisso nenhum nem com a dignidade da vida humana nem com o reconhecimento da família cristã. Vergonha para o “maior país católico” do mundo. Só vem nos mostrar quanta incoerência e hipocrisia existe na boca de cristãos que se esquecem do compromisso que firmaram com o Altíssimo no dia de seu Batismo.

Como se não bastasse os ataques anticlericais partindo da imprensa, os inimigos da Igreja encontram uma maneira de se infiltrar em manifestações aparentemente católicas, confundindo o rebanho de Cristo. A atitude de muitos pastores envergonha e as ovelhas se dispersam, caminham sem rumo, como ovelhas sem pastor.

É preciso lamentar tudo isso, deplorar com todas as forças de nossa alma tantas desobediências. Ao mesmo tempo – e mais do que nunca -, é momento de orar. Oração, oração e oração! No momento em que deixarmos de nos encomendar a Deus, o demônio nos vencerá, diz Santo Afonso. No momento em que pararmos de rezar para que esta Terra de Santa Cruz não seja assolada pelos males do comunismo, da propaganda anticristã e antifamília, seremos derrotados.

A ira de Deus pesa sobre nossas cabeças e um castigo impressivo pode estar se aproximando. A quem recorrer? Jamais se ouviu dizer que algum dos que tivessem a Maria Santíssima recorrido, fosse desamparado, lembrou Jorge Ferraz. Intercessora nossa junto do Altíssimo, Rainha de clemência e benignidade, a Virgem Santíssima é a nossa esperança.

Confiemos na promessa do Seu Imaculado Coração. No fim, ele triunfará! Segue abaixo o convite a uma Campanha de Oração pela salvação do Brasil. Contando com a mediação de Maria, consoladora dos aflitos, esperamos alcançar de Deus as graças que tanto o Brasil precisa receber.

* * *

A nossa Terra de Santa Cruz enfrenta um de seus piores momentos. O comunismo galopa como o cavaleiro vermelho do Apocalipse, trazendo consigo os flagelos do aborto, da destruição da família, da perseguição religiosa, do ateísmo programático, do narcotráfico.

Em Pernambuco, a Virgem apareceu em 1936 advertindo que o Brasil passaria por uma sangrenta Revolução que instauraria o comunismo no país e traria sofrimento e dor ao povo brasileiro. Com o sangue dos cristãos nas mãos, a Virgem pediu que rezássemos o Santo Terço, em devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, contra a comunistização do país e em favor da exaltação da Santa Cruz. Pediu penitência e oração.

Esse é o momento de atendermos ao pedido da Virgem!

1000 Ave-Marias pelo Brasil!

Rezemos o Santo Terço diariamente, até o dia das Eleições, adicionando a início a seguinte petição: “Nossa Senhora Aparecida, livrai o Brasil do flagelo do comunismo!”

http://beinbetter.files.wordpress.com/2010/09/aparecida.jpg?w=300&h=422

Se cada católico brasileiro comprometer-se um Terço pelos 20 dias anteriores à Eleição, teremos rezado 1000 Ave-Marias, cada um, pelo nosso país!

Comprometamo-nos a rezarmos diariamente o Santo Terço até o fim do pleito, atendendo ao pedido da Virgem, nesta hora difícil que se avizinha.

Caso contrário, com o advento do comunismo, do aborto e da destruição do matrimônio e da família, advirá sobre nós também a Ira de Deus; lembremo-nos que a Virgem disse em La Salette que “a mão do Seu Filho já pesava demais, e já não conseguia segurá-La”.

Rezemos, pois!

Replique em seu blog e listas este apelo, no Brasil e no exterior! Faça chegar o apelo da Virgem a todo o Brasil, pelas diversas mídias católicas: TVs, rádios, blogs, jornais, revistas… tudo!

A Virgem pediu, a Mãe pediu: nós atendemos! Rezemos!

Recorramos à Virgem Santíssima, Porta dos Céus e Refúgio dos Pecadores! Consagremos a nós mesmos e ao Brasil ao Coração Imaculado de Maria!

Bispos do Brasil, consagrem a Terra de Santa Cruz ao Coração Imaculado de Maria, pois Ela prometeu em Fátima: “No fim, meu Imaculado Coração triunfará!”

Mãe Maria, Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, rogai por nós!

Não às palmas durante a celebração da Santa Missa

Abaixo artigo de Dom Roberto, bispo auxiliar de Niterói, sobre o “bater palmas” na santa celebração da Missa. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário certamente não estavam batendo palmas. Não deixem de ler. ;)

Fonte: site da Arquidiocese de Niterói

Dom Roberto Francisco Ferrería Paz

http://www.arquidioceseniteroi.org.br/spic/bco_arq/foto%20dom%20roberto.jpgPrimeiramente porque não existe o gesto litúrgico de bater palmas, a única referência que a CNBB autoriza como facultativo é no rito de ordenação depois de ser aceito o candidato, que como podemos apreciar não é um contexto celebrativo.

Porque não se adequa à teologia da Missa que, conforme a Carta Apostólica Dominicae Cenae de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “O mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas.

Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembleia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior.

Porque o gesto de bater palmas olvida e esquece duas importantes observações do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre os desvios da Liturgia: “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a Liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém, terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo à Igreja inteira pode atribuir-se: o que nela se manifesta é o absolutamente Outro que, através da comunidade, chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável: discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão… Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio, em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio”.

Finalmente porque sendo a Liturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-la à banalidade e a mediocridade de eventos de auditório.

Buscam a liberdade fora da Verdade

Destaco trecho da mensagem que o papa Bento XVI preparou por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, a realizar-se no próximo ano, em Madri, na Espanha.

“Não, o homem, na verdade, está criado para o que é grande, para o infinito. Qualquer outra coisa é insuficiente. Santo Agostinho tinha razão: nosso coração está inquieto, até que não descanse em Ti. O desejo da vida maior é um sinal de que Ele nos criou, de que levamos sua ‘marca’. Deus é vida, e cada criatura tem a vida; de um modo único e especial, a pessoa humana, feita à imagem de Deus, aspira ao amor, à alegria e à paz. Então, compreendemos que é um contrassenso pretender eliminar a Deus para que o homem viva. Deus é a fonte da vida; eliminá-lo equivale a separar-se desta fonte e, inevitavelmente, privar-se da plenitude e da alegria: ‘sem o Criador, a criatura se dilui’ (Gaudium et Spes, 36). A cultura atual, em algumas partes do mundo, sobretudo no Ocidente, tende a excluir a Deus, ou a considerar a fé como um ato privado, sem nenhuma relevância na vida social. Embora o conjunto dos valores, que são o fundamento da sociedade, provenha do Evangelho – como o sentido da dignidade da pessoa, da solidariedade, do trabalho e da família -, constata-se uma espécie de eclipse de Deus, uma certa amnésia, mais ainda, uma verdadeira rejeição do cristianismo e uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de perder aquilo que mais profundamente nos caracteriza.”

- Papa Bento XVI, Mensagem para a JMJ 2011
6 de agosto de 2010

É comum ouvir o homem moderno utilizar o carpe diem. Pressupõe “entregar-se ao mundo” sem preocupar-se com o amanhã. É a amostra de que o homem não se preocupa mais com as conseqüências de seus atos. Toda essa filosofia de vida pode ser entendida como uma busca pela felicidade. Acontece que o caminho não é esse e, no decorrer da história, o homem sempre se recusou a dar ouvidos à voz de Cristo e aos conselhos da Igreja.

Os nossos jovens querem liberdade. A nossa sociedade quer liberdade. Mas poucos têm se preocupado em investigar o real significado dessa palavra. Afinal, liberdade é o quê? É se entregar aos prazeres dessa vida e viver sem regras e normas de conduta? É se esquecer de todas as preocupações da vida e entregar-se às paixões, aos vícios e às depravações da carne? Não, nada disso é liberdade. Tudo isso é sinônimo de escravidão. Os brados ensandecidos de adolescentes revolucionários pedindo algo que nem sabem de fato o que é são atitudes que nos conduzem a uma reflexão acerca da sempre nova mensagem de Jesus. Ele ensina que, para que sejamos verdadeiramente livres, precisamos primeiramente conhecer a Verdade (cf. Jo 8, 32).

Mas, que é a Verdade? É o que perguntou Pilatos e é o que pergunta o homem de hoje, escravo. Escravo sim, pois, a partir do momento em que se perde a referência da Verdade, perde-se também a noção da liberdade. E nós bem sabemos o abismo de relativismo no qual está afundado o ser humano nesse início de milênio. Os valores passaram a ser relativos e a expressão da individualidade está acima de qualquer realidade natural ou moral. O homem se faz a medida de todas as coisas. Perdendo a noção da verdade e deixando de buscá-la, se afunda cada vez mais na escravidão do pecado. Assim, vamos vendo professores incentivando a prática da masturbação como “saudável” e jovens obstinados nos vícios mais degradantes. Vemos famílias sendo destruídas por um mal-interpretado desejo de liberdade seja por parte do marido, que acha que a vida matrimonial é como a vida de solteiro, seja por parte da mulher, que adere ao feminismo radical e passa a se esquecer das suas responsabilidades como mãe e esposa.

“O conjunto dos valores, que são o fundamento da sociedade, provém do Evangelho”. O que acontece com uma sociedade que exclui a Deus e permanece indiferente diante de crimes e atrocidades terríveis como o aborto, ou diante de injustiças e situações em que os pobres e humildes são simplesmente massacrados pela impiedade dos soberbos? A base da Civilização Ocidental está alicerçada nos valores cristãos! Assim, quando o Estado se esquece disso e deseja inclusive tirar crucifixos de repartições públicas, quando os meios de comunicação se esquecem disso e começam a estimular as famílias a aderirem ao divórcio… estão, na verdade, destruindo tudo o que até hoje foi construído graças aos esforços do povo cristão.

Destruição. Essa palavra deve resumir o que vive o mundo moderno diante deste processo de secularização que exclui Deus da vida pública e despreza as orientações da Igreja de Cristo. Maria, mãe de misericórdia, interceda pela humanidade pecadora junto de Deus.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Votar com consciência e responsabilidade

http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/jornal_o_sao_paulo/2008/080902/jornal_noticia_05.jpg“[O] grande problema, bastante presente nesta situação pré-eleitoral, é o da duplicidade, da incoerência daqueles candidatos, que por um lado, fazem questão de se mostrarem “religiosos”, sensíveis à fé, mas que na prática ou estão inscritos em partidos que defendem valores anticristãos, ou apresentam um ideário programático político pessoal que contêm indicações absolutamente incoerentes com a fé que declaram professar ou respeitar. Dentro deste quadro, chegamos ao ponto de sermos obrigados a ouvir, de determinados candidatos e candidatas, certas declarações, por exemplo, em relação ao aborto, afirmando que “pessoalmente sou contra, mas quando no governo, garantirei o direito de quem quiser abortar, já que o aborto não é uma questão que envolva a fé, mas sim, a saúde pública”.”

- Dom Antônio Keller
Nota Pastoral de orientação em relação às eleições de 2010

A nota que faz algumas considerações acerca do papel do cristão na política eleitoral, emitida recentemente pelo bispo de Frederico Westphalen, dá esclarecimentos importantíssimos para que os católicos brasileiros exerçam sua cidadania “com consciência e responsabilidade”.

Com consciência e responsabilidade, i. é, não se esquecendo do compromisso que fizeram com o Altíssimo no dia em que receberam o indelével selo batismal, compromisso de zelar pela vida humana, desde a sua concepção até a morte natural, compromisso de valorizar a honra e a dignidade da família cristã. Dos candidatos que são apresentados como opções, pouquíssimos mantêm esse compromisso. E é obrigação de todo católico verificar a ficha de seus candidatos. Será que esse candidato vai me representar direito na Câmara, no Senado, na Assembleia Legislativa? Quais são suas propostas? Estão elas em contradição com o que me ensina a fé da Igreja?

Todas essas perguntas são importantíssimas, especialmente quando observamos a banalidade com a qual muitos cristãos tratam as questões políticas. Esteja atento, católico. Esteja atento à ficha de seus candidatos e aos seus projetos. O futuro do Brasil depende de sua tomada de consciência.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Edir Macedo defende o aborto

http://oglobo.globo.com/fotos/2010/02/26/26_MVG_pais_edir-macedo1.jpgNão é nova para ninguém a estranha posição da igreja Universal do Reino de Deus acerca do aborto. Para Edir Macedo, seria melhor que o ser humano fosse abortado do que viesse ao mundo para sofrer e para se voltar contra a sociedade. O discurso determinista do fundador da igreja Universal é repugnante; e insistente. Explica o lobo que o aborto seria um verdadeiro benefício social, seja para a família (que teria melhor qualidade da vida, já que mais filhos representariam mais problemas), seja para a própria sociedade como um todo (já que um filho nascido sem planejamento familiar é um filho revoltado, pessoa que certamente se voltaria contra a sociedade).

A criatura chega a querer usar as Sagradas Escrituras para defender a prática do aborto. Não pode haver linguagem mais suja, mais covarde, mais desumana e mais cruel que a linguagem daqueles que abrem a boca para vomitar o erro e o crime. E o sr. Edir Macedo só deixa mais claro quão funestas podem ser as consequências da má interpretação da Escritura, quão terríveis podem ser as táticas usadas pelo homem para se buscar “qualidade de vida”.

O vídeo que mostra o sr. Edir Macedo defendendo a prática do aborto foi divulgado primeiro no blog O Possível e O Extraordinário.

“Eu sou a favor do aborto sim. Eu sou e digo isso em alto e bom som, com toda a fé do meu coração, e não tenho medo nenhum de pecar. E se eu estou pecando, eu cometo esse pecado consciente.”

“De Deus não se zomba” (Gl 6, 7).