A justificação vem pela fé, desde que verdadeira e sincera

“Pela fé vem a justificação, desde que seja verdadeira e sincera, não falsa e afetada. A fé dos heréticos não conduz à justificação, pois não é verdadeira, é falsa; a fé dos maus católicos não conduz à justificação por que não é sincera, mas afetada. É afetada de duas maneiras: quando nós não acreditamos realmente, mas somente fingimos acreditar; ou quando, apesar de acreditar, não é vivida, como acreditamos que deve ser. Nestas duas situações é que as palavras de São Paulo na epístola a Tito devem ser compreendidas: Afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos (Tt 1, 16a). Desta maneira os santos padres Jerônimo e Agostinho interpretam estas palavras do apóstolo.”

“Agora, desta primeira virtude de um homem justo, nós podemos facilmente entender quão grande deve ser a multidão daqueles que não vivem bem, e, da mesma maneira, morrem no pecado. Eu vejo infiéis, pagãos, heréticos e ateístas que são completamente ignorantes da arte de morrer bem. E entre católicos, quantos existem que ‘afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos’? Quem reconhece ser virgem a mãe de Nosso Senhor, mas não teme blasfemar contra ela? Quem preza orar, jejuar, fazer caridade e outras boas obras, mas ainda se permite vícios opostos? Eu omito outras coisas que são conhecidas de todos. Aqueles dizem possuir fé ‘sem hipocrisia’, não acreditam naquilo que dizem crer, ou não vivem de acordo com os mandamentos da Igreja Católica; e, por isso, demonstram pela sua conduta que ainda não começaram a viver bem, nem podem ter esperança de uma morte feliz, exceto se por uma graça de Deus aprenderam a arte de morrer bem.”

- São Roberto Belarmino em A Arte de Morrer Bem, cap. 3
via Tesouros da Igreja Católica

Aprendendo doutrina católica com a “serpente de bronze”

O nosso Apostolado tem trabalhado bastante, nos últimos dias, por meio da rede social Facebook. Neste mês de agosto, nossa página de evangelização ultrapassou as duas mil opções “curtir”, e as mensagens que disponibilizamos em nosso espaço têm sido amplamente compartilhadas. E, como também o Facebook possibilita a postagem de comentários nas atualizações, temos acolhido algumas discussões de conteúdo bem interessante – como, p. ex., a conduta anticatólica do candidato à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, e o problema da adesão dos católicos paulistanos à sua campanha política. No entanto, o mais novo debate que temos travado é com os protestantes. Não cessam as acusações de que a honra que prestamos aos santos ícones seria idolatria.

Para contestar o uso descontextualizado que muitos protestantes fazem das Escrituras Sagradas, fiz uma montagem, com uma estátua do pai do protestantismo alemão, Martinho Lutero, que está na cidade de Wittenberg (imagem ao lado). Se, como eles dizem, é proibido esculpir imagens de qualquer coisa – mesmo de nosso Senhor! -, qual seria o sentido de uma escultura desta? Se Êxodo 20 serve para os católicos, deve servir também para os protestantes – dois pesos, duas medidas. As respostas foram diversas. Mas, uma coisa até alguns protestantes reconheceram: é claro que o problema não está na confecção das imagens, mas sim no uso que se faz delas! Tanto é verdade que o próprio Deus ordenou, em determinada ocasião, que fosse construída uma serpente de bronze (cf. Num 21, 9); quando, porém, os israelitas utilizaram a imagem para praticar idolatria, a mesma imagem foi destruída (cf. 2 Rs 18, 4), já que estava se tornando ocasião de perdição para o povo de Deus.

A “serpente de bronze” nos ensina muita coisa. Além de ser imagem de Cristo crucificado – segundo o próprio Jesus (cf. Jo 3, 14) -, ela vem indicar-nos o que o Catecismo da Igreja Católica chama de “nova economia das imagens” (cf. § 2131), realidade que nosso Senhor inaugura com sua encarnação. A proibição do Antigo Testamento a qualquer tipo de imagem esculpida (cf. Dt 4, 15-16), do que quer que seja, decorria do fato de o Deus de Israel ser absolutamente transcendente, e, em certo sentido, inatingível, posto que, como afirma o próprio São João, “ninguém jamais viu a Deus” (1 Jo 4, 12). Com a Encarnação do Verbo, porém, esta realidade sofreu uma reviravolta total. O próprio Deus quis se fazer visível, representável. Ele mesmo desceu até nós, veio habitar em nosso meio. É basicamente esta a linha de pensamento que segue São João Damasceno, doutor da Igreja, em sua argumentação contra os iconoclastas:

“Em outros tempos, Deus não havia sido representado nunca em imagem, sendo incorpóreo e sem rosto. Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu entre os homens, eu represento o que é visível em Deus. Eu não venero a matéria, mas o Criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria. Nunca cessarei por isso de venerar a matéria através da qual me chegou a salvação. Mas não a venero em absoluto como Deus! Como poderia ser Deus aquilo que recebeu a existência a partir do não ser?… Mas eu venero e respeito também todo o resto da matéria que me procurou a salvação, enquanto que está cheia de energias e de graças santas. Não é talvez matéria o lenho da cruz três vezes bendita?… E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos, não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão da vida não é matéria?… E antes que nada, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor? Ou se deve suprimir o caráter sagrado de tudo isso, ou se deve conceder à tradição da Igreja a veneração das imagens de Deus e a dos amigos de Deus que são santificados pelo nome que levam, e que por esta razão estão habitados pela graça do Espírito Santo. Não se ofenda portanto a matéria: esta não é desprezível, porque nada do que Deus fez é desprezível.”

Mas os iconoclastas protestantes são obstinados. Nada lhes tira da cabeça que prestamos culto de adoração à matéria – no caso, às esculturas da Virgem Maria e dos Santos católicos. Não adianta mostrar que, no Catecismo da Igreja Católica, há uma condenação expressa à prática da idolatria, absolutamente “incompatível com a comunhão divina” (§ 2113). Não adianta esclarecer que o culto prestado aos ícones dirige-se, na verdade, à pessoa que está ali representada; nem que a imagem serve apenas como uma forma de lembrar aqueles que enfeitaram suas almas com as mais belas virtudes do Céu. Não adianta falar que as imagens de Nossa Senhora nos andores são somente uma humilde sugestão da glória que orna a Mãe do Salvador na cidade celestial. Não adianta provar para eles que a comunhão dos Santos era doutrina comum dos primeiros cristãos; nem que a intercessão dos cristãos que já tinham morrido era prática recorrente na própria Liturgia primitiva.

Não adianta sequer oferecer-lhes a história bíblica da “serpente de bronze” – da obra que o próprio Deus ordenou que fosse esculpida, a fim de sarar as feridas de seu povo. Nada disto adianta. Os pastores de suas comunidades pentecostais já inocularam em suas mentes suas interpretações particulares da Escritura, relegando à condição de idólatras as práticas de piedade da religião que colonizou esta Terra de Santa Cruz. Uma pena. O diálogo com os protestantes continuará permeado pela ignorância e pela injustiça. Injustiça, sim, porque a Bíblia que foi, nos primeiros séculos, cuidadosamente moldada pelos bispos da Igreja Católica, é o mesmo instrumento do qual estes mentirosos se servem para acusar-nos de idolatria.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

“Seguindo a Maria, não errarás o caminho da salvação.”

“Homem, quem quer que sejas, já sabes que nesta vida vais flutuando mais entre perigos e tempestades, do que caminhando sobre a terra. Se não queres ser submergido, não aparte os olhos dos resplendores desta estrela. Olha para a estrela, chama por Maria. Nos perigos de pecar, nas moléstias das tentações, nas dúvidas do que deves resolver, considera que Maria pode te ajudar, chama logo por ela para que te socorra. O seu poderoso nome nunca se aparte do teu coração pela confiança, nem de tua boca para o entoares. Seguindo a Maria, não errarás o caminho da salvação. Quando te encomendares a ela, não desconfie; sustendo-te ela, não cairás. Protegendo-te ela, não temas perder-te; sendo tua guia, sem fadiga te salvarás. Em suma, pretendendo Maria defender-te, certamente chegarás ao reino dos bem-aventurados.”

- São Bernardo de Claraval
citação extraída do livro “Glórias de Maria”

Papa irá proclamar novo doutor da Igreja

Duas notas importantes merecem ser destacadas da última Jornada Mundial da Juventude.

A primeira, que todos praticamente já sabem, é que a próxima JMJ será realizada no Rio de Janeiro, em 2013. Segue abaixo o vídeo com o momento em que o Papa fez a “declaração oficial”, ontem, no Aeroporto de Cuatro Vientos.

A segunda, também de grande importância, é que o Santo Padre proclamará, em breve, doutor da Igreja, o presbítero espanhol São João de Ávila, contemporâneo de outros grandes santos da mesma Espanha, como Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz e Santo Inácio de Loyola. A declaração foi feita durante a Santa Missa com os seminaristas na Catedral de Santa Maria la Real de la Almudena, no sábado.

[A partir de 1h57min15s.]

Queridos amigos,

Com grande alegria, no marco da santa igreja Catedral de Santa Maria a Real da Almudena, quero anunciar agora ao povo de Deus que, acolhendo os pedidos do Senhor Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, o Eminentíssimo Cardeal António Maria Rouco Varela, Arcebispo de Madrid, dos outros Irmãos no Episcopado da Espanha, bem como de um grande número de Arcebispos e Bispos de outras partes do mundo, e de muitos fiéis, declararei, proximamente, São João de Ávila, presbítero, Doutor da Igreja Universal.

Ao fazer pública aqui esta notícia, desejo que a palavra e o exemplo deste exímio pastor possa iluminar os sacerdotes e aqueles que se preparam, com alegria e esperança, para receber um dia a Sagrada Ordenação.

Convido todos a dirigirem o olhar para ele, e confio à sua intercessão os Bispos da Espanha e de todo o mundo, bem como os presbíteros e seminaristas para que, perseverando na mesma fé que ele ensinou, possam modelar seu coração conforme os sentimentos de Jesus Cristo, o Bom Pastor, a quem seja dada toda glória e honra por todos os séculos dos séculos. Amém.

- Bento XVI, Santa Missa com os seminaristas
20 de agosto de 2011

Maria foi fiel à divina graça

Santo Afonso de Ligório

http://beinbetter.files.wordpress.com/2010/09/digitalizar0006.jpg?w=235&h=317Dizem muitos e graves teólogos que uma alma virtuosa produz um ato de virtude, em intensidade igual ao hábito que possui, cada vez que corresponde às graças atuais que de Deus recebe. Adquire assim, vez por vez, um novo e duplo merecimento que é igual à totalidade de todos os méritos adquiridos até então. Esse aumento, dizem eles, foi concedido aos anjos durante o tempo de sua provação. Ora, se os anjos possuíam semelhante graça, quem ousará sonegá-la à Divina Mãe, enquanto viveu na terra, principalmente no mencionado tempo de sua existência no seio materno, no qual foi certamente mais fiel que os anjos, em corresponder à graça? Durante ele duplicou a cada momento aquela graça sublime que possuía desde o começo. Pois, correspondendo-lhe com todas as forças e perfeitamente, duplicava por conseguinte seus méritos a cada ato que fazia, em todo instante. Só por aí podemos avaliar que tesouros de graça, de merecimentos e de santidade trouxe Maria ao mundo, quando nasceu.

Alegremo-nos, portanto, com a nossa amável menina, que nasce tão santa, tão cara a Deus, e cheia de graça. E alegremo-nos não só por ela mas também por nós. Pois veio ao mundo enriquecida de graça tanto para a glória como para o bem nosso. Adverte S. Tomás que de três modos foi cheia de graça a Santíssima Virgem. Na alma, porque desde o princípio sua bela alma foi inteiramente de Deus. No corpo, pois que de sua puríssima carne mereceu revestir o Verbo Eterno. Finalmente o foi em nosso comum benefício, para que todos os homens pudessem participar da sua graça. Alguns santos, ajunta o Doutor Angélico, possuem tanta graça que não só lhes basta a eles, como é suficiente para salvar a muitos, ainda que não a todos os homens. Só a Jesus e a Maria foi dada tão abundante graça, que seria suficiente para salvar a todo o gênero humano. Por isso S. João diz de Jesus Cristo: Nós todos temos recebido de sua plenitude (Jo 1, 16). De Maria afirmam também a mesma verdade. S. Tomás de Vilanova, por exemplo, escreve: Ela é cheia de graça e de sua plenitude recebem todos. E assim – afirma Pacciucchelli – não há quem não participe da graça de Maria. Quem existiu jamais no mundo, pergunta ele, a quem Maria não tenha sido tão benigna, ou não haja dispensado alguma misericórdia? É preciso notar, porém, que recebemos a graça de Jesus Cristo, como de seu autor, e de Maria como medianeira; de Jesus como Salvador, de Maria, como advogada; de Jesus, como fonte, de Maria, como canal.

Eis o motivo porque S. Bernardo diz que Deus constituiu Maria qual aqueduto das misericórdias, que quer dispensar aos homens. Encheu-a de graça, para que de sua plenitude cada um recebesse sua parte. À vista disso o Santo exorta-nos a considerarmos com que amor quer o Senhor que honremos essa grande Virgem, na qual colocou todos os tesouros de sua riqueza. Fê-lo assim, a fim de que quanto temos de esperança, de graça e de salvação, tudo agradeçamos à nossa amantíssima Rainha. Pois tudo nos provém de suas mãos e pela sua intercessão. Infeliz da alma que, descuidando-se de se recomendar a Maria, se fecha assim a este canal de graças! Holofernes, quando quis apoderar-se da cidade de Betúlia, procurou cortar-lhe os aquedutos. E isto faz também o demônio quando quer tomar posse de uma alma: fá-la abandonar a devoção a Maria Santíssima. Fechado este canal, perderá ela facilmente a luz, o temor de Deus, e enfim a salvação eterna.

[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 2, tratado 1, II, Maria foi fiel à divina graça; pp. 268-269, Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]

Nada deles resta, senão cinzas e vermes

Todos nascemos com a corda no pescoço e a cada passo que damos mais nos aproximamos da morte, diz sabiamente São Cipriano.

http://i15.photobucket.com/albums/a351/britishgrenadier/Saints/St%20Alphonsus%20Liguori/AlphonsusLiguori.jpg“Por muitos anos (…) que ainda tenhas de viver, há de chegar um dia, e nesse dia uma hora, que te será a última. Tanto para mim, que escrevo, como para ti, que lês este livro, está decretado o dia, o instante, em que nem eu poderei mais escrever nem tu ler. (…) Está proferida a sentença. Nunca existiu homem tão néscio que se julgasse isento da morte. O que sucedeu a teus antepassados, também sucederá a ti. De quantas pessoas, que, no princípio do século passado, viviam em tua pátria, nenhuma existe com vida. Até os príncipes e monarcas deixarão este mundo. Não subsistirá deles mais que um mausoléu de mármore com inscrição pomposa que somente serve para nos patentear que dos grandes deste mundo só resta um pouco de pó resguardado por aquelas lajes. São Bernardo pergunta: ‘Dize-me: onde estão os amadores do mundo? E responde: Nada deles resta, senão cinzas e vermes’.”

- Santo Afonso de Ligório
Preparação para a morte, edição em PDF, p. 36

Cinzas e vermes. O homem está preocupado em ajuntar tesouros nesse mundo. Conquista terras e bens materiais. Sujeita outros homens a seus desejos mesquinhos, maltrata seus empregados, desfruta de todos os prazeres carnais e, no fim de sua vida, não pode escapar da terrível realidade da morte. A morte põe fim à sua vida de prazeres e, agora, esse mesmo homem está diante de Deus, para prestar-Lhe contas. Estava tão obcecado pelos bens perecíveis desse mundo que se esqueceu de preparar seu lugar na eternidade. Para onde vai esse homem?

Assim como tantos outros, será certamente lançado no inferno. “Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançados para fora” (Lc 13, 28). O Verbo Divino se fez carne e anunciou aos homens a boa nova da salvação. Somos predestinados e a graça é irresistível ou nós somos capazes, por nós mesmos, de entrar no Reino dos céus? Nem Jansênio, nem Pelágio. A salvação é fruto da colaboração entre a graça divina e a liberdade humana. Se o homem aceita a Deus, isso é obra de Sua graça. E se a graça de Deus o homem aceita, é porque esse abriu a Ele, pelo exercício da liberdade, as portas de seu coração. Se, pelo exercício de sua liberdade, o homem ignora a voz do Altíssimo e se obstina no erro, se lança às trevas exteriores, se condena, se afasta d’Aquele que é fonte de toda Bondade, de toda Verdade, de todo Amor.

E para sempre. Uma ofensa cometida contra um Deus eterno merece castigo eterno. E pelo pecado nos tornamos merecedores do inferno. Quão tola é a atitude daqueles que, ignorando que devem morrer, se esquecem de pôr em prática os meios para fugir das ocasiões de pecado! O inferno… é a eternidade longe de Deus. A eternidade! Não é nem um dia nem mil anos: é viver a imortalidade condenado ao fogo que não se apaga. Oh, se pelo menos fosse exterminada a alma daquele se condena. Mas, não! A alma está ali, padecendo sem morrer, sofrendo os mais terríveis tormentos…

O alerta de Cristo a todos nós hoje é fundamental: “Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam” (Mt 6, 20). Ajuntai tesouros no Céu! Ajuntar tesouros na terra é inútil. Tudo o que temos aqui vamos deixar. O nosso corpo é entregue às traças, aos vermes; se torna cinzas. A nossa alma, porém… Como devemos lutar para estar em estado de amizade com Deus! Só assim poderemos verdadeiramente nos salvar, só assim poderemos verdadeiramente ser felizes, esperando viver a eternidade ao lado do Altíssimo, louvando Sua Bondade para sempre.

Pensemos nisso. E mudemos de vida. Hoje. Porque, amanhã, o amanhã pode não chegar.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Os santos saúdam a sua Rainha

Santo Afonso de Ligório

http://campus.udayton.edu/mary/resources/assumption1t.jpgVieram depois dar-lhe a boa-vinda, e saudá-la como sua Rainha, todos os santos que então estavam no paraíso. Vieram primeiro as santas virgens. “As filhas a viram e elas apregoaram-na pela mais bem-aventurada” (Ct 6, 8). Nós, disseram, ó belíssima Senhora, somos também rainhas deste reino, mas vós sois a Rainha nossa. Fostes a primeira a dar-nos o grande exemplo de consagrar a nossa virgindade a Deus. Por isso vos louvamos e damos graças. Depois vieram os santos confessores saudá-la como sua Mestra, em cuja vida haviam aprendido tantas virtudes excelentes. Vieram os santos mártires saudá-la como sua Rainha, porque com sua grande constância, nas dores da Paixão de seu Filho, lhes ensinara e também alcançara com seus merecimentos a fortaleza para testemunhar a fé com a vida. Veio também S. Tiago, o único dos apóstolos que então se achava no paraíso, agradecer-lhe da parte de todos os outros apóstolos aquele conforto e auxílio que lhes dera estando na terra. Vieram depois os profetas saudá-la, e estes lhe diziam: Ah! Senhora, vós sois aquela, que pelas nossas profecias foi figurada. Vieram os santos patriarcas e lhe diziam: Ó Maria, vós então fostes a nossa esperança, tanto e por tão longo tempo por nós suspirada. Mas entre eles, com afeto maior vieram dar-lhe agradecimentos os nossos primeiros pais Adão e Eva. Ah, Filha amada! lhe diziam: Vós reparastes o dano feito por nós ao gênero humano; vós alcançastes ao mundo aquela bênção que perdemos por nossa culpa; por vós somos salvos. Para sempre sejais por isso bendita!

Vem depois beijar-lhe os pés S. Simeão e recordou-lhe com júbilo aquele dia em que tinha recebido das suas mãos o Menino Jesus. Vieram S. Zacarias e S. Isabel e novamente lhe agradeceram aquela amorosa visita, que com tanta humildade e caridade lhes fizera em sua casa, e pela qual receberam tantos tesouros. Veio S. João Batista, com maior amor, dar-lhe graças por tê-lo santificado por meio da sua voz. Mas que deveriam dizer-lhe, quando vieram saudá-la seus caros pais, Joaquim e Ana? Oh! Deus, com que ternura a deveriam abençoar dizendo: Filha dileta, que fortuna foi a nossa de ter tal filha! Eis que agora és a nossa Rainha, porque és Mãe do nosso Deus. Como tal nós te saudamos e veneramos. Mas quem nos dirá do afeto com que veio saudá-la seu caro esposo S. José? Quem nos poderá descrever o júbilo que experimentou o santo patriarca vendo a sua esposa chegada ao céu com tanto triunfo e aclamada Rainha de todo o paraíso? Com que ternura devia lhe dizer então: Ah! Senhora e esposa minha! Quando poderei chegar a agradecer quanto devo ao nosso Deus, por ter-me dado por esposa a vós, que sois a sua verdadeira Mãe? Por vós eu mereci na terra assistir à infância do Verbo Encarnado, tê-lo tantas vezes nos braços e dele receber graças especiais. Sejam benditos os momentos que gastei na vida a servir a Jesus e a vós, minha santa esposa! Eis o nosso Jesus, consolemo-nos que já não está agora deitado numa manjedoura sobre palhas, como nós o vimos nascido em Belém; já não vive pobre e desprezado, como outrora viveu conosco em Nazaré; já não está pregado num patíbulo infame, no qual morreu pela salvação do mundo em Jerusalém. Mas agora está sentado à direita do Pai, qual Rei e Senhor do céu e da terra. E eis que nós, Rainha minha, não nos separaremos mais dos seus santos pés, a louvá-lo e amá-lo eternamente.

[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 2, tratado 1, VIII, Os santos saúdam a sua Rainha; pp. 345-347, Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]

Santo Afonso e minha conversão

Mudança de vida, conversão, contato íntimo com Deus… Todas essas expressões eram ainda muito desconhecidas para mim. Quando quis me aventurar nos princípios da doutrina católica e na leitura de livros católicos, comecei a perceber a incompatibilidade entre a vida que eu mantinha até então e a vontade de Deus para mim. Era uma incompatibilidade clara. E foram as palavras de um doutor da Igreja que me ajudaram a desprezar cada vez mais esses contrastes e buscar pôr em prática os ensinamentos da lei de Deus. Palavras duras, é verdade. Palavras penetrantes. Palavras de Deus.

“O ímpio, depois de ter caído no abismo dos pecados, tudo despreza” (Pr 18, 3), diz o Autor Sagrado. Eu estava caído nesse abismo. Estava ali, naquele buraco, e tinha a consciência de meu estado de miséria. Mas, como sair? Como levantar-se? Tudo parecia tão obscuro para mim, tão estranho. E a condenação estava ali, também ao meu lado. Que temor do inferno, meu Deus! A eternidade no fogo que não se apaga. Tinha feito o propósito de mudar inúmeras vezes. Sem sucesso. Não conhecia os meios para fugir de nenhum dos meus maus hábitos. E também não buscava conhecer nenhum deles. Mas atentei-me às palavras desse homem.

E tudo parecia se encaixar tão perfeitamente no meu modo de viver, que eu comecei a ficar aterrorizado. A ira de Deus pesando sobre mim! Os meus maus hábitos ofendendo o Altíssimo… Quanta hipocrisia eu vivia. Nos lábios, palavras bonitas; no coração, pensamentos impuros, horrendas omissões, a consciência do pecado mortal. Estou perdido, pensei. O que eu vou fazer?

Com aquela leitura tão penetrante, no entanto, surgia uma luz. Deus estava buscando a ovelha que havia se perdido.

“Se tens algum mau hábito, procura libertar-te agora que Deus te chama. Enquanto sentes mossa na consciência, regozija-te, porque é indício de que Deus ainda não te abandonou. Urge, porém, corrigir-te e sair o mais breve possível desse estado, doutra maneira gangrenar-se-á a ferida e te verás perdido.”

- Santo Afonso de Ligório
Preparação para a morte, edição em PDF, p. 233

Deus não me abandonou! Como foi importante para mim entender isso… Não, Deus não tinha me abandonado. Era eu que, cego pelas paixões e pelas concupiscências enganadoras, me obstinava na prática dos maus hábitos e não enxergava que estava, pouco a pouco, me condenando.

Ali, nas palavras de Santo Afonso, experimentei o início de um processo de conversão que dura até hoje. Foi ele quem me alertou, foi ele quem me indicou os meios, foi ele quem me guiou a Jesus. Sou profundamente grato a Santo Afonso de Ligório, porque foi justamente a dureza de suas palavras que amoleceu o meu coração, manchado pelo pecado mortal e pela obstinação.

Aquelas expressões que eram até então desconhecidas e estranhas começaram a inundar o meu coração, de modo que fui compreendendo a beleza que é viver na graça de Deus. Hoje, após conhecer também São Domingos Sávio, convoco todos os católicos a declarar guerra ao pecado mortal. O lema deste jovem tão santo – Antes morrer do que pecar – seja nosso lema de vida. E as palavras de Santo Afonso Maria de Ligório conduzam-nos a um encontro real com Jesus e sua mãe, Maria Santíssima.

A Liturgia nos chama a celebrar hoje a memória de Santo Afonso. Peçamos sua intercessão, colocando em nossas orações todas as pessoas que estão cegas pelos maus hábitos. Possam compreender o quanto ofende a Deus o pecado e o quanto é bom e agradável estar em estado de graça, de amizade com o Altíssimo. Confiando na poderosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejam conduzidos pelo grandioso amor que Deus cultiva por todos os seus filhos.

Santo Afonso de Ligório,
rogai por nós!

Santa Maria, Refúgio dos pecadores,
rogai por nós!

Os demônios se espantam e temem o nome de Maria

A castidade é uma virtude valiosíssima. Mas, assim como quem leva na mão uma vela acesa deve ter cuidado para que ela não venha a apagar, assim também aqueles que desejam preservar a castidade devem estar atentos e vigilantes para que não caiam em tentação. Na oração do Pai Nosso, pedimos a Deus que “não nos deixeis cair em tentação”. O pedido é uma amostra de humildade, pois devemos reconhecer que, por nós mesmos, não somos capazes de viver a pureza. É, ao mesmo tempo, um compromisso. Se não queremos cair em tentação, pedimos a Deus que nos ajude e também firmamos o propósito de evitar a ociosidade e as ocasiões de pecado.

Santo Afonso de Ligório dá várias orientações a quem deseja preservar a virtude da castidade. Ele fala da necessidade de recepção assídua dos sacramentos da Eucaristia e da Penitência, “da modéstia dos olhos, da vigilância sobre as inclinações do coração e da fuga das ocasiões perigosas”. O doutor da Igreja também fala da devoção à Santíssima Virgem Maria. “Quantos jovens não se conservaram puros e castos como Anjos, devido à devoção à Santíssima Virgem!” Quer essa boa Mãe que todos aqueles que desejam ser puros a ela recorram; Maria, que foi exemplo de pudor e pureza nesse mundo.

A Liturgia nos propõe, no dia de hoje, a memória de Santa Brígida da Suécia. O Senhor por diversas vezes lha revelou, através de mensagens, a Sua Palavra. Sua Mãe, Maria Santíssima, por diversas vezes se comunicou com ela. Abaixo uma pequena mensagem de Nossa Senhora a essa gigante da Igreja:

Os demônios todos se espantam e temem meu nome. Ao som do nome de Maria, soltam imediatamente a presa que tenham em suas garras. Da mesma forma que uma ave de rapina com a presa em suas garras, a deixa quando escuta um ruído e volta depois quando vê que não era nada, igualmente os demônios deixam a alma, assustados, ao ouvir meu nome, mas voltam de novo rápidos como uma flecha a menos que vejam que depois se produziu uma emenda.”

- Revelação de Nossa Senhora a Santa Brígida da Suécia
Profecias e Revelações, livro 1, capítulo 9

A Ladainha de Nossa Senhora invoca Maria como Refúgio dos Pecadores. Quer Maria que todos os pecadores, quando estiverem tentados a pecar contra o Seu Divino Filho, recorram a ela.

Diz o Senhor à serpente: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela” (Gn 3, 15). São Luís de Montfort comenta: “Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer; de modo que Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio.” Sendo essa uma sublime verdade, é verdade também que todos os pecadores, quando assaltados pelo demônio, devem invocar instantaneamente a proteção dessa santa Mãe.

Os demônios todos se espantam e temem o nome da excelsa Mãe de Deus. Que belíssimo tesouro é para os cristãos a devoção a Nossa Senhora! “Em certo modo – diz o Venerável Pio XII -, essa devoção encerra em si todos os outros meios [para preservar a castidade]: quem a cultiva sincera e profundamente é levado a vigiar e a orar, a aproximar-se do tribunal da penitência e da sagrada mesa” (Sacra Virginitas, n. 62).

Exulte, por isso, a nossa alma, ao ouvir o nome de Maria! Glorifique ao Senhor os nossos lábios ao contemplar a riqueza que está escondida na devoção a Nossa Senhora! Tremam os infernos diante desse maravilhoso nome! Proclamem os pecadores, quando lhes sobrevier as tentações, as maravilhas que o Altíssimo fez na vida da Mãe de Deus! Sejam todos confortados pela humildade dessa doce, pia e clemente Virgem.

Santa Brígida, que experimentou uma relação íntima de amor com Maria e seu Divino Filho, interceda por todos nós junto a Deus, para que sejamos sempre livres do pecado. Confiando na intercessão da Santíssima Virgem Maria, possamos todos nós ser consolados nos momentos de aflição.

Santa Brígida,
rogai por nós!

Maria, Mãe da Divina Graça,
rogai por nós!

Inferno: castigo infinito e penas eternas

“Dirá, porém, o incrédulo: Onde está a justiça de Deus ao castigar com pena eterna um pecado que dura um instante?… E como, responderemos, como se atreve o pecador, por um prazer momentâneo, a ofender um Deus de majestade infinita? “Até a justiça humana, disse São Tomás, mede a pena, não pela duração, mas pela qualidade do crime. Não é porque o homicídio se cometa em um momento que se há de castigar também com pena momentânea”. Para o pecado mortal, um inferno é pouco. A ofensa feita à Majestade infinita deve merecer castigo infinito, diz São Bernardino de Sena. Mas como a criatura, escreve o Doutor Angélico, não é capaz da pena infinita em intensidade, é com justiça que Deus torna a pena infinita em duração.”

“Além disso, a pena deve ser necessariamente eterna, porque o réprobo jamais poderá prestar satisfação por sua culpa. Nesta vida, o pecador penitente pode satisfazer pela aplicação dos merecimentos de Jesus Cristo; mas o condenado não participa desses méritos, e, portanto, não podendo por si satisfazer a Deus, sendo eterno o pecado, eterno também deve ser o castigo (Sl 48, 8-9). “Ali a culpa — disse o Belluacense — poderá ser castigada, mas jamais expiada” (Lib. II, 3p), porque, segundo Santo Agostinho, “ali o pecador é incapaz de arrependimento”.”

“O Senhor, portanto, estará sempre irado contra ele (Ml 1,4). E ainda que Deus quisesse perdoar ao réprobo, este não aceitaria a reconciliação, porque sua vontade obstinada e rebelde está confirmada no ódio contra Deus. Disse Inocêncio III: “Os condenados não se humilharão; pelo contrário, crescerá neles a perseverança do ódio”. São Jerônimo afirma que “nos réprobos, o desejo de pecar é insaciável” (Pr 27, 20). A ferida de tais desgraçados é incurável; porque eles mesmos recusam a cura (Jr 15, 18).”

- Santo Afonso de Ligório
Preparação para a morte, edição em PDF, pp. 287-288