Chalita fora da pasta da Ciência e Tecnologia “por ser muito religioso”

Gabriel ChalitaAté meados desta semana, o nome de Gabriel Chalita parecia certo para o Ministério da Ciência e Tecnologia. A Folha de S. Paulo informa, no entanto, que “interlocutores presidenciais acentuaram críticas de que o peemedebista, por ser muito religioso, misturaria os conceitos de ciência e fé à frente da pasta”.

Antes de qualquer coisa: este blog não morre de amores por Chalita. Em 2010, quando o amigo de Fábio de Melo deu apoio político à hoje senadora Marta Suplicy, e à hoje presidente Dilma Rousseff, fomos um dos muitos sítios católicos a dizer não à baixaria. Afinal, onde estavam escondidos os valores cristãos, dos quais Chalita se dizia anunciador e praticante? Na cartilha abortista e revolucionária do PT é que não era. As ambições políticas falaram mais alto que a verdade, foi o que aconteceu.

Agora, alegar que Chalita não seria bom para o Ministério da Ciência e Tecnologia, por ser “muito religioso”, só pode ser piada… Isto cheira a preconceito. E dos feios. Afinal, basta estudar um pouco de história da ciência para saber que o Pai da Genética foi um monge católico – e o Pai da Genética Moderna, um médico às portas da beatificação -, que a teoria do big bang surgiu da mente de um padre, e que mais de 30 crateras da Lua têm nomes de sacerdotes jesuítasUma simples lista da Wikipédia seria suficiente para frear as bestas anticlericais e impedi-las de falar asneiras.

Ninguém aqui ousa comparar mentes tão brilhantes – católicas, apaixonadas por Deus e também pela ciência – a Gabriel Chalita. Só trazemos à luz estes exemplos para mostrar que a razão alegada para não ter Chalita cuidando da pasta de Ciência e Tecnologia é motivada por puro anticlericalismo. O jornalista Reinaldo Azevedo, que escreve sobre política, também chamou atenção para o fato. “Chalita pode não ser o mais indicado para a Ciência e Tecnologia, mas não porque é católico.”

Por último, gostaria de comentar duas coisas que chamam a atenção na reportagem da Folha.

Primeiro: os que querem Chalita fora do Ministério da Ciência e Tecnologia são “interlocutores presidenciais”. Vejam só…! Interlocutores da presidente que Chalita ajudou a eleger, quando tentou mostrar aos católicos uma Dilma “paz e amor”, contrária ao aborto, sobre quem pesavam acusações injustas – o que ele chamou de “boatarias” -, são os mesmos interlocutores que agora querem Chalita fora, justamente por ser “muito religioso”. O oportunismo dessa gente é de dar asco, mas quem quis se juntar à turba foi Chalita. Que, quando ele finalmente abrir os olhos, não seja muito tarde.

Segundo: a reportagem fala que Chalita teria “laços estreitos com alas mais tradicionalistas da Igreja Católica”.

Está certo. Para uma mídia cujas referências de ortodoxia são Frei Betto, Leonardo Boff ou coisa que os valha, o perfil carismático parece bem “reacionário”. Só que nem deste perfil Chalita é representante mais… Deixou de sê-lo, quando abandonou suas convicções para abraçar a causa do PT – o mesmo que, agora, no poder, acoima Chalita de “carola”.

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Leia também: Quem nasceu pra Gabriel Chalita não chega a Francis Collins, no blog Tubo de Ensaio.

Algumas notas rápidas sobre os abusos litúrgicos na comunidade Canção Nova

Os abusos litúrgicos que aconteceram este fim de semana em Cachoeira Paulista causaram o maior bafafá aqui, no blog, e nas redes sociais. Trata-se, porém, de uma polêmica que não tem razão de ser. A coisa é muito simples: pode ser resolvida em um rápido silogismo. A Canção Nova, como comunidade católica que é, deve obediência às leis e normas da Igreja referentes à celebração da Liturgia. E estas apontam que “o Mistério da Eucaristia é demasiado grande para que alguém possa permitir tratá-lo ao seu arbítrio pessoal” (Instrução Redemptionis Sacramentum, n. 11). C’est fini.

Está tudo muito claro, mas os defensores do indefensável ficam revoltados: dizem que estamos julgando, que não podemos falar dos erros e abusos, porque “a Canção Nova já trouxe muitas pessoas de volta ao seio da Igreja”. Chegam mesmo a rasgar as vestes e insinuar algo do tipo: O que seria da Igreja sem a Renovação Carismática? Ou: O que seria do catolicismo no Brasil sem a Canção Nova?

Não vou nem me demorar no absurdo das duas últimas sentenças, afinal, esta ideia de que a Igreja só está firme graças a um ou outro movimento particular repugna ao próprio atributo de universalidade inerente ao Corpo Místico de Cristo. O que o pessoal não compreende – ou parece não querer entender – é que não estamos criticando o trabalho de evangelização da Canção Nova. Estamos falando de coisas bem pontuais: abusos litúrgicos. E independe de onde venham, estes devem ser denunciados.

Outra válvula de escape que muitos utilizaram foi partir para a defesa do homem sertanejo. – Ah, o homem sertanejo simples teme muito mais a Deus que vocês, que ficam julgando a Canção Nova… – Novamente: não é disto que estamos falando. A comunidade Canção Nova pode fazer acampamentos temáticos à vontade: acampamentos sertanejos, voltados à juventude, voltados para a família, que seja. Não é este o problema. O problema é introduzir na Liturgia elementos que são estranhos à Sua essência divina, sobrenatural. E isto não sou eu, blogueiro católico, quem falo. Isto é o ensinamento do Papa e da Igreja. Vamos a mais uma dose de Redemptionis Sacramentum. Agora, n. 114.

“Nas Missas dominicais da paróquia, como ‘comunidade eucarística’, é normal que se encontrem os grupos, movimentos, associações e as pequenas comunidades religiosas presentes nela. Embora seja lícito celebrar a Missa, de acordo com as normas do direito, para grupos particulares, estes grupos, de nenhuma maneira, estão isentos de observar fielmente as normas litúrgicas.”

Quer fazer Missa para a Pastoral da Juventude, do Imigrante ou da Terra? Sem problemas, mas, foca no Missal e respeita as normas litúrgicas! Os fiéis têm o direito a uma Missa bem celebrada, de acordo com o que dispõem os ensinamentos da Santa Igreja.

Afinal, ninguém gostaria de entrar numa igreja, para assistir ao Santo Sacrifício, e acabar se deparando com isto:

A foto acima é de uma Missa “afro” celebrada este mês, na diocese de São João Del Rei, em Minas Gerais, por ocasião do Dia da Consciência Negra. A página da diocese no Facebook publicou muitas outras – e não demorou para que muitos fiéis católicos fizessem seu protesto. Afinal, como já dizia um velho adágio latino, lex orandi, lex credendi – a lei da oração é a lei da fé. Se nós verdadeiramente cremos que a Liturgia da Santa Missa é a atualização do Sacrifício de Cristo na Cruz, precisamos participar dela com piedade, devoção e respeito. Sabemos, são coisas de que muitos sacerdotes e agentes de pastoral têm se esquecido, mas cujo resgate é sempre necessário. Está em jogo a própria vitalidade da nossa fé.

A justificação vem pela fé, desde que verdadeira e sincera

“Pela fé vem a justificação, desde que seja verdadeira e sincera, não falsa e afetada. A fé dos heréticos não conduz à justificação, pois não é verdadeira, é falsa; a fé dos maus católicos não conduz à justificação por que não é sincera, mas afetada. É afetada de duas maneiras: quando nós não acreditamos realmente, mas somente fingimos acreditar; ou quando, apesar de acreditar, não é vivida, como acreditamos que deve ser. Nestas duas situações é que as palavras de São Paulo na epístola a Tito devem ser compreendidas: Afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos (Tt 1, 16a). Desta maneira os santos padres Jerônimo e Agostinho interpretam estas palavras do apóstolo.”

“Agora, desta primeira virtude de um homem justo, nós podemos facilmente entender quão grande deve ser a multidão daqueles que não vivem bem, e, da mesma maneira, morrem no pecado. Eu vejo infiéis, pagãos, heréticos e ateístas que são completamente ignorantes da arte de morrer bem. E entre católicos, quantos existem que ‘afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos’? Quem reconhece ser virgem a mãe de Nosso Senhor, mas não teme blasfemar contra ela? Quem preza orar, jejuar, fazer caridade e outras boas obras, mas ainda se permite vícios opostos? Eu omito outras coisas que são conhecidas de todos. Aqueles dizem possuir fé ‘sem hipocrisia’, não acreditam naquilo que dizem crer, ou não vivem de acordo com os mandamentos da Igreja Católica; e, por isso, demonstram pela sua conduta que ainda não começaram a viver bem, nem podem ter esperança de uma morte feliz, exceto se por uma graça de Deus aprenderam a arte de morrer bem.”

- São Roberto Belarmino em A Arte de Morrer Bem, cap. 3
via Tesouros da Igreja Católica

Olimpíadas de Londres: atletas expressam sua fé em um país com leis cada vez mais antirreligiosas

Fonte: Religión en Libertad | Tradução: Ecclesia UnaO corredor jamaicano Usain Bolt conquistou o público e a imprensa mundial com sua fabulosa atuação em Londres 2012, ao correr os 100 metros em apenas 9,63 segundos. Todos falam da “melhor corrida da história”, não só por Bolt, mas também por seus adversários: sete corredores abaixo dos dez segundos, algo que permanecerá como a grande imagem dos Jogos Olímpicos de Londres.

Bolt, que consolidava assim seu título de 4 anos atrás, em Pequim, apareceu diante de milhões de espectadores fazendo o sinal-da-cruz, e levando no pescoço um símbolo religioso cristão.

Isto é algo que as atuais normas britânicas dificultam ao pessoal que trabalha em repartições públicas. Os tribunais britânicos permitem inclusive que empresas privadas proíbam ou multem os empregados que portem símbolos religiosos, ainda que não ostentosos, como um pequeno crucifixo.

Assim, em Londres, os atletas estão dando à fé uma visibilidade que as autoridades britânicas tendem a ocultar.

Por enquanto, a Grã-Bretanha ainda não penaliza os atletas que expressam sua devoção no estádio olímpico. Assim, o ganhador da corrida dos 10 mil metros, o inglês muçulmano Mohamed Farah, de origem somali, se ajoelhou na pista, ao acabar a prova fatigante, e agradeceu a Deus o êxito. Há quem pergunte se dentro de alguns anos a fé poderá ser expressa publicamente assim em território inglês, dadas as atuais tendências de restrição à expressão religiosa.

Outra história relacionada é a da jovem judoca de 18 anos, Wojdan Shaherkani, a primeira mulher da Arábia Saudita competindo em Jogos Olímpicos, convertendo-se em um ponto visível para todas as mulheres da teocracia saudita, muito limitadas em suas liberdades e movimentos.

Os responsáveis olímpicos da Federação de Judô se opunham a que a jovem competisse usando véu, assinalando o perigo de asfixia, comum neste esporte no qual os lutadores se agarram e se envolvem em chaves. Mas a delegação saudita insistiu e, no fim, Wojdan pôde levar seu véu durante os 82 segundos que durou a sua luta.

Ainda que derrotada, a jovem Wojdan pensa em voltar com o véu ao Rio de Janeiro, dentro de quatro anos. Mas o Brasil é distinto da Inglaterra: é um dos países mais religiosos do mundo, acostumado à expressão desinibida da fé.

Chico Xavier é semifinalista de concurso que vai eleger “o maior brasileiro de todos os tempos”

Eu sei que nem todos dão importância para este concurso que o SBT está promovendo, tentando eleger a personalidade que seria “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”. No entanto, é digno de nota que, no “maior país católico do mundo” (com as ressalvas que todos já conhecem bem), o médium espírita Francisco Cândido Xavier venceu, com 50,5% dos votos, a bem-aventurada Irmã Dulce dos pobres. O resultado da primeira eliminatória da competição foi divulgado nesta quarta-feira (1º).

Antes de qualquer coisa, é sempre bom lembrar o óbvio: independente desta ou de qualquer votação, os bem-aventurados – ou seja, aqueles que estão no Céu, contemplando a face do Altíssimo -, estes são os maiores em todos os sentidos. Alcançaram a coroa da glória, conquistaram o prêmio imperecível, atingiram o fim ao qual todos os homens são chamados.

Façamos, à luz disto, um paralelo. Irmã Dulce, em vida, foi fiel ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, ornou sua alma com a virtude da fé, e foi elevada aos altares especialmente por seu exemplo de dedicação e amor aos pobres. Esta santa mulher viveu a caridade e foi beatificada pela Igreja Católica; ou seja, a Igreja reconheceu que a Irmã Dulce goza da visão beatífica, sendo, assim, uma intercessora fiel dos homens junto a Deus. Chico Xavier, por outro lado, era espírita, não aceitava sequer a divindade de Jesus, era constantemente procurado por sua fama de evocar os mortos – prática severamente proibida por Deus já no Antigo Testamento (cf. Lv 19, 31; 20, 27). Ou seja, trazia às pessoas um suposto “conforto”, desobedecendo, antes, à lei de Deus: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo (…) ou à invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas” (Dt 18, 10-12). Colocando o “anjo bom da Bahia” ao lado de Chico Xavier, percebemos a enorme discrepância entre os dois. É praticamente um abismo – muito provavelmente o mesmo abismo que separava o pobre Lázaro do rico epulão.

Sim, mas e a “caridade” praticada pelo médium mineiro? Afinal – poderiam indagar alguns –, lembrando São Tiago, “a fé sem obras é morta” (Tg 2, 26)… Sim, é verdade. A fé sem obras é morta. Mas, do mesmo modo, de nada valem as obras, sem a fé. Como explicou muito acertadamente o frei Boaventura Kloppenburg,

“É sem dúvida certo: sem a caridade cristã, não há salvação; e quem não tiver a caridade, não é verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. E a Igreja seguramente não rejeita o espiritismo por causa deste princípio. A Igreja Católica tem sido sempre e ainda hoje continua sendo a pregoeira máxima da caridade cristã. (…) O erro dos espíritas não consiste na pregação da caridade (nisso, pelo contrário, eles são dignos de aplauso e louvor); seu erro está em dizer que basta a caridade somente. Jesus Cristo nunca ensinou isso. Pois Jesus, o evangelista da caridade, foi também o evangelista da fé.”

- Espiritismo – orientação para católicos, VII, art. 3

“Jesus, o evangelista da caridade, foi também o evangelista da fé.” Nem todos os católicos se importam com este fato relevante. Renunciam, então, à veneração de uma religiosa autenticamente católica, para prestar culto a um homem que sequer acreditava nos princípios mais basilares da fé cristã – como a fé na Trindade ou na infalibilidade das Escrituras. Foi graças a estes católicos – que preferem o sincretismo a obedecer a doutrina de sua Igreja – que Chico Xavier venceu esta competição. É graças a estes cristãos self-service – que escolhem seguir os preceitos evangélicos que lhe agradam – que um líder espírita é mais popular que um Frei Galvão ou que uma Beata Irmã Dulce dos pobres. É forçoso reconhecer, mas a história de que somos a nação “mais católica do mundo” não passa de uma grande farsa. Estamos mais para a nação mais incoerente, ou mais hipócrita.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* * *

Leia também: Chico Xavier e o sincretismo religioso, do arquivo de nosso blog.

Cresce número de evangélicos no Brasil. Mas fora da Igreja continua não havendo salvação.

Está nos jornais desta última semana: Catolicismo cai 22,4% e vê nova ascensão de evangélicos; uma notícia semelhante saiu no G1: Aumento de evangélicos no Brasil reduz número de católicos para 64,6%. “Herança da colonização portuguesa, o catolicismo enfrenta o momento de maior arrefecimento da história do Brasil”, reporta o Terra. “Mesmo mantendo sua predominância, o catolicismo perde cada vez mais terreno para a religião evangélica.” Os números falam por si. Nas últimas duas décadas, a pesquisa revela que um grupo de aproximadamente 123 milhões de fiéis deixou de se declarar “católico”.

O uso do itálico na palavra “fiéis” é proposital. Ora, se estes que deixaram o catolicismo fossem verdadeiramente fiéis, não teriam abandonado a sua fé, traído a sua Igreja, renegado o seu Batismo. Se “migraram” da barca de Pedro para a confusão dos botes protestantes, é porque ou não possuem um conhecimento autêntico da doutrina – questão de ignorância – ou se entregaram ao relativismo moral e ao pragmatismo subjetivista – questão de egoísmo mesmo.

Gostaria de deter-me um pouco nesta questão do relativismo. Está se espalhando de maneira assustadora no meio dos cristãos uma ideia diabólica, segundo a qual a religião não seria mais importante, afinal “placa de igreja não salva ninguém” – é o que dizem costumeiramente. Pior de tudo: há muitos “católicos” aderindo a esta forma de pensamento – não surpreende que muitos desses mesmos “católicos” depois se filiem a comunidades evangélicas, traindo uma Fé que, na verdade, nunca conheceram de fato. Realmente, a salvação não tem nada a ver com “placa de igreja”. A salvação tem a ver com a Igreja. O uso da letra maiúscula aqui identifica algo muito maior e mais significativo que um simples edifício material ou uma mera denominação religiosa; identifica aquilo que as Escrituras dizem ser o Corpo Místico de Cristo (cf. Cl 1, 24). E este edifício espiritual, que tem o próprio Cristo como cabeça, é sim necessário para a salvação. Afinal, foi pela Igreja que Jesus se entregou em sacrifício, ensina São Paulo: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5, 25-27). E esta Igreja tem fundamento visível, constituído pelo próprio Deus. Foi a São Pedro que nosso Senhor concedeu as chaves do Reino dos céus e foi sobre ele também que edificou a Sua Igreja (cf. Mt 16, 18-19). Pela história, sabemos que os apóstolos deixaram sucessores e estes, ao longo dos séculos, foram transmitindo a Fé que receberam, mantendo-a íntegra, incólume. Então, não tem nada de “o que importa é o coração” ou “eu me basto”; o que basta é a doutrina apostólica, é o ensinamento dos primeiros cristãos, é a pregação do Evangelho na sua pureza. E isto é legado aos cristãos pela Igreja Católica, fora da qual – dizemos e repetimos com orgulho – não há salvação.

Ora, mas isto não é entrar em defesa de “placa de igreja”? Absolutamente não! Como foi dito, estamos falando da Igreja, e não de igrejas… Estas têm a ver com fundação humana, têm a ver com a rebeldia, com a desobediência, desde a revolta de Lutero no século XVI até o escândalo dos mercenários pentecostais de nosso tempo, como Valdomiro Santiago, Edir Macedo et caterva. Quando dizemos que fora da Igreja não há salvação, falamos daquela fundada por Deus – a Igreja de Cristo, “una, santa, católica e apostólica”, esposa do Cordeiro.

Como diz São Cipriano, “aquele que se separa dela (…) se junta com uma adúltera”. Estes que se juntaram principalmente às seitas pentecostais geralmente experimentaram os amargos frutos da Teologia da Libertação. Sedentos de uma experiência mais pessoal com nosso Senhor, acabaram entregando-se a uma prostituta – nem todos verdadeiramente conscientes disto. Outros dissidentes, porém, traíram a Cristo gratuitamente. Mesmo sabendo que “esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação” (CIC, n. 846), correram para as seitas, em busca de conforto econômico, físico ou psicológico. “Porque virá tempo – já alertava o Apóstolo dos gentios – em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas” (2 Tm 4, 3-4).

Aquilo que o IBGE traduz como estatística já estava profetizado por São Paulo há milênios. Não temos o que temer; não há porque se assustar. Acontece em nossos tempos aquilo que nosso Senhor já falava que seria o julgamento: “A luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más” (Jo 3, 19).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Quer acabar para sempre com sua fé? Um convertido apresenta dez formas infalíveis de fazê-lo.

Fonte: Religión en Libertad | Tradução: Ecclesia UnaO autor destas recomendações é um blogueiro. Não há muito mais o que dizer, a rede tem estas coisas. Chama-se Jason L. – sendo conhecido também como The Idler (“O Preguiçoso”) -, tem 28 anos, estuda Teologia, ama a cerveja Guinness (o esboço de imagem mostra ele com uma boa caneca* nas mãos) e é periodista freelancer. E, o mais importante: está “orgulhoso” de ter se convertido à fé católica.

Em uma recente postagem de seu blog Subida ao Monte Carmelo, ele fez um interessante elenco de As dez melhores formas de matar sua fé, com reflexões de índole espiritual que servem de guia ao leitor. Ele considera serem elas “as dez formas mais efetivas de arruinar por completo sua vida espiritual até uma sequidão absoluta, ou ao menos até fazer nela um buraco considerável”. Recomenda, portanto, a que sejam evitadas, caso queira crescer na vida espiritual.

Vejamo-las, então, seguindo o conselho de Tomás de Kempis, na Imitação de Cristo (I, 5, 1): “Não procures saber quem o disse; mas considera o que se diz”.

1. Admita que a Igreja está acabada. Escute àqueles que atacam a fé, sem a certeza que sua fé é forte o suficiente para sustentá-la. Assim você começará a sentir-se isolado, a enfadar-se e sentir-se longe de uma fé que um dia lhe pareceu bela, e a assumir que a maioria dos católicos de hoje estão completamente omissos com relação à sua fé.

2. Seja o mais escrupuloso possível. Diante da imponente realidade da Presença Real [de Jesus na Eucaristia] e da Santa Comunhão, ao invés de fazer um bom exame de consciência e confessar-se, se quer chegar a um estado de loucura como o de Nietzsche, prenda-se a cada uma de suas ações e considere que todos os pecados são mortais. Viva atemorizado. Garanto-lhe que sua fé arderá nessas chamas.

3. Esqueça da Misericórdia Divina. Dê atenção à Sua Justiça. Você tem que chegar à conclusão que Deus não é misericordioso, de que está desejoso de ver-lhe gritar no inferno. Com isso, você não somente matará sua fé e seu amor a Deus, mas também chegará facilmente ao mundo oposto dos anticristãos.

4. Preste atenção na vida espiritual de todo mundo, menos na sua. Faça uma análise minuciosa dos demais, mas você mesmo não trabalhe na sua própria salvação com temor e tremor.

5. Não mantenha discussões inteligentes sobre religião. Sobretudo, discuta muito. Cada vez que alguém te desafiar a sua fé de alguma forma, comece a manifestar indisposição, ignore o que diz o seu adversário e faça o possível para evitar conversar.

6. Faça o mínimo do mínimo que lhe seja exigido; converta-se em um católico vago. Comece por ir à Missa só aos domingos, logo procure faltar uma semana, e, antes de que perceba estará indo à igreja somente no Natal e na Páscoa.

7. Ignore sua fé. A melhor forma para abandoná-la é não buscar conhecê-la jamais. Não leia as Escrituras, nem os Santos Padres, não leia livros de teologia nem estude história. Assim, quando alguém duvidar ou atacar a sua fé, imediatamente você cederá.

8. Procure não comungar com frequência, porque isso seria o que mais poderia ajudar sua vida cristã. Se você realmente quer crescer fraco, procure não comungar, porque, se não, cada vez que fizer isto, se sentirá limpo e rejuvenescido.

9. Assuste-se cada vez que ver um desafio contra a fé: minta, esconda-se, fuja. Isto é fundamental: cada vez que alguém objetar a sua fé, dê meia-volta e corra. Ou ainda melhor, peça desculpas e fique envergonhado. Isto fará você se sentir falso em sua fé, desleal, indigno de comungar, covarde. Se realmente quer perder a fé, aconselho a que se acovarde diante dela.

10. Acima de tudo: não reze nunca! Não rezar te afasta da conversa com Deus. Se quer matar sua fé de verdade, esta é a via. A oração é a água que mantém viva a árvore: esquece da água, e verá como se seca.

Leia o artigo completo em inglês.

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* Nota do tradutor: No artigo em espanhol, o termo usado não pode ser traduzido como caneca. É a expressão pinta, que é uma unidade de volume anglo-saxônica, equivalente a 0,568 litros.

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Aproveitamos a oportunidade para indicar um ótimo vídeo de São Josemaría Escrivá, explicando o que devemos fazer quando não estamos com vontade de rezar.

O Papa em Cuba

O Papa Bento XVI pisou ontem em solo italiano, depois de fazer uma breve viagem a América Latina. O Santo Padre visitou o México e também a ilha de Cuba, onde, além de celebrar a Eucaristia com os fiéis católicos do país, teve a oportunidade de se encontrar com Fidel Castro, o ditador comunista que governou por longos 32 anos o povo cubano.

Disponibilizamos abaixo uma seleção – arbitrária, diga-se de passagem – dos melhores discursos do Papa na ilha. ;)

“Muitas partes do mundo atravessam, hoje, um momento de particular dificuldade econômica, cuja origem tantos concordam em situá-la numa profunda crise de tipo espiritual e moral, que deixou o homem sem valores e desprotegido contra a ganância e o egoísmo de certos poderes que não têm em conta o bem autêntico das pessoas e das famílias. Não é possível continuar por mais tempo na mesma direção cultural e moral, que causou esta situação dolorosa que muitos sentem. Em vez disso, o verdadeiro progresso necessita duma ética que coloque no centro a pessoa humana e tenha em conta as suas exigências mais autênticas, de modo especial a sua dimensão espiritual e religiosa. Por isso, vai ganhando cada vez mais espaço, no coração e na mente de muitas pessoas, a certeza de que a regeneração das sociedades e do mundo exige homens retos e de firmes convicções morais e altos valores de fundo que não sejam manipuláveis por interesses limitados mas correspondam à natureza imutável e transcendente do ser humano.”

- Cerimônia de boas-vindas no Aeroporto de Santiago
26 de março de 2012

“Quando contemplamos o mistério da Encarnação, não podemos deixar de voltar os nossos olhos para Ela, enchendo-nos de admiração, gratidão e amor ao ver como o nosso Deus, para entrar no mundo, quis contar com o consentimento livre duma criatura sua. Só a partir do momento em que a Virgem respondeu ao anjo: ‘Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1, 38), é que o Verbo eterno do Pai começou a sua existência humana no tempo. É comovente ver como Deus não só respeita a liberdade humana, mas parece ter necessidade dela. E vemos também como o início da existência terrena do Filho de Deus está marcado por um duplo ‘sim’ à vontade salvífica do Pai: o de Cristo e o de Maria. É esta obediência a Deus que abre as portas do mundo à verdade, à salvação. De fato, Deus criou-nos como fruto do seu amor infinito; por isso viver segundo a sua vontade é o caminho para encontrar a nossa verdadeira identidade, a verdade do nosso ser, enquanto que o distanciamento de Deus nos afasta de nós mesmos e precipita-nos no vazio. A obediência na fé é a verdadeira liberdade, a autêntica redenção, que permite unirmo-nos ao amor de Jesus no seu esforço por Se conformar com a vontade do Pai. A redenção é sempre esse processo de levar a vontade humana à plena comunhão com a vontade divina.”

- Homilia na Missa da Solenidade da Anunciação do Senhor
26 de março de 2012

“Com efeito, a verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica. Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam sobre a possibilidade de conhecer a verdade (cf. Jo 18, 38), proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos. Esta atitude, como no caso do ceticismo e do relativismo, produz uma transformação no coração, tornando as pessoas frias, vacilantes, distantes dos demais e fechadas em si mesmas. São pessoas que lavam as mãos, como o governador romano, e deixam correr o rio da história sem se comprometer.”

“Entretanto há outros que interpretam mal esta busca da verdade, levando-os à irracionalidade e ao fanatismo, pelo que se fecham na ‘sua verdade’ e tentam impô-la aos outros. São como aqueles legalistas obcecados que, ao verem Jesus ferido e ensanguentado, exclamam enfurecidos: ‘Crucifica-o!’ (cf. Jo 19, 6). Na realidade, quem age irracionalmente não pode chegar a ser discípulo de Jesus. Fé e razão são necessárias e complementares na busca da verdade. Deus criou o homem com uma vocação inata para a verdade e, por isso, dotou-o de razão. Certamente não é a irracionalidade que promove a fé cristã, mas a ânsia da verdade. Todo o ser humano deve perscrutar a verdade e optar por ela quando a encontra, mesmo correndo o risco de enfrentar sacrifícios.”

- Homilia na Missa em Havana, na Praça da Revolução
28 de março de 2012

Quem está mais próximo do Reino de Deus?

“Há teólogos que, à vista de todas as coisas terríveis que acontecem hoje no mundo, põem em dúvida se Deus não possa ser realmente omnipotente. Diversamente, nós professamos Deus, o Omnipotente, o Criador do céu e da terra. E sentimo-nos felizes e agradecidos por Ele ser omnipotente; mas devemos, ao mesmo tempo, dar-nos conta de que Ele exerce o seu poder de maneira diferente de como costumamos fazer nós, os homens. Ele próprio impôs um limite ao seu poder, ao reconhecer a liberdade das suas criaturas. Sentimo-nos felizes e agradecidos pelo dom da liberdade; mas, quando vemos as coisas tremendas que sucedem por causa dela, assustamo-nos. Mantenhamos a confiança em Deus, cujo poder se manifesta sobretudo na misericórdia e no perdão. E estejamos certos, amados fiéis, de que Deus deseja a salvação do seu povo. Deseja a nossa salvação, a minha salvação, a salvação de cada um. Sempre, mas sobretudo em tempos de perigo e transtorno, Ele está perto de nós, e o seu coração comove-se por nós, inclina-se sobre nós. Para que o poder da sua misericórdia possa tocar os nossos corações, requer-se a abertura a Ele, é necessária a disponibilidade para abandonar livremente o mal, levantar-se da indiferença e dar espaço à sua Palavra. Deus respeita a nossa liberdade; não nos constrange. Ele aguarda o nosso «sim» e, por assim dizer, mendiga-o.”

“No Evangelho, Jesus retoma este tema fundamental da pregação profética. Narra a parábola dos dois filhos que são convidados pelo pai para irem trabalhar na vinha. O primeiro filho respondeu: «“Não quero”. Depois, porém, arrependeu-se e foi» (Mt 21, 29). O outro, ao contrário, disse ao pai: «“Eu vou, senhor.” Mas, de facto, não foi» (Mt 21, 30). À pergunta de Jesus sobre qual dos dois cumprira a vontade do pai, os ouvintes justamente respondem: «O primeiro» (Mt 21, 31). A mensagem da parábola é clara: Não são as palavras que contam, mas o agir, os actos de conversão e de fé. Jesus, como ouvimos, dirige esta mensagem aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo de Israel, isto é, aos peritos de religião do seu povo. Estes começam por dizer «sim» à vontade de Deus; mas a sua religiosidade torna-se rotineira, e Deus já não os inquieta. Por isso sentem a mensagem de João Baptista e a de Jesus como um incómodo. E assim o Senhor conclui a sua parábola com estas palavras drásticas: «Os publicanos e as mulheres de má vida vão antes de vós para o Reino de Deus. João Baptista veio ao vosso encontro pelo caminho que leva à justiça, e não lhe destes crédito, mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram nele. E vós, que bem o vistes, nem depois vos arrependestes, acreditando nele» (Mt 21, 31-32). Traduzida em linguagem de hoje, a frase poderia soar mais ou menos assim: agnósticos que, por causa da questão de Deus, não encontram paz e pessoas que sofrem por causa dos seus pecados e sentem desejo dum coração puro estão mais perto do Reino de Deus de quanto o estejam os fiéis rotineiros, que na Igreja já só conseguem ver o aparato sem que o seu coração seja tocado por isto: pela fé.

- Papa Bento XVI, Homilia na Esplanada do Aeroporto de Freiburg
24 de setembro de 2011

A fortaleza dos mártires é prova da verdade de nossa fé

“Quinze imperadores romanos empregaram durante muitos anos todas as suas forças para exterminar a religião cristã. Sob o império de Diocleciano, que declarou a nona perseguição, foram trucidados, em um só mês, 17 mil cristãos, sem contar os milhares e milhares que foram desterrados. Segundo o cômputo de Genebrardo, o número dos mártires que perderam a vida, nas dez grandes perseguições, se eleva a 11 milhões, de modo que, distribuindo-os para cada dia do ano, teremos 30 mil mártires para cada dia.”

“Apesar de martirizarem a estes confessores de Cristo de toda a maneira imaginável, dilacerando-os com unhas de ferro, queimando-os em grelhas incandescentes, aplicando tochas ardentes a seus corpos, atormentando-os com outros horrores, o número dos que estavam prontos a morrer por sua fé não diminuía, antes crescia cada vez mais. Tibério, governador da Palestina, escreveu ao imperador Trajano que se ofereciam tantos cristãos ao martírio que era impossível supliciar a todos. Trajano publicou então um edito que mandava deixar em paz os cristãos.”

“Agora pergunto: Se não fosse verdadeira essa fé professada pelos mártires e até hoje pela Santa Igreja, e se Deus não os tivesse assistido, como poderiam suportar aqueles horrendos tormentos e submeter-se a uma morte tão cruel? – Que mártires, porém, podem apresentar as seitas separadas da Igreja Católica? Possuem elas talvez um S. Lourenço que, enquanto era assado na grelha, transbordava de alegria, oferecendo por gracejo ao tirano em pasto seus membros assados pelo fogo? Possuem talvez um S. Marcos ou Marcelino, cujos pés foram transpassados com cravos e que responderam ao juiz que os aconselhava a renunciarem à fé para verem-se livres de tal tormento: Falas em tormento e nós nunca sentimos tão grande alegria como agora que padecemos por Jesus Cristo! Possuem talvez um S. Processo ou Martiniano, cujos corpos foram queimados com chapas de ferro em brasa e dilacerados com pentes de ferro e que, apesar disso, cantaram sem interrupção os louvores de Deus e exprimiram um desejo ardente de morrer por Jesus Cristo?”

- Santo Afonso de Ligório
(Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã,
segunda parte, capítulo primeiro, da fé)